Sub-tópicos desta página:

- Polemicas
- Proudhon
- Manifesto



Ideologia




          A primeira tarefa com que se defrontou o novo materialismo prático foi a de explicar o mecanismo da formação das ideologias. Marx e Engels procuraram se desincumbir dessa tarefa no livro intitulado A Ideologia
Alemã.

          Todos os homens, no curso de suas vidas, adotam e utilizam determinadas formas de representação da realidade, determinadas maneiras particulares de encarar o mundo e a vida. À base dessas maneiras de avaliar as coisas, os seres humanos criam suas escalas de valores: convencem-se do que devem esperar da vida, de como devem viver e de quais são os objetivos que devem perseguir com prioridade em suas respectivas existências.

          O conjunto dessas formas de representação da realidade e dessas normas que os indivíduos proclamam ou praticam em seus comportamentos é que constitui a ideologia.

          Para explicar a formação das ideologias, Marx e Engels lembraram o que teria ocorri do nos primeiros momentos da história da humanidade. Enquanto o homem era menos humano do que propriamente animal, o que é que acontecia? Os nossos antepassados mais antigos não produziam seus meios de subsistência: limitavam-se a consumir aquilo que a natureza lhes oferecia já pronto para o consumo. A economia dos homens primitivos era, pois, puramente coletora, predatória. Os bandos de homens primitivos chegavam a uma região onde havia alimentos, comiam esses alimentos e depois iam embora, em busca de outras regiões, onde existissem novos alimentos.

          O homem primitivo se guiava por seus instintos, por suas necessidades imediatas. Era a natureza quem comandava os movimentos dele: ele fazia o que a natureza exigia.

          Quando desenvolveu uma determinada capacidade de modificar a natureza pelo seu trabalho, entretanto, o ser humano adquiriu certa independência em face da natureza. E passou a produzir seus meios de subsistência, quer dizer, criou para a sua comunidade uma economia produtora.

          Ocorre, porém, que o desenvolvimento do trabalho não teve apenas conseqüências positivas. Teve, também, uma conseqüência negativa, trágica: a escravidão. Antes, na época em que o trabalho ainda não se tinha desenvolvido, a escravidão não compensava. Para manter um escravo, o que o proprietário precisava gastar com a comida (para evitar que o escravo morresse de fome), com as roupas (para evitar que o escravo morresse de frio) e com a vigilância (para evitar que o escravo fugisse) era praticamente mais do que escravo conseguia produzir.

          Depois que o trabalho humano se desenvolveu, todavia, a escravidão passou a valer a pena. E, com a exploração do trabalho escravo, apareceram a primeira forma de divisão social do trabalho e a primeira forma de propriedade privada de uma fonte de produção. "Divisão social do trabalho e propriedade privada; escreveram Marx e Engels; são termos idênticos; um diz, em relação à escravidão, a mesma coisa que o outro diz em relação ao produto dela".

          A partir da divisão social do trabalho, desapareceu a possibilidade de se desenvolver um ponto de vista universal espontaneamente comum a todos os homens. As conveniências dos indivíduos pertencentes às classes dominantes; que exploravam o trabalho alheio; fizeram com que eles fossem levados a acreditar que o ponto de vista particular deles era a expressão natural, automática, do ponto de vista universal conveniente a todos as homens.

          As classes dominantes, ao governarem a sociedade dividida, utilizam o aparelho do Estado para inculcarem nos indivíduos das classes exploradas a ideologia que serve para justificar a exploração. Ou, no melhor dos casos, a ideologia que prejudica qualquer ação eficaz contra o sistema que convém aos exploradores. "As idéias da classe dominante são, em cada época, as idéias dominante. Ou, dito em outros termos, a classe que exerce o poder material dominante na sociedade é, ao mesmo tempo, o seu poder espiritual dominante".

          O poder da classe dominante nem sempre consegue se exercer sem resistência. As vezes, uma nova classe se eleva e contesta a legitimidade da organização vigente. A existência de autênticas idéias revolucionárias propagadas no interior de uma sociedade só é possível, aliás, quando já existe unia classe revolucionária atuando dentro dela.

