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NO CAPÍTULO ANTERIOR:
Realmente,
o passeio não foi tão divertido assim para Rony. O que será que aconteceu
entre Hermione e Krum? E quem diria...Malfoy! A família Malfoy. Nenhum
comportamento estranho até agora. Mas, e no baile? E Harry também tem de
aprender a conter-se perto da namorada...
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CAPÍTULO
NOVE – O TEMPLO DE RAVENCLAW, VAGA-LUMES E OS OLHOS DOS BLACK
Nenhum dos hóspedes do castelo jantou naquela noite. Rony aproveitou o último
pacote de sapos de chocolate e dividiu-o com Harry. Ambos estavam em seu dormitório,
conversando sobre o incidente com Draco e o beijo entre Harry e Ametista.
- Sirius percebeu?! – ria Rony, que parecia melhor após a conversa com
o melhor amigo. – Ele não respondeu nada?
- Disse que iríamos conversar... Eu nem sei o que pensar! – respondeu
Harry preocupado.
Harry nem imaginava que Sirius não teria tamanha coragem – ainda.
- AH! Tenho certeza que ele já passou por isso inúmeras vezes na sua
adolescência! Ele só está fazendo essa tempestade por causa da Ametista.
Querendo ou não, você está namorando a “suposta” filha dele.
- É verdade – Harry deu uma pausa comprida. Observou Rony mordendo a
cabeça do sapo de chocolate com vontade. – Até quando vocês vão ficar
assim?
Rony levantou a cabeça e encarou Harry indiferentemente, sabendo que ele
falava de Hermione.
- Até ela me aceitar do jeito que eu sou.
Harry bufou profundamente.
- Só porque ela pega no seu pé com os estudos não quer dizer que ela não
te aceite do jeito que você é – Rony fez uma careta. – Nós estamos
falando da Mione, da nossa Mione! Tanto eu quanto você sabemos que ela
é maluca por você!
O jovem ruivo terminou de massacrar o sapo e retornou o olhar a Harry
seriamente.
- Chega desse assunto. Fique satisfeito que você tem alguém que goste
mesmo de você. – e virou para o lado, apagando a vela de sua cama e dando as
costas para Harry.
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- Bonjour...
Hermione respondeu desajeitada para o elfo que a cumprimentara enquanto
caminhava até o fundo do castelo. Era um amplo gramado, delineado por passagens
feitas de pedras negras, rodeadas por grandes hortênsias. Havia uma série de
mesas cobertas por toalhas brancas ao lado do gramado. Parecia que o Baile do
dia seguinte aconteceria nos fundos do elegante castelo de Saint-Pierce.
- Eu estava procurando por você. – ouviu uma voz seca as suas costas
dizer.
A jovem encontrou os olhos negros de Arabella focando-a ao virar-se.
- Vamos comprar seus vestidos para a amanhã à noite, que tal? Ametista
já está na sala, apesar de estar um pouco mal humorada... – riu Arabella.
Hermione abaixou os olhos, desanimada.
- Eu não vou.
- Eu não vou...? – indagou a madrinha de Harry inquieta.
- Eu decidi que não vou ao Baile. Prefiro começar a ler os livros para
esse ano e...
- Hermione – chamou Arabella, levantando o queixo da garota e focando
seus olhos nos dela. – Nós nem compramos ainda o material.
Hermione notou o quanto sua desculpa fora idiota e procurou fugir o mais
rápido possível sua visão da de Arabella, mas logo sentiu um arrepio gelado
correr pela sua espinha. Ela estava lendo sua mente. Após cerca de um minuto,
Arabella piscou e Hermione viu suas pupilas dilatarem-se.
- Venha comigo. – ela disse, puxando Hermione pelo pulso até o fundo
do gramado.
Havia uma grande barreira de pedras claras formando um triângulo sobre o
gramado. Hermione não pôde ver o quê havia dentro da formação, já que as
pedras eram mais altas que ela própria. Arabella tocou a palma de sua mão
esquerda numa das rochas e fechou seus olhos. Ordenou que Hermione fizesse o
mesmo. Após fazê-lo, Hermione sentiu seus pés baterem contra uma superfície
instável. Arabella mandou-a abrir seus olhos e soltou seu pulso. Hermione ficou
boquiaberta.
Estava numa caverna. Mas aquela não era uma caverna qualquer. Era uma
caverna de estalactites. O teto da gruta era cheio de pontas afiadas para baixo,
de variações entre o azul e o roxo. Dependendo de onde Hermione localizava-se,
a cor pulava do azul claro para um roxo brilhante. Era encantador. E, se não
fosse somente aquilo, Arabella puxou Hermione pelo pulso novamente e caminhou
alguns metros para frente. Hermione estava tão encantada com as estalactites
que não percebeu quando a mestra paralisou diante de um véu de água. Era uma
barreira aquática, em que se via de seu outro lado, uma grande intensidade de
luz.
Arabella tocou a superfície da barreira vertical de água e ela cessou
imediatamente. Hermione ficou estarrecida, como se ainda fosse possível. Era
uma sala formada somente de gelo. Porém, não estava nem um pouco frio lá
dentro. Na verdade, Hermione estava até com um pouco de calor. Havia ainda
estalactites no teto, mas elas eram feitas apenas por gelo. Ao entrarem,
Arabella soltou o pulso de Hermione mais uma vez e a barreira de água voltou a
formar-se. Bancos de gelo estavam espalhados sobre a extensão da pequena sala,
que carregava uma tonalidade entre o branco e o azul. Havia também, algumas
almofadas brancas espalhadas pelo chão, dividindo espaço com uma bela estátua
cujo corpo era feito de gelo e as vestimentas tinham um tom acobreado e azulado.
Era uma mulher de cabelos compridos e que carregava um escudo.
- Onde estamos?
Hermione viu Arabella ficar parada diante da bela estátua. Seus olhos
estavam totalmente abertos e as pupilas estavam bem pequenas.
- Este é o Templo de Ravenclaw.
Hermione pensou rapidamente em Rowena Ravenclaw, a fundadora da Casa
Corvinal, de Hogwarts. A jovem monitora da Grifinória notou que Arabella sorriu
de repente.
- Exatamente, Hermione – respondeu a mulher, sem tirar os olhos da estátua.
– Este é o Templo de Rowena Ravenclaw, uma dos quatro grandes de Hogwarts.
