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NO CAPÍTULO ANTERIOR:
Gina
enfrenta seus demônios num simples exercício em Aprendizes e confronta Tom
Riddle uma vez novamente. Agindo contra sua vontade, ela se vê completamente
apaixonada por Draco Malfoy e resolve aceitar o pedido de namoro de Julian
Hawking. Mas como isso afetará em seu futuro?
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CAPÍTULO
TRINTA E UM – ANTES DO AMANHECER
Apesar
do rápido socorro de Arabella e Ártemis, Dumbledore não fora solto do Ministério
da Magia. Diziam que a mestra de Aparatação havia feito uma grande ameaça a
Cornélio Fudge, só que aparentemente, fora ignorada. Passara-se duas semanas
desde a prisão do diretor e estavam ambos dentro daquele carro, voando por cima
das casas trouxas, o vento entrando pela janela e fazendo cócegas em seus
narizes. Harry não sabia ao certo o quê pensar da conversa que tivera há
poucos minutos atrás com o mestre supremo de Hogwarts. Ametista sentava-se ao
seu lado, o olhar distante e a voz silenciosa. O monitor engoliu em seco e
pegou-se a observando com uma atenção incrível. Algumas linhas de preocupação
se formavam em sua testa. O olhar desceu e atingiu seus lábios levemente pálidos
naquela manhã. Ele não sabia o porquê, mas estava ficando bastante nervoso
com a proximidade dos meados de abril. O aniversário de Ametista.
- Você não vai me dizer o quê meu
avô te falou?
Harry estava tão entredito em seus
próprios pensamentos que não notou a inclinação da namorada ao seu lado. A
boca de Ametista estava colada ao seu ouvido esquerdo, sussurrando com cuidado
aquelas palavras. Imaginava que não era preciso cochichar, mas entendeu o ponto
dela. O Sr. Weasley estava dirigindo o veículo bruxo, com Percy sentado à sua
esquerda, muito reto e comportado. Não gostaria de falar nada na frente deles,
especialmente do irmão mais velho e ex-monitor da Grifinória.
Entretanto, não havia somente
aquele motivo que o impedia de responder à Ametista. Em seu mais íntimo, Harry
sentia sua pele arder e sua garganta arranhar, as palavras seguras dentro de sua
mente, mas quase denunciando seu nervosismo. Nunca gostaria de confessar que ela
estava certa. Durante todos aqueles dias, aqueles quase dois meses. O objetivo
da conversa de Dumbledore. Muito mais sério que imaginava. Assim, suspirou e
piscou ligeiramente a ela, entrelaçando seus dedos nos dela e indicando que
falaria mais tarde, ali não era o momento e muito menos o lugar.
Voltando sua visão para o lado de
fora, encontrando o sol pouco abaixo de suas cabeças, o horário beirando o de
almoço, Harry recordou o Ministério da Magia. De fato, era um lugar fascinante
e ninguém poderia imaginar que se localizava em um lugar tão estrategicamente
fabuloso: no subterrâneo do Big Ben. Isto porque após sua entrada, ele era o
próprio prédio do mais famoso e correto relógio do mundo trouxa, onde se dá
o Meridiano de Greenwich – Harry divagou rapidamente sobre suas aulas de
geografia na escola em que os Dursley haviam-no colocado.
Somente não esperava encontrar o
magnífico bruxo Alvo Dumbledore, que derrotara o maior bruxo das trevas de sua
época, Grindelwald, em 1945, daquela forma. O monitor da Grifinória não soube
explicar com sabedoria, mas reconheceu sua perplexidade estampada no rosto da
neta do homem. Ametista estava completamente chocada com as condições que o
deixaram ali. Era uma cela como daquelas que vira em Azkaban, em janeiro, onde
havia um único aposento – mais parecido com uma jaula – e nada mais.
Escuridão o cercava. E possivelmente guardas, que nem Harry ou Ametista puderam
ver.
Logo depois de uma conversa rápida
e quase seca entre neta e avô, Dumbledore pediu gentilmente que Ametista
deixasse a cela para que pudesse falar com Harry em particular. O jovem não se
sentiu muito bem, sem saber bem o porquê. E então o diretor iniciou o quê
Harry passaria a chamar, mais tarde, de uma das mais surpreendentes e menos
agradáveis conversas com Dumbledore. Se bem que o resultado fora muito bom. E
também aquilo não se parecia nada com uma conversa, e sim com um monólogo, já
que somente o diretor parecia disposto a falar. Começou pelos pais de Harry,
depois passeou pela família Evans – de Lílian, sua mãe – viajou até a
dele mesmo – citando Hariel, e Sirius tornando-se seu genro – e finalizou na
de seu pai, Tiago. Os Potter eram mais previsíveis do que Harry poderia
imaginar, por um lado. Contudo, tomou grandes surpresas, ouvindo aquele pequeno
discurso do diretor. Dumbledore não parecia nem risonho, nem feliz ou muito
menos aliviado de Harry o estar ouvindo. E sim, na fome de contar tudo ao famoso
Menino-Que-Sobreviveu, soltou quase que ferozmente a grande novidade em sua
vida: Helderane era mesmo Heather Potter, irmã de Tiago, seu pai, e conseqüentemente
sua tia.