          Até hoje, tanto as ideologias das classes dominante como as ideologias das classes que têm conseguido se levantar contra a dominação a que são submetidas têm sido formas unilaterais de representação da realidade na consciência dos homens.

          A consciência de tipo ideológico, por estar ligada à divisão da sociedade em classes, nunca tem conseguido exprimir plenamente um ponto de vista autenticamente universal, próprio da comunidade humana.

          Em nosso tempo, contudo, o sistema capitalista, promovendo um extraordinário desenvolvimento tecnológico, impulsionando o trabalho humano a níveis altíssimos de produtividade, e criando o proletariado industrial, estabeleceu as premissas necessárias para uma superação desse estado de coisas. Em sua ascensão, o proletariado prepara a instauração de uma nova sociedade, na qual a propriedade privada e a divisão social do trabalho tendem a se extinguir.

          Por isso, na medida em que o proletariado antecipa, em seu movimento, aspectos da comunidade humana reunificada do futuro, sua concepção do mundo; o materialismo prático; já apresenta elementos em que se nota a superação da unilateralidade deformadora que tem limitado o alcance das ideologias do passado.


Polêmicas






          De1844 a 1846,Marx teve várias polêmicas. Primeiro, brigou com Ruge. Depois com a ajuda de Engels, brigou com a família Bauer. Por fim, ainda ampliou a área das suas desavenças: A Ideologia Alemã reuniu páginas de combate não só às idéias de Bruno Bauer como também às idéias de Feuerbach e às idéias do filósofo individualista Max Stirner (autor de um livro intitulado O Único e sua Propriedade).

          Tendo acabado de redigir A Ideologia Alemã, Marx e Engels não encontraram editor interessado em publicar a obra e deixaram- na entregue à "crítica roedora das ratazanas": os originais ficaram esquecidos numa gaveta. As ratazanas devoraram, de fato ,algumas páginas, o que sobrou veio posteriormente a ser publicado na íntegra, mas só em 1931. Marx não se aborreceu com o fato do livro não ter sido publicado na ocasião. Era um livro pesado, extenso, de leitura difícil, e o principal objetivo com que fôra escrito era o de proporcionar aos autores uma opor tunidade para eles esclarecerem a si mesmos os traços fundamentais da nova concepção filosófica que estavam elaborando.

          Com suas idéias melhor definidas, Marx sentiu necessidade de passar logo à atividade prática e procurou entrosar-se com o movimento operário europeu, intensificando seus contratos com os dirigentes comunistas de Londres e de Paris.

          Em 30 de março de 1846, realizou-se em Bruxelas uma importante reunião do comitê operário local, filiado à "Liga dos Justos", entidade comunista fundada por Weitling. A esta reunião compareceram tanto Weitling como Marx.

          Weitling, filho de um oficial francês e de uma lavadeira alemã, era um líder operário de grande prestígio e pregava um comunismo bastante ingênuo, por ele mesmo qualificado de "igualitário". Sua ambição era a de montar um exército de 40.000 marginais e trabalhadores, com o qual pretendia implantar imediatamente o seu comunismo "igualitário" em toda a Europa.

         Marx travou com Weitling violenta discussão. Observou-lhe que era tolice pretender implantar o comunismo em lugares onde nem sequer a revolução burguesa tinha se realizado ainda. Advertiu-o quanto à irresponsabilidade de envolver trabalhadores em ações revolucionárias mal amadurecidas ou em aventuras românticas. E, por fim, disse-lhe que já era tempo dele procurar apresentar ao proletariado um programa solidamente as sentado em bases científicas.

          Weitling respondeu a Marx dizendo-lhe que o proletariado revolucionário não precisava de teorias e devia desconfiar dos teóricos. Irritado, Marx deu um vigoroso murro na mesa e gritou para Weitling: "A ignorância jamais foi útil a alguém! ". A reunião teve de ser encerrada às pressas.