A garota arregalou os olhos. Arabella tinha lido sua mente sem sequer
manter o contato visual entre ambas. Como aquilo era possível?!
- Não se espante, Hermione – disse Arabella, voltando finalmente a
olhar a aluna. – Meus poderes se fortalecem aqui. Por isso não tenho que focá-la
para ler sua mente. Seus pensamentos são naturalmente atraídos até minha
consciência.
Hermione observou mais uma vez a estátua. Depois, voltou-se para a
mulher que a acompanhava.
- Esta é...
- Sim, esta é uma das estátuas de Rowena. Na verdade, a mais especial
delas... – dizia, focando a estátua novamente. – Foi Slytherin que a fez.
A jovem ficou surpresa. Salazar Slytherin possuía um gosto, no mínimo
incomum, para estátuas então?
- Salazar era apaixonado por Rowena – explicou Arabella, olhando agora
para Hermione e indicando as brancas almofadas para a garota sentar-se. Ela
mesma acomodou-se numa delas. – Este foi um presente que ele resolvera dar a
ela.
- Mas... – Hermione procurava perguntar rapidamente antes que Arabella
já viesse com a resposta. – Por que estamos aqui e o que isso tudo tem a ver?
Arabella sorriu tímida e tirou seu comprido casaco negro. Ela trajava um
vestido branco que fizera Hermione espantar-se, já que a mulher sempre vestira
roupas escuras.
- Eu já passei pelo que você está passando ou pelo menos parecido com
o que você está vivendo.
Hermione encarava Arabella seriamente e atenta.
- Como você pode entrar aqui? Digo, nós ainda estamos na França ou...?
– Hermione estava bastante confusa.
- Sim, nós ainda estamos na França, na verdade, no mesmo castelo de
Saint-Pierce. A única diferença é que estamos no subterrâneo – Arabella
dizia sabiamente. – Há milhares de anos atrás, foram feitos túneis sob o
solo, com galerias para os bruxos que se refugiavam aqui em Saint-Pierce.
- Então... – deduzia Hermione. – Esse castelo era de Rowena?
- Sim – respondeu. – E está na minha família há eras.
Foi então que Hermione ligou seus conhecimentos. Se Rony ou Harry
estivessem lá, não entenderiam, já que não haviam lido sequer uma vez Hogwarts,
uma história.
- A senhorita...a senhorita é...é herdeira de Ravenclaw?
Arabella sorriu para a esperteza de Hermione.
- Sim, eu sou. Assim como minha mãe, e minha avó, e assim por diante.
Apenas os sobrenomes vão mudando, mas o poder conserva-se nas veias de meu
corpo.
- O dom de Ravenclaw era ler mentes... – murmurou Hermione, sentindo-se
incrivelmente ingênua.
- Não apenas esse, Hermione – disse Arabella, séria. – O principal
dom de Rowena não fora mencionado em nenhum livro já feito até hoje. Rowena
tinha visões que se transformavam em profecias.
Hermione arregalou os olhos. Arabella continuou:
- Como você sabe, cada um dos quatro grandes de Hogwarts possuía um dom
especial que os tornavam, assim, os mais poderosos bruxos já existentes na
Terra. Claro que seus poderes ainda não se comparavam com os de Merlin, mas
eram muito fortes – a mestra pausou para tossir. – Porém, o que muitos não
sabem é que todos possuíam um outro poder, muito mais esplendoroso que os
mencionados e conhecidos. E Rowena nasceu com esses dois poderes.
- Então, a senhora também possui essas visões?
- Sim, mas nenhuma delas fora digna de uma profecia. Na verdade, nenhuma
de suas herdeiras pôde fazer profecias.
- Por que?
- Como eu disse, Rowena era uma dos bruxos mais poderosos que já viveram
na Terra. Mas, profecias não são fáceis de surgir. E, geralmente, são para
futuros bastante longínquos. Sem contar que, para tê-las, você deve ser
muito, muito poderoso. E nunca apareceu uma herdeira tão poderosa assim.
- E como vocês descobririam se uma nova herdeira fosse capaz de carregar
esse poder profético?
- Ela tem que nascer com uma marca na parte de fora em seu pulso
esquerdo. Uma estrela negra. E nenhuma das herdeiras até hoje nasceu com este
sinal.
Hermione parou por um momento ainda tentando ligar tudo aquilo com o fato
de que Arabella havia lido seus pensamentos. Mas, logo, voltou-se à conversa.
- Por que você sempre diz herdeiras? Não existem herdeiros,
digo, meninos com o sangue de Ravenclaw?
- Não – suspirou Arabella. – Rowena escolheu passar seus poderes
apenas para suas herdeiras, e não herdeiros.
- Hum... – murmurou para si mesma a jovem. – E como você sendo
herdeira de Ravenclaw, foi escolhida para a Grifinória?
- Uma ótima pergunta. Na verdade, isto acontece de acordo com a
personalidade da pessoa. Eu posso ser herdeira de Rowena, mas não preciso estar
necessariamente na Corvinal. Tenho a personalidade dos grifinórios. Por isso
fui escolhida para a Grifinória.
Hermione tentou juntar as idéias enquanto Arabella disse:
- Eu espero que possamos manter nossa conversa em segredo. – arriscou
Arabella, olhando para Hermione.
A garota notou certa preocupação vinda da madrinha de Harry, mas não
deixou de firmar sua palavra, sendo um segredo entre as duas.
- Mas, eu não te chamei aqui somente para conversar sobre isso – disse
Arabella repentinamente. – Garotos são assim...
Hermione apertou os olhos tentando não pensar em nada enquanto Arabella
parecia iniciar o assunto de Rony.
- Meu primeiro namoro também foi assim.
A jovem levantou seus olhos e focou, sem querer, sua visão na de
Arabella. Um calor diferente tomou conta do seu corpo e, de algum modo, Hermione
soube que Arabella estava apenas querendo ajudar. Que ela falava a verdade.
- Ele nunca me entendeu muito bem...
- Quem...? – indagou Hermione curiosa e menos fechada. – Quem foi seu
primeiro namorado?
- Quem se não Sirius Black? – riu Arabella para a garota. – Sirius
sempre conquistara todas as garotas que quisesse, mas eu fui a primeira que ele
realmente gostou.
- Você gostava dele?
- Eu sempre fui apaixonada pelo Sirius. Desde que eu o vi pela primeira
vez. Era um garotinho de cabelos bem escuros, mas que tinha olhos belíssimos.