Harry não soube responder ao
diretor quando Dumbledore permitiu-o falar. Não havia resposta. Não havia
reclamações ou protestos. Pelo que ouvira, Helderane era alguém digna de
admiração e pena. Admiração por permanecer forte e imponente, sem desanimar
ou negar seus deveres nem por um segundo de sua vida de Deusa, mesmo que o
destino procurasse sempre estar contra ela. Pena, pois para concretizar a tarefa
que seu sangue a reservara, tivera de largar tudo. Simplesmente tudo. Família,
amigos, Hogwarts, a vida própria e até o nome. Assim, em sua Transgressão –
o processo pelo qual Helderane passou até transformar-se em uma Deusa,
Cavaleira de Merlin – a mulher fora obrigada a esquecer tudo, inclusive ele.
Seu único sobrinho. Este que quase fora assassinado por Voldemort dezesseis
anos atrás.
No entanto, o quê mais o deixara
instigado fora o fato de que Helderane ainda continuava sendo Heather, mesmo que
em seu mais profundo e secreto íntimo. Contou o velho homem que, quando Heather
fora transformada em deusa e em Helderane, uma maldição se seguiu em sua alma.
Enquanto o único Cavaleiro de Merlin mulher existisse e esquecesse toda a sua
vida anterior como uma simples humana, seu coração permaneceria humano. Assim,
Heather sempre existiria dentro de Helderane, recordando, amando, sofrendo. Dia
após dia.
Depois de entender isto, Harry
sentiu-se o pior monstro que poderia existir na face da Terra. Então, ele tinha
gritado, esbravejado xingamento dos mais diversos tipos, negado até o fim que
acreditaria naquela mulher. E a única coisa que Heather desejava era o seu
carinho por alguns poucos dias, até que deixasse Hogwarts uma segunda vez. Ele
simplesmente preferiu não acreditar, revoltar-se e esconder-se da verdade que
estava perante sua frente. Harry, que sempre procurara em cada um que conhecia
uma pontinha de vida familiar, dos Potter, de seu pai ou sua mãe. Preferira
ignorar. Simplesmente ignorar.
“Como vou poder encará-la
agora, professor?”, Harry recordou a pergunta que fizera ao diretor, em
seu estado miserável e arrependido.
“Como um sobrinho deve encarar
uma tia que nunca o esqueceu e que sempre o amou muito”. E as palavras de
Dumbledore iam e voltavam, como numa correnteza de vento, em sua cabeça. Harry
não era do tipo orgulhoso, porém ficara extremamente encabulado de aceitar que
errara. Mesmo que na inocência.
Mas, deixando toda sua culpa e arrependimento esquecido, Harry sentiu o coração pulsar de uma nova maneira em seu peito a partir de sua saída do Ministério da Magia. Existia alguém que pensava nele como família, existia alguém que zelava por sua segurança, existia alguém que o amava como um parente se ama. E, melhor do que isto é saber que este alguém está vivo e muito mais perto que poderia imaginar. A respiração parou na garganta do jovem e, quando a soltou, ela veio trêmula e emocionada. Tocando com a ponta de seus dedos aquele cordão escondido dentro de suas roupas, Harry admitiu: tinha uma tia.
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- Não adianta você vir me
dizendo que não estou um trasgo de tão gorda – Arabella fez um bico muito
infantil. – Queria eu ter esse seu corpo com meus quarenta anos.
- Não é tão maravilhoso assim, Bella. Na verdade eu até desejo um
pouco de maturidade corporal...
As mulheres riram deliciosamente, na cama de Arabella, os pés para cima
apoiados em um mundo de almofadas e a cabeça num nível abaixo, ambas deitadas
e observando o teto amarelado do dormitório.
- E você não vai me contar o que houve entre você e o Remo, certo?
Heather permaneceu calada, soltando apenas um suspiro cansado. Arabella
cutucou-a com o braço direito e grunhiu, divertida.
- Não aconteceu nada, sua mente pervertida – brincou Heather,
colocando a língua para fora e mostrando-a para Arabella. As duas pareciam
muito como jovens adolescentes apaixonadas. – Não há como acontecer, você
sabe, eu já lhe expliquei.
