Estabilidade nunca foi imprescind�vel ao crescimento
Francisco de Oliveira
1� parte


  
A �financeiriza��o� das economias perif�ricas torna a estabilidade monet�ria uma quimera perigosa, que arrasta o Estado a permanente subordina��o. Enquanto os bancos lucram, a conta sobra para os or�amentos p�blicos

  
Em sua coluna de 23/8, Cl�vis Rossi p�e uma interroga��o sobre a estabilidade monet�ria, cantada em prosa e verso pelas m�dias � inclusive a acad�mica, simulacro em que se converteu a discuss�o te�rica em economia. � importante esse ponto de interroga��o: � a primeira vez em que se duvida, numa publica��o da import�ncia da Folha de S. Paulo, do car�ter da louvada estabilidade monet�ria lograda pelo Plano Real sob a batuta � vara de marmelo para os desempregados � do presidente-soci�logo e do implac�vel comando do ministro Malan.
   O mesmo Malan que anda, agora, se aventurando pela pol�tica e nos � prometido como o pr�ximo presidente. Mas que deve, antes, responder �s quest�es formuladas por Elio Gaspari, nesta mesma Folha, em 19/8. Pondo-se no lugar de um Cat�o vigilante da boa pol�tica econ�mica, sem se responsabilizar pelo messianismo � o termo � de Gaspari � da �ncora cambial . E dos gastos fiscais e or�ament�rios, dos desperd�cios em linguagem clara, que sustentaram a aventura � uma aposta, segundo as regras da economia-cassino � da paridade d�lar-real, e que continuam a sangrar a poupan�a nacional.

   N�o preciso refazer os pontos da interroga��o de Rossi, que est�o bem frescos. Vamos complicar ainda mais a gravidade das interroga��es. Em primeiro lugar, a estabilidade n�o � assim t�o est�vel. Desde a implanta��o do Plano Real, a taxa de infla��o j� passou os 80%; ora, dir�o, no �ltimo m�s de Mailson da N�brega ela bateu na casa dos 88% e, por compara��o, a infla��o em sete anos de Real � ninharia. Em termos da paridade com o d�lar, a desvaloriza��o da moeda brasileira j� vai na casa dos 250%. Nenhuma teoria econ�mica s�ria � mercadoria rara, ali�s � daria o nome de estabilidade a processos que se expressam nessas taxas.

Hist�ria e for�as sociais

   Na trilha de Rossi, � bom acabar com esse consenso banal sobre moeda, infla��o e estabilidade. N�o h� nenhuma regra te�rica, nem evid�ncia emp�rica, de que o crescimento da economia seja imposs�vel sem estabilidade monet�ria. Toda a literatura produzida, cujas p�ginas contam-se aos milh�es, n�o conseguiu, at� agora, demonstrar nenhuma correla��o irretorqu�vel e inequ�voca entre estabilidade de pre�os e crescimento econ�mico, nem o seu contr�rio, entre �inestabilidade� e aus�ncia de crescimento. Qualquer enuncia��o te�rica que as transforme em �leis� da economia n�o passa de ideologia e se arrisca a um rotundo desmentido, n�o fosse o pr�prio controle do �main stream� da teoria convencional sobre as m�dias, inclusive as mais prestigiadas revistas de economia e, hoje, os jornais di�rios e as revistas de atualidades.

continua
pr�xima p�gina
voltar para pensamento socialista
Hosted by www.Geocities.ws

1