Nota do narrador: Esse capítulo será todo contado
segundo as impressões totalmente pessoais de cada personagem, sendo, primeiramente
introduzindo as situações causadoras dos eventos.
Tudo correu muito bem, apesar da ausência de Louis e (por
iniciativa de Titamy) já estavam cogitando de o grupo continuar sem a presença dele.
"Se tudo correu bem, não precisamos de um desistente."
O que impressionou mais a Johann foi o entrosamento entre as
três, não que as garotas e Louis não o tivessem, mas já estavam trabalhando juntos há
um tempo.
Já estava no dia de ele voltar, pelo que sabiam.
No campo pessoal, tudo estava normal para todos.
***
KHRISTA
Quem me olhasse há meses atrás não poderia
fazer uma previsão do que está acontecendo na minha vida... Olha para mim! Eu vivia em
uma comunidade no meio da savana africana, brincando com a minha girafinha Puka, que, por
sinal está aqui também, porém com os meus pais. Hoje estou muito entrosada com tudo o
que me aparece pela frente, falo Português fluentemente. Deixei de ser um espécime raro
para fazer parte desse mundo.
Estou, nesse momento, sobrevoando (não tenho
explicação para isso, sou assim desde muito pequena) essa belíssima cidade chamada Rio
de Janeiro, em um país chamado Brasil do outro lado do Oceano. Aqui é a minha nova casa.
Estou morando na casa de uma garota que me buscou lá em Agaabá, minha tribo. Tornamo-nos
amigas e companheiras de trabalho (somos super-heroínas).
Fomos eu, Titamy (essa amiga) e Raquel chamadas
para irmos até o aeroporto internacional da cidade. Os nossos inimigos voltaram, o que
vai deixar a Titamy desconfiada. Não posso dizer que eu não acho esquisita toda essa
história, mas não consigo tempo para tentar descobrir essas coisas: eu faço faculdade e
supletivo ao mesmo tempo, além de estar na Tríade e de estar com uns problemas de
coração (não se lê cardíacos).
TITAMY
Eu esperneei antes de tudo isso,
mas até que eu gosto de fazer o que eu faço. Mesmo sendo interrompida no meio das
melhores aulas e no meio de assuntos importantes (como o caso em que estou trabalhando pro
meu amigo).
Ainda não estou lá muito
convencida de que Johann Mahler não está manipulando a gente para algo terrível ou pelo
menos que ele tem algum segredo do qual nós não iremos gostar muito. Mas não pensem que
não o respeito: ele sabe separar muito bem negócios e vida pessoal. Já conversei com
ele muitas vezes informalmente quando mais nova e ele era muito legal, mas quando está
atrás daquela mesa, ele se modifica e torna-se muito misterioso. Claro que ele também
não é muito aberto, por exemplo: ninguém sabe onde nasceu nem mesmo sua vida amorosa.
Vou com muito gosto para o
Aeroporto Internacional porque nossos queridos amiguinhos não-humanos voltaram. Não é
algo estranho que tenhamos pegado o cara que os criou e agora esses manés apareçam
novamente!? Depois não querem que eu investigue a canoa furada em que me meti.
RAQUEL
Estou junto da Tríade há pouco
tempo, embora conheça o pessoal há mais tempo. É legal estar com eles, mas,
sinceramente, diferente deles, eu nunca havia tido poderes. Eu também não sei porque
fiquei sumida durante tanto tempo. Estou tentando chegar ao aeroporto o mais rápido que
posso.
Não tiro as razões da Titamy
de desconfiar de Johann Mahler: a última coisa de que me lembro é de ter ido até a CECA
e ter falado com o presidente de lá. Depois, acordei em uma sala de recuperação da
companhia, com aparelhos a minha volta. Depois disso, eles me treinaram e eu soube que
tinha obtido esses poderes.