          Mais tarde, na medida em que seus pontos de vista iam prevalecendo sobre os de Weitling, Marx concordou em ingressar na "Liga dos Justos". Em junho de 1847, a Liga realizou um Congresso em Londres: Marx não pôde comparecer por falta de dinheiro, mas Engels foi e falou em nome dele. Por sugestão de Engels, a Liga adotou uma organização interna mais democrática e mudou seu antigo lema; que era "todos os homens são irmãos"; para a conclamação: "proletários de todos os países, uni-vos! ". Além disso, a Liga passou a chamar-se "Liga dos comunistas".



 
 

Proudhon





          Em maio de 1846, Marx escreveu a Proudhon uma carta, convidando-o para fazer parte de um comitê encarregado de promover, através de correspondência, um constante intercâmbio de idéias entre comunistas de vários países.

          Proudhon respondeu dizendo que, em princípio, achava a idéia interessante, porém advertiu que não aprovava a ação revolucionaria como método para transformar a organização econômica e social. E aproveitou para comunicar a Marx que estava terminando de escrever um livro e que o enviaria ao seu "caro filósofo" logo que o mesmo saísse, para. ouvir-lhe a crítica e, se fosse o caso, sentir-lhe a "palmatória".

          Marx recebeu em dezembro de 1846 o livro de Proudhon: o Sistema das Contradições Econômicas. Pôs-se imediatamente a preparar sua resposta: a "palmatória" que Proudhon desafiara. Como a obra do outro tinha o subtítulo de A Filosofia da Miséria, Marx deu à sua réplica o título de A Miséria da Filosofia.

          Proudhon condenava a filosofia dos que procuravam explorar a miséria dos trabalha dores, conduzindo-os por caminhos revolucionários (que, a seu ver, só lhes trariam prejuízos). Marx criticou Proudhon por reduzir a dialética hegeliana às proporções mais mesquinhas que poderiam ser imaginadas. "Na França, ele tem o direito de ser um mau economista, porque passa por ser um bom filósofo alemão. Na Alemanha, tem o direito de ser um mau filósofo, porque passa por ser um dos melhores economistas franceses".

          Proudhon era então, na França, muito mais conhecido do que Marx. Sua obra O que é a Propriedade? tivera grande êxito e o próprio Marx a lera com acentuada simpatia. O Sistema das Contradições Econômicas estava destinado a ter grande número de leitores. Para atingir o mesmo público que lia o novo livro de Proudhon, o alemão Marx redigiu diretamente em francês A Miséria da Filosofia.

O ataque a Proudhon foi severo. A "palmatória" bateu firme. "Da dialética de Hegel; escreveu Marx; o Sr. Proudhon tem apenas o vocabulário. Seu movimento dialético se reduz à distinção dogmática do bom e do mau". Em tudo, Proudhon via um lado bom e um lado mau. Ao invés de levar em conta a complexidade das contradições que a realidade lhe apresentava, ele simplificava forçosamente todas as coisas, reduzindo a ciência social à busca do "lado bom" das instituições e à incorporação desse "lado bom" aos estágios mais avançados do processo histórico.

          Embora tivesse trabalhado como operário, Proudhon era, por sua mentalidade, um pequeno burguês típico: por isso, segundo Marx, ele venerava a contradição. O pequeno burguês é a própria contradição materializada: quanto mais o capitalismo o proletariza, mais ele repele a ideologia da classe operária; quanto mais a condição de grande burguês se torna Inacessível para ele, mais ele passa a viver em função da esperança de um dia alcançá-la.

          Só que, enxergada da perspectiva típica da pequena burguesia, a contradição nunca tem solução: ela assume a forma de um paradoxo que se eterniza e jamais se resolve.

          Proudhon, como pequeno burguês que era (em mentalidade), não compreendeu o cará ter histórico das contradições que tinha procurado examinar em seu livro e utilizou, em sua análise da economia capitalista, conceitos e categorias que supunha estarem acima da história. Ele falava, por exemplo, em "natureza humana" como se essa natureza humana fosse algo imutável que não se modifi-
casse ao longo da história e não pudesse mu dar no futuro. Marx retrucou-lhe: "O Sr. Proudhon Ignora que toda a história não tem sido outra coisa senão uma permanente transformação da natureza humana".

