A Tríade

A TRÍADE

CAPÍTULO SÉTIMO: DESCONFIANÇA

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Capítulo Oitavo

 

"Tudo bem... Cedi, mas isso não quer dizer nada! Por exemplo: agora eu tenho a obrigação de saber mais sobre a CECA e sobre Johann Mahler. É isso aí! Eu irei fazer isso agora!"

Titamy não estava convencida com aquela história para boi dormir que Johann havia contato para ela. Superstição!? Um homem de ciência usaria de superstição!? Achava meio difícil que fosse verdade. Devia ser uma maneira para conseguir a adesão dela.

***

Era uma manhã de um dia desses sem importância. Khrista e Titamy dormem tranqüilas, apenas esperando que o relógio toque e o dia comece. Por enquanto, o silêncio domina desde a hora em que se recolheram.

Todo o clima é quebrado quando Khrista acorda de repente, escutando o barulho da fechadura abrindo. Sem tocar o pé no chão, ela vai até o quarto de Titamy levitando. A dona da casa dorme. Fecha a porta atrás de si.Ora, quem seria que estava abrindo a porta da frente? Era a dúvida que não a deixou em paz. Escuta passos agora dentro do apartamento. Assustada, acorda a amiga.

- Titamy, alguém abriu a porta e está andando aqui dentro...

- Que bom que não arrombaram a porta... se não ia dar o maior trabalho!

- Você não se preocupa? Não tem medo?

- Claro que não!

- Mas... - o visitante abriu a porta do quarto.

- Oi, Tamysita!

- Oi, Diego!

- Titamy... o que é isso!? - Khrista estava confusa. Titamy não terminara com Diego há um tempão!?

- Diego continua com a chave daqui... eu sempre viajo e é importante que alguém em quem confie venha aqui ver como estão as coisas.

- Você não tem um irmão?

- Aliocha, el hermano de Tamysita, es muy ocupado e no puede venir a cá para ayudar su hermanita... ella tiene confianza em mí e por eso dió a mi las llaves de su casa.

- Aprendi português, mas espanhol não, Diego!

- Khris, Aliocha é meu irmão, mas é muito ocupado. O mesmo não acontece com o Diego. Não se lembra do que falei com você!? Somos amigos ainda. - abaixando a voz: - Como Diego nada tem a fazer...

- Tamysita! Como não tengo nada a fazer!?

- Brincadeira, seu bobo. - disse Titamy abraçando Diego e beijando-lhe a face. - Bom dia, Diego!

- Entendi... , mas o que você faz aqui hoje se a Titamy está no Rio?

- O que às veces faço: vir vê-la. - Khris achou melhor ir embora, afinal ela não era um candelabro para segurar vela.

- Khris!? Vai me deixar sozinha com esse cara!?

- Ele é seu ex-namorado! Vocês que se entendam! - disse Khris, deixando o quarto. O despertador de seu quarto tocou: hora de ir.

***

- Você sabia que o Diego tem a chave do apartamento da Titamy? - Khrista, antes de entrar na faculdade, porém já no portão de entrada.

- Claro que sei, Khris! Essa amizade é colorida demais...

- Bom, é só a minha opinião, sabe que não posso ter absoluta certeza disso, mas acho que eles não estão namorando mesmo...

- É!? Mas deixar a chave com o ex-namorado... acho que eles querem continuar com algum vínculo.

- Esses dois vão ficar juntos. Com certeza! - afirmou Khrista convicta.

***

- Preferia quando todo dia de manhã eu acordava logo ao seu lado, Tamysita... - Titamy deitou novamente, virou para o lado e ligou a televisão logo depois que Khris saiu. Diego deitou-se do lado da amada, de barriga para cima, com as mãos atrás da cabeça, que estava encostada à cabeceira da cama.

- Se meus pais soubessem que eu ainda deixo você vir aqui e ver televisão deitado na minha cama,... eu ia ouvir pela eternidade!

- Eles estão certos...

- Se concorda tanto com eles, pode ir embora!

- Não! Por favor! Minha televisão está ruim!

- Comporte-se, então!

- Posso tirar a camisa?

- Desde que pare por aí... - Titamy fechou os olhos. Ele fez conforme pediu, tirou sua camisa e a pôs na mesinha de cabeceira.

- Tamy...

- Diego, eu dormia quando você chegou... deixe-me terminar a minha noite!

- Tá... - disse ele a contra-gosto. Entendamos o lado de Diego: ele tagarelando conseguia ficar um tempo sem se lembrar dos bons tempos em que não era um cara disponível... quer dizer, sempre esteve disponível, porém antes era compromissado. Queria ficar ali, mas sem pensar que antes não ia até ali só para ver o jornal da manhã, nem ia de manhã, ele já estava lá.

