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NO CAPÍTULO ANTERIOR:
Toda vez que Ametista passa por emoções fortes - sejam boas ou ruins - o velho pesadelo que a aterroriza atinge-a no meio da noite. Dumbledore conta toda a história de sua família para Harry, que também descobre que sua madrinha pode ler as mentes das pessoas.
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CAPÍTULO
VINTE E QUATRO – O CHAMADO DE SNAPE
O sol se pôs rapidamente e a lua
cheia invadiu a escura sala de Snape. O professor não jantou e trancou-se no próprio
quarto. Uma dor incômoda tomou o seu braço esquerdo durante o dia todo. A
Marca Negra estava tão nítida na parte interior de seu antebraço que fervia.
Em seguida, uma mensagem se escreveu sozinha no espelho de seu quarto:
“JUNTEM-SE OS SEGUIDORES DO LORD DAS TREVAS PARA O PLANO DE DOMINAÇÃO.
MANSÃO DE LÚCIO MALFOY, NOITE DE SÁBADO!”
Snape sentiu o coração disparar. A hora havia chegado. E nada poderia
impedir Voldemort de executar o seu plano de destruição.
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Imediatamente, Snape saiu em
disparada até a sala de Dumbledore. O diretor o esperava repentinamente à
porta.
- Chegou a hora, Alvo – disse Snape ofegante. – Voldemort mandou
juntarem os Comensais da Morte na noite de sábado na mansão de Lúcio Malfoy.
Dumbledore
parecia sentir que o momento não poderia ser pior. Porém, estava escrito e
fariam de tudo para impedir Voldemort.
- Então temos até sábado para criar um plano e protegê-lo contra as
maldições das Trevas. – disse Dumbledore em um terrível tom de pesar e
preocupação.
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A sala estava escura e apenas os
objetos pratas brilhavam intensamente. Dumbledore olhava algumas fotos em cima
de sua mesa com tamanha dor e pesar nunca vistos antes. E ele sabia que estava
perto de acontecer novamente. Entretanto, desta vez, ele faria de tudo para
proteger a sua descendente. Subitamente, ouviu a sua porta abrindo lentamente e
um homem postado ao lado da gaiola de Fawkes. O diretor, de repente, disse ao
homem sabiamente:
- Você também sentiu?
Ao sair da sombra, a face entristecida de Sirius Black apareceu. Os olhos
azuis estavam inseguros e cheios de remorso.
- Eu estava acordado – arriscou o bruxo muito devagar. A sala era
iluminada pela bela lua cheia. – Foi exatamente à meia-noite, não é?
Dumbledore afirmou com a cabeça. Sirius procurou a janela e encostou a
cabeça nela lentamente.
- E o que vai acontecer agora, Alvo? – indagou Sirius em tom muito
preocupado.
- Severo recebeu um chamado... – respondeu Dumbledore calmo.
Sirius arregalou os olhos temeroso.
- Um chamado de Voldemort?
Dumbledore concordou tristemente com a cabeça. O sentimento de perda
tomou o seu coração por inteiro e, surpreendentemente, o de Sirius também.
- Ele vai cumprir a ameaça, Alvo. – disse Sirius de repente.
O diretor tinha a certeza daquilo, mas ouvir exatamente o que poderá
acontecer, era muito pior. Preferiu nada responder a Sirius. Ficaram durante
algum tempo calados e, em seguida, o diretor indagou:
- Você sabe por que você sentiu Sirius?
Sirius nada respondeu, apenas abaixou a cabeça. Sabia bem o motivo de
ter sentido aquilo novamente.
- Somente nós dois sentimos desta vez. Estamos ligados. Mesmo que você
ainda acredite que não. – disse Dumbledore.
- Alvo, eu tenho meus motivos para ignorar totalmente esse... esse sinal
– Sirius parou por um momento relutante. – Mas eu não consigo pensar em
apagar tudo o que passei na minha vida.
