Pós-noivado.
Alexei Naime Kosanov, Aliocha irmão de
Titamy para os íntimos, dirigia-se para a porta de saída quando
encontrou Diego sentado em uma cadeira a um canto perto da porta. Escutou
os soluços do ex-quase-futuro-cunhado. Aproximou-se.
- Oi, Diego.
- Oi, Alexei.
- Pensei que fosse do tipo de homem que
não chora.
- Esse tipo de homem chora nos momentos
certos. Se alguém me espanca, eu agüento firme, mas se eu percebo que
estou perdendo algo muito importante, fico como uma criança. Creio que
não há como eu ficar ao lado de Titamy e por isso eu choro.
- Ela ainda é jovem. Talvez nem se case
com Johann Mahler.
- Assim espero, mas também não posso
ficar com ela.
- Por quê?
- Cada um tem os seus motivos. Eu tenho os
meus.
- Já que não vai contar... eu vou. É melhor
você ir também.
- É, eu vou. Acho que Mahler não
precisará mais de mim.
***
- Ela disse que você pode
dormir aqui, Raquel. Ela vai ajudar o noivo a ajeitar a casa e aproveitar
para conversar.
- Você acha que vai dar
certo?
- Não tenho nada contra o
senhor Johann, na verdade, ele sempre foi legal comigo.
- Nem eu tenho nada contra
ele, mas ela sempre desconfiou que ele estava planejando algo...
- É, sempre falou de que não
era coincidência a Tríade estar reunida.
- Ela estava investigando mais
na época em que começaram a sair. Ela me falou.
- Pra mim também.
- Será que ele descobriu e
resolveu que o melhor era seduzi-la?
- Acho que andamos tempo
demais com ela, estamos pensando igual.
***
Dia seguinte. Mansão de
Johann Mahler.
- Bom dia, Titamy! - Johann
abre a porta do quarto de hóspedes que é enorme. Titamy está acordada,
porém deitada, e, como de praxe, assiste à televisão.
- Oi, Johann!
- Gostou do quarto de
hóspedes?
- Gostei... é bonito.
- O meu é mais confortável.
- O seu consegue ser maior do
que esse?
- Sim.
- Nossa, deve ser do tamanho
de uma casa! - ele ri.
- Vai lá pra baixo, o café
é servido lá.
- Às suas ordens, sr. Mahler.
- ele fecha a porta atrás de si. Titamy fica indecisa se desce de
camisola ou se coloca a roupa com a qual foi até a casa do noivo na noite
anterior. Decide por esta última.
Ela desce as escadas, mas não
sabe para onde vai. "Deve ser na sala de jantar. Será que me
acostumo com tudo isso?".
- Já vai sair, querida?
- Não me chama de querida,
Johann, eu fico sem graça. Vou sair daqui a pouco.
- Que pena... - o mordomo de
Johann serve os dois. Johann pega a mão de Titamy e fica olhando o anel
de noivado que ela carrega.
- Eu adorei o anel!
- É, realmente, eu achei que
gostaria dele... eu o amei!
- Mas eu pensei que você
gostasse de coisas azuis para mim... como o vestido...
- Essa pedra alaranjada é
típica do vilarejo onde nasci. E, além disso, combina com os seus
poderes.
- É mesmo...
- Tamy, pode parecer algo
estranho para conversarmos na manhã seguinte à nossa festa de noivado,
mas... por que você aceitou se casar comigo?
- O quê? - ela tira a mão
direita da mão dele. - Eu gosto de você.
- O suficiente para se casar
comigo?
- Sim...
- O suficiente para permanecer
casada comigo? Você me ama?
- Por que isso?
- Você desconfiava de mim e
agora quer se casar comigo...
- Você quer que eu volte a
desconfiar de você!?!?!? Gosto de você, sim. Estou apaixonada por você
e é por isso que estou aqui.
- Vou te dar um prazo para
descobrir se tem ou não que desconfiar de mim. Em uma semana você me
investiga e...
- Você é que não quer
casar... sabe, com isso, só me fez desconfiar mais de você! - Titamy
saiu, tendo apenas dado uma mordida em um pedaço de pão.
***
- Que bom que vieram. - disse
Diego a Louis e a Aliocha.
- O que houve?
