Ontem morreu Fagundes.
3-TB-4-BSS 25/5/90
Índice de poesias,
algumas fotos,
algumas homepages.
Libertas,
Estação Rodoviária,
Azuis, Anjos Barrocos.
Argemiro de Paula Garcia
Perto de mim,
nem sei quem foi.
Na verdade, mal sei como se foi.
Cincoenta e poucos anos,
deixa amigos e colegas atordoados.
Uma leve caganeira,
foi se deitar mais cedo,
aninhou-se e preferiu
continuar dormindo mais um pouco.
Nessa vida de louco,
de marujo e petroleiro,
essas coisas acontecem.
Não mereceu uma nota
na IstoÉ ou na Veja.
Peão não se dá a esses luxos.
Talvez O Debate estampe
lá pela quarta ou quinta
página da edição de quinta
uma notícia pequenina.
Operário infeliz como tantos,
morreu na tortura diária
que não merece atenção.
Morresse atirado, baleado,
no pau-de-arara, espancado,
mais gente saberia.
Bom operário, contudo,
deixou a lembrança pra poucos,
mereceu um rascunho espetado
no mural da plataforma
uma ou outra lágrima besta
que ainda hoje se forma,
a lembrança de um
ou de outro ditado,
a vaga no helic�ptero
e um companheiro deitado
na cama quente.
Comunique-se comigo!