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'Psic�logo Ant�nio Carlos Alves de Araujo-Adultos e terapia de casal-
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CAR�NCIA(AN�LISE PSICOL�GICA)
A car�ncia � a convic��o interna do percebimento de que ningu�m � capaz de preencher nossa fenda afetiva. H� muito tempo � mesma deixou de ser sin�nimo de solid�o, pois � sentida em todas as esferas do relacionamento: casamento, namoro e fam�lia. A car�ncia � o teste supremo de que nunca teremos controle sobre nossas reais necessidades pessoais, estando � merc� dos valores impostos pelo social: beleza, sedu��o e seguran�a como exemplos. A pessoa carente exacerba sua percep��o social de que realmente quase nenhuma pessoa se importa com os sentimentos do outro, sendo que tal id�ia se transforma em um conflito torturante, pelo fato da desconfian�a de que isto esteja acontecendo no cotidiano do indiv�duo.
Perdemos totalmente o poder pessoal face �s press�es externas e internas que atingem nossos valores mais �ntimos, nos tornando dependentes de qualquer tipo de relacionamento, seja positivo ou negativo. A depend�ncia � sin�nima absoluta da car�ncia. Esta sempre ser� um reflexo interno e ps�quico do estar preso na opini�o alheia, e como outras pessoas devastam a auto estima da pessoa quando proferem determinadas cr�ticas. A car�ncia real � aquilo que sabemos que nos falta; ao contr�rio de tentar mostrar desesperadamente para o mundo que necessitamos de sua aprova��o; n�o est� associada � m�goa, mas, se assemelha muito mais a tristeza, que � uma emo��o mais do que confi�vel perante um determinado esfor�o pessoal que n�o produziu o resultado almejado at� o presente momento de nossas vidas. Esperan�a � a tristeza transformada em cren�a pessoal sobre o potencial de determinado indiv�duo.
Ser� realmente que desejamos lidar com a car�ncia ou apenas derramar toda a miserabilidade afetiva? A quest�o do choro se insere em tal contexto; pois h� muito venho observando na experi�ncia cl�nica que o mesmo muitas vezes possui um car�ter autorit�rio, fazendo com que o parceiro esteja � disposi��o total da pessoa para aplacar seu sofrimento; ou ainda reflete o referencial de que a pessoa n�o deseja abrir m�o da posse que acha que lhe foi conferida e jamais pode ser confiscada. O carente ou deprimido n�o se importam com a vergonha social de demonstrar seu sofrimento; sendo que tal fato n�o constitui algo positivo ou negativo; mas o que vale � unicamente reviver a todo custo um passado no qual n�o se conforma de ter sido exclu�do. � impressionante que ap�s mais de cem anos da psicologia, pouco ainda se fala dos recursos dissimulados para a obten��o de poder e aten��o. A auto flagela��o e auto comisera��o s�o os mais atuais na manuten��o de dito estado neur�tico. A car�ncia como disse, sempre � um sentimento verdadeiro de um estado de desamparo, sendo que o problema reside na obsess�o ou exacerba��o do mesmo, ou quando a pessoa acha que tal condi��o � infind�vel.
O carente muitas vezes adota sua postura como se fosse uma esp�cie de "profiss�o", eliminando sua possibilidade pessoal de desvincula��o das antigas imagens neur�ticas. Sua depend�ncia reside no retorno da infantiliza��o emocional, mesmo que tais viv�ncias tragam imensa dor psicol�gica. Mas como � poss�vel a continuidade de tal sofrimento, seria um tra�o masoquista de personalidade? Creio que n�o, o que acontece nesses casos � que algu�m que foi atacado em sua auto imagem ou amor pr�prio desenvolve um dispositivo mental de servid�o perante a figura agressora, com a finalidade inconsciente de estar ao seu lado at� que a repara��o seja efetuada. � um clamor h�brido de vingan�a e justi�a que transcende o tempo, se fixando no acontecimento passado em detrimento de formas atuais de compensa��o para sua car�ncia. O carente guarda uma mem�ria emocional extremamente elevada, pois sente que sua rebeli�o n�o se deu no ponto devido, guardando para si uma tarefa que parece intermin�vel: a cura de sua ferida perante uma pessoa que deteve e ainda det�m poder sobre seus afetos. A car�ncia abre brechas para v�rios processos neur�ticos que a pessoa acaba por desenvolver. Assim como espera a repara��o sublinhada acima, adota uma s�rie de comportamentos fragilizados (choro, ang�stia e medo p.ex,) no sentido do meio ao seu redor perceber sua exist�ncia, mesmo que a pessoa seja vista negativamente ou que isto traga imensa dor ao ego. O carente teve um treino onde seu narcisismo pessoal foi totalmente invertido, se tornando uma auto cr�tica incessante.
