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NO CAPÍTULO ANTERIOR:
Após
uma conturbada aparição de Sirius na casa número 4 dos Alfeneiros, a viagem
começa e muito bem, sem falar ainda do enorme “desconforto” entre Harry e
Ametista. E uma peça bruxa, um jantar em clima parisiense e um universo
conjurado no teto de uma velha pousada reacendem uma paixão de mais de vinte
anos. Será que durará? E quando Harry saberá que seus padrinhos estavam mais
íntimos que nunca?
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CAPÍTULO QUATRO - O Rompimento
Uma luz fraca invadia o quarto e
chegava até os olhos sensíveis de Arabella na cama mais afastada da janela.
Abriu-os lentamente e tentou checar as horas. Mas, por nada queria perder aquele
momento. Estava novamente dormindo sobre o peito de Sirius, mas não precisou
ver se estava vestida, pois já fazia idéia que sua roupa estava perdida no chão.
Sirius abraçava-a carinhosamente. A cama tinha duas cobertas. Delicada, retirou
o braço de Sirius envolta de si e puxou uma das cobertas, envolvendo-se nela,
caminhando até o relógio. Eram ainda sete e quinze. Resolveu ir até o
banheiro lavar seu rosto e quando voltou, sentou no leito novamente. Entretanto,
exatamente depois, Sirius a puxou para si.
- Pensou que iria fugir de mim, hein?! – brincou.
Arabella sorriu. Ele parecia ainda mais divino naquela manhã. Sirius
levou seus lábios aos de Arabella novamente e abraçou-a em seguida.
- O que iremos fazer hoje? – perguntou a mulher para o bruxo.
- Por mim, eu ficaria o dia todo aqui. – respondeu num tom malicioso.
Arabella mordeu os lábios, não por estar envergonhada, mas como se
estivesse considerando a idéia. Sirius deu uma risada gostosa e a beijou
novamente. Logo, suas mãos estavam correndo para dentro da coberta que Arabella
estava envolta, tocando a macia pele da mulher. Realmente, seria difícil eles
saírem daquele dormitório.
Enquanto isso, no quarto ao lado, Ametista já estava acordada há muito
tempo. Deu-se conta que dormira junto de Harry apenas de manhã. Após o teatro,
Hermione e Rony entraram no quarto, e para a surpresa, dormiram rapidamente.
Ametista decidira então que seria melhor ela e Harry ficarem no quarto para não
dar chance a algum tipo de conversa constrangedora com Sirius ou Arabella.
A garota lembrava-se de cair no sono brevemente. Achava que Harry havia
ficado acordado até um pouco mais. Em troca, acordara mais cedo e estava há
pouco mais de uma hora ainda deitada, observando o jovem dormir suavemente.
Harry não parecia o mesmo quando aqueles olhos verdes não estavam fitando-a. O
peito subia e descia conforme a respiração ligeiramente ruidosa. Apesar de já
ter reparado bastante em cada centímetro do rosto de Harry, parecia que ainda não
havia se cansado de faze-lo. Levantou uma das mãos lentamente e tocou alguns
fios do cabelo escuro e desgrenhado. Depois, passou um de seus dedos sobre a
extensão da cicatriz do garoto em sua testa. Ao faze-lo, Ametista viu a testa
do garoto franzir e recolheu sua mão para junto do corpo.
Harry despertara. Foi aos poucos abrindo seus olhos e logo, levou uma das
mãos a sua testa. Ela fervia. Quando os abriu por completo, seus olhos
centraram-se nas duas pedras azuis que fitavam-no.
- Desculpe. – disse a garota de repente.
- Desculpar o quê? – indagou Harry sonolento.
Ametista apontou para a cicatriz coberta pela mão esquerda dele.
- Eu, sem querer... hum, toquei nela e então... você acordou. –
tentou explicar de modo confuso.
- Eu acho que toda vez que você me toca... bem, toca de um jeito –
Harry parecia entender, mas estava tímido para dizer sua teoria. – diferente,
acho que ela ferve.
A garota levantou uma das sobrancelhas rapidamente e levantou da cama.
Harry somente estava dando-se conta naquele momento que dormira junto de
Ametista. Na verdade, na noite anterior, ela dormira tão rápido que ele ficara
observando-a por bastante tempo. Decorou cada milímetro de pele de seu rosto.
- É melhor acordar esses dois – disse Ametista, indicando Hermione e
Rony dormindo abraçados. – Arabella e o Black já devem estar acordados e eu
preciso me vestir e tomar banho.
