Capítulo 22 - Você e ela!

 

Kevin pagou o motorista antes mesmo que ele parasse o carro. Quando finalmente o táxi estacionou, ele já tinha a porta escancarada e meio corpo espichado para fora. Assim que pode, colocou os pés na rua e disparou na direção do interior do aeroporto.

Repetia-se a todo instante para manter a calma. Precisava ficar tranqüilo. Não podia sair correndo como um condenado a forca, podia assustar a garota! Tinha que pensar bem nos passos que daria ou arriscava pôr tudo a perder. Verificou rapidamente a escala de vôos... Ela teria que apanhar uma escala em Nova Iorque.

Apressou-se para o portão indicado no painel. Estava ansioso. Queria encontrá-la logo e dizer que a entendia que percebia o quanto estava sendo negligente, importando-se com todos, menos com ela. Quando chegou ao seu destino, porém, diminuiu os passos, a ansiedade e a velocidade. Agora era o momento de ter calma, de pensar.

Antes de encontrar Lynda precisava estar preparado. A precipitação não o levaria a nada. Andou devagar por entre as pessoas de olhos atentos. A reconheceria facilmente assim que pousasse o olhar sobre ela. Precisava fazer tudo com tranqüilidade. Estar preparado para a conversa dura que possivelmente teriam.

Lynda estava num canto, olhando através deu uma janela de vidro. Tinha pensado durante boa parte da noite e chegado a diversas conclusões. Uma delas reforçava a sua decisão em partir. Definitivamente não tinha nada mais a fazer ali. Suspirou de forma pesada, imaginando quanto sofrimento teria poupado se tivesse percebido tudo antes.

Enquanto isso, ele continuava sua busca. Mas a cada minuto, ficava mais e mais ansioso. Os passos, que tentava manter, com esforço, lentos e calmos, apressavam-se. O coração estava descompassado já há algum tempo. As mãos frias suavam. Sua garganta estava seca e os olhos ardiam. Se não a encontrasse logo, começaria a correr feito uma criança que busca pela mãe...

Lynda sentiu, de repente, um aperto intenso no peito. Voltou-se e relanceou o olhar pelo salão. Não esperava encontrar nada em especial, apenas algo que explicasse ou aliviasse aquela sensação estranha. Já estava desistindo quando percebeu uma silhueta conhecida. Era Kevin! Com certeza!

Ela paralisou-se, boquiaberta. Não esperava que ele aparecesse ali! Não daquele jeito! Respirou fundo... Precisava manter o controle. Parecia que ele ainda não a tinha encontrado e isso era bom, lhe dava tempo para pensar. Encolheu-se onde estava e esperou. Talvez ele não a visse. Mas por que estava com tanto medo afinal?

Ele deu mais alguns passos incertos em diversas direções, até sentir-se um tanto derrotado. Sentiu o corpo pesado, a cabeça dolorida. Seria possível acabar daquele modo? Se pelo menos ele tivesse a chance de dizer a ela... Foi então que, ao voltar-se, avistou Lynda segurando sua mala contra o corpo. Sorriu partindo na direção dela.

Quando ela voltou a olhar na direção em que ele estava, percebeu que ele já a havia percebido. Fitou-o longamente, não havia como evitar aquele encontro agora. Largou a mala perto de si e deixou os braços caírem junto ao corpo.

- Lynda! – ele disse parando em frente a ela. – Ainda bem que a encontrei! – sorrindo.

- Por que está tão feliz em ter me encontrado? – devolveu olhando-o seriamente.

- Como assim? Não imagina o quanto eu estou arrependido e... – agitando-se.

- Oh! Kevin! – suspirou, abaixando e apanhando a mala. – Vamos até ali, tomar um café... – saindo.

Ele seguiu-a sem entender bem o que estava acontecendo. Ela andava a passos rápidos, porem não apressados. Quando chegou ao balcão, sentou-se e pediu dois cafés. Esperou que ele se acomodasse e olhou-o longamente para dar um longo suspiro em seguida.

- Estava agradecendo por ter me encontrado... Por quê? Em que está pensando? – perguntou franzindo a testa.

- Bem eu... Eu sinto muito! – baixando a cabeça.

- Sente muito? Por mim ou por você? – questionou erguendo uma sobrancelha.

- Pelo que fiz, eu fui... Eu fui um... – sem conseguir emendar a fala às idéias.

- Não meu querido! – disse pondo uma mão sobre as dele que repousavam sobre suas pernas. – Você não fez nada...Fui eu!

- Você? Lynda! Do que está falando? Eu fui negligente! Fui um estúpido e... – nervoso, passando a mão pelos cabelos.

- Imagina algum motivo para ter agido desse modo? – perguntou ela docemente.

- Eu... Eu... – confuso.

- Kevin... Você estava apenas se protegendo! Fui eu quem não percebeu isso antes, fui eu quem foi negligente e egoísta, pensando apenas em mim... – sorrindo.

- O quê? Eu não entendo... – disse balançando a cabeça.

- Diga-me... Você me ama? Ama de verdade? – docemente.

- Mas é claro que sim! – respondeu de pronto.

- Sim? E por que tem tanta necessidade de ocupar-se com os problemas de todos? Não vê? Não percebe que está apenas tentando preencher um vazio? – disse com um sorriso compreensivo.

- Lyn... Do que você está falando? Vazio? – não conseguir perceber onde ela queria chegar.

