- Bom, senhor Mahler, eu aceito essa história de
voltar a trabalhar com a Khrista, mas eu não quero saber dela morando em um lugar que a
faz regredir! Quando a deixei, ela estava uma autêntica brasileira! Hoje, o que temos!?
Uma pessoa de uns vinte anos falando como se tivesse uns três! Quando morava comigo, ela
estava bem... Tire-a da savana!
- Gostaria de fazer uma contra-proposta, srta. Kosanova...
- Meu senhor, sei qual é a sua contra-proposta, mas até
agora não vejo razão para que se comece um grupo de super-heróis... as ameaças não
estão se mostrando constantes.
- Mas ficarão...
- Não sei como pode ter tanta certeza disso, mas eu não
quero saber dessa história, senhor.
- Tudo bem, já entendi: você sabe que eu é que estou
precisando mais de você... tudo bem, Khrista pode ir morar com a senhorita.
- Posso levá-la?
- Prefereria que ela continuasse por perto... a senhorita
não pode vir morar no complexo residencial da companhia?
- Sinceramente...!? Não estou interessada em morar aqui...
já morei em complexos residenciais dessa companhia e não sou fã. Prefiro o meu próprio
apartamento. Esse lugar aqui cheia a ciência!
- Eu ficaria mais tranqüilo...
- Olha, não pense que a minha memória é curta, senhor
Johann... nunca irei esquecer o que fez com a gente naquele dia. Você praticamente me
seqüestrou! Não me sentiria bem aqui.
- OK, mas se um dia mudar de idéia...
***
- Você quer a minha opinião, Tafars? Você nem
vai reconhecê-la...
- Você fez uma plástica nela?
- Eu!? Claro que não! - eles estavam em frente
à porta do apartamento de Titamy. Já se fazia 2 semanas da volta de Khrista à casa da
amiga. Titamy abriu a porta.
- Olá, Louis! Não se espante, sou eu, Khrista!
- Louis ficou boquiaberto como a menina já falava português com uma clareza e
correção, embora a frase fosse tão pequena.
- Essa... essa não...
- É sim, essa é a Khrista! - disse Titamy,
entusiasmada.
- Essa roupa não combina com o jeito e com o
estilo da Khrista... Khris, você está a cara da Naime! - caiu a ficha! Ele devia ter
elogiado o progresso de Khrista, ela estava fluente na língua corrente do Brasil e Louis
apenas observou a roupa!
- Seu canalha! Como pode falar de roupa se o
assunto é mais importante!? Como queria que ela estivesse vestida!? A la top models!?!?!?!?
Se sim for a sua resposta, nunca mais volte a essa casa, ouviu!? - Titamy
exaltou-se.
- Calma, eu hein!? - Louis.
- Você deveria medir mais as suas palavras,
Louis. Titamy queria mostrar como eu estou... confesso que aprender a língua de vocês
não foi fácil, mas agora eu entendo absolutamente tudo o que vocês falam!
- Ah, ô, Khristaa! Pô, você é inteligente
pra caramba e fica de bobeira! É claro que aprenderia rápido! Se você me permitir,
Naime, posso levar nossa amiga para fazer compras?
- Não sei...
- Ah...
- Vai logo, traidora! - tanto tempo já com
Titamy e Khrista sabia que não era ofensa.
- Vem conosco... - pediu Khrista.
- Vão vocês dois... comprar roupa não é o
meu departamento... - eles se prepararam para sair. - Ah... só tem uma coisa, sr.
Eu-entendo-o-gosto-e-estilo-dos-outros: se quer comprar no estilo da Khrista, deixe-a
escolher.
***
- Não, isso é básico demais...
- Tudo bem, então!
- Não, isso é cluber demais...
- Tudo bem, então!
- Não, isso é cafona demais...
- Tá certo! - Khrista começou a se irritar.
- Não, isso é axé demais... malandro
demais... fora de moda...
- CCCCHHHHHHHHHHHEEEEEEEEEEEGAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!!!!!!!!!!!!
O que você acha que é o meu estilo?
- Tribal!
- Meu estilo era tribal quando eu morava em uma
tribo! Agora quero misturar um pouco...
- Podemos balancear um pouco de básico com o
tribal, com algum elemento mais cluber, talvez um pouco mais hardcore...
- quando Louis parou para olhar para o lado, Khrista havia saído do seu lado e estava
falando com uma vendedora: estava com uma tomara-que-caia na mão. - Perfeito!
- Quem é ele? - perguntou a vendedora.
