A Tríade

A TRÍADE

CAPÍTULO DÉCIMO SEGUNDO: MOMENTOS ROMÂNTICOS

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Capítulo Décimo Terceiro

 

- Eu não acredito nisso, Louis! - esbravejou Titamy, após ele dizer que não concordava com o fato de ser estranho a aparição dos inimigos da Tríade. Estavam L, K e T no apartamento de Titamy.

- Não é porque você não acredita que seja aceitável eles aparecerem que eu acharei, amável.

- Não me chame assim novamente, se não eu mato você!!!!!... não estou brincando. - disse Titamy contendo-se, após ter estourado.

- Ei, gente, parem com isso, vocês já estão crescidos, essas brigas não acrescentam nada. - Khris.

- Eu sei que não acrescentam, são apenas tradicionais. O que é tradicional é importante. - Titamy.

- Nossa amizade está baseada nisso. - L.

- "Nisso": você quer dizer em brigas intermináveis? - K.

- Exatamente! Não sabemos ser amigos de outra forma. - T. "Às vezes me arrependo de ser amiga dele... me desgasta muito criar motivos para brigar...", pensa ela.

- Vocês, na verdade, se gostam muito, são verdadeiros amigos... muitos diriam que...

- ISSO VAI ACABAR EM CASAMENTO! - L e T disseram ao mesmo tempo.

- Bobagem... se fosse assim, a incidência de incesto fraterno seria estapafúrdia! - T.

- Você diz então que Louis é um irmão para você? - K.

- Eu digo que eu e Aliocha sempre brigamos, mas nós gostamos de ser apenas irmãos e nunca sentimos necessidade de um outro tipo de relacionamento. - T.

- O mesmo ocorre com a nossa amizade. - L.

- Não enrolemos com essas melosas declarações de amizade! A conversa era séria antes da briga. - T.

- Voltamos à briga!? - K.

- Claro! Use a sua cabeça: se a existência da Tríade fosse realmente um assunto místico, baseado em reencarnações de heróis passados, nós teríamos lembranças vagas de épocas passadas (vocês têm? eu não!), os inimigos teriam uma origem parecida (os nossos são fabricados e se aperfeiçoam de acordo com o nível que nós nos aperfeiçoamos). Só digo que há algo estranho: pode ser que um conhecido louco de Johann Mahler tenha dito a ele o que faria e ele reuniu a gente porque sabia de nossos poderes (só nós poderíamos com a invenção do tal cara).

- Como o Johann soube de nossos poderes? - L.

- Ele nos conhece há muito tempo! - T.

- E eu? - K. - Ele não me conhecia!

- Um empregado dele relatou a sua existência... o cara tinha ido à África e ouviu boatos sobre uma "deusa em vida". - T.

- <risos> DEUSA!?! Em Agaabá, eu sou considerada apenas um anjo! Só temos um deus, como vocês. - K.

- Há muito preconceito com os povos africanos, pensam que são todos politeístas, com atividades canibais. - L.

- Eu não sou um anjo, sou alguém que conseguiu poderes. - K.

- Devido a sua encarnação passada. - L.

- Já disse que reencarnação é bobagem. - T.

- Eu não concordo que seja bobagem. Talvez Louis e o senhor Mahler estejam certos.

- Existe essa bobagem na sua religião!?!? - T.

- Sim, o kapíboyomismo também acredita nisso. - K.

- Já não acho mais o seu pessoal tão desenvolvido intelectualmente... - T.

- Fale então sobre você não acreditar nisso. - K.

- Depois... outra hora, vou demorar muito tempo explicando e o Louis ficará me enchendo a paciência. Assuntos sérios, apenas com pessoas sérias. - T.

- Nhé...! - debocha Louis.

***

Na faculdade de Khrista.

- Oi, Khris! Você sabe que dia é hoje? - perguntou T**** quando chegou perto da namorada.

- 12!?

- É... 12 de junho! É o dia dos namorados!

- Não sabia... isso a Titamy não me contou...

- Agora você sabe. Que tal a gente ir ao cinema?

- Tudo bem.

***

- Oi, Louis!

- Oi, Jade!

- Temos que terminar hoje aquela pesquisa.

- Já está quase pronta.

- Ah, eu trouxe um presente para você.

- Por quê?

- Embora você não seja meu namorado, você é meu amigo mais próximo e achei que seria uma boa, para não parecer encalhada. E, você também sabe que...

- Obrigado! - ele abre o embrulho que ela lhe deu. Dentro estava uma camisa, do estilo mais cobiçado pelos homens que gostam de vestir-se bem. E ele reparou a etiqueta: era do estilista mais famoso. - Deve ter sido muito cara!

- O cartão do meu pai pode pagar.

- Obrigado mesmo.

- De nada.

***

- Alô! Srta. Kosanova!?

- Sim, sou eu, senhor Mahler!