Ele estava subindo no trem quando tropeçou num degrau e quase caiu. Foi
bastante engraçado e eu lembro de ter rido da cara dele. Ele tornou-se para mim
e mostrou sua língua! – Hermione soltou uma risada. – Eu fiquei furiosa,
mas naquele momento, eu senti um calor dentro de mim que nunca me abandonou cada
vez que eu cruzava meu olhar com o dele.
- Mas, ele não casou com a mãe da Ametista? – indagou Hermione
cautelosa.
Arabella soltou um suspiro seguido de uma risada abafada.
- Nós três, eu, Lílian e Hariel, sempre odiamos os garotos. Aquele
grupinho atrevido que adorava rabiscar nossos pergaminhos, colocar montes a mais
de ingredientes em nossas poções, colocar fogos nas nossas vestes... Eles eram
terríveis! – Hermione sorria junto com Arabella. – Mas, acabamos nos unindo
no terceiro ano, quando todos descobrimos sobre o problema de Remo.
- Você não ficou assustada quando descobriu?
- Na verdade, eu já tinha lido a mente dele muito antes e descoberto
tudo sobre ele ser um lobisomem. A princípio, aquilo me chocou bastante, mas
depois eu encarei com naturalidade.
Hermione imaginou como deve ter sido difícil para Lupin sobreviver àqueles
anos tendo de esconder-se de seu problema.
- Com a amizade, eu fui cada vez mais me apaixonando pelo Sirius. E foi
no aniversário dele que nós nos beijamos pela primeira vez. Era abril. Logo,
ele estava me pedindo em namoro e, claro, eu aceitei. Eu sabia que ele não
estava com outras meninas enquanto namorava comigo, mas também sabia que ele não
gostava de mim da mesma maneira que eu dele.
- O que você fez?
- Eu terminei o namoro. Antes das férias, eu resolvi terminar tudo. E não
fora somente por ele não estar apaixonado por mim como eu estava. Era porque
ele não me entendia.
Hermione então entendeu o quê ela queria dizer. Pois, era exatamente
dessa forma que a garota encarava Rony. Hermione era apaixonada por ele, mas
sabia que ele não a entendia.
- Como eu disse, eu não tenho o poder de fazer profecias, mas eu sempre
tive as visões. Visões de um futuro bem próximo.
Hermione permanecia atenta enquanto Arabella tocava a estátua com seus
longos e finos dedos.
- Quando eu tenho essas visões, fico dias sem comer, sem dormir, com
dores fortíssimas de cabeça e, geralmente, tranco-me sozinha. E ele nunca
entendeu isso – suspirou desapontada. – Ele nunca viu que eu não precisava
somente de um namorado, mas principalmente de um amigo. E ele não soube
apoiar-me nesse sentido. Então, eu terminei tudo.
- Deve ter sido bastante difícil para você acabar com ele...
- Eu tinha de fazê-lo crescer de alguma maneira. E achei que, longe de
mim, ele entenderia o quê eu passava.
- Ele entendeu?
- Nós namoramos dois meses antes de eu terminar. Quando voltamos de férias,
ele parecia diferente... O quê aconteceu foi que ele estava realmente gostando
de mim, finalmente. E, só assim, ele passou a entender tudo o quê acontecia
comigo.
Hermione sorriu contente.
- Vocês voltaram?
- Voltamos. Ficamos um mês juntos – Hermione pensou e Arabella captou
rapidamente. – Eu sei que parece pouco, mas foi maravilhoso. Era novembro e nós
estávamos no quinto ano. Voltamos no dia das bruxas. E eu via que não iria
durar muito tempo...
- Como assim? – interrompeu Hermione confusa.
- Tudo mudou naquelas férias. Nós estávamos entrando no quinto ano, a
nossa amizade estava fortalecida e tudo corria muito bem – dizia a mulher,
referindo-se a toda turma. – Mas, foi nesse mesmo verão que a mãe de Hariel
foi capturada por Voldemort.
A jovem arregalou os olhos surpresa.
- Voldemort estava destruindo a vida de todos nós. E esse fato fez com
que a fragilidade que Hariel possuía e tanto escondeu, aparecesse diante de
nossos olhos. Foi quando Sirius se apaixonou por ela – Arabella deu uma pausa.
– E eu descobri, lendo a sua mente. Em dezembro, nós terminamos juntos o
namoro, mas ele ainda não sabia que gostava dela, ou não queria aceitar. Nós
ficamos muito amigos e ele passou a me entender completamente.
Hermione estava emocionada. Arabella estava ainda tocando a estátua de
Rowena Ravenclaw, escondendo os olhos cheios de lágrimas.
- Mas, agora, vocês estão juntos novamente...
A monitora ouviu um soluço vindo da mestra.
- Ele me ama – disse apenas. – E me entende totalmente. Talvez, tudo
que ambos passamos no decorrer de nossas vidas tenham adicionado sabedoria e,
agora, nossos caminhos se encontraram novamente.
- Você não acha que ele ainda ama a mãe da Ametista?
- Sirius sempre amará Hariel porque ela é a mulher da vida dele. Sabe,
Hermione, algumas pessoas nascem destinadas a outras e eles atravessam todos os
obstáculos para ficarem juntas. Porém, alguns desses obstáculos são grandes
demais para enfrentá-los e eles acabam se perdendo no meio do caminho. Foi o quê
aconteceu com eles. Sirius sempre amará Hariel – repetiu seriamente. – Mas
seu caminho cruzou-se com o meu.
Hermione pensou se, de alguma forma, Rony e ela eram destinados um ao
outro. Parecia algo tão impossível na atual situação, mas tão real quando
estavam juntos.
- Nós apenas sabemos, Hermione – respondeu Arabella, voltando o olhar
para a garota. Suas bochechas estavam ligeiramente marcadas por algumas lágrimas.
– Desde a primeira vez em que seus olhos se cruzam.
- Ele não me entende...
- É exatamente como eu disse. Garotos são assim. Rony não consegue
entendê-la agora, mas logo saberá que tudo não passa de inexperiência. Ele
gosta de você.
- Eu sei que gosta! – revoltou-se Hermione. – Mas eu estou cansada de
vê-lo fazendo esse papel ridículo, dizendo que eu não acredito nele, que acho
que não é bom o bastante para mim...
- Você já pensou assim antes, não é mesmo? – interrompeu Arabella,
fazendo Hermione focar seus olhos no dela novamente. – Você, uma vez, já
pensou que ele não era bom o bastante para você.
