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NO CAPÍTULO ANTERIOR:
Ler
mentes e ter visões. Parece realmente que a madrinha de Harry é especial - a
herdeira de Rowena Ravenclaw. Além disso, foi no Baile de Máscaras que Rony
descobriu o tamanho de seu sentimento por Hermione, e ele a amava
verdadeiramente. E nada como Lúcio Malfoy para "ajudar" a reunir e
trazer à tona um amor tão grande. Por um momento, Ametista fora uma Black.
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CAPÍTULO DEZ – AS CARTAS
DE MUDANÇA
- Acho que nos veremos em Hogwarts.
Draco respondeu com um olhar ameaçador e cheio de ódio. Estava, após
três dias de permanência em Saint-Pierce, deixando a França para trás e
voltando para a escura Mansão Malfoy na Inglaterra. E, em sua saída, acabou
cruzando com Ametista e Harry no jardim do castelo. Seus pais já estavam
esperando na carruagem ao lado de fora, observando-os atentamente.
- Infelizmente, Dumbledore... – foi tudo que pôde responder a garota,
deixando-os e ultrapassando os portões.
Harry passou o braço pelas costas da namorada e sussurrou:
- Amanhã é nossa vez. Até que estou feliz de voltar a Godric’s
Hollow...
- Prisma deve estar animada com a nossa chegada – comentou distraída.
– Parece que Sirius conseguiu falar com ela ontem. Prisma disse que estava bem
quente por lá.
O jovem engasgou repentinamente. Ametista encarou-o querendo rir, mas viu
o tom sério em seus olhos.
- Sirius? Você acabou de dizer Sirius? – estranhou
completamente Harry, vendo a garota concordar com a cabeça. – O que
aconteceu?
Ametista voltou a contemplar as roseiras do jardim de entrada do belo
castelo de Saint-Pierce. Um sorriso discreto que Harry notou apareceu em seus lábios.
- As coisas mudam, Harry. Simplesmente mudam.
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Arabella perdeu um de seus
brincos no meio dos travesseiros e procurava-o insistentemente. Sirius assistia
de longe a mulher curvar-se sobre os lençóis agitada. Seus lisos cabelos caíam
sobre os olhos e a cada minuto, ela tinha de colocá-los atrás de suas orelhas.
Estava feliz. As coisas andavam bem naqueles últimos dias na França. Arabella
havia contado tudo sobre ela e Sirius para Ártemis e, mesmo contra, não havia
nada que ela pudesse fazer para evitar a união. Lúcio Malfoy pareceu fugir
dele durante sua estadia no castelo – coisa que Ártemis não explicou. E,
para finalizar, seu coração andava mais leve. Parte da raiva, ódio ou mágoa
que carregava há mais de catorze anos parecia estar, aos poucos, se desfazendo.
E o motivo: Ametista. Talvez, por apenas eles serem tão parecidos e distintos
ao mesmo tempo. Porém, a imagem dos olhos dos Black tão fortes em Ametista –
agora, eles já haviam voltado ao normal – não saía da cabeça de Sirius.
- Será que você poderia me ajudar aqui?! – alterou-se Arabella ao vê-lo
olhando para o nada e para ela ao mesmo tempo.
Sirius riu bobamente. A noite passada fora a primeira em que eles puderam
dormir juntos no castelo e, por algum motivo desconhecido, Arabella parecia uma
mulher totalmente diferente. Só sabia que, naquela manhã, ela estava parecendo
uma menina.
- O que você está procurando afinal?
- O brinco direito que você arrancou ontem! – reclamou, fazendo
um charme com os lábios.
Definitivamente ela estava agindo como uma garota após a primeira noite
com o namorado ou o que fosse. Evitava focar seus olhos, corava toda vez ao vê-lo
observá-la. Era estranho. E ele tinha alguma idéia do que provocava aquelas
atitudes.
- Foi aqui, não foi? – Arabella olhou para o homem confusa. Sirius
continuou. – Foi aqui que você dormiu com ele pela primeira vez.
Arabella segurou a respiração temerosa. Sirius falava de David. Por que
ele tanto queria saber coisas sobre a vida dela com David Adams?
- Por que você quer saber isso? – indagou a mulher, fugindo novamente
de seus olhos.
