'Psic�logo Ant�nio Carlos Alves de Araujo-Adultos e terapia de casal- 66980558- TATUAP�-Z.LESTE'SP-SP

CI�MES,ANSIEDADE,INVEJA,CULPA E TIMIDEZ(TUDO O QUE UMA RELA��O PODE TRAZER DE DESTRUTIVO)



Discutir t�o s�ria problem�tica, como a quest�o da crise dos relacionamentos na atualidade, nos remete a dois fatores centrais: fazer um profundo balan�o e reflex�o acerca de toda a nossa hist�ria afetiva, incluindo todas as ocasi�es em que estivemos apaixonados, assim como o resultado de todas essas experi�ncias; refletir se no decorrer da viv�ncia afetiva sentiu que o medo do amor era algo que emanava de si pr�prio, do meio circundante, ou a jun��o de ambos. � preciso tamb�m que cada pessoa assuma a responsabilidade por seu determinado hist�rico emocional, deixando de lado a tenta��o de imputar aos outros seu fracasso pessoal.

A experi�ncia cl�nica comprova que quando a pessoa fracassa em determinado projeto afetivo, seja um namoro ou casamento, estes jamais foram prioridades absolutas do mais profundo �ntimo da mesma, sendo apenas representa��es ou pap�is que se sentiu for�ada a atuar de acordo com a press�o social. Este conceito pode parecer um tanto leviano se levarmos em conta todo o sofrimento, depress�o, ci�mes e outras paix�es intensas despertadas quando h� um derrocada emocional. Todavia, temos de entender que a intensidade do sofrimento em determinada situa��o afetiva, n�o significa que a prioridade de nossa alma seja o amor, mas t�o somente o reviver de uma situa��o antiga de car�ncia e desamparo, amplificado pelo moderno medo coletivo da exclus�o social em todos os n�veis.

Em v�rios outros estudos apontei que o problema da quest�o amorosa � o fato de v�rios outros sentimentos se agregarem na mesma, distorcendo por completo a sua ess�ncia. Assim sendo, n�o ficar� dif�cil o percebimento de que sentimentos como: orgulho, inveja e ci�mes quase sempre t�m se sobreposto ao amor nos relacionamentos em geral. Na psicologia � comum a afirma��o de que a pessoa capacitada para o amor � aquela que venceu todos os traumas e barreiras de seu desenvolvimento familiar, se libertando da m�goa de n�o ter tido mais aten��o ou amparo perante seus progenitores. Embora tal fato seja indiscut�vel, o grande problema nesse processo se d� quando determinado sujeito na luta pela liberta��o das figuras descritas acaba aniquilando quase por completo a representa��o masculina ou feminina da afetividade. O resultado � que o emocional da pessoa fica preso em uma total hist�ria de dor e sofrimento, atrofiando sua capacidade e coragem para um relacionamento genu�no de entrega e doa��o.

Ap�s toda a hist�ria cultural e social dos movimentos sociais, juntamente com a teimosia do ser masculino em absorver por completo a import�ncia da capacidade emocional, temos um quadro de relacionamento entre homens e mulheres que mais se parece com as trincheiras da 1� guerra mundial, n�o ocorrendo avan�os significativos de ambos os lados, apenas a manuten��o de uma atitude b�lica despropositada e constante, n�o resolvendo as necessidades pessoais dos envolvidos. Para a nossa maquiav�lica sociedade de consumo todo esse processo � comemorado, pois como todos sabem, quanto maior a insatisfa��o pessoal e ansiedade, maior ser�o o desejo desenfreado de consumo, para compensar o complexo de inferioridade resultante da car�ncia emocional.

Se algu�m � exclu�do ou se exclui da troca amorosa, necessitar� da compensa��o das quest�es materiais ou sucesso profissional para provar que pelo menos em uma �rea da sua vida obteve �xito. O sonho abaixo de um paciente esclarece brilhantemente a dicotomia moderna entre poder, afetividade e religiosidade: "Sonhei que haviam constru�do em minha homenagem um pr�dio do tipo:" empire states ", quando fui v�-lo, s� havia um poste no local; apareceu algu�m e me disse que havia um tesouro enterrado naquele local h� s�culos, sendo que o sinal para a descoberta do mesmo era uma nuvem em forma de escorpi�o; quando a pessoa estava abrindo o ba� com o tesouro, minha concentra��o se virou para uma apari��o da" Virgem Maria "; deixei de lado a preocupa��o com o tesouro e fiquei absorto pela apari��o da santa naquele local; de repente me via diante de minha m�e, discutindo minha independ�ncia pessoal".