- Você não pode apagar. Mas
você pode se desligar. Sirius, deixe
esse seu orgulho para trás e conte tudo de uma vez. Porque eu não posso fazer
isso. Você tem de fazê-lo.
Sirius levantou os olhos e encarou o diretor.
- Eu? Contar tudo? Não, não posso! – protestou o bruxo.
- Você pode e vai Sirius. O seu coração já está tomado demais por ódio,
vingança e mágoa. Você precisa se libertar e abrir os braços para quem você
deveria nunca ter abandonado. Harry deve saber também.
Sirius abaixou a cabeça novamente. Contar tudo o que enfrentou em sua
vida, as coisas boas e ruins e o resultado de tudo seria tão doloroso para ele
quanto para quem Sirius realmente deveria contar.
- O que me diz? Vai se revelar ou não?
O bruxo deu um último olhar a Dumbledore e respondeu:
- Eu pensarei nisso.
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Mesmo que quisesse, Harry tinha
de conversar com mais alguém sobre o ataque de Ametista. Ao observar Hermione
atravessar a sala comunal com um aluno do segundo ano, levantou-se e foi até
ela.
- Hermione. Podemos conversar?
A
garota virou-se lentamente e concordou com a cabeça. Sentou-se num canto escuro
e procuraram se esconder de Rony.
- O que foi? – indagou a garota, ainda chateada.
Harry ajeitou os óculos agitado.
- É sobre a Ametista – Hermione levantou a cabeça e estufou o peito
autoritária. – Eu acho que posso explicar o que aconteceu com ela.
- E por onde você quer começar? Pela parte em que vocês ficaram aos
berros em plena sala comunal ou quando arremessaram um vaso no outro? –
insinuou a garota.
Harry fez um gesto impaciente.
- Não foi nada disso – respirou, pegando fôlego. – Nós conversamos
com o Dumbledore ontem depois da última discussão que tivemos sobre o
quadribol.
- E? – Hermione estava extremamente impaciente e irritada.
- Quando eu voltei, encontrei a Ametista debaixo da capa dela aqui na
sala comunal. Ela estava chorando e resolvi tentar conversar com ela.
A amiga franziu a testa admirada. Era uma grande novidade ouvir que Harry
quis ajudar Ametista em alguma coisa. Era o mesmo que querer ajudar Draco
Malfoy.
- Estávamos bem até que surgiu uma nova discussão, que ela começou, é claro! – Harry fez questão de frisar bem. – Nós
acabamos esquecendo que já era tarde e estávamos na sala comunal.
- Aí todos acordaram com o escândalo de vocês e eu fui obrigada a
mentir para a professora McGonagall. – completou a garota mal humorada.
- É. Quando nós percebemos que alguém estava entrando pelo quadro, nos
assustamos e corremos para baixo da capa da Ametista. Depois de tudo aquilo que
você presenciou, nós ainda ficamos durante um tempo embaixo da capa, muito
nervosos para pensar em qualquer outra coisa. Achávamos que da próxima vez que
brigássemos, seríamos expulsos de Hogwarts facilmente.
- E como você explica o vaso quebrado? – perguntou Hermione.
Harry ficou realmente corado nesse momento.
- Eu não sei explicar muito bem o quê fez aquele vaso se partir, mas não
foi arremessando na cabeça de ninguém...
- Que é que aconteceu então? – indagou a monitora agitada.
- Mione, eu não sei o que me fez fazer aquilo, mas eu senti que devia
– disse Harry muito corado e encabulado. Hermione começava a ficar
preocupada. – Eu e a Ametista, bem... nós...
- Vocês o que, Harry?! Tá começando a me deixar nervosa! – reclamou
Hermione.
Harry tomou bastante coragem e disse, até com um pouco de orgulho:
- Nós nos beijamos.
Hermione arregalou os olhos imediatamente. A boca abriu-se também, sem
palavras. Harry conseguiu corar mais ainda.
- Vocês... vocês se beijaram?
