Capítulo 09 – Maça do amor - Parte  02

Cisão

 

- Alex! O que houve afinal? – nervosamente segurando-o pelo braço.

- Vamos entrar... Precisamos conversar... – disse ele abrindo a porta.

Apple entrou no apartamento sem entender direito o que estava acontecendo. Ele parecia zangado, nervoso. Exceto por estar cansada por todas as atividades do dia, não via maiores problemas. Suspirou, largando sua mochila no chão e sentou-se concentrando seus olhos confusos no rosto do namorado.

- O que está acontecendo? – ansiosa.

- Sou eu quem deveria perguntar isso... Acaso passa por sua cabeça o que eu passei hoje? – irritado.

- Eu, sinceramente, não sei do que você está falando... – disse ela um tanto assustada.

- Não? Mesmo? Bem, deixe-me ajuda-la... – sentando-se perto dela. – Perdi todo o meu dia correndo atrás de você, que infelizmente estava ocupada demais para perceber a minha presença! – disse seriamente.

- Desculpe Alex! Mas eu não... Eu sinto muito e... Eu estava trabalhando e... – ela estava surpresa. Não esperava ouvir algo como aquilo, não sabia o que dizer.

- Já entendi! Você não tem explicação! – levantando-se.

- Mas Alex, eu estava trabalhando... Eu expliquei isso para você, não expliquei? – ainda angustiada.

- Ah! Sim! – enfiando a mão no bolso. – Aqui está o seu bilhete esclarecedor. - mostrando o pedaço de papel. – Agora me diga com sinceridade, você encontraria tempo no seu longo e ocupado dia para ligar para mim? – incisivamente.

- Eu... Eu... – ela simplesmente não tinha o que dizer.

- Eu entendo que você tenha muitos compromissos, mas você deve me entender também. – suspirando. – Apple eu fui barrado duas vezes hoje! Simplesmente por que ninguém sabia que eu era seu namorado! Desculpe, mas eu me senti bastante desconfortável com essa situação.

- Oh! Eu sinto muito, meu anjo! – levantando-se e indo na direção dele.

- Tenho ouvido isso muito de você ultimamente, Apple! – afastando-se dela.

- Foi apenas um mal entendido meu amor... Um mal entendido! – nervosamente.

- Apple! Passamos o dia inteiro juntos e... – voltando-se e encarando-a. – Quantas palavras nós trocamos hoje?

- Eu não tive tempo, apenas isso e... – já com os olhos trêmulos.

- Não teve tempo para mim, foi isso que você quis dizer... – cruzando os braços.

- Alex...- chorando.

- Eu não sei Apple... Como pode ninguém do seu meio de trabalho saber da minha existência? Sabe como eu me sinto? – magoado.

Apple não tinha palavras. Jamais imaginara que ele pudesse sentir-se daquele modo. Tudo o que ela conseguia fazer era chorar, confusa, nervosa. Tentou abraça-lo, mas viu-o esquivar-se de seus braços. Suas lágrimas dobraram de volume.

- Eu amo você! – foi tudo o que ela conseguiu dizer.

AJ estava bastante zangado. Contrariado. Muita coisa tinha se acumulado e naquele momento tudo o que ele conseguia sentir era mágoa. Naquele dia, especialmente, tinha se sentido deixado de lado, largado, com pouca importância. Amava aquela mulher. Muito mais do que gostaria e era exatamente isso que fazia com que ele estivesse sentindo-se muito desconfortável e zangado com tudo aquilo.

- Apple, eu não faço parte da sua vida! Descobri isso hoje! – declarou profundamente ofendido.

- Não é nada disso Alex... Aquelas pessoas, elas... – confusa.

- Não importam aquelas pessoas Apple... – sentando-se displicentemente. – Você me ignorou!- declarou sem olhar para ela.

- Eu não fiz isso! – gritando.

- Não grite! É a verdade! Eu estava ali, ao seu lado e você não me via... – olhando o chão.

- Alex, eu... Eu... – ajoelhando-se em frente a ele.

- E eu pensei que finalmente eu tinha encontrado... – rindo de si mesmo. – Cheguei mesmo a pensar que seria você, sabe? – olhando-a com certo desprezo.

- Eu? Mas... Do que você está falando?

