A Tríade

A TRÍADE

CAPÍTULO DÉCIMO SÉTIMO: A DESISTÊNCIA DE UM HERÓI

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Capítulo Décimo Oitavo

 

Khrista e Louis se entreolham e, apesar de não saberem o que é mais certo a fazer, eles tomam a mesma iniciativa, que é avançar. Devido a sua personalidade excessivamente diplomática, K resolve que é hora de fazer vez dos seus dotes oratórios e começa a falar:

- Titamy, o que você está fazendo? Por que essa atitude para com o seu noivo?

- Khris, minha amiguinha, aconselho a não se intrometer em assunto de casal que não seja você e o T****! Tenho motivos de sobra para querer matar Johann Mahler. E não venha me dizer que ele era meu noivo.

- Vocês finalmente chegaram, Soulbright e Boyomi! Eu os chamei pois temo por minha vida.

- Se não bastasse querer matar meu ex-noivo eu vou ter que matar vocês, amigos?

- Khris, você sabe que com a Titamy não funciona simplesmente bater um papo. Temos que agir! - L e K avançam para Titamy. Ela apenas revida usando vento contra K e poderes telepáticos de sugestão contra L. 

- Gente, eu não gosto de lutar contra vocês. Por que vocês não me deixam matá-lo em paz e depois a gente vai lá pra casa, toma alguma coisa e assiste televisão?

- Você sabe que não podemos fazer isso. - diz K.

- OK, então... ME DEIXEM EM PAZ!!!!!!!!!!!! - ela ataca com todas as suas forças, usando os poderes de vento, criando, assim uma grande ventania, que os leva para bem longe. - Querido, somos só você e eu agora.

- Titamy, pare com isso! Tudo ocorreu antes de eu me apaixonar...

- Blá, blá, blá! Não me convence mais, seu mentiroso! - ela sente uma mão pegando a sua mão - Raquel, minha amiga, é inútil! Pare com isso! - Titamy pega a mão da amiga invisível e a joga longe. - Vamos acabar logo com isso, Johann Mahler! - o corpo dela começa a brilhar em várias cores e cada segundo que passa, com maior intensidade. Ela voa para que seus poderes não prejudiquem a construção abaixo de seus pés.

***

Diego observa-a perplexo de seus poderes, ele pode ver espirais de fogo, eletricidade, água, vento, terra em volta do corpo de sua amada. A roupa dela muda: não é mais uma roupa comum dela, não é, tampouco, seu uniforme confeccionado por Louis. É uma roupa estranha sem os limites comuns de uma roupa, é como se uma pele multicolorida envolvesse a pele original de T. É como se seus poderes tivessem consumido toda a sua roupa e tivessem agora a vestindo. Ele avança para perto dela.

***

Johann teme desesperadamente a sua morte. Ele sabe que, do jeito que vão as coisas, será uma morte dolorosíssima e cheia de ódio por parte de Titamy. Tudo o que fez passa-lhe pela cabeça, mas tudo se esvai ao vê-la novamente. Ela está fatalmente e terrivelmente bela, como um algoz, um anjo da morte, pode parecer-lhe belo no momento derradeiro de sua vida? Ele mesmo não consegue explicar.

***

A imprensa é atraída pelo fenômeno ocorrido no corpo e, principalmente, nos poderes de Titamy. Uma enorme comitiva de carros e helicópteros chegam perto da sede da CECA o mais rápido que podem. Percebendo a presença deles, ela faz um enorme campo de força no terraço, de maneira que apenas os repórteres de helicópteros e num raio de 3km de distância poderiam registrar as imagens.

***

De repente, T sente dores no peito enquanto concentra ainda mais energia. Ela vê que Diego se aproxima dela e cria um outro campo de força em volta apenas dela e de Johann. 

A quantidade de energia concentrada é imensa e ela já não agüenta mais guardar dentro de si tudo aquilo, mas Johann fica com medo e atravessa uma das paredes de fogo e fica preso entre ela e a parede invisível do campo de força, porém consegue se safar do ataque.

