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Álvares de Azevedo


MINHA AMANTE

Ah! volta inda uma vez! foi só contigo
Que à noite, de ventura eu desmaiava,
E só nos lábios teus eu me embebia
De volúpias divinas!

Volta,minha ventura! eu tenho sede
Desses beijos ardentes que os suspiros
Ofegando interrompem! Quantas noites
Fui ditoso contigo!

E quantas vezes te embalei tremendo
Sobre os joelhos meus! Quanto amorosa
Unindo à minha tua face pálida
De amor e febre ardias!

Oh! volta ainda uma vez! ergue-se a lua
Formosa como dantes, é bem noite,
Na minha solidão brilha de novo,
Estrela de minh'alma!

Desmaio-me de amor, descoro e tremo,
Morno suor me banha o peito langue,
Meu olhar se escurece e eu te procuro
Com os lábios sedentos!

Oh!quem pudera sempre em teus amores
Sobre teus seios perfumar seus dias,
Beijar a tua fronte, e em teus cabelos
Respirar ebrioso!

És a coroa de meus breves anos,
És a corda de amor de íntima lira,
O canto ignoto, que me enleva em sonhos
De saudadosas ternuras!

E tu és como a lua: inda és mais bela
Quando a sombra nos vales se derrama,
Astro misterioso à meia-noite
Te revela a minh'alma.

Oh!minha lira, ó viração noturna,
Flores, sombras do vale, à minha amante
Dizei-lhe que esta noite de desejo
E de ternura morro!

Álvares de Azevedo

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