Mas ainda não falei com ela
sobre isso, eu não posso falar nada, foi o que me recomendou o sr. Mahler. Eu ganho uma
pensão da companhia por causa do meu pai que trabalhou lá... bom, não quero falar sobre
isso!
Como não tenho nenhum poder que
me ajude a chegar rápido ao local, a companhia me deu essa super-moto.
LOUIS
Se eu tivesse aceitado a
aeronave da CECA eu não teria que freqüentar o aeroporto. Daqui de cima todos são muito
pequenos e nada lembram pessoas (como se eu não soubesse que, a grandes distâncias, isso
acontece).
Até que a temporada lá em
Tóquio foi boa. Tenho vários trabalhos a apresentar, acho que todos que os virem irão
gostar... até mesmo a Naime! É... encontrei coisas bem no estilo dela por lá.
Sem contar que apenas essa uma
semana que passei por lá eu já tive acesso há muitas descobertas da Biogenética. Não
foi nem um pouco tempo perdido, porém sei que não apenas a experiência me formará um
biogeneticista conhecido. Sei como funciona o mundo... e é por isso que eu vou ser um
cientista antes de ser um artista, pois assim eu poderei sustentar tanto o homem, quanto o
cientista, quanto o artista... arte não enche barriga!
Ficarei com saudades daquelas
japonesas... principalmente daquelas duas que eu conheci lá na boate... a Yo...
QUE QUE É ISSO!?!?!
Desculpe-nos, senhores
passageiros, mas não poderão saltar agora. Estamos aguardando a permissão para levantar
novo vôo...
Que está acontecendo!? Ah, são
os não-humanos! Tokosh não estava sozinho nisso tudo! Ouvi falar em uma garota nova na
Tríade! Nossa, como são rápidos... Tenho que sair daqui!
KHRISTA
Sou eu quem chego primeiro, mas
isso geralmente acontece porque eu vôo, fica mais fácil de não ficar retida por
qualquer problema. Há uma grande confusão por aqui. Gostaria de saber porque esse
pessoal faz isso. Sei que não são eles quem decidem fazer o que fazem,
mas quem decide? Serão movimentos aleatórios ou já pré-determinados?!
Ainda não me aproximo muito do
"campo de batalha", observo de longe, pois há muita confusão mesmo.
Quero muito que elas cheguem...
TITAMY! Ela chega correndo
muitíssimo rápido, apenas um minuto (mais ou menos) depois de mim.
DIÁLOGO
- Oi, Khris! Acho melhor você
descer um pouco... acho que daí você não vai poder fazer muita coisa!
- Estou vendo o que eles
fazem... talvez haja um padrão...
- Tá... rudo bem... mas eu
estou no meio da confusão. Olhe, é a moto da Raquel! - Raquel chega e pára o seu
veículo próximo a Titamy, fazendo um quase cavalo-de-pau. - Ô, deixa de ser metida!
Quase me atropelou!
- Desculpa, Titamy... mas eu sou
metida!?
- Sabe que estou brincando...
acho que eles vão vir aqui atrapalhar a nossa conversa...
- Khris, o que está fazendo? -
Raquel.
- Nada, já vou.
TITAMY
Acho que a Khris não concorda
comigo, mas às vezes é bom mudar um pouco o grupo... sabe, o Louis às vezes enchia o
saco! Agora está bem melhor... não que ele não faça falta, se falasse isso estaria
mentindo.
Caramba! Eles parecem estar
ficando cada vez mais fortes! Vê-se que quem os cria não é burro... talvez um pouco
estúpido. Pra que ele criou esses caras? Eles não fazem nada! Queria poder ter uma
resposta... mas...
- Putz! Vocês nem me deixam
pensar, né!? - dou um soco no meio da fuça de um chato que veio pra cima de mim.
Ganha-se muito e é divertido...
pelo menos pode-se ter duas coisas boas trabalhando nisso. O cara cai no chão e eu acho
que não terei de me incomodar com ele de novo por algum tempo.
