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NO CAPÍTULO ANTERIOR:
Começa o teste e Harry ultrapassa bem os seus dois desafios, encontrando Arabella no final - ele teria de enfrentá-la. Entretanto, Ametista teve de vencer sua mente e enfrentar uma cruel verdade - seu pai havia a abandonado quando ainda bebê. Sabendo disso, após destruir o dementador com um Patrono em forma de fênix, Ametista encontra Lupin e chora. Porém, o professor faz algo incrível...
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CAPÍTULO VINTE E SETE – O
COMENSAL, O CERVO E O BEIJO
- Bella! Bella! O que foi isso?
– gritava Harry confuso ao ver um raio cortar o ar logo à sua frente e quase
atingir a madrinha, que agora estava caída no chão.
Arabella tentava levantar-se do solo enquanto agarrava com força a
varinha na mão direita.
- Remo, ele está... Não sei... Não pode ser ele! – dizia a mestra em
meio a pensamentos.
Tornou o rosto para o afilhado e encontrou-o curioso logo acima de seu
corpo. Só havia uma coisa a se fazer. Arabella fechou os olhos com força e
concentrou-se por um momento.
“Eu preciso da sua ajuda! Venha rápido!”
Como num piscar de olhos estava postado ao lado de Harry o padrinho,
Sirius Black, com a face preocupada.
- Harry! Você está bem?! – indagava aflito, enquanto dava leves tapas
nas costas do afilhado em forma de conforto.
Porém, Harry sequer teve tempo de responder, pois ouviu a mulher logo
abaixo apontar a varinha para o ar e gritar: “Transparecium
Totalis!”. Conseguiu então entender a tamanha expressão de terror que se
assolou diante do rosto cansado de seu padrinho.
Harry voltou-se para trás e pôde ver algo incrível: o professor Lupin
estava levantando Ametista do chão apenas com uma mão agarrada ao pescoço da
aluna, como se tentasse sufocá-la.
Sirius imediatamente correu e parou a poucos metros de onde Lupin
levantava Ametista, que estava praticamente desmaiada pela falta que o ar lhe
fazia.
- REMO! O QUE É ISSO?! – espantou-se o bruxo.
Estranhamente, ao ver Sirius tão perto, Lupin soltou a mão do pescoço
de Ametista, que caiu como um grande saco de areia no gramado. A garota tossia
incontrolavelmente e parecia querer arrancar ar de qualquer jeito. Borrões
vermelhos, quase roxos, marcavam toda a extensão de seu pescoço. Harry foi ao
seu encontro.
- Ametista? Você está bem?
- Eu pareço bem?! – ela parecia bem descontrolada. – Esse maníaco
quase tentou me sufocar agora!
Harry procurou fechar a boca e observar os dois bruxos que começavam a
trocar algumas frases. Sirius falava naquele momento.
- Remo, você perdeu o controle?! E hoje nem é lua cheia! O que deu em
você?! – Sirius não estava exatamente preocupado com o quê poderia ter
acontecido a Ametista, e sim pelo comportamento tão estranho que o seu amigo
apresentava.
Lupin, surpreendentemente, tinha os olhos mais brilhantes do que quando há
pouco quase estrangulara Ametista.
- Sirius Black?! Quem diria, hein! – seus lábios crispavam conforme
dizia cada frase. – Mas, devo admirar, quanta petulância de dar as caras em
minha frente! Depois de tudo o que fez...
Sirius franziu a testa e ouviu alguns passos atrás de seu corpo.
Arabella estava em pé novamente e concentrava seus olhos negros em Lupin.
- Remo, o que você está dizendo?! Ficou maluco?! Snape fez alguma coisa
com aquela maldita poção que lhe dá?! – supunha Sirius em meio a um latido
apenas de pronunciar o nome do professor seboso de Hogwarts.
- Snape?! Não, não. Snape ainda não me prestou serviços – respondeu
Lupin, depositando os olhos em Arabella. – E você mudou bastante desde a última
vez que nos vimos – a encarou de cima a baixo. – Sempre bonita. E os negros
olhos especiais...
Num impulso, Arabella levou o corpo para junto do de Sirius e sussurrou
em seu ouvido:
- Não é o Remo.