A car�ncia coloca a quest�o primordial se realmente algu�m luta por um sonho concreto, ou apenas deseja vivenciar uma dor perante o que sente que lhe retiraram. O desafio � se gosta do presente, ou est� totalmente preso numa caixa de lembran�as negativas. Passado e futuro se transformam no palco de uma dor ps�quica que a pessoa j� n�o consegue conter.
Todo sentimento ou prazer cobram seu pre�o ou manuten��o; sendo que os aspectos econ�micos e sociais se transferem para a afetividade. O capitalismo tamb�m impera nas emo��es, e poucos se deram conta de tal fato, preferindo acreditar ingenuamente num romantismo que nunca existiu. A libera��o de determinada puls�o (energia contida que requer a descarga) de prazer ir� cobrar o pre�o da depend�ncia, j� que o ser humano desde a idade m�dia permeia suas rela��es na base da troca monet�ria. O interesse h� muito habita nosso mais profundo �ntimo, e s� algu�m totalmente alienado passa desapercebido perante tal fato. � l�gico concluirmos que a car�ncia ir� se desenvolver numa determinada pessoa que n�o aceita a perda do controle e poder perante determinada situa��o. O que devemos refletir � como anda nosso potencial de troca, e percebermos que h� uma jun��o entre car�ncia e apego, sendo que este �ltimo tem a finalidade de se deter apenas no d�ficit atual da afetividade. Mas quase ningu�m reflete sobre as conseq��ncias de determinada perda; o que realmente acontece? Ser� a no��o de que jamais conseguiremos determinado prazer que experimentamos? O soterramento absoluto de nossa fr�gil auto imagem? O inconformismo perante nosso desejo de posse que se esvaeceu por completo perante a realidade? Desejo n�o admitido de mais uma "chance", mesmo se sabendo que determinada rela��o � absolutamente aflitiva? Qualquer perda possui o padr�o mental de uma compuls�o ou v�cio, sendo que faz parte da natureza humana lutar para a continuidade de algo conhecido, mesmo que isto custe sua pr�pria vida ou insatisfa��o cr�nica.
O sistema econ�mico cria a no��o da car�ncia ou insufici�ncia eterna, jogando as pessoas numa espiral doentia de consumo. Tudo nos diz que nossa emo��o profunda � um quadro perp�tuo oco pendurado na parede de nossa consci�ncia que est� sempre em conflito. Um lado positivo da car�ncia que quase todos infelizmente n�o conseguem enxergar � a capacidade ou desejo da recupera��o do padr�o ou equil�brio emocional. O problema � a concentra��o apenas na descarga, como foi observado anteriormente. A recupera��o ou aprender a obter poder e compensa��o por determinada inferioridade incluindo a perda � uma das ess�ncias da vida. A car�ncia s� ir� se impor por completa quando o medo da morte que � seu aspecto mais profundo dominar os mais rec�nditos cantos do inconsciente do indiv�duo. A sa�da � o percebimento de que todo sofrimento possui uma utilidade pr�tica na vida do indiv�duo.
A car�ncia � a recusa interna de que talvez estejamos s�s e abandonados; ou ainda a descoberta de que o amor de outra pessoa ainda n�o nos brindou. A quest�o � que a mente coloca tal coisa como algo que ir� perdurar at� o fim da vida da pessoa. Desde as descobertas de FREUD, o ser humano teve que perder sua racionalidade e assumir que jamais ter� o controle sobre seus aspectos inconscientes. Mesmo com todas as novas descobertas na ci�ncia, n�o temos ainda nenhuma chance de poder sobre o nosso destino. O m�ximo que conseguimos � observar como o inconsciente se agrega a determinados eventos ou acontecimentos, para dar continuidade a experi�ncia traum�tica como dizia FREUD. Repetir determinados relacionamentos ou situa��es � tarefa b�sica do inconsciente. O problema � que neste ponto a psican�lise caiu num dilema; pois achava que se concentrar no passado do indiv�duo seria a chave para remover o n�cleo neur�tico.
