'Psic�logo Ant�nio Carlos Alves de Araujo-Adultos e terapia de casal 66980558- TATUAP� SP-SP TATUAP�-Z.LESTE'
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AN�LISE PSICOL�GICA DO DINHEIRO

Se somos obrigados a buscar, gostar e lutar por um valor coletivo chamado dinheiro seria interessante que o fiz�ssemos com um toque profundamente pessoal e singular de criatividade e prazer, pois s� desta forma nosso complexo de inferioridade e incerteza seriam debelados, nos devolvendo a certeza de que nosso lugar jamais ser� eterno, mas que fomos capazes de expor todo o nosso potencial, sendo o �pice que podemos alcan�ar como seres humanos. ANTONIO CARLOS PSIC�LOGO.




Discutir as implica��es ps�quicas e sociais de todo o simbolismo e mitologia do dinheiro � tarefa fundamental para um projeto s�rio da psicologia social. O tema ainda � um verdadeiro tabu, sendo que apenas encontramos escassas obras que tentam dar um sentido moral para a quest�o. Psicologicamente o dinheiro � sentido como a alavanca de um sonho que gostar�amos de efetuar, assim sendo, seu car�ter � totalmente futurista, contribuindo para o incremento do poder do tempo sobre o prazer do indiv�duo, ressecando por completo a vitalidade da pessoa, que sempre s� pode existir no presente. J� est� mais do que na hora de percebermos que o dinheiro � o confidente mais preciso de nossa alma e espelha todas as partes n�o resolvidas de nossa personalidade; sendo uma esp�cie de terapeuta que conhece as entranhas de um ser humano, por�m, � o mais passivo e omisso em rela��o a uma atitude de resolu��o. Um dos instrumentos de aferi��o da sa�de ps�quica � exatamente a rela��o da pessoa com o dinheiro.

Muitos se queixam que precisam gastar compulsivamente, n�o percebendo que tal ato mascara uma culpa inconsciente n�o apenas por talvez ter acesso ao dinheiro, mas que historicamente sofreram de um complexo de inferioridade que lhes diz a todo o instante que n�o s�o merecedores de determinado prazer, devendo se livrar o mais r�pido poss�vel do instrumento que causa a satisfa��o. Outros reclamam da extrema cautela em gastar, estando presos n�o apenas num complexo de seguran�a, mas tamb�m espelham sua profunda mis�ria ps�quica na reten��o de uma esp�cie de "totem" institu�do pela pessoa. O dinheiro para estas pessoas � algo sacralizado que mesmo o obtendo, jamais poder�o se livrar de seu sentimento de car�ncia pessoal. O leitor j� chegou a conclus�o �bvia de que o dinheiro ou poder cobrem ilusoriamente todas as car�ncias pessoais, pois a pessoa que o det�m ser� objeto do coment�rio, cobi�a e interesse dos demais. Mas neste ponto outra quest�o fundamental se coloca: Por quanto tempo seguramos o interesse por algo? Este sem d�vida alguma � o drama de uma era consumista. Todos almejam no plano pessoal o que o sistema econ�mico tenta impor diariamente; a necessidade infinita de consumo. � justamente por esse motivo que a figura do traficante de drogas no plano ideol�gico causa tanta repulsa, pois independentemente do malef�cio que o mesmo traz � sa�de publica, n�o deixa de espelhar fielmente o que o sistema almeja, o consumo incessante de um produto. O dinheiro paralelamente tenta compensar esta ilus�o da eternidade, sendo que o medo da morte que nunca foi t�o grande na hist�ria da humanidade como em nossos dias encontra um escapismo elegante na sensa��o de se possuir.

Principalmente as culturas orientais enfatizaram que a grande contradi��o humana � � procura da satisfa��o do desejo que jamais pode ser realizada, pois o mesmo � por si s� o objeto de conflito. Se algo cobi�ado � alcan�ado vira coisa amorfa e desprovido de paix�o pessoal. Por outro lado � infantil determinada atitude de desapego de objeto material, apenas para se provar a supera��o da ambi��o. Se a solu��o fosse a simples procura de um guru, quase toda a popula��o mundial deveria se mudar para determinado templo no HIMALAIA. Com o enfraquecimento do poder pol�tico da igreja no final da idade m�dia, o centro da preocupa��o humana migrou da id�ia de como alcan�ar o "para�so" para a satisfa��o de se possuir dinheiro; ambos tem como fun��o o entorpecimento da ang�stia em rela��o � morte. A antiga contabilidade das boas a��es que teve seu apogeu nas indulg�ncias vendidas pela igreja foi facilmente substitu�da pelo imediatismo da contabilidade material do dinheiro, que transportou o indiv�duo para uma sensa��o de vencer ao menos temporariamente o horror da morte e abandono. As religi�es t�m sua sobreviv�ncia no resqu�cio da culpa ou medo de uma puni��o posterior, que o indiv�duo n�o sabe qual ser�. Apenas o "mist�rio" as mant�m vivas na cabe�a materialista do homem contempor�neo, e assim como na psicologia, a entidade deus apenas � lembrada na profunda crise e desespero, sendo que o trato di�rio pela melhora do �ntimo humano � totalmente negligenciado.