- Pois eu tenho uma opinião muito singular sobre isso – respondeu a
mestra de Aparatação. – Acho que você deveria procurar urgentemente um
contra-feitiço, maldição ou o quê seja para anular isto que existe dentro de
você – Heather tombou sua cabeça, rindo a Arabella. – Estou falando sério,
menina! Tenho certeza que Snape deve ter alguma poção...
Um soluço parou na garganta de Heather e a mulher segurou a risada.
- Oh, claro, irei até o Snape e direi – e então, com uma voz muito
divertida, Heather completou. – Seboso, será que você teria uma poção
para me permitir dormir com o lobisomem que você tanto preza nesses dias que
estou em Hogwarts?
Repentinamente, Arabella ergueu seu tronco e encarou Heather com
surpresa:
- Quem aqui disse algo sobre dormir junto? – sua voz estava
bastante alterada, no meio da perplexidade.
A Deusa procurou não entrar em contato direto com os olhos de Arabella, tombando desta vez a cabeça para a direita. Arabella soltou um som parecido com indignação e Heather não conseguiu esconder o rubor em suas bochechas.
- Você transou com o Remo quando estavam namorando e não me disse
nada?! – Arabella pareceu mais chocada ainda, notando o aumento da vermelhidão
no rosto de Heather. – Pior! Você negou tudo a mim!
Mordendo o lábio inferior, olhando para a visão escura de Arabella,
Heather ergueu-se levemente da cama, como a amiga.
- Eu não estive com ele quando estávamos namorando, Bella.
Os olhos da grávida arregalaram-se em gravidade.
- Então, quando aconteceu?!
Heather pigarreou e apertou as sobrancelhas.
- Bem, quando eu fui comunicada da minha Transgressão, bem... –
repetiu Heather nervosa e envergonhada. – Eu fiz aquela reunião e... Naquela
noite... Remo veio aqui – os olhos de Arabella iam se arregalando cada vez
mais. – É... Nós ficamos juntos...
- Eu não acredito! – gritou a mulher, acomodando-se melhor no leito
com sua pequena barriga. – Você e Remo transaram no seu último dia como
humana na Terra – Heather olhou para longe. – Isso foi tão romântico! Quem
diria que o Remo tivesse um talento especial em persuadir as garotas com uma
chance dessa!
- Ele não me persuadiu! – protestou Heather, não notando que Arabella
estava somente brincando com ela. – E-eu quis que ele fi-ficasse comigo
naquela noite – Arabella abriu um grande sorriso, observando o gaguejo da
mulher. – Foi bem, eu diria, intenso – Heather voltou a olhar a ela. – Ele
disse que me amava.
O sorriso se manteve nos lábios vermelhos de Arabella quando Heather
silenciou seu discurso. Sua mente estava surpresa com aquela notícia. Durante
todos aqueles anos, imaginou que Remo estivesse com Heather ou com qualquer
outra que houvesse em sua vida para esquecê-la, como ele mesmo havia deixado
muito claro na última noite do sétimo ano deles. Talvez as coisas mudassem.
Naquele momento, Arabella diminuiu o sorriso, imaginando o quanto eles deveriam
estar sofrendo então.
Assim que Heather ameaçou dizer alguma outra coisa, Arabella
interrompeu-a:
- Fale com Snape, Heather – disse a mulher, com uma voz de esperança.
– Não digo isto para você poder ir correndo até o Remo ou que quer que
seja, mas pela situação de que há mesmo uma grande amizade entre vocês e a
incapacidade de poder ao menos abraçá-lo deve ser horripilante. Você não
merece isto, e Remo muito menos.
Em seguida, sem responder nada, Heather alcançou a amiga e abraçou-a com carinho. Mas muito rapidamente. Tinha medo que sua tamanha emoção naquele momento provocasse algo mais poderoso em sua alma, repelindo Arabella. E isto não poderia acontecer de forma alguma.
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O sol já estava se pondo quando Heather sentou no parapeito de sua janela, as pernas para dentro e o corpo na vertical, um frasco entre seus dedos. Ainda não sabia com certeza a coragem que lhe tomara ao contar seu segredo a um dos maiores inimigos de seu irmão. Mesmo assim, Severo Snape não pareceu muito comovido pela sua estória, e logo disse que tinha uma poção especial para resolver o problema de Potter, como ele ainda a chamava, em vez de Senhora Helderane, como a maioria.
A coloração estranhamente rósea do céu formou sua sombra no chão,
pensativa. Snape dissera que aquela poderia ser a solução para o seu problema,
mas que seria temporária. A poção só poderia ser usada uma única vez, já
que sua preparação tomava meses e certamente Heather não estaria mais
presente em Hogwarts para tomá-la uma segunda vez. Então, teria uma única
chance de se aproximar de Remo, nem que fosse para abraçá-lo, tocá-lo
minimamente, como Arabella citara.
