DIÁRIO DE TITAMY NAIME
KOSANOVA
Rio, 25/01/2088.
É hoje! Ai, Deus do céu, é hoje que eu vou para o
México!!! Não sei como meus pais deixaram... eu só tenho 19 anos! Nenhuma
oposição..., mas que milagre!<
Finalmente vou descobrir mais sobre os astecas(?), aprender
melhor o Espanhol... para muitos pode parecer bobagem, mas eu gosto de estudar essas
coisas, amo estudar as culturas, a linguagem... Hoje é um dos dias mais felizes!! Tchau,
vidinha medíocre e sem emoções! Que eu volte uma nova Titamy (de preferência que eu
dê logo o meu primeiro beijo por lá... :))
Tamÿa
CM, 27/01/2088.
Nooooooooossssssssaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!!!!!!!!!! Se eu
fosse do século 20, não acreditaria no que vejo... a Cidade do México é tão bonita e
moderna... não é a toa que, junto do Brasil, é uma das "vice"-potências
mundiais...
UAU! As instalações do hotel da CMEACEB são muiiito
lindas e mantêm certo charme de alguns séculos passados (como 18, 19, 20). Embora eu
não trabalhe com o tipo de ciência da companhia, eles estão sendo tão simpáticos
comigo...
Um dos executivos, ele ainda é jovem, é muito legal e
bonito até (!)... Seu nome é Juan Diego Morales, mas ele me pediu para chamá-lo de
Diego. Ele é muito engraçado e divertido...
Hoje a gente vai jantar... será que a minha promessa de
fim-de-ano irá se concretizar?
Tamÿa
CM, 28/01/2088.
Que jantar... que noite! Diego é um
verdadeiro gentleman, porém me parece que isso é apenas canastrice...
Embora não ponha muita fé em sua
sinceridade, eu penso que ele gosta de mim de verdade... nossa, como estou boba! Se gosta
ou não, é muito difícil de saber, mas acho que gosto dele.
Estávamos eu e ele no restaurante, pedimos o
que beber e comer. Como sempre, bebi todo o meu suco antes de a comida chegar... e de o
vinho de Diego também. Conversamos sobre os nossos empregos, ou seja, nada de importante.
Depois, passamos às nossas vidas.
A parte da comilança não precisa ser
escrita... afinal, ele fica menos atraente com um fiapo de carne preso em um dos dentes,
sabe? Bom, não vi fiapo algum..., mas essa afirmação deve ter seu fundo de verdade.
Não sei porquê, mas, quando num jantar como
esse, uma das pessoas levanta o garfo (ou o copo) depois de uma piadinha, começa o
assunto sério... pois quando levantei o garfo depois de uma piadinha dele, Diego começou
(essa conversa está traduzida):
- Sabe, srta. Kosanova...
- Diego, avançamos tanto como amigos, estamos
aqui nesse restaurante e me chama de srta. Kosanova!? Me chame de Titamy...
- Certo, Titamy, você está muito bonita essa
noite... na verdade, todos os dias em que te vejo saindo do complexo da CMEACEB, percebo o
quanto você é linda... acho que essa mistura de japonês com russo te dá um aspecto
tão diferente... Esses olhos puxados, porém são o seu maior charme.
- Obrigada, Diego...
- Hoje, nesse restaurante, ao som dessa música, percebo o
quanto especial você é e o quanto esse jantar ficará marcado em minha mente... - eu, a
essa altura, já estava com uma taça de champanhe na mão direita.
- Como posso ser tão especial para você se nos conhecemos
há tão pouco tempo!? - estava meio confusa. Bebi um gole de champanhe.
- Há coisas imprevistas... que julgamos serem impossíveis
e improváveis, mas que não o são... - a mão dele chegara na minha mão esquerda, esta
que estava repousada em cima da mesa. Meu coração batia muito forte. Ele a envolveu com
a sua e levou aos lábios. Beijou-a.
- Não me deixe tão encabulada! Assim, nem sei o que
dizer...
- Há momentos nos quais o melhor
calar-se... - pronto! Chegamos ao clima. Sabe, o momento em que
temos que vencer o obstáculo de uma mesa cheia para o momento mais esperado do encontro.
Eu não sabia que era assim, mas é assim (sabe, quando
temos que dar uma meia-levantada?).
Nossos rostos se aproximando acima do
jantar, quando, de repente, o músico que tocava o violino aproximou-se de nós para tentar
ajudar a coisa, mas, eu, pateta, tinha de meio tropeçar, fazer com que o violino caísse
e o meu primeiro beijo foi substituído por uma enorme onda de gargalhadas... eu e Diego
rimos muito.