O dinheiro como toda esp�cie de totem ou entidade erigida tem como fun��o b�sica a sua manuten��o e sobreviv�ncia por si s�, n�o interessando a an�lise social e moral de seu impacto. H� uma escala da progress�o em rela��o ao dinheiro, e quanto maior o peso de fatores inconscientes, maior ser� o grau de neurose que aflige o indiv�duo. Exemplificando, o dinheiro serve para: sobreviv�ncia, necessidade de abrigo e alimenta��o, educa��o, lazer e divers�o, ou: competi��o, compensa��o de uma auto imagem negativa, exibicionismo, compensa��o de um arraigado complexo de inferioridade. A contradi��o no exposto acima � a de que o dinheiro deveria servir para algo extremamente concreto, mas basta um olhar mais apurado para descobrirmos que a cada dia o mesmo serve aos aspectos de nosso imagin�rio. O medo e p�nico do desemprego, que � um c�ncer mundial das economias, apenas refor�am o conceito de que ganhar dinheiro � sin�nimo de estar vivo. Nenhuma outra emo��o ou desejo seja: amor, f� ou paix�o conseguiu centralizar por completo a preocupa��o do homem contempor�neo, e repito que isto se d� n�o apenas por um fator de sobreviv�ncia. Talvez a compuls�o pelas drogas chegue perto do anseio citado, embora a mesma tamb�m n�o deixe de ser um subproduto do dinheiro. As pr�prias religi�es se curvaram a entidade do dinheiro ao acatarem sem muitas delongas a quest�o do d�zimo em seus trabalhos eclesi�sticos.

FREUD analisou o desenvolvimento ps�quico do dinheiro. Chegou a conclus�o que a primeira experi�ncia psicol�gica de valor para uma crian�a era o treino do toalete. Assim sendo, as fezes tinham uma conota��o de apego para a crian�a, sendo que a mesma ainda fantasiava inconscientemente que os beb�s nasciam atrav�s da defeca��o. Embora tal aparato seja um tanto complicado de ser aceito pelo leigo, o fato � que tal assertiva tem o seu m�rito na quest�o do desenvolvimento do processo mental de reten��o e ac�mulo. Analisar eficientemente o processo hist�rico que leva um ser humano � incapacidade de dividir seria uma das coisas mais nobres que a psicologia poderia efetuar. O dinheiro fornece a sensa��o de se poder viver constantemente em um "mito", retocando uma auto imagem sempre negativa como disse anteriormente. O problema tamb�m afeta aquelas pessoas que j� possuem o dinheiro e gostariam que as vissem sem uma imagem j� pr�-estabelecida pelos demais, fato quase que imposs�vel. CARL GUSTAV JUNG estabeleceu a no��o dos opostos no inconsciente. Para qualquer a��o ou emo��o corresponderia uma for�a similar no sentido contr�rio, como o famoso empuxo de Arquimedes.

A no��o de riqueza ou mis�ria nada tem a ver com o dinheiro para o inconsciente humano, e buscar nossa categoria social no plano mental seria a chave para uma an�lise mais profunda de nossa alma. N�o que toda pessoa que possua o dinheiro seja um miser�vel emocionalmente, mas perceber que nossa mente reproduz o sistema vigente de estratifica��es sociais � no m�nimo fugir da ignor�ncia pessoal. Qual � o equil�brio em rela��o ao dinheiro? Acumular gananciosamente fazendo da mesquinhez a distra��o di�ria para nossa mente? Permitir ser explorado pelas pessoas que culpam e invejam quem possui o dinheiro? Gastar ou reter compulsivamente, se enchendo de d�vidas, ou a sensa��o de reconforto ao ver o extrato banc�rio? Acreditar que o dinheiro pode ajudar algu�m que desconhecemos se em outras inst�ncias seja merecedor de apoio? Todas estas perguntas todos se fazem quase que diariamente possuindo ou n�o dinheiro. O centro da quest�o � se o mesmo representa o instrumento para algo que desejamos, ou a revanche contra o que sentimos que perdemos e jamais iremos recuperar, mas mesmo assim alimentamos constantemente dita ilus�o.