Vejo a Khrista: ela é quase uma
filha para mim, embora ela seja menos de um ano mais nova que eu... eu cuidei dela aqui e
vê-la falando Português tão bem é maravilhoso, me sinto orgulhosa! E agora... que
lindo! Ela está lutando muito legal.
- Ai! - algo me acertou, o que
foi? - Ah, seu filho de uma égua perneta com um pangaré reumático! - não sei de onde
vêm esses xingamentos... apenas saem de minha boca! - Toma um pouco de fogo, filhos,
estou cansada de todos vocês! - eu mando uma rajada de fogo neles.
RAQUEL
Esses meus poderes são meio
ruins, mas ao mesmo tempo bons. São ruins porque meu único ataque é a força física,
mas é bom porque eu posso bater neles enquanto estou invisível. É engraçado vê-los
assim.
Olha só! A Khrista basta abrir
o braço que o vento se forma, Titamy aponta o seu braço e queima quem quer (além da
Khris voar, mexer com a terra e a Titamy ser muito rápida e ágil!) o que eu faço aqui!?
Era para o Louis estar aqui com elas...
Esse cara aqui... nem imagina
que alguém (eu) vou acertá-lo. Pronto, ele agora me procura, mas não acha e eu bato de
novo, de modo que a qualquer momento, ele estará derrotado.
LOUIS
Eu não quero saber se elas têm
alguém no meu lugar! Eu não posso mais ficar dentro desse treco! Ah... a aeromoça está
aqui.
- Com licença, mais eu tenho
que sair.
- Ninguém pode sair, senhor.
- Eu tenho um assunto sério a
tratar lá fora... é de trabalho! Deixe-me falar com o comandante. - eu nem a esperei
falar que sim ou que não. Vou andando para a cabine de comando na maior... e vejo o
comandante. - Sr. comandante, eu tenho de sair.
- Não pode, senhor. Não vê
que lá fora está um perigo?
- É por isso mesmo que eu tenho
que sair. - eu mostro meu documento de empregado da CECA (CMEACEB), no qual me identifica
como membro da Tríade. - Por favor. - para garantir, eu uso um pouco de telecinésia, o
que facilita ele me deixar ir.
KHRISTA E TITAMY
Nossa, o meu poder está
aumentando! Louis deve estar por aqui... será que ele está na aeronave?
NARRADOR
E eis que surge a resposta: sim,
ele estava ali. Agora a Tríade (o que pode ser considerado uma pequena ironia) estava
ainda mais completa! É... um grupo de 3 pessoas agora com 4! É, né, fazer o quê!?
Vamos à parte chata desse
trabalho: descrever a saída triunfal de Louis e a luta dos 4 membros da Tríade (ainda
não me acostumei com isso) contra seus tradicionais oponentes.
LOUIS
Eles abrem a porta do avião
para que eu possa sair. Se eu não fizesse parte da Tríade, nada disso me seria possível
(quem deixaria que um passageiro saísse no meio de tamanha confusão sem que, como eu,
tenha qualificações necessárias para tentar parar a anarquia?).
Saio de uma forma fenomenal: mal
a porta é aberta e eu uso minha telecinésia para me levar até o chão. Lá estão
Khrista e Titamy, Khrista usa seus poderes de vento para que os desgraçados tenham uma
dolorosa queda e a terra para que não possam ficar em pé. Titamy está queimando uns
caras.
- É isso aí, gente! A Tríade
agora está completa! - digo... PERAÊ!!!!! O que é isso!? Uns três caem de maduro na
minha frente.
- Não, a Tríade já está
completa. - diz a voz de Raquel... mas onde ela está!? - Me procurando? Estou aqui. - do
nada ela aparece.
- Bem-vindo! Deixou a preguiça
de lado? - diz Titamy, sei que é apenas umas boas-vindas.
- É...
