A Tríade

A TRÍADE

CAPÍTULO DÉCIMO QUARTO: A DOR DE SER HERÓI

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Capítulo Décimo Quinto

 

Pós-noivado.

Alexei Naime Kosanov, Aliocha irmão de Titamy para os íntimos, dirigia-se para a porta de saída quando encontrou Diego sentado em uma cadeira a um canto perto da porta. Escutou os soluços do ex-quase-futuro-cunhado. Aproximou-se.

- Oi, Diego. 

- Oi, Alexei.

- Pensei que fosse do tipo de homem que não chora.

- Esse tipo de homem chora nos momentos certos. Se alguém me espanca, eu agüento firme, mas se eu percebo que estou perdendo algo muito importante, fico como uma criança. Creio que não há como eu ficar ao lado de Titamy e por isso eu choro.

- Ela ainda é jovem. Talvez nem se case com Johann Mahler.

- Assim espero, mas também não posso ficar com ela. 

- Por quê?

- Cada um tem os seus motivos. Eu tenho os meus.

- Já que não vai contar... eu vou. É melhor você ir também.

- É, eu vou. Acho que Mahler não precisará mais de mim.

***

- Ela disse que você pode dormir aqui, Raquel. Ela vai ajudar o noivo a ajeitar a casa e aproveitar para conversar.

- Você acha que vai dar certo?

- Não tenho nada contra o senhor Johann, na verdade, ele sempre foi legal comigo.

- Nem eu tenho nada contra ele, mas ela sempre desconfiou que ele estava planejando algo...

- É, sempre falou de que não era coincidência a Tríade estar reunida.

- Ela estava investigando mais na época em que começaram a sair. Ela me falou.

- Pra mim também.

- Será que ele descobriu e resolveu que o melhor era seduzi-la?

- Acho que andamos tempo demais com ela, estamos pensando igual.

***

Dia seguinte. Mansão de Johann Mahler.

- Bom dia, Titamy! - Johann abre a porta do quarto de hóspedes que é enorme. Titamy está acordada, porém deitada, e, como de praxe, assiste à televisão.

- Oi, Johann!

- Gostou do quarto de hóspedes?

- Gostei... é bonito.

- O meu é mais confortável.

- O seu consegue ser maior do que esse?

- Sim.

- Nossa, deve ser do tamanho de uma casa! - ele ri.

- Vai lá pra baixo, o café é servido lá.

- Às suas ordens, sr. Mahler. - ele fecha a porta atrás de si. Titamy fica indecisa se desce de camisola ou se coloca a roupa com a qual foi até a casa do noivo na noite anterior. Decide por esta última.

Ela desce as escadas, mas não sabe para onde vai. "Deve ser na sala de jantar. Será que me acostumo com tudo isso?".

- Já vai sair, querida?

- Não me chama de querida, Johann, eu fico sem graça. Vou sair daqui a pouco.

- Que pena... - o mordomo de Johann serve os dois. Johann pega a mão de Titamy e fica olhando o anel de noivado que ela carrega. 

- Eu adorei o anel!

- É, realmente, eu achei que gostaria dele... eu o amei!

- Mas eu pensei que você gostasse de coisas azuis para mim... como o vestido...

- Essa pedra alaranjada é típica do vilarejo onde nasci. E, além disso, combina com os seus poderes.

- É mesmo...

- Tamy, pode parecer algo estranho para conversarmos na manhã seguinte à nossa festa de noivado, mas... por que você aceitou se casar comigo?

- O quê? - ela tira a mão direita da mão dele. - Eu gosto de você.

- O suficiente para se casar comigo?

- Sim...

- O suficiente para permanecer casada comigo? Você me ama?

- Por que isso?

- Você desconfiava de mim e agora quer se casar comigo...

- Você quer que eu volte a desconfiar de você!?!?!? Gosto de você, sim. Estou apaixonada por você e é por isso que estou aqui.

- Vou te dar um prazo para descobrir se tem ou não que desconfiar de mim. Em uma semana você me investiga e...

- Você é que não quer casar... sabe, com isso, só me fez desconfiar mais de você! - Titamy saiu, tendo apenas dado uma mordida em um pedaço de pão.