Ao mesmo tempo que libera a energia, Titamy começa a despencar dos céus.

***

"Dios! Ela vai se espatifar no chão! Tenho de ajudá-la!" Diego corre para dentro do campo de força que ainda se mantinha em pé. Após uma resistência do campo, ele consegue ultrapassá-lo e, correndo, aproxima-se de onde Titamy está caindo. As vestes dela voltam ao normal.  Ela o vê.

- Diego - ela diz e depois seu rosto tomba para o lado, desacordado.

O campo de força maior some e o círculo de fogo em volta de Johann também, bem como todo o resto que lhe mantinha como refém.

***

- Aguardemos a polícia para levá-la. - diz Johann a Diego.

- Não. A polícia não pode com ela e ela não será presa. Deve haver motivos para que ela tenha agido assim.

- Essa desobediência custará o seu emprego, sr. Morales!

- Eu me demito! 

K e L aproximam-se e vêem que a amiga está desacordada. Johann não insiste na ordem de entregá-la à polícia e aceita a demissão de Diego.

- Khrista, você pode levá-la enquanto eu acerto minhas contas aqui na empresa?

- Sim.

- Louis, a Raquel caiu bem ali... é melhor vê-la, para ver se tudo está bem.

- Tá certo, Diego. - K voa com T enquanto L procura por R.

- Sr. Mahler, sei que não tenho direitos e sei que o que tenho a acertar contas não é com você como empresário, mas sim como homem. Sei que ela não teria um ataque e usaria seus poderes contra o namorado. Eu a namorei e sei disso: nossas discussões não passaram de palavras horríveis e um tapa na cara (que ela me deu na última discussão). Abandono-o com satisfação, pois não poderia trabalhar com quem a fez sofrer.

- O senhor a fez sofrer...

- Sei disso. Adeus.

***

De dentro de seu carro, Diego olha para o céu e vê K carregando T. Ele pára o carro e a chama. Ela o escuta e desce.

- Oi, Diego.

- Oi, Khrista. Entre no meu carro que eu as levo para um lugar seguro: o apartamento do irmão dela.

- Tá... você sabe por que eles discutiram?

- Não.

K põe T deitada no banco de trás e senta-se no da frente. Diego põe-se a dirigir calado e K sente-se intimidada e não consegue quebrar aquela barreira de silêncio.

***

- Estamos em frente do prédio da CECA aqui no Rio de Janeiro, onde houve um atentado à vida do presidente da empresa, o senhor Johann Mahler. Ele está ao nosso lado e responderá nossas perguntas. - Aliocha está sentado em seu sofá vendo a rede de notícias de sua preferência. - Conte-nos: por que a sua noiva claramente tentou matá-lo hoje? E aqueles poderes que ela manifestou?

- Titamy e eu tivemos uma terrível discussão. Devido a uns problemas de saúde que ela vem sofrendo, seus poderes começaram a se manifestar fortemente.

- Mas por que a tentativa de homicídio?

- Não querendo ser grosso... mas isso apenas interessa a nós. Só posso dizer que, por iniciativa dela e consentimento meu, não somos mais um casal. E eu não chamarei a polícia nem a denunciarei por nada. Agora eu preciso me recompor. Até mais ver. - a campainha toca, ele vai atender: Diego carrega T nos braços e K está atrás dele.

- Oi, Aliocha. Você pode cuidar de sua irmã por uns tempos? - Diego.

- Claro! Ela é minha irmã! Eu vi o que aconteceu pelo noticiário da TV. Por que ela agiu assim?

- A gente não sabe. - responde K. - Mas ela está desacordada há quase meia hora!

- Não é melhor levá-la para o hospital? - pergunta Aliocha.

- Se a levarem para lá, os médicos podem mandá-la para a CMEACEB e você sabe que é o último lugar para onde ela gostaria de ir. - Diego.