Hermione sentiu as lágrimas se formarem em seus olhos.
- Já! Já pensei isso! Mas, agora eu sei que não passava de idiotice
minha! Ele é muito mais do que um namorado ou um amigo, ele é como se fosse
uma parte de mim!
Arabella sorriu ao notar que Hermione estava chorando.
- Ele vai entender. Em breve, Rony saberá que você gosta dele e que
somente quer o melhor para ele. Fique tranqüila, tudo ficará bem.
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Sete horas da noite. Hermione
olhou pela sua janela, que tinha vista para os fundos do castelo, todas as mesas
distribuídas igualmente pelo jardim cheio de hortênsias. Era uma bela noite
estrelada e agradável. A decoração do Baile estava linda. Os elfos haviam
espalhado vaga-lumes pelas roseiras, pelas hortênsias, sobre as mesas e fazendo
cortinas brilhantes em volta dos troncos das árvores, num arranjo parecido com
o Natal para os trouxas. As mesas tinham toalhas brancas envolvendo-as
graciosamente, trilhando o caminho das pedras negras do chão. A grama estava
aparada e ouvia-se uma baixa trilha sonora composta por harpas e violinos.
A garota afastou-se da janela e olhou-se no comprido espelho do quarto
– o qual Ametista já havia brigado uma centena de vezes com a amiga. Talvez,
nunca estivera tão bonita em toda sua vida. Seus cabelos estavam cheios de
cachos perfeitos – Ametista já tinha certa experiência no assunto – que
delineavam seu rosto. Não podia negar o fato, igualmente, que Ártemis possuía
um ótimo gosto. A irmã de Arabella havia escolhido o vestido para Hermione. De
um tecido parecido com seda, ele era de um verde claro que se confundia
facilmente com azul, dependendo do ponto de vista. Era de alças finas e
apertado na cintura, descendo redondamente até seus pés, envolvidos em sapatos
azuis.
- Você está com algum problema por aí? – perguntou a garota, ficando
impaciente, ao ver a demora de Ametista, trancada atrás do armário.
- Acho melhor você ir primeiro – ouviu uma voz baixinha e sufocada.
– Tente encontrar os garotos que nós nos vemos lá embaixo! E não esqueça
da sua máscara!
Claro. Hermione virou-se para a cama e observou a máscara. Colocou-a
diante de seu rosto e prendeu-a magicamente junto de seu pescoço. Seus olhos
castanhos estavam lindamente moldados por aquele disfarce.
Abrindo a porta do quarto, cruzou imediatamente com Harry. Aquele cabelo
não permitia que alguém o confundisse. Mas, ele estava diferente. Usava uma
vestimenta negra e uma bela máscara, que deixava em evidência os belos olhos
verdes. Hermione tinha de admitir que Ametista possuía muita sorte. Harry
estava realmente bonito.
- Hermione! – exclamou o garoto, maravilhado com a amiga. – Você está
linda!
A garota não deixou de corar. Imaginou se Rony teria a mesma reação.
- Tenho certeza que de hoje não passa – disse Harry, concentrando seus
olhos nos dela, sorrindo e aproximando-se dela. – Não com você desse jeito.
Hermione sorriu e deu um leve tapa nas costas de Harry, tímida. No mesmo
momento, ouviram uma porta abrir-se e olharam para o final do corredor,
encontrando um garoto, alto e de cabelos incrivelmente loiros. Era Draco Malfoy,
usando um conjunto azul petróleo. Hermione notou que seus olhos cinzentos
arregalaram-se ligeiramente ao notá-la.
- A sangue-ruim não está tão mal assim, não acha, Potter? – cutucou
o garoto, aproximando-se dos grifinórios. – Pena que ela namora o Pobretão...
Harry sentiu o rosto corar e levantou o punho, mas Hermione logo tomou a
frente.
- Pena que ninguém repara em você, não é mesmo, Malfoy?
Draco deu um passo à frente e encarou Hermione.
- Eu acho que as coisas não são bem assim, Granger...
Hermione não se deixou arregalar os olhos ao entender do que ele estava
se referindo: Gina Weasley. A monitora não sabia que eles haviam encontrado-se
novamente ao final do ano letivo, mas lembrava-se muito bem da primeira vez que
Gina caiu nos braços de Draco.
Harry, ao notar que ambos calaram-se, virou-se para Draco e disse:
- Acho melhor você ficar bem junto do seu pai hoje, Malfoy. Aceite isso
como um conselho.
Draco lançou um sorriso irônico e perigoso a Harry e a jovem monitora,
passando entre eles e seguindo para a escadaria. Hermione continuou olhando para
o mesmo lugar, como se Draco ainda estivesse lá. Harry tocou suas costas
carinhosamente e chamou-a para descerem.
Enquanto isso, ainda no quarto, Rony terminava de arrumar-se quando ouviu
os passos pesados no chão, do lado de fora. Faltando apenas a gravata, que não
conseguia de jeito algum colocar, pulou do quarto e dirigiu-se ao dormitório
das garotas. Bateu na porta cautelosamente e ela abriu sozinha, por estar apenas
encostada. Assistiu Ametista terminar de encaixar os botões que fechavam seu
vestido, na parte de trás.
- Ametista?
A garota virou-se para trás, o cabelo um pouco desalinhado e as
bochechas vermelhas, como se estivesse com calor. Ao ver o garoto, ela sorriu.
Rony não deixava a desejar nem um pouco. Estava usando um conjunto verde bem
escuro, que realçava seus olhos levemente azuis. Ametista andou até o garoto e
tomou a gravata de sua mão.
- Você está fazendo de propósito, não é?
Rony franziu a testa, confuso.
- Mione – sussurrou maliciosamente ao vê-lo corar. – Você não quer
mesmo dar o braço a torcer e fica se fazendo de difícil... Agora está assim
– dizia ela, olhando-o de cima a baixo. – todo elegante só para impressioná-la.
- Isso não é verdade! – resmungou Rony em resposta.
Ametista agitou a cabeça negativamente e aproximou-se de Rony, colocando
a gravata negra envolta de seu pescoço. Ao terminar, o garoto agradeceu e
dirigiu-se a porta, rindo.
- Harry não vai gostar nada do seu vestido – disse ele, fazendo
Ametista contorcer todo o rosto de medo. – Tem muitos botões.