***

- Que bom que vieram. - disse Diego a Louis e a Aliocha.

- O que houve?

- Sei que não é um bom horário, mas como vocês são os homens que estão mais próximos da Tamysita, eu quero que vocês tomem conta dela.

- Isso é o meu dever, sou o irmão dela, mas nunca tive necessidade de ficar de babá. Ela já é grande.

-  Johann Mahler não é o marido ideal para ela. 

- O que você sabe sobre ele? - Aliocha.

- Nada concreto, apenas desconfianças.

- Como as de Titamy... falando dela, descobri que as suspeitas dela quanto aos não-humanos são sensatas. Eles são "fabricados" por diversas empresas, porém as empresas que os fizeram viver são fantasmas.

- Não podemos acusá-lo. E falar que pode ser ele para ela vai ser pior. - o relógio de todos tocaram. Despediram-se e cada um foi para o seu canto.

Em seu carro, Diego murmurou:

- Angra das Reis.

***

Noticiário da TV

Na abandonada e obsoleta usina nuclear de Angra I apareceu um grupo dos chamados não-humanos que estão causando terror por toda a cidade. Os perigos de contaminação do antigo lixo tóxico é um dos maiores riscos. A população clama pela vinda dos heróis conhecidos como a Tríade. 

O telefone toca. Louis atende:

- Sim, eu vi pelo noticiário. Eu já estou indo. Khrista e Raquel já sabem? OK, já que o senhor acha melhor só iremos nós  três, Raquel fica de fora.

***

Angra dos Reis

- Oi, gente!

- Oi, Titamy, já estava aqui?

- Não, eu cheguei a pouco tempo. Johann me mandou numa aeronave super rápida (ele saiu correndo atrás de Titamy, contando o que estava acontecendo, quando ela decidiu sair da mansão, após a discussão).

- É melhor nós pararmos logo com eles antes que o perigo se espalhe. - Khrista.

- Onde eles estão? - pergunta Louis para Titamy.

- Felizmente, eles não estão fazendo toda a algazarra que falaram na TV, eles estão atacando a usina e as proximidades dela. Não se espalhou muito.

- Já encontrou com algum deles? - K.

- Sim e é incrível como eles vão ficando cada vez mais fortes! - T.

- Nada que a Tríade não possa deter. - L.

***

"Como já sabia, foi em Angra, não há nenhuma imprevisibilidade? Eles conseguirão acabar com esses monstros."

***

"Dessa vez, Tríade, não será tão fácil como nas outras. Se naquela vez Titamy teve que ficar internada, dessa, é capaz que aconteça algo pior."

***

- Vamos lá, Tríade, está na hora de atacar! - K.

- Você não é a líder... - L.

- Ninguém é! Gente, vamos atacar logo que eu quero acabar com essa história toda! - T.

- Pensei que o seu humor fosse estar melhor, amá...

- Cala a sua boca, Louis, pois se me chamar do que eu acho que vai, vai ser a última vez que pensou em fazer isso ou que você vai pensar em alguma coisa! - T.

Esse grupo parecia que estava esperando pela chegada dos três, pois foi apenas vê-los para que mudassem seu rumo de destruição. Passaram a uma ofensiva aos heróis.

Eles se dividiram em três sub-grupos para cada um atacar um membro da Tríade e cada sub-grupo tinha um líder.

Embora a grande massa fosse mais fraca que os líderes, eles estavam quase equiparados aos poderes dos heróis.

Khrista

Antes de usarem os seus poderes especiais, eles partiram para cima da agaabana na base da pura pancadaria. Khrista não queria perder tempo e usou seus poderes.

Vendo que ela preferia terminar mais rápido a briga, eles resolveram mostrá-la que ela não era a mais poderosa da batalha. Os poderes deles eram os mesmo de Khrista: vento e terra. Por mais que ela tentasse suportar as rajadas de vento, era-lhe impossível parar tantas de uma vez. Resolveu, pois, causar um terremoto para derrubá-los.

Ela estava disposta a usar o máximo de poder que podia e nisso, descobriu que podia moldar tanto o ar como a terra em enormes, poderosos e fortes socos. Por isso, eles não esperavam e caíram por terra, sumindo e restando apenas o líder.

