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“Quem nestes vossos dias, compreende plenamente o esplendor da Minha Cruz? Bem poucos a compreendem. E é por isso que Eu venho, através de ti, a instruir o mundo com paixão. Na Minha sede pelas almas e na Minha agonia por vê-los cair no fogo eterno, eu chamo cada um, neste mundo, à conversão e a preparar-se para o Meu glorioso Reinado do Reino sobre a terra, em que a Minha Divina Vontade passa a ser a essência da vossa vida quotidiana e a insígnia na vossa fronte”
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Somos
crentes. Ou seja, cristãos, católicos, membros da Igreja, convictos do poder a
ela conferido por seu Fundador, certos de que bispos e sacerdotes, em virtude do
seu caráter, falam e agem na própria pessoa de CRISTO, e são por isso dignos
de todo o respeito: sua autoridade é sobrenatural, o que impõe o dever de
obedecer-lhes no que concerne ás nossas relações com DEUS, a nossa vida da
graça. Para
melhor nos expressarmos, desejaríamos ter a maestria dos grandes apologistas do
primeiro século, o zelo de Gregório VII e Catarina de Sena, a lealdade audaz e
humilde de leigos, tais como Dante e Pascal, Ozanan, Bloy e Manzoni, na enérgica
recusa de um “tradicionalismo” equivoco e presunçoso, que acabou por
denegrir a tradição, perturbando a consciência dos melhores e desorientando o
público. Encorajados
especialmente pelo Vaticano II, sentimo-nos no dever de externar nosso
pensamento, livres do complexo de um falso pudor e de um mal entendido senso de
reverência, que induziria a calar ainda, consentindo em que muitos continuem
comportar-se contra a dignidade de seu caráter, contra a finalidade de sua missão. Se
realmente pretendem salvar o mundo, podemos assegurar-lhes que estamos bem
informados acerca de tal necessidade: nossa voz é o eco fiel desses problemas e
tragédias; da mesma forma, é certo que, inseridos no emaranhado de todas as
situações e controvérsias, podemos reportar á Hierarquia as demandas, as razões
do dissenso; informá-la sobre os escândalos e também, sem dúvidas, sobre as
críticas por sua vez irreverentes se injustas. Convidados
a freqüentar os institutos de ciências religiosa existentes em quase todas as
dioceses, não surpreende se nós procuramos exprimir segundo o conteúdo e a
linguagem das escolas teológicas tradicionais. Portanto,
é este o “manifesto” da colaboração; gesto de fé e de amor, não de
revolta. Podemos defini-lo como a voz de uma IGREJA SUBTERRÂNEA,
constituída por muitíssimos fiéis desiludidos, tímidos, incapazes de
manifestar a própria discordância em relação a tudo quanto certo Clero se
permite fazer, e faz efetivamente, contra a sã tradição de um povo que se
conserva fiel a Igreja, Mãe e Mestra. II-
CRÊEM AINDA DE FATO? O
primeiro dever dos senhores é o magistério como anúncio, interpretação e
defesa do dogma; e é certo que os senhores, bispos e sacerdotes, são dignos de
obediência apenas e na medida em que seus ensinamentos estejam em harmonia com
o do Papa, que remonta à Tradição Apostólica. Pedimos,
então, que estejamos informados acerca de quanto a Igreja ensina, caso contrário
não serão dignos de crédito. Suas opiniões pessoais não nos
interessam, e poderão inclusive confundir-nos as idéias, suscitar dúvidas,
provocar controvérsias, expor-nos ao perigo de nos levar á perda da fé. Com
efeito, sua catequese somente será válida se alimentada pela grande tradição
dos Padres, dos teólogos e dos exegetas que concorreram para a maior compreensão
dos ensinamentos dos Papas e Concílios. Por isto, ousamos ressaltar que, até o
presente, várias de suas supostas novidades teológicas e bíblicas são as
mais destrutivas dentre todas as correntes abertamente anticristãs. A
mais trágica e imperdoável de todas as negações, difundidas pelos teólogos
e exegetas bíblicos que os senhores admiram e respeitam, atingiu o pensamento