Sirius assustou-se e virou-se para ela.
- Como você pode ter tanta certeza? Talvez Remo fosse apenas um pouco tímido
para falar essas coisas para você e agora teve coragem e...
- Remo nunca me olhou dessa forma. – interrompeu-o a bruxa, agitando a
varinha, ao ver o olhar do bruxo se recair novamente para a garota caída no chão
ao seu lado, sendo amparada por Harry.
- Finite Incantatem! – gritou
a bruxa em direção a Lupin.
O disfarce caiu por água facilmente. Então todos puderam assistir a um
bruxo alto, de aspecto esquelético e muito pálido, e cabelos louros
platinados.
- Lúcio Malfoy! – impressionou-se Harry, caído ao lado de Ametista.
Em seguida, o bruxo, agora em veste negras, apontou a varinha para Harry
e Ametista.
- Então tenho a chance de carregar dois prisioneiros comigo?! Que
presente você e o lobisomem me deram, Figg! – esbravejou Lúcio Malfoy em tom
vitorioso.
Sirius rapidamente gritou um feitiço de desarmamento, fazendo a varinha
de Lúcio Malfoy escapar de seus dedos e ir parar nas mãos do homem.
- Eu não preciso da minha varinha Black! Você deveria saber disso! Eu
sou um Comensal e tenho o poder que quiser em minhas mãos! – e gritando
enlouquecido, Lúcio saiu em disparada atrás de Harry.
Imediatamente, Harry levantou e puxou Ametista pelo braço com tamanha
força que a fez sair do chão. Os dois corriam descontroladamente sendo
seguidos pelo comensal de muito perto. Entretanto, nem eles nem mesmo Lúcio
esperava que alguém aparecesse para ajudá-lo.
Arabella e Sirius corriam atrás de Lúcio quando ouviram um raio cair
fortemente dos céus e cair muito perto de ambos, que se desequilibraram e caíram
no chão. Quando tentavam se levantar, deram de cara com outros dois comensais.
- O Malfoy cuida dos pequenos, e nós acabamos com os grandes. – disse
um deles, um homem extremamente bonito, de incríveis olhos verdes que Arabella
reconheceu rapidamente.
- David! – e seu coração deu um forte aperto.
Sirius levantou e ajudou Arabella levantar, afastando-se ligeiramente do
alcance dos comensais.
- Adams! Até mesmo você?! Eu sempre disse a você mesmo que ele era um
fraco idiota Bella! Mesmo estando na Corvinal! – dizia Sirius parecendo
ciumento.
- Vamos acabar logo como isso Nott. Você fica com a mulher, eu não
conseguiria mesmo matá-la de qualquer forma. – disse o comensal em suas
vestes negras, apontando com a cabeça para Arabella, que tentava controlar as lágrimas
que pareciam querer brotar.
Sirius e Arabella deram mais alguns passos para trás e empunharam suas
varinhas diante dos corpos. Sirius virou-se para a bruxa e disse em tom
alarmado:
- Precisamos salvar Harry do Malfoy!
- Não, precisamos salvar a Ametista do Malfoy, Sirius! Não se lembra do
Snape dizendo?! O Malfoy está atrás da Ametista! Voldemort está atrás dela!
O coração de Sirius foi tomado por uma dor muito grande e então, não
sabendo direito da onde viera, um raio cruzou em sua frente, atingindo ambos os
comensais, que caíram no chão desacordados.
Dumbledore estava atrás dos bruxos e tinha uma expressão irreconhecível.
Pior do que aquilo foi ver ao seu lado um Lupin, totalmente apavorado e com a
veste ligeiramente banhada em sangue, sendo carregado por um, mais calmo que
nunca, Draco Malfoy.
- O garoto Malfoy encontrou o professor assim na sala. O próprio pai o
atacou ao ver que o filho tinha visto a sua transformação.
E parecia mesmo verdade. Draco possuía um enorme rasgo no veste da
Sonserina, onde saía muito sangue.
- Meu pai vai raptar a Dumbledore. Eu o ouvi conversando com esses aí.
– disse Draco em tom de quem não dava a mínima, apontando para os dois
comensais desacordados.
