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Quero ser o cipó que se
enleia,1
Enroscado, faminto e amoroso,
Envolvente, pedinte, langoroso!2
Em teu corpo perfeito de sereia,3
Que me deixa exausto na areia!
Quero ser parasita sem remorso;
Pra sugar tua seiva,4 me esforço,
Pois preciso de ti para viver,
Num louco imaginário de
querer,
Pois,5 sem ti,5 nada sou alem de um
troço!
Simbiose de amor desesperado,
O que cada um dá,
também recebe!
O passar deste tempo,6 não percebe,
Só cuidando de amar e ser
amado,
Deixando o Universo,7 desprezado!
Pois tu és minha vida sem
censura,
E ,8de ti,8 eu recebo só ventura!
Minha deusa,9 eu te amo tanto e tanto,10
Que não posso conter este
meu pranto
E aqui te entrego a alma pura!
Como posso cantar esta loucura
De amor que domina minha vida?11
Teu somente eu sou, minha
querida!
A distância de ti, minha
tortura!
Os teus beijos,12 a única doçura
Paraíso sensual, ruge a procela(!) ,13
Quando ,14a o corpo em chama ,14b o amor vela.15
Eu sou teu, tu és minha,
nada importa!
E aos céus o meu canto
brada e exorta:16
És a santa;17, meu peito, a capela!
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1 — Os termos “enroscado, faminto e
amoroso”, se estivessem justapostos a “cipó”, seriam
simples adjetivos; como estão deslocados dessa posição,
passam a exercer função de predicativos. Nesse caso, cabe
separar por vírgula.
REF: http://www1.folha.uol.com.br/folha/fovest/virgula.shtml
Item 5
2 — Não há justificativa plausível
para o ponto de interrogação, colocado ao final de um
predicativo.
3 — As orações
subordinadas adjetivas são sempre iniciadas por um pronome relativo (Que me deixa exausto na areia). Quando são explicativas, não são
separadas por vírgula; mas, quando são restritivas, devem
obrigatoriamente receber a vírgula separadora. No caso, omitindo-se a
vírgula, conforme está grafado, entende-se
que a sereia tem vários corpos, sendo que, dentre estes corpos, um
apenas deixa o poeta “exausto na areia”. Se fosse esse o caso, ou
seja, o de a sereia ter vários corpos, tudo bem: quando a sereia,
dentre aqueles corpos, se apresenta-se num corpo
decrépito, o poeta, por razões óbvias, não teria
motivo algum para ficar cansado, a não ser que fosse ele um
entusiasmado gerontófilo (ao
dicionário, gente!). Aí, para não deixar dúvida
sobre a sua preferência em termos de corpos, o poeta apressa-se em
EXPLICAR que corpo é esse da sereia, que o deixa
exausto (apenas o que o deixa exausto; os outros corpo, não).
Ocorre que, no poema, não há
referência alguma a essa multiplicidade de corpos na tal sereia; logo,
a oração substantiva adjetiva, que, antes, poderia ser vista
como EXPLICATIVA, na verdade é RESTRITIVA. Desse modo, a
oração Que me deixa exausto na areia, sendo restritiva, deve
estar antecedida por vírgula.
REF:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/fovest/virgula.shtml
Após o item 12, ver em
“Orações Subordinadas Adjetivas”.
4 — A
construção sintática obedece à seguinte ordem
natural: sujeito, verbo, complemento verbal e adjunto adverbial. Quando algum
termo encontra-se fora dessa ordem, deve ser grafado entre vírgulas.
Esta regra deve ser aplicada até mesmo nas orações
subordinadas em período composto, como é o caso. Nesta
correção, a ordem natural das orações seria: esforço-me pra sugar a
tua seiva, que, estando de acordo com aquela ordem, não carece de
vírgula.
REF: http://www.gramaticaonline.com.br/gramaticaonline.asp?menu=1&cod=97
Ver em “Segunda Regra”.
5 — Quando não há verbo de
ligação, o predicativo do sujeito ou do objeto dever estar
isolado por vírgulas.
REF: http://www1.folha.uol.com.br/folha/fovest/virgula.shtml
Item 5
6 — Caso de ordem natural
dos termos, conforme visto na correção 4.
7 — Ao que tudo indica, “desprezado” não é
adjetivo; é predicativo do objeto direto “universo”
(deixou o universo, colocando-o na condição de desprezado);
logo, o predicativo deve estar isolado por vírgulas.
8 — O objeto indireto
“de ti” está fora da sua ordem natural sintática.
Nesse caso, vírgula nele. Vide correção 4
9 — “Minha deusa” é vocativo. Logo, deve estar separado por vírgula.
REF:
http://www.gramaticaonline.com.br/gramaticaonline.asp?menu=1&cod=99
10 —
O “que” de “Que não posso conter este meu pranto” não
é pronome relativo; é conjução
que (aqui, sim, é pronome relativo) inicia uma nova
oração. Logo, cabe aí a vírgula separadora de
orações.
11 —
Provável esquecimento do ponto de interrogação.
12 —
A elipse (supressão) do subentendido verbo (são) exige
vírgula.
13 —
Não cabe ponto algum, nem mesmo de exclamação, entre
oração principal e oração subordinada. Cabe
aí a vírgula separadora de orações.
14a e 14b — Quem vela é o “amor; logo, o
“amor” é o sujeito da oração, e “o
corpo em chama” é o objeto direto. Estando fora da ordem
natural, o objeto direto deve estar separado por vírgulas.
15 —
Provável esquecimento do ponto.
16 —
Um dos casos em que dois-pontos se faz necessário é quando se
introduz a fala de algum personagem num texto.
17 —
Em periodo composto por coordenação,
cabe separar as orações com ponto-e-vírgula, quando uma
delas apresenta vírgula na sua construção.
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