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“Quem nestes vossos dias, compreende plenamente o esplendor da Minha Cruz? Bem poucos a compreendem. E é por isso que Eu venho, através de ti, a instruir o mundo com paixão. Na Minha sede pelas almas e na Minha agonia por vê-los cair no fogo eterno, eu chamo cada um, neste mundo, à conversão e a preparar-se para o Meu glorioso Reinado do Reino sobre a terra, em que a Minha Divina Vontade passa a ser a essência da vossa vida quotidiana e a insígnia na vossa fronte”
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VII-
VIDA CONSAGRADA FRUSTRANTE Também
aos senhores, reverendíssimos e caros religiosos, temos algo a dizer.
Conhecemos muitos, irrepreensíveis, fiéis á própria vocação, ciosos do
patrimônio de uma espiritualidade que forneceu a Igreja uma falange de santos,
de contemplativos, missionários, mártires... Mas não ignoramos que
determinados coirmãos seus não os entendem mais, e, além de os hostilizarem,
em nome de uma “reforma” conciliar da qual não apreenderam jamais nem o
sentido, nem o alcance. A
esses, pois, nos dirigimos. Não
cessam de reportar-se ao “espírito” do Vaticano II, o qual, entretanto, não
pode contradizer-se ao inculcar normas e propor medidas que condenam os
senhores. O
documento que lhes concerne conduz á reflexão sobre a riqueza do Corpo Místico,
evocando a variedade dos carismas que deram origem a inumeráveis formas de
consagração. A isso se deve aquela diversidade de gêneros, de onde provém a
fisionomia espiritual única que constitui cada Ordem religiosa, distinguindo-a
das demais. Tal compreende o “espírito” que a vivifica, o “fim específico”
para o qual foi erigida, e ao mesmo tempo, “os meios necessários” para
concretizá-lo, as “tradições” que concorreram para confirmá-lo e propagá-lo
conforme as “Regras” aprovadas pela Hierarquia. “Tudo isso lê-se
no decreto conciliar constitui o patrimônio de cada instituto” (PC 2). “Patrimônio”,
contudo, que muitos dentre os senhores desconhecem, ou até rejeitam, no afã de
degustarem uma maior liberdade espiritual que jamais puderam entender, nem
realmente desfrutar. Assim , a secularização, inflando-os até o ridículo, fá-los
negar mesmo a ordem do amor, que impõe a primazia do amor de DEUS sobre a
caridade em relação ao próximo, da contemplação sobre a ação,
da santidade pessoal sobre todas as formas e supostas conquistas do
apostolado. Com
efeito, o zelo “pelos outros” leva-os a agitarem-se de modo febricitante, a
ponto de se esgotarem fisicamente, sem que obtenham com isso nada de sério e
duradouro, ao preferirem o aplauso de um público de medíocres, a notoriedade fátua
e falaciosa que todos esquecem, após uns curtos momentos de barulho. É
desse modo que o orgasmo da atividade e a busca do sucesso vão dissipando o espírito
dos senhores, cada vez menos propenso a refletir sobre os problemas pessoais, a
aplicar-se nos estudos, a preparar-se para responder as tremendas expectativas
dos não crentes. O
“social”, todavia, cativa-os a ponto de aturdi-los, olvidam-se dos
interesses da alma, das suas relações com DEUS... O
confessionário é lhes quase intolerável. Descontínua, superficial e ineficaz
a catequese para os adultos, a preparação dos meninos para a Primeira
Comunhão, para o Crisma, e a dos noivos para o matrimônio. Facilmente,
fazem-se substituir por leigos, tantas vezes imaturos, geologicamente
ignorantes, espiritualmente medíocres. Parece que perdeu o sentido falar-lhes
em direção espiritual, a mediocridade é o corriqueiro, e a santidade
ilusão e presunção... A
onda de laicização agita-os insensivelmente, levando-os a considerar difícil
e estranho o gênero de vida consagrada... Daí
muitos conventos se terem transformados em “casas de acolhida”. Apraz-lhes
conviver com pessoas de ambos os sexos, rezar, cantar, passear e fazer excursões
