A Tríade

A TRÍADE

CAPÍTULO DÉCIMO SEXTO: ACERTANDO CONTAS DO PASSADO

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Capítulo Décimo Sétimo

pós derramar as suas lágrimas, Titamy adormece sobre a mesa de Johann. Sorrateiramente, Diego sai da sala do patrão, com o coração apertado em deixá-la sozinha, triste e furiosa daquela maneira.

***

Céus cariocas.

Khrista tem a belíssima cidade sob si e pensa incessantemente no que fazer, mas só que faz é continuar seu vôo e seus pensamentos.

***

Mansão de Johann Mahler.

Johann já sabe que Titamy havia entrado em sua empresa, mas estava certo de que ela não poderia acessar os seus arquivos secretos. Por um momento, ele quer entender o motivo que o levou a propô-la a descobrir algo contra ele. Sua arrogância garantia-lhe que nada demais aconteceria.

Para ter alguma ciência do que estava acontecendo, ele liga o seu computador. De lá, ele poderia verificar o que ela descobria e ficou boquiaberto ao ver que ela conseguiu acesso aos arquivos protegidos com senha.

Ele se levanta e vai até a empresa.

***

Diego voltou a sua sala e lá ficou pensando no que viu que Titamy descobriu. "Estávamos certos!". Ele fica um tempo com vários pensamentos confusos circundando a sua mente, até que escuta o barulho do carro de Johann. Ele começa a fingir que estava dormindo.

***

Johann entra na sala e desliga o computador, mas sem acordar Titamy. Não sabe bem porquê, mas não deseja vê-la acordar naquele momento. Segundo os seguranças, Diego também não havia saído. Ele vai até a sala do empregado e vê que ele dorme.

- Senhor Morales, acorde! - diz, cutucando-o para que acorde.

- Mm....!? - resmunga Diego.

- Senhor Morales!

- Oi!?!? Senhor Mahler!

- O que está fazendo aqui?

- Estava trabalhando... terminando de verificar relatórios de contabilidade quando peguei no sono. - Johann olha os papéis na mesa de Diego e também seu computador que está ligado e conclui que ele fala pelo menos uma pequena parcela de verdade.

- O senhor não viu que a senhorita Kosanova entrou na empresa?

- Como eu disse, eu não saí da minha sala.

- Vá para casa, senhor Morales.

Após a saída de Diego e certificar-se de que Titamy estava dormindo em sua sala, Johann vai até a central de segurança ver as fitas. Surpreendentemente para nós (que conhecemos os fatos até agora), Diego não havia saído de sua sala. O que Johann achou mais estranho era o fato de a senha ter sido introduzida antes de Titamy chegar. Ele tinha certeza de que não havia esquecido o computador ligado, mas também não havia outra pessoa que soubesse a senha além dele mesmo. Será que havia esquecido de desligar a máquina?

***

Após tanto voar, Khrista, ainda perturbada pela descoberta, ela acaba por pousar em uma praia. Como não reconhece muita coisa, pensa ser na tal Zona Sul, que Titamy ainda não lhe apresentara porque ela própria não conhecia.

Ela senta na areia e olha para o mar. Os pensamentos vêm e vão de acordo com as ondas. E a brisa traz um pouco de frio, mas ela nem repara naquele suave vento, não é hora para pensar em ventos e em natureza, não é tempo tampouco para sentir saudades de Agaabá.

Tampouco era o fato de ela ter sido um experimento de Johann Mahler que a transtornava, mas sim o fato de Johann Mahler ser o seu pai, de ela ter nascido na verdade no Rio de Janeiro e de que sua mãe tivesse mentido para ela durante toda a sua vida, embora não fosse muito longa, mas a pior coisa que se pode descobrir é que seus pais omitiram durante toda a sua vida a sua real origem. 

Os sentimentos mais confusos que afloraram eram com relação a sua mãe. Com relação ao pai ou mesmo a Johann Mahler, tudo permanecia a mesma coisa: ela amava o homem que a criou e continuava respeitando o homem para quem trabalha.

Ela acaba se distraindo criando e destruindo montes de areia, mas de maneira tão distante, que quem olhasse para ela não teria a mínima idéia de para onde ela olhava. Isso porque ela não olhava para um lugar, mas sim para o tempo, para suas lembranças, para os seus sentimentos.