Harry sentou na cama e assentiu, mas antes indagou:
- Até quando você vai ficar chamando o Sirius de Black?
Ametista virou-se para o jovem e respondeu:
- Até quando eu aceitar o que ele fez.
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- Vocês não acham que eles estão
meio estranhos hoje?
Hermione, Rony e Harry cochichavam sentados no hall do hotel, esperando
Ametista terminar de pegar suas coisas. Sirius e Arabella estavam ajeitando algo
com o recepcionista e o homem fazia questão de trocar olhares ou encostar
sempre que possível seu corpo no dela. Hermione reparara.
- Para mim, eles estão normais. – respondeu Rony, procurando com a
cabeça alguma mesa de café da manhã.
- Você não está nem olhando para eles! – reclamou Hermione no típico
tom da professora Minerva.
- Claro que estou! – respondeu Rony, desviando o olhar para os dois na
recepção.
- Ai Rony! Francamente! Você não entende nada mesmo! – ralhou
Hermione levantando-se e seguindo até as escadas.
- Que foi que eu fiz? – questionou Rony confuso para Harry, que nem
estava ouvindo-os.
Seus olhos estavam concentrados na porta principal do hotel. Acompanhada
por dois adultos, bonitos como ela, estava Cho Chang. A aluna da Corvinal
carregava uma pequena bolsa junto do corpo e balançava a cabeça procurando
alguém para carregar suas malas.
Harry levantou velozmente e aproximou-se do portão de entrada. A garota
tinha dezessete anos, estava no último ano de Hogwarts, e como se não
existisse nada mais a sua volta, mantinha uma beleza mais do que extraordinária.
Quando seus olhos negros alcançaram os de Harry, que vinha ao seu encontro, Cho
sorriu.
- Harry! Não imaginava que pudesse estar aqui. Como vai? – indagou a
garota cordialmente.
- Bem, e você? – Harry sentia-se um panaca perto dela.
- Muito bem. Na verdade, meus pais decidiram sair um pouco de Edimburgo,
sabe. Eu moro lá – complementava a garota dizendo rápida. – Londres é
sempre linda, não é mesmo?
Harry sorriu de volta. Cho questionou se ele ainda ficaria lá por muito
tempo.
- Não, acho que irei embora hoje – após algumas frases da garota, ele
sentia-se um pouco mais à vontade. – Estou esperando meu padrinho. – disse,
apontando para um homem encostado na recepção.
Cho encolheu-se ligeiramente. Harry notou.
- Sim, ele é o Sirius Black. – disse repentinamente irritado.
- Não, não é isso que você está pensando – Cho corrigiu-se ao ver
Harry nervoso. – É só que, bem... eu adoraria conhecê-lo.
Harry não deixou de surpreender-se ao ouvir aquilo. Era a primeira
pessoa que realmente não saía correndo ao ver seu padrinho de tão perto. Os
pais de Cho avisaram que iriam para o quarto e deram o número a filha, que
pediu para ficar um pouco mais no hall do hotel. Logo, Rony estava
aproximando-se.
- Weasley, não é? – cumprimentou Cho tímida.
- Rony, é melhor – respondeu o garoto, virando-se para Harry e
reparando que o garoto estava corado. – Sirius mandou avisar que iremos tomar
café no centro e almoçamos no caminho para a próxima cidade.
O amigo não deixou de notar que os olhos de Harry clarearam-se
ligeiramente ao ouvi-lo dizer. Pouco depois, estavam os três sentados no saguão
do hotel, esperando Sirius e Arabella que tinham algo faltando – pelo menos,
era o que disseram. Conversando sobre as férias e o último ano de Cho em
Hogwarts, Rony viu Hermione descer as escadas junto de Ametista. Preferiu evitar
o olhar da namorada, mas segurou-se na cadeira ao observar o olhar de terror que
Ametista dirigia a Cho. Um olhar que tinha uma terrível mistura de Snape e
Sirius.
- Ah! Não sabia que vocês estavam aqui também – disse Cho surpresa e
levemente desapontada. – Olá, Granger.
- Olá Cho, tudo bem? – indagou Hermione igualmente desapontada.
- Ahã, Dumbledore... – cumprimentou Cho.
- Chang. – respondeu Ametista num tom ríspido que Harry talvez nunca
tinha visto ela dar até mesmo para ele.