– ela perguntou como se fosse algo completamente absurdo. – Mas isso é... impossível!
Harry fechou a cara.
- Impossível por que? Você acha que eu não era capaz de beijar nenhuma
garota, Hermione?! – supôs realmente bravo.
Hermione começou a rir. Harry não entendera. Na verdade, ele estava se
lembrando de que fora por causa disso que a última discussão entre ele e
Ametista começara.
- Qual é a graça? – perguntou ao final.
- Harry, você é tímido, mas ainda assim é um garoto e é lógico que
um dia iria fazer isso...
- Como o Rony fez com você? – cutucou Harry.
Agora foi a vez de Hermione corar furiosamente.
- Ora Harry, francamente! Não
fale assim! – aborreceu-se a garota. – Eu só queria dizer que eu esperava
que isso acontecesse um dia, mas não com a Ametista!
Harry franziu a testa.
- E por que não?
- Você ainda pergunta?! Harry, a Gina estava muito mais fácil – Hermione não tinha outra palavra para usar. – para você
do que a Ametista! Você sabe, ela te
odeia.
- Eu sei disso! Eu também a
odeio, mas se ela odiasse mesmo, não teria deixado eu beijar ela, não é
mesmo? – disse Harry irritado.
- E se você odiasse mesmo, não teria beijado, não é mesmo? –
inverteu a situação sabiamente a amiga, fazendo Harry corar de novo. – Mas
você ainda não me falou sobre o vaso.
- Ele se quebrou sozinho – Hermione cerrou as sobrancelhas desconfiada.
– É sério! Você acha que depois daquele
beijo, algum de nós jogaria um vaso na cabeça do outro?
- Como vou saber? Não fui eu que beijei você! – brincou Hermione.
Harry contou sobre a conversa que tivera com Dumbledore, Lupin e Snape
naquela manhã, e depois com Arabella. Hermione disse que Harry não poderia ter
provocado o ataque de Ametista e não pareceu surpresa ao Harry contar sobre o
dom da madrinha.
- Era óbvio que ela sabia ler mentes, Harry. Apenas repare no jeito que
ela fala com os alunos. O “frio” que nós sentíamos não era normal.
Geralmente isso acontece quando nosso cérebro troca informações com o dela,
entendeu? Você já deveria saber disso. Está em Hogwarts,
uma história! – explicou Hermione, em tom absurdo, como se fosse comum
encontrar pessoas que lessem as mentes alheias ao livro, provavelmente, mais
entediante da face da Terra.
- E o que está fazendo uma informação como esta em Hogwarts, uma história?
– Harry achou estranho, já que imaginava o livro contar apenas coisas sobre a
escola e seus fundadores.
- Não vou responder. É bom, assim você aprende e lê o livro de uma
vez por todas! – respondeu Hermione, finalizando a conversa.
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Até mesmo Dumbledore esperava
uma recuperação mais rápida da neta, porém Madame Pomfrey somente deu alta a
Ametista na sexta à noite. Hermione fez questão de ir até a ala hospitalar e
acompanhar a amiga de volta a Torre da Grifinória. Na sala comunal, Rony e
Harry a esperavam. O segundo tremia estranhamente da cabeça aos pés, deixando
Rony curioso. Harry ainda não havia contado ao amigo sobre aquela noite. A
Velha Gorda deu passagem às garotas. A sala comunal estava vazia. Harry, Rony e
Hermione achavam que o caso havia sido abafado e Lilá e Parvati ainda estavam
assustadas demais para contar algo sobre aquilo com alguém. A monitora
sentou-se num dos sofás da sala comunal, Ametista ao seu lado.
- E então, como você está? – indagou Rony.
Ametista levantou a cabeça e via-se as olheiras profundas em seus olhos.
- Você parece... melhor. – arriscou o garoto novamente.
A garota suspirou e respondeu ao menino:
- Cansada. Eu estou cansada – dizia em meio a um bocejo. – Não
consigo mais dormir sem a poção do Severo. – e ela tirou um frasco azul, do
tamanho de uma garrafa, de dentro das vestes.