A verdade sempre reside na simplicidade, embora todos gostem da ostenta��o em todos os planos na tentativa de se obter destaque pessoal. Se cada um se permitisse algum tempo para a reflex�o, n�o seria dif�cil perceber que tendo ou n�o, o dinheiro acarreta um profundo "stress" nos dias atuais, pelo simples fato de que sua busca ou posse se tornou uma profiss�o paralela perante qualquer atividade profissional que exer�amos. Qualquer um pode contabilizar que possui dois empregos ao esmiu�ar o racioc�nio citado, sendo que o dinheiro n�o serve apenas no �mbito material, mas principalmente no fator comparativo, que � a base para o indiv�duo formar sua estima pessoal, e embora isto traga danos irrevers�veis a personalidade, o fato � que h� muito as coisas se orientam desta forma. Que prova pessoal de honestidade dar�amos se houvesse a admiss�o de que � muito mais simples a preocupa��o com o dinheiro, poder, autoridade, pol�tica dentre outras, do que lidar com o hist�rico emocional �ntimo sempre em d�vida. J� colecionei mais de uma centena de casos de pessoas extremamente bem sucedidas financeiramente, que abortaram o processo terap�utico pelo simples questionamento de sua impossibilidade de abra�arem ou trocarem algum tipo de carinho com os pais ou parceiros. � extremamente err�neo o projeto de psicologia vigente, quando se omite da den�ncia das mais puras necessidades humanas insatisfeitas. O papel do psic�logo sempre deveria ser de confronto e est�mulo em rela��o � import�ncia do percebido e n�o efetuado pelo paciente.

Os hist�ricos movimentos socialistas tentaram ingenuamente imputar um freio for�ado no processo da cobi�a e posse material. N�o cabe aqui uma an�lise ou cr�tica deste tipo de movimento social, mas a percep��o de que todos os processos econ�micos possuem seu correlato no psiquismo. O pr�prio conceito marxista da "mais valia" (a soma do custo da produ��o mais � explora��o da m�o de obra pelo capital para gerar lucro) est� totalmente presente nas rela��es sociais. Observando muitos casais na din�mica do relacionamento, me deparo diariamente com tal conceito; um ou ambos tentando explorar ao m�ximo a afetividade do outro sem nenhuma contrapartida, se obtendo uma esp�cie de lucro no plano emocional, que n�o deixa de ser a raiz da timidez, que pode ser caracterizada como uma tentativa consciente de subtrair do outro algum tipo de vantagem sem que a pessoa se exponha ou participe ativamente. O t�mido assim como o capitalista almeja apenas gerir suas vantagens ou lucros, jamais compartilhar. Apenas deixo claro para o entendimento do leitor que a timidez n�o � vista pela psicologia como o que corriqueiramente se coloca acerca do retraimento, vergonha ou medo; sendo que estas emo��es est�o presentes numa pessoa que podemos chamar de introvertida. A timidez em ess�ncia � um estado m�rbido de ego�smo e tentativa constante de n�o trocar no �mbito emocional, sendo a queixa di�ria de um dos parceiros que o outro apesar da conviv�ncia ainda � um total "enigma", acumulando uma energia do ambiente, assim como na "mais valia" marxista. Se algu�m deseja realmente ser um revolucion�rio dever� rever sua metodologia, pois muito poucos t�m uma voca��o para a lideran�a, embora todos sintam a explora��o em todos os n�veis.

Desta forma o come�o para uma aut�ntica e saud�vel transforma��o � a den�ncia e pontua��o de comportamentos di�rios de ego�smo e abuso em rela��o ao outro, pois tal tarefa pode ser cumprida por todos. Uma revolu��o s� � verdadeira quando h� uma fun��o ativa para toda a comunidade, sendo que nos dias de hoje isto se traduz pela explana��o da insatisfa��o pessoal, pois � a �nica coisa que ainda pode ser compartilhada por todos os participantes; do contr�rio apenas teremos a troca do poder, coisa mais do que conhecida por todas as pessoas. O dinheiro � um fator constante de tens�o dentro de determinados relacionamentos. O que mais incomoda n�o � a posse em si do mesmo, mas a consci�ncia do parceiro de que o outro compartilha segredos, confid�ncias e cuidados apenas com algo inanimado, deixando a pessoa real ao seu lado com um profundo d�ficit de confian�a e valor. A entidade "dinheiro" reclama uma import�ncia �nica e exclusiva do ponto de vista ps�quico, n�o permitindo a entrada de mais de uma pessoa. A armadilha maior sempre ser� o tipo de sentimento negativo desenvolvido perante o detentor do valor, chegando ao pensamento nefasto da "prostitui��o", por achar que o outro deve pagar por um companheirismo ou sexualidade. Neste ponto as coisas fogem plenamente do controle, acarretando uma somat�ria de v�rias sensa��es inc�modas e negativas perante o parceiro. A t�nica ser� uma acirrada disputa e m�goa internalizada, pois a sensa��o de que o outro desfruta de algo que n�o ser� dividido apenas refor�a um abismo intranspon�vel na rela��o. O fato em si � a renega��o no decorrer dos tempos que o dinheiro sempre foi algo que gerou o medo, seja para quem o possui ou n�o; ent�o � ponto not�rio de que muitos poucos saber�o como lidar com o mesmo; ali�s, n�o existe instru��o econ�mica em todos os setores da escola de nossa sociedade, e o dinheiro e seus simbolismos s�o encarados como um tipo de sociedade secreta onde uns poucos t�m acesso.

