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NO CAPÍTULO ANTERIOR:
Numa reunião na sala de Dumbledore que reuniu até mesmo Arthur e Percy Weasley, Harry e Rony ficaram sabendo que todos estão esforçando-se para livrar Sirius. Será que Sirius seria inocentado?
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Logo após o café da manhã, os
alunos da Grifinória voltaram para a torre da Casa. A maioria espalhou-se nas
mesas, nos sofás e até mesmo no chão com diversos jogos. Jorge e Olívio
demoliam Alícia Spinnet e Lino Jordan em uma partida divertida de Snap
Explosivo. Lilá Brown e Parvati refaziam a tarefa de Adivinhações e tentavam
ler os sonhos dos alunos dos segundo e terceiros anos com as Cartas do Destino.
Rony e Neville observavam de longe, rindo das faces surpresas dos alunos
menores. Percy sentara numa mesa ao canto, revendo alguns pergaminhos entregues
por Hagrid. Harry estava impaciente. Havia mais de uma hora que esperava
Ametista descer de seu quarto para irem pegar a capa da garota. Na verdade,
Harry gosta de desafios e Ametista vive testando-o. Porém, desta vez, o garoto
decidiu segui-la até a Sala Amaldiçoada. Revia o caminho que Hermione havia
passado a ele pela décima vez. Rony aproximou-se e sentou ao lado do amigo.
- Onde está a Hermione? Eu a vi agora há pouco aqui. – indagou.
- Se você adivinhar, ganha um doce. – respondeu Harry um pouco ríspido,
observando o pergaminho feito pela amiga com o caminho.
- Biblioteca? – chutou Rony e Harry deu uma risada. – De novo! Ela
vai acabar enlouquecendo com tanto estudo! Os N.O.M.s ainda estão longe!
- Eu sei, vai dizer isso a ela! – respondeu Harry.
Rony reparou no pergaminho. Tinha certa semelhança com o Mapa do Maroto,
porém não havia as pessoas presentes no castelo, como mostra o anterior.
- Você tem certeza que isso vai dar certo? – perguntou. – Se a
Ametista te pega, você estará morto.
- Sei lá. Por que não daria? Já sei como ir e como sair. É só
segui-la e agitar um pouco o caminho e cair fora – disse Harry, meio
apressado. – Apesar de que, se formos esperar a noiva descer, vai acabar
anoitecendo! – terminou o garoto mal humorado.
- O que foi? – indagou Rony. – Você está nervoso!
- Não é nada. Eu só estou um pouco impaciente hoje. E ela ainda demora
um ano para descer! Que tanto ela faz dentro daquele quarto?
- Mulheres. Elas são muito complicadas mesmo. Mas não esquenta. Logo
ela desce e você vai para sua perseguição. – disse Rony, lembrando
ligeiramente da mãe quando vai se arrumar para alguma comemoração.
- Eu vou acabar desistindo! – resmungou Harry.
- Ah, paciência meu amigo. A Ametista é fogo, você sabe disso! Hoje
ela foi assistir o meu treino com o Olívio e fez questão de ir com casacos
pesados para mostrar que ela era mais inteligente e esperta que a gente.
Harry franziu a testa. Depois perguntou:
- Mas por que ela estava acordada àquela hora?
- Ela disse que era insônia.
- Hunf! – resmungou Harry. – Insônia que nada, Rony! Ela deve estar
caidinha pelo Olívio.
Rony percebeu uma pontinha de raiva em Harry. Mas preferiu não continuar
com o assunto.
- Mas, então, eu acho melhor você tomar cuidado. Fique esperto com a
Ametista e cuidado, dá que o Lupin pega vocês?
- Será? Apesar de que, se ele pegasse a Ametista, até que seria
divertido. Assim, ela pegava uma bela detenção e parava de se meter a besta
comigo – dizia Harry, sendo observado por Rony, que acabara de perceber que o
amigo havia mudado muito. – Mas vai ser rápido, se depender de mim. –
respondeu Harry, dando sinais de mais impaciência.
- Ah! Não sei não! Depois do professor ter nos encontrado lá, acho que
deve estar vigiando. Eu tomaria muito cuidado se fosse você. – avisou o
garoto ruivo.
Harry deu de ombros e continuou a analisar o pergaminho. Cinco minutos
depois, Ametista apareceu. Harry disfarçou e permaneceu lendo o pergaminho
discretamente.
