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NO CAPÍTULO ANTERIOR:
Enquanto Harry e Ametista rendem-se a uma vontade maior do que seus orgulhos e razões, Hermione encontra uma prova importante - que estava fazendo Sirius Black naquela foto, afinal?
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CAPÍTULO VINTE E NOVE – A
ESCOLHA DO CHAPÉU SELETOR
O dedo indicador de Hermione
indicava uma foto antiga, onde lia-se numa legenda logo abaixo: meus pais.
Dumbledore concentrou o olhar e logo encontrou a dúvida de Hermione. Um casal,
por volta de seus vinte e três anos, abraçados levemente, carregando uma criança.
A mulher era incrivelmente bonita. Cabelos platinados desciam pelas suas costas
em ondas, um largo sorriso, e dois profundos e grandes olhos azuis. O diretor não
pôde deixar de sorrir e relembrou tantos momentos passados ao lado de sua
filha, Hariel. Entretanto, ao seu lado, estava um jovem, tão bonito quanto a moça,
de cabelos negros na altura de seus ombros, uma cara amarrada, e também grandes
olhos azuis, mas não tão enigmáticos quanto os da jovem.
- É ele, não é? – indagou novamente Hermione. – É o Sirius!
Durante anos aquela foto
sempre fora algo que Dumbledore tentara esconder a todo custo. Entretanto, a
verdade estampada tão claramente, com o passar dos tempos, foi ficando cada vez
mais obscura, mais complicada, mais escondida. Assim, como num Feitiço de
Esquecimento, foi deixada para trás, no passado, enterrada para sempre.
O bruxo tivera convicção que seria melhor assim. Não revelar todos os
segredos e histórias que envolviam seus entes mais amados. Contudo, o que ele não
sabia era que, o para sempre não
seria a eternidade que ele esperava. Naquele exato momento, aquela jovem bruxa,
de quinze anos, e tão astuta quanto ele mesmo fora um dia, estava abrindo um
caminho que fora disfarçado tão bem, exatamente por ele.
- Professor, eu sei que é o Sirius Black. O senhor não precisa mais
esconder nada de mim. – retomou Hermione claramente apreensiva.
Dumbledore pegou o álbum, as mãos trêmulas, e encontrou as duas outras
fotos. Ele, segurando a neta; ela com os padrinhos; e finalmente, com os pais.
- Srta. Granger... – começou devagar. – Hermione... – ela corou.
– Essa história deveria ter sido apagada da minha memória, mas eu achei que,
certamente, ela seria necessária em algum dia.
A garota abriu bem os ouvidos e guardava cada palavra com uma atenção
imensa. Dumbledore indicou a cadeira para que ela pudesse sentar. Ele largou o
livro em cima de sua mesa e voltou os grandes olhos azuis para a monitora da
Grifinória.
- Antes, eu preciso que você prometa a mim que não contará isso a
Ametista...
- Mas ela tem o direito de saber quem é o seu pai! – interrompeu-o
Hermione agitada.
- Ela saberá, muito em breve, eu posso sentir. Mas no momento, você
deverá somente comentar sobre isso com a professora Figg ou com Lupin.
- Posso contar para Rony ou Harry? – perguntou tímida.
- Mesmo sendo seus amigos, eu prefiro que isso fique somente entre nós.
– pediu o diretor calmamente.
Hermione olhou para os próprios pés, corando ligeiramente.
- Claro, professor.
Dumbledore suspirou e perguntou:
- Por onde você quer que eu comece?
- Bem, o senhor poderia me explicar como Sirius é o pai da Ametista? –
Dumbledore franziu a testa confuso. Hermione parecia dizer aquilo incrédula.
– Digo, é impossível, afinal, nós já presenciamos muitas demonstrações
um para com o outro, e eu posso afirmar que nenhuma delas apresentava qualquer
parentesco em comum.
O bruxo arriscou um riso. Aquilo era verdade.
- Sabe Hermione, a história é bem comprida, e eu tenho certeza de que
você deve estar sedenta por informa...
De repente, como se fosse um furacão, Arabella entrou na sala, batendo a
porta fortemente.
- Alvo, você precisa dar um jeito, e rápido, no Sirius! Ele ameaçou
dar uma surra em Harry! – ela parecia apavorada.
