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N/A: Esta
songfic foi inspirada num dos capítulos da Fan Fic Harry Potter e o Olho da
Escuridão, e recomenda-se que seja lida antes desta (cap. 3 – Revivendo o
passado). A música em questão é do Bryan
Adams, de seu cd acústico
produzido pela MTV, chamada I’ll always be right there.
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Sinopse: Algumas taças de vinho, nada mais. Lembranças de um tempo distante podem recuperar uma paixão de adolescente e torná-la realidade? Podem destruir a dor e transformá-la em amor? Arabella Figg e Sirius Black estavam apenas voltando de um jantar após uma peça de teatro e encontraram em um de seus quartos Harry, Hermione, Rony e Ametista, adormecidos. Teriam de dividir mais uma vez o mesmo dormitório. Mas, será que seria somente isto que passariam a dividir após aquela noite?
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Capítulo
Especial - I'LL ALWAYS BE RIGHT THERE
Um
trovão cruzara o céu. Novamente, lá estavam Arabella Figg e Sirius Black
tendo que dormir no mesmo quarto. Harry e os outros pareciam tão adormecidos e
cansados que os dois acabaram decidindo deixá-los no quarto trinta e quatro.
Naquele momento, sentados numa das camas de casal, os antigos amigos observavam
um álbum de fotografias diversas. Cada lembrança de sua mocidade provocava uma
grande nostalgia em ambos.
Foi quando uma foto em especial caiu da pasta e chamou a atenção de
Sirius. Na verdade, aquela figura trazia à mente do homem tantos momentos e
situações que o deixavam perturbado. Arabella parecia também bastante
constrangida. Acabaram trocando algumas frases e riram ao final. Sirius foi
empurrado e deixou-se cair sobre os lençóis da cama de casal. Apagou as velas
e puxou Arabella para junto de si, conjurando constelações belíssimas no teto
do âmbito.
Entretanto, aquela imensidão estrelada já era conhecida. Sirius
perguntara à amiga se ela lembrava-se daquele céu. A mulher chegou a corar
discretamente e respondeu:
- No dia em que você me beijou pela primeira vez. Era primavera, acho. E
o céu estava exatamente assim.
Sirius sentiu uma dor estalante no peito. Então, ela não se esquecera.
Uma felicidade contagiante tomou-o, fazendo-o questionar:
- Como você tem tanta certeza? – indagou Sirius, abaixando o tom de
voz e deixando-a mais rouca e irresistível.
Arabella temeu àquela pergunta, mas tinha de responder. Por mais
arriscada que ela pudesse ser, ou mesmo pelos atos que a resposta dada poderia
desencadear.
- Porque eu sabia que era especial demais para ser esquecido. Era o beijo
do primeiro garoto por quem eu me apaixonei.
Sirius possuía alguns princípios. E um deles era não se envolver
novamente com Arabella. Porém, naquela noite, ela estava tão irresistível e
de sua boca saiam frases tão envolventes que o homem ansiara ouvir durante
anos, e então, decidiu ignorar sua razão e seguir o quê seus batimentos cardíacos
denunciavam. Sirius a beijou. E foi quando notou como faziam falta aqueles braços
o envolverem tão graciosamente e transmitirem um carinho grandioso e
verdadeiro. Prolongou então suas mãos até a região abdominal da mulher e
tentou abrir um dos botões de sua blusa. Arabella o impediu relutante, mordendo
seus lábios e mostrando-se envergonhada.
- Sirius, isso não está certo!
- Não?! – estranhou o bruxo, tentando recuperar-se da falta que
Arabella fazia em seus braços agora que experimentara a sensação.
- Você sabe muito bem que... – ela deu uma pausa, pensando na melhor
forma de dizer aquilo. – O nosso passado é muito distante. Nós tivemos
outras pessoas entre nós durante esse tempo.
- Se você diz isso por causa da Hariel, fique sabendo que ela sabe muito
bem que o quê estamos fazendo não tem nada de errado. – respondeu Sirius
levemente irritado.
- Mas... também, não é só isso...
Arabella contemplou Sirius, carregando sua expressão de valentia e adoração,
caminhar até ela. Decidiu completar, nervosa:
- Nós não temos mais quinze anos de idade. Nós dois sabemos muito bem
que não temos tempo para ficar brincando por aí.
Sirius sabia que seria difícil convencê-la, mas teria de tentar.
