pós derramar as suas lágrimas, Titamy
adormece sobre a mesa de Johann. Sorrateiramente, Diego sai da sala do
patrão, com o coração apertado em deixá-la sozinha, triste e furiosa
daquela maneira.
***
Céus cariocas.
Khrista tem a belíssima cidade
sob si e pensa incessantemente no que fazer, mas só que faz é continuar
seu vôo e seus pensamentos.
***
Mansão de Johann Mahler.
Johann já sabe que Titamy havia
entrado em sua empresa, mas estava certo de que ela não poderia acessar os
seus arquivos secretos. Por um momento, ele quer entender o motivo que o
levou a propô-la a descobrir algo contra ele. Sua arrogância garantia-lhe
que nada demais aconteceria.
Para ter alguma ciência do que
estava acontecendo, ele liga o seu computador. De lá, ele poderia verificar
o que ela descobria e ficou boquiaberto ao ver que ela conseguiu acesso aos
arquivos protegidos com senha.
Ele se levanta e vai até a
empresa.
***
Diego voltou a sua sala e lá
ficou pensando no que viu que Titamy descobriu. "Estávamos
certos!". Ele fica um tempo com vários pensamentos confusos
circundando a sua mente, até que escuta o barulho do carro de Johann. Ele
começa a fingir que estava dormindo.
***
Johann entra na sala e desliga o
computador, mas sem acordar Titamy. Não sabe bem porquê, mas não deseja
vê-la acordar naquele momento. Segundo os seguranças, Diego também não
havia saído. Ele vai até a sala do empregado e vê que ele dorme.
- Senhor Morales, acorde! - diz,
cutucando-o para que acorde.
- Mm....!? - resmunga Diego.
- Senhor Morales!
- Oi!?!? Senhor Mahler!
- O que está fazendo aqui?
- Estava trabalhando...
terminando de verificar relatórios de contabilidade quando peguei no sono.
- Johann olha os papéis na mesa de Diego e também seu computador que está
ligado e conclui que ele fala pelo menos uma pequena parcela de verdade.
- O senhor não viu que a
senhorita Kosanova entrou na empresa?
- Como eu disse, eu não saí da
minha sala.
- Vá para casa, senhor Morales.
Após a saída de Diego e
certificar-se de que Titamy estava dormindo em sua sala, Johann vai até a
central de segurança ver as fitas. Surpreendentemente para nós (que
conhecemos os fatos até agora), Diego não havia saído de sua sala. O que
Johann achou mais estranho era o fato de a senha ter sido introduzida antes
de Titamy chegar. Ele tinha certeza de que não havia esquecido o computador
ligado, mas também não havia outra pessoa que soubesse a senha além dele
mesmo. Será que havia esquecido de desligar a máquina?
***
Após
tanto voar, Khrista, ainda perturbada pela descoberta, ela acaba por pousar
em uma praia. Como não reconhece muita coisa, pensa ser na tal Zona Sul,
que Titamy ainda não lhe apresentara porque ela própria não conhecia.
Ela
senta na areia e olha para o mar. Os pensamentos vêm e vão de acordo com
as ondas. E a brisa traz um pouco de frio, mas ela nem repara naquele suave
vento, não é hora para pensar em ventos e em natureza, não é tempo
tampouco para sentir saudades de Agaabá.
Tampouco
era o fato de ela ter sido um experimento de Johann Mahler que a
transtornava, mas sim o fato de Johann Mahler ser o seu pai, de ela ter
nascido na verdade no Rio de Janeiro e de que sua mãe tivesse mentido para
ela durante toda a sua vida, embora não fosse muito longa, mas a pior coisa
que se pode descobrir é que seus pais omitiram durante toda a sua vida a
sua real origem.
Os
sentimentos mais confusos que afloraram eram com relação a sua mãe. Com
relação ao pai ou mesmo a Johann Mahler, tudo permanecia a mesma coisa:
ela amava o homem que a criou e continuava respeitando o homem para quem
trabalha.
Ela acaba se
distraindo criando e destruindo montes de areia, mas de maneira tão
distante, que quem olhasse para ela não teria a mínima idéia de para onde
ela olhava. Isso porque ela não olhava para um lugar, mas sim para o tempo,
para suas lembranças, para os seus sentimentos.
Surpreendentemente,
encontrou-se pensando no namorado e nos amigos, mas o que T**** tinha a ver
com a história de sua vida? Seus amigos tudo bem, pois compartilhavam o
mesmo passado, mas T****!? O que ele tinha com tudo o que ela descobriu? O
que ele tinha a ver com a história de sua vida!? Ele estava, a partir do
momento em que apareceu e permaneceu em sua vida, escrevendo com ela as
páginas ainda em branco do livro da vida de Khrista Boyomi, ou seja, tudo o
que muda na vida de Khrista, muda na vida de T**** também. E ele seria o
único que a poderia ouvir naquele momento.