Algo que possui um valor universal em v�rios aspectos (sobreviv�ncia, poder, status) ter� uma marca pessoal de cada um em rela��o ao s�mbolo, como na religi�o. Quando falamos de algo que abrange toda a coletividade devemos pensar em uma estrutura que fornece seguran�a material e psicol�gica, ou algo que desestrutura todo o psiquismo e comportamentos di�rios. Nos tempos de outrora a posse material era extremamente concreta, sendo aferida pelo ac�mulo de terras. Embora as propriedades ainda consistam na riqueza de algu�m, o dinheiro no �ltimo s�culo alcan�ou um valor simb�lico para a personalidade como nunca antes visto no decorrer das rela��es sociais; o ponto n�o � mais a contabilidade da quantidade, mas o quanto de proje��o pessoal e narcisista pode se colocar com o aux�lio do instrumento dinheiro, e juntamente com o poder e a beleza formam o triunvirato cobi�ado pelo mais �ntimo de um ser humano. Estas tr�s �ltimas esferas revelam toda a real e verdadeira natureza da pessoa, embora muitas vezes sejam usadas no intuito de camuflar o que realmente somos. N�o podemos mais negar tais quest�es por pretextos de desapego de ordem religiosa ou moral, e sim questionarmos o que nos tornamos ao entrar em contato com todos os processos acima descritos; se ainda sobrou alguma parte desejante que seja realmente genu�na de nosso ser, ou apenas foi moldada pelos valores vigentes. � claro que o desejo n�o deixa de ser tamb�m um fator que se forma no �mbito social, mas quanto nos restou do mesmo como disse acima, sem contamina��o da inveja ou competi��o?

O dinheiro � a fronteira final para a resposta do que verdadeiramente estamos buscando, e como manejamos a busca do prazer pessoal, que est� intrinsecamente ligado � outra pessoa. Satisfa��o � ac�mulo, apego, seguran�a ou a divis�o de algo de valor que possu�mos com algu�m sem que a esfera do medo esteja presente? Nosso inconformismo com a morte s� � aplacado com uma posse maior perante determinada parcela do coletivo? Comparar e se sentir superior � realmente nosso conforto? Em quais �reas temos dificuldade de doa��o? Questionar tais quest�es podem nos conduzir a ess�ncia da import�ncia do dinheiro em nossas vidas; do contr�rio, apenas seguiremos o dogma de termos fam�lia ou filhos para a perpetua��o de nosso sucesso econ�mico. O fato � que a vida desde que somos crian�as, nos revela o quanto somos �nfimos e insignificantes perante quase todos os processos sociais e a pr�pria natureza. A ilus�o do poder ou destaque pessoal passa a agir como fator compensat�rio numa personalidade que v� "tudo grande" no externo e "tudo pequeno" no interno. O dinheiro ent�o � uma esp�cie de convite ou passe para que se diminua a humilha��o de tal realidade sentida. Somos "atacados" diariamente, e passamos a correr por algo que nos proteja ao menos temporariamente de nosso sofrimento pessoal perante necessidades criadas pelo �mbito social. Se somos obrigados a buscar, gostar e lutar por um valor coletivo chamado dinheiro seria interessante que o fiz�ssemos com um toque profundamente pessoal e singular de criatividade e prazer, pois s� desta forma nosso complexo de inferioridade e incerteza seriam debelados, nos devolvendo a certeza de que nosso lugar jamais ser� eterno, mas que fomos capazes de expor todo o nosso potencial, sendo o �pice que podemos alcan�ar como seres humanos.

Bibliografia:

ADLER, ALFRED. O car�ter neur�tico. MADRID: PAID�S, 1932.

JUNG, GUSTAV CARL. O eu e o inconsciente. 9� EDI��O. EDITORA VOZES, 1980.

FREUD, SIGMUND. Tr�s ensaios para uma teoria sexual. BARCELONA: BUENA VISTA EDITORA, 1981

COLABORADORES: IRINEU FRANCISCO BARRETO J�NIOR(SOCI�LOGO)
SIMONE JORGE (SOCI�LOGA)


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