Rony e Hermione levantaram as sobrancelhas.
- Ficamos felizes que você tenha voltado. – disse Harry, pela primeira
vez de forma desajeitada.
Ametista voltou-se para o garoto. Os dois coraram. Ela nada respondeu,
despedindo-se apenas e seguindo para o quarto. Hermione e Harry trocaram um rápido
olhar e o garoto também subiu para o seu dormitório. Ao entrar lentamente,
Ametista já estava sentada em sua cama, segurando o cordão que fechava o
dossel.
- Hum... A gente poderia conversar? – perguntou Harry com a voz trêmula.
Ametista elevou seus olhos na altura dos de Harry e engoliu em seco.
- Eu não durmo direito há três dias, então será que não poderíamos
conversar amanhã? – respondeu receosa.
- Eu prometo ser rápido. – insistiu o garoto.
Ametista então se ajeitou mais para o lado, deixando um espaço para
Harry sentar.
- Eu queria explicar sobre o que aconteceu naquela noite... – ia
dizendo Harry bastante corado quando Ametista interrompeu-o.
- Escute Potter – Harry surpreendeu-se pela volta do rotineiro tom ríspido
com que Ametista falava. – Eu realmente não sei o que me deu para concordar
com... bem, você sabe – disfarçou, corando em seguida tanto quanto Harry.
– Nós dois devíamos estar malucos, sei lá...
Subitamente, Harry arregalou os olhos indignado.
- O que?! Então você quer dizer que não era para aquilo acontecer?!
Ametista abaixou os olhos e experimentou conversar com Harry praticamente
pela primeira vez sem encará-lo como de costume.
- Eu só acho que nós não deveríamos mais tocar nesse assunto porque
isto não irá se repetir! Nada mais de beijo! – disse um pouco relutante,
olhando para o lençol.
Harry não sabia o que responder. Então, relembrou a conversa com
Arabella: “...pode existir algo que
tenha convencido vocês naquela hora de se beijarem. Afinal, ela também te
odeia, assim como você a odeia, mas acabou concordando, não é mesmo?”.
- Então quer dizer que voltamos a nos odiar como sempre e a levar nossa
desprezível convivência adiante? – Harry parecia realmente magoado a pensar
em voltar ao que sentia antes.
Ametista continuou calada. Harry achara muito estranho a garota não o
enfrentar, encarando-o e deixando-o mais irritado. O garoto levantou-se então e
apenas finalizou antes de sair do quarto:
- E eu que fiquei preocupado com você, achando que tinha até provocado
esse ataque que você teve! Que burrice a minha não é mesmo?! Chego aqui e
ainda ouço ser chamado de Potter. –
e deixou o quarto muito chateado, batendo a porta, enquanto Ametista deixou
escapar um soluço.
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Snape sabia bem o que iria
encontrar naquela noite. Deixou Hogwarts no final da tarde de sábado
sorrateiramente e chegou ao casarão dos Malfoy por volta de oito horas. Um elfo
doméstico o atendeu e permitiu a sua entrada na mansão. Logo, ao chegar na
primeira sala, encontrou-se com o velho pai de Draco.
- Quem diria que você receberia o comunicado também! Às vezes, o nosso
mestre me parece um pouco com Dumbledore sabe? Confiar em pessoas que não se
deve não é uma atitude nem um pouco esperta. – recebeu Lúcio Malfoy.
- É sempre um prazer reencontrá-lo Lúcio. – respondeu Snape
firmemente.
O dono da mansão, assim como Snape, vestia trajes negros e capuzes. Aos
poucos, vários homens, vestidos exatamente iguais, chegaram a Mansão Malfoy.
Muitos sequer tinham conhecimento do que estariam para ouvir. Entretanto, Snape
tinha tudo arquitetado na cabeça, já sabia o que iria ter de ouvir e obedecer.
