XLIV
Na margem do caminho cruzei teus
passos
e seguiste ao meu lado sem nada
dizer.
Fiz de teus olhos os sonhos de
minh'alma,
de teus lábios fonte para minha
sede,
de teus braços repouso para meu
cansaço
e fiz de ti versos para meu poema.
Na margem do caminho sentaste cansada
e te ofereci meus braços para
carregar-te
e meu sangue para saciar tua sede.
Dei-te meu corpo para aplacar tua
fome
e entreguei em tuas mãos meus mais
profundos segredos.
Na margem do caminho
fiz-te companheira e confidente,
entreguei-te meus sonhos e minhas angústias;
quis estar ao teu lado eternamente,
acompanhar-te em teu caminho,
ser o fim de tua procura.
Na margem do caminho olhaste em meus
olhos
e, sem falar nada, disseste-me adeus.
Não era meu destino seguir teu
destino,
nem seguia teu caminho ao lado do
meu.
E, assim como te encontrei, foi que
te perdi.
Na margem do caminho sento meu cansaço
e, nas ilhas perdidas em meio ao
oceano
que banha os caminhos que fui,
crio teu reino de fantasias
e relembro o dia em que te encontrei.
Na margem do caminho,
teus olhos distantes me incitam a
viver.