A garota arregalou os olhos e atacou um travesseiro contra a porta, onde
Rony estava gargalhando.
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O Baile parecia estar começando
naquele momento. Harry e Hermione puderam ver os inúmeros convidados chegando
pelos portões do fundo. Os vaga-lumes acompanhavam todos que apareciam. Havia
um homem alto e de cabelos escuros ao lado da madrinha de Harry, usando uma
diferente, mas muito charmosa máscara, e cumprimentava todos no portão.
Deveria ser Sean, tentando não parecer ele no próprio dia do aniversário.
- Olha ali, é a Arabella e o Sean! – exclamou Hermione, segurando o
braço do amigo, puxando-o para a direção da madrinha.
Harry não deixou de franzir a testa. A madrinha estava deslumbrante.
Provavelmente, a mulher mais bonita da festa. Usando um leve vestido azul
marinho de um tecido rugoso. Suas costas estavam descobertas, onde fios
acobreados trançavam entre si, juntando as laterais do vestido.
- Se divertindo, Sean? – cutucou Harry pelas costas.
O primo de Arabella deu um pulinho discreto e virou-se para Harry. Ele
estava ligeiramente corado e com uma expressão temerosa. Contou, então, que
duas amigas que ele estava enrolando há mais de dois meses estavam juntas na
festa e ficavam encarando-o. Os jovens riram escondidos.
- OH, Harry, Hermione! – animou-se Arabella, passando os dedos pelos
cachos do cabelo da garota. – Vocês estão lindos!
- E a senhorita está muito ousada, para o meu gosto!
Era Sirius. Harry virou-se para trás e encontrou o padrinho, envolvendo
os braços pelas costas de Arabella, querendo cobri-la. Vestia um verde musgo
muito bonito e estava igualmente belo.
- Não torre minha paciência, Sirius! – brincou Bella,
desvencilhando-se dos braços do namorado.
- Ufa! Eu quase me perdi por aqui! – agora era a voz de Rony.
Hermione tornou-se para o jovem e respirou fundo, segurando a vontade de
abraçá-lo. Deixou-se apenas notar quão belo ele estava. Rony também teve de
morder o lábio ligeiramente para não soltar um elogio a Hermione. De fato, ele
nunca a vira tão maravilhosa em toda sua vida.
- Logo, Ártemis ordenará que os elfos distribuam a comida pelas mesas.
Acho melhor pegarem uma cedo! – disse Arabella.
Rony, Hermione e Harry procuraram uma mesa mais afastada, perto do
castelo e das belas árvores envolvidas pelas cortinas de vaga-lumes. Ouviam o
falatório dos convidados em inúmeras línguas, mas conseguiam notar que havia
muitos ingleses por lá. Na mesa ao lado, havia duas garotas da idade dos
jovens, muito loiras e bonitas que não tiravam os olhos de Rony e comentavam em
voz alta, quão charmoso eram suas sardas no nariz e bochechas.
Hermione estava a um passo de explodir quando notou algo que a tirou do
curso. Estava vindo em sua direção, nada mais nada menos que Fleur Delacour,
sem qualquer máscara. A garota era estudante da escola francesa de bruxaria
Beauxbatons e havia visitado Hogwarts no quarto ano de Hermione como campeã do
Torneio Tribuxo. Hermione havia adquirido certa raiva dessa jovem, já que todos
os garotos de Hogwarts ficaram caidinhos por ela, sem contar que Rony havia
contraído certa admiração por Fleur.
- Arry! Arry! – gritou a garota a dez metros de distância, procurando
chamar a atenção de toda aquela ala do jardim.
Harry franziu a testa e virou a cabeça, encontrando a bela garota. Fleur
trajava um comprido vestido branco que a deixava linda. Os cachos dourados e o
legítimo charme de uma veela faziam Hermione roer as unhas
metaforicamente. De que adiantava arrumar-se toda daquela maneira e encontrar um
páreo como Fleur.
- Nos vemos outrrrra vez! Como ándan as coisas em Ogwarts?
- Bem, muito bem – respondeu meio engasgado, rezando que Ametista não
aparecesse naquele momento. – E em Beauxbatons?
- Marrrravilhoso! Madame Maxime sabe como cuidarrr de uma escola! –
elogiou a francesinha, sorrindo e olhando para os outros componentes da mesa.
– Você non é a garrrrrrrota do Krrrum?
Hermione corou imediatamente. Seus olhos correram até Rony e o viu dando
muita mais importância para a beleza do que as palavras de Fleur.
- Não, não sou garota de ninguém. – respondeu aborrecida.
Rony teve vontade de sorrir ouvindo a resposta de Hermione, mas
segurou-se. Foi quando ouviu a voz de Fleur ser projetada a ele.
- Vocé non tinha me convidado parrrra ir ao Bailé? – indagou a jovem
para Rony, que corou envergonhado. – Vocé está bem más bonité agorrra!
Hermione arregalou os olhos, abismada e chutou Harry por baixo da mesa. O
garoto voltou-se para a amiga e percebeu seu olhar desesperado, pedindo que ele
chutasse Fleur para bem longe. Porém, quando tentou fazê-lo, sentiu os lábios
da francesa grudados na sua bochecha direita. E foi nesse exato momento que
Harry devia ter rezado para que Ametista não aparecesse. Mas, seu pedido não
foi atendido, já que no segundo seguinte, Ametista estava paralisada diante da
cena.
- Que diabos está acontecendo aqui?! – exaltou-se a garota, encarando
furiosamente o namorado e a loira que o beijava.
Harry teve tempo somente de respirar mais uma vez antes de perder o fôlego.
Se Harry pensara que Arabella era a mais bonita da festa, enganou-se totalmente.
Nem mesmo o charme de uma descendente de veelas ou mesmo a madrinha poderiam
estar mais lindas naquela noite que Ametista. Certamente para Harry, pelo menos.
A namorada tinha, pela primeira vez, os cabelos lisos e escorridos pela suas
costas delicadamente. O vestido então a deixava mais bela ainda. Era feito de
algo parecido com um veludo lilás, de alças grossas que amarravam atrás do
pescoço da garota, fazendo dois fios do mesmo tecido soltos até seu pé, como
um cachecol – claro que nada quente, sendo verão. O tecido colava na cintura
e caía suavemente até os pés da garota. Harry demorou algum tempo para dar-se
conta da situação.
- E quém é vocé, garrrrota? – perguntou Fleur, claramente aborrecida
ao ser interrompida.