O relógio da casa deu dez badaladas, fazendo, ao meio da terceira e
maior sala da mansão, apareceu como num raio, um homem, baixo e careca como só
ele, e outro mais alto, com olhos extremamente vermelhos como sangue e de pele pálida.
Aos seus pés, uma serpente.
Todos os homens, exatamente oito no total, curvaram-se diante da figura
de Voldemort. Um círculo foi feito ao seu redor, e um de cada vez, beijava a
barra das vestes negras do Lord das Trevas.
- Após alguns meses, nos encontramos novamente. E fico feliz que todos
estão presentes. Mesmo aqueles que pensei não regressarem. – imediatamente,
Voldemort lançou seus olhos em Snape.
Os homens voltaram a formar o círculo envolta do bruxo e retiraram seus
capuzes da cabeça. Voldemort pareceu rir.
- Comensais da Morte, hoje serei breve e rápido. Porém, esta reunião
terá extrema importância para o nosso futuro.
Os bruxos permaneciam calados. Voldemort puxou a varinha de dentro de
suas vestes e conjurou uma cadeira para se sentar. A serpente que descansava aos
seus pés, rapidamente pulou em seu colo e sibilou algo que somente Voldemort
entendeu.
- Como já era de se esperar, somente alguns Comensais me foram leais
durante esses meses em que arquitetei o plano de dominação – e a cobra
sibilou novamente em seu ouvido. – Para minha surpresa, o velho Severo está
realmente me saindo melhor do que suspeitava.
Todos os Comensais imediatamente levantaram seus olhos ao professor de
Hogwarts. Snape permanecia calado.
- Entretanto, não serei tão benevolente – Voldemort pareceu fazer uma
horrível careta. – quanto poderia ser com você, Severo. Ainda há uma prova
de confiança que você deve realizar.
Severo gravara tudo na mente. Sentia os joelhos tremerem. Voldemort
pareceu pegar fôlego.
- Na noite de terça-feira – começou o bruxo, fazendo Severo suar
frio. – descobri algo que procurei por treze anos, pelo menos. E, mesmo que já
tivesse adquirido esta informação por Nagini – e indicou a cobra sibilante
em seu colo. – e por Lúcio Malfoy – Severo apertou os dedos nervoso. –
somente acreditei ter encontrado o que procurava naquela noite.
Lúcio adiantou-se e deu um passo a frente.
- Meu amo, foi como lhe disse, eu e meu...
- Silêncio! – ordenou Voldemort, levantando a varinha e apontando-a
para o Comensal. – Meu sangue ferveu novamente. Senti o herdeiro chamar e
convocar a minha presença. E, quem diria, por meio de Harry Potter.
Murmúrios espalharam-se pela sala da mansão. Os Comensais da Morte
pareciam enlouquecidos com a idéia de Harry Potter ter ajudado Voldemort em
encontrar algo. Severo, por sua vez, sentiu-se corroer por dentro e pensou: “Aquele moleque fez alguma coisa!”
- Depois de esconderem de mim por todos esses anos, eu encontrei a
terceira descendente de Dumbledore! – anunciou o Lord das Trevas vitorioso.
Imediatamente, os Comensais encolheram-se ao ouvir a risada aterrorizante
que assombrara o sonho de todos eles durante os treze anos de vida sem o bruxo.
Severo quase cedeu. Forçou os joelhos a permanecerem fortes, para que não
denunciasse qualquer vestígio de raiva ou pavor que sentia ao ouvir àquelas
palavras.
- Então agora, com a futura morte da terceira descendente, poderei
aplicar meu plano de dominação sem a interferência de ninguém.
- Mas, meu amo, o senhor já sabe como irá matá-la? – perguntou um
comensal postado ao lado esquerdo do bruxo.
- Com certeza, não será com a sua ajuda, Rabicho – respondeu
Voldemort, fazendo o bruxo sair das sombras dos quadros da sala e mostrar a mão
metálica. – Você já vacilou muito a minha confiança Rabicho, não
permitirei que aconteça novamente.