ALFRED ADLER, primeiro disc�pulo de FREUD e tamb�m o primeiro a desafiar suas teses, pensava o contr�rio; que o inconsciente seria a chave para o mapeamento das experi�ncias futuras; como exemplo, acreditava que a escolha profissional se dava l� pelos cinco anos de idade, devido ao peso emocional vivido pela crian�a por situa��es que n�o entendeu e mais tarde desejaria atuar novamente. Seu trabalho se fixava na atualidade do indiv�duo, tentando coibir as neuroses de atrapalharem o esp�rito coletivo e de solidariedade humana, fazendo com que o paciente abri-se m�o de sua "vingan�a" perante sua hist�ria de vida; isto seria se concentrar no presente e futuro. Perceber que emo��o historicamente se agrega no inconsciente da pessoa seria a tarefa do terapeuta. Se for a submiss�o, certamente a tend�ncia ser� a repeti��o. Caso seja a raiva ou �dio, a pessoa tentar� viver o oposto. Como exemplo cl�nico, cito pessoas que eram totalmente apegadas em seus relacionamentos, que ap�s a separa��o e devido ao inconformismo fazem quest�o que nos seus pr�ximos contatos afetivos seja o parceiro que esteja na postura da depend�ncia. � da natureza humana lutar pelo poder em todas as situa��es, principalmente nas que refletem o medo ou raiva como expoentes m�ximos.
Para elucidarmos o inconsciente como a chave de nosso destino pessoal, faz-se mister o mapeamento mais do que detalhado das emo��es e sentimentos di�rios vividos pela pessoa, pois desta forma teremos pelo menos uma pista de como ser� sua vida no confronto com os desafios da atualidade. O ponto fundamental � n�o apenas se debater na falta, mas, descobrir verdadeiramente o n�cleo de nossos sonhos e anseios, e averiguar com total franqueza se os mesmos s�o pass�veis de serem efetuados, e se tamb�m a mentira n�o est� presente em algo que pensamos que desejamos.
Nossa meta atual que ruminamos diariamente � o fato de ganharmos dinheiro. Sem sombra de d�vida necessitamos do mesmo para atender nossas necessidades vitais. O complicador � quando as necessidades de consumo se agregam �s quest�es afetivas, no sentido de compensar uma falta ou car�ncia. Nenhum carro, casa ou produto pode ter tal fun��o, j� que o inconsciente n�o aceita permutas para suas solicita��es. Deter-se no consumismo � apenas uma fuga narcisista para ser invejado ou obter poder sobre algu�m, em face da infelicidade pessoal generalizada. E como � extremamente dilacerante percebermos o quanto somos e estamos infelizes. O dinheiro apenas abafa nossa total car�ncia que n�o conseguimos resolver. A amplitude do desejo de reten��o monet�ria reflete tamb�m um seguro cultivado diariamente contra algo extremamente valioso emocionalmente que a pessoa deixou escapar. O "rico" � aquele que sabe ou j� passou pela horrenda experi�ncia da priva��o, sendo que o ac�mulo � a defesa mais racional para evitar a repeti��o de t�o amarga viv�ncia. Afetivamente em nossa era o processo � similar, pois a troca de amor para a maioria pode implicar em m�goa ou perda, assim sendo, todos acabam se tornando avarentos por precau��o.
O consumismo � apenas um disfarce, para n�o se assumir que lidamos da mesma forma com as pessoas como o fazemos com o dinheiro. Ora subtra�mos todo o afeto ou respeito para com o outro por puro ego�smo; ou ent�o exageramos na doa��o ou ci�mes quando estamos prestes a perder determinado conv�vio. O fato � que somos p�ssimos investidores quando temos algu�m ao nosso lado; e a solid�o � a agonia por n�o poder se investir a dois, se sabendo possuidor de algo desprovido de sentido na posse individual.