Ela dormiu e ele olhou-a: "Tem coisas que não mudam: como o seu rosto enquanto dorme... pare com isso, Diego! Assista à TV!"

***

Louis levou para a faculdade o trabalho que tinha que fazer para o seu curso e era por isso que seus colegas riam até dizer chega: carregava uma enorme pasta onde guardava os desenhos das roupas que criava. Gente, não é porque ele vive no ano 2090 que o preconceito deixou de existir!

Eu disse (e queria deixar bem nítido) que quem ria eram os colegas, mas não as colegas. Elas tinham certo interesse: quando existia alguma ocasião muito especial, elas pediam para que o seu querido coleguinha de faculdade desenhasse o que iriam vestir. Às vezes nem era para algo importante, mas sim para uma roupinha de ir ao shopping que pediam a ajuda do amigo.

Jade nem ligava muito para o que ele fazia. (Lembram-se dela?) Aquela que foi à África com ele... é, eles estudam juntos na faculdade de Biogenética. Dizem que existe um algo a mais, porém nada com comprovação. Na dúvida, duvide dos boatos. Mas dizem tanta coisa de Louis Tafars Soulbright...

- Eu fui à festa de Johann Mahler, na qual ele anunciou a Tríade. Eu sei que você faz parte dela e percebi também que foi você o estilista do grupo.

- Nossa, Jade! Que observadora! - disse mais baixo: - Mas não conte para mais ninguém, ouviu!?

- Ouvi... E como vai a sua ida para aquela loja?

- A confecção, você quer dizer... eu ia, mas não vou poder conciliar tudo... e também não posso sair da empresa. Sabe, eu fui contratado lá três vezes: como estagiário, como assistente e como membro da... você sabe.

- É muita coisa ao mesmo tempo!

- É... o bom é que meu horário é flexível. Se eu estivesse no colégio em que estudei, não poderia dar-me o luxo de sair nos intervalos... mas na faculdade e no curso de moda... não há problema!

- E também, é melhor assegurar logo um lugar na CECA do que viver na incerteza do mundo da moda.

- É isso aí... todos me criticam quando falo, mas eu conheço a realidade: o mundo de hoje não apóia e nem precisa muito de um artista, mas sim precisa (e muito!) de um cientista!

***

- Você não acha muito esquisito o seu patrão, Diego? - perguntou Titamy. Já fazia uns vinte minutos que acordou (após dormir meia hora). Ela ainda estava deitada, vendo um desenho animado. Ele estava na cozinha.

- Você podia fazer café! Cadê o pó?

- Ninguém toma aqui em casa. Me responde! - ela se levantou e foi caminhando para a cozinha para ajudá-lo, mas não com muita boa vontade.

- É o jeitão do sr. Mahler! - ela já estava lá. Abaixou-se, abriu o armário debaixo da pia e tirou um pote no qual se lia: CAFÉ. - Obrigado!

- Até parece que nunca morou aqui!

- Esse pó não é daquela época, né?

- Se tiver cheio de bichinhos aí dentro, a resposta é positiva. - ele o abriu todo cheio de cuidados. Do jeito que ela era meio doida, era bem capaz de o café ser de um ano atrás. A cara que ele fazia era de se rolar de rir. Ela se divertia com a cena. O pó de café estava com aquele cheirinho gostoso e sem nenhuma marca de ser antigo.

- Você fica rindo! Se você tivesse que conviver com você...

- E não convivo!? Sou a pessoa que passa mais tempo comigo! Desde que eu nasci eu tenho essa mania! - ela deu um sorriso para ele. - Precisa ainda dos meus serviços de babá ou pode se virar sozinho para fazer essa maldita bebida?

- Pode deixar comigo! - mesmo assim ela não saiu.

- Eu vou investigar a CECA e o dono dela.

- Ele não é o dono dela... por que você não compra um sintetizador de alimentos?

- Nada mais gostoso do que uma comidinha fresca, caseira e feita pelas minhas mãos.

- Isso é verdade... Como você vai investigar? Sair perguntando por aí?

- Internet serve para quê!? Deve ter muita coisa por aí para eu ver que mate a minha curiosidade e dê razão para as minhas desconfianças.

- Você nem gosta de Informática!

- E desde quando se precisa entender de Informática para pesquisar na Internet!?

- Com conhecimento, você pode fazer uma pesquisa mais completa. - ela se aproxima mais dele. Esticando-se toda entre a pia e ele, pega o açúcar que está longe de ambos. - Eu poderia ter pegado isso.

