A Tríade

A TRÍADE

CAPÍTULO DÉCIMO: PONTOS-DE-VISTA

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Capítulo Décimo Primeiro

 

Nota do narrador: Esse capítulo será todo contado segundo as impressões totalmente pessoais de cada personagem, sendo, primeiramente introduzindo as situações causadoras dos eventos.


Tudo correu muito bem, apesar da ausência de Louis e (por iniciativa de Titamy) já estavam cogitando de o grupo continuar sem a presença dele. "Se tudo correu bem, não precisamos de um desistente."

O que impressionou mais a Johann foi o entrosamento entre as três, não que as garotas e Louis não o tivessem, mas já estavam trabalhando juntos há um tempo.

Já estava no dia de ele voltar, pelo que sabiam.

No campo pessoal, tudo estava normal para todos.

***

KHRISTA

Quem me olhasse há meses atrás não poderia fazer uma previsão do que está acontecendo na minha vida... Olha para mim! Eu vivia em uma comunidade no meio da savana africana, brincando com a minha girafinha Puka, que, por sinal está aqui também, porém com os meus pais. Hoje estou muito entrosada com tudo o que me aparece pela frente, falo Português fluentemente. Deixei de ser um espécime raro para fazer parte desse mundo.

Estou, nesse momento, sobrevoando (não tenho explicação para isso, sou assim desde muito pequena) essa belíssima cidade chamada Rio de Janeiro, em um país chamado Brasil do outro lado do Oceano. Aqui é a minha nova casa. Estou morando na casa de uma garota que me buscou lá em Agaabá, minha tribo. Tornamo-nos amigas e companheiras de trabalho (somos super-heroínas).

Fomos eu, Titamy (essa amiga) e Raquel chamadas para irmos até o aeroporto internacional da cidade. Os nossos inimigos voltaram, o que vai deixar a Titamy desconfiada. Não posso dizer que eu não acho esquisita toda essa história, mas não consigo tempo para tentar descobrir essas coisas: eu faço faculdade e supletivo ao mesmo tempo, além de estar na Tríade e de estar com uns problemas de coração (não se lê cardíacos).

TITAMY

Eu esperneei antes de tudo isso, mas até que eu gosto de fazer o que eu faço. Mesmo sendo interrompida no meio das melhores aulas e no meio de assuntos importantes (como o caso em que estou trabalhando pro meu amigo).

Ainda não estou lá muito convencida de que Johann Mahler não está manipulando a gente para algo terrível ou pelo menos que ele tem algum segredo do qual nós não iremos gostar muito. Mas não pensem que não o respeito: ele sabe separar muito bem negócios e vida pessoal. Já conversei com ele muitas vezes informalmente quando mais nova e ele era muito legal, mas quando está atrás daquela mesa, ele se modifica e torna-se muito misterioso. Claro que ele também não é muito aberto, por exemplo: ninguém sabe onde nasceu nem mesmo sua vida amorosa.

Vou com muito gosto para o Aeroporto Internacional porque nossos queridos amiguinhos não-humanos voltaram. Não é algo estranho que tenhamos pegado o cara que os criou e agora esses manés apareçam novamente!? Depois não querem que eu investigue a canoa furada em que me meti.

RAQUEL

Estou junto da Tríade há pouco tempo, embora conheça o pessoal há mais tempo. É legal estar com eles, mas, sinceramente, diferente deles, eu nunca havia tido poderes. Eu também não sei porque fiquei sumida durante tanto tempo. Estou tentando chegar ao aeroporto o mais rápido que posso.

Não tiro as razões da Titamy de desconfiar de Johann Mahler: a última coisa de que me lembro é de ter ido até a CECA e ter falado com o presidente de lá. Depois, acordei em uma sala de recuperação da companhia, com aparelhos a minha volta. Depois disso, eles me treinaram e eu soube que tinha obtido esses poderes.

Mas ainda não falei com ela sobre isso, eu não posso falar nada, foi o que me recomendou o sr. Mahler. Eu ganho uma pensão da companhia por causa do meu pai que trabalhou lá... bom, não quero falar sobre isso!

Como não tenho nenhum poder que me ajude a chegar rápido ao local, a companhia me deu essa super-moto.

LOUIS

Se eu tivesse aceitado a aeronave da CECA eu não teria que freqüentar o aeroporto. Daqui de cima todos são muito pequenos e nada lembram pessoas (como se eu não soubesse que, a grandes distâncias, isso acontece).

Até que a temporada lá em Tóquio foi boa. Tenho vários trabalhos a apresentar, acho que todos que os virem irão gostar... até mesmo a Naime! É... encontrei coisas bem no estilo dela por lá.

Sem contar que apenas essa uma semana que passei por lá eu já tive acesso há muitas descobertas da Biogenética. Não foi nem um pouco tempo perdido, porém sei que não apenas a experiência me formará um biogeneticista conhecido. Sei como funciona o mundo... e é por isso que eu vou ser um cientista antes de ser um artista, pois assim eu poderei sustentar tanto o homem, quanto o cientista, quanto o artista... arte não enche barriga!

