| ACM E A M�DIA Os violadores do Senado Jo�o Carlos Teixeira Gomes (*) O epis�dio da viola��o do painel eletr�nico do Senado por iniciativa de Antonio Carlos Magalh�es pode ter surpreendido os brasileiros, mas n�o tanto os baianos, h� mais de 30 anos acostumados com hist�rias de fraude eleitoral no Estado, interfer�ncia oficial nas decis�es da Justi�a Eleitoral, emprego do voto de cabresto, manipula��o do eleitorado, persegui��es a funcion�rios p�blicos em redutos coronelescos, altera��es nas contagens de voto e pr�ticas semelhantes, que transformaram a Bahia num feudo pol�tico do carlismo. Nessa ordem de aberra��es se incluiu a pr�pria elei��o de Antonio Carlos para a Assembl�ia Legislativa da Bahia, em 1954, obtida apenas por meio de uma suspeita elei��o suplementar na cidade interiorana de Oliveira dos Brejinhos, ent�o dominada por Ant�nio Balbino, que mandava e desmandava, na �poca, na pol�tica baiana, e era � ao lado de Juraci Magalh�es � um dos mais expressivos protetores pol�ticos do ent�o jovem (e j� ambicioso) candidato. N�o custa relembrar que foi o mesmo Antonio Carlos quem revelou ter ganho as elei��es de 1982 na Bahia "com o dinheiro numa m�o e o chicote na outra", fato registrado pelo jornalista Ricardo Nobat em reportagem publica no Jornal do Brasil de 7 de setembro de 1986. Ou ainda a espantosa derrota de Waldir Pires para Waldeck Ornelas, candidato carlista, nas elei��es para o Senado, em 1994, quando todas as pesquisas indicavam, at� �s v�speras do pleito, uma vit�ria f�cil de Waldir nas urnas. Ornelas venceu por uma diferen�a de cerca de 3 mil votos, com o ins�lito detalhe de que superou o pr�prio Antonio Carlos (tamb�m concorrente, pois havia duas vagas para o Senado) em algumas regi�es do Estado. Convicto de que teria havido uma arranjo fraudulento na apura��o dos votos � id�ia partilhada por grande contingente da opini�o p�blica �, Waldir Pires iniciou um processo pedindo a recontagem, mas, apesar de ter lutado obstinadamente, teve a sua pretens�o negada por todas as inst�ncias do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia. Agress�es morais O vergonhoso epis�dio da fraude no Senado, somente confirmado atrav�s do corajoso depoimento da funcion�ria Regina Borges, ap�s as den�ncias divulgadas pela revista Isto� em edi��o sucessivas, ajusta-se, pois, com uma luva, � tradi��o coronelesca da Antonio Carlos Magalh�es na vida p�blica brasileira, iniciada quando o golpe de 1964 lhe conferiu o primeiro cargo executivo, como prefeito bi�nico de Salvador, entre 1967 e 1970. A partir dessa experi�ncia e sempre � sombra da ditadura militar, desenvolveu um projeto pol�tico fundado no arbr�trio e na viol�ncia pessoal, que o levou progressivamente a esmagar todas as demais lideran�as locais � comportamento que estenderia ao plano nacional depois que Tancredo Neves abriu-lhe a cancela da Nova Rep�blica, que j� nasceu velha, e Jos� Sarney o confirmou no minist�rio das Comunica��es, que ele usou ardilosamente para submeter e corromper jornais e jornalistas. � isto que explica at� hoje a extraordin�ria cobertura que lhe d� a m�dia do Rio e de S�o Paulo, numa escalada que vai de editorialistas e rep�rteres at� colunistas sociais. Em pleno imp�rio dos sat�lites e dos meios eletr�nicos de comunica��o, a impresa interesseira e servil, mandando �s favas o jornalismo investigativo e comprometido com o interesse p�blico, tem contribuido enormemente para construir o mito ACM, dando-lhe um prest�gio na Bahia em grande parte fabricado pela desinforma��o, pelo favorecimento pessoal e pela subservi�ncia jornal�stica. O caso de fraude no Senado � bem ilustrativo da conduta p�blica de Antonio Carlos. Por uma estranha disfun��o ps�quica, desenvolveu ele uma estrutura psicol�gica que o leva a julgar-se acima do bem e do mal, parecendo-lhe perfeitamente natural tanto agredir impiedosamente os desafetos, massacrando-lhes a honra sem o menor escr�pulo, como violar um sistema secreto de vota��o eletr�nica. Movido pela ambi��o do poder sem contrastes, � por meio desses processos escusos que obt�m elementos para preparar os seus famosos dossi�s contra figuras p�blicas (sejam pol�ticos ou empres�rios), usando informa��es sigilosas ou reservadas � como no caso da vota��o no Senado � para utilizar, no momento que considerar oportuno, como instrumento de chantagem pol�tica. A hist�ria da vida republicana no Brasil n�o conhece chantagista igual. Irradiador sistem�tico de conflitos e tens�es, n�o houve um momento sequer na trajet�ria pessoal de Antonio Carlos Magalh�es em que ele n�o estivesse denunciando ou agredindo moralmente um advers�rio. No meu livro Mem�rias das Trevas, divulgo, ali�s, uma longa lista dessas retalia��es, que sem demora se tornam superadas por novos confrontos. O mundo pol�tico e jornal�stico sabe que ele passa todo o tempo dispon�vel bisbilhotando a vida p�blica e particular das pessoas, para atac�-las na primeira oportunidade. continua... |