- Sei que não é um bom
horário, mas como vocês são os homens que estão mais próximos da
Tamysita, eu quero que vocês tomem conta dela.
- Isso é o meu dever, sou o
irmão dela, mas nunca tive necessidade de ficar de babá. Ela já é
grande.
- Johann Mahler não é
o marido ideal para ela.
- O que você sabe sobre ele?
- Aliocha.
- Nada concreto, apenas
desconfianças.
- Como as de Titamy... falando
dela, descobri que as suspeitas dela quanto aos não-humanos são
sensatas. Eles são "fabricados" por diversas empresas, porém
as empresas que os fizeram viver são fantasmas.
- Não podemos acusá-lo. E
falar que pode ser ele para ela vai ser pior. - o relógio de todos
tocaram. Despediram-se e cada um foi para o seu canto.
Em seu carro, Diego murmurou:
- Angra das Reis.
***
Noticiário da TV
Na abandonada e obsoleta
usina nuclear de Angra I apareceu um grupo dos chamados não-humanos que
estão causando terror por toda a cidade. Os perigos de contaminação do
antigo lixo tóxico é um dos maiores riscos. A população clama pela
vinda dos heróis conhecidos como a Tríade.
O telefone toca. Louis atende:
- Sim, eu vi pelo noticiário.
Eu já estou indo. Khrista e Raquel já sabem? OK, já que o senhor acha
melhor só iremos nós três, Raquel fica de fora.
***
Angra dos Reis
- Oi, gente!
- Oi, Titamy, já estava aqui?
- Não, eu cheguei a pouco
tempo. Johann me mandou numa aeronave super rápida (ele saiu correndo
atrás de Titamy, contando o que estava acontecendo, quando ela decidiu
sair da mansão, após a discussão).
- É melhor nós pararmos logo
com eles antes que o perigo se espalhe. - Khrista.
- Onde eles estão? - pergunta
Louis para Titamy.
- Felizmente, eles não estão
fazendo toda a algazarra que falaram na TV, eles estão atacando a usina e
as proximidades dela. Não se espalhou muito.
- Já encontrou com algum
deles? - K.
- Sim e é incrível como eles
vão ficando cada vez mais fortes! - T.
- Nada que a Tríade não
possa deter. - L.
***
"Como já sabia, foi em
Angra, não há nenhuma imprevisibilidade? Eles conseguirão acabar com
esses monstros."
***
"Dessa vez, Tríade, não
será tão fácil como nas outras. Se naquela vez Titamy teve que ficar
internada, dessa, é capaz que aconteça algo pior."
***
- Vamos lá, Tríade, está na
hora de atacar! - K.
- Você não é a líder... -
L.
- Ninguém é! Gente, vamos
atacar logo que eu quero acabar com essa história toda! - T.
- Pensei que o seu humor fosse
estar melhor, amá...
- Cala a sua boca, Louis, pois
se me chamar do que eu acho que vai, vai ser a última vez que pensou em
fazer isso ou que você vai pensar em alguma coisa! - T.
Esse grupo parecia que estava
esperando pela chegada dos três, pois foi apenas vê-los para que
mudassem seu rumo de destruição. Passaram a uma ofensiva aos heróis.
Eles se dividiram em três
sub-grupos para cada um atacar um membro da Tríade e cada sub-grupo tinha
um líder.
Embora a grande massa fosse
mais fraca que os líderes, eles estavam quase equiparados aos poderes dos
heróis.
Khrista
Antes de
usarem os seus poderes especiais, eles partiram para cima da agaabana na
base da pura pancadaria. Khrista não queria perder tempo e usou seus
poderes.
Vendo que ela
preferia terminar mais rápido a briga, eles resolveram mostrá-la que ela
não era a mais poderosa da batalha. Os poderes deles eram os mesmo de
Khrista: vento e terra. Por mais que ela tentasse suportar as rajadas de
vento, era-lhe impossível parar tantas de uma vez. Resolveu, pois, causar
um terremoto para derrubá-los.
Ela estava
disposta a usar o máximo de poder que podia e nisso, descobriu que podia
moldar tanto o ar como a terra em enormes, poderosos e fortes socos. Por
isso, eles não esperavam e caíram por terra, sumindo e restando apenas o
líder.