          As contradições, para Marx, não existiam para ser veneradas, como se elas fossem eternas. Justamente por não serem eternas, as contradições precisam ser encaradas como elas são; a fim de serem superadas e substituídas por novas contradições, características de um estágio histórico mais avançado.

          Na medida em que não levava em conta o caráter histórico das contradições da sociedade capitalista, Proudhon não conseguia enxergar as verdadeiras raízes de tais contradições e só as abordava superficialmente.

          Como observador superficial e pequeno burguês amante da ordem, Proudhon achava absurdo, por exemplo, que os operários se unissem para reivindicar e fossem até leva dos à greve. A greve, prejudicando a harmonia do sistema de produção e fazendo a produção cair, parecia-lhe uma ação necessariamente criminosa.

          Marx chamou-lhe a atenção para o fato de que a greve era, muitas vezes, o único meio de defesa que o próprio sistema capitalista deixava aos operários. E observou-lhe que era o próprio sistema capitalista que, para se servir da mão de obra, reunia os trabalhadores e aglomerava-os em suas indústrias. "Assim, essa massa já constitui uma classe para o capital, embora ainda não constitua uma classe para si mesma". No curso da luta, a classe se organiza, toma consciência de seus próprios problemas e se torna; no dizer de Marx; "uma classe para si mesma".

          Proudhon recebeu mal as criticas de Marx. Considerou Marx um "caluniador" que não o tinha entendido. Atribuiu as "calúnias" a "inveja". E descambou para o anti-semitismo: "os judeus envenenam tudo". "Devia-se enviar essa raça para a Ásia, ou então exterminá-la".



 
 

Manifesto








          1847 foi um ano de intensa atividade para Marx. Ele estava, então, com 29 anos. Já tinha três filhos: Jenny, Laura e Edgar. Descumprindo a promessa que fizera ao governo belga, ocupou-se; e muito; da atualidade política.

          Fez urna série de conferências na sede da Associação dos Operários Alemães de Bruxelas sobre o trabalho assalariado e a exploração dos operários no regime capitalista. E, além da polêmica com Proudhon (na qual de fendera as greves dos trabalhadores), manteve uma polêmica de menor importância com Karl Heinzen, afirmando que a opção que se impunha ao proletariado não era entre "monarquia" ou "república" e sim entre "domínio da classe burguesa" ou "domínio da classe operária". Nesta última polêmica, chamou igualmente o atenção de Heinzen para o atraso da Alemanha semifeudal e disse: os operários alemães "sabem que a própria luta deles contra a burguesia só poderá vingar no dia em que a burguesia tiver triunfado".

          Em novembro de 1847, Marx foi com Engels a Londres para o Segundo Congresso da Liga dos Comunistas. Lá, eles desenvolveram um infatigável trabalho de persuasão dos representantes operários, convencendo-os das vantagens de seus pontos de vista. Em conseqüência desse trabalho, foram ambos encarregados da redação de um Manifesto Comunista.

          Engels entregou a Marx um texto de sua autoria intitulado Os Princípios do Comunismo, na qual em forma de perguntas e respostas, estavam expostas as bases da. doutrina que os dois defendiam. Voltando a Bruxelas, Marx se serviu do texto de Engels para redigir o Manifesto Comunista, que remeteu a Londres no final de janeiro de 1848.

          O Manifesto pode ser considerado, ainda hoje, a melhor introdução ao estudo do pensamento de Marx. Apesar de transcorrido cerca de 120 anos desde que ele foi escrito, é surpreendente como o documento resistiu à ação do tempo e continua a provocar pode rosa impressão nos que o lêem. "Quem lê pela primeira vez, de um só fôlego, o Manifesto Comunista; escreve o padre Henri Chambre; não pode deixar de ficar deslumbrado".

          O Manifesto começa por uma síntese do desenvolvimento social da humanidade. Marx assinala que a história de todas as sociedades; desde o aparecimento da propriedade privada; vinha sendo a história das lutas de classes. A própria burguesia só tinha conseguido tomar o poder e implantar o capitalismo por meio de uma dura luta. contra. as instituições feudais.