- Demorou, hein! – resmungou Harry em baixo tom para si mesmo.
Ametista parou e virou-se para Harry:
- Anda me vigiando, Potter?! – estranhou ríspida.
- Ah! Vê se não enche, Dumbledore! – respondeu grosseiro. – Tenho
muito mais o quê fazer do que ficar te vigiando!
Harry bufou e subiu para o seu dormitório. Desceu rapidamente e
viu quando Ametista passou pelo quadro da Velha Gorda. Harry pegou sua
capa então e saiu discretamente pelo quadro. Pôde observar Ametista olhando o
pergaminho com atenção. Ficou parado bem atrás dela. Antes de colocar a capa
e prosseguir com a perseguição, os dois toparam com uma mulher.
- O que vocês dois vão fazer?
– perguntou a voz seca e impaciente da Profª. Figg. – Ou melhor, o que vão
aprontar?
- Dois? – estranhou Ametista, virando-se para trás. – Potter!
Harry nem pôde arranjar uma desculpa. Arabella já foi atropelando seus
planos.
- Eu perguntei onde vocês vão. – repetiu a professora.
- Eu estava indo... É... – dizia Ametista quando Harry interrompeu.
- Até a cozinha, professora. É que estamos
com um pouco de fome.
- Mas vocês acabaram de tomar café! – respondeu Arabella Figg
desconfiada.
Ametista trocou breves olhares de raiva com Harry e respondeu:
- É que eu estava um pouco indisposta esta manhã e me deu fome agora.
Podemos ir? – perguntou Ametista, aflita.
- Depois, pois queria exatamente conversar com vocês dois – disse a
professora. – Venham até a minha sala.
Os alunos entreolharam-se desanimados. Harry sussurrou para Ametista:
- Você não tem criatividade mesmo!
Ametista devolveu um olhar impaciente. Harry resmungou algo para si e
continuou seguindo a professora. Ao chegarem no sétimo andar, Harry avistou a
estátua do gárgula de longe e começou a relembrar todas as instruções
passadas por Hermione. Estava muito curioso para ver as estátuas,
principalmente a de Godric Gryffindor. Ao entrarem na sala, tomaram um susto.
Estava completamente mudada. As bancadas estavam brilhando e nos lugares certos,
todos os apetrechos da mestra organizados numa estante no canto direito da sala,
as cortinas agora limpas mostravam-se cinzas, e não negras como imaginavam.
Entretanto, com todas as mudanças, a sala ainda era sombria. As paredes eram
escuras e a única fonte de luz na sala vinha de uma grande chama dourada
concentrada no meio das bancadas.
- Já agendei com o Prof. Lupin as aulas de vocês – dizia a mestra
calmamente. – Observamos que vocês têm as tardes livres no dia das aulas de
Transfiguração. Porém, provavelmente o Sr. Potter terá treinos de quadribol
com o time da Grifinória. Então, as nossas aulas, Harry, serão após as aulas
de Herbologia, às oito horas...
- Após o jantar? – exclamou Harry desanimado.
- Sim, porém não se preocupe, pois as atividades não farão que você
bote para fora o que comeu. – disse Arabella, dando um sorriso discreto.
Harry sentiu um calor invadir seu corpo. Ao contrário das outras vezes
em que se encontravam, o gelo foi substituído por um enorme carinho. Fora a
primeira vez que a professora havia sorrido.
- E eu? – perguntou Ametista.
- Quanto à você, o Prof. Lupin agendou as aulas para as tardes livres
que há pouco mencionei. Procure-o para informar-se melhor. – respondeu agora
com a voz costumeira.
- Obrigada. – agradeceu Ametista mal humorada.
Os dois alunos saíram da sala e procuraram se esconder em algum lugar,
longe dos olhares da Profª. Figg.
- Agora você voltará para a torre da Grifinória, estou certa? – supôs
Ametista arrogante.
- Não, você se enganou – respondeu Harry ríspido. – Agora que a
professora Figg está aqui do lado, o único jeito de entrar na Sala é usando a
minha capa de invisibilidade.
Ametista soltou um muxoxo.
- Potter! Por que você me seguiu! Agora teremos de nos arranjar juntos!
– resmungou amargurada a garota.
