A Tríade

A TRÍADE

CAPÍTULO SEXTO: PRIMEIRAS BATALHAS OFICIAIS.

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Capítulo Sétimo

 

Nota do narrador: Confesso que esse não é o meu tipo preferido de capítulo para narrar, mas hão de ficar registradas  as primeiras batalhas da Tríade. Bom, vamos à história.


- E aí, Khris?

- Tentando levar a vida normal, fingindo não sofrer.

- Se ele não for bobo, um dia desses ele vai te pedir para ficar com você.

- O que te faz acreditar nisso?

- O fato de eu ser uma pessoa romântica.

- Nem parece! É difícil você falar dessas coisas...

- Diego foi meu primeiro namorado e terminou de uma maneira um pouco desagradável o nosso relacionamento.

- E aí, algum pretendente?

- Não e isso me dá uma paz...

BEEP! BEEP!, gritou o irritante comunicador que usavam em forma de um "T". O de Khrista estava em uma pedra de um pingente de um colar. O de Titamy ficava em um anel.

- Vamos? - perguntou Khrista e saíram para o lugar que lhe disseram.

***

O ataque dos não-humanos era em uma cidade no estado do Rio mesmo. Cada qual utilizou sua habilidade de locomoção. Era uma feira de artesanato, algo um pouco raro no ano 2090, porém bastante apreciado pelos amantes de artes manuais.

Muitas pessoas divertiam-se na feira, comprando o máximo que o dinheiro permitia, dentre eles, estrangeiros e turistas brasileiros mesmos. Estava lotada!

Um grupinho de pessoas começou um quebra-quebra em uma barraca de artigos de barro. Primeiro, algumas das outras pessoas tentou apaziguar os ânimos, mas não foi possível, de seus olhos, chispavam raios púrpuras que pareciam olhares de ódio.

Sabendo que a CECA havia anunciado a criação de um grupo de super-heróis para que pudessem ajudar as pessoas contra esse tipo de pessoa, o prefeito da cidade comunicou-se com a empresa, solicitando que os serviços da Tríade estivessem a disposição de sua cidade. Johann repassou o recado para Louis, Khrista e Titamy.

***

Quinze minutos depois, os três estavam na tal cidade, trajados com as roupas que Louis havia desenhado o modelo. Titamy ainda achava que a sua roupa estava justa demais, que a incomodava um pouco, mas, fazer o quê!?!?

A bagunça já estava generalizada: não se percebia onde estava calmo e livre dos ataques. Eles, então, decidiram por se separarem e tentarem descobrir o que estava havendo na verdade.

- Não se preocupem, a Tríade está aqui para ajudá-los - disse Louis quando chegou perto de uns cidadãos inocentes.

- Mamãe, quem é esse?

- É um cara que pensa que é o bom.

***

Titamy fingiu-se encurralada por um grupo dos vis inimigos seus. Fazia até mesmo uma cara de terror e dava gritos. "Oh, como se suas caras feias me dessem medo!" pensava.

Deu um pique e começou a correr em volta de seus adversários. A cada volta, o atrito com o solo (e também em parte por sua natureza inflamável) fazia com que um círculo de fogo se formasse em volta deles, fazendo "churrasco" de não-humanos.

Para alguns que sobravam na platéia, ela reservou uns chutes e socos bem dados, além de uns jatinhos marotos de fogo.

***

Khrista sobrevoava majestosa o setor da feira que lhe era cabido.

- O que é aquilo? - perguntou alguém espantado.

- Acho que é um urubu! - disse alguém. Também, formou-se uma sombra sobre o corpo de Khrista, ela não passava de um vulto no céu.

Alguém atacou o tal homem. Ela começou a dar um vôo rasante com o objetivo de parar a fera. Esticou o braço direito, com a palma voltada para cima e um monte de terra cresceu por baixo do agressor.

Com vento, ela afastou os outros que vinham.

***

- Quem pensa que é o bom, minha senhora!? - perguntou Louis após quase afogar um inimigo com um fino jato de água no meio do nariz. - Eu sou um super-herói.

- Com uma super-modéstia!

- Bom, creio que, então, posso deixá-la se livrar... uh... - bateu em um que se aproximava - sozinha do que está atacando a senhora.

- Não! Cadê o cavalheirismo!? Sou uma mulher com uma criança!

"Uma mulher com uma criança que fala demais!", pensou Louis. Com a mente, mandou um bando para os ares, indo cair em um pequeno penhasco.

- Muito obrigado, ô da Tríade! - disse o menino. Só isso bastou para se sentir melhor.

***

Os atacantes que não estavam perto de nenhum deles os fizeram se aproximar. Pior para eles. Quando juntos, já o sabemos, os poderes dos três se eleva ao máximo, podendo, até juntar as suas energias em um só ataque fulminante: uns vinte e três caíram no chão, sem se mover.

A cidade estava a salvo e homenagearam os seus salvadores.

***

- Estamos em ****, no estado do Rio, onde a Tríade fez sua estréia oficial. Testemunhas contam que eles possuem poderes acima do normal.

