Khrista e Louis se entreolham e, apesar de não
saberem o que é mais certo a fazer, eles tomam a mesma iniciativa, que é
avançar. Devido a sua personalidade excessivamente diplomática, K resolve
que é hora de fazer vez dos seus dotes oratórios e começa a falar:
- Titamy, o que você está fazendo? Por que
essa atitude para com o seu noivo?
- Khris, minha amiguinha, aconselho a não se
intrometer em assunto de casal que não seja você e o T****! Tenho motivos
de sobra para querer matar Johann Mahler. E não venha me dizer que ele era
meu noivo.
- Vocês finalmente chegaram, Soulbright e
Boyomi! Eu os chamei pois temo por minha vida.
- Se não bastasse querer matar meu ex-noivo
eu vou ter que matar vocês, amigos?
- Khris, você sabe que com a Titamy não
funciona simplesmente bater um papo. Temos que agir! - L e K avançam para
Titamy. Ela apenas revida usando vento contra K e poderes telepáticos de
sugestão contra L.
- Gente, eu não gosto de lutar contra vocês. Por que
vocês não me deixam matá-lo em paz e depois a gente vai lá pra casa,
toma alguma coisa e assiste televisão?
- Você sabe que não podemos fazer isso. -
diz K.
- OK, então... ME DEIXEM EM PAZ!!!!!!!!!!!!
- ela ataca com todas as suas forças, usando os poderes de vento, criando,
assim uma grande ventania, que os leva para bem longe. - Querido, somos só
você e eu agora.
- Titamy, pare com isso! Tudo ocorreu antes
de eu me apaixonar...
- Blá, blá, blá! Não me convence mais,
seu mentiroso! - ela sente uma mão pegando a sua mão - Raquel, minha
amiga, é inútil! Pare com isso! - Titamy pega a mão da amiga invisível e
a joga longe. - Vamos acabar logo com isso, Johann Mahler! - o corpo dela
começa a brilhar em várias cores e cada segundo que passa, com maior
intensidade. Ela voa para que seus poderes não prejudiquem a construção
abaixo de seus pés.
***
Diego observa-a perplexo de seus poderes, ele
pode ver espirais de fogo, eletricidade, água, vento, terra em volta do
corpo de sua amada. A roupa dela muda: não é mais uma roupa comum dela,
não é, tampouco, seu uniforme confeccionado por Louis. É uma roupa
estranha sem os limites comuns de uma roupa, é como se uma pele
multicolorida envolvesse a pele original de T. É como se seus poderes
tivessem consumido toda a sua roupa e tivessem agora a vestindo. Ele avança
para perto dela.
***
Johann teme desesperadamente a sua morte. Ele
sabe que, do jeito que vão as coisas, será uma morte dolorosíssima e
cheia de ódio por parte de Titamy. Tudo o que fez passa-lhe pela cabeça,
mas tudo se esvai ao vê-la novamente. Ela está fatalmente e terrivelmente
bela, como um algoz, um anjo da morte, pode parecer-lhe belo no momento
derradeiro de sua vida? Ele mesmo não consegue explicar.
***
A imprensa é atraída pelo
fenômeno ocorrido no corpo e, principalmente, nos poderes de Titamy. Uma
enorme comitiva de carros e helicópteros chegam perto da sede da CECA o
mais rápido que podem. Percebendo a presença deles, ela faz um enorme
campo de força no terraço, de maneira que apenas os repórteres de
helicópteros e num raio de 3km de distância poderiam registrar as imagens.
***
De repente, T sente dores no
peito enquanto concentra ainda mais energia. Ela vê que Diego se aproxima
dela e cria um outro campo de força em volta apenas dela e de Johann.
A quantidade de energia
concentrada é imensa e ela já não agüenta mais guardar dentro de si tudo
aquilo, mas Johann fica com medo e atravessa uma das paredes de fogo e fica
preso entre ela e a parede invisível do campo de força, porém consegue se
safar do ataque.