          Impelida. pela. necessidade de mercados sempre novos, a burguesia invadiu todo o globo terrestre. Realizou expedições de vulto mui to superior ao das cruzadas medievais. Construiu edificações maiores do que as pirâmides do Egito, do que os aquedutos romanos e do que as catedrais góticas. Criou imensos centros urbanos, de vastas populações. Desenvolveu extraordinariamente a tecnologia.

          Agora, tal como o aprendiz de feiticeiro, a burguesia não consegue controlar as potências que pôs em movimento, As novas exigências de desenvolvimento das forças produtivas entram em choque com as relações capitalistas de produção. Aprofunda-se a contradição entre o caráter tecnicamente socializado do sistema capitalista (centralização dos meios de produção) e a apropriação privada em que se baseia o regime burguês.

          Com o desenvolvimento da grande indústria, as classes que se opõem ao domínio burguês tendem, em geral, a desaparecer. Mas uma dessas classes, pelo contrário, tende a crescer e a fortalecer-se cada vez mais, pois é o mais autêntico produto da grande indústria: o proletariado moderno. Todas as classes que no passado chegaram a tomar o poder e a organizar a sociedade à sua feição eram, de um ou de outro modo, classes proprietárias. O proletariado, que não tem propriedade alguma, só pode tomar o poder para implantar um sistema baseado na propriedade social, coletiva.

          A burguesia teme a ascensão do proletariado e dá combate à fração mais resoluta dos partidos operários de cada pais, que é a fração constituída pelos comunistas. Em suas campanhas anticomunistas, a burguesia se mostra escandalizada com a pretensão dos comunistas de abolirem a propriedade priva da. Marx lembra aos burgueses, entretanto, que na sociedade capitalista a propriedade privada já se acha de fato abolida para a grande maioria da população.

          "O comunismo não retira a ninguém o poder de apropriar-se de sua parte da produção social; suprime apenas o poder de, por meio dessa apropriação, explorar o trabalho alheio". A propriedade privada que os comunistas querem abolir não é, evidentemente, a propriedade dos objetos de uso pessoal: é a propriedade dos meios de produção.

          A burguesia acusa os comunistas de quererem acabar com a família para instituir a posse coletiva das mulheres. Marx responde:

"Para o burguês, sua mulher nada mais é do que um instrumento de produção. Ouvindo dizer que os instrumentos de produção serão explorados em comum, ele conclui, naturalmente, que haverá comunidade de mulheres. Não imagina que se trata precisamente de libertar a mulher do seu papel atual de mero instrumento de produção".

          Alguns indivíduos provenientes da burguesia, desprezando os artifícios ideológicos da classe a que pertenciam, são levados por motivos de inteligência e consciência, a aderir à causa do proletariado. Outros ficam no meio do caminho. O reconhecimento da justeza da causa da classe operária, segundo Marx, é particularmente dificultado pela proliferação de doutrinas que lançam confusão sobre o conceito de "socialismo". Marx indica, no Manifesto, algumas dessas correntes: a de Karl Grun, a de Poudhon, a persistência dos sonhadores utopistas, o "socialismo" feudal (que se limita a "aconselhar" as classes dominantes a "atenuarem" a exploração), etc.

          Proudhon, por exemplo, impressionava a muitos pela aparência radical de sua fórmula:

"A propriedade é o roubo! ". Não entanto, como Marx mostrou, a fórmula; tomada de empréstimo a Brissot; implicava em uma contradição lógica, de vez que o roubo, como violação da propriedade, pressupõe a propriedade. Em lugar de perder tempo em imprecações contra a propriedade, Marx analisa as formas concretas por ela assumidas em seu desenvolvimento histórico e procura lançar luz sobre o processo que leva necessariamente à superação da propriedade burguesa atual.

          Depois de ter feito a crítica das correntes teóricas confusionistas, Marx conclui o Manifesto com o lema da Liga dos Comunistas:

"Os proletários nada tem a perder a não ser as suas algemas. Têm um mundo inteiro a ganhar. Proletários de todos os países, uni-vos!".


 
 


.

 


Hosted by www.Geocities.ws

1