Dumbledore levantou da cadeira, fechando o álbum rapidamente.
- O que?! – não entendeu.
Arabella pareceu pegar um pouco de ar, e somente assim notou a presença
de Hermione.
- Harry – ela olhou para Hermione, que parecia tão apreensiva quanto o
diretor. – disse a Sirius que ele gosta da Ametista.
Hermione arregalou os olhos para Arabella, e voltou a olhar para o
diretor. Pôde perceber que ele não conseguiu conter-se e abriu um sorriso
acanhado.
- Então, Harry gosta da Ametista? – Arabella confirmou com a cabeça.
– Muito interessante...
- Alvo, tenho certeza que é, mas a situação é que tive de retirar
Harry da sala e deixá-lo com Rony na sala comunal da Grifinória, o mais longe
possível de Sirius! Remo deve estar com ele. Eu preciso da sua ajuda!
Dumbledore ajeitou o manto que vestia sobre sua roupa e andou até
Arabella. Colocou, antes, a mão esquerda no ombro de Hermione, ainda sentada,
mas estática, e disse:
- Conversamos mais tarde, Srta. Granger. É melhor você se dirigir até
a torre da Grifinória. Talvez estejam precisando da sua presença.
Hermione engoliu em seco e concordou. Levantou rapidamente e saiu da
sala, deixando Dumbledore e Arabella sozinhos. Antes de seguirem caminho até a
sala de Lupin, na tentativa de acalmar Sirius, Dumbledore chamou Arabella até
sua mesa discretamente. A mestra acompanhou-o e, quase teve um choque ao ver o
álbum ser aberto naquela foto.
- Mas, o que...o que é isso? – perguntou, gaguejando surpresa.
- Este é o álbum de fotos de Ametista. Severo dera a ela, após
descobrir que a imagem de Sirius fora totalmente coberta.
- Mas, como está assim agora? – surpreendeu-se a mestra, concentrando
os pequenos olhos negros no rosto de Sirius.
Dumbledore pigarreou levemente e respondeu:
- A Srta. Granger o achou, eu presumo, e o trouxe até mim. A foto estava
dessa forma – e ele apontou para o jovem. – Sirius aparece completamente.
Arabella levou uma das mãos a boca e suspirou.
- E agora, Alvo? Tudo virá à tona bem agora?! Nenhum dos dois têm emoção
estável para agüentar mais essa revelação.
O bruxo encarou Arabella e, então, ela pôde entender tudo. Lendo a sua
mente, tudo parecia mais claro e certo. Ele estava temeroso.
- Já estão atrás das verdades, Bella. Logo, as encontrarão e nos
levaram antes mesmo que pudessem ser esclarecidas.
Arabella concordou e disse:
- Então, deixe-me falar com Hermione. Será melhor.
- Mas ainda não conte nada sobre o nascimento. Ainda é muito cedo.
Dumbledore achava que ainda havia tempo para acalmar todos os
temperamentos. Porém, como dificilmente acontecia, ele estava errado.
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- Você o quê?!
Rony tinha os olhos arregalados ao ouvir Harry contar sobre o ocorrido há
pouco. Sentados num canto discreto do salão comunal, assistiam pela enorme
janela as estrelas dançarem juntamente da lua.
- Fale baixo Rony! – ralhou Harry. – Por que a surpresa?
- Eu pensei que você havia desistido dela, digo, depois de eu ter dito
que ela não era para você.
- Mas você estava enganado. Você não entende, não é mesmo? – Rony
sentiu as orelhas ferverem.
- Eu sei muito bem o que é gostar de uma garota, Harry. E posso te
garantir que eu entendo muito mais disso do que você!
Harry bufou. Rony não permitia que ele contasse, mas continuou:
- Não é essa a questão Rony. Eu sei muito bem que você gosta da
Hermione e tudo mais, mas...
- Harry? O que foi que aconteceu?
Rony virou-se e encontrou Hermione, ofegante, com os olhos bem abertos.
Harry sacudiu a cabeça. “Agora só me
falta essa!”.
- Eu estava na sala do Dumbledore e a professora Figg disse que Sirius
quis dar uma surra em você e...
