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'Psic�logo Ant�nio Carlos Alves de Araujo-Adultos e terapia de casal 66980558 TATUAP� SP-SP
TATUAP�-Z.LESTE' |
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LEIA: CAR�NCIA: ASPECTOS POSITIVOS E NEGATIVOS
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M�GOA E SAUDADES(AN�LISE PSICOL�GICA)
Se pensarmos em nossas experi�ncias passadas descobriremos duas formas de se lidar com o ac�mulo de energia afetiva: uma � o inconformismo ou sentimento de revolta perante o que n�o obtemos ou ainda sobre algo que perdemos; a outra � a convic��o interna de que nosso potencial n�o foi violado, embora tenhamos passado por experi�ncias traumatizantes; e que tal potencial continua presente para ser dividido com algu�m que sentimos ser especial para nosso ser. Intelig�ncia neste mundo � a certeza da perman�ncia de algo a despeito de toda frustra��o que vivenciamos, sendo que a maturidade � a troca da ingenuidade pela certeza de que podemos recome�ar sempre, abafando nosso rancor pessoal. O que � importante descobrirmos � se as outras pessoas de nosso conv�vio realmente nos amam ou apenas precisam de n�s, pois ao tomarmos ci�ncia dessa verdade, estaremos nos conscientizando sobre o quanto de poder ou amor depositamos em algu�m.
A saudade � a prova de que o �dio ou raiva s�o apenas defesas circunstanciais ou passionais perante nossas infelicidades, pois a mesma acaba quase sempre se sobrepondo a todas as dores vividas. A saudade � a certeza m�xima de que quase sempre n�o temos controle e somos literalmente tragados pelas emo��es, embora n�o as desejemos mais. Um dos aspectos positivos desta descoberta � que n�o que n�o aceitamos a morte de nosso afeto; isto � fundamental sabermos, embora devamos escolher outra forma ou pessoa para vivenciar ditas experi�ncias. O mais importante � a sobreviv�ncia de algo genu�no que tentamos viver. A m�goa se desvanece quando aceitamos que determinada pessoa nos doou por algum tempo algo bom, mas n�o foi capaz de dar continuidade aos nossos anseios Enxergar desta forma � praticamente nossa �nica chance de n�o cairmos no cultivo ao �dio e m�goa, e tamb�m percebermos a li��o de constantes perdas que a vida nos imp�e.
Temos de entender por que tudo quase sempre acaba em conflito. Por exemplo, por que escolhemos as pessoas erradas? Gostamos de levar uma rela��o como um desafio, e a paix�o ardente ou desejo sexual muitas vezes podem ser pistas ao contr�rio do que estamos sonhando, revelando um futuro fracasso na tentativa de conquistarmos algu�m. A paix�o ou desejo muitas vezes n�o � o caminho mais seguro para a experi�ncia do amor; apenas podem provar a dimens�o de nossa car�ncia e o quanto necessitamos de algu�m para nos distrair da dolorosa sensa��o de vazio interior. A dial�tica da paix�o � sentir algo arrebatador que faz com que esque�amos nossa miserabilidade di�ria; em contrapartida, o fruto da mesma tamb�m pode ser a m�goa e �dio quando descobrimos que n�o detemos nenhum tipo de poder sobre o sentimento do outro. Nada corr�i mais nossa alma do que a n�o correspond�ncia de determinado investimento emocional, assim como a facilidade do companheiro em abandonar por completo e rapidamente o relacionamento. Constantemente nos sentimos fracos e abatidos, e a realidade � que em raras ocasi�es de nossas vidas encontramos uma �ncora para amenizarmos a turbul�ncia de nossa insatisfa��o. Quando passamos por determinada decep��o amorosa come�a uma verdadeira corrida contra o tempo, pois � como o soar de um alerta que nos diz que qualquer futura expectativa acabar� no mesmo sofrimento outrora experimentado. Este � o come�o do desenvolvimento de uma neurose ou cultivo ao medo que se nada for feito nos acompanhar�o pelo resto de nossas vidas. O sabor do prazer ou gozo sempre ser� atormentado pelo medo da repeti��o do flagelo pessoal.
Todos de certa forma sabem que uma determinada pessoa � incapaz de preencher as expectativas de uma outra na sua totalidade, sendo que a m�goa por esta �tica � a raiva ou ac�mulo de frustra��o n�o porque a pessoa necessariamente falhou, mas, por nos sentirmos "dependentes", seja de uma pessoa ou imagem.