- Eu sei, isto também não me agrada nem um pouco, mas se queremos pegar
a sua capa e ver as estátuas, é o único jeito.
Ametista mordeu o lábio e bufou.
- Está bem Potter. Mas espero que seja a última vez que tenho que fazer
algo em parceria com você!
- Igualmente. – respondeu Harry cerrando os olhos verdes.
Esperaram cerca de dez minutos e saíram devagar,
envolvidos pela capa de Harry. Quando passavam pela sala que acabaram de
visitar, ouviram um barulho estranho. Viram que vinha da porta ao lado. Harry
olhou para Ametista, que nada disse. O garoto pegou a sua varinha e
aproximou-se, abrindo a porta. Para sua surpresa, encontraram Fred e Angelina
Jonhson se beijando. Ametista e Harry ficaram corados imediatamente. Harry
estava fechando a porta lentamente quando algo rangeu e os dois adolescentes
pararam de se beijar.
- Você me disse que não tinha ninguém aqui, Fred. – disse Angelina,
segurando a face do garoto com as duas mãos.
Fred levantou-se e começou a olhar em todos os cantos da sala, à
procura de alguém. Harry e Ametista ficaram parados observando a situação até
que a garota puxou Harry, os tirando dali. Voltaram para o lugar em que haviam
esperado antes e retiraram a capa.
- Você quase fez ele descobrir a gente! – resmungou Ametista.
- Eu? Não tenho culpa que aquela porta é velha! – respondeu Harry
nervoso.
- Você poderia ter sido um pouco mais cuidadoso! – retrucou Ametista
implicante.
- Se não fosse pela sua insistência de mostrar-se e querer fazer tudo
sozinha, nós não teríamos nem encontrado a Profª. Figg ou muito menos visto
os dois naquela sala! – dizia Harry, aumentando a voz.
- Quer saber? – disse Ametista, quase gritando. – Eu não preciso da
sua ajuda! Eu vou sozinha até lá e pode ficar com a sua capa idiota! – e
saiu correndo para a estátua do gárgula.
- Ótimo! Eu não queria ir mesmo! – berrou Harry em resposta, quando
Lupin apareceu na escada.
Harry virou para trás e viu o professor ir a direção a sala da Profª.
Figg, segurando um pergaminho. Depois percebeu que o mestre estava chegando
perto de Ametista e que poderia perceber que a garota estava indo a Sala Amaldiçoada.
Imediatamente, Harry colocou a capa e correu para esconder Ametista. A garota
estava quase em frente à estátua do gárgula quando sentiu algo a empurrar
para a parede, escondendo-a atrás da estátua. Ametista ia gritar, mas alguma
coisa tampou a sua boca. Então percebeu a presença do professor. Ficou quieta
enquanto algo ainda cobria sua boca. Depois de observar Lupin entrar na sala de
Aparatação, Harry tirou a capa. Ametista suspirou aliviada ao ver o garoto.
Ficou esperando que o garoto tirasse a mão de sua boca, mas em vez disso, Harry
ficou parado. Os dois entreolharam-se e ali ficaram, até que Harry ia tirando a
mão da boca de Ametista, alisando os lábios da garota. Ela corou e cortou o
clima, desajeitadamente.
- Por que você veio atrás de mim, Potter? – perguntou agressiva.
- O que? – indagou Harry, saindo do transe.
- Por que você me escondeu, se tínhamos brigado? – repetiu de uma
nova maneira, mais ríspida.
- Pensei que você fosse me agradecer! – respondeu Harry, impaciente
novamente. – Mas vejo que estava enganado!
- Potter, se você me der licença, eu vou entrar aqui! – disse
Ametista, pegando a pequenina chave dourada no bolso do casaco.
- Pois eu também entrarei! – disse Harry decidido.
- A opção é sua! Tanto que não fique resmungando. – respondeu a
menina nervosa.
Harry bufou. Ametista colocou a chave no olho esquerdo do gárgula, girou
três vezes e a estátua moveu-se ligeiramente para a direita. Ametista
conseguiu ver a porta dourada. Abriu e entrou. Harry veio logo atrás. Tudo
estava escuro. Não conseguiam ver nada. Harry pegou a varinha e Ametista
reclamou:
- Meu pé! – Harry acabara de pisar no pé da garota.
Harry assustara-se com o grito e deixou a varinha cair no chão. Gritou
um palavrão e pediu que Ametista pegasse sua varinha.