- Uma surra?! – alterou-se Rony. – Mas ele não pode fazer isso! Como
você não me contou isso, Harry?!
- Você ainda não deixou! – irritou-se Harry.
- Parem vocês dois! – repreendeu-os Hermione, sentando-se ao lado de
Rony. – Parecem dois garotinhos de cinco anos!
Rony resmungou qualquer coisa para Harry, que não ligou.
- Harry, que é que houve? – perguntou a garota calmamente.
- Depois da Ametista ter voltado da ala hospitalar, ela foi até o meu
quarto para conversarmos – Harry frisou bem ao final. – O que aconteceu é
que nós já estávamos estranhos um com o outro desde o nosso beijo na sala
comunal – Rony fez uma careta discreta. – Mas acho que ela decidiu aceitar
que deveríamos discutir sobre isso, e... acabamos nos beijando de novo.
Hermione sorriu ligeiramente.
- Eu disse! Vocês precisavam apenas se conhecer melhor!
- Eu não mudei minha opinião sobre ela, Mione. – reclamou Rony.
Ignorado, o garoto fechou a cara diante da continuação de Harry,
colocando uma bala na boca.
- O problema foi que Sirius nos pegou. E, não me pergunte porque, mas eu
tenho certeza que ele estava com ciúmes.
- Ciúmes? – estranhou Hermione.
- É, como se a Ametista fosse, sei lá, alguém da família dele... –
respondeu Harry.
A mente da garota logo funcionou. “Ele
deve ter ficado com ciúmes, já que afinal, Harry estava beijando a sua
filha.”.
- Então, eu fui falar com ele, mas Sirius parecia transtornado demais
para conversar – Harry pegou ar. – Ele e a Bella discutiram e, eu acabei
falando para ele que... bem, ah...
- O que? – perguntou Rony curioso.
- Disse que gostava dela.
Rony engasgou com a bala.
- COMO?! – tossiu. – Você gosta dela?
Harry hesitou, mas respondeu:
- Sim, acho que sim.
- AH! Por favor! – resmungou fortemente Rony, e saiu em direção ao
quarto.
Harry trocou um olhar perdido com Hermione, que respondeu:
- Ele só deve estar com ciúmes, só isso...
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- Aprender a domar suas emoções
e enfrentar seus sentimentos, deixando seu estúpido orgulho de lado! É isso
que você precisa, Sirius!
Sirius estava encostado no parapeito da janela da sala de Lupin. Seu
amigo tentava entender o que acontecera. O bruxo estava olhando para os próprios
pés, como se estivesse com medo de olhar para Lupin.
- Você sabe que um dia isso aconteceria, Sirius! – Lupin ouviu um
ligeiro suspiro do homem. – Hariel morreu, mas Ametista está bem viva, e
abaixo de seu nariz. Ela tem o direito de saber a verdade...
- Que verdade?! – falou finalmente o bruxo. – Não há verdade
nenhuma! Você sabe disso!
Dumbledore invadiu a sala, acompanhado de Arabella. A bruxa escondia-se
levemente atrás do diretor. Sirius não conseguiu encará-la.
- Como você está, Sirius? – indagou o diretor.
O homem encarou Dumbledore no fundo de seus olhos, e depois os abaixou
novamente.
- Eu entrei naquele quarto. Eu senti que precisava ir até lá. E eu fui
– Sirius começou a divagar, parecia que não percebera. – E eu senti um
aperto no meu coração ao ver a história se repetir. – ele levantou os olhos
novamente, agora somente para o diretor.
Dumbledore aproximou-se de Sirius, e pôde sentir a sua angústia. A dor
era tão intensa, que o bruxo podia senti-la.
- Está na hora, Sirius – ele levantou a cabeça rapidamente assustado.
– Chegou.
- Não, eu não posso! – relutou firmemente, mas Dumbledore não
assentiu e prosseguiu.
- Você pode e vai conseguir – deu uma pausa. – Quase catorze anos,
Sirius! Catorze anos de mágoa para você em Azkaban, para ela naquela casa!
Presa, escondida, sem saber ao menos o porquê.
- Mas eu não acho que seja a melhor hora para isso! Eu não vou! –
retrucou novamente Sirius.
Arabella finalmente se pronunciou, aproximando-se ligeiramente de
Dumbledore, e encarando o homem à sua frente.