Sirius e Arabella tentavam rapidamente digerir tanta informação nova
dentro de suas cabeças. Foi Dumbledore que os “despertou”.
- Vamos! Temos de impedir que Lúcio leve Ametista! – ordenou o
professor, fazendo com que Draco e Lupin ficassem onde estavam, já que os
ferimentos pareciam bem feios.
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Hermione
e Rony ficaram boquiabertos ao ver Draco e Lupin juntos, como se estivessem
apoiados um ao outro. Correram ao seu encontro.
- Professor?! O que aconteceu? – perguntou Hermione, dançando na ponta
dos pés envolta dos dois.
Lupin parecia não ter muita força para explicar o quê havia acontecido
tanto a ele quanto a Draco. Percebendo isso, o sonserino levantou-se
ligeiramente e cambaleou.
- Está vendo isso, Granger? – indagou, apontando para o rasgado de seu
casaco, exibindo a pele vermelha de sangue. – Meu pai estuporou o professor e
depois se transformou nele, entendeu?
- Seu pai?! Mas o que ele está fazendo aqui?! E o que você tem a ver
com isso, Malfoy?! – perguntava Hermione curiosa e confusa.
- AH! Certo! Vocês não viram, não é mesmo? – Hermione e Rony
entreolharam-se. Draco parecia satisfeito. – Está uma confusão dos diabos lá
dentro sabem – o garoto contava como se fosse uma estúpida briga de corujas.
Não é nem um pouco interessante. – Meu pai está perseguindo a Dumbledore.
Ele quer raptá-la.
- O QUE?! E você fala nessa naturalidade?! – surpreendeu-se Rony. –
E o Harry, como ele está?!
- Acho que o Potter está fugindo junto com ela. Não sei. O Dumbledore,
a professora Figg e o Black foram atrás deles.
Hermione sentiu as pernas ficarem moles e caiu no chão sentada. Depois,
tornou-se para Draco novamente.
- E como isso aconteceu? – indagou, indicando o rasgo.
- Meu pai me viu assistir sua transformação e decidiu aplicar um
castigo por ter sido tão curioso. – brincou Draco em tom sarcástico, mesmo
que àquela hora não fosse a mais apropriada para uma de suas ótimas piadas.
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Sem
qualquer direção, Harry e Ametista corriam velozmente. Harry trazia Ametista
segurando-a pelo pulso de maneira que chegava a doer bastante. Contudo, eles não
possuíam tempo para preocuparem-se com qualquer dor que pudesse abatê-los. Os
dois ainda ouviam os passos também do bruxo que corria atrás deles.
Entretanto, em um minuto, o barulho parou e foi como se Lúcio tivesse parado de
correr.
Harry e Ametista aproveitaram para parar e ofegar por alguns segundos. O
garoto largou o pulso de Ametista e não pôde deixar de reparar nas marcas tão
nítidas e fortes no pescoço da garota.
- Você tem idéia do porquê do Lúcio Malfoy estar correndo atrás de nós?!
– interrogou Harry.
Ametista apoiava os braços sobre os joelhos e levantou a cabeça.
- Provavelmente porque eu estou com você! Sempre que estou perto de você,
surgem problemas! – parecia bastante mal humorada como de costume.
- Não sou eu que quase morri sufocado há pouco! – retrucou Harry, que
parecia sem a menor força de discutir num momento como aquele. – Vamos correr
novamente.
- Ah! Claro! Potter, use seu cérebro para alguma coisa! – Harry
contorceu o rosto de ódio. – Nós não sabemos para onde foi o pai do Malfoy,
então eu proponho que fiquemos quietos por aqui mesmo. Talvez ele esteja longe
agora ou tenha desistido...
Harry ficou pensativo. Depois, os olhos negros da madrinha vieram em sua
mente. Ele caminhou contra Ametista, dirigindo-se mais para o centro do jardim
enquanto a garota ficava na margem do lago.
- O que será que aconteceu com a Bella?! Ela deveria ter vindo atrás de
nós! – resmungou o garoto aborrecido.
- Por favor, Potter! Vai choramingar agora também é?! – ralhou
Ametista, olhando o próprio reflexo no lago. – Eu não vou agüentar você do
meu lado res...