Ambas ficaram encarando-se por algum tempo até que Sirius apareceu,
dando um olhar curioso e temeroso a Cho.
- Olá, senhorita...
- Cho... Chang. – gaguejou levemente, levantando-se e estendendo sua mão
para Sirius, que ficou surpreso e sorriu feliz. Ametista fez uma careta e
dirigiu-se para o lado de fora do hotel.
Harry seguiu-a com o olhar confuso.
- Harry, acho melhor irmos tomar café, certo? Eu preciso mesmo comprar
algumas coisas para levar a cidade.
- Aonde iremos? – indagou Hermione.
- Vocês verão lá – respondeu Sirius misterioso. – Talvez você
queria levar sua... hum, amiga junto? – convidou.
Harry correu os olhos até o rosto de Cho, que sorria satisfeita. Subiu
rapidamente e seus pais permitiram – claro que ela não mencionou que o
padrinho de seu amigo era o mais famoso inocente perseguido pelo mundo mágico.
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Era um bar arejado e cheio de
clarabóias em sua extensão. O dia estava quente e o sol estava ainda fraco. O
verão atingira em cheio Londres. Via-se as crianças, geralmente lotadas de
casacos, cobertas por nada mais que um vestido ou macacão. Arabella fizera os
pedidos e reservara uma mesa mais ao canto, longe da dos jovens – imaginava
que Harry não gostaria nem um pouco de estar sentado com eles quando estava com
seus amigos.
Entre uma xícara e outra de café, alguns pães recheados e torradas
besuntadas de geléia de amora norueguesa, Sirius comentava com Arabella:
- Essa menina, ela não pareceu assustada ao andar conosco, quero dizer,
comigo. – o homem estava alegre.
- As pessoas vão começar a se acostumar com a idéia, Sirius. E mesmo
que elas não se acostumem tão cedo assim, eu já me acostumei bem antes delas.
– disse, dando um largo sorriso para Sirius, que pegou em sua mão deixada
sobre a mesa.
- Quando contaremos a eles? – questionou Sirius ansioso. – Eu quero
poder fazer isso na frente deles também. – a mesa dos adultos estava afastada
o bastante para que não vissem o quê estivessem fazendo.
- Vamos chegar a Godric’s Hollow primeiro, Sirius. Eles ainda precisam
conhecer a casa, Prisma. Ainda falta muito. Talvez, quando estivermos uns dois
dias lá, nós contaremos.
- Você acha que... bem, que...
Sirius não conseguia terminar a pergunta. Arabella concentrou seus olhos
nos dele e respondeu:
- Não sei, mas acho que nesse momento, ela está muito mais preocupada
com aquela garota. – Arabella apontou para a mesa dos garotos e, viu-se Harry
conversando animadamente com Cho, enquanto Ametista ficava de braços cruzados
observando-os.
- O que está acontecendo lá? – indagou Sirius curioso.
Arabella soltou uma risada e subiu um pouco a altura do tórax sobre a
mesa, chegando perto do ouvido de Sirius e dizendo:
- Ela está com ciúmes.
Na mesa, Hermione e Rony discutiam levemente e num tom baixo, já que Cho
estava entre eles. Harry e a garota conversavam sobre quadribol e ele
elogiava-a.
- Mas, na primeira vez que eu joguei contra você, eu ainda lembro do Olívio
reclamando que você havia voltado ao posto de apanhadora.
Cho corava com os elogios. Ametista assistia a tudo com a expressão de
que era perda de tempo ficar ali.
- Não sabia que eu era tão boa assim – respondia a garota num tom
baixo. – Ou pelo menos não achava que vocês me considerariam.
- Com certeza, dos três apanhadores você é a melhor! – continuava
Harry sorrindo.
- Você também é um ótimo apanhador, Harry! É o melhor da escola. –
agora foi a vez de Cho elogiá-lo, fazendo Harry corar.
“Ah! Por favor! Olha como ele se
derrete por ela! E como ela faz bem o tipo de viúva que precisa de carinho! Por
favor! Como ele pode cair nessa?!” – Ametista estava a ponto de
explodir.
- Ah! Você é tão boa quanto eu... – respondeu Harry, tentando disfarçar
a timidez.
- Para mim, já chega! – explodiu Ametista, levantando da mesa e saindo
do bar, batendo a porta do estabelecimento.