Ficarei com saudades daquelas japonesas... principalmente daquelas duas que eu conheci lá na boate... a Yo...

QUE QUE É ISSO!?!?!

Desculpe-nos, senhores passageiros, mas não poderão saltar agora. Estamos aguardando a permissão para levantar novo vôo...

Que está acontecendo!? Ah, são os não-humanos! Tokosh não estava sozinho nisso tudo! Ouvi falar em uma garota nova na Tríade! Nossa, como são rápidos... Tenho que sair daqui!

KHRISTA

Sou eu quem chego primeiro, mas isso geralmente acontece porque eu vôo, fica mais fácil de não ficar retida por qualquer problema. Há uma grande confusão por aqui. Gostaria de saber porque esse pessoal faz isso. Sei que não são eles quem decidem fazer o que fazem, mas quem decide? Serão movimentos aleatórios ou já pré-determinados?!

Ainda não me aproximo muito do "campo de batalha", observo de longe, pois há muita confusão mesmo. Quero muito que elas cheguem...

TITAMY! Ela chega correndo muitíssimo rápido, apenas um minuto (mais ou menos) depois de mim.

DIÁLOGO

- Oi, Khris! Acho melhor você descer um pouco... acho que daí você não vai poder fazer muita coisa!

- Estou vendo o que eles fazem... talvez haja um padrão...

- Tá... rudo bem... mas eu estou no meio da confusão. Olhe, é a moto da Raquel! - Raquel chega e pára o seu veículo próximo a Titamy, fazendo um quase cavalo-de-pau. - Ô, deixa de ser metida! Quase me atropelou!

- Desculpa, Titamy... mas eu sou metida!?

- Sabe que estou brincando... acho que eles vão vir aqui atrapalhar a nossa conversa...

- Khris, o que está fazendo? - Raquel.

- Nada, já vou.

TITAMY

Acho que a Khris não concorda comigo, mas às vezes é bom mudar um pouco o grupo... sabe, o Louis às vezes enchia o saco! Agora está bem melhor... não que ele não faça falta, se falasse isso estaria mentindo.

Caramba! Eles parecem estar ficando cada vez mais fortes! Vê-se que quem os cria não é burro... talvez um pouco estúpido. Pra que ele criou esses caras? Eles não fazem nada! Queria poder ter uma resposta... mas...

- Putz! Vocês nem me deixam pensar, né!? - dou um soco no meio da fuça de um chato que veio pra cima de mim.

Ganha-se muito e é divertido... pelo menos pode-se ter duas coisas boas trabalhando nisso. O cara cai no chão e eu acho que não terei de me incomodar com ele de novo por algum tempo.

Vejo a Khrista: ela é quase uma filha para mim, embora ela seja menos de um ano mais nova que eu... eu cuidei dela aqui e vê-la falando Português tão bem é maravilhoso, me sinto orgulhosa! E agora... que lindo! Ela está lutando muito legal.

- Ai! - algo me acertou, o que foi? - Ah, seu filho de uma égua perneta com um pangaré reumático! - não sei de onde vêm esses xingamentos... apenas saem de minha boca! - Toma um pouco de fogo, filhos, estou cansada de todos vocês! - eu mando uma rajada de fogo neles.

RAQUEL

Esses meus poderes são meio ruins, mas ao mesmo tempo bons. São ruins porque meu único ataque é a força física, mas é bom porque eu posso bater neles enquanto estou invisível. É engraçado vê-los assim.

Olha só! A Khrista basta abrir o braço que o vento se forma, Titamy aponta o seu braço e queima quem quer (além da Khris voar, mexer com a terra e a Titamy ser muito rápida e ágil!) o que eu faço aqui!? Era para o Louis estar aqui com elas...

Esse cara aqui... nem imagina que alguém (eu) vou acertá-lo. Pronto, ele agora me procura, mas não acha e eu bato de novo, de modo que a qualquer momento, ele estará derrotado.

LOUIS

Eu não quero saber se elas têm alguém no meu lugar! Eu não posso mais ficar dentro desse treco! Ah... a aeromoça está aqui.

- Com licença, mais eu tenho que sair.

- Ninguém pode sair, senhor.

- Eu tenho um assunto sério a tratar lá fora... é de trabalho! Deixe-me falar com o comandante. - eu nem a esperei falar que sim ou que não. Vou andando para a cabine de comando na maior... e vejo o comandante. - Sr. comandante, eu tenho de sair.

- Não pode, senhor. Não vê que lá fora está um perigo?

- É por isso mesmo que eu tenho que sair. - eu mostro meu documento de empregado da CECA (CMEACEB), no qual me identifica como membro da Tríade. - Por favor. - para garantir, eu uso um pouco de telecinésia, o que facilita ele me deixar ir.

KHRISTA E TITAMY

Nossa, o meu poder está aumentando! Louis deve estar por aqui... será que ele está na aeronave?

NARRADOR

E eis que surge a resposta: sim, ele estava ali. Agora a Tríade (o que pode ser considerado uma pequena ironia) estava ainda mais completa! É... um grupo de 3 pessoas agora com 4! É, né, fazer o quê!?

