A Tríade

A TRÍADE

CAPÍTULO DÉCIMO PRIMEIRO: O DIA EM QUE TITAMY ENRUBECEU

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Capítulo Décimo Segundo

 

"Será que já está acontecendo o que eu temia? Pelos meus estudos iria demorar muito para que isso acontecesse... o que poderei fazer se ela..."

- Sr. Morales, mande chamar Soulbright, Kosanova, Khrista e Raquel. - disse Johann após um momento de reflexão.

- Sim, senhor Mahler. - Juan estava a sua frente, aguardando ordens, já que o patrão o havia chamado. Louis avisara o que estava acontecendo pelo celular.

***

Louis, Khris e Raquel estavam parados, perplexos diante de Titamy, que estava ainda de joelhos e com a parte superior do tronco caída para a frente. Ainda gemia, mas já parecia controlar as chamas que saíam de seu corpo, pois elas se tornavam cada vez mais brandas, até chegar ao ponto em que cessou por completo a expansão de seus poderes.

- Já estou bem, pessoal. Não fiquem preocupados.

- Que susto! Mas o que houve!? - perguntou Raquel.

- Coloquei na minha cabeça que aquela era a hora de tentar ultrapassar os limites que eu mesma impunha ao uso dos meus poderes, de forma que, acho, cheguei longe demais.

- Tamysita. O senhor Mahler pede para que todos os senhores compareçam à companhia. - Juan falava-lhes pelo comunicador. - Você já está melhor?

- Sim.

- Vamos, então? - perguntou Louis.

- Raquel, eu acho melhor você levar Titamy em sua moto. - sugeriu Khrista.

- Eu concordo. - disse Raquel.

- É... é melhor do que eu não conseguir chegar até lá.

***

- Parabéns mais uma vez pela atuação da Tríade. E pela sua também, srta. Moracima. Como vimos, é sempre bom termos mais um membro, pois nunca podemos garantir quando o time estará completo.

- Obrigado, senhor Mahler. - disseram todos.

- Peço que não demore muito no que irá falar, senhor Mahler, pois estou muito cansada e precisando repousar por um tempo. - disse Titamy.

- Senhorita Kosanova, soube o que houve com você. Acho melhor que fique aqui mesmo para que meus pesquisadores investiguem o que de fato ocorreu.

- Eu só preciso de vitamina C e cama, senhor Mahler, e tudo ficará bem.

- Eu insisto. Não quero depois ser acusado de maus tratos aos senhores, afinal, eu sou o empregador de vocês.

- Tudo bem, senhor Mahler, mas não me deixe de "molho" por muito tempo.

- Como a senhorita já possui uma ficha em minha companhia (desculpe-me pelo primeiro contato que teve como empregada de minha empresa, quando fiz os testes) será bem mais fácil o exame.

- Pode deixar que eu esqueci o seqüestro.

- Sr. Morales, leve a senhorita Kosanova para o centro médico do prédio.

- Como queira, senhor Mahler. - Juan e Titamy saíram da sala. K, L e R continuaram no escritório.

- Senhorita Moracimal, peço para que fique em alerta. Muito provavelmente precisaremos da senhorita devido à doença da senhorita Kosanova.

- Sim senhor.

- Darei aos senhores um abono pelo bom trabalho que vêm desenvolvendo. - após acertado o valor do bônus, Johann dispensa seus empregados, ficando sozinho na sala.

"Acho que mudarei de tática com a senhorita Kosanova: ela não pode mais me investigar, essa desconfiança há de parar. Serei simpático, explicarei algumas coisas. Serei compreensivo e até amável. Também tenho que agir com relação à Sheila. Nem tudo é para ser revelado, mas algumas coisas convém serem reveladas."

***

- Khrista, eu tenho que falar com você. - Khrista estava entrando na sala quando T**** a chama, ele vinha correndo apenas para falar com ela.

- O quê, T****? Não me venha falar de seu deus e da importância que ele tem sobre você. Se fizer isso, eu falarei do meu. E se é para me entristecer, peço que saia da minha frente.

- Não. Não é isso, pode ter certeza.

- O que é então?

- Eu andei pensando.

- No quê?

- Nessa história toda: vocação, você, Deus, você...

- Você pensou em mim tanto assim?