- Potter, eu já disse que não! Você vai acabar passando mal aqui e
depois eu não vou conseguir te arrastar de volta ao castelo! – respondeu
impaciente.
O garoto suspirou.
- Parece que a nossa sina é ficar na escuridão, não é? – disse
Harry, ao lembrar-se do episódio no dia da tempestade, em que as luzes se
apagaram e que caíram no chão em meio à escuridão.
- Realmente! – respondeu Ametista ríspida.
Ametista começou a andar pela escuridão, com os braços estendidos,
procurando tatear algo. Logo Harry resmungou.
-
O que foi, Potter? – indagou Ametista curiosa.
- Você colocou essa mão gelada nas minhas costas! Quer me matar do coração?
– resmungava Harry.
Exatamente nesse instante, Ametista gritou e ouviu-se uma forte batida no
chão. Harry ficou apavorado, pensando no pior.
- Onde você está? – chamava pela menina. – Cadê você?
De repente, uma luz amarela surgiu e Harry viu a garota caída no chão,
com a sua varinha em punho.
- O que foi que aconteceu? – indagou, segurando a risada.
- Eu escorreguei nessa sua varinha! – vociferou Ametista, nervosa.
Harry não conteve o riso e tomou a varinha de sua mão, ajudando-a a se
levantar. Ametista logo largou da mão de Harry e reclamava de uma forte dor nas
costas. Acharam um pequeno banco velho num canto da sala e Harry a guiou,
fazendo sentar-se ali. Depois, gritou “Lummus
Solaris” e a luminosidade ficou bem maior. Somente assim puderam ver a
capa de Ametista largada perto da porta, estendida no chão sujo. Mas, Harry
realmente notou as estátuas. Foi seguindo o curso, começando pela menor. Uma
mulher bonita, segurando um grande escudo de bronze.
- Provavelmente Ravenclaw. – disse, reparando no escudo.
Harry continuou, reparando agora na mulher ao lado, pouco mais alto,
segurando um arco marrom, onde apoiada estava uma flecha dourada.
- Hufflepuff. – ressoou sua voz pela sala.
Sem Harry perceber, Ametista levantou-se de sua cadeira e começou a
caminhar devagar para a última estátua. Enquanto isso, Harry parou em frente
da mais bonita, em sua opinião. Um homem de postura ereta e de rosto austero.
Carregava na mão direita uma grande e bela espada prata, com rubis em todo o
punho. Harry sorriu ligeiramente e ainda conseguiu ver escrito o nome do
fundador mais corajoso de Hogwarts.
- Godric Gryffindor! – exclamou ele, emocionado.
Parecia ver a si próprio dali a alguns anos. O futuro de Harry estava em
sua frente, belo e forte, mas sábio, muito sábio também. “De que
adiantava ter a força ou a coragem se não possuía a sabedoria”, pensava
ele. Mas ele realmente parou na espada. Lembrou-se então de cada cena de sua
luta contra o basilisco, no segundo ano com aquela linda espada que surgiu de
repente do Chapéu Seletor. Como veio em boa hora aquela espada, salvou a sua
vida. Ela e Fawkes, a fênix de Dumbledore. Rapidamente, passou por sua cabeça
a jovem e frágil aluna do primeiro ano, Gina Weasley. A paixão que a garota
reservava por ele. Às vezes, sentia-se responsável, afinal a garota se
correspondia com o diário de Tom Riddle, falando de sua paixão pelo menino que
sobreviveu. Agora, em sua mente passou a imagem, não mais da pequena Gina, mas
da aluna do quarto ano, a irmã de Rony, a bonita garota Gina. Sorriu de leve ao
lembrar dos longos cabelos vermelhos, parecendo fogo. Depois, voltou a pensar na
espada que o protegeu.
- Se eu te contar Dumbledore, você não vai acreditar! – dizia Harry a
garota. – Eu usei esta espada! Ela me salvou do basilis...
Harry ia contando da sua luta contra a cobra gigante até que sentiu uma
forte dor na testa. Sua cicatriz estava ardendo, pegando fogo, ele diria. Pouco
depois, o garoto viu o reflexo de uma luz esverdeada se espalhar pela sala,
antes apenas iluminada por sua varinha. Teve que abaixar a cabeça e não
conseguia agüentar de dor.