RAQUEL
Ele chegou... será que ainda
estarei lutando com eles depois? O sr. Mahler disse que eu tenho livre-arbítrio. Verei se
serei um fardo ou se sirvo para alguma coisa.
Segundo Khrista e Titamy me
contaram, os poderes deles crescem quando estão juntos e quando perguntei qual a
explicação para isso, não souberam me dizer nada. Apenas acontecia.
Percebo que a eficiência dos
ataques delas começa a crescer quando Louis vai se aproximando. O mesmo não ocorria
quando eu estou por perto. Mas também é verdade que existe diferença entre um deles
estar sozinho e estar com pelo menos um outro.
Por que posso fazer parte disso
se não há o mesmo efeito?
KHRISTA
Louis sai daquele avião
enquanto eu, Titamy e Raquel estamos lutando. Sim, à medida que ele avança, aumenta o
nosso potencial de luta. Acho que iremos vencer como das outras vezes. O quê???!!! Não
posso acreditar! Mesmo mais fortes, nossos ataques não estão mais tão fuminantes como
antes! O que faremos!?
TITAMY
Ah, legal! Que ótimo... não
adiantou nada nosso querido amigo ter aparecido. Diferente das outras vezes, isso não
está adiantando muito: nós batemos, é verdade, mas não de maneira contundente. Raquel
se dá melhor algumas vezes, pois seus ataques são sempre surpresa. Acho que teremos de
fazer o que sempre fazemos.
LOUIS
Parece que a única vantagem no
fato de eu ter entrado na luta é que agora somos quatro, mas não faz muita diferença
que nossos poderes tenham se intensificado. Pela cara de Titamy, acho que ela quer que
juntemos nossos ataques em um só.
DIÁLOGO
- O que iremos fazer? - pergunta
Khrista.
- Você já tentou combinar os
seus poderes de vento e terra em um ataque só?
- É mais difícil fazer isso,
Titamy!
- Eu sei... mas vamos tentar
algo diferente.
- Você está pensando em...? -
Louis.
- É... vamos tentar.
RAQUEL
O que eles vão fazer? Eu não
entendo... deve ser algo a que eles estão acostumados a fazer como equipe. O quê!?!?
Uma enorme onda de energia cobre
os corpos dos três: a terra treme e um furação são o que envolvem Khrista. Mas... O
corpo de Titamy vira apenas uma sombra, envolto a um alto fogo que sai de seu próprio
corpo. Algo feito uma cachoeira que corre ao contrário é o que envolve o corpo de Louis.
O que eles pretendem?
NARRATIVA
Pela primeira vez, vencem o
receio do que os poderes podem causar e concentram-se ao máximo. As posições que ocupam
formam um triângulo, rapidamente eles chegam para trás, tendo os adversários no centro
da figura. Por telepatia, eles conseguem marcar o tempo exato de ataque, sem que os
inimigos consigam saber de algo.
Dos corpos deles saem uma imensa
quantidade de energia, que vai para o centro. Raquel sai correndo dali. Estão todos os
poderes dos elementos, mais a telecinésia de Louis. Um grito de dor é soltado por
Titamy.
TITAMY
Para quem apenas observa o que
está acontecendo, pode até parecer um belíssimo espetáculo de luzes e energias. Eu
acho que estou exagerando na dose e, pela primeira vez, sinto que o fogo que eu produzo em
meu próprio corpo está me causando dor... dessas de queimadura e por isso grito.
Eles caem no chão. Estão
acabados, mas eu não agüento também e caio ajoelhada. Estranho: não controlo mais as
chamas, elas continuam a sair de meu corpo, embora eu queira que parem.
Um campo de fogo sai de mim e
assume uma área de enorme raio.
- Saiam daqui, tirem todos! -
grito aos meus três amigos entre os meus gemidos de dor. A parte de cima de meu corpo
tomba para a frente e só consigo ver que com os poderes de Khrista, Louis e Raquel eles
tiram e protegem as pessoas.