A menina das alian�as

                                            
Ronaldo Brasiliense *


No final dos anos 60, o casamento do cacique amaz�nico Jader Barbalho com Elcione Zaluth, sua companheira de luta pol�tica, tinha na pr�pria igreja o ingrediente da futura separa��o do casal. A dama de honra, ainda crian�a, encarregada de levar as alian�as, era sobrinha da noiva. Mas era muito mais: era a futura senhora Jader Barbalho, que tomaria o lugar da tia 25 anos depois. M�rcia Cristina Zaluth Centeno ficou conhecida na sociedade de Bel�m do Par� com essa dan�a familiar, mas a fama nacional s� chegou semana passada, no lama�al do caso Sudam. Ela mostrou aos brasileiros que um projeto de cria��o de r�s pode custar R$ 9 milh�es.

Hoje presidente do Senado, Jader Barbalho tem procurado sustentar que a aprova��o da verba milion�ria para o ran�rio (mais nova express�o da pol�tica nacional) n�o tem nada a ver com o fato de M�rcia ser sua mulher. E de sua influ�ncia na Sudam ser not�ria. Se isso � verdade, M�rcia Centeno no m�nimo n�o deu sorte com algumas companhias que escolheu. As investiga��es na Sudam j� apontavam o empres�rio Jos� Osmar Borges como suspeito das maiores fraudes contra o �rg�o, quando o nome de M�rcia apareceu como s�cia de Borges na fazenda Campo Maior.

A fazenda valia R$ 1,7 milh�o e M�rcia tinha apenas R$ 207 do im�vel, que seu marido Jader acabou arrematando numa opera��o registrada em apenas R$ 600 mil (a deprecia��o no pre�o deveu-se, segundo ele, � invas�o da fazenda por sem-terra).

Mesmo envolvida em neg�cios mal explicados, e com cifras altas, M�rcia Centeno n�o parece fazer o tipo alpinista social. Discreta, sempre foi avessa �s colunas sociais. Mesmo no Di�rio do Par�, jornal de Jader Barbalho, ela vaio a aparecer pela primeira vez, em fotos, somente ap�s a elei��o do marido para a presid�ncia do Senado, em fevereiro.

M�rcia circula pouco em Bel�m, e sempre que poss�vel gosta de retirar-se. Por isso o casal comprou uma casa na praia do Combuco, em Fortaleza, Cear�, onde passam temporadas. Ela adota o mesmo modelo discreto na mans�o do casal no chique Lago Sul, em Bras�lia. Os dois ainda relutam em ocupar a resid�ncia oficial da Presid�ncia do Senado. Aos amigos, dizem que n�o querem desmontar a estrutura com a qual j� est� habituada a pequena Giovanna, de quatro anos, filha �nica do casal.

Tanto recato talvez seja uma compensa��o ao maremoto familiar por ela provocado n�o faz muito tempo. Filha da irm� mais velha de Elcione, ent�o mulher de Jader, a menina que aparece de branco no �lbum de casamento da tia, segurando as alian�as dos noivos, sabia o que queria. E durante alguns anos soube estar nos lugares certos e nas horas certas para encontros secretos com o ent�o ministro da Previd�ncia (governo Sarney, 85-89), a quem ela chamava de dindinho em outras �pocas. Assessores particulares de Jader faziam malabarismos para permitir o encontro dos dois, at� que a rela��o foi descoberta por Elcione.

Em 1994, quando Jader Barbalho governava o Par� pela segunda vez, o casal separou-se. Mais ou menos na mesma �poca, M�rcia tamb�m se separou de Jo�o El�i Coutinho, funcion�rio do Tribunal de Contas dos Munic�pios do Par�, com quem tem uma filha de 15 anos. Foi morar na casa da m�e e, ato cont�nuo, iniciou a rela��o amorosa com seu tio-governador, 20 anos mais velho.

A separa��o de Jader e Elcione, hoje deputada, ap�s 24 anos de vida conjugal, pegou de surpresa at� os mais �ntimos amigos do casal. Os dois se conheceram no movimento estudantil, ambos ainda secundaristas, antes do golpe militar de 64. Jader presidiu o Centro C�vico Honorato Filgueiras, do Col�gio Estadual Paes de Carvalho, um dos mais tradicionais do estado. Jader e Elcione eram vistos como um casal perfeito. Ela funcionava como sustent�culo da carreira pol�tica do marido.

Na segunda elei��o de Jader para o governo do Par�, por exemplo, Elcione teve papel chave, comandando os programas de a��o social que garantiram-lhe milhares de votos na periferia de Bel�m. A uni�o do casal era t�o conhecida, que em 94 os inimigos pol�ticos de Jader tentaram usar sua paix�o pela sobrinha da esposa para bombardear sua elei��o para o Senado, que acabou acontecendo. Seu candidato ao governo, por�m, o ex-senador Jarbas Passarinho, foi derrotado pelo tucano Almir Gabriel.          


                                                          
continua...
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