- Hermione sabe.
Lupin e Sirius paralisaram. Havia mais alguém.
- Hermione sabe? – engasgou Lupin.
A mulher concordou com a cabeça.
- Você se lembra da foto que você e Hariel tiraram no dia do batismo de
Ametista? – perguntou Arabella para Sirius, que arregalou os olhos. – Ela
estava num álbum de fotos que Snape dera a ela quando era pequena. O fato é
que ela deveria estar coberta até hoje, já que você fez questão de esquecer
tudo isso...
- Eu apareço na foto, não é mesmo? – concluiu Sirius.
Arabella andou um pouco mais e encarou Sirius de bem perto. Ambos ficaram
calados por algum tempo. Lupin e Dumbledore apenas esperavam. De repente, lágrimas
começaram a brotar dos olhos de Arabella. Sirius hesitou, mas levantou as mãos
e fechou-as no rosto da mulher a sua frente. Com o dedão, limpou as pequenas lágrimas
e, em seguida, a abraçou fortemente.
Dumbledore lançou um olhar a Lupin, e ambos saíram da sala. Lupin ainda
olhou mais uma vez para dentro antes de fechar a porta. Sentiu o coração
quebrar.
Sirius deixou novamente algumas lágrimas caírem de seus brilhantes
olhos azuis e pensou em meio ao abraço de Arabella: “Eu
ando chorando demais, isso não é bom!”, e riu mentalmente.
- Não seja bobo Sirius! – arriscou Arabella, ainda abraçada ao bruxo.
No instante seguinte, eles se soltaram e permaneceram olhando um ao
outro.
- Você... você ouviu meu pensamento sem estar olhando para mim? –
hesitou em perguntar Sirius.
O homem notou quando a mestra engoliu em seco e respondeu, disfarçando:
- Faziam muitos anos em que eu não conseguia fazer isso. – e lembrou
de uma noite em especial. Seus olhos marejaram.
Ficaram se observando por alguns instantes. Ambos sabiam bem o que fazia
Arabella ler os pensamentos sem o contato visual. Foi ela que decidiu começar a
falar.
- Você não deve se culpar, Sirius – ele arriscou um sorriso de
conforto. – Nada daquilo que aconteceu foi culpa sua ou da Hariel.
Sirius piscou forte e suspirou.
- Eu queria acreditar, mas não entendo. Não entendo como ela pode ser tão
parecida comigo!
Agora foi Arabella que arriscou um sorriso.
- É claro que ela é parecida com você! Ela é sua filha! – Sirius não
deixou de balançar negativamente com a cabeça. – Você esqueceu-se da cerimônia
do batismo, não é mesmo?
- Não me faça lembrar disso!
- E por que não? Talvez, porque tenha sido o dia mais feliz da sua vida!
– os olhos negros de Arabella chegaram a brilhar.
Sirius fechou os olhos e lembrou-se.
- Eu tinha as duas pessoas que eu mais amava tão perto de mim! – e
soltou uma leve risada. – Ainda sinto o cheiro dela no meu travesseiro. O
perfume de sândalo.
Arabella sentiu-se ligeiramente desanimada, mas voltou a concentrar-se em
Sirius.
- Nós sempre sabíamos se ela estava por perto, não é mesmo? O sândalo
exalava do corpo como se fosse algo já dela, e somente dela!
Sirius abriu os olhos e encarou novamente Arabella.
- Ametista tem o mesmo perfume de sândalo.
Arabella sorriu levemente.
- Como você sabe?
- Desde pequena ela tinha o cheiro da mãe.
- Talvez, Harry tenha gostado exatamente disso nela.
Sirius trocou mais um olhar com Arabella e fechou a cara novamente. A
mulher aproximou-se mais do rosto de Sirius e concentrou o olhar em seus olhos
azuis.
- Já é hora de vocês enfrentarem a verdade, e você sabe disso. Por
mais doloroso que isso possa ser, é necessário.
Sirius nada respondeu e continuou a encarar Arabella. Ambos permaneceram
calados, até que Sirius levantou sua mão direita e acariciou ligeiramente seu
rosto. Arabella arregalou os olhos e levantou-se bruscamente.