- Ametista, você disse que não ia pegar a sua varinha! – esbravejou
Harry, sofrendo com a queimação da cicatriz em sua testa.
Mas a garota nada respondeu. Harry arriscou levantar pouco a cabeça e
viu a menina totalmente paralisada, diante da maior das estátuas. Esta mostrava
um homem forte, de aparência arrogante e nariz fino. Os olhos eram pequenos e
expressavam imponência. Realmente, a estátua exercia uma pressão forte a quem
olhasse. Os pequenos olhos mediam o observador de cima a baixo, deixando
qualquer um incomodado. Entretanto, o que mais chamou a atenção de Harry foi a
arma que estava postada na mão esquerda da estátua. Era uma espécie de cajado
ou algo parecido. Era feito de prata e na sua ponta, uma grande estrela
parecendo de cristal refletia os raios esverdeados da varinha de Ametista. Harry
ficou durante certo tempo apenas admirando a estrela tão perfeita. O estranho
é que o final do cajado enrolava-se, como uma cauda de cobra. Quando Harry deu
por si, viu que a estrela agora havia se transformado em uma cobra horrenda. O
garoto tomou a varinha e gritou algum feitiço, mas a varinha não reagiu ao seu
comando. Começou a se desesperar. Olhou novamente para a cabeça da cobra e
percebeu que era Nagini, a fiel servidora de Voldemort. Como um sibilo, Harry
ouviu sair da boca da cobra, que agora se aproximava do rosto de Ametista, que
permanecia paralisada:
- Salvem o guerreiro e a princesa!
A cobra começou a mostrar os dois dentes, pingando veneno fatal. Cada
vez mais perto de Ametista, Harry nada podia fazer. A varinha não o obedecia, a
cicatriz fervia e o corpo agora havia paralisado também. Entrou em pânico e
começou a gritar.
- SOCORRO! SOCORRO! ALGUÉM NOS AJUDE! POR FAVOR! – berrava
enlouquecido.
Nagini agora estava praticamente colada com os olhos de Ametista. Harry
continuava a gritar, mas ninguém aparecia. Tentou outro feitiço.
- Accio Espada de Gryffindor! – convocou o garoto desesperado, mas a
espada não se moveu.
Nagini abriu sua grande boca e, prestes a morder e espalhar seu veneno
pelo corpo de Ametista, Harry ouviu um barulho forte, que fez com que a cobra
parasse. De repente, apareceram Lupin e Arabella. Lupin, com sua varinha em
punho, aproximou-se de Ametista e gritou:
- Finite Incantatem!
Imediatamente, a luz esverdeada que iluminava a sala apagou-se e Nagini
desapareceu, voltando o cajado de Slytherin. Em seguida, Ametista desmaiou.
Lupin a agarrou e carregou para dentro do túnel. Enquanto isso, Arabella também
gritou o feitiço contra Harry e o garoto sentiu seu corpo amolecer. Arabella
deixou que ele se apoiasse nela e os dois deixaram a sala. Harry havia pegado a
capa de Ametista e a escondeu. Descendo as escadas, Harry percebeu que a
professora Arabella estava muito apreensiva. Perguntava seguidamente ao aluno se
ele estava bem, se havia se recuperado do susto. Harry sentiu um calor imenso
quando se apoiava na professora. Parecia quando a Sra. Weasley o abraçava. Amor
de mãe. Saíram diretamente na sala de Lupin e o professor derrubou todas as
coisas de sua mesa e deitou a aluna em cima. Ametista continuava desacordada.
Lupin gritou uma série de feitiços, mas nada fazia a garota voltar a si. Ele
entrara em desespero.
- Ametista! Fale comigo! – exclamava o professor, sacudindo-a.
Harry foi posto em uma das bancadas por Arabella. Por
um instante, achou que o mestre começara a chorar ligeiramente. Depois de
tentar todos os feitiços possíveis, o mestre sentou-se em sua cadeira e
abaixou a cabeça. Naquele instante, Harry percebera que Lupin realmente
chorava.
- Chamem a Madame Pomfrey! – disse Harry, observando a cena.