- Então, quem aplicará o plano, mestre? – indagou outro comensal à
direita do Lord.
- Ainda não está decidido totalmente me minha mente, Nott – disse
Voldemort. – Porém, desta vez, nada saíra errado. Nada. Harry Potter deverá
estar fora do meu caminho, assim como Dumbledore.
Os Comensais da Morte ouviam com atenção. Os olhos de fenda vermelhos
postaram-se diante de Snape. Voldemort levantou-se.
- Agora que eu sei que a terceira descendente de Dumbledore está em Hogwarts,
a minha espera terminara. Antes do final do ano letivo, a garota estará em
minhas mãos – Voldemort chegara tão perto de Snape que o bruxo podia sentir
o hálito podre do Lord. – Para que somente assim, eu tenha o poder de controlá-la.
Agora, Severo, a sua missão por enquanto,
é ficar plenamente atento aos seus movimentos. E que fique claro que agora,
e mais do que nunca, ela deve manter total distância de Potter.
- A morte dela será cruel, não será meu amo? – indagou Lúcio,
postado ao lado de Severo.
Voldemort não tirou os olhos dos de Snape.
- E quem disse que ela precisará morrer? – finalizou o bruxo,
desaparecendo da sala, assim como Nagini e Rabicho.
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Hermione e Rony ficaram sentados
sozinhos no salão comunal, após Harry subir para conversar com Ametista. A
garota entrelaçava os dedos nervosa e notou que as orelhas do garoto estavam
bem vermelhas. Continuaram calados por um bom tempo até ouvirem Harry resmungar
algo no andar acima e bater a porta do dormitório.
- Bem, eu... acho que vou subir. – arriscou Hermione, passando do lado
da poltrona onde Rony estava sentado.
O garoto agarrou seu antebraço num impulso, paralisando a garota no
lugar onde estava, sem olhar para trás.
- Por quê? – perguntou subitamente Rony.
Hermione sentiu as pálpebras tremerem. Na verdade, havia refletido
bastante sobre Rony durante aqueles poucos dias em que estavam separados. E
chegara a conclusão de que fora a coisa com que se arrependera mais fortemente
na vida.
- O quê? – indagou perdida ao garoto.
Rony puxou-a para sua frente. Encarou os olhos castanhos de Hermione
finalmente.
- Por que você não aceitou namorar comigo? – completou Rony.
A menina sentiu o braço formigar e Rony notou quando ela o agitou para
que ele a largasse. Rony então escorregou a sua mão do antebraço de Hermione
para a dela. Em seguida, tomou fôlego novamente e voltou a indagar:
- Por quê?
Hermione hesitou.
- Acho que eu já tinha deixado claro...
- Claro? Você simplesmente disse que não poderia aceitar! – ralhou
Rony.
- E você correu do salão comunal descontrolado, eu nem tive tempo
sequer de me explicar com você! – completou Hermione.
- Então me diga agora! Por quê? – indagou Rony levantando de súbito
e colando seu corpo no de Hermione.
Ambos sentiram corar e tremer. Era inevitável que o quê sentiam um pelo
outro era muito mais forte que os motivos pelos quais Hermione negara namorar
Rony.
- Vai me responder ou não? – insistiu o garoto.
- Eu... ainda é muito cedo e... – tentava explicar Hermione, mas Rony
a interrompeu.
- Cedo?! Nós temos quinze anos Hermione! Nós já somos grandes o
bastante para saber que isso é bem melhor que estudar, por exemplo!
- Mas...
Hermione ainda tentou relutar contra Rony, mas rapidamente, seus lábios
já estavam grudados nos de Rony novamente. E, talvez, ele até tivesse razão,
era muito melhor que estudar. O garoto não deixava Hermione escapar, mesmo que
ela estivesse dando leves socos para que ele a soltasse. Em vão. Ao final,
quase sem fôlego, Rony disse:
- Você ainda acha que é muito cedo para isso?
