Quando Titamy sai da sala de Johann, ele
deixa-se cair na cadeira. Cruza os braços sobre a mesa e deixa que a
cabeça caia sobre eles. Fica assim por muito tempo e não responde a
telefonemas nem a chamados de sua secretária. Quem o olhasse naquele
momento, acharia que estava chorando, não se podia saber e, se chorava,
não se saberia ao certo o motivo.
Após trinta minutos naquele estado, ele
pega o telefone e exige que a secretária entre em contato com os três
heróis restantes da Tríade. Era hora de uma reunião. Ela o avisa que
Titamy já foi ao departamento financeiro e tirou o cheque com o valor do
salário. Quando ouve o nome dela, ele fica nervoso e desliga o telefone.
Gira a sua cadeira para trás e olha, através da imensa janela, a cidade
abaixo de seus pés.
- Eu faço certo. É pra isso que eu nasci
e não para bobagens. - balbucia de si para si mesmo.
***
- Que bom que puderam vir
agora.
- Não tínhamos nada para
fazer... - Louis
- Tínhamos a faculdade, mas
eles sabem que temos que atender aos seus chamados. - Khrista.
- O que tenho a dizer aos
três é que a senhorita Moracima agora faz parte da Tríade oficial, ou
seja, ela deverá dispor dos mesmos horários que os senhores. Dar
prioridade aos meus chamados.
- Claro, senhor Mahler. -
Raquel. Os três pensavam que Titamy havia sido despedida.
- Como devem estar imaginando,
a senhorita Kosanova não mais trabalha com os senhores, mas antes que me
recriminem, ela mesma tomou a decisão.
- Não querendo incomodar, mas
podemos saber o motivo da discussão entre vocês dois? - K.
- Assunto de ordem pessoal,
senhorita Boyomi.
- Certo, desculpe-me.
- Sei que têm pela senhorita
Kosanova uma grande e sincera amizade. Por isso, contarei a vocês que ela
precisa de cuidados, de ajuda. Com certeza o irmão dela a ajudará, assim
como o senhor Morales. Ela precisa de acompanhamento médico... se ela
passar mal, não hesitem em chamar a empresa...
- E o que ela tem? - R.
- Depois eu contarei. Creio
não ser a hora certa.
***
Eles já haviam saído da sala
de Johann há algum tempo, mas Khrista disse que precisava falar outra
coisa com o "chefão", porém pediu que a esperassem. Louis
resmungou algo, mas ficou lá esperando.
- Desculpe-me, senhor Mahler.
- Sim, senhorita Boyomi. - ele
estava ainda sentado à sua mesa de trabalho.
- Minha mãe já me contou.
- O quê?
- Que eu sou na verdade sua
filha.
- Eu já sabia disso.
- Por que não me contou?
- Você já tinha a sua vida
estruturada... se dá muito bem com o seu pai agaabano...
- Podia ter me falado...
- Khristyn...
- Ahn...!?
- É o nome que eu escolhi
para você logo que você nasceu... - lágrimas saíram dos olhos de
Khrista e do de Johann. Sinceramente, não dava para saber se ele
realmente estava emocionado em abraçar a filha.
***
- E aí, Khrista? -
perguntaram os amigos, no saguão do prédio ao vê-la sair do elevador.
- Eu não sei se sou Khrista
ou Khristyn...
- Quê!?!?!? - perguntou
Louis, histericamente.
- Khristyn é o nome que
Johann Mahler escolheu para mim logo que eu nasci.
- Não é por nada, Khris...
mas você sempre foi Khrista...
- Não quando eu era bebê...
- E você é o que você
nasceu, ou é o que você sempre foi?
- Não sei... nunca soube que
eu era Khristyn Mahler...
- Não vou perder meu tempo
com isso... não sou psicólogo...
- Vamos visitar Titamy? - K.
- Vamos! Vamos chamar o Diego
também! - R.
***
- Desculpe, mas ela já foi
para casa, pessoal. - disse Aliocha para eles, após abrir a porta e pedir
para que se sentassem.
- Ela precisa de cuidados
médicos... - L.
- Ela é teimosa e não quer
ficar aqui. Ela quis ir para casa e o que eu ia fazer!? Amarrá-la!?
- Não... obrigado, Aliocha. -
disse Diego. - Eu vou vê-la em sua casa. Vocês vêm comigo?
- Tá certo...
***
- Oi, gente! Se vieram ver se
eu morri, desculpe a decepção...
- Tamysita! - recriminou
Diego.
- É verdade... eu não vou
morrer porque não estou na casa do Aliocha. Sei o que eu tenho... ah,
Diego, obrigada! Você me ajudou e nem tinha obrigação...
- Eu tinha que te ajudar. -
diz Diego.
- Eu consigo andar sem cair...
estou bem. Não é sempre que vou desmaiar e coisa e tal. Parem de me
olhar assim! Eu estou bem... que droga!
- Eu posso ficar aqui de novo,
ajudando, sendo sua enfermeira. - K.