Car�ncia � a revela��o daquilo que a pessoa realmente �, trazendo � tona tanto o lado que reclama ternura que o parceiro ou algu�m podem completar, quanto a malignidade inerente ao ser humano, quando acuado por uma situa��o de falta ou preso � determinada condi��o que o outro desconhece. A car�ncia visa a elimina��o de qualquer tipo de segredo e manuten��o do orgulho, para que ocorra algo s�rio, que quase nunca observamos no cotidiano. Como lidamos com nossos parceiros � a chave de tal quest�o; (posse, inveja, superioridade, dentre outros.) Insistindo ainda no debate social, o consumo cria paralelamente o temor � d�vida; assim sendo, � prefer�vel a car�ncia do que pagar um tributo pessoal perante determinada pessoa que possa nos reconfortar. N�o seria essa uma das causas atuais da fal�ncia dos relacionamentos? Alguma pessoa pode se lembrar no decorrer de sua hist�ria pessoal, de algum tipo de aviso ou treinamento que obteve para conseguir compartilhar determinada emo��o ou afetividade? Afora o discurso b�sico de uma m�e ou pai sobre a necessidade de dividir com um irm�o determinado brinquedo ou tarefa, ser� que podemos nos lembrar da �ltima vez que fomos alertados de que determinada situa��o ou desejo pessoal poderia nos conduzir ao isolamento?
O verdadeiro aspecto do amor ou troca � a cont�nua experi�ncia do di�logo perante o prazer e insatisfa��o. Temos de aprender que uma imagem t�nue de algo prazeroso jamais pode ser um referencial eterno perante o que buscamos. A mem�ria traz os fatos, e cabe os classificarmos perante o grau de import�ncia em determinada etapa de nossas vidas. A sedu��o � mais ou menos o colocado; imprimir o selo de uma lembran�a eterna, que muitas vezes n�o tem nada a ver com as reais necessidades da pessoa; o mesmo caso que o sistema econ�mico nos coloca diariamente. A sedu��o como � posta pela sociedade � a oportunidade de se mostrar todo o poder pessoal perante algu�m carenciado. A disputa e inveja se tornam ent�o a base da nova procura pessoal. Sedu��o deveria ser a responsabilidade sensual a algu�m que merece nosso mais profundo afeto.
A car�ncia tamb�m � um atraso na conscientiza��o do que realmente nosso �ntimo est� buscando; sendo que tal hiato � quase que completamente preenchido pelo medo. Quando o mesmo invade a personalidade, qualquer outro processo se torna secund�rio ou seu escravo. O medo utiliza v�rios processos emocionais para sua subsist�ncia. A car�ncia talvez seja sua base mais segura, na cren�a neur�tica de que a infelicidade ir� perdurar. Car�ncia no resumo de tudo que foi colocado � o temor constante de perder novamente. De certa forma, todos j� foram traumatizados no decorrer de sua hist�ria de vida. Mas por que n�o conseguimos obter experi�ncia positiva perante passagens dolorosas? Por que a fragilidade ousa imperar absoluta, quando necessitamos de auto estima, parcim�nia e tranq�ilidade? O v�rus destruidor de todo o equil�brio emocional que dever�amos cultivar � a descoberta dolorosa de que determinada pessoa nos escolheu para doar ou viver o pior de si pr�pria. N�o consigo visualizar um registro de uma situa��o de "trai��o" mais horrenda do que a colocada.
Em outros trabalhos sempre pontuei que um relacionamento come�a n�o apenas com elementos de prazer ou atra��o sexual; sendo que � investido de necessidades inconscientes ou est�mulos negativos que a pessoa n�o conseguiu lidar at� o presente momento. Uma rela��o � uma esp�cie de "contrato" sigiloso entre ambas as partes acerca de conte�dos reprimidos da personalidade que anseiam vir � tona. O parceiro se torna o alvo necess�rio para a consecu��o de uma tarefa mental que h� muito habita o �ntimo de seu par. Infelizmente na maioria das vezes, tais conte�dos s�o de natureza oposta aos anseios e expectativas da outra pessoa, come�ando todo o drama conjugal. Passa desapercebido que quase ningu�m deseja a responsabilidade ou carga perante o dep�sito afetivo do outro. O pavor mais do que justificado da solid�o mascara a necessidade imperiosa de afastar algu�m que adquiriu como meta b�sica contrariar nossos desejos. N�o almejo concluir com desesperan�a no �mbito afetivo, apenas apontar as diversas armadilhas criadas numa jun��o de car�ncias pessoais versus necessidades artificiais induzidas pelo consumismo e opini�o alheia. Claro � o fato de que a solid�o � o fardo mais assombroso de nossa era, por�m, a busca verdadeira por uma qualidade da rela��o tamb�m deveria ser meta b�sica. O problema � que quase n�o h� mais como��o e entusiasmo perante o talento e capacidade de algu�m para se dedicar plenamente a uma pessoa. A inveja h� muito tempo atua contra o potencial da continuidade e bem estar das rela��es.
