APICULTURA BÁSICA

CONTEÚDO

A apicultura é uma atividade desconhecida para a maioria dos nossos agricultores e sitiantes. Não que eles desconheçam as abelhas, muitos até retirem mel das colônias silvestres, embora, quase sempre de forma predatória.

A apicultura é a atividade de criação racional de abelhas melíferas. Onde "api" vem de "apis" que quer dizer abelha e "cultura" quer dizer criação.

A apicultura racional está fundamentada em três equipamentos básicos:

1 – A colmeia racional

2 – A cera alveolada

3 – O uso da centrífuga

Obviamente há muitos outros equipamentos, a grande maioria deles serve como complemento aos três citados acima.

A apicultura racional também se baseia no conhecimento básico da biologia das abelhas, seu comportamento e suas necessidades. O apicultor, aquele que cria abelhas, terá mais sucesso quanto maior for o seu conhecimento nestas áreas. É essencial que o futuro apicultor adquira livros e manuais como este que você está lendo agora, e vá cada vez mais se aprofundando na atividade. Um estágio com algum apicultor que tenha experiência de vários anos encurtará em muito a aprendizagem.

Se você vai começar sua atividade sem ter orientação alguma, não comece com muitas colmeias, cinco a dez colmeias no primeiro ano é o número ideal.

A BIOLOGIA DAS ABELHAS

Em uma família de abelhas existem três castas distintas.

Existem muitas definições para o conjunto de abelhas.

A Rainha

A rainha é a mãe de todas as abelhas da colmeia. É ela a responsável pela postura. Ela pode por até 2000 ovos por dia ou mais e chega a viver até 5 anos em climas mais amenos.

Esta vitalidade toda está baseada em sua alimentação a base de geléia real.

É, normalmente, a única fêmea fértil da colmeia.

A rainha nasce em um berço especial chamado de realeira. Esse berço é formado a partir de uma célula normal que contenha uma operária de até três dias de vida, e é abastecida com farta geléia real e tendo suas paredes alargadas e projetadas para fora como cachos pendurados no favo. Após 15 dias na realeira nasce a rainha. Passados de 3 a 4 dias na colmeia ela sai para o vôo nupcial onde pode ser fecundada por até 20 zangões.

A rainha libera uma substância que indica sua presença na colmeia sem a necessidade das abelhas a verem, mantendo assim a unidade da colmeia.

							   As realeiras	

As Operárias

As operárias, como já diz o nome, são as responsáveis pelas atividades na cidade das abelhas. Quando nascem elas são faxineiras limpando o berço onde nasceram, depois passam a ser abelhas nutrizes, alimentando as larvas e produzindo geléia real, posteriormente passam a produzir cera para ampliação da colônia, tornam-se vigias e por último são abelhas campeiras pois vão em busca de pólen e néctar.

São elas que decidem o rumo que vai tomar a colmeia, quando devem enxamear, quando migrar, etc.

 

O Zangão

É o boa vida da colônia, vive a passear em busca de alguma jovem princesa para fecundar, porém quando a encontra, dá a sua vida pelo privilégio de fecundá-la, pois ao terminar o acasalamento seus órgãos genitais ficam presos na vagina da rainha.

Os zangões nascem em células maiores que aquelas destinadas às operárias.

Eles tem acesso a qualquer colmeia quando há fartura de alimento. Na falta de alimento na colmeia, eles são expulsos, pois são uns grandes comilões.

 

 

 

A Sociedade das Abelhas

As abelhas vivem em uma sociedade altamente organizada, onde o objetivo maior é o bem da coletividade. Cada componente desta sociedade executa sua tarefa sem necessidade de ordens ou proveito próprio. Todos vivem em função do grupo, quem não presta para trabalhar é expulso. Se uma abelha fica doente ela procurará sair da colmeia para morrer sem dar trabalho às irmãs.

A colônia é formada de vários favos paralelos. A maioria destes favos possuem células para a postura de operárias que tanto podem ser utilizados para crias como para estoque de mel e pólen. Já os zangões nascem em células maiores e as futuras rainhas ganham um berço especial, a realeira.

As abelhas dependem diretamente das flores. Delas as abelhas retiram néctar e pólen. O néctar é aquele líquido doce que está no interior das flores. O pólen é aquele pozinho amarelo que fica na ponta de pequenas hastes, os estames. As abelhas também necessitam de água, para refrescar a colmeia e dissolver o mel. Utilizam resinas vegetais para impermeabilizar a colmeia.