- Porque eu não quero errar como ele errou. – respondeu calmo.
A mulher paralisou. O que ele quis dizer com aquilo? Por um momento,
roeu-se de curiosidade. Mas no segundo seguinte, estava esquecendo e desistindo
de perguntar.
- Foi aqui que ele, também, me deixou.
Sirius aproximou-se da mulher e abraçou-a fortemente. Foi absorvendo o
perfume de camomila de seus cabelos, a suavidade de sua pele e notando o quanto
Adams fora estúpido ao deixá-la para trás. Substituir seu amor por poder. Um
poder facilmente manipulado.
- Não é porque nós dormimos aqui que eu vou te largar, Bella –
sussurrava em seu ouvido. – Você deveria saber disso. Eu não sou como ele.
Arabella voltou para encará-lo finalmente e viu um certo temor nos olhos
do homem.
- E eu não quero te perder para uma lembrança. – completou Sirius
seriamente.
- Você não vai. – respondeu, abraçando o homem e vendo o brinco caído
atrás de Sirius, no chão.
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- Vocês alegraram esse castelo,
sabem. E minha festa também! – dizia Sean Willen, reverenciando
divertidamente os jovens e piscando os olhos para as garotas, que coraram.
Parados diante do grande portão de entrada do castelo, Sean e Ártemis
procuravam se despedir dos hóspedes que acolheram durante uma semana.
Saint-Pierce estava ensolarada e quente naquela manhã, fazendo as flores
ficarem abertas e até alguns girassóis cantarem juntos acompanhados de
violetas. Arabella chegava a cantarolar, acompanhando a canção dos vegetais.
Ártemis olhava feio, mandando-a comportar-se.
- Ainda sinto que vamos nos encontrar novamente, jovens – disse Ártemis
seriamente e seus olhos violetas correndo de um para o outro. – Acho que todos
devemos esperar o fechamento de muitos ciclos, não acham?
Ninguém entendeu muito bem sobre o que Ártemis falava, mas todos
concordaram inocentemente com suas cabeças. Acenou controlada com sua cabeça
para as crianças e fingiu um sorriso. Havia algo de muito estranho naquela pele
de uma mulher de quarenta anos e visão envelhecida. Uma amargura e, talvez, um
mistério, circundavam aquela figura elegante e mal humorada. Harry franzia a
testa, pensando em tudo aquilo. Foi quando sentiu o braço de Rony puxando-o
para fora do castelo.
Enquanto isso, Arabella despedia-se da irmã.
- Acho que nos veremos mesmo, não é? Espero que até lá, você possa
pensar bastante em tudo que conversamos, Ártemis.
- Não espere que eu aceite com sorrisos e risadas sua maluca decisão,
Arabella. E também não ache que sairei concordando com sua postura ou qualquer
atitude do futuro... – dizia com todo seu ar de sabedoria.
- Mamãe sente sua falta. – interrompeu-a levemente ríspida.
Ártemis fechou ainda mais a cara e engoliu demoradamente.
- Isto é um problema entre eu e minha mãe, Arabella – disse severa.
– Não se meta.
- Nunca pretendi, Ártemis.
A mulher franziu as sobrancelhas como se odiasse ser contrariada.
Arabella segurou o sorriso vitorioso que se formar em seus lábios. Sirius
cutucou a namorada e acenou para Ártemis, como se despedisse dela sem qualquer
intenção de delicadeza.
Ártemis e Sean assistiram
ambos entrarem nos táxis bruxos e deixarem o castelo em direção à estação
de Saint-Pierce. E, quanto mais as horas passavam-se, mais o dia acelerava e a
volta para Godric’s Hollow parecia mais próxima que nunca.
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Prisma estava certa. Ao chegarem
na pequenina estação de Godric’s Hollow, puderam notar quão quente andava
na Inglaterra. Rony e Harry já estavam sem as camisas, apenas com camisetas.
Logo, chegaram ao topo da colina da cidadezinha, assistindo Prisma sair correndo
de dentro do casarão e pulando enlouquecida.
- Que bom que voltarão! Prisma fica feliz!