Mas, antes que pudesse terminar, Ametista sentiu novamente uma grande mão
envolver seu pescoço e, dessa vez, a jogá-la contra o lago. Era como se
tivesse levado centenas de facadas pelo corpo. A água era tão gelada que
sentia os dedos ligeiramente dormentes. Abriu os olhos embaixo da água e pôde
ver novamente a face mais pálida que nunca de Lúcio Malfoy. Ele puxou a cabeça
para fora da água, pegando ar. Ametista sentiu novamente que iria desmaiar
rapidamente. Agora, além de tentar sufocá-la, o Comensal da Morte tentava afogá-la.
Subitamente, Lúcio puxou Ametista para a superfície do lago. Ametista pôde
tentar recuperar um pouco de ar enquanto Harry assistia a tudo paralisado. O
Comensal havia-o enfeitiçado. Uma forte força subia pelos seus cabelos ao vê-la
daquela forma. “Eu vou assisti-la
morrer?”, pensava Harry com um aperto no coração. Ametista sentia que a
morte estava próxima quando sentiu ser jogada novamente para dentro da água.
Ficou durante alguns breves segundos com a cabeça no lago quando Lúcio
a puxou e gritou:
- Agora, você vem comigo! – ele tentou puxá-la para fora do lago, mas
Ametista deu um chute em sua barriga, o fazendo soltá-la, caindo de costas
contra a gélida água do lago de Hogwarts.
- Sua bruxinha atrevida! Você vai desejar jamais ter feito isso! –
vociferou Lúcio Malfoy, tentando se levantar e apertando a varinha entre os
longos dedos. – Crucio!
Ametista, mesmo dentro da água, foi atingida pela Maldição Imperdoável
que o comensal havia lançado e foi arremessada até o fundo do lago, se
debatendo da cabeça aos pés, sentindo que o corpo era totalmente retalhado por
milhares de espadas. Parecia que iria virar do avesso. E mesmo que estivesse no
solo, com certeza não teria ar para respirar. Aquela força tremenda que a
fazia contorcer-se de dor a fazia perder a noção do que era respirar.
Nesse momento, Harry agitava-se loucamente tentando se desvencilhar do
feitiço de paralisação do corpo lançado pelo comensal. Ametista deveria
estar sofrendo muito e parecia doer muito mais em Harry ficar ali assistindo a
garota descontrolar-se de dor. “Eu não
posso ficar aqui de braços cruzados assistindo ela morrer!”. Numa força
de vontade tremenda, misturada a uma raiva que o queimava por dentro, Harry
conseguiu se livrar do feitiço. Entretanto, uma imagem o fez parar o que fazia.
Vinham ao seu encontro Arabella, Sirius e Dumbledore. Os três corriam o mais rápido
que podiam, Dumbledore ligeiramente atrás pela idade. Antes que qualquer um
fizesse alguma coisa, viram o mais belo fenômeno acontecer bem diante de seus
olhos.
Seus ouvidos foram tomados por uma canção que fazia o coração pulsar
de forma tão feroz que os ouviam em seus ouvidos. Era uma canção de fênix.
Ametista sentia que iria desistir. A dor que a culminava era tão grande
que não possuía mais forças para tentar lutar contra. Estava vencida. E ainda
foi vencida diante de Harry. Contudo, antes de deixar-se levar, desejou pela última
vez rever aqueles olhos verdes que a encantaram numa noite de lua cheia. Que a
fizeram perder a cabeça e todo o controle. Um forte zumbido então invadiu seus
tímpanos e tornou-se uma bela canção que fazia sentir o coração na
garganta. A canção da fênix.
A garota concentrou-se então e imaginou alguém que poderia salvá-la. O
seu guardião. Surpreendentemente, uma figura turva surgiu diante de seu corpo e
pulou sobre a Maldição lançada por Lúcio.
Todos que assistiram de fora puderam observar um belo cervo bater as
patas no solo depois de quebrar o feitiço sobre Ametista, fazendo Lúcio Malfoy
desaparecer repentinamente. Harry piscou várias vezes antes de aceitar
finalmente que aquele cervo era, na verdade, o espírito de seu pai, bem diante
de seu nariz, acabando de salvar alguém que, Harry descobrira somente naquele
momento, era tão importante para ele.