- Não! Não! – gritou surpresa. – Nunca mais pense isso, Sirius! –
o bruxo levantou-se juntamente com Arabella espantado. – Não pense nisso, não
é certo!
Sirius, atônito, tentou desculpar-se:
- Sinto muito, Bella – ele pôde perceber novamente algumas ralas lágrimas
escorrerem discretamente sobre a pele da bruxa. – Eu me arrependo algumas
vezes.
- Bom, não deve! Você fez tudo certo, Sirius! E se você não tivesse
feito isso, não seria feliz como foi por todos aqueles esses anos!
A respiração de Arabella retomou o controle e ela voltou a posição
inicial.
- Escute, Sirius. Apenas Remo e eu vivemos tão de perto tudo o que você
passou. E nós temos razão em dizer que você deve esquecer...
- Eu nunca vou esquecer. – interrompeu-a nervoso.
Arabella suspirou e dirigiu-se à porta.
- Eu digo isso, Sirius, pois eu te conheço muito mais do que você
imagina e sei muito bem a dor que você passou – Sirius abaixou os olhos. –
Mas o correto a ser feito neste momento é aceitar que a mágoa que ainda existe
no seu coração pode ser coberta por uma felicidade que você afastou durante
todos esses anos – Sirius voltou o olhar para Arabella. – Eu confio em você.
Arabella deixou a sala e parou do lado de fora, encostando-se à parede e
suspirando. Tampou a boca para controlar o choro. Sirius, por sua vez, sentou-se
na cadeira de Lupin e fechou os olhos, tentando lembrar daquele doce gosto, e
então ele entendia porquê fora uma pessoa tão importante.
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Cruzando os corredores da
masmorra, Ametista sentia uma profunda mágoa misturada a um ódio crescente. O
quê mais faltava para completar seu dia? Havia saído há pouco tempo da ala
hospitalar, o sol se punha. Encontrou Harry, encontrou Black, encontrou Snape.
Tudo parecia mais confuso ainda enquanto tentava se distanciar da área em que
se localizava. Sabia bem que corria um grande risco de encontrar outro homem. E,
realmente, ela preferia ficar sem isso.
- Você nem me agradeceu. – ouviu uma voz logo em suas costas.
Ametista suspirou e virou-se, encontrando os olhos acinzentados de Draco
Malfoy. O garoto parecia mais pálido do que de costume.
- Agradecer? – estranhou, já sem paciência.
- Claro, afinal fui eu quem solucionou uma parte do mistério daquela
noite. – e então ela lembrou-se de Lúcio Malfoy.
- Malfoy, escute, eu não estou num dos meus melhores dias e não quero
perder meu tempo com você novamente. – avisou.
- Sem problemas – respondeu, fazendo Ametista espantar-se. – Eu tenho
a ligeira impressão que passaremos muito tempo juntos ainda.
Ametista franziu a testa e respondeu:
- Ficou maluco?! – Draco deu um sorriso cínico. – Eu faço tudo que
posso para ficar bem longe de você!
Draco cerrou os olhos em um tom pretensioso.
- Você diz isso por eu ter quase te matado, ou por eu ter te ajudado a
salvar a si mesma – Ametista fez uma careta. – ou ainda por eu te beijado?
Ametista havia se esquecido do episódio no corredor quando Draco lançou-se
para cima dela. E depois, relembrou um revoltado Harry Potter lançar-se acima
de Draco e atingir um belo soco em seu rosto.
- Não me faça lembrar disso. – disse em tom enojado.
- Não me agradou nem um pouco, posso te garantir – Draco não
conseguiu apagar a sensação que ela o provocara. Um arrepio diferente. – Até
a Weasley foi melhor que você. – Draco se recriminava por dentro. Sabia que não
havia como comparar Gina com Ametista. A primeira fora tudo extremamente
calculado, mas incrivelmente surpreendente.
Ametista sacudiu a cabeça.
- Eu tenho muito mais o que fazer do que ficar aqui escutando as suas
asneiras, Malfoy. Eu espero profundamente que nós não tenhamos mais ter que
nos ver, e também anseio que possa ser bem castigado em casa.
Draco fechou a cara.
- Por que você diz isso?
- Ouvi dizer que você flagrou seu pai estuporando o professor Lupin.