Antes que Fleur pudesse responder qualquer coisa, Harry já tinha
levantado e aproximado-se de Ametista, dizendo que aquilo não era nada,
mencionando o nome da jovem. Ametista lembrou-se de todas as histórias que
Hermione já havia contado sobre a Srta. Delacour e resolveu respirar fundo e
lançar um olhar raivoso à francesa. Fleur fez questão de piscar para Harry e
Rony antes de deixar a mesa.
- Como ela se atreve?! – irritou-se Ametista incrédula.
Hermione encarou Harry, indicando com a cabeça que ele deveria levá-la
para longe, a fim de explicar o que havia acontecido. Harry deu mais um passo
para perto de Ametista e pôde sentir o perfume de sândalo mais uma vez. Ele
entrelaçou os próprios dedos nos da namorada e começou a puxá-la para longe
dali. Havia uma clareira entre as árvores rodeadas pelos vaga-lumes e foi para
lá que o jovem a levou.
Ametista seguiu-o relutante, mas parou assim que ele fez o mesmo.
- Que foi aquilo? – perguntou a garota, indicando a mesa afastada.
- Não foi nada, a Fleur é maluca. Ele me beijou do nada!
- Não se faça de cínico, eu sei como você deve ter se sentido, afinal
ela não tem sangue veela?! – irritava-se a garota.
- Sim, ela tem sangue veela, mas isso não muda nada! – brigou Harry.
– E ainda foi só um beijo no rosto!
- Isso já é o bastante para mim, Harry Potter!
Harry bufou impacientemente. Ametista estava sendo ridícula!
- Você está com ciúmes!
- O quê?! – surpreendeu-se Ametista.
- Você está com ciúmes de mim! Admita!
- Não, eu não estou!
- Então, imagine no lugar da Fleur, a Cho!
Harry havia pegado no ponto fraco de Ametista. Após do encontro com a
aluna do sétimo ano da Corvinal no hotel de Londres, Ametista alimentava um
certo ódio pela garota. A neta do diretor de Hogwarts enfureceu-se e virou as
costas, saindo da clareira e deixando Harry sozinho e nervoso. Finalmente, a
primeira discussão do tão novo namoro.
Ametista voltou para a mesa,
junto de Rony e Hermione. Os jovens estavam discutindo sobre o mesmo assunto que
ela e Harry brigaram há pouco.
- Você não sabe nem disfarçar, Rony, confesse!
- Pelo menos ela soube perceber que eu melhorei muito!
Hermione revoltou-se e levantou da mesa, andando a pesados passos até a
mesa onde havia um delicioso ponche. Ametista suspirou e pensou o que mais
poderia acontecer naquela noite.
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Harry estava saindo da clareira
quando viu Arabella e Sirius sentados numa mesa, conversando nervosamente com Ártemis.
Via-se que a irmã mais velha de Arabella estava levemente mal humorada. Sirius
parecia não dar a mínima para ela. O homem segurava a mão de Arabella
carinhosamente e Harry via a expressão aflita no rosto da madrinha.
Resolveu ignorar e voltar para a mesa. Porém, ao notar quem estava
acompanhando Ametista, ele resolveu apertar o passo. Rony e Hermione estavam
distantes, espalhados pelo jardim, andando sem rumo, com corpos de ponche nas mãos.
E lá estava ele, sentando-se diante da namorada dele!
- O que você quer, Malfoy? – perguntou Ametista ríspida.
- Devo admitir que não tenho companhia aqui nesse Baile estúpido e...
- Mas, garanto que aqui só deve ter famílias de puro sangue, não é
mesmo? Você não devia se sentir em casa?
Draco sorriu maliciosamente.
- Você não está contente? Você devia se orgulhar, Dumbledore,
do sangue que carrega nessas veias...
Ametista parou por um momento. Draco estava falando sobre Voldemort e sua
mãe, sobre aquele feitiço que nem ela sabia do que se tratava. Como ele
poderia saber? E foi rapidamente que a resposta invadiu a sua mente: seu pai, Lúcio
Malfoy, era um Comensal da Morte.
- Eu nunca vou me orgulhar. E fique sabendo que prefiro ficar sozinha
nesse Baile a ter sua companhia!
- Gozado, eu não estou vendo nenhum de seus grifinórios por aqui –
sibilou Draco perto do ouvido da garota. – Apesar de sempre achar que você
nunca se encaixou junto dos grifinórios mesmo...
- Vá embora, Malfoy! – ouviram alguém ordenar às costas de Ametista.
Draco tornou o rosto para Harry, que estava em pé, atrás de Ametista. A
garota suspirou e não deixou de sorrir vitoriosa. Quem estava com ciúmes
agora?
- Não sabia que agora vocês dois estavam amiguinhos também... –
completou Malfoy ríspido. – Parece que essas férias em conjunto andaram
enlouquecendo vocês e...
- Ela é minha namorada, Malfoy. – respondeu Harry orgulhoso.
Ambos viram o rosto de Draco Malfoy contorcer-se em surpresa e raiva.
Nunca havia passado por sua cabeça que isso pudesse acontecer. Quer dizer, até
já havia passado, mas nunca imaginou que pudesse se tornar real. Não com os
dois!
- Vocês... vocês estão namorando? – Ametista lançou
um olhar ameaçador a Draco. O jovem respondeu com um olhar enojado. – Não
estou surpreso, os grifinórios se merecem mesmo!
E o sonserino levantou de sua cadeira e deixou-os. Harry abaixou-se até
a altura da cabeça da namorada, ainda atrás dela e retirou os fios de cabelo
liso de seu pescoço. Em seguida, dizia calmamente:
- Não vamos brigar por causa disso, Ametista. Não vale a pena. Olha
como a noite está bonita e nós aqui discutindo um com o outro por causa de
Fleur Delacour...
- E Cho Chang – completou Ametista, virando-se para olhar Harry. –
Está certo, não vamos brigar por isso...
- Mas você tem que admitir que estava morrendo de ciúmes...
- Como você estava agora? – cutucou Ametista sorrindo.
- Do Malfoy? Sonhe! Eu nunca te perderia para o Malfoy.
- Como você pode ter tanta certeza?
Harry enrugou a testa, desconfiado e lançou um olhar para o garoto loiro
que ainda cruzava as mesas apressado. Voltou para Ametista.
- Você estava com ciúmes. – retomou, teimoso.