Louis
Assim como os
adversário de Khrista, os de Louis também eram poderosos e
apresentavam os mesmos poderes que ele: água e psíquicos.
Eles também
resolveram bater em Louis, que revidou, mas vendo que daquele jeito
demoraria muito, resolver usar seus poderes com água, mas seu jato nada
resolveu, apenas deixou os inimigos mais enraivecidos. Eles,
então, começaram a fazer miséria com Louis, utilizando água e poderes
psíquicos.
Quando parecia tudo perdido,
Louis usou a telepatia, conseguindo chegar a um nível elevado de seus
poderes. Apenas com um comando mental fez com que eles ficassem
paralisados. Ainda cegado pela raiva, conseguiu formar atrás de si uma
enorme onda de água. Apenas abaixando o braço direito (que havia erguido
para formar a onda), ela caiu sobre os inimigos, derrotando-os e sobrando
a penas o líder.
Titamy
Os inimigos de
Titamy já apareceram soltando-lhe intensos jatos de fogo. Ela nem sentiu
o que eles estavam fazendo e partiu para cima dos que estavam mais perto,
usando socos e pontapés.
Após a
última luta e a internação dela, parecia que seus poderes haviam
aumentado de forma gigantesca. Enquanto os inimigos de seus amigos estavam
no mesmo nível dos outros membros da Tríade, parecia que os de Titamy
estavam no mesmo nível em que ela estava antes de ter-se queimado com
seus próprios poderes.
Resumindo,
apenas com um jato de fogo ela acabou com o sub-grupo que a desafiou,
sobrando o líder.
Louis
Após a
vitória individual dos três, apenas os líderes dos subgrupos
sobreviveram. Eram dois homens e uma mulher. Um dos homens estava vestido
de verde e tinha poderes de terra e vento. O outro, estava de
cor-de-abóbora e a mulher, de azul.
A mulher tinha
os cabelos loiros e longos, os olhos eram de um azul muito claro. Seu
uniforme azul era muito bonito, parecia que reflexos de luz estavam na
superfície de uma massa de água.
Ela deu a
primeira investida em cima de Louis, golpeando-o com arte marcial. Ele
conseguiu esquivar-se dos golpes.
- Vejo que é
um bom guerreiro. Meu nome é Ali e irei destruí-lo.
- Para quem
você trabalha?
- Para mim
mesma. - ela começa com os seus ataques de água. Redemoinhos, jatos
d'água, de modo que Louis não tinha para onde escapar e, para evitar ser
acertado, ele fez um escudo com seus poderes mentais, tipo um campo de
força.
Mas o escudo
por pouco tempo resistiu.
Khrista
O inimigo de
Khrista era um homem alto e moreno, com cabelos castanhos e olhos verdes.
Seu uniforme era de um verde intenso. Como Ali, ele foi o primeiro a
atacar Khrista, ela conseguiu se safar voando, mas logo ele foi atrás
dela, também voando.
- A sua
habilidade de vôo de nada irá adiantar a você, pois compartilhamos das
mesmas habilidades. Meu nome é Eal e já é certa a sua morte!
- Não irei
morrer!
- Pode pensar
assim. Veremos se o que pensa corresponderá a sua realidade.
Ele começou a
atacá-la: primeiro foram tempestades de areia, depois, com incessantes
ventos de furacão. Ela tombou.
Titamy
O adversário
de Titamy era um rapaz alto, de cabelos ruivos (estavam mais para laranja)
e tinha os olhos cinza bem claros.
- Será que
você é tão forte quanto os outros?
- Lutando
comigo você saberá. Eu sou Foeg.
- Deixe-me
tentar entender, Foeg, você tem as mesmas habilidades que eu e irá me
matar com toda a certeza... é esse o seu discurso?
- Sim.
- Legal! Vamos
ver se você me "desestressa".
Ela foi para
cima dele, com toda a força, com socos, chutes, rasteiras, joelhadas. Ele
fez o mesmo. Os dois aparavam os golpes do outro e se esquivavam no
momento certo. Mas um enorme relâmpago invocado por ele fez com que
Titamy caísse.
Tríade
- Eal, Foeg,
meus caros, vamos acabar logo com isso?
- O que você
está querendo dizer, maninha? - pergunta Eal.
- Acho que ela
está insinuando para formarmos um único indivíduo e juntarmos os nossos
poderes.