S�o impressionantes todos os elementos contempor�neos presentes neste sonho: Poder, ambi��o, religiosidade e liberta��o das pend�ncias familiares. O s�mbolo do escorpi�o ao contr�rio do que muitos podem pensar, n�o representa perigo ou amea�a no concreto, mas todo o potencial afetivo que a pessoa n�o utiliza por temer a decep��o e futuro desamparo perante a quest�o emocional; a pr�pria quest�o da apari��o da "Virgem Maria", se eliminando os conte�dos religiosos que n�o compete � discuss�o neste estudo, representa o desejo de uma m�e ou figura feminina totalmente idealizada, que jamais causou ou causaria qualquer tipo de dor ou frustra��o. Como fica a possibilidade do amor quando algu�m desenvolveu a imagem de um ser t�o perfeito em seu �ntimo?

A quest�o da f� sempre ser� a busca de ajuda perante algo que jamais algu�m poder� controlar ou ter poder, sendo algo saud�vel quando corrobora a humildade e limita��o da pessoa perante a incompletude existencial, ou quando a pessoa se apodera da mesma para o amparo e sentimento de comunidade, como dizia o psic�logo ALFRED ADLER; por�m � totalmente inapropriada quando gera dogmas e condutas gen�ricas para todos. A verdadeira f� implica a aceita��o de v�rias estruturas comportamentais, incluindo tabus das religi�es, como por exemplo: �dio, conflitos e inveja, e como podemos aprender e evoluir com os mesmos. Os conflitos atuais nos relacionamentos s�o os espelhos da impot�ncia social que todos vivenciam, desviando para o privado toda a frustra��o do social. A luta no processo afetivo � um dos pre�os pagos pela aus�ncia do sentimento de comunidade e sociabilidade, como dizia o psic�logo contempor�neo de FREUD, ALFRED ADLER.

A busca atual pela perfei��o nas rela��es, nada mais � do que o desejo de fuga do medo terr�vel da entrega, que sempre se mascara no t�dio e cansa�o de construir um relacionamento. A quest�o central para a reflex�o n�o � se um relacionamento sempre gera dor, mas qual neurose, desculpa ou conflito que todos se utilizam para n�o amar? Outro psic�logo hist�rico da psicologia, WILHEM REICH, chamou todo o processo acima descrito de "peste emocional", sendo que o sofrimento relatado nas rela��es era um subproduto da profunda repress�o sexual imposta pela sociedade. Apesar da pretensa "revolu��o sexual", este conceito ainda se encontra extremamente atual, pois nada mais ocorreu do que uma falsa liberalidade genital que acarretou um crescente t�dio e pavor da entrega como disse acima; apenas devemos acrescentar que a "peste emocional" n�o � somente fruto da repress�o sexual, mas tamb�m da interdi��o dos mais sublimes sentimentos humanos: dedica��o, compaix�o, est�mulo, companheirismo e disponibilidade. Notem que a aus�ncia destes sempre se verifica nos dist�rbios da sexualidade, como por exemplo: impot�ncia sexual, vaginismo e ejacula��o precoce, pois os mesmos representam o desejo do distanciamento de algo profundo.

Quando cada parceiro literalmente trava a vida do outro, se desenvolveram a inveja e ci�mes no relacionamento. Neste exato ponto mais vale destruir a criatividade e potencial do companheiro, do que tolerar a submiss�o afetiva presente no ci�me e possessividade. A simples aus�ncia do di�logo j� � a prova m�xima da destrutividade do relacionamento.