Louis

Assim como os adversário de Khrista, os de Louis também eram poderosos e apresentavam os mesmos poderes que ele: água e psíquicos.

Eles também resolveram bater em Louis, que revidou, mas vendo que daquele jeito demoraria muito, resolver usar seus poderes com água, mas seu jato nada resolveu, apenas deixou os inimigos mais enraivecidos. Eles, então, começaram a fazer miséria com Louis, utilizando água e poderes psíquicos.

Quando parecia tudo perdido, Louis usou a telepatia, conseguindo chegar a um nível elevado de seus poderes. Apenas com um comando mental fez com que eles ficassem paralisados. Ainda cegado pela raiva, conseguiu formar atrás de si uma enorme onda de água. Apenas abaixando o braço direito (que havia erguido para formar a onda), ela caiu sobre os inimigos, derrotando-os e sobrando a penas o líder.

Titamy

Os inimigos de Titamy já apareceram soltando-lhe intensos jatos de fogo. Ela nem sentiu o que eles estavam fazendo e partiu para cima dos que estavam mais perto, usando socos e pontapés. 

Após a última luta e a internação dela, parecia que seus poderes haviam aumentado de forma gigantesca. Enquanto os inimigos de seus amigos estavam no mesmo nível dos outros membros da Tríade, parecia que os de Titamy estavam no mesmo nível em que ela estava antes de ter-se queimado com seus próprios poderes.

Resumindo, apenas com um jato de fogo ela acabou com o sub-grupo que a desafiou, sobrando o líder.

Louis

Após a vitória individual dos três, apenas os líderes dos subgrupos sobreviveram. Eram dois homens e uma mulher. Um dos homens estava vestido de verde e tinha poderes de terra e vento. O outro, estava de cor-de-abóbora e a mulher, de azul.

A mulher tinha os cabelos loiros e longos, os olhos eram de um azul muito claro. Seu uniforme azul era muito bonito, parecia que reflexos de luz estavam na superfície de uma massa de água.

Ela deu a primeira investida em cima de Louis, golpeando-o com arte marcial. Ele conseguiu esquivar-se dos golpes.

- Vejo que é um bom guerreiro. Meu nome é Ali e irei destruí-lo.

- Para quem você trabalha?

- Para mim mesma. - ela começa com os seus ataques de água. Redemoinhos, jatos d'água, de modo que Louis não tinha para onde escapar e, para evitar ser acertado, ele fez um escudo com seus poderes mentais, tipo um campo de força.

Mas o escudo por pouco tempo resistiu.

Khrista

O inimigo de Khrista era um homem alto e moreno, com cabelos castanhos e olhos verdes. Seu uniforme era de um verde intenso. Como Ali, ele foi o primeiro a atacar Khrista, ela conseguiu se safar voando, mas logo ele foi atrás dela, também voando.

- A sua habilidade de vôo de nada irá adiantar a você, pois compartilhamos das mesmas habilidades. Meu nome é Eal e já é certa a sua morte!

- Não irei morrer!

- Pode pensar assim. Veremos se o que pensa corresponderá a sua realidade.

Ele começou a atacá-la: primeiro foram tempestades de areia, depois, com incessantes ventos de furacão. Ela tombou.

Titamy

O adversário de Titamy era um rapaz alto, de cabelos ruivos (estavam mais para laranja) e tinha os olhos cinza bem claros.

- Será que você é tão forte quanto os outros?

- Lutando comigo você saberá. Eu sou Foeg.

- Deixe-me tentar entender, Foeg, você tem as mesmas habilidades que eu e irá me matar com toda a certeza... é esse o seu discurso?

- Sim.

- Legal! Vamos ver se você me "desestressa".

Ela foi para cima dele, com toda a força, com socos, chutes, rasteiras, joelhadas. Ele fez o mesmo. Os dois aparavam os golpes do outro e se esquivavam no momento certo. Mas um enorme relâmpago invocado por ele fez com que Titamy caísse.

Tríade

- Eal, Foeg, meus caros, vamos acabar logo com isso?

- O que você está querendo dizer, maninha? - pergunta Eal.