- É... pensei que Deus nos cria e que Ele tem planos para cada um de nós e que cada qual tem a sua vocação: uns para serem padres,   - o rosto de Khris assume uma expressão triste - uns para serem advogados, médicos, outros para se casarem. Pensei também que é muito difícil você conseguir ouvir o que Ele está falando com você.

- Eu falei que não queria escutar isso... - Khris força a frente para entrar na sala. Ele segura sua mão.

- Me deixe terminar.

- Termina então.

- Khrista, às vezes nós ouvimos errado ou mesmo nos deixamos levar pelo que outras pessoas vivem dizendo para você (você pode achar que estão certas ou erradas, você pode ir de acordo com o que eles dizem ou totalmente contra, só de pirraça). Eu ouvi errado. Ele não estava dizendo que queria que eu fosse um sacerdote, ele queria apenas que eu continuasse religioso. Por que, se não fosse por isso, você apareceria? Ele me deixaria ficar apaixonado por você? Tenho certeza de que ele não é maluco. Quando você apareceu, fiquei com medo de deixar de ser algo que eu já havia decidido que seria. Quero mudar isso. Saí do seminário. Não serei mais padre. A minha vocação, Khrista, é ficar do teu lado. Eu te amo!

- Vo... você desistiu? ... Por mim?

- Sim. Só agora encontrei a verdadeira certeza da  minha vida.

- Eu... - Khrista não sabia o que dizer. Ao mesmo tempo que estava feliz, estava com medo de estarem tomando a decisão certa. Ela queria muito que estivesse certa.

Eles se abraçam. Não havia o que falar naquele momento. Ele sabia que ela também estava apaixonada por ele e que queria que tudo desse certo, não precisavam mais de palavras.

***

- Acho que já está na hora de falarmos com a sua filha, Sheila.

- Johann, por favor! Você disse que não faria...

- Sheila, as mentiras não duram para sempre. A própria amiga dela, a senhorita Kosanova, está investigando o passado. Mais cedo ou mais tarde...

- Me dê um tempo para que eu pense.

***

Raquel e Louis estão conversando no campus da UTecARJ. O computador-celular de Louis acusa que alguém quer falar e identifica: um ex-professor de Português, Roberto, que deu aulas a eles e a Titamy durante o primeiro semestre do primeiro colegial. Agora, ele dá aulas para Tamy na faculdade.

- Oi, Roberto!

- Oi, Louis! Não encontro a Titamy na casa dela... você sabe onde ela se encontra?

- Oi, professor, esqueceu-se de mim? - perguntou Raquel.

- Oi, Raquel! Mas, Louis, ...

- Ela está na CECA, está um pouco doente.

- Ela está com o celular?

- Deve... - Louis.

- Está, eu a vi com ele.

- Então eu ligo para ela.

***

- Alô, Titamy? - era a voz de Roberto no celular de Titamy, ela não gosta desses computadores com câmeras.

- Oi, professor, e aí?

- Tudo bem comigo... o que houve com você?

- Nada não... já estou ficando boa.

- O meu colega da editora me respondeu: eles gostaram do seu livro e já estão praticamente preparados para lançá-lo.

- Quando que isso aconteceria?

- Daqui a três dias.

- Nossa, estamos na época da velocidade! Fale que só posso na semana que vem...

- Tudo bem, então. Gostei do seu livro... é bastante interessante.

- Você sabe que é um pouco auto-biográfico...

- Você ainda fala com Diego?

- Claro! Ele é meu amigo e me ajuda a conseguir trabalho! Ó, eu tenho que desligar, vou fazer mais testes de rotina.

- Até mais, então.

- Tchau!

***

- Desculpe-me chamá-la novamente, senhorita Boyomi.

- Não há problema, senhor Mahler. E a Titamy?

- Está bem. As chamas não a feriram muito, se fosse uma pessoa normal, teria queimaduras de terceiro grau, mas ela teve apenas ferimentos superficiais.

- Fico mais tranqüila assim.

- Eu a chamei aqui para perguntar se quando morava ainda na África soube que havia a nossa civilização.

- Não... eu não sabia, mas minha mãe me contava histórias de um povo que vivia com artefatos quase mágicos... tipo os computadores.

- Mas ela te ensinou algo sobre computadores?

- Não podia, ela apenas inventava estórias para me contar.

