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Chega de tanta dor!
Chega de tanta dor!
Há mais de dois anos, a Clínica da Dor do HMB vem realizando
seu trabalho com sucesso junto aos pacientes que sofrem de
dores crônicas.
Segundo o responsável pela Clínica e pioneiro no Grande ABC,
Dr. Deoclecio Tonelli, o departamento conhece muito bem a
fisiologia, a fisiopatologia, as vias da dor e o que fazer
para reduzir os sofrimentos físico e psicológico causados pela
dor crônica, seja ela de origem benigna ou maligna. Mas, o que
caracteriza a dor crônica? “É aquela sensação desagradável,
que tem duração superior a três meses”, explica o médico.
A dor é considerada, atualmente, o 5o sinal vital, depois da
pressão arterial, pulso, temperatura e respiração. Entre os
vários tipos existentes, encontram-se as dores de fundo
oncológico. Segundo dados publicados em 1983, pela Organização
Mundial da Saúde – OMS, estima-se que 80% dos pacientes
portadores de câncer em estágio avançado terão dor intensa,
pelo menos nos últimos três meses de vida. A OMS previu também
que uma epidemia de cânceres atingirá os países em
desenvolvimento, no início do 3o milênio, provavelmente por
falta de programas educativos e preventivos.
“É preciso mudar a crença de que câncer tem que cursar com
dor. Esse é um exemplo que se vê diariamente e, até certo
ponto, aceito por familiares e médicos. Mas, hoje, não se
admite mais que um paciente sofra, mesmo em fase terminal”,
acentua o Especialista.
Anualmente, a Associação Internacional para o Estudo da Dor –
IASP e a Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor – SBED
realizam eventos, encontros e simpósios para tratar do
assunto, todos com a participação de clínicos, cirurgiões,
neurologistas, ortopedistas, oncologistas, fisiatras,
psiquiatras e anestesiologistas interessados em
conhecer, trocar idéias e experiências sobre como reduzir o
sofrimento humano. Além disso, graças aos esforços de muitos
pioneiros e à política da OMS, percebe-se uma crescente
preocupação na mudança do tratamento a pacientes oncológicos,
com o
objetivo de derrubar a clássica frase: “Não há mais nada a
fazer. Câncer é assim mesmo”.
Utilização da Morfina
Além das dores de fundo oncológico, as maiores queixas
verificadas no Ambulatório da Dor são: neurites, artroses,
cefaléias, enxaquecas, dores lombares,
dores provocadas por falta de circulação, dores
pós-cirúrgicas, dores decorrentes de lesões por esforços
repetitivos, doenças osteomusculares relacionadas ao trabalho,
etc.
“Muitos pacientes com cefaléias (dores de cabeça) procuram
diversos especialistas, fazem uma série enorme de exames e
chegam até nós com uma dor que acreditam não ter mais
solução”, explica Dr. Tonelli. Para a grande maioria das dores
crônicas, existem condutas e tratamentos indicados pelo
Especialista da Dor, que pode desenvolvê-los sozinho ou em
conjunto com profissionais de outras áreas. Igualmente, o
Clínico pode ajudar no tratamento de diversas patologias com
drogas com as quais ele tem mais experiência.
As condutas utilizadas incluem a indicação de medicamentos
como: analgésicos, antiinflamatórios, corticosteróides,
opióides variados, relaxantes musculares, calmantes, além de
infiltrações, bloqueios anestésicos e colocação de catéteres
peridurais e venosos.
“Nos casos de maior intensidade — e não apenas em pacientes
terminais — utiliza-se a morfina, sempre com muito critério.
Ela proporciona grande alívio e, se a doença for curada, será
suspensa de forma gradativa, sem deixar seqüelas físicas ou
psíquicas”, afirma o médico. Em outros casos, pode-se optar
pela colocação de catéteres próximos aos nervos dos membros,
por onde podem ser injetados anestésicos locais e outros
remédios, por longos períodos, sempre com acompanhamento
médico.
Especialistas da Dor. Hoje em dia, os profissionais que mais
atuam nessa área são os anestesiologistas e os
neurocirurgiões. E por que eles? “Os primeiros, por
fazerem uso de drogas, diversos tipos de opióides e bloqueios
e os neuro-cirurgiões, por realizarem as cirurgias nervosas da
dor. Com isso, conseguimos reduzir a grande maioria das dores,
proporcionando melhor qualidade de vida para todos”, finaliza.
Dicas de Saúde
1- Se uma dor persistir por mais de três meses, procure a
Clínica da Dor.
2- Freqüentemente, a dor crônica não é de resolução imediata,
por isso não interrompa o tratamento.
3- Dor na coluna nem sempre é causada por hérnia de disco.
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