Surpreendentemente, encontrou-se pensando no namorado e nos amigos, mas o que T**** tinha a ver com a história de sua vida? Seus amigos tudo bem, pois compartilhavam o mesmo passado, mas T****!? O que ele tinha com tudo o que ela descobriu? O que ele tinha a ver com a história de sua vida!? Ele estava, a partir do momento em que apareceu e permaneceu em sua vida, escrevendo com ela as páginas ainda em branco do livro da vida de Khrista Boyomi, ou seja, tudo o que muda na vida de Khrista, muda na vida de T**** também. E ele seria o único que a poderia ouvir naquele momento.

Mesmo sem saber ao certo para onde ir, Khrista decidiu ir à casa de T****.

***

Manhã, C.M.E.A.C.E.B. (C.E.C.A.).

Após aberta a enorme cortina do escritório de Johann Mahler, os primeiros raios solares que entram e tocam o rosto de Titamy a fazem acordar. Ela não é tão sensível assim a entrada de luz, mas isso acontece quando ela não dorme em casa. Ao abrir os olhos, vê que ainda está no escritório de seu noivo.

Johann está sentado no sofá, que fica no canto direito do escritório (para quem, assim como Titamy, está sentado à mesa de trabalho de Johann). Ele parece ter cochilado sentado ali mesmo, pois o paletó está jogado ao lado dele e sua bela blusa social importada está toda amassada sob a gravata. Ele a olha fixamente. Ao perceber que ela acordou, ele se levanta e vai em direção dela.

- Bom dia, Titamy.

- Não é tão bom o meu dia, pois a noite foi péssima. - retruca a moça.

- Ora, por quê?

- Porque eu descobri o que tinha que descobrir sobre você... dentro do prazo combinado.

- E o que você descobriu, meu bem?

- Não se faça de desentendido, Mahler! Você sabe muito bem que eu sei que você nos obrigou a ter esses malditos poderes mágicos e que, graças a essa sua brilhante vontade de refazer a Tríade, você acabou condenando a minha vida.

- Ora, por que você fala que eu condenei sua vida?

- Pare de se fazer de besta, Johann! Essas dores... só podem ser por causa dessa maldita pedra que você implantou no meu peito! Eu era um bebê, seu canalha! Não tinha direito de escolha! Como pode ser tão cruel! E, depois de namorarmos e ficarmos noivos, você nunca me disse nada! Eu sabia, mas não queria acreditar que você passou a "gostar de mim" para que eu não ficasse sabendo de tudo isso!

- Todos nós temos os nossos interesses quando começamos um relacionamento, não é mesmo? Você, por exemplo, qual motivo posso pensar que você teve? O único que me passa pela cabeça é o fato de eu ter mais dinheiro do que você pode pensar em ganhar com toda uma vida dedicada aos estudos de outras culturas e de outras línguas!

- É aí que se vê as diferenças entre nós dois! O enorme abismo que existe entre nós! A idade, ela não é nada, nem um pequeno orifício! O que nos separa é nosso caráter!!! Não afirmo que tenho um bom caráter, longe de mim afirmar isso, mas eu nunca poderia realmente crer que você estava comigo por um interesse racional. Sim, em todo relacionamento há motivos, mas os meus eram de ordem sentimental. Eu pensei que você preenchia a lacuna que estava vazia em minha vida, mas não... eu cheguei a estar apaixonada! Mas, a partir do momento em que me propôs que eu descobrisse algo sobre você... foi como Aliocha me disse: eu deixei de estar apaixonada por você.

- Não é porque você diz com os olhos cheios de lágrimas e com voz trêmula que eu acredito em você.

- Só acredita que alguém tem sentimentos quem tem sentimentos. Por isso, sei que não ficará humilhado se eu te devolver a aliança de noivado. - ele engole em seco após ela colocar o anel sobre a mesa.

- Alguma pergunta?

- O quê!?

- Tem alguma pergunta a me fazer?

- Raquel. Por que ela tem poderes?

- Foi uma experiência posterior, eu usei lascas das pedras que implantei em vocês para criar um raio.

- Quando?

- Lembra que ela sumiu por uns tempos quando vocês já eram a Tríade?

- Sim.

- Foi nessa época. Guardei as lascas por todos esses anos enquanto fazia pesquisas.

- Por que não me contou nada?

- Porque meu relacionamento com vocês estava baseado em interesses.

- Que legal! Agora, eu odeio você Johann...odeio tudo o que você e essa maldita empresa representam para mim. Odeio até mesmo a sua imagem... seu rosto! - ela começa a ficar com muita raiva e seus poderes começam a rodeá-la em forma de uma aura. - Você não devia ter mexido com pessoas... elas revidam. O seu experimento agora... a sua criação agora é a que vai te destruir!!!!!!

- E você não quer tentar ajudar-se?