Mesmo
sem saber ao certo para onde ir, Khrista decidiu ir à casa de T****.
***
Manhã,
C.M.E.A.C.E.B. (C.E.C.A.).
Após
aberta a enorme cortina do escritório de Johann Mahler, os primeiros raios
solares que entram e tocam o rosto de Titamy a fazem acordar. Ela não é
tão sensível assim a entrada de luz, mas isso acontece quando ela não
dorme em casa. Ao abrir os olhos, vê que ainda está no escritório de seu
noivo.
Johann está
sentado no sofá, que fica no canto direito do escritório (para quem, assim
como Titamy, está sentado à mesa de trabalho de Johann). Ele parece ter
cochilado sentado ali mesmo, pois o paletó está jogado ao lado dele e sua
bela blusa social importada está toda amassada sob a gravata. Ele a olha
fixamente. Ao perceber que ela acordou, ele se levanta e vai em direção
dela.
- Bom dia, Titamy.
-
Não é tão bom o meu dia, pois a noite foi péssima. - retruca a moça.
-
Ora, por quê?
- Porque eu
descobri o que tinha que descobrir sobre você... dentro do prazo combinado.
-
E o que você descobriu, meu bem?
-
Não se faça de desentendido, Mahler! Você sabe muito bem que eu sei que
você nos obrigou a ter esses malditos poderes mágicos e que, graças a
essa sua brilhante vontade de refazer a Tríade, você acabou condenando a
minha vida.
- Ora, por que
você fala que eu condenei sua vida?
-
Pare de se fazer de besta, Johann! Essas dores... só podem ser por causa
dessa maldita pedra que você implantou no meu peito! Eu era um bebê, seu
canalha! Não tinha direito de escolha! Como pode ser tão cruel! E, depois
de namorarmos e ficarmos noivos, você nunca me disse nada! Eu sabia, mas
não queria acreditar que você passou a "gostar de mim" para que
eu não ficasse sabendo de tudo isso!
-
Todos nós temos os nossos interesses quando começamos um relacionamento,
não é mesmo? Você, por exemplo, qual motivo posso pensar que você teve?
O único que me passa pela cabeça é o fato de eu ter mais dinheiro do que
você pode pensar em ganhar com toda uma vida dedicada aos estudos de outras
culturas e de outras línguas!
-
É aí que se vê as diferenças entre nós dois! O enorme abismo que existe
entre nós! A idade, ela não é nada, nem um pequeno orifício! O que nos
separa é nosso caráter!!! Não afirmo que tenho um bom caráter, longe de
mim afirmar isso, mas eu nunca poderia realmente crer que você estava
comigo por um interesse racional. Sim, em todo relacionamento há motivos,
mas os meus eram de ordem sentimental. Eu pensei que você preenchia a
lacuna que estava vazia em minha vida, mas não... eu cheguei a estar
apaixonada! Mas, a partir do momento em que me propôs que eu descobrisse
algo sobre você... foi como Aliocha me disse: eu deixei de estar apaixonada
por você.
- Não é
porque você diz com os olhos cheios de lágrimas e com voz trêmula que eu
acredito em você.
- Só
acredita que alguém tem sentimentos quem tem sentimentos. Por isso, sei que
não ficará humilhado se eu te devolver a aliança de noivado. - ele engole
em seco após ela colocar o anel sobre a mesa.
-
Alguma pergunta?
- O
quê!?
- Tem alguma
pergunta a me fazer?
-
Raquel. Por que ela tem poderes?
-
Foi uma experiência posterior, eu usei lascas das pedras que implantei em
vocês para criar um raio.
-
Quando?
- Lembra que ela
sumiu por uns tempos quando vocês já eram a Tríade?
-
Sim.
- Foi nessa época.
Guardei as lascas por todos esses anos enquanto fazia pesquisas.
-
Por que não me contou nada?
-
Porque meu relacionamento com vocês estava baseado em interesses.
-
Que legal! Agora, eu odeio você Johann...odeio tudo o que você e essa
maldita empresa representam para mim. Odeio até mesmo a sua imagem... seu
rosto! - ela começa a ficar com muita raiva e seus poderes começam a
rodeá-la em forma de uma aura. - Você não devia ter mexido com pessoas...
elas revidam. O seu experimento agora... a sua criação agora é a que vai
te destruir!!!!!!
- E
você não quer tentar ajudar-se?
-
Não. Quero apenas vingança! - ela começa a jogar suas chamas em cima de
Johann. Ele corre para a sacada do prédio e de lá, procura a escada de
incêndio.