Acho que ele não ficou nem um pouco satisfeito, não é mesmo?
- Você não tem nada a ver com a minha vida, Dumbledore! – ralhou
Draco irritado.
- Então fique bem longe da minha!
Draco e Ametista tomaram direções diferentes. Realmente, aquilo não
ficaria daquela forma para nenhum dos dois. Um dia, eles resolveriam seus
problemas. Talvez, em breve.
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Já passavam de nove horas.
Hermione e Harry estavam ainda localizados na sala comunal. Rony subira para o
quarto e ficara lá. A sala comunal começava a esvaziar vagarosamente, até que
uma imagem alta e imponente entrara na Grifinória.
- Bella? – estranhou Harry ao observar a madrinha dirigindo-se a eles.
A bruxa estava com os olhos levemente vermelhos. Parecia que chorara
muito. Ela sentou-se junto dos alunos num sofá ao canto da sala comunal, dando
uma olhada geral antes.
- Eu sinto saudades daqui – divagou em tom calmo. – Acho que foi a única
época em que fui feliz por completo.
Harry e Hermione trocaram um olhar curioso.
- Bom, mas eu não estou aqui para isso, não é mesmo? – e deu um
sorriso acanhado para ambos. – Hermione, você não se importaria de me
acompanhar até minha sala?
Imediatamente, Hermione corou. Adorava quando os professores a chamavam
pelo primeiro nome.
- Sem problemas, professora. – respondeu, levantando-se.
Harry ficou observando ambas em pé e nada perguntou. Arabella passou a mão
sobre seus cabelos e sorriu.
- Conversamos melhor mais tarde, ok?
- Como está o Sirius? – Harry estava muito preocupado.
Arabella perdeu um pouco da tranqüilidade.
- Sirius está bem, Harry. Ele só necessita de tempo. – e deixou a
sala comunal, com Hermione em seu encalço.
Harry levantou-se do sofá. Estava sozinho no salão, e então decidiu
subir para deitar-se, e tentar conversar com Rony. Entretanto, quando colocou o
pé no primeiro degrau da escada, ouviu o quadro abrir. Virou-se e encontrou uma
garota cabisbaixa. Ela levantou a cabeça e cruzou seus olhos com os de Harry.
Instantaneamente, o coração de Harry disparou.
- Ametista. – Harry não sabia mais o que dizer.
Assim como ele, Ametista sentia-se extremamente envergonhada de olhar em
seus olhos novamente depois do que acontecera com eles. As pernas começaram a
vacilar mais uma vez.
- Você estava indo dormir? – ela perguntou calmamente, ainda parada no
mesmo lugar.
- Eu... ah... estava. – respondeu, sem pensar direito.
- Hum...
Continuaram se olhando. Harry sentia uma enorme necessidade de correr até
ela e dizer tudo o que estava sentindo, ainda não dera tempo de conversar sobre
aquilo. Ametista segurava-se para não partir em sua direção e abraçá-lo.
Ela precisava de algum conforto.
Harry decidiu descer do degrau e ir em sua direção. Ametista engoliu em
seco. O garoto indicou o sofá logo em frente da lareira para sentarem.
- Como foi com o Black? – indagou finalmente Ametista.
- Bem – começou Harry sem nenhum jeito. Suas mãos estavam trêmulas.
– ele reagiu da forma que eu imaginava. Da pior forma, digo – Ametista
franziu a testa. – Mas acho que logo ele vai se acostumar com a idéia.
“Idéia? Que idéia?”,
pensou Ametista. “Será que ela
entendeu?”, pensou Harry curioso. “Ele
fala de ficarmos juntos?”, pensou novamente a menina. “Por
que é tão difícil falar para ela? Foi tão fácil para os outros!”.
Ficaram novamente algum tempo calados, apenas medindo um ao outro.
Ametista percebeu que Harry tinha alguns raios azuis em seus olhos verdes. Mais
uma qualidade. “Pare com isso!”,
repreendeu-se.
- Eu vou subir agora. Já está tarde e, também, meu dia foi bastante
agitado...
- Mas nós temos tanto para conversar! – interrompeu-a Harry.
- Eu sei, mas é melhor deixar isso para outro dia.