O desafio constante passa por conseguir realmente conhecer o outro; perceber n�o apenas seu hist�rico, mas, como lida nas diferentes �reas da vida; em que momentos ou situa��es � algu�m simples, ou em quais � terrivelmente avarento e ambicioso. O carente se cega perante a verdadeira natureza de outra pessoa, devido a sua prec�ria condi��o emocional; n�o consegue investir na sua pessoa e tamb�m em situa��es que poderiam lhe trazer amplo crescimento pessoal. Sua postura se assemelha a algu�m em situa��o de priva��o social e econ�mica, nutrindo o conceito de que determinado bem � quase que inating�vel para si pr�prio.
A car�ncia n�o deixa de ser uma das �nicas oportunidades de nos revelarmos sem m�scaras; devemos apenas tomar o cuidado de repetidamente mostrarmos nossa ess�ncia, j� que a sociedade far� uma leitura de "fraqueza", e conseq�entemente iremos nutrir um terr�vel complexo de inferioridade. N�o se trata aqui de apregoar algum tipo de falsidade, sendo que o intuito � a mera preserva��o da estima do sujeito. O grande problema � que fica a impress�o de jamais termos a certeza se realmente somos "bons" ou capazes em determinada �rea de nossas vidas. Dada esta d�vida, todos saem correndo atr�s de fama, dinheiro ou poder, a fim de abafarem o desastre do fracasso pessoal, que � conseq��ncia na maioria das vezes do medo da opini�o alheia e das expectativas que achamos que os outros t�m a nosso respeito. A educa��o do valor pr�prio � pervertida diariamente por um narcisismo ego�sta e individualista, dado que os pais cobram incessantemente dos seus filhos sucesso e destaque, assim como a sociedade o faz. Nesta corrida mais do que neur�tica, o que se esquece � o acompanhamento genu�no das reais necessidades e possibilidades da crian�a. Temos de admitir que at� nos mais puros instintos de cuidado e prote��o, o lado econ�mico perverteu a nossa capacidade de sermos pais.
Qualquer ser humano j� vivenciou o medo do desamparo ou a tem�vel sensa��o da perda da prote��o perante a morte ou aus�ncia de seus genitores. Se vamos conseguir sobreviver a uma sociedade mais do que hostil e competitiva, ou se ainda, nos dar�o alguma posi��o para podermos sobreviver, fazem parte dos nossos mais profundos temores e pesadelos. A quest�o � que o carente vivencia tais medos na parte emocional, e o que � pior, quase que diariamente. N�o � apenas uma quest�o de inseguran�a cr�nica; sendo que se abre uma esp�cie de portal para outros sentimentos paralelos que ir�o povoar indefinidamente o inconsciente da pessoa: ci�mes, inveja, medo e principalmente a ansiedade. A fun��o da psicoterapia n�o deve ser a de aplacar a ang�stia, ou colocar o paciente em determinado conformismo. A solu��o s� pode ser o que ADLER chamava de um "primeiro combate entre duas pessoas", para que � parte mais fragilizada aprenda a recuperar sua pot�ncia, seja no ganho ou na perda, sendo que a fun��o do psic�logo � espelhar um lado profundamente humano, dizendo que todo esse processo � valioso, e que o mesmo tamb�m sente prazer na recupera��o do outro, j� que o indiv�duo despotencializado jamais acreditar� que poder ser algu�m interessante. ADLER usava uma frase simples, mas penso que ainda de muita utilidade: "o teste supremo para ser terapeuta � a capacidade de animar a pessoa que busca ajuda".
BIBLIOGRAFIA:
ADLER,ALFRED. O CAR�TER NEUR�TICO. MADRID: PAID�S, 1932.
FREUD,SIGMUND. O FUTURO � UMA ILUS�O. OBRAS COMPLETAS.
COLABORADORES:
IRINEU FRANCISCO
BARRETO J�NIOR(SOCI�LOGO) SIMONE JORGE (SOCI�LOGA)
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Antonio Carlos Alves de Araujo - Psic�logo -
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