com eles. O silêncio outrora, para os senhores, norma irrevogável já não é
mais tolerado. A “clausura” está extinta, os tradicionais jejuns ficaram
sendo coisas do passado. Solidão, distanciamento das criaturas, recolhimento
habitual, etc. O que, há séculos, delineava a fisionomia dos senhores , são
idéias que não mais exercem algum atrativo para suas almas... O
constante relacionamento com o mundo induziu-os de tal modo á adaptação, que
acabaram por jogar o hábito às traças. De fato, muitos há que
contrariamente a uma prescrição do Direito Canônico (c. 669/1)
recusam-se a aparecer em público com hábito da Congregação, e até mesmo com
o clergyman, esquecendo que o venerável hábito, além de tudo, faria o mundo
conhecer a Ordem, sua missão, suas benemerências, seus Santos, atraindo,
assim, para junto de si as pessoas melhores... Inteiramente
aburguesados, vestidos como operários da mais ínfima categoria sua apresentação
é deplorável, lamentavelmente canhestra...Contudo, em matéria de finanças,
estão bem providos, de tal modo que a poucos falta o automóvel e portanto, a
possibilidade de andar correndo por aí, até mesmo viajar ao Exterior,
misturar-se com todos, em todos os ambientes, subtrair-se a regularidade da vida
comunitária, á obediência devida aos superiores, aos incômodos da pobreza
religiosa... Muitos diocesanos não se podem permitir semelhantes liberdade,
muito menos as comodidades de que os senhores gozam, ou as despesas que contraem
com extrema facilidade... Nada
disso, com efeito, é próprio a torná-los modelares, nem para fazer com que os
diferenciemos uns dos outros, segundo a carisma que antigamente definia cada
Congregação, tal como fora idealizada e estabelecida pelo Fundador. Por outro
lado, se imaginam dedicar-se ao serviço da Igreja, adaptando-se para fazer
tudo, em todos os setores do vastíssimo campo do orbe católico, ao final, em
nada se especializarão, pois as suas não se distinguirão das atividades das
outras Congregações, além de cometerem o erro de invadir outro terreno,
suscitando rivalidades e conflitos dolorosos. Em conclusão não atraem o
interesse, muito menos o entusiasmo dos jovens, para os quais uma Congregação
vale tanto quanto outra. Isto, em grande parte, explica a impressionante redução
do número de noviços... Pela
mesma razão, há sempre menos conventos, os edifícios religiosos são
fechados, e os senhores se vêem assim obrigados a cerrar suas portas, vendê-los,
abandoná-los. Para
sobreviver, acolhem prazerosamente vocações adultas, estas, porém,
trazendo consigo uma bagagem de idéias e hábitos inveterados, fazem com que os
senhores adaptem a disciplina religiosa a tais situações, de fato que, passo a
passo, leva a decadência da vida espiritual da Congregação, desnatura-lhe a
fisionomia, acelera-lhe a extinção. Ora,
quando isso começa a anunciar-se por meio de indícios inequívocos, não devem
culpar exclusivamente as pressões do laicismo que tende a dessacralizar tudo;
mas também aos senhores, na medida em que perderam de vista a idéia
inspiradora do Fundador, a consciência que este possuía das verdadeiras
necessidades da Igreja, bem como a confiança no poder irresistível da graça,
a convicção da eterna incompatibilidade entre os critérios do Evangelho e os
de um mundo que age sempre sob o signo da matéria, do dinheiro, do prazer, do
egoísmo desagregador, que conduz a loucura e a destruição. Perdida
de vista a idéia originária do Fundador - obscurecida, discutida, traída,
automaticamente perde o ímpeto, e logo a seguir morre, a única força que os
mantinha unidos, daí a recíproca intolerância, que confunde e destrói,
fazendo cessar todos os vínculos de obediência aos superiores, de
solidariedade fraterna, de colaboração no campo do apostolado. Somente
aí se descobre que tais religiosos vivem sem se conhecer e morrem sem
lamentar-se. |
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