Sempre sonhou em como seria estar com Remo novamente. A última aproximação
entre eles acabara mal, Remo caíra desacordado ao tentar beijá-la e Heather
preferiu deixá-lo lá, evitando que acontecesse novamente a rejeição.
Entretanto, Lupin não acreditara muito nela e desde então estiveram sem trocar
palavras, além das necessárias. E isto estava matando-a a cada novo segundo.
Pior do que a situação com Remo, somente a com Harry. O jovem fizera questão
de ignorá-la completamente com o passar dos dias, que se tornaram meses e agora
estava quase no terceiro de afastamento. As palavras duras e xingamentos do
sobrinho ainda iam e voltavam em seus pensamentos, machucando-a com mais e mais
crueldade e força.
- E seja o que Merlin quiser.
Murmurando aquelas rápidas palavras, Heather virou o frasco dentro de
sua boca, sentindo o líquido escorrer por seus lábios e depois pela sua
garganta. A poção tinha um gosto azedo e caiu como um ácido em sua língua,
deixando-a dormente. Heather segurou a respiração e o engoliu de vez, sentindo
um calor estranho. Aos poucos, seu corpo todo estava em brasas.
A Deusa não soube com certeza quando e como aconteceu o quê se veio a
seguir, já que o poder do líquido era muito mais forte do que poderia agüentar.
Somente sentiu como se Hades estivesse deitado sobre ela, seu corpo todo em
contato com o poder aterrorizante do Cavaleiro de Merlin. Sua pele passou a
queimar com uma intensidade incrível e inimaginável. Heather mordeu o lábio
inferior com uma força tremenda, tentando segurar seus berros de pavor. Passou
a sentir sangue escorrer deles, tamanha sua dor. Imaginou que aquilo deveria ser
parecido com uma Maldição Imperdoável da Dor, coisa que seu irmão havia
sofrido uma vez.
Quando achou que não poderia mais suportar o fogo que parecia consumir seu sangue, seus tecidos, seus órgãos, alguém adentrou em seu quarto. Exatamente neste momento, Heather caiu contra o chão do quarto e soltou um grito de dor. Não havia como evitar, parecia que estava morrendo carbonizada. Desejou profundamente que Snape não tenha a enganado, sendo aquela algum tipo de poção de morte, vingando-o para com Tiago.
Contudo, com muita lucidez pensou que havia alguém a pegando nos braços
e aninhando seu corpo que parecia sem qualquer movimento. Heather não era capaz
de abrir seus olhos, ou mesmo mover um de seus membros, pois a dor que suportara
era forte demais. Aos poucos, a dor foi diminuindo, o fogo foi se apagando e as
brasas que pareciam carbonizar todas suas células humanas desapareceram.
- Hey – ouviu uma voz dizer perto de seu ouvido esquerdo. – Acalme-se
– surpreendentemente, o alívio foi imediato ao ouvir aquelas palavras sendo
pronunciados tão docemente. – Eu estou aqui...
A dificuldade que tinha para abrir seus olhos era inexplicável. Então, preferiu deixá-los fechados, apenas apurando sua audição, tentando distinguir aquela voz. Sentiu um toque em sua testa, mas não foi capaz de notar o quê estava tocando-a.
- Você não pode abrir os olhos? – Heather moveu a cabeça
negativamente. – Não se preocupe, eu estou aqui...
Heather não podia abrir a boca por sentir ainda o gosto de sangue que escorrera de seu lábio ferido. Sua língua estava voltando ao normal e ardendo bastante.
Ao que menos esperava, a pessoa a ergueu do chão. Heather sabia que
estavam carregando-a no colo, mas não tinha idéia de quem estava fazendo tanta
gentileza. O primeiro toque que conseguiu destacar das outras sensações que não
reconhecera, fora seu corpo caindo contra o macio colchão e o lençol de seda
que havia em seu leito. Moveu a cabeça, agradecendo.
- Descanse – sem controle de suas ações, Heather segurou a mão daquela pessoa que estava ajudando-a. – Não se preocupe – a pressão de seus dedos se aliviou e notou como a mão de seu salvador estava suada. – Eu não sairei daqui, não te deixarei sozinha – Um leve sorriso despertou nos lábios vermelhos e com uma notável região onde, provavelmente, ela tenha mordido. – Eu estou aqui com você...
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Hermione estava fazendo dupla com Ametista, como de costume, na aula de Defesa Contra a Arte das Trevas. Rony ainda esperava a chegada de Harry, enquanto Hermione já gesticulava reprovações ao amigo por certamente lhe custar pontos a Grifinória. Ártemis Figg estava num de seus piores humores desde sua chegada em Hogwarts. A aula não havia começado ainda, passava de cinco minutos do início, e ela já havia mandado três alunos para a detenção.
- Atenção! – gritou a professora no alto de seu tablado, a classe
ignorando-a. – Eu disse ATENÇÃO!