- Eu recebi o seu convite para o lançamento de seu livro, mas, infelizmente, não tive tempo para ir...

- Tudo bem, não há problema.

- Eu gostaria de convidá-la para um almoço amanhã...

- Eu não posso. Eu e Khrista vamos sair com umas amigas.

- Que tal um jantar hoje? Pedi para que minha secretária comprasse o livro (que por sinal estou gostando muito) e quero pedir seu autógrafo.

- Com certeza... eu posso jantar com você hoje... não tenho nada a fazer.

- Muito obrigado.

- Eu que agradeço.

- Até a noite!

- Até a noite! - "Nossa, nunca o ouvi falando de maneira tão... despojada! Ele é uma pessoa agradável quando não vem querendo cobrar a Tríade. Apesar da ida... idade, ele ainda está bem. Ainda bem que não falei isso para ninguém, me interpretariam mal."

***

"Eu me saí bem. Falando de maneira não muito formal, sendo simpático... acho que conseguirei alcançar os meus objetivos. Claro que quando tudo estiver acabado me chamarão de insano e cruel, mas terei de viver com isso. Eu sei os meus motivos. E ninguém vai entender minhas ações, exceto eu mesmo. Agora só falta o assunto mais antigo." pensava Johann logo que desligou o telefone.

***

-Parabéns, Diego! - disseram todas as empregadas da companhia que estavam presentes no pátio do edifício da empresa na hora do almoço.

- Obrigado.

- Pegue o meu presente...

- O meu também...

- Não se esqueça do meu...

- Vocês em si já são presentes maravilhosos! A companhia de vocês é tudo de que preciso! - respondeu ele ao receber os presentes. - Mas que coisa feia, vocês não guardaram dinheiro para o presente dos seus namorados!?

- Claro que compramos...

- Então gastaram o pagamento todo! Vocês são muito agradáveis! Hmmm... perfume, camisa... hei, quem foi a ousada que me deu essa cueca!?!?

- Fui eu! - respondeu uma moreninha.

- E pro Fred, o que comprou?

- É confidencial...

- Nossa, a noite será especial! - ele beijou-as todas no rosto e foi se encaminhando para a recepção. - Vocês foram gentis comigo, mas olha a pobre Olívia! Hoje também é aniversário dela! - ele tira de dentro do paletó uma rosa vermelha e de um bolso uma caixinha. - É para você, Olívia! - ela era muito tímida e ficou vermelha. Ele insistiu e ela pegou os presentes.

- Desculpe-me, Diego, eu não pude comprar nada para você.

- Me dá um beijo na bochecha que sara. - ela o fez. - Está tudo certo agora.

- Oi, Diego! - ele reconheceu a voz e ficou paralisado ali, de frente ao balcão da recepção. Aos poucos conseguiu girar para a frente.

- Tamysita!

- Parabéns, Diego! - escutou-se a decepção das colegas de trabalho de Diego. Ele foi e abraçou Titamy, que lhe deu apenas um abraço.

- E o beijo?

- Já recebeu demais!

- Nem unzinho?

- Não.

***

- Pensei que a Titamy fosse almoçar conosco... ela anda fazendo isso todos os dias! - disse Khrista.

- Mas não falou nada se viria hoje. - Louis.

- Hoje é 12 de junho...

- Já sei que hoje é dia dos namorados, Raquel, mas.. você quer dizer que ela tem um namorado?

- Não... - R.

- Se tivesse você saberia, Khrista. - L.

- Hoje é aniversário de Diego! Eles almoçam juntos... "ele não tem família aqui... a pessoa que ele conhece a mais tempo sou eu. Não o posso abandonar assim." é a desculpa da Titamy.

- É mesmo, eu tinha me esquecido o aniversário dele!

- Eu me lembro... - R.

- E eu me lembro da época em que você gostava dele... era quando eles namoravam. - L.

- Vai começar? - R.

***

- Você não esquece o meu aniversário, Tamysita!

- Claro que não! Há dois anos atrás eu tive que comprar dois presentes!

- De dia dos namorados e de aniversário... eu lembro! Agora eu só ganho um.

- Todo mundo só colhe o que planta.

- E se eu prometer ser bonzinho?

- Você não conseguiria, Diego. Eu o vi hoje lá no seu trabalho.

- Tamy...

- Nada disso! Estamos no melhor restaurante mexicano do Rio, comendo essa comida maravilhosa, não quero falar as mesmas coisas de sempre.

- Tudo certo.

- E, além disso, se eu fosse namorar de novo, seria alguém diferente.

- O quê!?!?

- Não daria certo de novo! Eu desconfiaria sempre... não seria saudável.

***

Após o cinema de Khrista e T**** e a faculdade de Titamy.

No apartamento que as duas dividiam.

- Raquel me contou que você foi almoçar com o Diego.

