ACM E A M�DIA

                                            
   Os violadores do Senado
                                     
continua��o
      
                                                           
Jo�o Carlos Teixeira Gomes (*)



Pela cassa��o

� medida que jornais e jornalistas ap�iam de alguma forma as a��es do tirano, mais se espraia na Bahia, ansiosa por sua liberta��o, um sentimento de dasalento, que todavia n�o lhe inibe o desejo de resist�ncia e de luta. Ao longo de quase 40 anos no poder, Antonio Carlos Magalh�es, como agora volta a acontecer no Senado, enxovalhou na Bahia todas as institui��es. Corrompeu a magistratura e os tribunais, manipulou os artistas, as festas populares e o carnavakl em favor de sua falsa imagem de mecenas. Oprimiu de todas as formas a oposi��o, expandiu o coronelismo no interior, fraudou elei��es, controladas confessadamente com chicote e o dinheiro, submeteu os meios de comunica��o (ainda hoje tenta destruir o quase centen�rio e prestigioso jornal A Tarde, numa persegui��o que n�o mereceu ainda uma �nica linha na impresa brasileira), aterrorizou empres�rios com as famigeradas devassas cont�beis e generalizou intimida��es e trucul�ncias, inclusive contra servidores p�blicos. Disseminou, enfim, o reinado do terror e do medo, acovardando um terra das tradi��es libert�rias da Bahia. Nem o Aeroporto Dois de Julho, que teve o nome afrontosamente mudado, foi preservado na sua �nsia de domina��o. Trata-se, em suma, de uma personalidade � qual podemos aplicar a qualifica��o de "individualismo obsessivo", empregada por um estudioso de Hobbes ao analisar, no Leviat�, a natureza da tirania e dos tiranos.

No momento em que o Brasil vive sob o impacto pol�tico de viola��o ocorrida no Senado por ordem do seu ent�o presidente, e a Comiss�o de �tica estuda a possibilidade de cass�-lo, creio que, enfim, precisava rememorar todos os fatos aqui relatados para que, mais uma vez, os brasileiros compreendam quem de fato � Antonio Carlos Magalh�es. Um Brasil realmente moderno n�o pode continuar convivendo com figuras desse tipo, cujas a��es refletem a estrutura mental de um coronel caricato e retr�grado, somente poss�vel na novela das oito.

Embora a "brigada carlista" na m�dia j� venha insinuando, nos �ltimos dias, acordos indecentes para salv�-lo ou o arrefecimento, entre senadores, da disposi��o de puni-lo devidamente e ao seu comparsa Jos� Roberto Arruda (PSDB-DF), a dignidade moral do Brasil, o consenso da opini�o p�blica e a pr�pria integridade �tica e pol�tica do Senado exigem para ambos a cassa��o sem demora.

(*) Jornalista e escritor, � autor de Mem�rias das Trevas � uma devassa na vida de Antonio Carlos Magalh�es (Gera��o Editorial), al�m de oito outros t�tulos

fonte:
www.observatoriodaimprensa.com.br

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