A Enxameação

A rainha é a responsável pela reprodução dos indivíduos da família. No processo de enxameação ocorre a reprodução coletiva. A família se divide, e uma parte das operárias mais velhas e a rainha saem da colmeia em busca de uma nova morada. A colônia antiga fica com as operárias que sobram e com várias realeiras para substituição da rainha que foi embora. Quando nascer a primeira rainha, esta poderá partir com parte das operárias formando um novo enxame ou então se estabelecer na colmeia.

A enxameação faz parte do instinto natural das abelhas, porém, pode ser forçada quando as abelhas estiverem em condições desfavoráveis. A falta de espaço e calor intenso e rainha velha, podem ser consideradas as causas mais comuns.

A enxameação embora seja indispensável para a continuidade das abelhas, causa grandes prejuízos ao apicultor pois diminui a força da colmeia, já que a grande maioria das operárias que acompanham a rainha que sai são abelhas em idade de coleta.

O apicultor deve estar atento em seu apiário nas épocas de enxameação. O ideal é não deixar as colmeias enxamearem, deixando sempre rainhas novas na colmeia. Quando aparecerem realeiras nas colmeias que tem rainha, é sinal que a família quer enxamear, essas devem ser retiradas.

Existem muitos métodos de controle de enxameação. Com o aprofundamento de seus conhecimentos você mesmo poderá desenvolver métodos próprios de controle.

A Migração ou Abandono

Consiste no abandono total da colmeia pela família. Em alguns caso elas deixam mel e crias ainda não nascidas para trás. São muitas as causa da migração, as principais são:

  1. a falta de alimento
  2. condições impróprias de moradia como o excesso de calor, umidade, perturbação excessiva, etc.

O apicultor pode evitar a migração dando boas condições de moradia e alimentando as famílias quando necessário.

MATERIAIS APÍCOLAS

Como foi dito na introdução, a apicultura racional se fundamenta num bom conhecimento da biologia das abelhas e no uso da colmeia racional, da cera alveolada e da centrífuga. Além destes equipamentos citados, existem outros que também são necessários ao apicultor, vejamos:

A Colmeia

Existem muitos modelos de colmeias, mas todas estão baseadas no princípio do espaço abelha.

O que é espaço abelha?

É o espaço que as abelhas deixam livre na colmeia para servir de ruas e avenidas na cidade das abelhas. Este espaço está entre 4 a 9 milímetros. Este espaço deve ser deixado entre os favos e as laterais, fundo e tampa da colmeia. Toda colmeia que respeitar o espaço abelha e tiver as dimensões e formato que se adapte à biologia das abelhas é considerada uma colmeia racional.

Existem muitos modelos de colmeias racionais, mas a mais usada é o modelo americano ou LANGSTROTH que é o nome do idealizador. Em Roraima, a colmeia Langstroth foi uma das primeiras a ser utilizada e nos vários projetos de incentivo ao desenvolvimento da apicultura, ela foi utilizada como padrão.

Hoje, alguns apicultores estão testando a colmeia SCHIMER. A colmeia SCHENK já foi utilizada por alguns apicultores oriundos do sul do país. Pelo relato destes apicultores, a colmeia Schenk não é própria para nosso clima, que é quente e úmido.

Toda colmeia é composta de um fundo, uma câmara de crias, uma ou mais melgueiras ou alças, como são chamadas por alguns apicultores, e a tampa. Também é recomendado que o apicultor utilize alguma forma de cobertura para aumentar a durabilidade da colmeia.

É muito importante, principalmente para os iniciantes, padronizar o tipo de colmeia. Com a padronização podemos trocar as partes da colmeia e principalmente os quadros, de uma para outra. Muitas práticas apícolas utilizam a troca de quadros entre colmeias.

 

 

 

 

 

Cera Alveolada

Na colmeia racional deve ser utilizada a cera alveolada, que nada mais é do que a própria cera de abelhas estampada com o começo das células. Ela serve de guia para as abelhas construírem os favos exatamente dentro dos caixilhos. Ela pode ser encontrada em casas de produtos apícolas ou então fabricada pelo próprio apicultor. Há também a possibilidade de troca de cera bruta por cera alveolada, com algum apicultor ou comerciante de produtos apícolas, que reterá parte da cera como pagamento pelo serviço.

A cera alveolada deve ser colocada inteira nos caixilhos, e suas células devem estar alinhadas com as barra inferior e superior do caixilho, "fazendo linha" como dizem os apicultores.

A centrífuga

É a máquina que extrai o mel. Com o uso da centrífuga, podemos retirar o mel dos favos sem ter que espremê-los. Com isto, os favos poderão ser reutilizados várias vezes, o que gera uma economia apreciável para o apicultor e para as abelhas.

