COIMBRA MINHA

            Todo o estudante de Coimbra traz no Baú do regresso um livro para escrever. Se não o escreve é porque as realidades da vida lhe vão rasgando os sonhos como fotografias velhas. O livro fica no fundo do baú com a pasta de quintanista babada de fitas e nostalgia.

            O meu não ficou. Está aqui. Chama-se Coimbra Minha porque é da minha Coimbra que fala, como se fosse eu próprio a falar em noite de insónia. A Coimbra que vivi intensamente, em manhãs de aulas e de sol, em tardes de amor e de bisca, em noites de estudo e de fado.

            Não é um livro de enredo nem de mensagem. É apenas um feixe de crónicas, escritas ao sofrer das saudades. Ao escrevê-las, fugi sempre da nostalgia como de uma doença capaz de miasmar o tempo recordado. A nostalgia e o tédio são as ervas daninhas da saudade. E eu quero neste livro que as minhas saudades vão ao encontro de quem as sofre na mesma festa do espírito e do coração.

            Tive ainda o cuidado de trazer ao papel apenas figuras e casos capazes de caracterizar o meu tempo de Coimbra, esse tempo que hoje tem um amargo sabor a fim de época.

            Quando para lá fui, Coimbra saía do sono medieval, a espreguiçar-se nas primeiras demolições para a Cidade Universitária. Ainda me lembro da primeira grua que veio crucificar-lhe o céu, aquele céu que era só dos pássaros e das estrelas. Espalhada no Largo da Sé Nova, parecia um dinossauro esquartejado.

            - Lá tornou a cair esta merda! – disse o Ismael, ao passarmos por uns curiosos, ali parados, a olhar para aquela estranha ferraria.

            - O grupo estremeceu e olhou para o ar, receando que ainda estivesse por cair alguma peça...,...

   

 

            O livro que me recriou a juventude. Virgílio Ferreira

           

           Gostei muito deste livro. Regalei-me, por vezes, ri com ele, saboreei-o como um raro néctar. Fernando de Araújo Lima

 

            Um livro em que se condensa a exuberante alegria de uma geração de jovens, irreverentes, sim, mas capazes também das insuspeitas atitudes da fraternidade. Nuno Bermudes

 

            Uma das obras mais espirituosas que um português já escreveu, depois de Eça e Torga. Beatriz Costa

 

            Creio que nunca li nada (incluindo o In Illo Tempore) que tão bem retratasse e descrevesse o ambiente de um colectivo de estudantes de Coimbra. A. M. Pires Cabral

 

            Do «Palácio da Loucura», de que foi «repúblico» e até «louco-mor», Camilo de Araújo Correia trouxe, no baú do regresso, um farto manancial de recordações que não deixou amarelecer. M. Nogueira Borges

 

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