Arabella
sentia as pernas agitarem-se freneticamente e colocou as mãos sobre elas, num
modo de fazê-las parar, mas parecia impossível. Seu coração disparava
somente de pensar em como poderia arrepender-se mais tarde, caso fugisse desse
momento. Mas, teria de considerar tudo o que havia acontecido a eles no passado
e estar disposta a enfrentar um futuro tão incerto quanto o que possuíam há
mais de vinte anos atrás.
Sirius
também notou o nervosismo expressivo da mulher. Ela, que fora sempre tão
controlada e controladora, estava mostrando o quanto poderia ser frágil ou
temerosa. Sabia que teria de enfrentar uma lembrança estampada para sempre na
mente de Arabella, e que não poderia falhar como aquele homem falhara anos com
ela.
-
E você também tem consciência de que antes nós só ficávamos nos beijos,
certo? – Arabella arregalou os olhos para Sirius. – Agora, eu sei e espero
que você também saiba, que entraremos em algo muito mais pessoal e íntimo –
Sirius viu Arabella corar furiosamente. – Porque eu posso garantir que, se
naquela época já era difícil me controlar, agora será bem mais complicado.
Arabella sabia que Sirius falava sério e que estava tão certo quanto,
talvez, nunca estivesse antes. E, claramente, ele não desistiria. Também sabia
que Sirius era, provavelmente, o único homem em que ela confiaria plenamente após
tudo que acontecera em seu passado com David. Precisava acreditar novamente que
daria certo, que poderia confiar novamente, sem medo. E aquele momento chegara.
Chegara para ela e para Sirius também.
O homem aproximou-se do corpo dela, fazendo-a sentir o calor e a
ansiedade que exalavam pelos seus sentidos. Arabella concentrou seus pequenos e
misteriosos olhos negros nos azuis e profundos de Sirius, e pôde entender. Ele
estava sendo mais do que sincero. Ele realmente sabia que, um dia, poderia amá-la,
assim como ela o amava.
Sirius
suspirou levemente e sentiu o perfume de camomila da mulher tomar conta de seu
ar. Próxima e radiante como ele, Sirius sentia os batimentos acelerarem
novamente, mais intensamente que antes. Era a hora certa. E ele arriscaria tudo.
Foi então que ele declarou-se simples, mas
objetivo:
- Eu estou disposto a qualquer coisa, porque eu não consigo ficar mais
um minuto longe de você. – disse Sirius.
Arabella
sentiu-se segura e, principalmente, querida o bastante para esquecer-se dos possíveis
obstáculos futuros. Atirou seus braços sobre o rosto de Sirius, acariciando-o
e sentindo alguns pêlos irritadiços em sua face, alcançando sua boca
rapidamente e beijando-o. Outros e mais outros vieram em seguida, cada vez mais
cheios de carinho e intensidade. Sirius deixava-se percorrer com suas mãos
pelas costas e cintura desenhada da mulher. Foi quando percebeu e pensou: “Eu
sempre esperei por isso”.
Arabella
estava com seus lábios e toda sua atenção sobre Sirius quando o ouviu
pronunciar aquelas palavras em sua mente. Ela havia conseguido ler os
pensamentos do homem sem provocar o contato visual entre eles. E aquilo somente
acontecia em momentos especiais na vida de Arabella. Descolou sua boca da dele
levemente e disse:
- Eu também esperei por isso.
Sirius parava de beijá-la e concentrava seus olhos nos dela.
- Você leu meu pensamento sem estar olhando para mim novamente? –
perguntava ansioso, procurando desviar seu desejo.
- E quantas vezes eu já fiz isso com você, Sirius?
Sirius sorriu levemente e decidiu deixar-se levar por mais um doce beijo
da mulher. Ela sempre tivera aquela maneira de envolvê-lo sutilmente,
deixando-o maluco. Era calma e perigosa ao mesmo tempo. E era exatamente isso
que Sirius sempre fantasiara. Tê-la nos braços da maneira como ele teria
naquele momento fora o seu sonho durante meses de sua adolescência, quando
namoraram ou desejava namorá-la.
Aos poucos, Sirius já estava sentindo a pele macia de Arabella contra a
sua, num novo abraço. Ela fervia, assim como ele. Mas, não era apenas um
desejo reprimido, uma paixão repentina ou mesmo saudades de uma importante época
de suas vidas. Era amor. E logo descobririam isto.
Não
muito depois, estavam suas roupas espalhadas pelo chão do dormitório trinta e
três, uma das camas de casal vazia, e fotos mostrando rostos sorridentes. Eles
haviam redescoberto o amor, olhando apenas para o lado. E aquela noite seria a
primeira de muitas que ainda demonstrariam o quanto a dor poderia levar ao amor.
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