- Esse...!?... - Khrista não respondeu.
Experimentou algumas roupas. Depois foi a hora de escolher assessórios. Nisso,
concordaram: compraram apenas dois pares de brincos, um colar, uma pulseira e três
anéis: tudo que parecia tribal.
- Você pode usar as peças que trouxe de sua
tribo.
- Com certeza!
- Agora vamos a uma loja de bolsas.
- Desculpe a pergunta, mas quem é que vai pagar
tudo isso?
- O Sr. Mahler. - ele mostrou um cartão de
crédito para ela.
***
Estavam em frente ao prédio em que Titamy morava, dentro de
um táxi.
- Vou pedir uma coisa pra você e pra Titamy, Louis.
- O quê?
- Não se chamem de Naime e Tafars perto de mim.
- Por quê!?
- Parece que estou falando com quatro pessoas e não com
duas!
***
A campainha toca. Titamy tropeça nas bagunças
de seu quarto tentando chegar à sala. Chega sã e salva até a porta de entrada e olha
pelo olho-mágico. Ela vê os dois amigos. Abre a porta, sem reparar nas vestimentas de
Khrista.
- Oi, Titamy! E aí, gostou das minhas roupas? -
Khrista estava com um tomara-que-caia meio bege, uma calça jeans, uma sandália
alta também bege e uma bolsa cuja cor estaria muito bem qualificada na categoria de
burro-quando-foge e cheia de sacolas.
- Legal... bonita... bem diferente do meu
estilo.
- Podemos entrar? - pergunta Louis.
- Entra, Khrista. Tchau, Tafars! - disse
espontâneamente Titamy. Estarrecido, ele ficou parado em frente a porta, de boca aberta,
completamente sem palavras.
- Não vai deixar o Louis entrar?
- Ih, é... esqueci... ele foi de grande ajuda?
- Foi. Mas sabe como ele fala demais...
- E como...
- Às vezes, você fala de menos.
- É. Não é sempre que gosto de falar.
- Titamy... o Louis...
- Oh, caramba! De novo!?!? - ela abre a porta.
Louis estava em frente ao elevador. - Tafars! Entre!
- Eu não! - respondeu ele começando a entrar
no elevador.
- Então tá, se ficou ofendido e não quer vir,
tudo bem. Pode ir embora se quiser. - ela tranca a porta. Ele sai correndo de volta e bate
na porta.
- Abre, por favor! - pede.
- E aí, Khrista? Abro ou não abro?
- Ah, abre, vai... - Titamy abre a porta para
ele.
- Como pedido pela minha amiga aqui, a quem
respeito muito, deixo que entre na residência de duas garotas... mas que meus pais não
saibam!
- Eles continuam com aquela história?
- Continuam, mas eu não vou chamar Aliocha só
para isso!...
Kosanova, Titamy Naime
Nascimento: 2 de outubro de 2068
Boyomi, Khrista
Nascimento: 7 de julho de 2069
Soulbright, Louis Tafars
Nascimento: 29 de outubro de
2069
"Ela é a mais velha. E tem
a maior resistência. Ela tem que se juntar logo a nós."
Poderes mais evidentes: fogo,
agilidade, aderência.
Resultados: tudo absolutamente
normal com a sua saúde.
OBS.: Como os demais, apresenta
uma força fora do comum.
Poderes mais evidentes: ar
(provoca ventos ou dissipa-os), terra e vôo.
Resultados: tudo absolutamente
normal com a sua saúde.
OBS.: Como os demais, apresenta
uma força fora do comum.
Poderes mais evidentes: água e
psíquicos.
Resultados: tudo absolutamente
normal com a sua saúde.
OBS: Como as demais, apresenta
uma força fora do comum.
"Será que o aparecimento
de novos poderes está relacionado com... não, nada comprovou que será verdade isso.
Ainda temos células dela e restos da pedra... tenho que fazer mais testes. Mas não posso
confiar em ninguém... tenho que fazer isso sozinho".
- Comunicador. Chame por
Morales, por favor.
- Sim, senhor Mahler?
- Tome conta da empresa.
Ausentar-me-ei de minha sala e não tenho uma hora prevista para o meu retorno.
-Estou indo, senhor.
"Ele pode ter me
desobedecido, mas sei o que ele passa. Sei que ainda gosta da srta. Kosanova, embora não
me interesse."
***
UTecCARJ.
- Falou com a Titamy, Louis? -
perguntou uma menina de cabelos castanhos cacheados, olhos castanhos.