- Um deles tem poder de água e fez com que os bandidos voassem longe! Eu vi! - afirmou um menino da comunidade.

- Uma delas tem o poder do fogo, a outra, de terremotos e do vento.

- É, mas a do fogo podia correr rápidão! Ela fez um círculo de fogo!

- A do fogo é a melhor, é a mais bonita! O meu telefone é... - Bom, todo o tipo de coisas foi sendo dito. E Khrista, a do vento, também possui os seus admiradores:

- Que a do fogo o quê, mermão! A do vento é demais!!!!

- O mais importante é agradecê-los pela aju... - estavam os três na casa de Louis, comendo um lanchinho gostoso feito pela d. ****. mãe de Louis. Ele interrompeu:

- Mentirosa! Essa mulher me criticou o tempo todo!!!!!!!

- O que fez para merecer isso? - perguntou Titamy.

- Nhé...! - protestou Louis. - Não fiz nada...

- Mas já estava na hora de fazerem alguma coisa contra esses monstros terríveis! A situação estava começando a ficar insuportável! E eu tenho orgulho de o meu filho ser um desses heróis! Sempre soube que seria importante!

- É... mas fui eu quem atrasou tudo! - disse Titamy pondo um pedaço de bolo na boca. - Eu sou contra trabalharmos como empregados sendo super-heróis! Isso devia vir de cada um de nós... mas também a CECA é a única que pode nos treinar bem... por isso aceitei!

- Essa é a melhor empresa! Ainda bem que o meu filho foi trabalhar nela.

"É, pode até ser, mas é a que esconde mais coisas também... é muito suspeita!", pensou Titamy.

- Pode até ser uma boa empresa, mas não me arrependo de ter saído de lá... de não morar mais lá... - Khrista em meio a uma garfada.

- É verdade, como uma empresa científica, ela é muito boa, mas seus complexos residenciais nem tanto! - mãe de Louis.

- Eu morei no prédio da matriz! No último andar! - disse Khrista.

- É... não deve ser o melhor lugar para se morar. - mãe de Louis.

- Ih! Olha o horário! Tenho que correr! Me chamaram para uma reunião... - Titamy

- A trabalho ou estudos? - Louis.

- Trabalho! - todos tinham que sair: Titamy recebeu uma proposta de uma empresa de seguros para achar uma jóia perdida. Louis e Khrista tinham aula.

***

- Conhecendo o seu trabalho por aquela vez que usamos seu serviço para a recuperação do bracelete de rubis, decidimos que seria interessante que a senhorita procurasse essa coleção de jóias perdidas. Otto, mostre a senhorita Kosanova a foto da coleção n° 24523.

- Sim, senhor. - um funcionário baixo, meio careca e gordinho entregou uma pequena caixa a Titamy. De dentro, saiu um holograma de uma belíssima coleção de prata e diamantes: colar, brinco, pulseira e anel.

- Receberá uma quantia equivalente à metade do valor da peça desaparecida caso a encontre, caso apenas consiga pistas, um pagamento de acordo com o serviço prestado lhe será pago.

- Aceito o trabalho, sr. Araújo. Está tudo de acordo com as minhas condições de trabalho. - após resolvida a questão, ele apertou-lhe a mão e pediu para que Otto a acompanhasse até a saída.

- Srta. Titamy, a senhorita é um dos membros da tal Tríade!?

- Não, Otto, que pergunta mais doida! - claro que não iria dizer assim na lata a verdade a um funcionário de um empregador seu.

***

Louis estava em uma empolgante aula com o mais querido de seus professores: FJ. Que cara mais agradável, que explica e cheira bem! Como a ironia é algo delicioso e cheio de charme! FJ era, na verdade, a fedentina em pessoa, um esgoto ambulante! E explicava muito mal. Dizem alguns alunos bem antigos (desses que ficam quinze anos tentando, mas não conseguindo formar-se) que ele sofreu um acidente há muitos anos atrás em uma experiência. O resultado foi o fato de ele cheirar a podre e suas capacidades mentais reduzidas: ele não consegue passar a matéria direito, mas também dizem que Biologia não é o seu forte e que ele tem complexo por não ter se formado em artes plásticas.

Vá se entender os complexados!

Voltando ao que interessa...

Louis estava quase dormindo quando seu comunicador (no cinto) toca e ele descobre de mais um atentado à boa vivência dos humanos. É uma ótima oportunidade de sair... e, também, FJ nem sentiria a sua falta, afinal de contas ele não era babá de marmanjão e sim "professor"!

***

T**** não mais olhava para Khrista, coisa da qual ela sentiu falta. Seus olhares eram solitários e isolados para ele. Mas o que poderia fazer!?

Decidiu, então prestar atenção ao máximo no que seu professor dizia, anotando, até mesmo, cada espirro dado por seu mestre.

Até que algo que a alienasse completamente do mundo acontecesse... pensava quando o seu comunicador avisou-a de um ataque.