- Eu não quero deixar isso para outro dia, Ametista! – brigou nervoso.
Ametista franziu a testa.
- Então vá em frente! Pode falar!
Harry engoliu em seco. Não era para ser assim. Ele sempre teve um sério
problema em se expressar. Ainda mais dizer para uma garota que gostava dela.
- Bem...eu...é que... – Harry não conseguia falar, gaguejava.
Ametista esperou até que ele conseguisse formar uma frase, mas como
parecia impossível, ela concentrou o olhar nos seus olhos. Sempre conseguia
entendê-lo apenas olhando para eles.
- Qual é o problema? – perguntou curiosa e ligeiramente ríspida.
Harry sentia-se ao mesmo tempo extremamente desconfortável por ela olhar
tão dentro de seus olhos, e certamente disposto àquela conversa por tê-la tão
concentrada nele.
- É que... foi tão fácil para os outros...
- Fácil? – Harry permaneceu calado. Ametista continuou. – O que você
disse? – Harry olhou para os pés e então ela deduziu. – O que você falou
para o BLACK?
- Eu não disse nada de muito importante, eu acho...
- O que você disse? – indagou curiosa novamente.
Ametista sentia que Harry estava prestes a dizer tudo aquilo que ela
queria ouvir. Precisava somente de um novo empurrão para enfrentar toda a fúria
de Snape e Sirius juntos.
Entretanto, antes que Harry pudesse liberar sua garganta de algo que a
impedia de deixá-lo falar, Rony apareceu de repente.
- Ele disse ao Sirius que gostava de você.
Ametista virou-se imediatamente para a escada do dormitório dos garotos
e encontrou Rony Weasley com um pijama engraçado e uma cara muito emburrada.
- O que você disse?! – repetiu a garota, tentando ainda assimilar a idéia
de que Harry assumira que gostava dela.
Harry arregalou os olhos rapidamente e levantou do sofá. Encontrou os
olhos de Rony cheios de raiva e gritou de volta para Ametista:
- Claro que não! Eu não disse nada disso! Não disse!
Ametista sentiu uma caixa de água cair sobre sua cabeça.
- Você não disse?! – surpreendeu-se a menina desacreditada.
Voltou seus olhos azuis para Rony, que deu um riso cínico e subiu a
escada novamente. Harry permaneceu paralisado, na direção da escada. Não
sabia bem o porquê, mas perdera a coragem de encará-la.
- Você não disse?! – repetiu, mas não queria deixar transparecer que
estava profundamente magoada.
Harry não sabia o quê responder e ficou calado, ainda sem lançar
sequer um olhar em sua direção. Ametista então, levantou bruscamente e saiu
do salão comunal da Grifinória. O garoto nada fez para impedi-la, mas após
ela sair, chutou-se mentalmente. “Por
que não consigo dizer que gosto dela?! Eu gosto de você, Ametista! Eu
gosto!”.
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Arabella e Hermione caminhavam em
silêncio pelos corredores de Hogwarts em meio à noite que já se formara a
muitas horas do lado de fora. Quando começaram a subir as escadas para o sétimo
andar, Arabella parou repentinamente. Hermione tornou-se para ela.
- Professora, a senhorita está bem? – assustou-se a menina.
Arabella continuou em silêncio, depois encontrou Hermione a observando
aflita. Sorriu ligeiramente.
- Hermione, você sabe onde é a minha sala, certo? – a garota
confirmou com a cabeça. – Eu preciso falar com o Dumbledore somente por um
instante, então você poderia ficar esperando lá até que eu volte?
- Claro, professora.
Arabella arriscou mais um sorriso e voltou a descer as escadas. Hermione
continuou seu caminho original. A mestra estava com um mau pressentimento e
necessitava falar com Dumbledore urgentemente. Correndo, chegou não muito após
despedir-se de Hermione. Entretanto, logo ao entrar na sala do diretor,
deparou-se com uma visão perturbadora: Ametista estava encolhida num canto da
sala, logo abaixo da janela. Trêmula, a professora tentou correr até seu
alcance, mas a garota indicou um objeto caído no lado oposto do âmbito.
Arabella virou-se de forma brusca e encontrou um espelho quebrado e o velho e
desgastado Chapéu Seletor.