- É verdade. - diz Aliocha.

- Eu vou embora. - Diego.

- Eu também. - K.

***

O que pode passar pela cabeça de alguém quando um grande amigo seu pode chegar a morrer? É certo que esse alguém vai irritar-se muito... disso não se tem dúvidas... mas se quisessem que você lutasse contra ele. Mas quem quer que você lute contra ele é o seu patrão e, de acordo com o que você acaba de descobrir: o seu pai biológico?

Como funcionaria a cabeça desse alguém após tantas revelações bombásticas seguidas? Khrista estava um misto de tantas emoções, mas ao mesmo tempo não queria mostrá-las. Ela foi ao apartamento de Titamy e lá mesmo ficou pensando nos últimos acontecimentos. Junto de seus pensamentos, algumas lágrimas.

Raquel e Louis, na faculdade, tentavam entender o porquê de tudo aquilo estar acontecendo. Embora Khrista tivesse dito a Louis que ela era filha de Johann Mahler, ele achava que esse não seria motivo suficiente para Titamy querer simplesmente matar o noivo. Tinha mais coisa... Raquel não tinha realmente a menor idéia.

***

Depois de um bom tempo dormindo, Titamy abre um dos olhos e, a princípio, não reconhece onde está. Olha para todos os lados em busca de uma resposta, até que percebe que está no quarto de hóspedes do seu irmão. Ela escuta um barulho de pacote de biscoito sendo aberto e logo sabe que Aliocha está.

Levanta-se e se encaminha para a cozinha. Ainda está um pouco cansada e por isso coloca as mão nas paredes. Ao chegar ao seu destino, ela o vê devorando um pacote de biscoito.

- Oi.

- Oi, tá melhor?

- Tô.

- Quer? - pergunta, estendendo-lhe o pacote. O biscoito é de aveia e mel.

- Não, não gosto.

- Não gosta!?!? Mas é uma delícia...

- Você sabe que detesto isso. Quem me trouxe?

- Diego e a sua amiga africana.

- Mão, quero ir para o prédio da CMEACEB.

- Que é isso!? Você quer matar o Mahler de novo?

- Não. Tenho que resolver um assunto.

- Qual?

- Pedir demissão da Tríade.

***

- Louis, você sabe de algo que pode ter feito a Titamy querer matar o senhor Mahler?

- Não... sei de outra coisa que só a Khrista sabe.

- O quê?

- Johann Mahler é na verdade pai dela.

- Será que...

- Que foi por isso que Titamy tentou matá-lo?

- É, sei lá.

- Acho que não. Ela não liga para essas coisas... qualquer coisa, ela terminaria o namoro, mas nunca o mataria por isso.

- É mesmo, deve ser outra coisa.

***

- Senhor Mahler, a senhorita Kosanova deseja falar-lhe. - era a voz da secretária, no comunicador.

- Mande-a entrar, então. - ele se levanta.

- Mas... e hoje de manhã.

- Se não proibi a entrada dela na empresa é porque ela pode entrar na minha sala.

- Sim, senhor. - mais um pouco e Titamy entrou.

- Boa tarde, Mahler.

- Boa noite.

- Eu não vou ficar de rodeios com você: não quero mais matá-lo... não é certo. Não é certo também o que você fez... e não perdoá-lo por isso. Poder posso, mas não agora...

- Sei disso. Não preciso de seu perdão...

- Não peço perdão por devolver a aliança e por terminar o noivado. Não quero nada com você... e por isso peço demissão da Tríade.

- O quê!?!?!?!?!? - ele surpreendeu-se.

- Não posso mais olhar para a sua cara... nem mesmo como sua empregada. 

- Mas você é que tem maior poder dentre eles... quem vai ajudar as pessoas?

- Sei que não está preocupado com elas. Louis, Khrista e Raquel podem fazer isso. 

- Esse é o seu adeus?

- Sim. Eu desisto. Adeus.


 

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