Ele levantou-se e desviando dela, caminhou até a gaveta. Tirou de dentro dela a pequena caixinha que tivera entre as mãos mais cedo e voltou devagar para onde estava antes. Suspirou e sorriu debilmente. Abriu a caixa e fitou longamente a jóia que havia ali dentro.

- Acho que isso é seu! – entregando o anel para ela. – Não me adianta guardá-lo, mesmo que não signifique nada agora... – suspirando longamente.

- Isso é... – apanhando o anel nas mãos trêmulas.

- Tudo o que eu queria Apple, era ficar junto de você... Ser importante para você! – recostou-se na poltrona e suspirou uma vez mais. – Pouco importa de você dá aulas de dança numa quadra abandonada no subúrbio ou é a coreógrafa premiada de um grupo musical. Eu amo você! Independente disso...

- Eu também amo você e... – ela viu-o erguer a mão e interrompe-la.

- Infelizmente, as coisas não são tão simples assim. Há alguma energia que impede que as coisas sejam perfeitas, não é assim? – esboçando um sorriso sem brilho.

- O que está tentando me dizer? – assustada, quedando-se sentada ao carpete.

- Que... – engasgando com as palavras. – Que se não está feliz... O melhor que nos podemos a fazer é parar por aqui...

Ele viu os olhos dela se arregalarem e transbordarem de lágrimas. Sentiu seu coração se comprimir de um modo violento. Sentia-se como se seu corpo todo estivesse em decomposição, sentiu as lágrimas se acumularem em seus olhos também. Mas o que mais podia fazer?

- Não! – gritou ela abraçando-se a ele. – Eu amo você! Amo você! Você não pode me deixar! – chorando soluçantemente.

- Mas Apple, você já está me deixando... Seguindo sua vida e sem perceber me deixando para trás... É possível que em algum momento eu não consiga mais alcança-la... – abraçando-a frouxamente.

- Eu amo você... – entre compulsivas lágrimas.

- E o que importa? Não tem tempo para estar comigo, não vale a pena... – suspirou, afastando-a dele e levantando-se novamente.

- Mas eu me esforço tanto, eu sempre fico aqui com você...- desesperadamente.

- Sempre... E sempre está exausta. Cansada até mesmo para conversar. Seus amigos passam mais tempo com você, são mais íntimos seus... – suspirando e andando pelo lugar.

- Hã? – bastante confusa, esfregando os olhos encharcados. – Você está com ciúmes?

- Ah! Meu Deus! Não é nada disso Apple! Quando foi que ficou tão egocêntrica? Você não era assim... – sacudindo a cabeça.

- Mas, mas... – levantando-se e aproximando-se dele.

- Apple! Seus companheiros de trabalho conhecem e tratam você pelo apelido... E... – olhou-a demoradamente. – Ah... Não quero discutir com você... Por favor, pare de chorar!- abraçando-a carinhosamente.

- Por quê? Por que está fazendo isso comigo? – escondendo o rosto no peito dele.

- Eu não queria, mas... Não dá pra insistirmos nisso... Vamos acabar nos machucando mais... – enxugando os olhos dela.

- É outra pessoa? È isso? Outra garota? – com a voz trêmula.

- Ah... – afastando-a dele novamente. – Apple! Está vendo esse maldito anel dentro dessa estúpida caixa de veludo? Isso significa que eu amo você a ponto de pensar em me casar com você... Entende isso? – dando as costas para ela.

- Mas existe outra pessoa? – insistiu ela, segurando a caixa nervosamente.

- Você está surda? – voltando-se para ela incrédulo.

- Então... Por que insiste nisso? Parece que quer terminar comigo... – olhando o chão.

- Você não vê? Estamos nos magoando... Não quero mais ver você chorar... É só isso! – disse sentando-se numa poltrona mais distante.

- Diga-me Alex... O que eu preciso fazer pra você não desistir de mim... – voltando a chorar compulsivamente.

- Apple... – suspirou. – O que espera que eu diga? Levaríamos horas conversando e não chegaríamos a nenhum lugar. Eu quero você comigo, você tem seus compromissos, eu tenho os meus compromissos, não lhe parece um problema sem solução? – conformado.