- Acho que ela está insinuando para formarmos um único indivíduo e juntarmos os nossos poderes.

- Isso mesmo, Foeg! - eles começam a falar uma língua muito estranha e, de repente, por passe de mágica, se juntam em uma única pessoa, de cabelos e olhos brancos, pele preta. Não se distinguia o sexo. Os cabelos eram compridos e suas vestes, roxas com detalhes prateados.

- VOCÊS CONHECERÃO A FÚRIA DA TRÍADE DAS TREVAS!!!!!!! - eles fizeram um super ataque que acertou os três, que estavam bem separados. Eles voaram pelos ares. Aos poucos, Louis conseguiu, através de sua telecinésia, juntá-los e os envolveu em um campo de força.

- Vocês estão bem?

- Estamos. - disse Khrista.

- Eu não. Tenho que destruí-los.

- Não podemos agora, Titamy.

- Podemos sim. - ela consegue sair do campo de força e seu corpo brilha intensamente, como se fosse coberto por eletricidade. - E eu que pensei que já tinha elevado muito o meu poder... aquilo não era nada!

- Titamyyyyyyyyyyyyyyyy!!! Você está caindo! - L.

- Vou fazer um tufão que a possa segurar. - K.

- Venham, vocês têm muito medo! Nós iremos vencê-los!

- Você é doida? Eles são mais fortes! - K.

- Vocês têm muito mais poder que isso! Por que não se arriscam!?!?!?!? - a eletricidade começou a se juntar com o as chamas tão tipicamente suas. Os seus amigos voltaram para o campo de batalha.

- Já juntamos nossos poderes antes... podemos fazer isso de novo! - L.

- Será!? - K, toda cautelosa.

Eles começam a concentrar os poderes à sua frente. A outra tríade nem se mexe, pois acha que aquilo de nada irá adiantar. 

Os corpos deles estão brilhando, mas o de Titamy emite uma luz mais intensa. Eles conseguem mandar um poderosíssimo golpe contra os agressores, que consegue separá-los e fazê-los cair.

Louis e Khrista, muito cansados, caem ajoelhados, mas seus poderes não se voltaram contra eles (como aconteceu com o de Titamy da outra vez).

Titamy ainda fica de pé e os adversários se levantam.

- Eu não sei como, mas estou como você, Foeg, também posso mexer com eletricidade. Eu os aconselho a se renderem ou conhecerão a minha ira!

- Nunca! - era a resposta que ela queria. Ela parte para cima dos três e consegue, apenas com golpes normais bater neles. De repente, ela pára e os outros começam a bater nela. Ela se abaixa e eles continuam.

Subitamente, ela se levanta e abre os braços, uma grande quantidade de energia sai de seu corpo... fogo e eletricidade, fazendo com que Foeg, Ali e Eal caiam, vencidos no chão. De mão dadas, eles somem, prometendo voltar.

Um brilho alaranjado sai do peito de Titamy e ela grita de dor.

***

Dois dias depois da luta.

Titamy passou um dia inteiro dormindo à base de sedativos. Foi naquele dia, dois após da luta que abriu os olhos novamente. A primeira pessoa que viu foi Aliocha.

- Oi, Aliocha!

- Oi, Tamya!

- O que houve?

- Depois da luta...

- Eu vim pra cá cheia de dor...

- É... e eles te deram uns remédios.

- Onde estou?

- No centro de estudos da CMEACEB - (ou CECA) - aqui no Rio, Tamy.

- Johann... - Titamy ainda sentia muita dor no peito, mas percebeu que não podia se queixar, ou então, não sairia dali.

- Fique quieta... estamos tentando descobrir o que está causando tanta dor.

- Eu não sinto mais nada... eu vou pra casa.

- Tamy! Alexei Kosanov, fale algo que impeça sua irmã de sair daqui.

- Se ela já está grande para querer se casar, está para saber se pode sair.

- E eu posso, Aliocha. Obrigada, Johann... mas eu prometi a você que iria fazer algo em uma semana e não posso perder tempo.

***

Titamy resolveu faltar a faculdade para que pudesse investigar e descobrir se podia ou não confiar em Johann. Mas ela não sabia era que a dor iria fazer companhia a ela por um bom tempo. 


 

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