Os burburinhos que corriam pela sala cessaram no mesmo segundo. Ártemis
parecia muito pálida e batia sua varinha contra a mão direita nervosamente –
ela era canhota – como se fosse uma batuca de bateria.
- Pela falta de atenção e pelo não-calar a boca quando eu
mando, menos dez pontos a Sonserina e Grifinória.
Aquele era um fato inédito na história de Hogwarts e certamente
Hermione citaria que nada como aquilo já havia sido reportado, pois Sonserina e
Grifinória se uniram em gritos, berros, reclamações e xingamentos – estes
mais baixos – à mestra Figg. Com certeza, Hogwarts, uma História, não
tinha algo como aquilo.
- E se prosseguirem com essa algazarra vão perder mais cinqüenta! –
vociferou tenazmente, fazendo os alunos irem se silenciando aos poucos.
“Acho que a noite dela não foi boa”, murmurou Hermione para a
amiga sonserina e Ametista retrucou, dizendo que aquela mulher não devia ter
uma noite boa há anos. As duas caíram na risada discretamente, trocando
olhares cúmplices.
- Eu fui, infelizmente – Ártemis ressaltou com bastante força o advérbio.
– designada a substituir uma matéria que o professor Black – agora, pareceu
que ela estava quase vomitando – não foi capaz de dar em sua aula de
Transformação Humana – os alunos se entreolharam, especialmente Hermione e
Ametista, sabendo o quanto ambos pareciam não se suportar. – Minha opinião
é que a Transformação Humana é uma matéria especial e importante demais
para ser ensinada por um mestre como Black, que não possui qualquer experiência
com a Transformação propriamente dita, a não ser as clandestinas...
Hermione rapidamente tornou-se para Rony, o namorado entendendo
imediatamente o quê queria alertar. Ártemis sabia que Sirius era um animago, e
um clandestino, e parecia que sua intenção era a de contar isto à Escola. De
repente, Ametista levantou a mão.
- Sim, Srta. Dumbledore. – Ártemis também chamou Ametista com certa
repulsa.
- Eu realmente acho que a senhora...
- Hem, hem – pigarreou a mestra visivelmente irritada.
Ametista pareceu ignorar a intervenção da professora e retomou sua
frase exatamente do ponto que a incomodara.
- Que a senhora não deveria...
- Menos vinte pontos para a Sonserina! – a turma das serpentes encarou Ametista com ódio. – Se a senhorita não me respeitar, vai ter de arcar com as conseqüências, entendeu?
- Duvido que suas conseqüências me assustem ou me façam arrepender do
que faço, professora. – desafiou Ametista, com um tom bastante límpido e cínico.
Ártemis arregalou os olhos tão fortemente que a sala recostou-se em
suas cadeiras, amedrontada. A mestra desceu do tablado, com muita elegância, e
dirigiu-se à mesa de Hermione e Ametista. A sonserina tinha os olhos apertados
em raiva e cinismo, e Ártemis bastante arregalados e cheios de algo a mais que
ódio. A professora abaixou-se no nível da cabeça de Ametista e sussurrou
somente a ela, e Hermione foi capaz de ouvir:
- A senhorita não me desafie, Dumbledore, porque não tem a mínima idéia
do que eu sou capaz de dar a você como castigo por seu desrespeito a um
superior – agora, Ártemis afastou-se e encarou Ametista com muita
superioridade. – A senhorita não perde por esperar.
Ametista sorriu com simplicidade.
- Já estou ansiosa, mestra.
Voltando seus olhos violetas para longe de Ametista, Ártemis voltou ao
tablado e pareceu muito mais aliviada que antes, mas não mais paciente.
- Como estava dizendo antes da interrupção inútil da Srta. Dumbledore
– Ametista e Hermione estavam se olhando, pensando na ameaça de Ártemis. –
Hoje eu pedi uma visita especial para vocês de uma pequena Transformação
Corporal, não exatamente como deveria ser feita, mas que os ajudarão muito –
os estudantes se animaram. – Esta é Juliet Stevens.
Do lado de Ártemis, uma mulher apareceu. A sala encarou-a curiosa e os
cochichos voltaram com toda a força. Juliet cruzou os braços, seu cabelo
passando de azulado para vermelho. Ametista, Hermione e Rony mandaram um aceno a
ela, enquanto Draco olhava de esguelha, admirando os grandes olhos escuros da
bruxa. Dino Thomas e Simas Finnigan sussurraram a Rony que a mulher deveria
estar tendo um treco já que seus cabelos mudavam de cor rapidamente. Rony riu e
ouviu o comentário dos outros jovens, que diziam Juliet ser muito bonita.
- A Srta. Stevens é uma boa pessoa para lhes mostrar os poderes da
Transformação Humana, ou uma de suas vertentes, como a mutação – Ártemis
tocou no braço de Juliet. – No caso dela, uma mutação muito mais complexa.