Hermione e Rony pararam a discussão e observaram a expressão incrédula
de Cho e Harry, mais confuso que nunca. Hermione levantou-se imediatamente e
correu atrás de Ametista. Enquanto isso, na mesa ao fundo, Sirius assistia a
tudo perplexo.
- Eu disse, não disse? – ouviu Arabella rir ao seu lado.
Do lado de fora, Hermione encontrou a amiga parada, vendo o movimento de
pessoas na rua. Ela estava com os braços cruzados e a garota não deixou de
notar que seu cabelo tinha um certo toque ruivo no sol – o cabelo de Ametista
era castanho.
- O que foi aquilo lá dentro? – perguntou Hermione aflita, parando ao
seu lado.
Ametista bufou e sacudiu a cabeça em negação.
- Eu não agüentei ficar olhando para a cara daquela garota, toda
coitadinha para cima do Potter, e o idiota caiu!
- Mas...
- E se não fosse só isso – interrompeu-a Ametista, pegando ar e
atropelando algumas palavras. – Ela conseguiu fazer o Black ficar todo feliz só
porque ela não saiu correndo dele!
Hermione esperou Ametista soltar tudo e ficou encarando-a, enquanto a
garota ficava balançando o corpo. Uma brisa passou por elas, agitando os fios
acajus de Ametista. Hermione tinha o cabelo preso.
- Então, você está com ciúmes do Harry e do Sirius...
Hermione começou, mas Ametista arregalou os olhos e virou-se para a
amiga, gritando:
- Eu não estou com ciúmes do Harry e muito menos do Sirius! – a
garota estava ficando corada ao negar com tanta emoção.
Ficaram em silêncio durante alguns minutos, até que Hermione disse,
calmamente, entrando no bar novamente:
- Você está tão roxa de ciúmes que até chamou-os pelo primeiro nome.
Ametista suspirou nervosa e deu um tapa na própria cabeça.
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- Muito obrigado pela manhã,
senhor Black, professora Figg. – agradecia Cho sorrindo.
Estavam no hall do hotel novamente. Eram quase onze horas da manhã e
Sirius queria ir embora logo, era um caminho longo até Godric´s Hollow.
Hermione e Rony já haviam se despedido de Cho.
- Nos vemos novamente em Hogwarts, e dessa vez eu vou tentar te derrotar,
Harry. – brincou Cho.
Harry arriscou um sorriso tímido e Cho aproximou-se dele, dando um leve
beijo na sua bochecha. Sentiu um furor tomar conta de seu rosto e sabia, ao ver
Rony rindo, que estava bastante corado. A silhueta pequena e fina foi
desaparecendo em meio às escadas do hotel. Sirius e Arabella juntaram as últimas
bagagens e caminharam até a saída da pousada. Ametista estava do lado de fora,
sua mala encostada ao corpo. Harry emparelhou com ela e lançou-lhe um olhar
duvidoso.
- Nós precisamos conversar. – disse decidido.
Ametista ignorou-o.
Logo, estavam todos sentados num dos trens que levavam a seu destino.
Ametista observava a paisagem pelo vidro da cabine, quieta. Harry assistia
Hermione discutir mais uma vez com Rony, agora sobre os estudos do próximo ano.
- Você não pretende tornar-se um bom profissional quando sair de
Hogwarts?!
- Sim, mas não vou deixar de aproveitar agora que não tenho muitas
responsabilidades, Mione! Vou começar a me preocupar com isso quando sair de
Hogwarts!
- Quando você sair de lá, já será tarde demais, não vê? O Ministério
pede as inscrições para seus cargos e fazem os testes no sétimo ano de
Hogwarts, não meses depois!
- E quem disse que eu quero entrar para o Ministério da Magia?!
Hermione arregalou os olhos e indagou temerosa:
- E...e o que você pretende fazer?
Rony levantou do assento e respirou fundo, estufando o peito e dizendo
com certo orgulho:
- Quero seguir carreira como goleiro de quadribol e, com muito empenho,
entrar para o Chudley Cannons.
Hermione desacreditou-se:
- Quer dizer então que você quer empenhar-se e, logicamente usando seus
conhecimentos adquiridos em Hogwarts, – ela dizia com certa pompa. –
tornar-se um goleiro de quadribol?!
- E qual é o problema nisso? – irritou-se Rony com o pouco caso feito
pela namorada.
- É o jeito mais...mais – ela parecia procurar uma palavra que não
fosse um palavrão. – mais fácil, folgado, ridículo... de ganhar dinheiro,
Rony!