- Falei, Raquel. Ela falou que
vem.
- É que daqui é mais fácil
pra ir ao cinema: a empresa tem as próprias salas e a gente não paga nada, a faculdade
fica pertinho da CECA.
- Eu sei. A Khrista também vai.
- Tudo bem. Embora não conheça
a Khrista há muito tempo, ela parece ser uma pessoa legal.
- Ela agora é responsabilidade
da Titamy.
- Você chamou a Titamy de
Titamy!? Que milagre...!
- A Khrista me pediu.
- Quem diria que vocês dois
seriam amigos?
- Nós fomos, depois passamos a
ser rivais, depois inimigos e depois amigos.
- O que é bem mais saudável
pros amigos de vocês...
***
- Que história é essa de Xila,
Sheila? - Johann estava no laboratório, quando a mãe de Khrista entra.
- Ora, Johann, você queria que
eu continuasse com o meu verdadeiro nome!?
- O que quer aqui!? Não vê que
trabalho!?
- Não chegue perto da minha
filha!
- Você não pensou que se
esconderia assim tão facilmente, né!? Eu sou uma pessoa muito influente, minha cara. Eu
a encontraria de qualquer forma... não deveria ter fugido assim da minha empresa, querida
Sheila.
- Mas... o que está estudando,
Johann!?
- Ainda se lembra de como se
lêem as máquinas? Se sim, tente...
- É o meu trabalho! É claro
que eu sei ler o que as máquinas dizem...
- Pensei que a savana e a tribo
tivessem feito você regredir... Agora, eu terei que chegar perto de sua
filha... afinal de contas, você não quer que uma desgraça aconteça a ela...
- O que fará!?
- Nada farei, mas, sem querer,
fiz... - "Eu farei algo, mas não para a sua filha, Sheila, mas sim
para Titamy Kosanova repensar na minha proposta."
***
"Que legal! Eu passo anos
fugindo da ciência e marco com o pessoal bem na maior universidade de formação
científica da cidade... eu sou maluca!" pensa Titamy quando entra no campus da
UTecCARJ. "Bom... marcaram em frente ao prédio da Engenharia, que é onde estuda a
Khrista. Ela vai finalmente ao cinema (coisa que estamos prometendo há um maior
tempão...!)".
Ela conhece aquela universidade,
também, seu pai ainda trabalhava lá, mesmo com emprego na empresa de Johann.
Principalmente a parte do Instituto das Exatas, seu pai trabalhava no departamento de
Física.
A vizinhança estava um pouco
diferente e até mesmo o próprio prédio da Física. E o da Engenharia estava com um
visual mais moderno. "Nossa! Agora estaria mais agradável estudar aqui... ano
passado ainda estava esquisitão, mas agora...".
"Bom... ninguém chegou.
Vou até a cantina... estou com muita fome!"
***
- Raquel, você já conhece a
Khrista e Khrista, você conhece a Raquel.
- Oi!
- Oi, Raquel!
- Cadê a Titamy!? A que horas
marcou de nos encontrarmos, Louis!? - perguntou Raquel.
- Ainda faltam cinco minutos...
- um pequeno bipe faz-se escutar vindo de tipo uma agenda eletrônica da Raquel.
- Só um minuto. - Raquel leu o
que era. - É o senhor Johann. Ele pede que eu vá até a CECA. Que estranho falar só
CECA! Eu já estava acostumada com CMEACEB!
- Mas melhorou...
- Com certeza. Tchau!
- Cadê a Titamy!?!? - perguntou
aflita Khrista. Raquel saiu.
- Não sei. Daqui a pouco ela
deve estar chegar... - um grupo de jovens mal-encarados aproxima-se deles.
- O que será que esse pessoal
quer com a gente, Louis?
- Acho que nada agradável,
Khrista. - sem pronunciarem sequer uma palavra, os jovens chegaram de maneira agressiva.
Alguns traziam consigo bastões e barras de metal e começaram a atacar Khrista e Louis.
Assumindo posição de luta,
Khris pôs-se a voar, enquanto Louis, com as mãos espalmadas, desenhou uma esfera em
volta de si. Assim, pela telecinésia ele podia também voar: ele conseguia mover o
próprio corpo para cima apenas com o poder da mente.
Uma bagunça generalizada fez-se
por perto da briga. Depois, toda a universidade estava no clima de terror.
Utilizando-se de seu poder da
terra, Khris provoca um terremoto que fez com que muitos do grupo caíssem no chão. Louis
conseguia fazer com que muitos voassem para longe. Mas eram muitos. Precisavam de mais
alguém.