humano, declarado incapaz de conhecer a verdade do ser em si mesmo,
substituída pela do ser em consciência, dissolvido no fluído de todas
as opiniões e emoções da vida. Segui-se daí não somente a recusa da Revelação
na historização de suas fontes, mas também o declínio do saber e de todos os
valores da pessoa. Mas,
se os senhores aceitam ser revolvidos por uma cultura a tal ponto relativisada,
cessam de ser “luz do mundo”, o que, por culpa própria, leva a
confundir-se na obscuridade de todas as extravagâncias e absurdos. Muitos
sacerdotes e candidatos á sagradas Ordens, nas Universidades denominadas
“pontifícias” só podem cultivar a ilusão de estar aprendendo teologia,
pois hoje, com freqüência, as lições terminam numa rendição incondicionada
às teses do protestantismo liberal, na negação do Magistério e dos anátemas
de Trento, voltada para o escárnio ou a destruição daquilo que até aqui
sempre cremos com relação a DEUS, á Bíblia, a pessoa de CRISTO, á
historicidade do Evangelho, as prerrogativas da Virgem, aos poderes da Igreja,
etc... Que,
então, ainda lhes resta para ensinar aos fiéis? Que razões podem aduzir para
que ainda possamos crer nos senhores? A tendência a eliminar insensivelmente o
“sagrado” faz temer que, por fim, se chegue a uma concepção deísta
do Cristianismo, ou mesmo ao triunfo do humanismo ateu, almejado como
definitiva conquista do pensamento humano mais evoluído. Confirma-se
tal temor, que chega a ser angustiante, se os fiéis observam o evidente embaraço
em que os senhores se debatem quando pedimos para demonstrarem, por exemplo, com
o devido vigor lógico, a existência de DEUS e conciliá-la com a realidade do
mal... Ou quando se discute o fundamento objetivo da moral, da vida futura, de
uma punição post-mortem, Se,
como única resposta, nos obrigam a crer, por se tratar, como dizem, de mistérios;
ou então, se não tentam de algum modo tornar pelo menos crível a
Revelação ou o que lhe é afim, recorrendo as grandes premissas da filosofia
cristã, queiram dizer-nos: a quem devemos recorrer? E
a demais, é verdadeiramente estranha e injustificada a desenvoltura com a qual
os senhores presumem haver liquidado a metafísica, escarnecendo até da tomística
ou do ser, sem nunca haver compreendido nenhuma filosofia, não tendo jamais
dedicado os melhores anos da vida a estudá-la. Ainda
que fosse só por isso, não se ofendem!, são dignos de compaixão. Qual
gênero de cultura, então, lhes devemos atribuir para que façam jus á
consideração em que a sociedade sempre os teve? Não sendo especialistas em
nenhuma das artes e profissões da vida civil, em qual ramo do saber, ou em qual
gênero de atividade, poderão distinguir-se para que estejam aptos a
pronunciarem-se com autoridade e serem ouvidos com seriedade e interesse? Deveriam
ser exímios na ciência de DEUS, ou seja naquela teologia que, em grande medida
apoiada na metafísica, de que se falou constitui a espinha dorsal da
cultura especificamente eclesiástica, que é a dos senhores... Porém, esta supõe
uma sólida base de estudo de humanidade, exige uma profunda maturação filosófica,
remete a um rico feixe de noções científicas e históricas. Ocorre, todavia,
que muitos entre os senhores são quase jejunos de tal cultura. Não poucos
desconhecem completamente, nem sequer falemos de Cícero e Horácio, o latim
dos autores medievais, dos livros litúrgicos, do Direito canônico, dos
documentos pontifícios... Ao lado destes, não faltam os que não sabem rezar
em latim nem mesmo a Ave-Maria, o Glória Patri, o requiem, preces
conhecidíssimas de nossas avós... Isto
não honra o Clero da Igreja Católica, a qual, não obstante seu “ecumenismo”,
não poderá jamais renunciar a ser e a declarar-se romana. Falam
de “pastoral” em todos os tons e circunstâncias, mas não costumam refletir
no fato de que será “pastor” antes de tudo se for mestre da verdade, guia