� fundamental um tempo para que a pessoa possa trabalhar com tais lembran�as dolorosas, sendo esta uma das fun��es primordiais da psicoterapia. "Poderia dar certo; estou com saudades; me sinto subtra�do sem a sua presen�a por mais dolorosa que fosse". Estas s�o as mensagens subliminares da m�goa que constantemente vem acompanhada ou revestida de saudade. � fato que esta �ltima, apesar de tudo, � vital para a vida de um ser humano, pois nos aponta um caminho ou determinada hist�ria de experi�ncia gratificante. A saudade revela sua companheira, a ang�stia, que nada mais � do que um sentimento pleno de impot�ncia pessoal para recome�ar algo. A ang�stia � exatamente o terr�vel choque inicial que nos diz que n�o temos nenhuma chance ou sa�da. � a experi�ncia subjetiva que mais se aproxima da morte. A pr�pria paran�ia caminha em paralelo, pois constantemente nos guia para a sensa��o de cat�strofe, roubando por completo nosso tempo pessoal.
Analisando com paci�ncia os dados acima, concluiremos que de certa forma a saudade � uma rebeli�o contra a certeza da perda ou morte, transferindo todo seu peso para a esfera emocional.
Sempre necessitaremos de uma esperan�a de continuidade. Sabemos que nosso tempo � curto, diferentemente de outras esp�cies que visam completarem uma tarefa para a perpetua��o instintiva da vida. Nosso dilema � muito maior, passando pela quest�o crucial do que vamos realmente deixar? H� muito tempo a psicologia j� deveria ter introduzido a no��o de que determinado bloqueio ou trauma, nada mais � do que o medo da morte deslocado para um evento afetivo. O que caracteriza o inconsciente atual � o temor de que a entrega plena para algo ou algu�m nos trar� a morte com maior rapidez. O sentido da economia seja no plano material ou pessoal � a tentativa de dosar todas as experi�ncias, com a promessa de se ganhar mais tempo. O �xtase � substitu�do por uma rotina neur�tica, que pelo menos traz a recompensa da posterga��o do final. A saudade como vemos se insere neste contexto amplo, e nada mais � do que um subterf�gio para n�o encararmos a m�xima experi�ncia de perda. Seja pela est�tica, seguran�a econ�mica ou religiosidade, o ser humano nunca revelou de forma t�o clara e primitiva seu terr�vel pavor da morte, e nossa cultura � apenas um recheio m�rbido e tedioso dessa verdade. Ao inv�s da busca rom�ntica do ser amado como ocorria nos tempos antigos, parece que os esfor�os atuais caminham no sentido de quem sobreviver� perante toda a mis�ria em todos os n�veis.
Fala-se muito na import�ncia do desapego para minorar o sofrimento da mente. Acontece que o mesmo adv�m n�o de uma forma exc�ntrica de isolamento ou medita��o, mas, quando conseguimos lidar com a bagagem do sofrimento e tamb�m ajudar para que outros trilhem uma estrada com menos ang�stia e tormento pessoal, apesar dos constantes erros no decorrer de tal tarefa. O desapego s� tem um sin�nimo chamado: "divis�o". A m�goa tamb�m ocorre quando n�o h� um apontamento ou reconhecimento de um esfor�o consciente ou inconsciente em benef�cio do outro; esta � uma das melhores pistas acerca de quem realmente nutre uma afei��o especial por nossa pessoa. Percebam que em nossos tempos n�o � dif�cil o teste sobre quem realmente se encontra dispon�vel; o grande problema passa a ser a imensa carga de car�ncia ou fantasia que depositamos na outra pessoa, cegando por completo nossa percep��o. A perda da ingenuidade se d� exatamente neste ponto, quando sentimos que nossas fantasias n�o t�m mais o poder de entorpecer nossa mente, sendo que n�o gostamos de tal sensa��o ou perda de uma ilus�o. Com toda a certeza a saudade jamais ter� o poder de recuperar a pot�ncia das fantasias pret�ritas. Mas o leitor ir� indagar como evitar todo o exposto acima, j� que parece que um dos maiores v�cios do ser humano � exatamente o brincar ou manipular sentimentos alheios. Parece que a �nica coisa que nos resta da decep��o � a an�lise do car�ter de algu�m.
