|
I
Beijando-te a face,1
Sacio os anseios...2
Permita que eu passe
As mãos em teus seios.;3
Não digas as frases:
Pecados e medos,4
Pois,5 se tu me amares,
Só eu me enveredo.6
II
Em ternos luares,7
Se ficarmos tesos, 7A
Não temos lugares,8
Só mesmo desejos.
Ah, vem com teus ares
Malícias e ensejos,9
E nunca se te10 armes
Com vãs vãos11 preconceitos.
III
Beijando-te a boca,12
Perdão eu te peço, 13
Mas, mais do que louca, 14
Minha alma,— confesso —
Estará toda solta,
Querendo, no leito, 15
Que,16 teu corpo, envolvas
Por sobre meu peito.
IV
Beijando-te o ventre, 17
Jamais me condenes, 18
Pois quero-o,19 quente
(Teus lábios ardentes).
V
Beijando-te a testa, 20
Olhando teus olhos, 20
Te digo: me resta
Viver estes sonhos
Que só um poeta, 21
Sozinho...esquecido...
Vivendo, 22 se preza
A sonhar contigo.
|
1 — A
oração “Beijando-te a face”, exercendo
função de adjunto adverbial e estando no início do
período, deve estar separada por vírgula.
2 — Vez
que a oração seguinte (Permita que eu passe as mãos em
teus seios) inicia um novo período, cabe aí um ponto ou reticências
3 — A oração
“Não digas as frases: pecados e medos”, sendo um dos
elementos seqüenciais da voz imperativa, que começa com
“Permita” e tendo pontuação no seu interior, cabe
estar separada da oração anterior, não por ponto, mas
por ponto-e-vírgula.
4 — A
oração subordinada adverbial “Pois (...) só eu me
enveredo” deve estar separada da oração principal
(Não digas as frases etc.) por vírgula.
5 — Idem para a oração “se tu me
amares”, vez que também é oração
subordinada adverbial
6 — A
próxima oração, iniciando um novo período,
impõe um ponto, fechando o período anterior.
7 — “Em
termos luares”, sendo adjunto adverbial de lugar e estando no
início (ou no meio) da oração, deve estar separado por
vírgula.
7A —
Em relação à oração “se ficarmos
tesos”, vide itens 4 e 5.
8 — A
expressão “Só (temos) mesmo desejos” é, na
verdade, oração coordenada, visto que o verbo “temos” está subentendido. Sendo
oração coordenada assindética, deve estar separada da
anterior por vírgula.
9 —
Idem para a oração “e nunca se(te)
armes com vãs (vãos) preconceitos”, sendo que, neste caso,
o verbo aparece explicitamente.
10 —
Se o tratamento está na 2ª p. p., usa-se
o “te” e não o “se”, que se refere a
“você”.
11 —
Se “preconceitos” está no masculino, o seu correspondente
adjetivo (vãos) há de estar também no masculino.
12 —
Vide item 1.
13 —
“Mas minha alma estará toda solta” é
oração coordenada sindética adversativa. Sendo
oração coordenada, deve estar separada da anterior por
vírgula.
14 —
A expressão “mais do que louca” é
locução adverbial. Estando em início (ou meio) da
oração, deve estar separada por vírgula.
15 —
Idem em relação à locução “no
leito”.
16 — Erro de
construção, conjugado com erro de pontuação. O
corpo da homenageada é que deve envolver o peito do poeta (Que o teu
corpo envolva o meu peito), e não o contrário, até
porque o peito, que é parte de um corpo, não pode envolver um
outro corpo. Seguindo construção correta mais próxima
àquela pretendida pelo autor, teríamos: “Que, com o teu corpo,
envolvas o meu peito”. Neste caso, o “com o teu corpo”,
estando fora da ordem direta (deveria estar no final), deve estar grafado
entre vírgulas.
17 —
Vide item 1.
18 —
Em relação à oração “Pois quero-o quente”, vide item 4.
19 —
Só caberia vírgula aí, se o “quente” se
referisse ao poeta. Como, ao que se entende pelo contexto, o
“quente” refere-se ao ventre, a vírgula é
dispensável.
20 —
Em relação às orações “Beijando-te a
testa” e “olhando teus olhos”, vide item 1.
21 —
“Sozinho” e “esquecido”, sendo predicativo do sujeito
“poeta”, devem estar separados por vírgula.
22 —
“Vivendo”, por ser oração subordinada adverbial,
deve estar separada por vírgula.
|