III
Foi como um sonho,
uma peça,
misturamos fantasia com realidade,
esquecemos quem éramos,
o que fazíamos, que era ficção,
que apenas representávamos,
e da fantasia fizemos nosso mundo
e nos convencemos de que era real.
Vivemos de sonhos,
confundindo sonhos com vida,
ficção com verdade;
perdemo-nos entre suspiros,
sorrisos, olhares,
e pensávamos: será sempre assim.
Mas à noite seguiu-se a alvorada
e a manhã nos chamou à realidade:
a peça terminara;
fecharam-se as cortinas
e, entre as lágrimas e os aplausos
do público,
nada nos restou,
senão lembranças.