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Doce vida vã, de
amargada dor;
Luzes lancinantes de sóias* tão frias;
Sorriso em lampejo, em
melancolias;
Silêncio
atordoante, ensurdecedor.
Brilhos e contrastes.
Vão** fustigador;
Febre que abrasa, tísia que
corrói,
Éter que acorda, sonho que destrói,
Bênçãos
evitadas, triste pecador.
Chaga que me vence,
entreaberta em flor,
Curare que anima a foice
espectral,
Agônico corpo
inerte em tetania.
Vulcão*** que
encobre a alma fria em pedra, morta-cor
Suga,1 da medula,1 a dormência
animal
Fazendo,2 em mortuosa,2 a alva ventania..
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1 — No contexto, o verbo
sugar é bitransitivo, exigindo portanto os
dois complementos verbais: os objetos direto (OD) e indireto (OI). Os termos
de uma oração obedecem à seguinte ordem: sujeito, verbo,
objeto direto e objeto indireto. Estando um destes objetos — no caso, o
OI “da medula” — fora da ordem natural, deve estar separado
por vírgulas.
2 — A circunstância
é a mesma vista acima. “Fazendo” aparece como
sinônimo de “transformando”, que, no caso é
bitransitivo. Logo,
“em mortuosa”, sendo OI e
estando fora da ordem natural, deve estar separado por vírgulas.
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