Arabella voltou-se para Ametista. A garota olhava pasma para o objeto, as
mãos tremendo fortemente. A mestra aproximou-se de Ametista e encarou os
apavorados olhos azuis. Ficou estarrecida.
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O dia
parecia não ter fim. Apressada, Ametista corria pelos corredores após o horário
permitido para andanças por Hogwarts. Necessitava receber qualquer expressão
de carinho ou conforto naquele momento. Primeiro, uma forte discussão com
Snape, depois Harry. E não iria dar de nenhum jeito o gostinho para ele de vê-la
arrasada.
Pensou em ir até o professor Lupin. Ele fora sempre tão amável e
compreensivo com ela. E, sem ignorar o fato de que ela realmente se sentia
querida quando estava com ele. Porém, em sua mente apareceu a imagem de Sirius
Black. Não sabia o quê Harry havia dito a ele, mas deveria estar precisando de
algum apoio. Desistiu de Lupin por fim.
Subitamente, os sempre tão penetrantes olhos azuis de seu avô
apareceram-lhe em sua mente. A partir disso, mudou o caminho e foi até a sala
do diretor da escola.
Estranhamente, tudo estava na escuridão, as luzes apagadas, a sala
vazia. Ametista não deixou de notar Fawkes que, como sempre, agitou-se
freneticamente ao vê-la no âmbito. Depois, sentou-se na cadeira alta do avô e
recostou a cabeça no encosto da cadeira. Observou a lua minguante no céu
estrelado de primavera daquela época. Logo estariam entrando no verão, e então
pensou em como poderiam ser suas férias. Com certeza, não voltaria à Godric´s
Hollow se dependesse dela. Aquela casa não era um lar, e sim uma prisão que a
trancou durante tantos anos. Sacudiu a cabeça tentando varrer as memórias. Não
gostava de lembrar.
Seus olhos recaíram sobre um banquinho baixo, que reservava em seu topo
um antigo chapéu. Ametista lembrou-se de algo da noite em que encontrou Lúcio
Malfoy. “Você disse que ouviu o seu
pai, Ametista? A senhorita nem sabe quem é o seu pai! Como pode ter tanta
certeza que era ele?! A senhorita não tem nem idéia de quem ele seja? Nada?
Mas eu pensava que fosse óbvio! Ah! Havia me esquecido! A senhorita não passou
pelo Chapéu Seletor, não é mesmo?”.
Sentiu um arrepio percorrer o corpo apenas de pensar na palavra pai. Era tanta dúvida e raiva que se acumulava em seu coração em
relação àquele homem que abandonou sua mãe e a queria ver morta. Sentia um
profundo ódio por estar morto. Pelo menos era isso que ela achava.
“E se esse Chapéu esclarecer as
minhas dúvidas? Será que devo?”, pensou relutante. Imaginou então a
cena em que seu pai deixava para trás uma mulher e uma criança. “Eu só digo mais uma coisa a você Hariel, a mulher que eu amei por
todos esses anos: eu amaldiçôo você e a essa criança pelo resto da minha
vida! Eu não sou mais seu marido, ou o pai desse bebê! Eu desejo tanto que
Ametista não tivesse nascido! Desejo que tivesse morrido! Pois eu não teria de
carregar tamanho desgosto! Eu te odeio mais que tudo! Você e Ametista!”.
A voz daquele homem ecoava pela sua mente toda dia, à toda hora.
Algumas lágrimas ameaçaram cair, mas as prendeu com muito esforço e
partiu para cima daquele banquinho. Antes, deu uma olhada em direção à porta,
mas parecia que estava realmente sozinha.
Respirou fundo então, e colocou o Chapéu Seletor entre suas orelhas,
cobrindo sua visão. A total escuridão e um silêncio temeroso a faziam sentir
as pernas amolecerem. Foi então que, como numa ilusão, num sonho, recebeu uma
carga elétrica pelo corpo. Uma dor latente capturou sua mente e apenas
conseguiu observar um raio cruzar a sua visão e uma voz gritar:
- SONSERINA!
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NO PRÓXIMO CAPÍTULO:
Finalmente, o mistério é desvendado.
"- Eu era o seu pai, Ametista."
Não desgrude os olhos nem pisque sequer uma vez em "SANGUE"
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