Entretanto, gostaria de ressaltar que a energia para qualquer recome�o � oriunda do mais profundo po�o de pensamentos e frustra��es que herdamos dos relacionamentos. A sa�da � n�o ter medo na mais profunda acep��o da palavra, acerca dos piores pensamentos ou sensa��es que possam invadir nossas mentes. Qualquer combate contra a depress�o ou negatividade passa necessariamente pela aceita��o de que ambas j� fazem parte de nosso cotidiano.
Ponderar sobre se o medo � muito mais potente do que a pr�pria viv�ncia negativa � condi��o fundamental para garantirmos nossa estabilidade mental e emocional. Descobriremos em seguida, que a saudade, m�goa ou �dio se entrela�am em v�rios pontos ou circunst�ncias com nossos mais profundos sentimentos de inseguran�a. A imagem positiva ou prazerosa da saudade, muitas vezes pode ser uma alucina��o ou miragem que camufla o p�nico pessoal, nos desviando da tarefa sempre vital do recome�o. O pr�prio amor que achamos que sentimos por determinada pessoa pode esconder dito pavor do rein�cio ou da perda, provando que nosso sentimento � somente apego. O desafio di�rio � manter uma rela��o ao menos saud�vel e amig�vel com nossos pensamentos, o que convenhamos, cada vez est� mais dif�cil. Quase n�o conseguimos mais nos conscientizar da dial�tica de todos os processos da exist�ncia, e a cada dia nos tornamos mais compulsivos e apegados � quest�o da seguran�a em todas as esferas. A saudade e m�goa s�o a mais pura prova viva de que apesar de toda racionaliza��o ou terapia que tenhamos efetuado, o conte�do doloroso teima em permanecer vivo e atuante em nosso ser. Insisto novamente no entrela�amento de diferentes emo��es; quando mentalmente desejamos reviver experi�ncias gratificantes passadas, se abre o portal para as mais dr�sticas viv�ncias de ang�stia e depress�o.
A hist�ria da psican�lise de FREUD corrobora o �mpeto pela nostalgia de experi�ncias passadas. O mesmo disse que o amor nada mais era do que a sublima��o ou desvio do instinto sexual para um projeto de conviv�ncia. O ponto ausente nesta tese � que o amor n�o � somente o desespero para se reativar um cuidado ou aten��o que obtemos no passado, mas, uma completa fuga da certeza de que a partir de determinado momento do desenvolvimento de nossa vida, talvez tenhamos de conviver mental ou fisicamente com a experi�ncia da dor sem nenhum amparo ou prote��o. A pr�pria doen�a mental � uma fic��o do retorno a um per�odo de aus�ncia de responsabilidade ou conflito, sendo o aborto de qualquer tipo de desafio. A saudade em determinada via se junta a inveja como sentimento doloroso. Isto ocorre por determinada pessoa sentir que a outra lhe roubou uma parte "preciosa" de seu �ntimo; e nada � mais torturante do que o pensamento obsessivo sobre a pessoa que nos deixou ter crescido ap�s a separa��o, justamente atrav�s de algo �nico que a deixamos levar; pois caso a mesma permanecesse fragilizada, haveria sempre a esperan�a do retorno. O sofrimento da saudade sempre � amplificado por se saber que a partir de determinado momento n�o haver� a fuga para preocupa��es corriqueiras, sendo que quase nenhum ser humano foi treinado para vivenciar a experi�ncia profunda do conflito, pois todos partem para escapismos das mais variadas formas.
A s�ntese � que o amor tamb�m possui uma via de fuga perante experi�ncias de medo e frustra��o, e n�o devemos deixar que o mesmo cres�a nesta perspectiva.