- Fiz isso ano passado também.

- Legal de sua parte.

- É como uma obrigação para mim.

- Tem certeza de que não vão voltar?

- Tenho.

- Por quê?

- Nós nos conhecemos bem demais.

- Isso é motivo para se ficar juntos.

- Não, eu não confiaria nele. Ele foi infiel.

- É!?

- É. Quero agora algo estável, alguém um pouco equilibrado e com mais maturidade.

- Alguém mais velho?

- Não necessariamente! Diego é oito anos mais velho que eu.

- Isso tudo!?

- É... caramba! Já são sete e meia!?

- O que foi? Vai jantar com o Diego?

- Não! Com outra pessoa!

- Quem?

- Johann Mahler, vou autografar o livro dele.

- Legal! - Titamy foi tomar um banho e se arrumar para o jantar. Khrista foi falar com ela. - Titamy, já teve um relacionamente estável?

- Por quê?

- Como vai querer o que não conhece?

- Já, já tive.

- Pensei que só tivesse namorado o Diego!

- Já disse a você que namorei outro cara. Lembra o cara para quem estou trabalhando?

- Nunca o vi.

- Tá, mas eu falei dele.

- É... senhor Araújo, uma coisa dessa.

- Isso é formalidade profissional. Ele foi meu segundo e último namorado... já faz uns oito meses que terminamos. Ficamos juntos dois meses.

- É!?!?

- Sim... agora, me dá licença para eu sair do chuveiro?

***

Titamy adorava vestidos que combinassem com seus olhos azuis e por isso tinha três da mesma cor dos olhos, mas de feitios diferentes. Johann espantou-se ao vê-la sair do prédio daquele jeito, estava acostumado a suas roupas de caçadora de recompensa ou com suas calças compridas, não com um vestido daqueles "Essa menina devia usar mais vestidos".

- Boa noite, Sr. Mahler!

- Boa noite, Srta. Kosanova.

- Onde vamos?

- Quis fazer mistério para ficar mais interessante. Quando chegarmos, você verá.

- Ótimo, então!

***

"Oito e pouco e eu sozinho aqui em casa... mas como posso comemorar com mais alguém se não estou com ela? Um dia ela vai saber, mas será que vai me querer? Será que um dia ficaremos juntos de novo? Eu queria tanto... Queria tanto que tudo fosse mais fácil, que o que aconteceu não tivesse acontecido... mais aí eu teria que me renegar."

***

- Copacabana Palace!?!?!?!?!?!?!?!?- Titamy estava muito surpresa.

- Ainda mais depois do jeito que veio vestida, pensei que teria que ser um lugar especial.

- Mas eu não sei me comportar...

- Não importa, importa é que eu vou pagar e que você está muito bem vestida.

- Se é assim...

- Além de bem vestida, a senhorita está muito bonita!

- Obrigada - ela estava muito sem-graça.

Eles entraram no restaurante do luxuoso hotel e pegaram a melhor mesa.

Vamos passar por cima de mastigadelas, goles e conversa fiada. Falemos em termos gerais: Titamy realmente gostou da comida e sentia-se satisfeita a cada garfada. Ela só bebeu um pouco de champanhe, mas depois pediu algo não alcoólico, pois não gosta desse tipo de bebida.

Johann foi muito galante, falando palavras agradáveis e fazendo com que Titamy ficasse com uma boa impressão dele. Era, na verdade, tudo o que ele queria: queria que ela gostasse dele, tentava seduzi-la, porque ela era quem sempre desconfiou de tudo. Ao mesmo tempo que tinha esse ojetivo racional bem claro em mente, ele ia deixando-se impressionar por ela.

Ela deu o autógrafo. Embora o clima estivesse propício, aquele não foi um encontro romântico, ele a levou em casa e despediram-se apenas com um até logo, mas nada de beijos ou abraços.

***

O primeiro jantar não deu em nada, mas isso não queria dizer que não tentariam novamente. Por uma semana tiveram breves encontros e em alguns um pequeno beijo, mas nenhum pedido de namoro. Até o fim de semana.

Sábado ele a levou para jantar no Copacabana Palace novamente.

- Estou adorando sair em sua companhia, Titamy, mas estou um pouco velho para apenas ficar saindo com uma mulher. O que quero dizer com isso é: gostaria de namorar comigo?

- Johann, não sei o que dizer, mas... eu te conheço desde criança, eu te chamei de "tio" por uns dez anos seguidos...

- Eu deveria saber, uma moça tão jovem quanto você deve querer alguém da sua idade e não alguém para quem olhe a faça lembrar seu pai.

- Desculpe-me, não é isso, Johann, eu também estou gostando muito de estar saindo com você. Também não acho legal ficar só saindo.

- Então, Titamy? - ele pegou a mão dela e beijou. Assim foi iniciado um namoro inusitado.


 

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