Vagarosamente, a imagem bela e prateada de seu pai como animago
desapareceu por completo. Harry correu então para dentro do lago e retirou um
corpo mole e sem vida. Ametista estava finalmente em seus braços, mas parecia não
estar nada bem. Carregou-a até a margem do lago e colocou-a deitada na relva.
Dumbledore passou a mão trêmula em uma das maças do rosto da neta.
- Temos de levá-la à Ala Hospitalar. Ela não resistirá muito tempo
aqui. – disse apressado, levantando o corpo da neta com um feitiço.
Porém, antes de seguirem caminho, Harry o interceptou.
- Professor – chamou o garoto, que lançou um olhar desconfiado, mas
decidido a Sirius e voltou-se ao diretor. – Eu gostaria de carregá-la.
Sirius fechou a cara, ainda bem preocupado, e Arabella sorriu ao vê-lo
permanecer calado, sem reclamar. Em seguida, a mestra passou as mãos pelos
cabelos de Harry e deu um beijo em sua testa. O teste estava acabado. Mas havia
muito mais ainda. E muito pior.
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Na sala comunal, Harry contava
tudo o que acontecera com ele e Ametista no duelo. E também o ocorrido com Lúcio
Malfoy. Hermione estava com os braços entrelaçados nos de Rony, todos diante
da lareira acesa.
- Mas eu acho que o mais estranho de toda essa história foi o Malfoy.
Rony insistia em dizer que Draco andava estranho já fazia meses, mas que
desta vez foi demais. Ele praticamente ajudou-os.
- Não esperava que, depois do que aconteceu naquele corredor entre você,
ele e a Ametista, o Malfoy fosse querer ver a sua cara novamente! Aquele soco
doeu até em mim, Harry!
Os dois garotos riram. Hermione, por sua vez, reservou uma expressão
severa que somente ela e Minerva conseguiam fazer.
- Isso é muito mais que um desentendimento com Malfoy, Rony! Isso é
coisa séria! O que Voldemort iria querer com a Ametista?! Ela quase foi morta e
vocês dois fazendo piadinhas sobre o Malfoy!
Ambos sentiram um pouco de culpa. Entretanto, Harry sabia bem que nos últimos
dois dias desde que tudo havia acontecido, a única coisa em que conseguia
pensar era Ametista. Tentou vê-la na ala hospitalar, mas ela está sem
quaisquer condições de receber visitas, assim disse Madame Pomfrey. Sabia que
a única pessoa a ter acesso à garota além da enfermeira foi o avô. Os outros
foram impedidos de manter qualquer tipo de contato com ela.
Harry despediu-se e foi-se deitar. Rony e Hermione ficaram no andar de
baixo, namorando. Harry trocou-se rapidamente e deitou na cama, fechando o
dossel. Imaginou o que Ametista estaria passando naqueles dias sozinha na ala
hospitalar. Sozinha.
“Por que você se importa tanto
com ela?! Ela não merece nem um pedacinho da minha preocupação! Eu a odeio,
assim como ela me odeia!”, pensava Harry.
Porém, foi num impulso que Harry decidiu. Levantou velozmente, pegou o
Mapa do Maroto e vestiu apenas sua capa de Invisibilidade. Seguiu
sorrateiramente até a porta da ala hospitalar. Abriu com certa dificuldade e
finalmente, conseguiu adentrar. Pôde ver a enfermeira dormindo em uma das camas
do fundo da ala e concentrou-se em uma em especial. A cama era coberta por um
dossel branco, aonde se via parcialmente quem estava dentro. E, como previsto, lá
estava Ametista.
O garoto aproximou-se devagar e verificou se Madame Pomfrey estava mesmo
dormindo. Em seguida, retirou sua capa e observou a garota adormecida. Tinha
alguns cortes no rosto e ainda a expressão de dor acompanhava o sobe e desce da
respiração ritmada. Harry foi novamente tomado por uma intensa força e abriu
levemente o dossel, colocando parte de seu tronco e sua cabeça dentro da cama,
olhando Ametista mais de perto. Um incrível perfume de sândalo envolvia-o. Ele
sabia, vinha dela.
