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Recursos em Linux e Open Source para pesquisadores de ciências humanas

Abaixo constam instrumentos úteis relacionados ao Linux para quem quer liberdade, usabilidade e gratuidade. Podem ser interessantes para pesquisadores, mas não só. As referências abaixo não requerem conhecimentos avançados em informática.

Não é nenhuma novidade dizer que todas as culturas do mundo formaram seus integrantes para o uso das tecnologias disponíveis. Numa sociedade como a nossa, surpreende notar que as escolas não formam seus alunos para serem usuários do computador e dos outros meios virtuais. É claro, por exemplo, que cada vez mais cedo as crianças começam a usar os gadgets que lhe são oferecidos. Mas numa sociedade informática, surpreende notar que em suas escolas e na formação mais geral não há praticamente ensinamentos de linguagem informática e produção relacionada. É como imaginar uma sociedade pescadora que ensinasse a usar o anzol e o barco, mas não as técnicas de fabricá-los (ou aprimorá-los). Nisso tudo, em nossa sociedade parece necessário certo esforço individual para descobrir que há muito mais opções do que as imediatamente oferecidas (e geralmente pagas). Há um mundo de produtos de fonte livre e livre uso, mas curiosamente inacessível. Por que será?

Linux, Ubuntu etc.

Atualmente, sistemas operacionais alternativos ao Windows e à Apple, como o Linux, possuem inúmeras distribuições, compatíveis com os mais diversos interesses. São sistemas operacionais gratuitos, com grande leque de programas e numerosa comunidade virtual. Sobre isso, vale ver o DistroWatch, que compila inúmeros tipos de sistemas linux para os mais variados usos.

Minhas distribuições preferidas estão na linha do Antix Linux e do Q4OS (feitos para computadores mais antigos ou com configuração mais leve - sim, isso existe!), bem como Ubuntu e derivados (como o Lubuntu e o Kubuntu). Vale ver por ex. artigos como esse, sobre sistemas alternativos ao Windows 7.

Sobre o Ubuntu (veja aqui a página oficial), há uma imensa comunidade virtual e aplicativos de todos os tipos.

Há também tutoriais e recursos úteis de "pós-instalação" para ativar inúmeras funções. Sobre o Ubuntu 18.04 e 16.04, vale ver as dicas do DioLinux (18.04 e 16.04), e também o que publica o Sempre Update e o blog de Edivaldo Brito.

Hoje é possível ser independente e realizar tarefas em sistemas não pagos. Surpreende ter que dizer isso na internet, um ambiente no qual todo mundo supõe liberdade, mas poucos são livres para produzir suas maneiras de usar o ambiente.

LibreOffice

O linux também possui um robusto conjunto de programas que substitui facilmente o Office. Dentre eles há o LibreOffice, que já vem gratuitamente em diversas distribuições.

Editar arquivos pdf e impressões

Quem trabalha com textos em pdf tem sempre um desafio: configurá-los para tornar a leitura adequada em leitores virtuais (como o Kindle), ou imprimir as folhas sem gastar tinta ou papel.

Programas como o Boomaga, o MasterPDFEditor, o FoxIt PDF e o Okular dão conta do recado.

Na prática, os programas acima permitem o seguinte: dentre outras coisas, configurar o tamanho da página para caber duas páginas em uma só folha A4 sem que a letra fique desconfigurada (parece pouco, mas representa grande diferença para muuuita gente).

Blue Griffon - criador de webpages e ebooks

Para quem quer criar páginas de internet ou livros virtuais em formato EPUB (estilo Kindle, mas em formato livre), o BlueGriffon é um excelente editor estilo "DreamWeaver", com interface gráfica e código. É inclusive recomendado pelo governo francês como ferramenta web. Informações e dicas de instalação no Sempre Update. Dicas de primeiras páginas aqui.

Markdown

Este site foi feito em Markdown. Essa linguagem tem inúmeras utilidades, especialmente para pesquisadores em Ciências Humanas. Vale a pena saber mais a respeito, pois além do formato ser amigável para produzir textos, o mesmo arquivo é capaz de ser compilado em inúmeros formatos (até páginas de internet). Escrevi um pouco sobre as vantagens aqui.

O problema da internet é que produz muito ruído, pois há muita gente a falar ao mesmo tempo. Faz-me lembrar quando na ópera italiana é necessário imitar o ruído da multidão e o que todos pronunciam é a palavra rabarbaro. Porque imita esse som quando todos repetem rabarbaro rabarbaro rabarbaro, e o ruído crescente da informação faz correr o risco de se fazer rabarbaro sobre os acontecimentos no mundo. Haver muito ruído é o outro grande problema da informação contemporânea e esse é um dos temas do meu romance: cada uma das personagens não era problema, mas todos juntos faziam demasiado barulho. Portanto, deve-se evitar muito ruído informativo.

Umberto Eco