***
Titamy estava se deliciando com
um salgado da cantina do terceiro andar do prédio da Física quando escuta gritos
histéricos. Ela já estava na sacada perto da cantina, apenas olhou para baixo, mas nada
viu. Tentou ir para as escadas, mas muitos alunos subiam correndo, desesperados. "Ai
meu Deus! O que faço agora?!".
- O que está havendo?
- Um bando de garotos começaram
a atacar uns dois lá no pátio da Engenharia. Tá o maior quebra-pau!
- É e os dois estã usando uns
poderes esquisitos!
- Obrigada! Tenho de ir lá!
- Não faça isso, moça! -
disse um daqueles que a ajudou. Ela ia para a sacada novamente. - Ainda bem que mudou de
idéia! - foi o que ele disse e pensou, mas Titamy sabia que era aquele lado do prédio da
Física que dava para o da Engenharia. Ela o escalou para baixo e todos comentavam algo
parecido com "Que maluca!" "Ela vai se estabacar desse jeito!"
"Olha! Ela não está caindo!"
***
- Sai daqui, seu desgraçado! -
disse Khrista, dando um soco em um deles que chegou mais perto dela.
- Parecem com sede! Querem um
pouco d'água!? - perguntou Louis, jogando um jato d'água em cima de seus
agressores.
- Estão dando uma festa e não
me chamaram? - perguntou Titamy, que vinha correndo. - Mui amigos, queridos! - disse,
dando um soco em um. - O que você me perguntou!? Se eu tenho fogo? Serve esse? - ela deu
rajada de fogo bem na cara de um.
- Titamy! Onde estava!? Pensamos
que não viria! - Khrista.
- Cheguei aqui só dez
minutinhos atrasada! Estava comendo lá na Física...
- Titamy, ainda iremos? - Louis.
- Não sei... primeiro, acabemos
com esses patifes!
- Estávamos indo bem antes de
você chegar...
- ... mas toda a ajuda é
válida! Não ligue pro Louis!
- Eu sei... - Titamy continuou
seu trabalho sem dizer uma palavra, limitando-se, apenas, a interjeições.
Quando os três estavam juntos,
via-se pela aura que se formava em volta de seus corpos, seus poderes tinham a potência
aumentada. Não demorou muito para que seus adversários caíssem no chão. Depois, o que
lhes fazia não parecer mais muito humanos, suavizou-se gradativamente, até que
parecessem novamente um grupo de pessoas.
- Vamos ao cinema ainda?
- Podem ir... mas já está na
hora de eu ir ao congresso de lingüistas. Divirtam-se!
- Ah... já vai!? Que pena!
Tchau, Titamy!
- Poxa, Na... Titamy! Vai, pô!
- Tenho que trabalhar...
tchauzinho!
- Até mais!
***
FOI ROUBADO UM EQUIPAMENTO
DO PRÉDIO DA BIOGENÉTICA, ENQUANTO UMA BRIGA OCORRIA EM FRENTE AO PRÉDIO DA ENGENHARIA,
NA UTECCARJ.
BRIGA OCORRIDA NA ENTRADA DO
PRÉDIO DA ENGENHARIA DA UTECCARJ DEIXA DÚVIDA NOS CARIOCAS: SERÁ QUE, ASSIM COMO NAS
HISTÓRIAS EM QUADRINHOS, SURGIRÃO HERÓIS?
MAIS UMA MANIFESTAÇÃO DOS
HUMANOS NEM TÃO HUMANOS, MAS, DESSA VEZ, ELES NÃO SUMIRAM COMO ANTES: VOLTARAM A SER
NORMAIS. O QUE ESTÁ HAVENDO COM O MUNDO!?
O MUNDO PEDE AOS TRÊS
JOVENS QUE LUTARAM CONTRA OS NÃO-HUMANOS: PROTEJAM A HUMANIDADE!
Essas eram as manchetes de
jornais e telejornais em edição extra que circularam pelo mundo todo. Ocorriam muitos
ataques em várias cidades, a população mundial clamava por protetores.
***
"Nossa, só hoje, briguei três
vezes com esses não-humanos! Caramba! É... acho que fui precipitada ao não aceitar a
proposta do sr. Mahler! O mundo precisa mesmo de heróis! Mas por que será que apenas
nós três temos esses poderes!? Que estranho..."
Titamy escalava o prédio da
empresa de Johann.