Ao mesmo tempo que libera a
energia, Titamy começa a despencar dos céus.
***
"Dios! Ela vai se
espatifar no chão! Tenho de ajudá-la!" Diego corre para dentro do
campo de força que ainda se mantinha em pé. Após uma resistência do
campo, ele consegue ultrapassá-lo e, correndo, aproxima-se de onde Titamy
está caindo. As vestes dela voltam ao normal. Ela o vê.
- Diego - ela diz e depois seu
rosto tomba para o lado, desacordado.
O campo de força maior some e o
círculo de fogo em volta de Johann também, bem como todo o resto que lhe
mantinha como refém.
***
- Aguardemos a polícia para
levá-la. - diz Johann a Diego.
- Não. A polícia não pode com
ela e ela não será presa. Deve haver motivos para que ela tenha agido
assim.
- Essa desobediência custará o
seu emprego, sr. Morales!
- Eu me demito!
K e L aproximam-se e vêem que a
amiga está desacordada. Johann não insiste na ordem de entregá-la à
polícia e aceita a demissão de Diego.
- Khrista, você pode levá-la
enquanto eu acerto minhas contas aqui na empresa?
- Sim.
- Louis, a Raquel caiu bem
ali... é melhor vê-la, para ver se tudo está bem.
- Tá certo, Diego. - K voa com
T enquanto L procura por R.
- Sr. Mahler, sei que não tenho
direitos e sei que o que tenho a acertar contas não é com você como
empresário, mas sim como homem. Sei que ela não teria um ataque e usaria
seus poderes contra o namorado. Eu a namorei e sei disso: nossas discussões
não passaram de palavras horríveis e um tapa na cara (que ela me deu na
última discussão). Abandono-o com satisfação, pois não poderia
trabalhar com quem a fez sofrer.
- O senhor a fez sofrer...
- Sei disso. Adeus.
***
De dentro de seu carro, Diego
olha para o céu e vê K carregando T. Ele pára o carro e a chama. Ela o
escuta e desce.
- Oi, Diego.
- Oi, Khrista. Entre no meu
carro que eu as levo para um lugar seguro: o apartamento do irmão dela.
- Tá... você sabe por que eles
discutiram?
- Não.
K põe T deitada no banco de
trás e senta-se no da frente. Diego põe-se a dirigir calado e K sente-se
intimidada e não consegue quebrar aquela barreira de silêncio.
***
- Estamos em frente do
prédio da CECA aqui no Rio de Janeiro, onde houve um atentado à vida do
presidente da empresa, o senhor Johann Mahler. Ele está ao nosso lado e
responderá nossas perguntas. - Aliocha está sentado em seu sofá vendo
a rede de notícias de sua preferência. - Conte-nos: por que a sua noiva
claramente tentou matá-lo hoje? E aqueles poderes que ela manifestou?
- Titamy e eu tivemos uma
terrível discussão. Devido a uns problemas de saúde que ela vem sofrendo,
seus poderes começaram a se manifestar fortemente.
- Mas por que a tentativa de
homicídio?
- Não querendo ser grosso...
mas isso apenas interessa a nós. Só posso dizer que, por iniciativa dela e
consentimento meu, não somos mais um casal. E eu não chamarei a polícia
nem a denunciarei por nada. Agora eu preciso me recompor. Até mais ver. -
a campainha toca, ele vai atender: Diego carrega T nos braços e K está
atrás dele.
- Oi, Aliocha. Você pode cuidar
de sua irmã por uns tempos? - Diego.
- Claro! Ela é minha irmã! Eu
vi o que aconteceu pelo noticiário da TV. Por que ela agiu assim?
- A gente não sabe. - responde
K. - Mas ela está desacordada há quase meia hora!
- Não é melhor levá-la para o
hospital? - pergunta Aliocha.
- Se a levarem para lá, os
médicos podem mandá-la para a CMEACEB e você sabe que é o último lugar
para onde ela gostaria de ir. - Diego.
- É verdade. - diz Aliocha.