***
Apartamento
de Titamy.
Como não
conseguiu achar a casa de T**** e por ficar muito cansada de ficar voando
por tanto tempo, Khrista, após achar a casa de Titamy parou por lá e
dormiu. Achou estranho que ela não tivesse por lá, mas como Aliocha havia
visitado a irmã, ela pensou que ele poderia tê-la levado para a sua
própria casa.
Ainda muito
confusa, seus sonhos convertiam-se em pesadelos com muita facilidade, não a
deixando dormir muito bem. Acordou eram umas oito horas da manhã, Titamy
ainda não estava lá, mas como antes, não estava muito preocupada porque a
amiga podia estar na casa do irmão.
***
Casa
de Louis
Louis ainda
sonhava quando foi acordado por batidas na janela. Olha para lá e vê
Khrista levitando enquanto tenta acordá-lo. Ainda motivado pelo sono, ele
nem se abala e volta a adormecer, mas não consegue dormir por muito
tempo, pois, vendo que o amigo não acordaria, ela passou a fazer mais
barulho.
Ainda
entorpecido de sono ele abre a janela e deixa que a amiga entre em seu
quarto. Ela parecia nervosa ou desesperada.
-
Oi, Khris... o que faz aqui a essa hora?
-
Eu preciso conversar com um amigo... pensei que seria melhor falar com meu
namorado, mas acho que você ou a Titamy são melhores opções.
-
O que houve?
- Minha
mãe me contou que eu na verdade não sou filha do meu pai... que eu não
nasci em Agaabá e que meu pai é Johann Mahler...
-
Ih... quer dizer que a Titamy vai casar com o seu pai!? Não sabia que
Johann Mahler era tão velho!
-
Eu não sou velha! Eu... eu tenho que conversar...
-
Eu quero te ajudar, mas no momento estou com muito sono... só vou
atrapalhar.
- Tá... - K
ficou muito triste, mas, realmente, ele não estava em bom estado para
conversar sobre o que ela tinha que falar. Ela sai e se volta para o lado
onde T**** mora, levanta vôo quando escuta o comunicador tocar... Johann
Mahler pede ajuda.
***
Diego
está entrando na empresa quando se surpreende ao ver Johann Mahler
subindo as escadas de incêndio correndo e... (pasmem!) Titamy está
voando atrás dele. Mais rápido do que pode (ou seja, não como Titamy
pode correr), ele entra na empresa e chama um elevador que o leve até a
cobertura.
Como
imaginava, a caçada de Titamy termina no terraço do prédio, mas Diego se
complica até chegar perto dos dois noivos (afinal, ele queria ver o que
aconteceria).
-
Finalmente você não pode mais correr, Johann!
-
Eu ainda posso me matar e te incriminar.
-
Nossa, como o amor é bonito! Sabe, querido, você nunca vai acabar com a
sua vida... não que a ame, mas porque não vai querer parar as suas
pesquisas científicas. Eu não me incomodo de ser presa, desde que tudo
acabe.
- Se você se
exaltar mais... a pedra dentro de você se desfará mais rapidamente e
sabe o que isso significa? Que a rejeição de seu corpo irá aumentar e
você piorará seu estado de saúde.
-
Aí tudo acaba: eu morro e você não poderá fazer mais nada disso!
"Se
eu pudesse agora tomar uma posição mais incisiva..." pensa Diego.
-
Vai, me mata! Se você realmente gostou de mim, você não conseguirá.
-
Nunca ouviu falar em crime passional? E... eu te odeio agora... nada me
impedirá de matá-lo. - Titamy faz um círculo de fogo em volta de Johann
e, acima desse círculo, faz um teto elétrico. Não há como ele pensar
em fugir.
Ela já está
pousada no chão. Ela se ajoelha e com os dois punhos fechados e soca o
chão, ocasionando um terremoto, que abre fendas no chão, de modo que
Johann corre até bem próximo a uma das paredes, fazendo-o sentir o
terrível calor que emanava dela. Apenas estendendo a mão direita, ela
cria um jato d'água que logo vira uma pequena correnteza dentro da fenda
anteriormente criada por ela.
"O
quê!? Ela está com os poderes de Khrista e Louis!?!? O que aconteceu com
ela?"
- Mas... o...
o que é isso!? Como ela pode ter os poderes dos outros dois!? Será que
bastava apenas termos a primeira eleita?
-
E você é o único eleito a morrer!
Khrista e Louis ficam
boquiabertos ao verem Titamy atacando Johann e ao ver que ela agora
manifestava os mesmos poderes que eles. Passaram a se perguntar: o que
fariam? Johann queria que o ajudassem, mas Titamy era sua amiga.