- Não! Todo problema tem solução! – disse ela apressando-se na direção dele e abraçando-o. – Eu amo você, amo você...

AJ sentiu novamente uma ardente dor em seu peito. Abraçou a namorada fortemente. Amava. Tinha certeza disso, mas sabia que se continuassem vivendo daquele modo acabariam se destruindo entre cobranças e brigas. Mesmo assim, tendo-a assim entre os braços, não conseguia imaginar-se sem sua presença, sem sua companhia, sem seu amor. Abraçou-a ainda com mais força. Não queria separar-se dela, nunca!

- Eu também amo você! Não me ouviu dizer isso? É exatamente por isso que eu não posso mais fazer isso com você! – soltando-a. – Não dá pra gente continuar assim Apple! – olhando-a com pesar.

Ela não disse nada. Ele afastou-se, caminhou até o quarto, apanhou uma jaqueta e voltou. Apple ainda estava sentada na poltrona, com as mãos entre as pernas e a cabeça baixa. Ainda chorava. Ele sentiu um nó denso na garganta, uma vontade infinita de chorar, de correr para aquela garota, tomá-la nos braços e dizer que tudo estava esquecido e a única coisa que importava era o amor que sentia. Mas algo o impedia: orgulho!

Talvez não fosse bem orgulho, ou não fosse apenas esse sentimento. Também havia um medo gigantesco. Medo de depositar naquela relação toda a esperança e dedicação de que era capaz e por fim, ver tudo desabar mais uma vez. Sim! Esse medo lhe punha o sangue congelado.

- Aonde  vai? - perguntou ela, erguendo a cabeça rapidamente ao vê-lo passar ao seu lado, vestindo a jaqueta.

- Vou dar uma volta... Pensar um pouco. Não quero me precipitar... – olhando-a com ternura.

- Você me ama? – com a voz totalmente embargada.

- Por Deus Apple, não é isso que importa. Que adianta amar? – rindo-se de si mesmo e do quanto estava sentindo-se ridículo. – Vivemos as voltas com nossos trabalhos, sem tempo para qualquer outra coisa. E se for assim, estaremos juntos apenas por conveniência, não acha?

- Não! – abraçando-se a ele. – Quer ficar com você só isso... – chorando.

- Eu sei disso e quero o mesmo... Mas preciso pensar... – afastando-se dela e saindo.

Saiu andando pelo corredor, ainda ouvindo a namorada chorar. Mas sabia que era inútil insistir naquilo. Ela não compreendia que era impossível que um relacionamento fosse muito longe do modo como estava seguindo. Pareciam estar seguindo caminhos opostos, mesmo que buscassem a mesma coisa.

Olhou o assoalho embaixo de seus pés. Estava sentindo-se confuso demais. Nada parecia fazer sentindo. Parecia estar deixando para trás parte de sua vida. Mas se ela não entendesse o quanto ele estava se magoando com aquelas situações que podiam parecer tão tolas, não adiantaria esforço algum. Suspirou enfiando as mãos nos bolsos.

Notou então que deixara o anel com ela. Em parte por realmente querer estar com ela, em parte por precisar daquele objeto para poder refletir, voltou através do corredor. Sua cabeça ainda estava pesada e dolorida. O peito ainda estava carregado e algumas lágrimas teimosas ainda escorriam dos olhos. Mesmo assim, abriu a porta e entrou.

Estranhamente, Apple não estava no lugar em que ele a deixara. Ao invés de encontrá-la sentada na poltrona, tudo o que viu foi a caixinha deixada cuidadosamente sobre a almofada. Aproximou-se olhando ao redor e apanhou o objeto. Suspirou apanhando-a. No momento em que o fez, porém, sentiu um arrepio violento sacudir-lhe o espírito. Um vento frio soprava do quarto de dormir.

De repente, foi como se tudo ficasse muito claro em sua mente, lançou seu olhar através do lugar e viu as cortinas adejando no ar vacilantemente. Sentiu todo o seu corpo congelar-se e correu naquela direção. Tarde demais. A única coisa que viu foi a janela escancarada, quando se inclinou para fora, não pode definir o que viu, recuou alguns passos e acabou jogando-se sobre a cama, inconsciente.

 

Backstreet Fics ~ 2007 ~> In my dreams ~ #1version

By Luh Moon

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