Neste momento, os fios do cabelo liso de Juliet estavam tão vermelhos
quanto os dos Weasley.
- Ela é sua parenta, Weasley? – indagou maldosamente Pansy, sentada ao
lado de Malfoy, que soltou a risada pelo nariz.
- Ótima pergunta, Srta. Parkinson, e eu lhe retirarei mais dez pontos da
Sonserina pela piadinha. – disse sutilmente Ártemis, enquanto sentava-se em
sua mesa e permitia que Juliet tomasse a frente.
A bruxa olhou os alunos, quase pedindo ajuda. Sua timidez a deixava muito
mais que constrangida, mas os olhares dos estudantes sobre ela traziam lembranças
dolorosas. As piadas, o preconceito, as observações sobre sua pele e cabelos
que mudavam tão fortemente com o seu humor.
Pigarreou ligeiramente e o buchicho se silenciou. Hermione piscou para
Stevens do fundo da sala, tentando transmitir um pouco de confiança.
- Como a Ártemis disse, eu sou Juliet Stevens e fui convidada a mostrar
um pouco para vocês sobre a Transformação Humana – os sonserinos não
pareciam muito interessados. – Eu sou uma bruxa mutante – disse
repentinamente, fazendo todos a encararem com mais surpresa ainda. Seu cabelo
ficou extremamente roxo. – Nasci com uma deficiência em um dos meus
cromossomos que provocou a mutação em meu corpo e o resultado é este. – ela
apontou o dedo indicador o cabelo arroxeado.
A mão de Hermione se ergueu no ar.
- Mas, que eu saiba, não há muitos bruxos mutantes no mundo não é?
- Sim, não há, Srta. Granger – os alunos iam colocando os cotovelos
nas mesas para melhor ouvirem Juliet. – E é por isto mesmo que eu estou aqui.
A mutação que eu sofri foi no cromossomo que somente poucos no mundo bruxo
possuem – os olhos dos jovens iam ficando mais concentrados. – Eu fui
atingida no meu cromossomo que indicaria a presença do índice máximo de
transformação, que vocês já devem ter aprendido com o Professor Black.
Lentamente, os fios do cabelo de Stevens não estavam mais arroxeados, e
sim muito escuros, quase negros. Seus olhos escuros iam ficando arredondados e
com cílios longos, uma coloração violeta enchendo suas íris. Sua pele ficou
bem mais pálida e ondas ligeiras se formavam pelas suas costas, o cabelo se
alongando cada vez mais. Estendendo as mãos à frente de seu rosto, seus dedos
se afinavam e aumentavam levemente de tamanho, as unhas longas e pintadas de
negro. O lábio inferior de sua boca diminuiu quase que imperceptivelmente. E
seu nariz se afinou.
Com claras diferenças, mas incrivelmente confusas, naquele exato
instante, existiam duas Ártemis Figg acima do tablado da sala de Defesa Contra
a Arte das Trevas. Os estudantes do sexto ano da Grifinória e Sonserina ficaram
pasmos. Uma estava em pé e sorrindo, a outra sentada e com o semblante muito
descontente, impaciente e pensativo.
Juliet notou a perplexidade dos jovens e mordeu o lábio inferior de sua
figura transformada parcialmente. Rapidamente, todas as mãos dos alunos ali
presentes, fossem eles sonserinos ou grifinórios, se ergueram no ar, excitadas.
Ártemis olhou para fora, entediada.
- Como você fez isso? – foi a primeira pergunta, vinda de um chocado e
maravilhado Neville Longbottom.
- Eu deveria ter o índice máximo de transformação porque todos na
minha família possuíam-no – Juliet apoiou-se na mesa e encaixou seu quadril
acima do tampo. Seu rosto de Ártemis Figg não a deixava muito simpática. –
Só que como eu tive esta deficiência, o gene que possuía o índice máximo se
modificou – Stevens cruzou os braços novamente. – E eu virei uma mutante
com parte do índice máximo.
Outra mão se ergueu, desta vez de Lilá Brown.
- Eu sempre vou ao teatro bruxo com os meus pais e eu gostaria de saber
se os atores e atrizes têm de possuir índice máximo para se transformarem
daquela forma.
Os sonserinos riram da pergunta de Lilá, que os ignorou, levantando o
nariz. Juliet riu. Aquela garota lembrava-lhe muito as garotas de sua época.
- Na verdade, as pessoas que possuem índice máximo de transformação têm
dois destinos e nada mais: ou se tornam espiões do Ministério ou de qualquer
outra instituição, ou então escolhem o caminho do mal – quando alguns iriam
perguntar-lhe do que Juliet falava, ela completou. – Comensais da Morte, como
vocês devem saber, possuem esses índices. Ou ao menos a maioria deles – os
jovens se dividiram em silêncio e temor. – Portanto, há muitas maquiagens,
Poções Polissucos e feitiços de transformação corporal.