seguro na “floresta selvagem” de todas as atuais aberrações doutrinárias,
antigas e modernas precisamente aquelas que os senhores deveriam conhecer para
saber refutar, ao invés de tolerá-las ou procurar conciliá-las com o dogma
segundo um “sincretismo” que agrava os erros, aumenta a confusão,
exaspera os espíritos. É absurdo afirmar que todos temos razão, quando se
sustentam teses contrárias: a verdade é una, indivisível. O sacerdote católico,
se é discípulo de CRISTO, tem o privilégio de poder dizer que “possui a
verdade no bolso”, pois, a verdade não é sua, mas, ao contrário, de
CRISTO, sendo o próprio CRISTO Verdade pessoal e eterna. Basta ouvi-Lo e
ser-Lhe fiel para afirma-la com convicção, e poder ensina-la a todos. O
ecumenismo não é adaptação da verdade às doutrinas, às tradições, aos
humores, aos interesses daqueles que a ignoram. Se assim fosse, JESUS não a
teria sido seu mais ousado testemunho, tampouco teria sido condenado pelo sinédrio. Ecumenismo
é, sobretudo, clara, íntegra e forte transmissão e pregação da Verdade e do
seu Mistério, o mais generoso gesto de amor, em cuja defesa cada qual se
predispõe até o martírio. Desde
há muito, falam de “teologia para leigos” e, por toda parte,
criaram-se centros bem organizados, abertos a homens e mulheres. Entretanto,
iniciativas como essas, para que sejam providenciais,não dispensam os senhores
do gravíssimo dever de catequizar os fiéis das classes mais humildes,
das regiões ou aldeias da periferia e do campo. O “salão nobre da escolástica”
nunca poderá substituir a Igreja; o
sacerdote sempre será mais experiente e eloqüente do que professor. Mas,
voltemos a teologia. É
notório que esta, quando ensinada sem prévia formação espiritual e filosófica,
facilmente, pode tornar os fiéis presunçosos e arrogantes, engrossando assim a
corrente de uma tão absurda quão ridícula “clericalização do laicato”. Ora,
sucedeu todavia o inconveniente (?) pelo qual, uma vez promovido o estudo da
teologia para leigos, tornou-se-nos possível também um julgamento sério da
ortodoxia dos senhores. Na verdade, o que sabemos do Cristianismo, aprendemo-lo
dos senhores, não pudemos hauri-lo em outras fontes. E, então nossas observações
de hoje são tão válidas quanto o magistério de ontem dos senhores. Nada,
pois, temos de próprio, e é por isso que, sem presunção alguma, ousamos
enviar-lhes este nosso fraterno desabafo, á luz da verdade por todos comumente
crida e professada. Hoje,
a “lex orandi” (a lei da oração), embora diversa, nas fórmulas e nos
ritos, de um sacerdote a outro, traduz uma “lex credendi” (lei da fé) que,
freqüentemente, não parece definida, nem certa, nem unânime. Talvez a razão
seja que a muitos falte uma clara estrutura lógica do pensamento, um sólido
edifício metafísico, uma linear sistematização teorética do dogma, em suma
aquilo que é necessário para formular os termos essenciais da questão
considerada segundo a Revelação e a intervenção do Magistério. Assim,
raramente em nossa Igreja, ouvimos um discurso ou meditação sobre o dogma
trinitário que evite o escolho do politeísmo, e afirme a unidade indivisível
da natureza de DEUS. E, sobretudo, o do modalismo, afirmando a real distinção
das três Pessoas, nas quais Eles subsiste... Habitualmente, confundem-se,
aduzem comparações, reportam-se a analogias; ao final, porém, titubeiam, pois
não ousam enfrentar o problema segundo o método clássico dos admiráveis
tratados, traduzindo em bom italiano os termos consagrados há mil anos pelos
Padres da Igreja e por um verdadeiro exército de teólogos... Todos os seus
esforços, ao contrário, parecem tendentes a nos persuadir da total
impenetrabilidade do mistério, sem deixar à razão a mais tênue fresta de
luz, que torne o mistério ao menos não contraditório. Também
julgamos procedente destacar o conteúdo dogmático da “liturgia natalina”.