Porém, nenhum dos professores responderam. Em seguida,
o garoto olhou para a mestra ao seu lado e esta também chorava timidamente. Ela
foi até a mesa de Lupin e postou-se ao seu lado. O homem abraçou a professora
e soluçou devagar. Ela, por sua vez, passava a mão pelo seu cabelo castanho
claro, em forma de consolo. Harry notou que haviam perdido as esperanças e então
olhou para a menina, deitada sobre a mesa. Tinha a expressão apavorada e
triste. Os olhos estavam fechados e o garoto teve vontade de olhar mais uma vez
para aqueles olhos que lembravam o oceano. Sentiu uma forte dor no peito que o
sufocava. Uma dor tão poderosa que ele poderia cair ali, cair e ficar. Harry
decidiu ir até a mesa e debruçou-se em cima da menina. Começou a lembrar de
suas infindáveis discussões, a maioria sem razões, que sempre desgastavam aos
dois. Mas ainda sim, Harry tinha uma boa lembrança da jovem. Talvez fosse por
ela carregar o sangue de um homem que o garoto admirava mais do que tudo. A
raiva tornou-se ódio facilmente para Harry em relação à Ametista e, somente
agora, ele sentia seu coração doer de ódio mesmo. Entretanto, quando Harry
menos esperava, sentiu algo mexer. Levantou-se e pôde ver os olhos azuis
abrindo-se devagar.
- Professor! – chamou a Lupin agitado.
Lupin virou-se e encontrou a aluna tão querida com os olhos bem abertos.
Sorriu feliz e limpou as lágrimas de seu rosto. Arabella bateu palmas e Harry
sentiu ser invadido por uma onda de calor. Percebeu que estava corando. Ametista
levantou-se e perguntou devagar:
- O que aconteceu?
- Nós é que perguntamos! – respondeu Harry bem humorado.
- Eu não me lembro de nada. – disse a menina ainda um pouco abatida.
- Nada? – indagou Arabella.
- Não. – confirmou Ametista.
Lupin respirou fundo e pediu que Harry contasse tudo do começo. Depois
da parte do garoto, ele terminou com a parte em que os salvaram.
- Mas professor, como vocês sabiam que nós estaríamos aqui? –
indagou Harry curioso.
- Eu tenho um mapa também, Harry – respondeu Lupin. – Um Mapa do
Maroto. Antes de Filch confiscar um mapa, nós fizemos uma cópia exatamente
para evitar que alguém o pegasse e que nós não tivéssemos outro então. O
Mapa do Maroto que você tem é o original. Eu tenho a cópia mais completa, já
que nestes dois anos em que lecionei aqui, o complementei.
- Então é por isso que você soube que Hermione e Rony estavam aqui?
- Não. O caso deles foi diferente. A Hermione já tinha me comentado
sobre a Sala. Então fiz questão de ficar de olho em vocês. Arabella avisou-me
que havia visto uma movimentação diferente no sétimo andar e aí sim eu olhei
no Mapa do Maroto. Foi assim que descobri os dois vindo para cá nas capas de
Invisibilidade – e Lupin olhou torto para Ametista, que se sentou na cadeira
do mestre. – Isso é um outro assunto que precisamos conversar.
Passaram a tarde na sala de Lupin. Ametista foi levada logo depois para a
enfermaria e Harry ficou na sala com Lupin falando sobre o acontecido.
- Professor, você tem alguma idéia sobre a causa da paralisação da
Ametista? Ou a minha? – perguntou Harry.
- Isso ainda é algo que será discutido mais tarde, Harry.
De repente, bateram na porta. Entraram devagar Hagrid, segurando uma
coleira com um cachorro preto enorme.
- Como vão? Ah! Olá Harry! – cumprimentou Hagrid, soltando a coleira
do pescoço do cão. – Bom, não poderei ficar aqui por muito tempo, preciso
adiantar os feitiços para Canino – e Lupin entregou alguns frascos para
Hagrid. O gigante agradeceu. – Com licença. – e saiu da sala.
- Feitiços para Canino? – indagou Harry.
- Tempos de raiva... – respondeu Lupin.
Sirius transformou-se e bateu nas costas de Harry. Este reclamou. Ainda
estava fraco. Sirius estranhou.
- O que foi? Desde quando reclama de meus cumprimentos. Nunca falou nada,
muito menos dos de Hagrid.
- É que... – dizia o garoto em resposta até que Lupin lançou um
olhar ameaçador e Harry inventou que tinha caído da escada.