Elfos domésticos realmente eram iguais em todo o lugar. Era tarde quando
embarcaram em Godric’s Hollow, portanto, naquele dia não puderam fazer muita
coisa. As garotas ficaram responsáveis em fazer um bolo junto de Prisma e
Arabella, enquanto os garotos dividiam-se para procurarem um bom espaço para
jogarem quadribol – claro que isso tirou Ametista da cozinha, por final.
Foi no dia seguinte que a diversão começou, finalmente. Hermione
acordou profundamente entediada e procurava algo para fazer, já que seu último
livro – “Livre-se dos Bruxos de Buenas”, algo sobre feitiços
contra garotos agitados demais, para sua monitoria contra os pequenos diabinhos
da Grifinória – havia sido finalizado há mais de dois dias. Sem contar que o
calor estava forte demais e aquele dia prometia ser o mais quente de todo o verão
da Inglaterra. Agitando Ametista freneticamente, a amiga despertou-a – gerando
um certo conflito entre as duas – e perguntou o que podiam fazer. Ametista deu
de ombros e ambas desceram para tomarem o café da manhã.
Já na pequena mesa da cozinha, as garotas acharam Sirius discutindo com
os garotos sobre o quê fazerem naquele dia de muito sol e calor.
- Se fôssemos trouxas, poderíamos ir ao clube ou algo assim. – dizia
Arabella, ajudando Prisma com as xícaras de café.
- Clu... o quê? – indagou Sirius confuso.
Arabella bufou e murmurou algo para si, impaciente. Harry e Hermione, que
havia acabado de chegar, sabiam bem do que ela falava. Piscinas. E, não havia
piscinas em Godric’s Hollow, muito menos no jardim dos fundos do casarão. Foi
quando Harry teve uma brilhante idéia.
- Eu sei de um lugar por aqui onde há bastante água para todos nós.
Todos observaram-no curiosos. Ametista debochou:
- Ele fala como se vivesse aqui desde que nasceu. – fazendo todos rirem
gostosamente.
- Pelo menos você deveria saber, já que morou durante tanto tempo
aqui... – provocou Harry, fazendo a namorada apertar os olhos.
- Não provoque! – irritou-se Ametista.
- Você que começou! – respondeu Harry.
- Tem o lago de Godric’s Hollow, certo?
Hermione viu Ametista corar imediatamente. Fora lá em que ela havia
declarado seus sentimentos a ele e que iniciaram o namoro. O velho píer. Sirius
respondeu, a boca ligeiramente cheia:
- Eu acho uma ótima idéia, afinal, o lago é tranqüilo e quase ninguém
vai lá. Pelo menos, não irão perturbá-los...
- Não! Não! – ralhou Arabella, olhando para os quatro, e depois mais
fortemente para Sirius. – Lá é muito perigoso. E se eles se machucarem, e se
alguém bater a cabeça, se algum se afogar ou ainda se...
- Minha senhora, minha senhora! – chamava Prisma, puxando o vestido
verde claro que Arabella usava. – Prisma pensa que as crianças já são bem
grandes para nadarem sozinhas no lago.
Todos seguraram a risada. Era a primeira vez em que algum elfo corrigia o
próprio patrão. Nesse caso, patroa. E, ainda mais quando o ponto de vista do
mesmo elfo é melhor e mais coerente do que o do senhor.
Arabella notou que todos estavam prestes a rir e acabou dando de ombros.
- Então vocês tomem cuidado, por favor! Imagine se algo acontece com
Rony! Vou virar inimiga número um dos Weasley! E isso é algo que eu realmente
não procuro...
Foi a hora em que a mesa explodiu em risadas. Não deixaram de perceber,
igualmente, que Rony corou junto com suas orelhas. E, então, os jovens subiram
correndo as escadas e trocaram-se rapidamente para aproveitarem o máximo que
aquela manhã e tarde de verão poderia oferecer.
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Eram nove e meia da manhã e o
sol parecia estar no topo do céu. Como já acostumados com o frio típico e o
tempo nublado de Londres e de, basicamente, toda a Inglaterra, qualquer mudança
muito brusca de temperatura era sentida por todos os nervos e glândulas dos
corpos dos jovens. E não haveria de ser diferente com Harry, Hermione, Rony e
Ametista.