Segundo a catequese desembaraçada e superficial de muitos sacerdotes, a encarnação
do Verbo poderia evocar qualquer coisa de análogo á da filosofia hinduísta
do Visnu, ou a outra que ocorria no suposto processo de “metempsicose”.
Poucos saberiam explicar-nos como realmente ocorreu a Encarnação, no que
concerne aos supremos princípio do ser, desta maneira, acabam ignoradas
as magníficas análises elaboradas pelos Padres da Igreja, os quais tiveram o mérito
de preparar as definições de memoráveis Concílios ecumênicos. Não se trata
de sutilezas de escola, mas do sentido inequívoco de fórmulas dogmáticas
expressas em qualquer bom catecismo para adultos. Não pedimos mais que isso. Todos
deveríamos, entretanto, saber que a Igreja, rejeitando as duas maiores
heresias, nestorianismo e monofisitismo, ensina crer que o Verbo
subsiste nas duas naturezas, divina e humana. A
divina, aquela que Ele sempre teve em comum, indivisivelmente, com o Pai
e a humana, que assumiu no tempo, e à qual comunicou o seu próprio ato
do ser... Aprendemos assim, que apenas nesse sentido, o Verbo se encarnou,
ou seja, fez Sua uma natureza humana perfeita, que nEle e por Ele
subsiste e opera, distinguindo-se, porém, realmente da natureza divina. É
dessa tomada de consciência que deriva o inconfundível encanto do Natal,
prestando-se a preciosos desenvolvimentos no âmbito da vida espiritual. Quanto
ao mistério pascal, parece que a catequese dos senhores procura fazer
crer que a salvação teria sido operada pelo poder da Ressurreição, sendo
entretanto de fé que a salvação se deve aos méritos da Paixão e
Morte de CRISTO. Isto talvez porque, a alguns escape o sentido profundo da redenção,
ou seja, a própria essência do Cristianismo, que refere necessariamente a
realidade histórica do pecado como ofensa a DEUS e o conseqüente
dever da expiação, decorre daí, exclusivamente, a redenção,
como sendo a reconciliação com Ele e a recuperação de todos os bens que isso
comporta. Não
é tudo, ainda. Muitos
dentre os senhores insistem exclusivamente no exercício da recordação
da Oferta cruenta da cruz, a qual ficaria como que restrita ao passado,
enquanto caberia ensinar o povo a elevar-se ao nível da pura fé para contemplar
(não apenas recordar) o presente meta-histórica do MISTÉRIO da salvação,
que transcende todos os tempos, é contemporâneo de todas e cada uma das gerações
humanas. Com
efeito, enquanto a memória se refere a crônico e envolve os
sentidos e o intelecto de todos (crentes e infiéis), a contemplação tem por
objeto o dogma e exige, além da Revelação objetiva, o dom da fé, por
meio da qual se faz abstração de todos os elementos concretos existentes no
Calvário. Isto
porque, se a fé, ao contemplar, atinge a realidade atemporal do mistério em
si mesmo, por sua vez os sentidos e a razão, ao recordarem, detêm-se
no sinal humanamente perceptível que foi revelado aos contemporâneos, e
que ainda agora pode ser evocado retrospectivamente pelos não-crentes. Todavia,
aos crentes é possível ultrapassar o sinal e fixar o mistério
em seu presente imutável. Não
estabelecer a distinção entre os dois aspectos (ou vertentes) da obra
redentora (acontecimento histórico da tragédia da cruz, e sentido do
mistério, meta-histórico) está na origem de uma série de equívocos no
que concerne à MISSA, AO SACERDÓCIO MINISTERIAL, À VIDA DA IGREJA. Acreditamos,
assim, haver tocado na raiz oculta dos lados obscuros, das distorções, das
arbitrariedades e escândalos de que são responsáveis não poucos dentre os
senhores, originando-se daí as reações e as vezes a apostasia dos fiéis. |
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