Sirius não insistiu e sentou-se numa bancada. Olhou em sua volta e
bocejou. Estava quase escurecendo. No final, Harry não havia comentado que era
Nagini, a cobra de Voldemort, porém algo que Ametista disse antes de ir para a
enfermaria o intrigou.
“- Professor, eu ouvi algo semelhante a um sibilo, mas eu não me
lembro.”
“- Não precisa – respondia Lupin, lembrava-se Harry. – Agora, eu
precisarei fazer algo com vocês. Passarão por uma detenção, claro e... –
dizia até quando parou e tomou a varinha de Ametista. – Eu ficarei com ela
por enquanto.”
Sirius reparou na varinha prata em cima da mesa de Lupin.
- Remo, por que a varinha daquela garota esta aqui? – indagou o
padrinho com tom de desdém.
- Vou verificá-la Sirius. Você sabia que iria fazer isso logo.
Harry reparava quieto na conversa. Sirius continuou:
- Mas eu já te disse que é tempo perdido. Todas as coisas dela são de
origem duvidosa.
- Sirius, por favor! Não vamos entrar em discussão de novo. Parece que
não aprende! – respondeu Lupin nervoso.
- Por que as coisas de Ametista são de origem duvidosa? – indagou
Harry, interrompendo a conversa.
- Simplesmente porque... – respondia Sirius em voz alta até que Lupin
levantou-se de sua cadeira.
- Aprenda Harry que seu padrinho é extremamente rancoroso e que não
sabe o que fala na maioria das vezes. Agora, já está escurecendo. Vá para a
sua torre. – ordenou Lupin.
Harry assustou-se e despediu-se. Enquanto voltava para sua torre, tentava
entender tudo o que havia acontecido na manhã e por que sempre que Sirius dizia
algo contra Ametista, Lupin o cortava.
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- O que aconteceu? – indagou
Hermione desesperada. – Ficamos o dia todo esperando vocês!
- É melhor vocês se sentarem, pois a história é longa. – respondeu
Harry.
Rony e Hermione passaram a tarde toda curiosos, procurando alguma informação
sobre os amigos. Harry chegou e contou tudo com detalhes aos amigos. Os dois
ficaram impressionados com a história e Hermione ficou muito preocupada com
Ametista, que ainda permanecia na enfermaria.
Durante todo o jantar, Dumbledore fitou Harry. O garoto não sabia bem
qual era o motivo, mas sentiu-se muito incomodado. Será que o diretor ficara
sabendo da Sala Amaldiçoada e havia posto toda a culpa em seus ombros? O garoto
quase não comeu. Antes de acabar a refeição, Harry encheu os bolsos do casaco
da Grifinória com bolinhos de batata e espinafre e despediu-se dos amigos.
Dirigiu-se a enfermaria. Ao chegar, encontrou Madame Pomfrey quase dormindo em
cima de alguns livros abertos sobre sua mesa. Bateu ligeiramente na porta, mas a
enfermeira não percebeu. Aproveitou e entrou escondido. Havia apenas uma cama
ocupada. Ocupada por uma menina de cabelos castanhos brilhantes. A neta do
diretor estava adormecida. Harry sentou-se numa pequena cadeira ao lado da cama
e ficou admirando-a. Parecia renovada, após o ocorrido de manhã. Agora,
lembranças diversas passaram por sua cabeça.
- Potter? – indagou uma voz em baixo tom.
- Você acordou – disse Harry meio sem jeito. – Eu trouxe uns
bolinhos para você. Se estiver com fome, claro.
Ametista pegou um deles e começou a comer.
- Mas por que você está aqui? – perguntou com a boca cheia. – Não
tem por que se preocupar comigo, principalmente você. – insinuou a garota
voltando ao seu “estado” normal.
Harry notou isso e não queria sair por baixo também.
- Eu só vim, pois Rony e Hermione preocuparam-se muito com você. Como
eles não puderam vir, aqui estou eu. – resmungou.
- Eles devem ter pirado com a nossa demora. – debochou, mordendo outro
bolinho.
- Sabe, acho que se eu convencer a Madame Pomfrey, você poderia voltar
para a torre. – disse Harry, puxando assunto.
- Meio difícil, Potter. Ela está dormindo faz uma hora.
- Seu avô passou aqui? – indagou Harry.