- É uma profissão como qualquer outra! – gritou Rony, as orelhas
ficando vermelhas. – Você acha que só porque não envolve livros e mais
livros é um meio fácil de se viver?! Pois não é!
- Ficar em cima de uma vassoura não tem nada de difícil, Ronald
Weasley! – respondeu, levantando do assento também.
- Realmente, por isso que você consegue tão bem! – ironizou o jovem,
fazendo Hermione cerrar os olhos.
- Pelo menos eu não preciso me esconder atrás de uma vassoura porque eu
tenho competência de conseguir um cargo no Ministério!
Rony arregalou os olhos. No segundo seguinte, Hermione estava se
arrependendo, mais do que nunca, de ter falado aquilo.
- Então é isso mesmo que você acha?! Você acha que eu não sou
inteligente o bastante para entrar no Ministério?! Ou você acha que eu não
sou bom o bastante para você só porque não quero entrar no Ministério?!
Hermione tentou redimir-se, mas Rony já estava fora da cabine. Decidiu
ir atrás. Parou no corredor e olhar para os lados, procurando o caminho que
Rony tomou. Conseguiu ver o final de uma capa negra. Segui-a, entrando na última
cabine do trem. Lá estava Rony, sentado num dos assentos e olhando para os próprios
pés.
- Eu não quis dizer aquilo... – arriscou Hermione, dando um passo
dentro do compartimento.
Rony continuou calado. Hermione aproximou-se dele e ajoelhou a sua
frente, levantando seu rosto. O jovem tinha os olhos cheios de água, mas ele
faria de tudo para não deixá-las cair.
- Foi por isso, não foi?
- O que?
- Foi por isso que você não aceitou namorar comigo, não foi?
- Por que, Rony? Do que você está falando? – Hermione sentia-se
perdida, concentrando seus olhos castanhos nos de Rony.
- Você sabe muito bem do que eu estou falando, Hermione! Você não
aceitou namorar comigo na primeira vez que eu te pedi porque eu não sou bom o
bastante para você, porque eu não consigo acompanhar suas notas, porque não
sou monitor, porque não sou do jeito que você quer!
Hermione calou-se. Na verdade, ela não sabia bem porquê não havia
aceitado a proposta dele na primeira vez. Porém, sempre tivera certeza que um
dos motivos era que Rony nunca a entendera. Seu jeito de ser, sua paranóia com
estudos, o sentimento de isolamento, de preconceito. Hermione sempre se sentiu
fora do ninho, deslocada, diferente, muito diferente. Por isso procurou
esconder-se atrás dos livros. E ela somente sentiu-se livre para ser ela mesma
com Harry e Rony, mas ainda assim, ele nunca a entendera.
Hermione viu Rony balançar a cabeça em negação e levantar os olhos,
procurando segurar as lágrimas.
- Sabe, Mione, eu gosto muito, mais muito mesmo de você. Mas, eu não
posso continuar com alguém que não acredita em mim, na minha capacidade, no
meu potencial.
- Mas...
Novamente, Rony não deixou Hermione terminar a frase. O garoto levantou
do banco e caminhou até a porta da cabine. A garota continuou ajoelhada no chão,
e olhou diretamente em seus olhos quando Rony finalizou:
- Eu só vou conseguir aceitar isso quando você aceitar, Mione. Enquanto
isso, não há mais namoro.
Rony deixou Hermione para trás. A garota hesitou no começo, mas depois
se deixou chorar. Entre os soluços, ela dizia: Não foi por isso, Rony, não
foi.
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Harry estava atônito. Rony
estava realmente falando sério. E Hermione parecia confusa. Logo, estavam ambos
fora da cabine. Ao olhar ao seu lado, encontrou Ametista igualmente estupefata.
- Você...você a...acha que eles...? – gaguejava Ametista.
- Eu não sei. Mas, eu nunca vi o Rony daquele jeito...
Ficaram em silêncio por algum tempo, quando Arabella entrou na cabine,
com a expressão surpresa.
- Remo foi embora de Hogwarts?! – indagou a mulher para Ametista.
- Foi...
- FOI?! – espantou-se Arabella.
- Eu pensei que vocês soubessem. – explicou Ametista franzindo a
testa.
Harry tornou-se para Ametista.
- Você não me contou isso.
- Já disse! – aborreceu-se a garota. – Eu pensei que ele havia
avisado vocês, afinal, vocês são... – e então Ametista paralisou
pensativa. Claro que Lupin não os avisaria.