Claro que cada um gosta de representar determinado papel conforme suas experi�ncias de vida. H� o "m�rtir", que se auto anula constantemente, escondendo sua fragilidade em uma pseudo dedica��o ao outro, quando na realidade seus esfor�os apenas se dirigem n�o para a solidifica��o do real amor no relacionamento, mas t�o somente para coisas secund�rias, como cuidados materiais ou tarefas dom�sticas como exemplos gerais deste tipo. O impacto do m�rtir nos relacionamentos � a desenergiza��o de ambos os parceiros, pois n�o ocorre nenhuma troca significativa da afetividade, apenas o cumprimento de pap�is r�gidos. O segundo tipo � quase que uma extens�o do primeiro, o "apaixonado", sendo que reclama constantemente que n�o h� reciprocidade do seu esfor�o sentimental por parte do outro. Se sente submisso na rela��o, e acaba por quase sempre ser trocado por outra pessoa. Obviamente n�o estou querendo dizer que as coisas inexoravelmente acabam dessa forma, sendo que h� felizmente pessoas apaixonadas que s�o correspondidas. Cabe aqui a an�lise da problem�tica dos relacionamentos. Feita esta ressalva gostaria de voltar � discuss�o dos tipos ps�quicos nos relacionamentos.

O ciumento � uma representa��o extremamente dolorosa da viv�ncia afetiva, sendo que o mesmo � ref�m quase que absoluto de sua inseguran�a. � importante ressaltar que o ci�mes � sempre uma via dupla (inseguran�a e del�rios imagin�rios da pessoa presa neste sentimento, e desejo de poder e vaidade latente do parceiro). � muito comum as pessoas inocentarem quem sofre com as cobran�as do ciumento, se esquecendo que uma rela��o t�m o car�ter de potencializa��o dos sentimentos, assim sendo, determinada pessoa presa no ci�mes recebe constantemente um refor�o inconsciente do seu parceiro para que permane�a em sua pris�o pessoal, pois todos acabam por se regozijar na exibi��o de seu poder pessoal.

O tipo "t�mido" � o mais destrutivo de todos os citados. Como disse em outro estudo, a timidez n�o � o que comumente as pessoas chamam de acanhamento ou medo do contato social. A raiz da timidez � um jogo perverso onde a pessoa n�o almeja nenhuma divis�o de seu afeto para com o outro, desejando apenas extrair suas necessidades pessoais, que nada mais s�o do que um profundo �dio internalizado arcaico, por achar que ocupou uma posi��o secund�ria na fam�lia. O t�mido lida com seus sentimentos perante o social como se fosse uma esp�cie de "caixa preta", n�o revelando nunca sua intimidade. No ser masculino o t�mido se revela como disse acima no �dio em rela��o �s suas origens familiares e posi��o que ocupava na mesma; na mulher a timidez � notada na extrema depend�ncia das figuras parentais, principalmente a materna.

N�o raro, escuto diversas queixas de homens casados que n�o conseguem constituir uma nova fam�lia com suas esposas, pois as mesmas abandonam todas as suas metas conjugais a fim de suprirem e continuarem dependentes dos pais. � a eterniza��o do cl�ssico conflito da "sogra", s� que numa vers�o ainda mais virulenta, pois esta mulher n�o se sente como tal, mas como uma "menina" assustada, que n�o consegue amar, e ir� destruir �quele que lhe cobrar tal tarefa. Sua �nica fam�lia sempre ser� a primeira, n�o aceitando sair do papel de "filha". Por �ltimo h� o tipo "salvador", que espelha todas as necessidades n�o efetuadas do parceiro, se desenvolvendo uma esp�cie de rela��o terap�utica entre ambos. No come�o tal rela��o � extremamente ben�fica para o parceiro carenciado, mas n�o demora muito o desenvolvimento do sentimento de �dio e inveja perante o potencial do outro, pois � not�rio o complexo de inferioridade perante a pessoa que det�m o poder e compet�ncia na quest�o afetiva. O m�rtir come�a a se queixar que nunca suas necessidades s�o atendidas, n�o percebendo que sua atitude tamb�m � uma fuga da entrega e amor, pois se tornar um terapeuta implica em n�o estabelecer um envolvimento pleno com a pessoa nos mais variados n�veis, al�m do que o mesmo sempre v� sempre a problem�tica do outro e oculta a sua.

N�o existe um relacionamento que n�o seja o espelho dos mecanismos sociais e econ�micos, e o verdadeiro amor � uma esp�cie de atalho que se cria quando refletimos sobre todas essas influ�ncias citadas. A psicologia social nos ensina que todas as experi�ncias sociais s�o vividas tamb�m no plano emocional, assim sendo, n�o h� uma s� pessoa que n�o sentiu a sensa��o ca�tica de miserabilidade e exclus�o no plano pessoal.