Caminhando juntos e afastados para não aumentar o calor de seus corpos,
Ametista guiava-os até o afastado lago de Godric’s Hollow. Hermione carregava
consigo uma cesta de fios de bambu, para um piquenique à beira do lago.
- Você quer dizer escondido, não é mesmo? – resmungava Rony,
parecendo cansado de andar tanto até encontrarem a caverna que os levava até o
lago.
Mais uma vez, Harry pôde notar quanto àquela caverna era bonita. Os
cristais brilhavam mais do que na vez anterior que havia pisado naquele solo
irregular. Hermione, por sua vez, achou a caverna muito bonita, mas recordando o
Templo de Ravenclaw, aquilo não era nada.
Apenas mais alguns metros e Rony pode descarregar sua raiva. Estavam num
lugar muito calmo, onde se podia ouvir os cantos dos variados tipos de pássaros.
A natureza parecia ter concentrado toda sua beleza naquela região que poucos
conheciam.
- Este é o píer de Godric’s Hollow – repetiu Ametista para os
amigos como falara para Harry há quase mais de duas semanas. – Está bom para
você, Weasley? – provocou irritada.
- Está ótimo!
O garoto só teve tempo de responder e já foi tirando a camisa e ficando
apenas com uma bermuda, pulando desajeitado na água. Ao cair, espirrou água
nos três fora, sobre o píer, que xingaram-no.
Harry não demorou muito também e retirou a camiseta branca, caindo
junto de Rony. Ele tinha o desejo de cair naquele lago desde a última e
primeira vez que chegara ali. E a água era deliciosa. Estava fresca e o sol
forte cima de suas cabeças. Rony ficava dando cambalhotas e treinando algum
nado para mostrar-se a Hermione. Após dar algumas braçadas, notou que as
garotas ainda estavam paradas acima do píer.
- Vamos! Que vocês estão esperando?! – Harry gritou para elas
impaciente.
Viu Hermione e Ametista entreolharam-se. Ao voltarem para os garotos,
elas estavam coradas. Rony e Harry franziram as testas.
- Qual é o problema? – indagou Rony, aproximando-se do píer.
Hermione pigarreou e disse:
- Virem de costas.
Os jovens contorceram os rostos, não compreendendo.
- Eu disse para vocês virarem de costas! – ordenou Hermione mais
autoritária.
- E por que deveríamos fazer isso? – perguntou Harry confuso.
- Porque, se não fizerem, nós não entraremos nesse lago estúpido! –
aborreceu-se Hermione, cruzando os braços.
Harry olhou para o amigo e ambos juntaram-se, virando de costas.
- Por que mulheres são tão frescas afinal? – indagava Rony nervoso.
- Você pergunta para mim?! – cutucou Harry igualmente inquieto.
De repente, ouviram um burburinho e risadinhas, seguidos de erupções na
água. As garotas tinham pulado, finalmente. Harry e Rony viraram-se para elas e
amarraram as caras.
- Que é que tem com vocês? – questionaram juntos.
Novamente, elas coraram. Os garotos ficaram esperando uma resposta. Plausível,
pelo menos. Foi Ametista que respondeu:
- Nós estávamos com vergonha.
- Vergonha do quê, exatamente? – perguntou Rony duvidoso.
Quando Hermione gritou, Harry entendeu tudo. E quis surrar-se por não
perceber mais cedo.
- Elas estavam com vergonha de nós, Rony – disse Harry para o amigo,
segurando a risada. – Dos corpos delas...
Rony franziu a testa.
- Mas que coisa idiota é essa?!
- Nós sabemos bem como funciona o miolo de garotos na idade de vocês
– dizia Hermione sabiamente. – Vocês acham que nós não sabemos que vocês
vivem reparando nessas coisas?!
Harry trocou um olhar culpado com Rony. Era verdade. Ambos tinham quinze
ou dezesseis anos e estavam no auge da adolescência. Seus hormônios já vinham
se agitando e provocando reações estranhas em seus corpos. E,
claramente, os corpos das garotas eram um assunto bastante interessante para
seus papos e olhos. Quantas vezes Rony não teve de se conter ao estar somente
aos beijos com Hermione? E o número de olhares que Harry insistia em dar na
direção das pernas de Ametista?