- Não. Quero apenas vingança! - ela começa a jogar suas chamas em cima de Johann. Ele corre para a sacada do prédio e de lá, procura a escada de incêndio.

***

Apartamento de Titamy.

Como não conseguiu achar a casa de T**** e por ficar muito cansada de ficar voando por tanto tempo, Khrista, após achar a casa de Titamy parou por lá e dormiu. Achou estranho que ela não tivesse por lá, mas como Aliocha havia visitado a irmã, ela pensou que ele poderia tê-la levado para a sua própria casa.

Ainda muito confusa, seus sonhos convertiam-se em pesadelos com muita facilidade, não a deixando dormir muito bem. Acordou eram umas oito horas da manhã, Titamy ainda não estava lá, mas como antes, não estava muito preocupada porque a amiga podia estar na casa do irmão.

***

Casa de Louis

Louis ainda sonhava quando foi acordado por batidas na janela. Olha para lá e vê Khrista levitando enquanto tenta acordá-lo. Ainda motivado pelo sono, ele nem se abala e volta a adormecer, mas não consegue dormir por muito tempo, pois, vendo que o amigo não acordaria, ela passou a fazer mais barulho.

Ainda entorpecido de sono ele abre a janela e deixa que a amiga entre em seu quarto. Ela parecia nervosa ou desesperada.

- Oi, Khris... o que faz aqui a essa hora?

- Eu preciso conversar com um amigo... pensei que seria melhor falar com meu namorado, mas acho que você ou a Titamy são melhores opções.

- O que houve?

- Minha mãe me contou que eu na verdade não sou filha do meu pai... que eu não nasci em Agaabá e que meu pai é Johann Mahler... 

- Ih... quer dizer que a Titamy vai casar com o seu pai!? Não sabia que Johann Mahler era tão velho!

- Eu não sou velha! Eu... eu tenho que conversar...

- Eu quero te ajudar, mas no momento estou com muito sono... só vou atrapalhar.

- Tá... - K ficou muito triste, mas, realmente, ele não estava em bom estado para conversar sobre o que ela tinha que falar. Ela sai e se volta para o lado onde T**** mora, levanta vôo quando escuta o comunicador tocar... Johann Mahler pede ajuda.

***

Diego está entrando na empresa quando se surpreende ao ver Johann Mahler subindo as escadas de incêndio correndo e... (pasmem!) Titamy está voando atrás dele. Mais rápido do que pode (ou seja, não como Titamy pode correr), ele entra na empresa e chama um elevador que o leve até a cobertura.

Como imaginava, a caçada de Titamy termina no terraço do prédio, mas Diego se complica até chegar perto dos dois noivos (afinal, ele queria ver o que aconteceria).

- Finalmente você não pode mais correr, Johann!

- Eu ainda posso me matar e te incriminar.

- Nossa, como o amor é bonito! Sabe, querido, você nunca vai acabar com a sua vida... não que a ame, mas porque não vai querer parar as suas pesquisas científicas. Eu não me incomodo de ser presa, desde que tudo acabe.

- Se você se exaltar mais... a pedra dentro de você se desfará mais rapidamente e sabe o que isso significa? Que a rejeição de seu corpo irá aumentar e você piorará seu estado de saúde.

- Aí tudo acaba: eu morro e você não poderá fazer mais nada disso!

"Se eu pudesse agora tomar uma posição mais incisiva..." pensa Diego.

- Vai, me mata! Se você realmente gostou de mim, você não conseguirá.

- Nunca ouviu falar em crime passional? E... eu te odeio agora... nada me impedirá de matá-lo. - Titamy faz um círculo de fogo em volta de Johann e, acima desse círculo, faz um teto elétrico. Não há como ele pensar em fugir.

Ela já está pousada no chão. Ela se ajoelha e com os dois punhos fechados e soca o chão, ocasionando um terremoto, que abre fendas no chão, de modo que Johann corre até bem próximo a uma das paredes, fazendo-o sentir o terrível calor que emanava dela. Apenas estendendo a mão direita, ela cria um jato d'água que logo vira uma pequena correnteza dentro da fenda anteriormente criada por ela.

"O quê!? Ela está com os poderes de Khrista e Louis!?!? O que aconteceu com ela?"

- Mas... o... o que é isso!? Como ela pode ter os poderes dos outros dois!? Será que bastava apenas termos a primeira eleita?

- E você é o único eleito a morrer!

Khrista e Louis ficam boquiabertos ao verem Titamy atacando Johann e ao ver que ela agora manifestava os mesmos poderes que eles. Passaram a se perguntar: o que fariam? Johann queria que o ajudassem, mas Titamy era sua amiga.


 

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