"É isso aí... trabalhar vai me ajudar um pouco..."

***

"Eu, hein? Que idéia é essa do Otto!? Claro que eu não responderia à sua pergunta com um sim! Esse elevador podia ser um pouquinho mais rápido! Putz!"

Ela já não estava mais acompanhada de Otto e ia no elevador para o térreo, de encontro à liberdade!

...

Foi o que pensou. Mas na hora que pôs o pé para fora do edifício, escutou seu comunicador e recebeu a mensagem diretamente em seus cérebro, como ocorrido antes.

"Vamos lá, menina!"

***

Dessa vez, tiveram que contar com uma aeronave, pois o inimigo estava em Bogotá. Mas com  a tecnologia da época, ir com uma aeronave a Bogotá saindo do Rio era um pulo, durava menos de vinte minutos.

Chegando lá, em uma praça pública, um bando de não-humanos atacavam os transeuntes e, também, os monumentos da praça, como uma estátua e um busto, além de destruírem o jardim que rodeava a praça.

Como dessa vez os inimigos estavam concentrados em uma parte só, a Tríade nem precisou se dispersar. Estavam em uma "formação de ataque circular". Eles ficavam no meio dos bandidos.

Titamy preferia ataques físicos diretos: socos, chutes e passadas de pernas em seus adversários. Louis adorava mostrar seus poderes telecinéticos. Khrista preferia o poder do vento, mas de vez em quando mexia na terra para dar uma lição nos vilões.

Teve uma hora que toda aquela brincadeira encheu-lhes a paciência e aproveitaram a proximidade de um para outro para aumentarem seus poderes ao máximo, mas sem juntá-los. Cada qual deu a rajada que mais lhe convinha e despacharam os impecilhos.

***

Em todos os jornais, em todos os canais televisivos, em cada esquina se falava da Tríade. Era um tal de salvadores, protetores e issos e aquilos que se falavam dos nossos amiguinhos! Nem eles mais agüentavam ouvir de si próprios. Bem... isso não é verdade, pois o narcisismo fala mais alto de vez em quando e é sempre bom ouvir elogios.

Já pensaram como deve ser muito legal ouvir falarem que você está ajudando a curar o mundo de um terrível mal? Eles se sentiam nas nuvens, embora desligassem o televisor quando começava o telejornal e muito menos liam jornais através da rede de computadores. Deixavam isso para os fãs e para os seus pais fazerem.

***

Fazia-se uma semana que estavam nessa vida.

Fazia uma semana que seus rostos eram figuras carimbadas em tudo o que é lugar.

Fazia uma semana que deixavam de ser ilustres desconnhecidos para serem pessoas que ninguém jamais esqueceria.

Nossa! Mas em uma semana foram, ao todo, 37 ataques ao redor da América (Norte, Sul e Central)! Como fariam para conciliar a nova vida com a vida de outrora?

***

Titamy estava com trabalhos atrasados na faculdade e pediu dispensa de seu estágio. Já não agüentava mais tanta coisa a ser feita. "Assim, eu vou morrer cedo!" - pensava.

A missão recebida da seguradora estava conseguindo ser efetivada... mas, com isso, o sono ficava acumulado demais. Quanto tempo ela conseguia ficar deitada? 4 horas apenas!

À noite, ela começava a fazer as suas investigações. Descobriu, por exemplo que o dono da loja estava com visitas em sua casa, onde guardava a coleção que foi roubada. Descobriu que alguns freqüentadores da casa do homem tinham antecedentes criminais.

"Bom, agora é só conseguir mais informações... creio que vai ser fácil encontrar as jóias, mas o ladrão... só que o ladrão não é meu serviço. Isso é com a polícia!"

***

O horário que Khrista encontrava para fazer seus trabalhos (que contavam alguns com desenhos) era a partir de 10:30 da noite. Até terminar, eram já três horas da manhã. Dormia mal e ia para a faculdade logo cedo. Chegou a dormir em uma das aulas mais chatas que tinha.

***

Louis estava em situação parecida: a Tríade não era um emprego com um certo horário: qualquer hora ele podia ser chamado. O pior de tudo é que fazia curso à noite e faculdade de manhã e a tarde! Estava pirando "mas logo me acostumarei!"

***

Reuniram-se no domingo na casa de Titamy. A expressão no rosto de cada um fazia com que o coração de quem os olhava se condoesse. Pareciam três zumbis.

- E aí, como vocês estão? - perguntou Louis.

- Com sono! - responderam todos.

- Sabe de uma coisa!? Vamos tirar um soninho até que o comunicador toque novamente? - Titamy.

- Vamos. - Titamy foi para a sua cama. Khrista também foi para a sua e Louis deitou no sofá. Mal deitaram as cabeças no travesseiro, começaram a dormir.

zzz

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Dez minutos depois, toca o comunicador.

Que desgraça essa vida de heróis!

Eles esperavam que fosse possível se acostumarem.

Mais uma vez vão defender a sua raça de uma terrível ameaça.

***


 

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