- Engraçado, eu tenho certeza de que já vi a sua mãe antes, há muito tempo... e ela sabia mexer em computadores muito bem.

- Impossível! Ela é agaabana, nascida e criada na minha tribo. Xila quer dizer inteligência, ela que trouxe muitas melhoras com o seu desenvolvimento intelectual lá para Agaabá.

- Eu conheci uma cientista... seu nome era Sheila. Ela era igual a sua mãe.

***

Três dias depois, Titamy já estava de alta e, surpreendentemente, ela estava com ímpeto comemorativo pelo fato de seu livro estar prestes a ser lançado (a editora aceitou o prazo de uma semana pedido por ela) e chamou seus amigos da Tríade, seu professor Roberto, Aliocha e uma turma mais chegada: Jade (assistente de Louis), Tatiana (que estudou com ela no colegial), Marília (sua professora), Patricia (também estudou com ela), Priscila (estuda com ela na faculdade), Júlia, Aline, etc (várias amigas). para irem comemorar essa sua conquista em um restaurante perto de sua casa.

Ela e Diego foram juntos, quando ela saiu da CECA, ele disse que a levaria. Pediram para que se juntassem algumas mesas, pois haveria comemoração.

A um canto do estabelecimento, havia uma banda que tocava vários ritmos, inclusive ritmos de origem hispânica. Estavam os dois a conversar, quando a banda resolveu tocar uma música que misturava salsa, merengue e outros ritmos hispânicos. Os olhos de Diego brilharam.

- Bailas conmigo, Tamysita?

- Diego... é um lugar público... eu sou tímida...

- É... mas eu nunca vou me esquecer de Buenos Aires...

- Seu chantagista! Tudo bem... só enquanto o pessoal não chega (tenho que confessar que adoro dançar esse tipo de música).

- Só tem graça com você...

- Não fale bobagens! - eles levantaram e um belíssimo espetáculo de dança se iniciou.

Muitos diriam que Titamy era boba por se negar a dançar em público, porém, era-lhe terrivelmente desconfortável fazer tal coisa. Sentia-se mal... mas não em dançar com Diego, que foi seu professor enquanto namoravam.

Ela se divertia, ele sentia saudades de tempos passados. O coração daquele pobre mexicano-canastrão batia fortemente, ansiando por um retorno do tipo de relacionamento que tiveram há um pouco mais de um ano. Não era exatamente o que Titamy sentia, ela queria viver sem pensar se deveria ou não ficar com Diego, queria curtir a solteirice, mas, claro que não pôde deixar de lembrar como era bom aquele tempo.

E bailaram não apenas aquela, mas outras duas músicas inteiras. Ao final da terceira, porém uma platéia muito especial bateu palmas. Ela estava com o corpo inclinado, nos braços de Diego, que a seguravam. Titamy enrubeceu, levantou-se e escondeu o rosto contra o peito de Diego.

- Tamya, não sabia que você dançava assim. Sempre disse que tinha vergonha. - Aliocha.

- Você me surpreendeu, hein!? - disse uma de suas amigas.

- Nunca pensei ver Titamy Naime Kosanova dançando salsa em um restaurante! - Louis.

- E aí, menina, estou gostando de ver que está se soltando mais - Marília, sua professora.

- CHEEEEEEEEEEEEEEEEEGAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA! - Titamy soltou-se de Diego e saiu correndo para o banheiro feminino. "Nunca fui tão humilhada, porque todos não podem ficar quietos!?"

- Titamy, você estava legal, dançando. Por que fica assim? - K.

- Eu detesto manifestações culturais públicas... não gosto de dançar e um bando de gente me olhando... - T.

- Mas lá fora não está vazio...

- Eu tenho mais vergonha de quem conheço, Khris.

- Eu vou embora.

- Mas é sua comemoração...

- É, mas todos só vão comentar sobre isso.

- Ah, Tamy! Vamos lá!

- Tá, Khris.

***

Junto de seus amigos, Titamy aproveitou a comemoração da aceitação de seu livro pela editora, mas eles nunca esqueciam a antológica cena de vê-la dançando. A partir desse fato histórico, passou-se a cogitar que ela e Diego tivessem voltado. Tudo não passava de boatos.

Dali a quatro dias seria a Noite de Autógrafos de seu livro. Todos os que estavam presentes foram convidados.


 

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