A Ilha do Amanhã - Continuação - Versão 2
 
 
As pedras não o deteram, nem tão pouco o breu da ilha. Era água e esperança quando chegou esgotado ao seu destino. Apoiado nas pedras, recebeu uma visita inesperada. A voz apenas o saudou. Não era Gisele quem o esperava. era outra, parecida apenas, mas não sua Gisele.
- Quem és tu? - indagou Ulisses.
- Sou Giovana, irmã de Gisele. ela não pôde vir. Eu trouxe algo para ti.
Ela, em sua frente, ajudou-o a pôr-se de pé. Acudiu-o e o fez se sentar em uma pedra próxima. Lhe passou um envelope, que foi aberto de pronto. Não havia uma única mensagem naquele recipiente, apenas um bilhete aéreo.
- Dez anos é muito tempo, Ulisses, mas nem sempre é o suficiente. Nos falta as vezes, ainda, um trabalho para fazer, uma prova a mais, talvez um curso, uma nova festa; nos falta tempo para esquecer, também, nossos antigos amores, por mais fugazes e antigos que eles tenham sido. Gisele casou-se e foi infeliz. Tentou esquecer o passado, mas não foi capaz. por absurdo que pareça, ela ainda te ama Ulisses, como se fossem ontem os idos de 90.
- E isto o que é? Que devo fazer? Que ela quer? Que espere ainda outros dez anos? Que sejamos velhos ao nos reencontrar?
- Não, Ulisses! O Ano Novo é uma época de recomeço. Este milênio que se inicia não é apenas isto; é um retomada. Juntar todo o passado, toda nossa existência, e retomá-la como se dez anos atrás ou cinco minutos fossem da mesma grandeza de tempo. O passado recente e distante são a mesma coisa.
- E como posso encontrá-la? Onde?
- Lá longe; passando o horizonte; em um outro continente. Lá o novo milênio já começou! Em uma pequena região, no sul da França, existe uma aldeia repleta de pequenos vinhedos; é uma vista verde e marrom e um odor suave no ar. Andas por uma estrada de chão batido, atravessa um riacho por uma velha ponte de pedras e chegas em uma casa de madeira, a beira de um lago. Lá mora Gisele agora e, tenho certeza, está olhando nesse momento para o relógio, esperando que eu tenha te achado.
- Um novo começo... É como voltar no tempo! Que tenho a perder?
Um bólido flamejante rasga o céu em uma trajetória parabólica; é seguido por outros. Em seu ápice, se desfaz em outros tantos, ora vermelhos, ora verdes. Alguns rodopiam em torno de um ponto fixo no céu; outros caem, em pequenos pedaços, em direção ao solo. Há estampidos e gritos. O novo milênio nasce no litoral gaúcho.
 
Parte Final Versão 3
Parte Final Versão 1
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