O leitor indagar� o por que da dificuldade de mudar o quadro todo acima descrito? O medo da mudan�a tem uma profunda raiz na religiosidade, pois a pessoa desenvolveu a cren�a de que apesar de todo o sofrimento, sua rela��o ainda sobrevive. O novo � sempre visto como uma perda quase que irrepar�vel. Historicamente, qualquer novo comportamento humano nunca teve o apoio dos "deuses", ao passo que a auto comisera��o possui a bagagem de mil�nios de religiosidade impregnada. � absolutamente ing�nua a pessoa que n�o percebe que em um relacionamento h� dois tipos de juramento: o primeiro se baseia no desejo sexual e prazer de estar com a pessoa, clamando por prolongar o m�ximo poss�vel tal encontro, seja atrav�s de um namoro ou casamento; o segundo juramento que poucos percebem � a necessidade de vivenciar determinado potencial destrutivo com o outro, abrindo caminho para todo o tipo de emo��es negativas ou destrutivas: inveja, depress�o, culpa, �dio, arrependimento e ci�mes. Este �ltimo � como qualquer v�cio que no come�o desperta um prazer, por�m, com o decorrer do tempo acaba por sugar e aniquilar por completo a energia da pessoa. Em suma, todo o potencial afetivo apenas acaba sendo vivenciado pela dor. N�o perceber os juramentos das duas partes da personalidade(consciente e inconsciente) � simplesmente condenar a rela��o ao t�rmino absoluto. Enfim, � fundamental observar se dentro de um relacionamento desejamos a viv�ncia da troca do prazer, ou apenas usar o mesmo como palco de todos os dramas passados n�o resolvidos.

Diante das considera��es citadas, n�o � dif�cil imaginar o medo de qualquer envolvimento. Por�m, uma das maiores tolices perpetradas pela maioria das pessoas � a fuga da dor se ausentando de uma rela��o. A escolha passa ent�o por dois p�los distintos, mas complementares em termos de infelicidade; por um lado medo nos seguintes n�veis emocionais: frustra��o perante o parceiro, temor de ser tra�do, t�dio, incompatibilidade de car�ter ou de a��es em conjunto, perda gradativa da libido e arrependimento. Caso a escolha se d� na tarefa simplista da solid�o para se evitar qualquer dor afetiva teremos: ang�stia, sensa��o de vazio interior, manifesta��es de doen�as psicossom�ticas,e ansiedade m�rbida, que pode ser definida como a certeza interna da incapacidade de se resolver determinado problema.

A ansiedade tamb�m � a concentra��o em determinado objetivo da vida, mas com a sensa��o crescente de que algo maior foi abandonado; um dever absoluto adiado, gerando eterno conflito. O dever citado faz parte do material ps�quico do passado da pessoa, que tomou quase que por completo a vontade da mesma, inserindo toda nova experi�ncia no contexto da dor pret�rita. A ansiedade � a eterna e impag�vel d�vida com o mais profundo sofrimento; o "tutor" onipresente que restringe eternamente a satisfa��o e quietude da mente. Claro que h� a ansiedade construtiva, que nos leva � uma maior dedica��o e esfor�o na consecu��o de determinado objetivo. Todo o potencial emocional de um ser humano s� � direcionado para algo saud�vel quando h� a troca, do contr�rio toda essa energia s� alimentar� a autocomisera��o e �dio interno. J� deveria ser bem �bvia nossa incapacidade pessoal de gerir as emo��es sem a cr�tica ou participa��o de algu�m. N�o � � toa que o temor da psicologia permanece mais vivo do que nunca em nossa era.

Se observarmos os transtornos alimentares e preocupa��es est�ticas de nossa sociedade teremos a chave para o dilema colocado anteriormente. Como todos estando "famintos" podem recusar a troca emocional? Vivemos em constante anorexia e bulimia emocionais, e todo culto est�tico � a prova de que a sedu��o j� n�o tem mais nenhum sentido �ntimo, fora � competi��o, vaidade ou medo de ser exclu�do como pessoa. A beleza � a ilus�o mais espetacular contra o desafio di�rio e na maioria das vezes tedioso de um relacionamento. � a droga natural que a sociedade moderna cultua para fugir a qualquer pre�o do tem�vel complexo de inferioridade. Os efeitos colaterais sempre ser�o: medo, ci�mes, sensa��o de jamais ter sido amado, mas apenas o esfor�o incessante na esfera da sedu��o. Todos no passado tinham o referencial do casamento como fonte do amor, independentemente dos dramas causados pelo mesmo; talvez a primazia hoje em dia seja a beleza, seguran�a econ�mica ou emocional.