O beijo saiu sim, mas no saguão do hotel... o que irá
acontecer nos demais dias aqui no México?
Tamÿa
CM, 29/01/2088.
Aliocha ligou para mim, querendo saber se uma das amigas
dele podia dormir em meu quarto. Naturalmente, a princípio, disse que não havia
problema, mas depois me arrebatou todo o ciúme que eu tinha pelas minhas coisas.
Orientei-o a ele dormir em meu quarto e a dita cuja no dele. Se alguém for xeretar, que
seja o meu irmãozinho...
Quando desliguei o ben(mal)dito aparelho, recebi uma
mensagem em meu computador pessoal e portátil (em anexo).
Tamysita (?puedo?),
Me encantó mucho nuestra noche. Fue mi
mejor encuentro con una mujer y lo más divertido también. ?Quieres salir conmigo mañana
por la tarde? Yo no trabajo a las ***. ?Te gustaria?
De tu enamorado,
Diego.
Eu lhe respondi:
Diego,
?Cómo no puedo yo salir contigo mañana?
Amé nuestra cena de ayer y la unica cosa que pienso es salir nuevamente contigo.
!Salgamos por toda la ciudad! Quiero pasar más tiempo a tu lado.
Besos,
De tu
Tamysita.
E enviei-lhe a mensagem.
Tamÿa
CM, 30/01/2088.
Hoje não é dia de ida a museus, de colegas de
profissão... é um dia para mim!
Ora, se estarei com quem gosto, será muito bom para mim,
né? Ou seja, será um dia para mim...
Iremos ao cinema e passear pelas ruas, gastar dinheiro em
mercados populares, comprar algo para o Aliocha...
***
Foi um dia comum de namoro. Beijos e abraços,
cochichos no cinema... Até que é bom essa história.
Depois, ligamos pro Aliocha para Diego me
pedir em namoro (que fofinho, né?), não esquecendo depois de falar com meus pais que
não aceitaram muito bem a notícia "Como pode namorar um cara que acabou de
conhecer?"
Bem, não fui eu quem me apaixonei em um
congresso científico...
Tamÿa
CM, 01/02/2088.
Hoje faz uma semana que estou aqui e isso me faz lembrar
que tenho apenas mais nove dias na Cidade do México, ou seja, apenas mais nove dias ao
lado de Diego... o meu primeiro namoro tinha de ser tão rápido!?!? Poxa, queria
aproveitar mais... queria que ele ficasse comigo... mas a vida dele é aqui e a minha é
no Rio...
Oh, vida ingrata! Por que tens de fazer isso comigo?
Escolher entre o cara que amo e o trabalho, a faculdade, toda a vida que eu conheci até
agora...
... a não ser que... não, isso é loucura! Não poderia
pedir isso a Diego! Bom, é o seguinte: a matriz da CMEACEB no Brasil é repleta de
cientistas competentes, administradores idem, porém, houve um problema com o departamento
de pessoal no ano passado e ainda estão prcurando profissionais competentes. Diego
trabalha no DP e, até agora, só ouvi elogios a ele.
Mas ele está fazendo faculdade... será que ele poderia
vir? Também não entendo isso: como conseguiu o emprego sem ter o ensino superior?
***
Nada de interessante aconteceu hoje... quer
dizer, foi um dia de aquisições de peças para museus e de pesquisas... hoje foi um
árduo dia de trabalho. Nada mais a comentar.
Tamÿa
CM, 02/02/2088.
Hoje fazemos 4 dias de namoro... tenho que parar com essas
bobagens, estou muito tola!
Bom, falei com Diego sobre aquilo que escrevi ontem: ele
não sabe se conseguirá a transferência para uma universidade brasileira "Eu estou
quase acabando, falta apenas um período". Esperar seis meses para ficar com ele?
"Eu vou tentar... acho que posso tentar, né?" ele disse para mim, dando-me
maiores esperanças.
Quanto ao emprego na matriz da empresa, ele disse que não
será difícil, quando estorou a crise lá no ano passado, ele foi chamado para trabalhar
lá... mas não foi por causa da faculdade "Se soubesse que alguém como você vivia
lá, teria ido só para te encontrar."
Acho que a empresa pode providenciar esse negócio da
transferência, afinal de contas, eu conheço o sr. Johann, presidente da filial do Rio,
ele foi colega de papai.
Cruzo os meus dedos esperando um final feliz...
Tamÿa
Rio, 05/02/2088.
Ainda não sei se ele vai poder ir ou não...