Caminhos

 

 

XLVIII

 

 

Que tens, mulher, que me enlouqueces dessa forma?

Se ao ver-te sonho com teu corpo,

Se teus lábios guardam o gosto de outros, que não os meus,

E estão fechados para mim?

 

Teu corpo, mulher, conta a história de mil naufrágios,

De homens perdidos, loucos, lançando-se ao mar

Em busca de sereias.

É lenda, é sonho,

E só em sonho posso sentir o sabor de tua carne

E o roçar de teus pêlos.

 

Quem és tu, forma feminina, que me destróis com o olhar,

Com um sorriso dissimulado?

 

Ai de mim, que vivo em tua sombra,

Respirando migalhas de teu perfume!

 

Soubesse-te eu anjo, ninfa, diáfana presença qualquer

Somente tangível aos imortais,

Ainda assim ousaria tocar com meus lábios os teus,

Sentir em tua carne a minha,

E em teu corpo entregar-me ao mais doce dos fins.

 

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