- Isso é mentira! – brigou Rony teimoso, escondendo uma parcela de
timidez ao falar sobre aquilo. – Vocês falam como se só pensássemos nisso!
- E não pensam? – cutucou Hermione, dando uma risadinha em seguida.
- Não adianta vocês mentiram para a gente. Nós temos uma boa idéia do
que anda na cabeça de vocês – dizia Ametista no mesmo tom de Hermione. –
Garotas amadurecem mais rápido que garotos.
- O quê?! Isso só pode ser brincadeira! – riu Rony, olhando para
Harry, como se num pedido de ajuda.
- É verdade! Vai me dizer que nunca ouviram falarem sobre isso?! Ninguém?!
– surpreendeu-se Hermione. – Já foi comprovado pelos trouxas. As garotas
amadurecem bem mais rápido que os garotos na nossa idade.
Rony e Harry trocaram um olhar e caíram na risada. Provavelmente, elas não
conheciam nem metade do mundo deles. Não do jeito que eles conheciam.
- Ok! Ok! Supondo que essa...teoria seja verdadeira, se vocês fossem tão
maduras assim, não teriam medo de mostrarem seus corpos... Parecem até que vão
aparecer por aí sem nada! – disse Harry, provocativo.
- Você não entendeu nada! – respondeu Ametista. – Nós não
queremos que vocês fiquem olhando! E pensando nisso depois!
Harry lançou mais um olhar para Rony e depois para a água.
- Mas, acho que vocês esqueceram que podemos vê-las por baixo d’água,
certo?
Hermione e Ametista arregalaram os olhos, chocadas. Como foram burras!
Como não haviam pensado nisso?! Em seguida, Rony e Harry soltaram gargalhadas e
mergulharam as cabeças na água. As garotas olharam-se e resolveram apenas
suspirar.
- Eles iriam ver mais dia menos dia, não é mesmo? – desistiu
Hermione.
Enquanto isso, Rony e Harry abriam os olhos por baixo da água e viam,
turvos, os corpos das namoradas. Mas não maliciosamente. Eles estavam adorando
esse duelo meninos contra meninas. Era tão ridículo vê-las envergonhadas por
nada! E, logicamente, a visão não era das melhores por baixo de tanta água.
Ao voltarem à superfície, Ametista e Hermione estavam de braços
cruzados sobre o peito e conversando animadamente. Os garotos entreolharam-se.
- Vocês não vão brigar conosco? – surpreendeu-se Harry.
- Não. – respondeu Hermione monossilábica.
- Mas...mas vocês estavam revoltadas até agora?! – confundia-se Rony.
- Nós decidimos deixar vocês divertirem-se que nem garotos de doze
anos... Não vão ver novamente mesmo então... – importunou Ametista.
- Que você quer dizer com isso? – irritou-se Harry, enquanto mil
pensamentos passavam pela sua cabeça.
- Garotas amadurecem mais rápido que garotos, lembrem-se disso! –
respondeu a garota ao final.
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Nuvens começaram a formar no céu
de Godric’s Hollow há mais de duas horas. E nenhum dos jovens percebeu que
uma típica tempestade de verão estava perto de cair sobre suas cabeças. O
clima andava louco na Inglaterra. Na verdade, aquele era o verão mais quente
desde mil novecentos e quarenta e nove, e o aspecto de país tropical não saía
das mentes inglesas. Talvez, como diziam os trouxas, era apenas uma questão
meteorológica, por causa dos buracos na camada de ozônio ou algo assim.
O problema era que, enquanto Hermione e Rony dividiam um último pedaço
do bolo feito no dia anterior, Ametista e Harry aproveitavam os momentos finais
dentro do lago. O jovem, depois de muita insistência, conseguiu convencer a
namorada de que poderia pelo menos abraçá-la, o que não faria mal a ninguém.
Mas, parece que seu plano deu muito mais que certo. No momento, eles estavam num
canto da margem alta do lago, abraçados, e beijando-se calmamente. Os braços
do garoto estavam envolvendo a cintura da namorada e o contato, mesmo que dentro
da água, da sua pele com a dela era muito bom e estimulante.
- Acho que é melhor...me...melhor voltarmos. – dizia Ametista,
tentando desvencilhar-se dos beijos de Harry.
