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Divers�o garantida...
O que pode acontecer quando uma dyke apaixonada pela namorada encontra um ex-namorado? Descubra nesse divertido texto de nossa nova colunista Mirian B.
Entre uma e outra
de Mirian B.
Dia desses eu trombei o Marcos. Marcos foi um namoro antigo, daqueles pouco s�rios, descompromissados e muito intensos. A gente se encontrou num boteco de esquina com a Paulista, mesmo bar em que nos esfreg�vamos �s sextas-feiras, antes ou depois de uma balada. Ele continuava uma gra�a; apoiou-se em minha mesa com o mesmo charme de outras �pocas. As pernas precisamente entreabertas, uma mais pra direita, outra em noventa graus. Co�ou a barriga, como de costume � meio cafa, mas ele sabia o estreito limite entre o vulgar e o sofisticado � e me deu um beijo.

Oi. Tudo bem, linda?, ele me cumprimentou. Nada mais fofo. Que fofo! Eu me flagrei flertando o Marcos. A psicologia explicaria o fato como a repeti��o de um padr�o de comportamento iniciado de uma maneira inconsciente num passado recente. Est�vamos l�, h� uma hora, quase meia, entre sorrisos, lembran�as, palavras e saudade. O telefone tocou: era a Isa, minha namorada. Minhas pernas tremeram. De repente, parecia que era ela quem me flagrara. Saberia de tudo, em instantes.

Oi. Tudo bem, linda?, ela me cumprimentou. Nada mais fofo. Que fofa! Eu amava a Isa. A gente se amava. Caramba, como poderia sentir e dizer aquilo diante do Marcos, com quem h� um segundo flertava? Pois �, eu disse. E ele ouviu.

- Amor? Foi isso o que eu ouvi?
- Hum... foi. Foi o que eu disse.
- Que legal! Voc� t� namorando.
- T�.
- H� quanto tempo?
- Nossa, faz tempo...
- Quanto?
- Dois anos e pouco.
- Porra, tudo isso? E por que nunca me contou?
- Ah, voc� nunca perguntou...
- Como se eu devesse perguntar! E eu conhe�o?
- Ah, mais ou menos.
- Como assim? Quem � o cara? Fala a�!

Foram os cinco segundos de sil�ncio mais suados desde a conversa com minha m�e. A partir daquele ponto, eu teria que tomar uma atitude. Ou eu seguiria o di�logo com o sujeito no masculino e contaria sobre a Isa referindo-me a ela como �ele�, ou mandaria ver e abriria o jogo, falando das minhas experi�ncias homoer�ticas.

N�o consegui. Mantive o ele.

Ah, � um cara a� da �poca da faculdade. Voc� j� deve ter visto, mas provavelmente n�o se lembra.

- Mas qual o nome?
(...)
- Alexandre.

A-L-E-X-A-N-D-R-E! Eu n�o me lembro de ter conhecido nenhum Alexandre em toda a minha vida. Nem sei como e porque pensei em Alexandre. Rio de mim at� hoje por isso. Mas na hora, no exato momento em que verbalizei este nome, Alexandre, eu me senti t�o rid�cula, t�o imatura, t�o babaca, que at� ele percebeu.

- Como assim? � mesmo Alexandre? Que cara � esse?
- Ah, n�o, na verdade n�o.
- � o Pedro, n�o �? Fala s�rio, o Pedro! D� at� pra entender o seu receio. O cara � um mala! Quem diria...voc� e o Pedro!
- Na verdade, tamb�m n�o � o Pedro.
- Puta que o pariu! Se n�o � o Pedro...
- � a irm� do Pedro.

Foram os cinco segundos mais suados desde o �ltimo desconforto, h� dez minutos.

- Jura?
- �.
- Mas... voc�s, bem... voc�s ... assim... p�... se comem?

Eu retiro o que disse sobre a sabedoria do Marcos em identificar a t�nue fronteira entre uma coisa e outra. �Se comem?� Isso � l� jeito de se falar de mim e da Isa? Puta falta de sensibilidade. Da� por diante, imaginem, o n�vel da conversa caiu num abismo sem fim. Detalhes picantes, exotizantes, aquele machismo todo de sempre.

Mas, ent�o, voc� n�o sente falta de nada? Claro que sente. Fora o pau, o que j� faz uma diferen�a gritante, ainda tem a seguran�a do homem, a agilidade para resolver os problemas, o lado masculino da coisa. At� porque a natureza j� fez assim, o ying e o young, o homem pra mulher, a mulher para o homem. O equil�brio, enfim.

Quanta besteira! � impressionante como o tema sexualidade � capaz de desmascarar as pessoas. O Marcos, poxa, o Marcos n�o! Ele me parecia t�o s�brio, t�o aberto � pol�tica, � vida, ao cosmos. Mas no que toca � sexualidade, era um ignorante por completo. Pronto. Minha suave atra��o por ele -  digo suave agora que j� n�o sinto mais nada � naquele instante foi rebaixada a p�. E mais: de uma hora pra outra, eu peguei asco dele. Nada mais porco. Que porco!

E a baboseira continuou...
Continua�ao...
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