Voltando a quest�o da interliga��o das emo��es, descobriremos que a saudade tamb�m traz a tona o desejo de vingan�a. Esta � a mais pura confiss�o da insatisfa��o e derrota pessoal, sendo uma defesa mental contra a admiss�o do sentimento de inferioridade. O grande problema atual dos relacionamentos, � que parece que muitas pessoas querem viver tudo quando justamente a rela��o j� se extinguiu. O fato � que quando se descobre amar algu�m ap�s a perda, isto jamais ser� um sentimento genu�no, mas, a mais pura prova de apego e posse. � muito dif�cil o lidar com tal situa��o, pois a ang�stia resultante tamb�m est� enraizada na inveja e ci�mes. Este alerta tardio corrobora a inutilidade do orgulho pessoal, sendo que resta a reflex�o sobre o quanto valia a pena determinada conviv�ncia. Infelizmente como disse acima, todos t�m uma tend�ncia a se concentrar em quest�es menores. At� uma poss�vel infidelidade muitas vezes � equivalente a determinados segredos do passado que n�o ousamos revelar, embora no final sejam de uma banaliza��o que nos surpreende. O fundamental � se conscientizar sobre qual o sentimento que restou, positivo ou negativo, e como podemos tentar reutiliza-lo numa nova parceria. Enxergar plenamente o lado positivo da derrocada � perceber que a pr�pria criatividade sempre emana do conflito. A saudade deveria ser ent�o o combust�vel para uma nova busca como citei anteriormente. Claro � o fato de que jamais poderemos ter uma maturidade suficiente para evitar novos erros. Agu�ar nossa intelig�ncia � compreender que os medos t�m se sobreposto perante qualquer tipo de emo��o ou sentimento. A medicina no �ltimo s�culo expandiu o desafio do aumento da expectativa de vida, gra�as aos avan�os cient�ficos da �rea. Do ponto de vista psicol�gico, qual seria a meta na atualidade? Descoberta de mais rem�dios contra a depress�o, sofrimento ou t�dio? Penso que a resposta mais segura � o investimento no auto conhecimento.
Quem a todo custo clama por ser amado corre um grande risco. A mente receptiva para os anseios de algu�m, muitas vezes desenvolve uma repulsa perante a excessiva demanda ou car�ncia do outro. Quase todos fazem uma leitura que o excesso em determinada esfera afetiva se torna uma esp�cie de escravid�o, sendo que ningu�m quer ocupar o posto de inferioridade. Infelizmente isto ocorre com freq��ncia, e a sa�da tem se tornado a insensibilidade e fuga de um aprofundamento amoroso. Este � o retrato mais atualizado dos relacionamentos. O p�nico coletivo � descobrir um dia que fomos objetos do dep�sito das piores partes de um ser humano, que jamais desejou uma troca verdadeira. Resumindo, n�o haveria nenhum mal na saudade, se a mesma n�o se associasse �s piores emo��es do ser humano, como p.ex: �dio, rancor e inveja. A compreens�o plena e tranq�ila de que determinadas lembran�as jamais se extinguir�o, como se fossem instintos como a fome ou sede, certamente nos colocaria num patamar de evolu��o. � total utopia o controle da mente. O m�ximo que podemos conseguir � o esvaziamento do dep�sito da frustra��o e animosidade que carregamos diariamente. Este � um treino que pode durar uma vida. O velho ditado popular de que a cura para uma frustra��o amorosa � a iniciar uma nova, n�o deixa por um lado de ser uma bobagem, pois o risco da compara��o � um golpe fulminante para qualquer recome�o. A �nica sa�da � tentar se preparar e pensar sobre a dicotomia em qualquer aspecto da exist�ncia. O t�dio ou a indol�ncia que se sente num novo relacionamento � a prova do exposto acima.
A grande contradi��o deste texto � que ap�s todas estas disserta��es, o leitor sentir� que suas lembran�as nunca foram t�o ativadas. Seja amor, apego, ci�mes, inveja ou �dio, temos de admitir que determinado conte�do afetivo jamais se esvaece; sendo que nosso sonho � o controle ou desligamento perante algo em que n�o fomos prontamente atendidos. Nosso lado infantilizado da exig�ncia da satisfa��o de necessidades individuais atrav�s de outra pessoa, jamais deixar� de ser o espectro de nossa alma. Nosso dilema existencial passa pela tentativa do esquecimento de frustra��es, que nada mais s�o do que o �dio internalizado por sentirmos que n�o podemos ocupar um lugar de poder no universo alheio. A experi�ncia do abandono sempre ser� uma das maiores torturas psicol�gicas que determinado ser humano tenta n�o vivenciar, sendo que a saudade � o mecanismo de defesa autom�tico para compensar tal drama.
Bibliografia:
ADLER, ALFRED. O car�ter neur�tico. MADRID: Editora PAID�S, 1932.
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