- Kevin... Diga-me uma coisa... Alguma vez deixou de amar a sua esposa? – disparou de repente.

- Hã? – puxando as mãos sob as dela sobressaltado.

Uma jovem deixou duas xícaras de café sobre o balcão. Lynda entregou-lhe um cartão e esperou alguns instantes até que ela o devolvesse junto com um comprovante. Voltou então a fitar Kevin que parecia bastante espantando.

- Sabe... Eu estive pensando. Não somos como os outros... – tomou um gole de café. – Howie e Julie, por exemplo, formam um casal lindo! São doces e sensíveis... Completam-se... Entende? Cibele e Brian também! Tem aquela coisa que se espera de um grande amor, aquela cumplicidade. Até mesmo Nick e Elle! Eles têm paixão, energia... Isso sem falar em Apple e AJ! – rindo. – Eles são um só há muito tempo! Perfeitos juntos! Mas nós dois... Nós somos mais amigos que outra coisa...

- Não! Eu... Eu... – sem conseguir conciliar as palavras.

- Percebe? Você e eu andamos as voltas um com o outro sem saber onde estamos indo. Eu pensei muito a respeito... Você ainda ama a Kristin! – completou tomando mais um gole de café.

- Mas... Lyn... – iniciou sem encontrar argumentos.

- Não consegue negar não é mesmo? Por isso se preocupa tanto com todos! Por que está sofrendo e se parar, isso vai tomar conta de você... – acariciando o rosto dele.

- Eu... Eu não sei o que dizer... – baixando novamente a cabeça.

- Não diga nada! Eu fui tola e estúpida! Não percebi você nem por um segundo! Estava apenas pensando em mim e no que eu queria, sem nunca prestar a atenção no que estava tão claro a minha frente. - suspirando. – Sou eu quem lhe deve desculpas!

- Mas... Eu... Eu também devo desculpas! – concluiu envergonhado. – Estive mentindo para mim mesmo e enganando você... Fui um covarde me escondendo no trabalho e com os amigos...

- Kevin! Não fale assim! Eu também tive culpa! – segurando as mãos deles. – Eu devia tê-lo ajudado e não ter posto ainda mais obstáculos em seu caminho.

- Não... – disse sacudindo a cabeça. – Você não sabia e...

- Por isso! Fui uma estúpida cega! Gosto tanto de você! Não podia ter me omitido desse jeito! – com os olhos úmidos.

- Eu sinto tanto Lyn... Eu realmente sinto... – com pesar.

- Eu também, meu querido! Tudo isso foi tão desnecessário! Você só desperdiçou energia comigo! – lamentou.

- Não! Isso! – abraçando-a. – Mesmo que... Mesmo que eu não estivesse totalmente sincero, se você não estivesse do meu lado... – apertando-a entre os braços.

- Oh! Obrigada! Não imagina o quanto é importante saber disso! – com algumas lágrimas escorrendo dos olhos.

- Isso é... Adeus? – perguntou ele em meio a um suspiro dolorido.

- Não... Só... Estamos mudando as posições do jogo! – sorrindo.

- Vai atender ao telefone se eu ligar para você? – perguntou passando a mão pelo rosto dela.

- Só se você prometer que vai parar de se esconder... – disse apertando os lábios.

- Oh! Lyn... Queria que fosse tão simples... – perdendo o olhar no nada.

- Mas também não é tão impossível... Veja: alguma vez tentou conversar com ela? – perguntou olhando-o com ternura.

- Não... Eu... – suspirando.

- Viu? Como pode saber? – sorrindo.

- Eu... Eu... Ah! Você sabe melhor que eu... – resmungou.

- Prometa-me! – segurando as mãos dele e apertando-as entre as suas. – Prometa que vai tentar! – suplicou.

- Ah! Lyn... – baixando a cabeça.

- Não seja derrotista Kevin Richardson! Aja! – ordenou.

- Está certo... Está certo! Não precisa gritar... – murmurou.

- Assim é muito melhor... – rindo.

- Lyn... Você por acaso não me ama? – perguntou de repente.

- Kev... – disse e meio a um sorriso. – Se eu dissesse isso estaria mentindo. Mas que amor eu sentiria se não desejasse que você fosse feliz? E meu querido, você não será feliz comigo! – sorrindo.

- Obrigada! – abraçando-a. – Obrigada por tudo!

- Sou eu quem agradece! Saiba que todo o tempo que estive com você foi maravilhoso! – retribuindo ao abraço.

- Você não existe Lyn! – olhando-a e sorrindo.

Ouviram a chamada para o vôo. Olharam por um instante para o alto e em seguida fitara-se uma vez mais. Abraçaram-se carinhosamente. Podia bem ser a última vez que se viam. Ele permaneceu no mesmo lugar; ela partiu sem olhar para trás. Ambos sorriam.

Kevin sentiu por um instante que estava perdendo uma das melhores amigas que já tivera. Parecia mesmo que aquela garota fora um anjo que estivera de passagem em sua vida. Assim que a perdeu de vista, deu as costas, encaminhando-se para a saída. Antes, porém, apanhou o celular e ligou para a ex-esposa. Tinha uma promessa a cumprir. Precisava tentar ser feliz!

 

Backstreet Fics ~ 2007 ~> In my dreams ~ #1version

By Luh Moon

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