- Calma, já vamos... – resmungava ele com os lábios pressionados
contra a boca da namorada.
Quando ela deixou-se levar por mais um beijo naquela atmosfera tão
familiar para ela, sentiu pingos caírem sobre seu rosto. Em seguida, separou-se
de Harry e encarou o céu.
- Está chovendo? – estranhou.
- Parece que sim. – respondia o garoto, ainda encarando-a e nem dando
ouvidos ao que ela falava, ele queria apenas recuperar todas as horas que ela não
deixara ele se aproximar.
- Não! Harry! Chega! – brigou Ametista, vendo que ele não desistiria
tão fácil.
Harry afastou resmungando da namorada e ajudou-a a voltar para a terra
macia da margem do lago. Ajudando Hermione e Rony com as coisas do piquenique e
vestindo-se com peça qualquer, eles voltaram correndo para o casarão de
Godric’s Hollow, ou o casarão dos Black, como chamavam por lá. Aquela fora a
primeira verdadeira tarde de verão em todas as férias de Harry, que começava
a descobrir o prazer da adolescência e esse mundo tão confuso, e ao mesmo
tempo inebriante, das garotas.
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Uma certa tristeza abatia os hóspedes
do casarão de Godric’s Hollow naqueles últimos dias de férias. O descanso
vinha sendo tão bom que era difícil considerar a obrigação de voltar ao
castelo de Hogwarts. E, foi na última semana que eles começaram a pensar na idéia.
Era domingo. Iniciando a semana anterior a Hogwarts, os hóspedes estavam
reunidos no jardim, almoçando mais uma vez na mesa montada por Prisma nos
fundos do casarão. Um gostoso vento agitava as folhas e o farfalhar era suave e
misturava-se ao som das vozes dos homens, que discutiam sobre quadribol – mais
uma vez, se ainda fosse possível.
- Vejam! Senhor, meu senhor! São corujas!
Arabella pensou que já era hora, finalmente. Não sabendo bem o motivo,
as cartas de Hogwarts estavam atrasadíssimas e logo os alunos precisariam das
listas de material para o início do ano letivo. Prisma anunciava a chegada de
cinco corujas. Era uma grande e gorda, marrom e preta, a segunda era pequenina e
cinza, a terceira era majestosa e também cinza, a quarta era negra e grande, e
a quinta era Edwiges.
- Errol? – estranhou Rony ao notar que era a sua antiga coruja, ou a de
Percy e do resto dos Weasley.
Somente para não perder o costume, Errol perdeu a estabilidade do vôo e
acabou aterrizando desastrosamente sobre a bacia de batatas assadas com
espinafre. Rony xingou a velha coruja e tentou endireitá-la sobre a mesa,
enquanto Prisma limpava a mesma. Errol tinha duas cartas para Rony.
- Hogwarts e mamãe... A lista de material.
O garoto preferiu ler primeiro a de casa:
Rony engoliu em seco ao ler a carta até o final. Lá estava sua mãe
enchendo-lhe a paciência com esse protecionismo idiota. “Ela tem outros
seis filhos para encher o saco!”, pensava irritado, abrindo a carta de
Hogwarts. Ao ler até o final a lista de material, virou-se para os outros da
mesa e disse:
- Que livro estranho... – murmurou, deixando os outros curiosos e
Hermione pulando para ver qual era o volume. – Mudanças corporais de
Dragon.
Arabella estava concentrada lendo próprias cartas que foram trazidas por
Flymoon, e não respondeu a pergunta de Rony. Sirius também preferiu não
opinar sobre a obra mencionada.
Enquanto isso, ouviram um copo cair sobre a mesa e o líquido espalhar-se
sobre a extensão do móvel. Era Harry. Todos se viraram para ele e virando-no
sorrindo estranhamente. Mas não parecia feliz, estava surpreso.
- Que aconteceu, Harry? – perguntou Hermione.
- Eu...eu... – gaguejou, soltando a carta da mão e deixando-a na mesa.
– Eu fui nomeado monitor.
- Quê?! – chocou-se Rony, contorcendo todo o rosto.
- Sou monitor da Grifinória, como a Hermione. – completou Harry,
levantando as sobrancelhas, tão surpreso quanto Rony.
