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Entre uma e outra
Um conto de Mirian B.
continua��o...
- N�o, mas nada contra. Inclusive tenho algumas amigas que beijam meninas, nada demais. S� com homem: homem n�o d�, � deprimente. Porra, eu n�o consigo me imaginar de quatro, tomando no c�, e ainda batendo uma punheta. Isso � coisa de doente. Mas, voc�s, voc�s n�o. Lindinhas se acariciando, se beijando. Eu adoro!

- � porque voc� n�o viu a gente se pegando. Sabia que mulheres transam, n�o se chupam somente, Marcos? Pois �, aqueles filmes de meia-noite, no Multishow, que voc� adora, aquilo � sexo para homem heterossexual ver. L�sbicas n�o fazem isto. A gente tem mais estilo e pot�ncia tamb�m, viu?

O tom da conversa mudou. J� est�vamos no sexto chope e ele se aborreceu por eu ter usado o termo �l�sbica�. Para o Marcos, era perfeitamente normal que eu beijasse uma menina, mas n�o que me considerasse l�sbica, ou melhor, como ele disse, h o m o s s e x u a l.

- Mas eu n�o me considero l�sbica, nem hetero, nem bi, nem coisa nenhuma. Eu gosto de mulheres, mas h� duas horas atr�s, eu at� que estava bem a fim de voc�. Perdeu a oportunidade se mostrando t�o limitado, babaca.

- Eu vou te falar um neg�cio: voc� � linda, gostosa, inteligente, feminina, n�o vai virar uma dessas sapatas, agressivas, mal-amadas. Porque isso pega, viu? Voc� vai entrando nesse meio e acaba como elas, sem perceber.

Eu nem vou gastar meu tempo e meu papel descrevendo os absurdos que ele me disse. O fato � que sem querer, eu o peguei no pulo. E a queda foi feia. Bem feia.

- F�, � o seguinte. Voc� j� foi minha mulher e eu sei diferenciar uma mulher de uma dessas bolachas da Consola��o. Eu te comi, eu te senti, eu entrei em voc�. E, na boa, poucas gostaram tanto do meu pau quanto voc�. Eu lembro do seu corpo me dizendo isso. Aquilo n�o era fingimento, voc� gozou e gozou muito. N�o d� agora, depois de tudo o que a gente passou, pra voc� tentar me convencer de que gosta mais de xoxota do que do meu pau! Ou isso � hipocrisia ou voc� entrou para o clubinho e t� tentando se enganar. Cuidado, cuidado, hein?

Eu juro, juro que respirei fundo, lembrei de Freud e de suas teorias sobre auto-controle, pensei em Gandhi, na madre Teresa de Caucut�, Cristo, Buda, medita��o, feng shui, no diabo a quatro. Engoli a raiva, reprimi meus p�s-conceitos, segurei o meu desprezo.

- Eu n�o gostava do seu pau simplesmente por causa do seu pau, Marcos. Os homens gostam mais dos pr�prios paus do que as mulheres dos paus alheios. Nem pela efici�ncia, nem pelo tamanho, t�o pouco se ele era enveredado para a direita ou para a esquerda. Eu gostava de voc� � n�o sei como � mas gostava. E voc� tamb�m, bem que me curtia que eu sei. Era a primeira, talvez a �nica vez em que voc� transava com algu�m que n�o enojava ou, no m�ximo, achava entediante. Voc� me considerava inteligente, me admirava. E, claro, isso tem um efeito sexual e tanto.

- Agora, veja bem:. Eu S� GOSTAVA de voc� e voc� S� GOSTAVA de mim. Ainda assim, a gente dan�ou e dan�ou, brincou e brincou. Ent�o,  imagina com a Isa. Eu AMO a Isa e a Isa me AMA. Se eu gosto mais da buceta dela do que do seu pau?

... � melhor a gente pedir a conta.

Eu n�o pude me ag�entar. Logo que sa� do bar, liguei pra Isa. Contei tudo, exceto o flerte inicial, claro, entre mim e o porco do Marcos. N�s rimos durante um tempo, tanto tempo que a mo�a da recep��o do motel at� ligou pra avisar que o pernoite havia se esgotado. Foi uma noite de sexo, sexo selvagem, daqueles que o Marcos n�o poderia imaginar. Ele n�o seria capaz de fantasiar nada al�m dos dedos e da l�ngua. N�o faltou nada. Na real, nunca falta. Pra quem tem dois pares de seios, que diferen�a faz um pau a mais ou a menos? Na maioria das vezes, eles at� atrapalham. O que a Isa mais gostou dessa hist�ria toda foi o fato de ter sido irm� do Pedro. �Que Pedro � esse? Que Pedro � esse?�  Nada mais fofo. Que fofa!
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