Juliet atendeu mais uma centena de perguntas, até que Ártemis batesse
sua varinha contra sua mesa de carvalho. Os jovens olharam-na desgostosos.
- Ok, muito bem, já se divertiram – zombou Ártemis discretamente. –
Agora está na hora de um pequeno exercício...
A tarefa consistia em formar duplas, para tentarem se concentrar ao máximo,
na tentativa de despertar ao menos uma pontinha do poder do índice máximo de
transformação, somado a isto um feitiço que Juliet conjurou sobre todos. A
maioria dos alunos se deu muito bem, a não ser por Neville, Crabbe e Goyle.
Entretanto, pior do que o desempenho deles foi um pequeno incidente.
As duplas foram montadas aleatoriamente por Stevens, e Ártemis a ajudou.
Como sempre, ela fizera questão de importunar e, de uma forma declarada,
iniciar sua vingança sobre Ametista. Ela uniu a sonserina junto com Pansy
Parkinson, e o estrago foi enorme. Aconteceram duas explosões. Uma queimou
parte do cabelo de Pansy e a outra parte da vestimenta de Ametista – mesmo que
ela não tivesse idéia de como aquilo havia ocorrido. Outro que também não
tinha tido um bom desempenho fora Draco. Sua roupa não pegara fogo, ou muito
menos Rony havia perdido seu cabelo ruivo – ele era sua dupla. Porém, em
compensação, a carteira que havia ao lado de seus corpos se partiu inteira.
Draco permaneceu loiro e pálido como sempre.
Por conta de seus erros e parciais destruições da sala, Ártemis
colocou-os em detenção. Juliet congratulou a todos e ainda recebeu mais uma
avalanche de questões mesmo após o término de aula. Ametista e Draco se
encararam ao saírem da sala e bufaram. A vingança contra Ártemis deveria ser
rápida e muito eficiente.
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A primeira impressão da manhã
logo que despertara fora seu braço dormente. Ainda sem saber bem o porquê,
existia um peso sobre ele que provocava aquela sensação que não o agradava.
Com certa dificuldade, gemeu enquanto abriu os olhos lentamente, notando a
claridade intensa ao seu redor.
- AH! Rony, feche essa cortina... – murmurou ainda adormecido,
esticando o outro braço.
Porém aquele aviso não pareceu ter efeito. Repentinamente, o peso sobre
seu braço direito desapareceu. Sentindo um incrível alívio, tornou-se para o
lado esquerdo da cama e grunhiu nervoso, querendo que o amigo fechasse a cortina
de sua janela.
Como não houve resposta, mesmo depois de cinco minutos, Harry abriu os
olhos, mal humorado, e mirou o dossel que envolvia sua cama. Ou... A cama de
outra pessoa, já que aquele não era o dossel avermelhado que envolvia seu
leito na Grifinória. O tecido era de um tom creme, meio amarelado, que não
havia visto antes.
Ou já havia.
Erguendo-se com um pouco de dureza, Harry percebeu que aquele colchão
também era macio demais, que aqueles lençóis eram de seda e que havia alguém
no mesmo âmbito, com ele. Paralisado ao lado do leito, segurando com uma mão o
ferro da cama que sustentava o dossel, e encarando-o com a expressão incrédula
e chocada. Foi quando Harry recordou seu ato do dia anterior – ou melhor, da
tarde anterior. Como seria possível ter adormecido por tanto tempo?
Virando para a pessoa ali presente, o jovem engoliu em seco e a
encontrou. A Deusa Helderane estava muito pálida e com o belo vestido todo
amassado. Seu cabelo castanho estava ligeiramente fora de ordem, e os olhos
arregalados em algo como pavor. Harry endireitou-se na cama.
- Bom dia. – disse ele simplesmente, a voz quase morrendo na garganta.
Heather não respondeu, o semblante ainda pasmo e sem reação.
- Eu acredito que tenho uma boa explicação para te dar – balbuciou
Harry, olhando para longe dos olhos da Deusa. – Eu não pretendia invadir seu
quarto ou qualquer coisa assim...
Desta vez a voz morreu em sua garganta. Heather tinha a expressão tão
perplexa que Harry se surpreendeu quando notou lágrimas caindo dos olhos da
Deusa. Definitivamente, aquilo era algo a não ser esperado. Imaginou o dia
anterior, em que encontrou a Cavaleira de Merlin tendo um ataque, causado
provavelmente por aquele frasco caído no tapete do dormitório.