- Passou. Ficou extremamente preocupado. Disse que nunca mais devo voltar
lá. E você também... Sei lá, ele ficou bem bravo. Não queria que ele
viesse. Lupin ficou comigo aqui até pouco tempo. – respondeu Ametista
desanimada.
- Sério? Ele ficou me encarando o jantar todo. – reclamou Harry.
Ouviram um barulho e logo uma voz imponente.
- Você não deveria estar em sua torre, Harry?
O garoto virou para trás e deu de cara com uma barba branca enorme.
Dumbledore parecia incomodado. Era a primeira vez em que via o diretor bravo
consigo.
- Desculpe. É que eu estava preocupado com a Ametista. – respondia
Harry “mentindo”, sentindo-se um rato acuado.
- Tudo bem – disse Dumbledore sério. – Como disse, eu não quero
mais ver nenhum de vocês dois lá novamente. É perigoso e não quero ouvir
nenhuma reclamação mais tarde se algo acontecer. Agora, Harry, eu preciso
falar com você lá fora.
Harry seguiu para o corredor juntamente com o diretor. Para seu espanto,
Lupin estava encostado na parece oposta, segurando uma caixa fina. O garoto
lembrou-se de que era a caixa da varinha de Ametista.
- Harry, você disse ao professor Lupin que apareceu uma cobra, vindo do
cajado de Slytherin, certo? – perguntou Dumbledore.
- Sim. – respondeu Harry amedrontado.
- Pode repetir o que a cobra disse, já que você entende o quê elas
dizem.
- Ela disse: “Salvem o guerreiro e a princesa!”.
- Muito bem – respondeu o diretor, enquanto Lupin apenas ouvia. –
Apenas mais uma pergunta. Você reconheceu a cobra?
Harry sabia que Dumbledore tinha descoberto algo. Mas como desconfiava da
cobra de Voldemort? Será que ela era a causa da tal maldição que recaía a
estátua de Slytherin ou havia algo à mais?
- Reconheci. – respondeu o garoto, quando Lupin levantou os olhos e
encarou o diretor, como se já soubessem a resposta.
- E quem era ela, Harry? – indagou o diretor.
- Nagini, a cobra de Voldemort. – respondeu Harry rapidamente.
Durante um tempo, Dumbledore e Lupin ficaram se olhando, quietos e
misteriosos. Antes de dispensarem Harry, Dumbledore apenas disse a Lupin:
- Era isso que eu mais temia!
Harry voltou para a torre da Grifinória confuso. Não conseguia
encontrar respostas e muito menos achar perguntas ordenadas.
- Corações de chocolate. – exclamou ele para a Velha Gorda, que quase
adormecia.
Entrando na sala comunal, encontrou Hermione com um livro em suas mãos e
Rony jogando xadrez com Neville. Ganhara pela terceira vez.
- Onde você esteve? – perguntou Hermione.
- Na enfermaria, precisava visitar Ametista.
- Que mudança hein, para quem estava hoje de manhã cuspindo fogo pela
boca e se xingando pelos cantos. – zombou Rony, fazendo Hermione lançar um
olhar de reprovação;
- E como ela está? – interrompeu a garota.
- Bem, mas não consegui perguntar o que queria.
- E por que?
- Eu precisava saber se ela tinha entendido algo que a cobra havia
falado. Mas aí o Dumbledore nos pegou e não gostou nada.
- Harry, eu andei lendo algumas coisas e nada encontrei – disse a
menina disposta a ajudar. – Parece algo como uma charada. Aquela Nagini é
traiçoeira! Só pode ser um recado de Você-Sabe-Quem!
- Eu também acho isso, mas que recado mais sem sentido! – resmungou,
sentando no sofá ao lado da amiga.
Harry reparou no livro que a garota estivera lendo.
- A tal lenda que o professor Flitwick havia nos contado?! E o que isso
tem a ver? – surpreendeu-se Harry.
- É a única coisa que me resta sobre guerreiros e princesas, Harry!
- Você não tem uma idéia melhor não?
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NO PRÓXIMO CAPÍTULO:
É Dia das Bruxas em Hogwarts e Hogsmeade abre seus portões para receber os inúmeros alunos da Escola. Porém, numa festa tomada por uma guerra de comida, algo inesperado aparece no teto do salão principal.
Acomode-se numa das mesas do Três Vassouras em "O RETORNO DE VOLDEMORT"
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