- Khris... você tem a sua
faculdade... isso vale pra vocês dois também (se bem que a companhia do
Louis eu não ia querer mesmo...).
- Titamy! - L.
- É brincadeira... não se
incomodem comigo, não quero que se atrapalhem... pra vocês ainda falta tempo pra
terminar essa porcaria de faculdade... pra mim não... mais alguns
trabalhos e pronto!
- Mas... - R.
- Shhhh... não quero mas nem
porém...
- Por que sempre é difícil
te visitar? - R.
- Porque eu sou eu...
- Ótima resposta! - L.
- Se você completar com
alguma coisa, eu te expulso! Tenho que descansar, gente...
- Tá... então a gente vai
agora...
- Se cuida, hein!? - os três
saíram, mas Diego ficou.
- Posso ficar aqui com
você... eu não trabalho mais lá...
- Bom, eu não sou de ferro...
toma a chave de casa. - ela joga para ele a chave que era dele. - Fica
onde tava a Khris... - ela se sentou no sofá, não se agüentava mais de
pé.
- Certo. - ele guarda a chave
e mal pensou em acudi-la, ela lhe manda um olhar de quem não quer ajuda.
***
- É tão
Titamy fazer dessas coisas... - L. Os três estavam andando na rua.
- Ela me disse
que não gosta de depender de ninguém que não seja da família... - R.
- É... ela
diz que não gosta de depender de quem não é assim tão próximo...
amigos são para se preocupar e visitar, mas não são quem deve ficar o
tempo todo junto, ajudando 24 horas por dia... - K.
- É o
jeitinho dela... sempre foi muito reservada... mas queria respostas... -
R.
- A gente
consegue depois. Acho que ela está certa, apenas tenta manter a sua
independência. - L.
- E o Diego!?
- K. Mal K pergunta dele, o carro de Diego passa por eles. - Ele parece
contente.
Eles continuam
andando e ainda intrigados com o semblante festivo de Diego. À sua
frente, encontram um grupo de crianças jogando bola. Pensam que, se
Titamy tivesse com eles, falaria da saudade que tem da infância, de como
era legal parar e ficar olhando as crianças brincando... que por mais que
um adulto se divirta, a criança sabe fazer isso muito melhor, pois realmente
se diverte, mesmo que há um minuto atrás estivesse de birra.
Mas eles não
pensam assim como ela. A infância foi boa, mas a idade adulta tem coisas
que apenas se pode alcançar nela: realizações, independência, etc. Já
estão bem distantes, coisa de 300 metros, quando escutam os gritos de
medo das crianças.
***
Diego chega
novamente à casa de Titamy, ele tinha ido apenas pegar roupas para poder
se hospedar na casa dela. Mal chega, ela diz que tem que sair, que, embora
não seja mais da Tríade, ela continua com poderes especiais e tem
obrigação de ajudar quem quer que precisasse de socorro.
- Não! Você
está biruta? Você mal se agüenta em pé por dois minutos! Ainda está
fraca!
- Diego, não
me impeça!! Eu tenho que ajudá-los...
- Estou aqui
para cuidar de você... dê um voto de confiança na Tríade...
- Eu não
posso!!!!!
- Eles são
seus amigos.
- Eu os
conheço bem... eu tenho poderes enormes... tenho...
- Pare com
isso!!!!!!! Você não vê que eu me preocupo com você? Se eles tivessem
aqui não iam querer que você fosse. É serviço deles!!! Você não faz
mais parte disso! - ele gritava e quase chorava.
- Tá, eu
fico. Não por mim... por você.
***
- Então a
Tríade do bem apareceu de novo... - disse Eal, o bandido da terra e do
vento.
- Tinha que
ser o equivalente da Khris para dizer uma frase dessa... não somos
"Tríade do Bem"... somos a Tríade, pois soa melhor.
- O que você
quis dizer com isso!? - K.
- Viemos aqui
para desafiá-los... cadê a minha oponente? - pergunta Foeg.
- Agora eu sou
sua oponente. - R.
- Deixa
comigo, eu falo o que deve ser dito... nós desafiamos a Tríade a uma
luta. Não agora... mas nós faremos isso, onde, há algum tempo atrás,
ficou conhecido como "Cidade do Rock". - Ali.
- Sim...
quando chegar o dia, vocês saberão. - Eal.
- Por
enquanto, divirtam-se! - Foeg.
***
- Quero saber
de onde vêm tantas pessoas! - R.
- Parecem que
existe uma fábrica disso. - L.
- Acho melhor
que um de nós leve as crianças daqui... Raquel?
- Certo,
Khrista. - Raquel levou as crianças. Eles estavam cercados de inimigos.
- Por que
você insiste em achar que é a líder? - L.
- Não sou a
líder, nem acho isso. - K.
- Não é o
que demonstra. - L.
- Aqui não
há líder,. Nem há melhor ou pior. - eles começam a festa. O que foi
esquisito é que esses não eram tão fortes como os anteriores, como
aqueles que encontraram quando lutaram pela primeira vez com a outra
Tríade.
Logo Raquel se
juntou a eles novamente.