Ametista suspirou vencida e respondeu:
- Também, com você, vestido desse jeito, fica difícil não sentir...
Ambos riram e cruzaram os olhares. Mesmo que as máscaras atrapalhassem
um pouco, Ametista não perdeu a oportunidade de enlaçar o namorado e beijá-lo
ternamente. Ao separarem os lábios, Harry sorriu.
- Você está linda.
Ametista corou por trás da máscara e não deixou de olhar para os pés.
Harry teve uma idéia e, um pouco contra a própria vontade, disse:
- Você sabe quando foi a primeira vez que eu descobri quanto o seu
perfume era bom?
- Sândalo? – indagou Ametista como se ele não soubesse.
- No Baile dos Namorados. Quando dançamos juntos.
A garota sorriu relembrando o momento. Ela não admitira, mas adorou cada
segundo. Foi quando ouviu um conjunto qualquer tocar uma música lenta e
bastante agradável. Harry levantou e estendeu a mão até ela.
- Quer dançar comigo? Pelos velhos e novos tempos.
Ametista colocou sua mão direita sobre a dele e levantou, deixando ser
guiada até a clareira que haviam estado anteriormente. Harry colocou seus braços
envolta da cintura dela, enquanto a garota postava suas mãos no pescoço do
namorado. Abraçaram-se e aproveitaram cada nota da música, indo de um lado
para o outro lentamente. Logo, eles estavam novamente se beijando e desfrutando
de cada momento nos braços um do outro.
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Após jantarem os deliciosos
pratos franceses que os elfos ofereceram, Hermione, Rony, Ametista e Harry
prosseguiam com uma conversa animada sobre o sexto ano de Hogwarts e todas as
travessuras dos anos anteriores. Claro que Hermione e Rony não trocavam uma
palavra, mas ainda assim era melhor que brigados, mal humorados.
Foi nesse momento que começou a tocar uma canção muito conhecida por
Hermione e Rony. Era a música que acompanhou o primeiro beijo deles. Rony, no
mesmo segundo, um pouco cheio de ponche, levantou e estendeu o braço, indo ao
alcance do de Hermione e dizendo:
- Dança comigo.
Não foi uma pergunta. Foi uma ordem. E Hermione aceitou. Harry e
Ametista entreolharam-se e sorriram, segurando a risada, já que ambos estavam
corados e bastante animados por causa da quantidade de ponche que já haviam
tomado na noite. Ametista sussurrou para Harry que teria de pegar algo em seu
quarto e deixou-o na mesa.
Havia uma pista de dança, e todos notaram como esta encheu com a música.
Vários casais estavam enlaçados um ao outro, aproveitando a trilha romântica.
Distinguia-se Sirius e Arabella, abraçados. Rony levou Hermione para o meio da
pista e envolveu-a com seus braços. Hermione não conseguiu conter o arrepio na
espinha que se alastrou por todo seu corpo ao sentir o toque do jovem. E Rony
percebeu, seguidamente, abraçando-a com intensidade.
Enquanto a música era tocada pelos ótimos músicos, Rony deixava que
seus sentidos guiassem-no até o mais profundo de Hermione. O seu perfume, seu
colo moldado no decote simples do vestido, o cabelo sedoso e tão perfeito com
os cachos bem feitos, cada inspiração e expiração de ar que o pulmão dela
realizava, fazendo seu peito juntar-se mais ainda com o dele. E, principalmente,
como seus delicados dedos faziam círculos em seu cabelo de forma tão
carinhosa. Como era possível sentir algo tão forte por alguém?
Hermione não podia evitar aquele momento com o garoto. Nos seus braços,
Rony tomava várias facetas, mas a mais especial era aquela de menino-homem, tão
protetor e atencioso com ela, tão inocente e perigoso ao mesmo tempo. A garota
notava como ela fora feita sob medida a ele. Seu corpo encaixava-se nos seus braços
de modo perfeito e surpreendente. Como cada suspiro de Rony em seu pescoço,
fazia-a segurar a respiração e manter-se ainda em pé e lúcida. Como era real
o sentimento que habitava o coração de Hermione!
Quando a música estava perto de seu final, Rony arriscou encostar seus lábios
no pescoço de Hermione. No mesmo segundo, Hermione endireitou-se e disse em seu
ouvido:
- Me beije.
Rony sorriu para si mesmo e foi vagarosamente, levando seus lábios até
encontrar os dela. E cada segundo seguinte foi espetacular. Ao sentir uma certa
rigidez do corpo de Hermione desfazer-se quando seus lábios tocaram-se, Rony
aprofundou o beijo. Aos poucos, Hermione foi abrindo os lábios e deixando que
suas línguas se tocassem calmamente. E seguidamente, eles iam suspirando ao
notar como fazia falta aquele contato, aquele sufoco, aquela tontura de estarem
um tão junto do outro. O calor que emanava de ambos os corpos misturava-se com
a saudade, a pressa de recuperar o tempo perdido apenas com um beijo.
Mas, o mais surpreendente, foi quando todos os vaga-lumes das árvores
juntaram-se ao redor do casal, pulando do cabelo de Hermione para a calça de
Rony, da saia do vestido da garota até os fios avermelhados de Rony. Todos que
estavam na pista paralisaram para assistir a cena deslumbrante. E eles não
perceberam e continuavam a se beijar, a aproveitar todo o momento como se fosse
o último.
Foi Hermione que abriu os olhos ligeiramente e, ao ver os vaga-lumes
rodeando-os, separou os lábios de Rony e riu. O garoto pensou em reclamar, mas
ao observar os bichinhos luminosos os envolvendo, riu junto de Hermione e voltou
a focalizar a garota. Seus olhos estavam cheios de paixão e admiração. E foi
quando ele percebeu e descobriu.
- Mi, eu...eu... –
ele tentava dizer, mas ganhou coragem e completou a idéia mais verdadeira na
sua vida. – Eu te amo.
Hermione pensou que ia perder a fala. Mas estava enganada, pois quando
viu, já estava expondo seus sentimentos igualmente.
- Eu também te amo, Rony.
E ambos sorriram, felizes e satisfeitos. Aproveitando que os vaga-lumes
ainda os envolviam, Rony alcançou os lábios de Hermione novamente e
continuaram a beijar-se. Até o final da noite.