Existem dois tipos básicos de centrífuga, as faciais e as radiais. As faciais são as que demandam mais trabalho, pois os favos devem ser virados para extrair o mel das duas faces. Nas centrifugas radiais o mel é retirado de ambas as faces dos favos de uma só vez.

IMPORTANTE: A centríguga só pode ser usad em quadros de colmeias padronizadas em que tenha sido colocada cera alveolada.

A Vestimenta.

Todo apicultor deve utilizar uma roupa apropriada para lidar com as abelhas. Esta roupa evitará que o apicultor sofra um número excessivo de picadas. Existem macacões confeccionados especialmente para o trato com as abelhas, muitos já vem com uma máscara adaptada. Além do macacão o apicultor deve usar botas e luvas. O próprio apicultor pode mandar confeccionar seu macacão na falta de macacões pré-fabricados.

AVISO: Nunca descuide de seu equipamento de proteção.

O Fumegador

O Fumegador é usado para produzir fumaça fria e em quantidade. Essa fumaça é assoprada através do fole na entrada da colmeia e sobre os caixilhos. As abelhas ao perceberem a fumaça, associam-na com a possibilidade de um incêndio e se enchem de mel para fugirem. Ficam mais pesadas e lentas relaxando a defesa da colmeia. O uso adequado da fumaça reduz em mais de 90% a agressividade das abelhas.

Cuidado: Excesso de fumaça pode expulsar a família da colmeia e contaminar o mel com cheiro de fumaça e cenzas.

Além dos equipamentos citados existem muitos outros, podemos citar:

Entre outros

A LOCALIZAÇÃO DO APIÁRIO

A localização do apiário é um dos fatores primordiais para uma boa apicultura. Um bom local é o sucesso garantido do apicultor. Deve-se com muito calma identificar a região para a instalação de um apiário.

Devemos observar as seguintes condições básicas:

a)Disponibilidade de água saudável e alimentos (floradas) para as abelhas.

b)Protegê-las de ventos fortes, sol intenso e umidade excessiva.

c)Manter distante no mínimo 200 à 300 m de estradas, construção; onde circulam permanentemente pessoas, animais e veículos.

d)Devemos observar também o acesso fácil tanto em período de chuvas como no verão.

e)Manter sempre uma limpeza rigorosa no apiário para facilitar o trabalho e também evitar o ataque de inimigos naturais das abelhas.

f)Instalar no local, cavaletes que podem ser fixos ou móveis, onde colocaremos as colmeias. É bom deixar alguns cavaletes vazios para servir de apoio nos trabalhos de revisão e coleta do mel. Alguns apicultores constróem cavaletes maiores com suporte para caixilhos.

COMO POVOAR O APIÁRIO

Existem quatro procedimentos básicos para se povoar um apiário

Para você que está iniciando, é melhor começar capturando.

Captura:

a)Preparativos

  1. Verificar o local onde a colônia se encontra, e se está com boa saúde.
  2. Preparar os equipamentos de acordo com a sua localização.
  3. Os seguintes materiais podem ser necessários em uma captura:
  1. Vestir a roupa protetora
  2. Preparar a fumaça no Fumegador
  3. Montar o cavalete ou escada no local.
  4. Fazer a primeira aplicação de fumaça
  5. Preparar o local, ou seja cortar galhos ou destelhar o local do enxame.
  6. Fazer uma primeira análise do enxame, em seguida cortar os maiores e melhores favos de cria. Sendo que dos 5 favos, um deve ter cria aberta, pois em caso de acidente ou fuga da rainha, as abelhas possam formar nova rainha imediatamente.
  7. Amarrar estes favos com barbante ou liga no caixilho sem cera.
  8. Colocar na colmeia os quadros já amarrados no centro e os de cera alveolada nos extremos.
  9. Próximo passo encontrar a rainha e prendê-la numa gaiola especial. A saída da gaiola deve ser fechada com pasta candy. A gaiola deve ser colocada no centro entre os favos de cria. Pode-se utilizar gaiolas improvisadas ou até mesmo caixas de fósforo com pequenas brechas.
  10. Juntar o maior número de abelhas possível com pincel ou espanador e colocá-las na colmeia.
  11. Colocar a tela de ventilação sobre a colmeia e depois a tampa.
  12. Se a captura for durante o dia, aguardar até a noite para juntar a maior quantidade de abelhas possível para transportá-las para o apiário, e se capturar à noite é aconselhável que a colmeia fique no local até à noite do dia seguinte para ser transportada ao apiário.

b)Procedimento para transporte:

											Amarração dos favos nos caixilhos
  1. Equipar-se com macacão, luvas e botas.
  2. Preparar o Fumegador e dar algumas baforadas de fumaça até que todas as abelhas se recolham na colmeia.
  3. Fechar o alvado com tela de alvado ou esponja / espuma.
  4. Retirar a tampa e amarrar a tela de ventilação com trava especial ou borracha de câmara de ar.
  5. Carregue no carro aberto, se for na estrada de barro, ande em baixa velocidade, evitando solavancos.