- Eu vou embora. - Diego.
- Eu também. - K.
***
O que pode passar pela cabeça
de alguém quando um grande amigo seu pode chegar a morrer? É certo que
esse alguém vai irritar-se muito... disso não se tem dúvidas... mas se
quisessem que você lutasse contra ele. Mas quem quer que você lute
contra ele é o seu patrão e, de acordo com o que você acaba de
descobrir: o seu pai biológico?
Como funcionaria a cabeça
desse alguém após tantas revelações bombásticas seguidas? Khrista
estava um misto de tantas emoções, mas ao mesmo tempo não queria
mostrá-las. Ela foi ao apartamento de Titamy e lá mesmo ficou pensando
nos últimos acontecimentos. Junto de seus pensamentos, algumas lágrimas.
Raquel e Louis, na faculdade,
tentavam entender o porquê de tudo aquilo estar acontecendo. Embora Khrista
tivesse dito a Louis que ela era filha de Johann Mahler, ele achava que esse
não seria motivo suficiente para Titamy querer simplesmente matar o noivo.
Tinha mais coisa... Raquel não tinha realmente a menor idéia.
***
Depois de um bom tempo dormindo,
Titamy abre um dos olhos e, a princípio, não reconhece onde está. Olha
para todos os lados em busca de uma resposta, até que percebe que está no
quarto de hóspedes do seu irmão. Ela escuta um barulho de pacote de
biscoito sendo aberto e logo sabe que Aliocha está.
Levanta-se e se encaminha para a
cozinha. Ainda está um pouco cansada e por isso coloca as mão nas paredes.
Ao chegar ao seu destino, ela o vê devorando um pacote de biscoito.
- Oi.
- Oi, tá melhor?
- Tô.
- Quer? - pergunta,
estendendo-lhe o pacote. O biscoito é de aveia e mel.
- Não, não gosto.
- Não gosta!?!? Mas é uma
delícia...
- Você sabe que detesto isso.
Quem me trouxe?
- Diego e a sua amiga africana.
- Mão, quero ir para o prédio
da CMEACEB.
- Que é isso!? Você quer matar
o Mahler de novo?
- Não. Tenho que resolver um
assunto.
- Qual?
- Pedir demissão da Tríade.
***
- Louis, você sabe de algo que
pode ter feito a Titamy querer matar o senhor Mahler?
- Não... sei de outra coisa que
só a Khrista sabe.
- O quê?
- Johann Mahler é na verdade
pai dela.
- Será que...
- Que foi por isso que Titamy
tentou matá-lo?
- É, sei lá.
- Acho que não. Ela não liga
para essas coisas... qualquer coisa, ela terminaria o namoro, mas nunca o
mataria por isso.
- É mesmo, deve ser outra
coisa.
***
- Senhor Mahler, a senhorita
Kosanova deseja falar-lhe. - era a voz da secretária, no comunicador.
- Mande-a entrar, então. - ele
se levanta.
- Mas... e hoje de manhã.
- Se não proibi a entrada dela
na empresa é porque ela pode entrar na minha sala.
- Sim, senhor. - mais um pouco e
Titamy entrou.
- Boa tarde, Mahler.
- Boa noite.
- Eu não vou ficar de rodeios
com você: não quero mais matá-lo... não é certo. Não é certo também
o que você fez... e não perdoá-lo por isso. Poder posso, mas não
agora...
- Sei disso. Não preciso de seu
perdão...
- Não peço perdão por
devolver a aliança e por terminar o noivado. Não quero nada com você... e
por isso peço demissão da Tríade.
- O quê!?!?!?!?!? - ele
surpreendeu-se.
- Não posso mais olhar para a
sua cara... nem mesmo como sua empregada.
- Mas você é que tem maior
poder dentre eles... quem vai ajudar as pessoas?
- Sei que não está preocupado
com elas. Louis, Khrista e Raquel podem fazer isso.
- Esse é o seu adeus?
- Sim. Eu desisto. Adeus.