Arabella sorriu enquanto Sirius dizia para a mulher que ela havia
influenciado Dumbledore a colocá-lo como monitor. Rony estava incrédulo e
Hermione estava feliz ao ter a companhia do amigo na monitoria da Casa. Porém,
Ametista não esboçou nenhuma emoção. Ela estava lendo uma das cartas que
havia recebido. A segunda. Harry tornou-se para a namorada e viu que suas mãos
estavam trêmulas.
- Ametista? – chamou Harry preocupado.
A garota não respondeu nada. Seus olhos estavam agitados, correndo pelas
linhas da carta, lendo e relendo-a inúmeras vezes até a idéia ser absorvida.
Ao final de três minutos, ela largou a carta sobre a mesa e todos puderam ver o
carimbo vermelho de Hogwarts, que prendia o envelope. Ametista estava pálida.
Tornando-se para todos os componentes da mesa, ela levantou de repente e
bateu com uma das mãos sobre o móvel, fazendo os copos tremerem e os pratos
vacilarem. Arabella franziu a testa.
- Que foi que aconteceu, Ametista?
A neta do diretor agitou a cabeça em negação e deu um sorriso fraco e
irônico, sarcástico. Batendo novamente a mão sobre a mesa e abalando os
talheres, agora, ela disse:
- Ele conseguiu o que queria.
Hermione, assim como os outros, continuaram curiosos.
- Quem conseguiu o quê?
Ametista suspirou impaciente e olhou para o céu. Voltou os olhos para a
mesa e, principalmente, para Sirius.
- Severo – Sirius franziu a testa, nervoso e desconfiado. – Ele
conseguiu o que sempre quis.
Harry arriscou perguntar o quê ele havia conquistado, mas Ametista bateu
a mão sobre a mesa novamente, fazendo o copo dela, que estava na beirada, cair
no chão e quebrar-se. Foi quando ela gritou:
- EU FUI TRANSFERIDA PARA A SONSERINA!
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- O QUÊ?!
Foi apenas o quê Harry conseguiu responder. Ametista estava à sua
frente, no lado oposto da mesa, gritando que havia sido transferida para a Casa
Sonserina.
- É isso mesmo! Severo fez que meu avô me transferisse para a
Sonserina, para ele ficar me vigiando, para não perder o controle sobre mim!
– berrou Ametista mais uma vez, descarregando sua raiva.
- Eu não acredito. – murmurou para si mesma Arabella.
- Se você não acredita, leia você mesma! – respondeu Ametista,
atacando a carta sobre Arabella bruscamente.
A madrinha de Harry abriu o envelope e leu o pergaminho atentamente. E a
cada frase, tudo parecia encaixar-se menos ainda.
Arabella leu e releu. Como era possível?! Como Dumbledore havia
compactuado com esse absurdo? Imagine, após um ano na Grifinória, como
Ametista acostumaria-se a viver junto dos sonserinos?
- É verdade? – indagou Sirius, pensativo.
- É. Ametista foi de fato, transferida para a Sonserina. – completou
Arabella, tentando encaixar os detalhes.
- E COMO ISSO PÔDE ACONTECER?! – alterou-se a garota novamente,
olhando para a madrinha do namorado.
- Não posso responder isso a você, Ametista – respondeu a mulher. –
Nunca ouvi nenhum caso sobre transferência dentro de Hogwarts. Muito menos da
Grifinória para a Sonserina.
Ametista sacudiu a cabeça negativamente de novo e pensou que aquilo não
poderia estar acontecendo. Foi quando uma luz acendeu na sua mente. Havia alguém
que poderia responder às suas perguntas. Mas ela teria de enfrentar seu maior
medo: mirar-se em um espelho.
Ignorando os gritos de Arabella, chamando-a de volta para o jardim,
Ametista saiu correndo para seu quarto e trancou-se nele. Rapidamente, retirou o
malão de viagem debaixo de sua cama, colocando-o sobre a mesma. Remexendo em
algumas peças de roupas que ainda estavam lá dentro, encontrou no final da
mala o quê tanto procurava: o espelho de comunicação dado por Lupin há mais
de três semanas atrás.