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Sirius e Arabella observaram tudo
de perto. Ao final, o homem sussurrou qualquer coisa no ouvido de Arabella e
dirigiu-se a mansão novamente. A sala principal estava iluminada por poucas
luzes, mas ele logo encontrou o que queria: sua varinha. Quando arriscou voltar
para o lado de fora, ouviu uma voz conhecida, chamando sua atenção.
- Black, estamos no mesmo lugar novamente...
Tornando-se para trás, achou facilmente quem se referia a ele. O pai da
família Malfoy, Lúcio. Na meia-luz, Sirius pôde distinguir a figura loira e
arrogante do, também, Comensal da Morte. E foi como num flashback, lembrando do
último encontro deles, em Hogwarts. Seu sangue ferveu ao recordar vê-lo
suspendendo Ametista apenas com a palma de uma mão e sufocando-a. Depois,
atacando a Crucio.
- Não sei como Ártemis aceita pessoas como você nesta casa...
- Eu respondo o mesmo, Black – dizia Lúcio, terminando de descer os
degraus da escadaria. – Mas, eu ainda acho que ela prefere a mim a você.
- Ártemis possui um gosto estranho. – respondeu Sirius irritado.
- A família Black que comprove isso, não é mesmo? – cutucou o homem,
colocando-se diante de Sirius, onde pudesse ser completamente visto.
- Talvez as pessoas sejam mais ingênuas do que pensamos, e diria isso
principalmente a você.
- Ingênuo não, Black. Cego, no seu caso.
Sirius estava a ponto de responder algo atravessado em sua garganta após
tantos anos, mas ambos puderam ouvir o som de sapatos tocando a escadaria.
Tornaram-se, interrompendo a discussão. Havia uma garota, uma moça, paralisada
nos últimos degraus da enorme escadaria. E encontraram os olhos azuis
arregalados. Era Ametista.
Lúcio virou todo o corpo na direção da garota e deu um passo a frente.
Ametista congelou ao vê-lo, ainda estacionada na escada. A garota lembrou-se
dos estranhos e brilhantes olhos, ora azuis, ora cinzentos, do homem. Lúcio
Malfoy estava carregando os mesmo olhos naquele momento novamente.
- Srta. Dumbledore, nos encontramos mais uma vez... – dizia num tom
ameaçador, apertando os olhos, agora cinzentos. – Ou devo chamá-la por...
Srta. Riddle?
Ametista não sabia o quê responder. Parecia que sua típica rispidez e
coragem desapareceram num piscar de olhos. As lembranças da sufocação, do
afogamento, e da Maldição Imperdoável ainda estavam frescas na sua mente. Ela
havia evitado-o durante aquelas horas, mas não podia fugir até o final da
semana.
Sirius notou isso claramente. Seu sangue ferveu nas veias mais uma vez ao
ver a reação da garota. E num sentimento quase que paterno – do qual ele
quis surrar-se ao senti-lo – ele deu dois passos à frente e ficou cara a cara
com Lúcio Malfoy, diante de Ametista.
- Talvez você deva chamá-la por Srta. Black.
Ametista arregalou os olhos azuis e, surpreendentemente, eles ficaram
mais escuros. Iguais aos de Sirius. Ela tremia da cabeça aos pés e seu coração
foi tomado por um calor nunca sentido antes. Era muito diferente do que sentia
quando pensava em Harry. Era como se pudesse alcançar um estado fora da
realidade e poder pensar em Sirius Black como um verdadeiro pai.
Lúcio Malfoy parecia impressionado com a atitude de Sirius.
- Não sabia que você pudesse se recuperar tão rapidamente, Black.
Nunca pensei que deixaria seu orgulho de lado e abraçaria uma filha que não é
sua, que não possui seu sangue...
- Saia daqui Malfoy! – disse Sirius contido, mas muito decidido.
O pai de Draco deu um sorriso irônico, como o do filho, e deu as costas,
dizendo:
- Acho melhor deixar mesmo a família Black reunida.
Ao bater a porta que ia de encontro aos fundos do castelo, Lúcio tinha a
perfeita idéia do que acabara de fazer. Apenas não sabia se fora bom ou ruim.
Enquanto isso, ainda na sala, Sirius repetiu mentalmente para si mesmo o Srta.
Black, que havia dito há pouco. Assim como Ametista ouvia a voz do homem
insistentemente, dizendo Srta. Black. Sirius ainda olhava para o nada,
refletindo suas ações, quando sentiu uma mão repousar lentamente em seu ombro
esquerdo. Virou vagarosamente e encontrou os próprios olhos observando-o.
Naquele instante, Ametista possuía os olhos dos Black, não os olhos dos
Dumbledore, de Hariel. Era um azul forte, escuro e penetrante, mas tão belo
quanto o claro e brilhante dos Dumbledore.
Era como se olhar num espelho. Era assistir os olhos de sua mãe e de seu
pai, Holly e Stephan Black, ou como observar atentamente cada milímetro do
azulado olhar de Thomas, seu querido irmão. Sirius presenciou, pela primeira
vez, um elemento físico dos Black em Ametista. E era maravilhoso. Ela exibia,
surpreende e inexplicavelmente, seus próprios olhos. Era uma autêntica, ou
quase, Black.
- Obrigada, Sirius.
O homem sentiu-se inebriado pelo perfume tão forte e suave ao mesmo
tempo de Ametista. Sândalo. A mesma essência de Hariel. Mas, repentinamente,
sua mente fugiu de tudo, ouvindo-a chamá-lo pelo primeiro nome. Uma enorme
vontade de abraçar a filha correu pelos nervos de todo seu corpo. Ficaram
apenas ali, olhando um ao outro, decorando os olhos dos Black. Sirius tomou fôlego,
e envolvido pela atmosfera emocional, disse:
- Eu a protegerei com meu sangue, Ametista.
Não houve resposta. Porém, ambos pensaram a mesma coisa: nosso
sangue. E, calmamente, Ametista retirou sua mão do ombro do homem e Sirius
e ela seguiram para o Baile de Máscaras. Não houve abraços, não houve lágrimas,
não houve sequer um sorriso. Houve apenas uma troca de olhar. Os olhos dos
Black.
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De volta a Prisma e a Saint-Pierce, Harry e seus três amigos decidem ter uma divertida conversa numa tarde de muito calor. Mas, tudo que parecia ir muito bem é estragado quando as famosas cartas de Hogwarts chegam a Godric's Hollow com notícias estarrecedoras.
Entre no mundo adolescente em "AS CARTAS DE MUDANÇA"
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