- É!? Só queria ajudar... Desculpe-me! Quase derrubei seu café... - ele olha para baixo (ela é um pouco mais baixa que ele) e só vê o alto da cabeça dela passando perto de seu pescoço.

- Quer um pouquinho? - perguntou após colocar um pouco do açúcar que ela havia pegado em sua xícara com café e pegar um pouco do líquido escuro na colherzinha e quase pôr na boca dela.

- Não, obrigada! Detesto isso! O que você sabe da empresa em que trabalha?

- O mesmo que todo mundo: é uma empresa voltada para o conhecimento científico, com a matriz no Brasil (que foi transferida dos EUA). Faz parte do grupo Mahler-Kellan. O mais alto funcionário é Johann Mahler, que possui vários diplomas de cientista e de administrador pendurados em seu escritório. A empresa possui várias filiais e subsidiárias ao redor do mundo, sendo que o centro de pesquisa científica mais bem equipado é a localizado na Amazônia Brasileira.

- Eu quero os podres! - disse Titamy indo para a sala e acionando seu computador com um comando vocal: "Acorda!".

- Vai me trocar pelo seu computador?

- Não é isso... eu posso falar com você enquanto faço algumas coisas nele.

- Tá certo... - ele põe a xícara vazia em cima da pia e vai até a sala sentar-se ao lado dela, em frente ao computador.

- Nada sabe sobre a história!? Festas de inauguração?

- Não... nada. O que sei é a crise do departamento pessoal de 2080-e-pouco.

- Ó, não quero ser chata, mas já está na hora do seu expediente.

- É... já estou ficando atrasado! - ele olha o relógio de pulso. - O tempo passa tão rápido quando estamos com quem gostamos...

- Deixe a sua canastrice para outras... Tchau!

- Tchau! - dois beijinhos nas faces e ele foi embora, trancando a porta.

***

CMEACEB

Companhia Mundial de Estudos Avançados das Ciências Exatas e Biológicas.

Bem-vindo, visitante!


1. História

A CMEACEB é uma das empresas do Grupo Mahler-Kellan. Primeiramente instalada nos Estados Unidos, a companhia mudou-se para o Rio de Janeiro após a Guerra de 2066.

Contando com os maiores cientistas do planeta, ...

...

...

Em 2068, houve um congresso científico (após um ano da inauguração do centro de estudos da Amazônia), no qual foram escolhidos os cientistas a integrar a equipe da companhia, no qual foram apresentados vários trabalhos hoje de muita valia...


7. Cientistas-Fundadores da Matriz Brasil:

Nome

Especialidade

Nacionalidade

Alexei Kosanov

Físico Russo
Sophia Naime Bio-médica Japonesa
*** Soulbright Biogeneticista Norte-americano
Johann Mahler Fis, Quim, Biogen, Med, ...  

 


Primeiro Congresso Científico da CMEACEB.

Local - Centro de Estudos da Companhia (AM - Brasil).

Período - 09/01/2068 a 17/12/68.

Artigo de Roberto Heinferr sobre o Primeiro Congresso da CMEACEB

- Essa página não tem muita coisa! Ninguém nunca mencionou o congresso de 2068 para mim... esse tal de Roberto Heinferr fala muito bem sobre ele... vou procurar mais artigos... - Titamy procurou pelo congresso e achou o artigo de Maurizio Teixeira.

"É... esse cara deve ter alguma razão... mas o que meus pais estariam fazendo em algo que pode ser tão vil!? Ah, sei lá! Mas que estranho... isso tudo ocorreu no período em que minha mãe estava grávida de mim... eu nasci no meio dessa coisa..."

Pesquisando mais um pouco encontrou uma página de uma organização anti-cientitificista, cujo presidente era o jornalista e defensor dos Direitos Humanos Maurizio Teixeira. Lá havia protestos contra a política de ocultação dos resultados obtidos nos estudos realizados no congresso.

Em alguns documentos, encontra o estado civil de Johann Mahler oscilante entre casado e solteiro, mas não de solteiro antes de casado: há uma confusão sem par, tornando-se impossível precisar alguma informação sobre ele.

***

- O que sabe da empresa em que trabalha, Ta... Louis? - eles conversavam via computador.

- O que todos sabem...

- Tá, que é uma empresa científica e blá-blá-blá e que antes era sediada nos EUA e depois passou para o Brasil...

- É isso.

- Nada sabe do congresso que houve?

- Eu não.

- Estranho... eu também não sabia... você, que entende de computadores mais do que eu, pode pesquisar para mim?

- Por quê?

- Ora, porque eu tenho que saber mais... você também.

- Outra hora, eu tenho outras coisas a fazer.

***


 

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