- Eu não acredito que ele foi embora e não nos avisou! Remo nunca faria
uma coisa dessas! – Arabella falava consigo mesma, enquanto dava voltas na
cabine. – Sirius está mais surpreso do que eu! Ele tinha falado que ficaria
em Hogwarts, ele fora designado como seu guia... – a bruxa parou de andar.
Ametista estava ainda pensativa. Lupin estava indo embora por causa de
Arabella. A mestra estava exatamente com eles, então seria claro que ele não
avisaria que estava deixando Hogwarts.
- Você, Ametista – chamou a mulher, fazendo com que a garota olhasse
para ela. – Lupin não é mais seu guia? Digo, ele não pode deixá-la aqui,
tem de manter contato, tem que cuidar... – a mestra parou novamente e logo
retomou. – de você, a não ser que há outro guia.
Ametista não sabia o que responder. Tinha apenas a certeza que não
iria, de nenhum jeito, dizer sobre aquele espelho de comunicação entre ela e
Lupin. Pelo menos por enquanto.
- Eu...eu preciso falar com o Sirius, com licença.
Arabella deixou-os confusos. Harry principalmente. O garoto cruzou seu
olhar com o de Ametista.
- Ele só foi embora. Só. – reforçou a garota.
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- Ele foi mesmo embora.
Sirius estava mexendo numa mala freneticamente, mas parou quando viu
Arabella entrar na cabine e confirmar suas suspeitas.
- Mas como ele foi embora, por que...?
Arabella suspirou e sentou-se pesadamente no assento.
- Não sei, Sirius. Remo não deixaria Hogwarts...
- Não, Bella – discordou Sirius. – Ele deixaria Hogwarts, mas não
deixaria Ametista.
Arabella franziu suas sobrancelhas, confusa.
- Ametista foi uma parte da vida do Remo, Bella, e você sabe muito bem
disso. Ele somente aceitou o cargo de professor no ano passado por causa dela.
Quando Dumbledore disse que Snape traria a garota para Hogwarts, finalmente,
Lupin aceitou imediatamente ser o seu guia. – dizia Sirius calmamente.
- Mas, então, por que ele foi embora, Sirius? E por que sequer nos
avisou?
Sirius continuou calado. Pouco depois, arregalou os olhos diante de uma
teoria absurda.
- Você foi até Hogwarts? – indagou a mulher.
- Fui para pegar Ametista.
- Não, digo, você foi antes a Hogwarts? Porque, pelo que você me
disse, Remo já não estava mais lá, certo?
- Não, ele não estava. – concordou Arabella chateada.
Sirius permaneceu encarando-a. Arabella enrugou a testa e leu a mente do
homem.
- Ah! Bem, eu... hum...estive em Hogwarts alguns dias antes. –
confessou.
- Você conversou com ele?
- Claro que conversei! Foi rápido, mas conversei.
- E você contou a ele sobre nossa viagem, certo?
- Lógico que contei – Arabella começava a irritar-se com a insistência
do homem. – Mas por que está perguntando tudo isso?
- Nada, nada. – respondeu
nebuloso.
Arabella preferiu não insistir. Também não iria ler a mente de Sirius.
Se ele não queria contar, tudo bem.
Enquanto isso, Sirius estava pensativo. Havia descoberto toda a trama,
que, por mais absurda que fosse, não poderia ser mais verdadeira. Lupin já
deveria ter imaginado que algo aconteceria entre Sirius e Bella, então desejou
estar bem longe deles. O amigo já sabia que era apenas uma questão de tempo até
que Arabella e Sirius revivessem uma história apagada há mais de vinte anos.
Lupin, que sempre fora apaixonado por Arabella não suportaria vê-la com seu
melhor amigo. Não novamente.
Sirius
sentiu-se incrivelmente tolo por um momento. Depois, olhou ao seu lado e
encontrou Arabella com uma expressão de desapontamento profundo com o amigo. Se
ela apenas soubesse o quanto Lupin a amara durante todos aqueles anos...
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NO PRÓXIMO CAPÍTULO:
Harry, Rony e Hermione finalmente conhecem Prisma e todos se chocam com o maravilhoso casarão que se hospedarão. Mas o que é exatamente e qual a função daquela magnífica bacia de cristal? E qual é o efeito que ela provocará em Harry e Ametista?
Deixe-se
levar em "PRISMA E A BACIA DE PANDORA"
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