Hermione realmente não conseguira pensar em mais nada depois daquilo.
Preferiu responder com um beijo. Com o passar das horas, nada mais parecia cedo.
O receio desaparecera e puderam aproveitar o salão comunal sozinhos.
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Na mesma noite, Dumbledore,
Arabella e Sirius o esperavam na sala do diretor. Snape apareceu por volta de
meia-noite e meia, os cabelos molhados e a expressão atormentada. Uma forte
chuva caía do lado de fora do castelo. O mestre de Poções contara tudo sobre
o encontro com Voldemort e sobre sua missão.
- Mas isso não será mesmo difícil – dizia Sirius. – Eu mesmo posso
realizar a parte de não deixar Harry aproximar-se de Ametista.
Arabella deixou escapar um sorriso. Snape viu.
- Srta. Figg – a mestra encarou-o. – Eu tenho a leve impressão de
que sabe o quê aconteceu com os senhores Potter e Dumbledore naquela noite, não
é mesmo?
Sirius tornou-se para Arabella, a expressão curiosa.
- Me desculpe, Severo, mas eu não sei do que você está falando. –
respondeu a mestra com grande naturalidade.
Snape sentiu o sangue ferver.
- É lógico que sabe! O garoto é seu afilhado, deve ter contado algo a
você!
- Pois não contou! – retrucou afirmativa a mulher.
Sirius sentiu uma ponta de inveja. Poderia ser até egoísmo, mas gostava
quando Harry confiava muitas coisas somente a ele.
- Ele te contou algo, Bella? – indagou Sirius calmamente.
- Não, já disse que não!
Snape adiantou-se:
- Pois se Potter não lhe contou, você deve saber não é? Seus olhinhos
especiais... – insinuou Snape.
- Só porque eu descobri que você era apaixonado
pela minha amiga, não quer dizer que tenho a mania de ler as mentes das pessoas
por aí! – respondeu Arabella friccionando os olhos nervosa.
Sirius estufou o peito meio que orgulhoso. Ele e Snape cruzaram as vistas
e fecharam a cara. Havia algo no ar entre os dois. Dumbledore levantou de sua
cadeira, visando uma nova briga.
- Voldemort disse que não planeja matar Ametista? – queria confirmar o
velho bruxo, preocupado com a neta.
- Voldemort sempre deixa as perguntas no ar. Na minha opinião, ele não
matará Ametista. Afinal de contas, ele não é estúpido o bastante de
assassinar alguém tão importante para ele! – disse Snape.
Em seguida, o professor lançou um olhar duvidoso a Sirius, que não agüentou.
No momento seguinte ao pulo de Sirius, Snape estava caído no chão massageando
o queixo partido. Dumbledore meteu-se no meio dos dois e disse:
- Já falei para pararem com isso! Esse momento é delicado e os dois
deviam se unir, assim como todos nós! Deixem as suas diferenças do passado
para trás e amadureçam.
Dumbledore parecia realmente ter perdido a paciência. Virou-se para
Sirius:
- Eu pensei que Azkaban havia aberto a sua cabeça! Mas vejo que não!
Nem mesmo seus sentimentos parecem ter amadurecido! – Sirius abaixou a cabeça.
Arabella segurava o braço esquerdo do bruxo,
muito apreensiva. Dumbledore voltou a falar:
- Já está decidido! Após o fechamento do campeonato entre as Casas e a final da Taça de Quadribol, todos nós teremos uma excelente conversa! E vocês podem esperar, porque tanto Harry quanto Ametista estarão presentes!
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NO PRÓXIMO CAPÍTULO:
Hora de Ametista mostrar toda sua habilidade na Final de quadribol em Hogwarts. Para quem você torcerá? A Sonserina está completa - e o apanhador cheio de vontade - enquanto a Grifinória jogará sem o seu principal jogador. E agora?
Assegure seu lugar em uma das arquibancadas em "A FINAL DA TAÇA DE QUADRIBOL"
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