Talvez fosse pelo nervosismo ou ódio, Ametista mirou-se no espelho
velozmente. Esquecendo o quê poderia vir a acontecer, a garota já estava vendo
o próprio reflexo na redonda forma do espelho.
- Professor! Professor! – chamou freneticamente, sem resposta.
Ametista bufou impaciente e voltou a chamá-lo, agora rispidamente:
- Remo!
Aos poucos, por trás de uma névoa que sumia vagarosamente, Ametista
encontrou a face do professor, do homem que ela aprendera a amar primeiramente
em Hogwarts. Era Remo Lupin. Seus olhos estavam verdes, quase castanhos claro. E
trazia nos lábios um sorriso.
- Ametista? Você me surpreendeu, olhou para o espelho muito mais rápido
do que eu pude jamais prever e...
- Você sabe por que fui transferida para a Sonserina?
O homem nem teve tempo de completar a frase, pois Ametista já estava
cortando-o e resmungando.
- Do que você está falando, Ametista? – questionou Lupin confuso.
- Como eu pude ser transferida para a Sonserina? Como?
- Você...você foi transferida para a Sonserina? –
engasgou o professor. – Estou descobrindo isso agora!
- Eu sabia! Eu sabia! – gritou a garota nervosamente. – É tudo parte
do plano dele! Ele quer me controlar de qualquer jeito!
- Ele quem?!
- Severo! Quem mais poderia ser? – suspirou Ametista.
- Não acho que Severo faria uma coisa dessas, Ametista – disse Lupin,
surpreendendo a garota. – Severo pode ter feito o que fez, mas não causaria
nenhum mal a você.
Ametista fechou os olhos cuidadosamente, como se pensasse muito bem. Remo
apenas observou-a atento.
- Você terá de enfrentar mais esse desafio, Ametista. E você também
sabe que não poderia evitar Severo por muito tempo.
- Nós estamos falando de Sonserina, Remo! – a garota já o chamava
pelo primeiro nome, carinhosamente.
- Para falar a verdade, a Sonserina somente é péssima para os grifinórios...
- Isso não é verdade.
Lupin riu do outro lado do espelho.
- Certo. Certo. Mas o ponto que eu quero chegar é que a toda regra,
existe uma exceção. Seja a exceção na Sonserina. Destaque-se no lado bom. A
Sonserina possui muitas qualidades, na verdade é a Casa mais forte de Hogwarts,
apesar de nós, grifinórios, não querermos aceitar.
- E ter de conviver com Draco Malfoy? – lamentou-se Ametista.
- Quem sabe vocês têm mais em comum do que imaginam? Talvez, você
possa aprender a conviver com ele. Você não aprendeu com Harry?
Harry. Foi quando Ametista notou. Lupin ainda não sabia que ela e
Harry estavam namorando, haviam deixado as diferenças de lado, finalmente.
- Eu e o Harry estamos namorando. – disse repentinamente e, para sua
surpresa, naturalmente.
Lupin deu um largo sorriso do outro lado do espelho.
- Você deu-se uma chance, então?
Ametista corou. Lupin riu ao ver sua timidez. Ametista acabou esquecendo
por um momento a tensão sobre Sonserina e curtindo o mestre que tanto adorava.
Conversaram sobre mais algumas coisas e, logo, Lupin teve de encerrar o papo,
despedindo-se e mandando a garota cuidar-se.
- E, qualquer coisa, eu estou aqui, certo?
- Claro.
Despediram-se e Ametista guardou o espelho. Mas, antes de fazê-lo, viu
uma sombra negra as suas costas. Um arrepio correu pela sua espinha, subindo e
descendo. Fechou os olhos logo e envolveu o objeto no meio do malão. Sentou na
cama e pensou: Sonserina. Sonserina.
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Sirius e Ametista aproveitam uma noite quente e dividem lembranças - além de uma sobremesa marcante a ambos. E é a volta da turma a Hogwarts! Quais serão as novidades? Como se portará o diretor diante do novo ano letivo e os inúmeros alunos - todos ameaçados pela nuvem negra de Voldemort?
Fique sabendo de tudo isso e mais - incluindo a nova morte cometida pelos Comensais da Morte - em "TORTAS DE AMORA E ARES DE TERROR"
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