Obs: Mantenha sempre o Fumegador aceso, durante o transporte para evitar qualquer risco de acidentes.

c)Colocação no apiário:

  1. Descarregar com cuidado a colmeia sobre o cavalete e dar algumas baforadas de fumaça sobre a tela de ventilação, desamarre ou então destrave a tela e o fundo, coloque no local da tela a tampa e por último retire a tela de alvado ou a espuma.
  2. Colocar um alimentador com xarope feito de açúcar ou mel.

Compra de abelhas

É o meio mais rápido de formarmos nosso apiário. Apesar do comércio de abelhas em Roraima ser restrito, sempre há algum apicultor disposto a vender uma ou duas colmeias para os iniciantes.

Caixa isca

Nos períodos de enxameação, podemos ampliar nosso apiários colocando colmeias ou núcleos com quadros de cera alveolada para atrair os enxames. Se a colmeia ou núcleo já foi utilizado pelas abelhas a eficiência será maior.

Multiplicação de Colmeias

Quando já temos colmeias no apiário podemos fazer a ampliação repartindo os quadros de crias e de mel entre duas colmeias.

Devemos ter o cuidado de deixar a rainha na colmeia velha que deverá ser afastada no mínimo uns dez metros do local antigo. Ela ficará com pelo menos um favo de mel e quatro favos de cria, de preferencia cria fechada.

A colmeia nova ficará no lugar da antiga e receberá os demais favos e pelo menos um com ovos e/ou larvas bem jovens para que as abelhas consigam gerar uma nova rainha. Se a época for desfavorável é bom alimentar com xarope as familias.

MANUTENÇÃO DO APIÁRIO

  1. Sempre esquipado, verifique o desenvolvimento da colmeia, no mínimo à cada 6 dias, alimente-a sempre que necessário até que preencha no mínimo 9 quadros.
  2. Se a época for de boa florada para produzir mel, coloca-se a melgueira. Melgueira é um compartimento onde é armazenado o mel.
  3. Caso não for usar a melgueira poderá ser feito uma multiplicação do enxame que consiste na retirada de quadros com cria aberta e fechada e abelhas aderentes. Pode-se no entanto também colocar outro ninho sobre este que já está completo, contendo 10 quadros com folhas de cera alveolada inteira, aumentando assim o espaço na colmeia.
  4. Verifique como está a postura da rainha. Se houverem muitas falhas é sinal de rainha velha, de má qualidade ou a família está doente.

 

Posturta ruim   Postura boa
  1. Existe uma crença herdada da apicultura subdesenvolvida, de que se colhe mel só uma vez por ano . Hoje em dia isto não tem mais sentido, pois já trabalha-se com a apicultura migratória e aqui na região norte especificamente temos um período bem longo de floradas silvestres . Portanto colhemos mel cada vez que estiver maduro nos favos e em quantidades compensadoras .
  2. Para esta atividade precisamos novamente do nosso equipamento pessoal, mais fumegador com fumaça, formão, pincel, 1 melgueira sem quadros, cavalete móvel, 1 lona limpa para forrar o carro e cobrir as melgueiras.
  3. Na casa do mel ou em casa devem estar preparados a centrífuga, garfos desoperculadores, mesa desoperculada ou uma mesa de fórmica ou inox alguns baldes ou tambores para guardar mel que pode ser de plástico atóxico ou aço inox.

Procedemos no Apiário:

  1. Vestido com equipamento pessoal, dê uma a três baforadas em cada colmeia e aguarde 2 a 3 minutos no mínimo .
  2. Com o formão descole a tampa sobre a melgueira e verifique se o mel está operculado no mínimo 80% dos favos.
  3. Tenha, já instalado ao lado da colmeia, um cavalete móvel e a melgueira sem quadros e um pincel .
  4. Solte os quadros com o formão, os que estiverem maduros transfira para a melgueira sem quadros .
  5. Após a retirada destes quadros remova a melgueira vazia ou com os favos que ainda não estão operculados por outro com quadros de cera alveolada..
  6. Forre com uma lona limpa o carro e carregue todas as melgueiras, cubra-as bem para não pegar poeira ou outro tipo de contaminação durante o transporte e manuseio
					
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