“Por que eu não consigo me
controlar perto dela? Por que sempre lembro daquela noite na sala comunal?
Daquele beijo...”.,
Ametista suspirou levemente e então, Harry percebeu.
“Foi o Malfoy! Claro! Eu não suportei vê-lo beijando a garota que EU
havia beijado, que EU tive em meus braços, que EU gosto!”. Harry sentiu um estalo na cabeça e sorriu. “Eu
gosto dela? Gosto?”, perguntou-se a si mesmo, mas acabou perdendo-se
novamente no perfume de sândalo de Ametista.
Harry
não conseguiu se conter novamente e, repetindo a mesma atitude daquela noite de
lua cheia, se viu grudando lentamente seus lábios nos de Ametista. De primeira,
a garota não acordou. Harry largou os lábios em forma de coração de Ametista
e a observou cautelosamente. Passou então os dedos carinhosamente pelo contorno
macio de seu rosto e pôde notar que as marcas no pescoço da garota estavam
quase apagadas por completo.
“Harry, o que você está fazendo?! Você odeia essa garota!”, pensava agitando a cabeça.
“É como Rony disse, ela não é para você!”. Harry lutava contra os
pensamentos tão contraditórios. Há pouco, ele perguntava-se se estava
gostando de Ametista. Agora, aceitava que ele a odiava. Tudo estava tão
confuso! “É tudo culpa do Malfoy!”.
Um arrepio na espinha ele sentiu e não conseguindo se controlar entrou
mais um pouco para dentro do dossel e debruçou-se sobre Ametista, fazendo com
que tocasse seus lábios novamente. Eles agora pareciam doces e mais
convidativos que nunca.
“Mas isso parece tão certo”,
continuava a divagar, soltando de seus lábios.
Ametista suspirou levemente. Harry permaneceu admirando cada centímetro
de seu rosto. “Não importa!”,
ralhou consigo mesmo.
Harry
pressionou os lábios mais fortemente contra os de Ametista e percebeu quando a
boca da garota mexeu lentamente. Harry pôde sentir os braços da garota o
envolvendo, como se fosse abraçá-lo, e deixar ser beijada. Harry não perdeu
tempo e arrepiou-se quando sentiu as mãos de Ametista percorrerem suas costas
enquanto se beijavam de forma cativante. Ele estava com o dorso inclinado sobre
ela, postou as mãos em sua cintura e às vezes, tocava-lhe o rosto gentilmente.
Ambos aumentavam o ritmo do beijo, e as mãos pareciam cada vez mais
envolventes. O perfume de sândalo que Harry sentia ao afagar o rosto nos
cabelos de Ametista o fazia delirar. O garoto percebera que, em nenhum momento,
a garota sequer abrira os olhos.
Passados cerca de quinze minutos, o que pareceu uma eternidade para
Harry, tão boa que não imaginava terminar, Madame Pomfrey deu um pulo de sua
cama e ascendeu à própria varinha. Harry imediatamente escondeu-se debaixo da
cama de Ametista, que somente naquele momento abriu os olhos. A garota levantou
num impulso nervoso e agitado, olhando para os lados, como se procurasse alguém.
- Srta. Dumbledore, você está bem? – indagou a enfermeira.
- Estou, estou. – respondeu Ametista brevemente, ainda checando todos
os cantos da ala hospitalar com os olhos.
A enfermeira apagou a varinha e voltou a dormir. Ametista deitou a cabeça
no travesseiro e sentiu um perfume diferente no ar. Estava acostumada ao seu
perfume de sândalo, mas aquele era muito mais envolvente. Levou os dedos à
boca e fechou os olhos. “Foi tão
real!”, pensou antes de cair adormecida novamente.
Harry esperou cerca de cinco minutos e colocou a capa novamente. Lançou
um último olhar a garota estirada na cama. Não deixou de sorrir. O coração
estava disparado e ainda tinha o perfume de sândalo por todo o corpo. Saiu da
ala hospitalar e lembrou de cada toque de seus lábios nos de Ametista. Era
impossível que ela não sentisse nada por ele. E foi relembrando esses momentos
que Harry teve a certeza que ela soubera de sua presença. Quando, em um dos
intervalos para pegar o ar novamente em que ambos desgrudavam os lábios, o
garoto pôde ouvir numa voz fraca, mas incrivelmente sedutora, Ametista
pronunciar pela primeira vez: Harry.
