Boletim Mensal * Ano V * Outubro de 2006 * Número 44

           

COLUNA DOS VINHOS

Ivo Amaral Junior

 

Caríssimos compadres, esse mês foi excelente para os apreciadores de vinho aqui em Recife. Tivemos a oportunidade de degustar aproximadamente duzentos e oito rótulos de vinho, no primeiro Ingá Wine Festival, ocorrido no início de outubro, evento que repercutiu bastante e certamente fará parte do calendário enológico nordestino e nacional, quiçá internacional, ante o nível de prestígio que alcançou, em sua primeira edição.

Sempre digo que essa reverberação de sucesso absoluto do evento é importantíssima para que todos nós possamos ter orgulho de Pernambuco ser fortalecido como o principal centro enogastronômico do Norte-nordeste.

O evento contou com a presença de quatrocentas pessoas, pois havia limitação de espaço, que tiveram a oportunidade de degustar e conhecer produtores e negociantes de grandes vinícolas do novo e do velho mundo. O buffet estava excepcional, havendo uma perfeita harmonização entre a mesa de frios e os vinhos servidos, inclusive havendo a indicação do melhor acompanhamento, por parte de alguns promotores do evento; talvez uma das mais prestigiadas tenha sido o vinho Late Harvest da Miolo com Damascos ou da Cava Cristialino com um presunto Parma, além do tinto português D´Avillez com o patê de berinjelas, sem esquecer o Chileno De Solminihac com queijo e azeitonas ou patê de tomates secos.

Para mim o vencedor da noite foi o argentino Trapiche Malbec 2003 Reserva, que acompanhado ou não, caiu muito bem. Realmente foi o vinho do evento, sendo um dos mais concorridos e, ao lado do Iscay, da mesma produtora, avidamente consumidos.

Os portugueses vieram com força total, inclusive vários sendo monocastas (geralmente de touriga nacional ou castelão), havendo um que me chamou bastante a atenção, chamado “A Bela Sintra”, que somente é distribuído no Brasil aqui em Recife e no Restaurante homônimo, na Rua Bela Sintra, em São Paulo. Quem tiver oportunidade de degustar certamente ficará maravilhado com a qualidade e o custo-benefício do vinho.

Os chilenos mostraram o porque de serem os melhores produtores da América Latina, trazendo excelentes vinhos, principalmente o Santa Ema Gran Reserva, mas não posso deixar de citar os espanhóis, que fizeram enorme sucesso e são pouco consumidos aqui e os africanos, os quais mostraram aromas deliciosos e capacidade de evolução e guarda.

Os vinhos nacionais não ficaram atrás, destaco o Salton Talento (que para mim, hoje, é o melhor vinho nacional), o Miolo RAR e o Dom Cândido Reserva. A Cave do Amadeu e a Dom Cândido trouxeram a sensação do momento, o bag-in-box, que permite o consumo e guarda do vinho por quase um mês, sem perder suas características. Ideal para quem toma apenas uma ou duas taças por dia. O espumante Cave Geisse mais uma vez mostrou porque o vinho espumante nacional está entre os melhores do mundo, é deliciosa e, em várias versões, pode ser degustada em qualquer situação, assim como o da Casa Perini.

Por fim, não posso deixar de citar a degustação de azeites, os maravilhosos e deliciosos da Cartuxa, Álamos, Malta e Cortes de cima. Verdadeiro show! Vou ficando por aqui, mas mês que vem teremos novidades, pois estarei voltando da terrinha com novidades sobre vinhos portugueses e espanhóis.

Ah! Quase ia esquecendo que no outro dia, em comemoração ao sucesso do evento, alguns sortudos, como eu, fomos brindar com a segunda Champanhe mais consumida na França, a Pommery, que teve como dirigente visionária a viúva Pommery (mais uma viúva da região de Champanhe), produzindo o Champanhe Winter time, que está adentrando no mercado nordestino, produzida a partir de uvas tintas somente (tendo por base a Pinot Noir), que pode ser degustada em qualquer hora e oportunidade, inclusive acompanhando uma refeição. O preço não ajuda muito, mas que estava extraordinária, estava! E naquele precinho... zero oitocentos... 

 

 

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