O ponto que gostaria de enfatizar � que a sobreviv�nvia de uma rela��o s� ocorre se a tratarmos como algo a ser explorado diariamente, refletindo constantemente sobre as imagens do passado fixas na mem�ria de ambos os parceiros, que obscurecem novas condutas para a rela��o. A atra��o � apenas o come�o da explora��o de t�o delicada tarefa, que � o encontro de dois seres. Para aqueles que genuinamente buscam a transforma��o, n�o tardar� a descobrirem que a raiz do amor � a permiss�o para que o parceiro altere significativamente nosso destino, aceitando que ambos possuem a vontade e potencial para tal tarefa.

SEGUNDA PARTE: O COMPLEXO DE INFERIORIDADE(AN�LISE PSICOL�GICA SOBRE O LIDAR COM O PASSADO E OS TRAUMAS INFANTIS)

Talvez n�o exista desafio maior para qualquer ser humano do que lidar com suas experi�ncias pret�ritas e o impacto destas sobre sua sa�de f�sica e psicol�gica. O primeiro ponto para a reflex�o �: Gostar�amos de esquecer ou reviver as antigas experi�ncias? A resposta para tal pergunta nortear� a ess�ncia do car�ter da pessoa; extrovers�o e motiva��o para o novo, caso a resposta seja a primeira, ou introvers�o e confinamento no imagin�rio na segunda op��o. Claro que isto n�o � uma regra fixa, pois n�o podemos declarar uma pessoa como sendo mais retra�da ou desanimada apenas por estar presa no passado, sendo que o conceito � apenas para termos um par�metro do funcionamento mental do indiv�duo. Devemos refletir quais mecanismos conscientes ou inconscientes as pessoas se utilizam para reviver determinadas etapas inacabadas. As estrat�gias utilizadas definir�o o tipo de motiva��o pessoal frente � esfera social.

SIGMUND FREUD chamou de �compuls�o a repeti��o�, o processo de reviver interminavelmente determinada neurose, assim sendo, quando algu�m como exemplo repetia um relacionamento ou acontecimento frustrado, seria uma tentativa da libido descarregar a energia acumulada ou represada at� conseguir o �xito de sua miss�o. FREUD associou tal complexo ao instinto de morte inato no ser humano, pois o prazer absoluto ou aus�ncia da dor, apenas seriam obtidos no retorno ao inanimado, que seria a morte. Embora tal conceito at� o presente seja um tanto dif�cil de ser elaborado, n�o precisamos ir muito longe para vermos que determinadas pessoas possuem um n�cleo doentio de sempre estarem repetindo suas experi�ncias mais dolorosas. Por�m, o que FREUD deixou de mencionar � que a repeti��o na sua ess�ncia � um desafio imposto pelo ego frente ao orgulho ferido. A pessoa mesmo sabendo do risco da continuidade de determinada desgra�a, aceita novamente uma situa��o similar, como o jogador compulsivo. � o famoso complexo de inferioridade descrito pelo psic�logo contempor�neo de FREUD: ALFRED ADLER.

O sofrimento passa a ser um pre�o de baix�ssimo custo para uma alma que necessita de repara��o, seja por ter sido exclu�da do afeto, ou totalmente imbu�da do desejo de vingan�a. Estes s�o indiscutivelmente dois dos n�cleos da alma humana, embora todos gostem de esconder tais sentimentos com a capa da religiosidade. Chegamos � conclus�o de que uma das coisas mais importantes para qualquer pessoa � o clamor arraigado por uma escuta de algu�m que lhe diga seu valor e a oriente emocionalmente, do contr�rio, a depress�o tomar� sua alma. A ess�ncia de qualquer neurose n�o � a repress�o sexual, mas principalmente a aus�ncia do �tutor emocional�; algu�m com certa experi�ncia de ser amado e que nos mostre o caminho para conseguirmos semelhante experi�ncia. Fica claro que a partir do percebimento de repeti��es constantes de frustra��o, � chegado o momento da procura da ajuda. O cerne da psicoterapia � justamente desfazer esse v�nculo eterno com o v�cio de sofrer; n�o que seja poss�vel apenas vivenciar o prazer, mas o importante � a estrutura emocional para lidarmos e aprendermos com as coisas que n�o deram e n�o podem dar certo, aceitando em todas as esferas nossos limites, como toda a psicologia gosta de enfatizar.