- Isso mesmo,
Foeg! - eles começam a falar uma língua muito estranha e, de repente,
por passe de mágica, se juntam em uma única pessoa, de cabelos e olhos
brancos, pele preta. Não se distinguia o sexo. Os cabelos eram compridos
e suas vestes, roxas com detalhes prateados.
- VOCÊS
CONHECERÃO A FÚRIA DA TRÍADE DAS TREVAS!!!!!!! - eles fizeram um super
ataque que acertou os três, que estavam bem separados. Eles voaram pelos
ares. Aos poucos, Louis conseguiu, através de sua telecinésia,
juntá-los e os envolveu em um campo de força.
- Vocês
estão bem?
- Estamos. -
disse Khrista.
- Eu não.
Tenho que destruí-los.
- Não podemos
agora, Titamy.
- Podemos sim.
- ela consegue sair do campo de força e seu corpo brilha intensamente,
como se fosse coberto por eletricidade. - E eu que pensei que já tinha
elevado muito o meu poder... aquilo não era nada!
-
Titamyyyyyyyyyyyyyyyy!!! Você está caindo! - L.
- Vou fazer um
tufão que a possa segurar. - K.
- Venham,
vocês têm muito medo! Nós iremos vencê-los!
- Você é
doida? Eles são mais fortes! - K.
- Vocês têm
muito mais poder que isso! Por que não se arriscam!?!?!?!? - a
eletricidade começou a se juntar com o as chamas tão tipicamente suas.
Os seus amigos voltaram para o campo de batalha.
- Já juntamos
nossos poderes antes... podemos fazer isso de novo! - L.
- Será!? - K,
toda cautelosa.
Eles começam
a concentrar os poderes à sua frente. A outra tríade nem se mexe, pois
acha que aquilo de nada irá adiantar.
Os corpos
deles estão brilhando, mas o de Titamy emite uma luz mais intensa. Eles
conseguem mandar um poderosíssimo golpe contra os agressores, que
consegue separá-los e fazê-los cair.
Louis e
Khrista, muito cansados, caem ajoelhados, mas seus poderes não se
voltaram contra eles (como aconteceu com o de Titamy da outra vez).
Titamy ainda
fica de pé e os adversários se levantam.
- Eu não sei
como, mas estou como você, Foeg, também posso mexer com eletricidade. Eu
os aconselho a se renderem ou conhecerão a minha ira!
- Nunca! - era
a resposta que ela queria. Ela parte para cima dos três e consegue,
apenas com golpes normais bater neles. De repente, ela pára e os outros
começam a bater nela. Ela se abaixa e eles continuam.
Subitamente,
ela se levanta e abre os braços, uma grande quantidade de energia sai de
seu corpo... fogo e eletricidade, fazendo com que Foeg, Ali e Eal caiam,
vencidos no chão. De mão dadas, eles somem, prometendo voltar.
Um brilho
alaranjado sai do peito de Titamy e ela grita de dor.
***
Dois dias
depois da luta.
Titamy passou
um dia inteiro dormindo à base de sedativos. Foi naquele dia, dois após
da luta que abriu os olhos novamente. A primeira pessoa que viu foi
Aliocha.
- Oi, Aliocha!
- Oi, Tamya!
- O que houve?
- Depois da
luta...
- Eu vim pra
cá cheia de dor...
- É... e eles
te deram uns remédios.
- Onde estou?
- No centro de
estudos da CMEACEB - (ou CECA) - aqui no Rio, Tamy.
- Johann... -
Titamy ainda sentia muita dor no peito, mas percebeu que não podia se
queixar, ou então, não sairia dali.
- Fique
quieta... estamos tentando descobrir o que está causando tanta dor.
- Eu não
sinto mais nada... eu vou pra casa.
- Tamy! Alexei
Kosanov, fale algo que impeça sua irmã de sair daqui.
- Se ela já
está grande para querer se casar, está para saber se pode sair.
- E eu posso,
Aliocha. Obrigada, Johann... mas eu prometi a você que iria fazer algo em
uma semana e não posso perder tempo.
***
Titamy
resolveu faltar a faculdade para que pudesse investigar e descobrir se
podia ou não confiar em Johann. Mas ela não sabia era que a dor iria
fazer companhia a ela por um bom tempo.