Vamos à parte chata desse trabalho: descrever a saída triunfal de Louis e a luta dos 4 membros da Tríade (ainda não me acostumei com isso) contra seus tradicionais oponentes.

LOUIS

Eles abrem a porta do avião para que eu possa sair. Se eu não fizesse parte da Tríade, nada disso me seria possível (quem deixaria que um passageiro saísse no meio de tamanha confusão sem que, como eu, tenha qualificações necessárias para tentar parar a anarquia?).

Saio de uma forma fenomenal: mal a porta é aberta e eu uso minha telecinésia para me levar até o chão. Lá estão Khrista e Titamy, Khrista usa seus poderes de vento para que os desgraçados tenham uma dolorosa queda e a terra para que não possam ficar em pé. Titamy está queimando uns caras.

- É isso aí, gente! A Tríade agora está completa! - digo... PERAÊ!!!!! O que é isso!? Uns três caem de maduro na minha frente.

- Não, a Tríade já está completa. - diz a voz de Raquel... mas onde ela está!? - Me procurando? Estou aqui. - do nada ela aparece.

- Bem-vindo! Deixou a preguiça de lado? - diz Titamy, sei que é apenas umas boas-vindas.

- É...

RAQUEL

Ele chegou... será que ainda estarei lutando com eles depois? O sr. Mahler disse que eu tenho livre-arbítrio. Verei se serei um fardo ou se sirvo para alguma coisa.

Segundo Khrista e Titamy me contaram, os poderes deles crescem quando estão juntos e quando perguntei qual a explicação para isso, não souberam me dizer nada. Apenas acontecia.

Percebo que a eficiência dos ataques delas começa a crescer quando Louis vai se aproximando. O mesmo não ocorria quando eu estou por perto. Mas também é verdade que existe diferença entre um deles estar sozinho e estar com pelo menos um outro.

Por que posso fazer parte disso se não há o mesmo efeito?

KHRISTA

Louis sai daquele avião enquanto eu, Titamy e Raquel estamos lutando. Sim, à medida que ele avança, aumenta o nosso potencial de luta. Acho que iremos vencer como das outras vezes. O quê???!!! Não posso acreditar! Mesmo mais fortes, nossos ataques não estão mais tão fuminantes como antes! O que faremos!?

TITAMY

Ah, legal! Que ótimo... não adiantou nada nosso querido amigo ter aparecido. Diferente das outras vezes, isso não está adiantando muito: nós batemos, é verdade, mas não de maneira contundente. Raquel se dá melhor algumas vezes, pois seus ataques são sempre surpresa. Acho que teremos de fazer o que sempre fazemos.

LOUIS

Parece que a única vantagem no fato de eu ter entrado na luta é que agora somos quatro, mas não faz muita diferença que nossos poderes tenham se intensificado. Pela cara de Titamy, acho que ela quer que juntemos nossos ataques em um só.

DIÁLOGO

- O que iremos fazer? - pergunta Khrista.

- Você já tentou combinar os seus poderes de vento e terra em um ataque só?

- É mais difícil fazer isso, Titamy!

- Eu sei... mas vamos tentar algo diferente.

- Você está pensando em...? - Louis.

- É... vamos tentar.

RAQUEL

O que eles vão fazer? Eu não entendo... deve ser algo a que eles estão acostumados a fazer como equipe. O quê!?!?

Uma enorme onda de energia cobre os corpos dos três: a terra treme e um furação são o que envolvem Khrista. Mas... O corpo de Titamy vira apenas uma sombra, envolto a um alto fogo que sai de seu próprio corpo. Algo feito uma cachoeira que corre ao contrário é o que envolve o corpo de Louis.

O que eles pretendem?

NARRATIVA

Pela primeira vez, vencem o receio do que os poderes podem causar e concentram-se ao máximo. As posições que ocupam formam um triângulo, rapidamente eles chegam para trás, tendo os adversários no centro da figura. Por telepatia, eles conseguem marcar o tempo exato de ataque, sem que os inimigos consigam saber de algo.

Dos corpos deles saem uma imensa quantidade de energia, que vai para o centro. Raquel sai correndo dali. Estão todos os poderes dos elementos, mais a telecinésia de Louis. Um grito de dor é soltado por Titamy.

TITAMY

Para quem apenas observa o que está acontecendo, pode até parecer um belíssimo espetáculo de luzes e energias. Eu acho que estou exagerando na dose e, pela primeira vez, sinto que o fogo que eu produzo em meu próprio corpo está me causando dor... dessas de queimadura e por isso grito.

Eles caem no chão. Estão acabados, mas eu não agüento também e caio ajoelhada. Estranho: não controlo mais as chamas, elas continuam a sair de meu corpo, embora eu queira que parem.

Um campo de fogo sai de mim e assume uma área de enorme raio.

- Saiam daqui, tirem todos! - grito aos meus três amigos entre os meus gemidos de dor. A parte de cima de meu corpo tomba para a frente e só consigo ver que com os poderes de Khrista, Louis e Raquel eles tiram e protegem as pessoas.


 

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