� importante perceber que a personalidade estratificada na culpa e dor acha mais f�cil o puro sofrimento, do que a utiliza��o de sua experi�ncia como conte�do e suporte para milhares de hist�rias de trag�dia e desamparo ao seu redor. O complexo de inferioridade extremo � restringir o sofrimento para uma esfera totalmente privada, retirando do indiv�duo o conhecimento profundo sobre as emo��es negativas; d�diva incomensur�vel em nosso tempo.

Como ADLER sempre assinalou, a viv�ncia da dor � uma tentativa torpe da busca da superioridade social, sendo que a pessoa n�o apenas diviniza seu sofrimento, mas, o coloca numa esfera �nica e inating�vel no tocante � sua dissolu��o. Em termos do passado, esta personalidade ir� se perguntar se deve aceitar o conformismo que refor�a sua dor, ou algo de extrema dificuldade para seu ego: mobilizar pela primeira vez seus mecanismos conhecidos para uma �revolu��o� interna, aceitando toda a ansiedade decorrente. Se tiv�ssemos o h�bito da reflex�o e busca do autoconhecimento ir�amos relembrar como passamos por cada etapa de nossa vida, e qual marca pessoal depositamos frente �s novas experi�ncias; (Primeiro dia na escola; conversar com algu�m fora do �mbito familiar; puberdade e masturba��o; primeiro namoro; sexualidade e primeiro emprego). A t�nica destas experi�ncias foi: ansiedade; choro e depress�o; medo; alegria ou gozo pessoal?

Entender o centro de nossa personalidade � tarefa vital na busca do conhecimento interno e satisfa��o. A raiz do complexo de inferioridade descoberto por ALFRED ADLER � a constante instabilidade emocional, decorrente das prec�rias experi�ncias de socializa��o do sujeito. O prazer para ADLER, n�o era apenas uma experi�ncia de satisfa��o pessoal, mas, sobretudo, a possibilidade do sujeito usar seu potencial para modificar a hist�ria de sua comunidade. Caso a pessoa falhe nessa jornada, o prazer ser� eterno companheiro da ang�stia e t�dio, reduzindo a intensidade das experi�ncias gratificantes. ADLER inclusive cunhou uma f�rmula para o entendimento da natureza do complexo de inferioridade: Experi�ncias precoces infantis de rejei��o= desenvolvimento do complexo de inferioridade= tentativa de compensa��o atrav�s do excesso de doen�as infantis de fundo emocional ou comportamento de birra= car�ter individualista; ou crian�a mimada no sentido de ter poder for�ando a aten��o de todos para seu problema; ou simplesmente n�o participando da vida familiar (timidez)= recusa constante de dividir suas viv�ncias; principalmente no tocante �s emo��es; n�o contribuindo com o progresso emocional entre os membros de seu grupo. ADLER via o modelo mental como uma miniatura individual das rela��es econ�micas e sociais, e n�o precisamos de nenhum esfor�o intelectual para descobrir como todo o exposto � t�o �bvio em nossos tempos.

Podemos concluir dizendo que o medo maior de todo ser humano � a fus�o de sua hist�ria pessoal e emocional (incluindo todos os traumas ou viv�ncias subjetivas de desamparo individual), aliado � expectativa do julgamento do meio (opini�o alheia), fator determinante no direcionamento do estilo de vida que a pessoa ir� adotar, sendo uma das medidas mais exatas de seu amor pr�prio.





BIBLIOGRAFIA
ADLER, ALFRED. O CAR�TER NEUR�TICO.MADRID: EDITORA PAID�S, 1932.

COLABORADORES: IRINEU FRANCISCO BARRETO J�NIOR(SOCI�LOGO)
SIMONE JORGE (SOCI�LOGA)
ANTONIO DE P�DUA VELOSO GARCIA(PSIC�LOGO)


LEIA: O SIGNIFICADO PSICOL�GICO DO DINHEIRO



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