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Na manhã seguinte, Ametista
despertou com um homem sentado ao seu lado, tendo nos lábios um largo sorriso
branco.
- Professor! – ela festejou ao ver Lupin, novo em folha, sentado ao
lado de sua cama. – Como o senhor está?
Lupin aumentou o sorriso.
- Bem melhor. Eu fiquei muito preocupado com a senhorita, sabia? – e
riu em seguida de forma gostosa.
- Eu pareço bem? – indagou Ametista em tom maroto.
- Hum... Para mim, nada como uma boa noite de sono! – e sorriu mais
ainda.
Isso a fez lembrar do sonho que tivera na noite passada. Os inúmeros
beijos que dera em Harry, entrelaçados. Corou levemente.
- Mas, eu estou aqui para conversar com você.
- O que? – perguntou Ametista, enquanto divagava.
- Você vai sair hoje. Pode começar a se preparar, Hermione estava eufórica.
Ela ficou muito preocupada mesmo com você!
Ametista levantou o rosto corado e indagou ao professor:
- O Potter está bem?
- Oh! O Harry? – frisou o
mestre. – Sim, ele está muito bem.
Ametista abaixou os olhos para olhar suas pernas. Lupin continuou.
- Ele ficou realmente preocupado com você, sabe? Quando aquele cervo te
protegeu, Harry foi correndo e entrou no lago, te tirando de lá. Depois, te
carregou nos braços até o castelo e...
A garota levantou a cabeça rapidamente surpresa.
- Ele me... carregou?!
Lupin não conseguiu conter o sorriso.
- O que tem de mais nisso?
Ametista engoliu em seco.
- Bem, o senhor sabe, nós, bem... Nós não nos damos muito bem. Não
teria porque o Potter me carregar até o castelo.
- O Harry te carregou até o
castelo. E você sabe que ele também veio aqui umas três vezes nesses dois
dias querendo saber sobre você. Depois, deveria agradecê-lo.
Ametista fez um careta. Lupin engajou o assunto.
- Falando em agradecimentos, eu queria primeiro, pedir desculpas a você
e ao Harry por ter colocado-os em tal situação de perigo. Eu e Bella sentimos
muito mesmo tudo o que aconteceu com vocês.
- Não precisa se desculpar professor! Quem iria adivinhar que aquele
maluco do pai do Malfoy ia vir aqui e tentar achar o Potter ou sei lá o que?!
Lupin preferiu não contar os verdadeiros planos de Lúcio Malfoy. Assim,
continuou:
- E em segundo lugar, eu queria parabenizá-la por tamanha performance
contra suas duas primeiras tarefas.
Ametista, que ainda reservava certo sorriso no rosto, perdeu toda a
felicidade.
- Professor, já que o senhor é o meu guia – ela começou devagar e
bastante cautelosa. – eu queria fazer uma pergunta e gostaria de ter uma
resposta.
Lupin, curioso, franziu a testa.
- Meu pai abandonou a mim e a minha mãe, não é?
O bruxo sentiu perder o chão. Não queria que Ametista tivesse
perguntado aquilo a ele. Especialmente a ele.
- O que?!
- É que, na segunda tarefa, eu tive de enfrentar o dementador –
Ametista estava temerosa. – E quando cheguei perto dele, ouvi uma discussão
entre a minha mãe e o meu pai. Ele dizia que ia embora e no final, desejou a
minha morte e amaldiçoou a minha vida e a da minha mãe. – tocar novamente
naquele assunto doía demais para a garota, que tentava segurar as lágrimas.
Lupin reservou uma expressão estranha e indecifrável. Levantou-se
bruscamente. Depois, apenas respondeu, deixando a ala hospitalar e a garota:
- Eu estou com pressa Ametista – e ao ver o rosto da menina se encher
de pavor, finalizou. – Acho melhor você perguntar isso ao seu avô. Ele pode
te explicar melhor.
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NO PRÓXIMO CAPÍTULO:
Aguarde grandes emoções em "UMA FOTO, UMA REVELAÇÃO"
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