Cauteloso, tentou levantar da cama e ficar do lado oposto de Heather. Em
pé, era visivelmente mais alto que a Deusa. Passando as mãos sobre o cabelo
negro e estendendo-as para pegar os óculos caído entre os lençóis brancos,
Harry procurou respirar com profundidade. Sabia que devia uma explicação plausível
a ela, como havia encontrado-a se retorcendo no chão, como sua pele parecia
quase queimar a dele, como disse aquelas palavras de conforto e adormeceu junto
dela, numa maneira de proteção.
Cruzando o leito e parando ao lado da Deusa, fazendo-a tornar-se para
ele, Harry engoliu antes de iniciar. Entretanto, por mais que quisesse explicar
tudo como havia ocorrido na tarde anterior, existiam coisas muito mais
importantes para serem resolvidas no momento. Coisas como se redimir pela
grosseria, pela incompreensão, pela estupidez, rudeza e especialmente pela
maneira como pensou que Heather fosse uma tremenda mentirosa, quando na verdade
era somente sua tia. “Somente”, riu com pesar sua mente.
- Eu falei com Dumbledore – o tom baixo de sua voz fez Heather
aproximar-se ligeiramente, ainda com as lágrimas molhando suas bochechas e a
expressão pálida no rosto. – e ele me contou... Contou tudo...
A reação que esperava de Heather não veio. Parecia que somente tinha a
capacidade de fitá-lo com medo e confusão. Harry mordeu o lábio inferior, que
tremia sem saber a razão.
- Ele me disse sobre a minha família... Sobre como viveram os Potter...
– os seus olhos caíram para as mãos, enrolando-se uma na outra. – Eu não
esperava tudo isso...
Heather balançou a cabeça para o outro lado, a boca entreaberta e a voz
ainda incapaz de fornecer uma resposta para o sobrinho, o cérebro sem forças
para criar esta réplica.
- Achei justo falar com você... – os olhos ergueram-se na altura dos
da Cavaleira e se encheram de doçura. – E então eu a encontrei daquele
jeito... – as pupilas de Heather diminuíam e Harry estranhava, enquanto as
palavras eram difíceis de saírem da boca. – Eu não soube o que fazer... –
sem desejar, lágrimas se formavam em seus próprios olhos, fazendo o verde
brilhar ainda mais. – Decidi ficar aqui com você... – o nariz ficou
vermelho em pouca quantidade. – Eu queria esperar você acordar... – Harry
paralisou e engoliu fortemente, pegando ar. – Queria pedir perdão por tudo
que fiz...
Imediatamente, a Deusa ergueu os braços e jogou-os sobre o jovem monitor
da Grifinória. Harry fechou os olhos e abraçou-a de volta, envolvendo a mulher
carinhosamente, mesmo que ainda desajeitado. Era como se seu sangue fervesse,
tendo contato pela primeira vez em toda a sua vida com alguém com tanto sangue
Potter quanto ele.
Os dedos deslizavam no cabelo liso e desgrenhado de Harry e Heather
sentia como se o tocasse ainda como um bebê. Os pequeninos olhinhos de Lílian,
os dedinhos iguais aos de Tiago, o nariz reto idêntico ao de sua mãe,
Catherine, e a pele macia de seu pai, Anthony. A respiração ruidosa e quente
do sobrinho em seu pescoço a fez chorar ainda mais, emocionada por tê-lo tão
próximo, e pela primeira vez.
Sua felicidade somente aumentou assim que notou o corpo do jovem ainda
preso ao seu. Harry não havia sido repelido, não havia voado ou desmaiado ao
entrar em contato com o seu toque. A poção de Snape parecia demonstrar o
efeito desejado por ela. E agora Heather estava contente de não ter ido atrás
de Remo, e sim de ter sofrido o tanto que sofrera a algumas horas do dia
anterior, para que Harry fosse socorrê-la. Só de imaginar que teve o sobrinho
tão amado adormecido junto dela por toda à noite, as lágrimas se
intensificavam.
O corpo de Harry começou a se agitar em meio ao abraço. Heather segurou
o lábio a fim de evitar um soluço mais alto, enquanto percebeu que Harry também
chorava. Nunca havia imaginado aquele tipo de contato com alguém dos Potter,
quanto mais a irmã de seu pai, que ele nem mesmo sabia da existência.
Apertando o abraço sem perceber, Harry iniciou uma série de soluços e lágrimas
que pareciam não ter fim. Ter alguém como uma Deusa, uma Cavaleira de Merlin,
um ser lendário e poderosíssimo, junto de si já parecia maravilhoso e
entorpecente. Unindo a esta sensação, o fato de que essa mesma pessoa era sua
tia, Harry sentiu-se no paraíso. Nada poderia apagar ou afastar aquele
sentimento dele. Era muito mais do que sempre imaginara. Era um sonho, um desejo
de aniversário, um pedido a uma estrela cadente. Mais do que um anseio. Aquilo
era realidade.
A única tia que conhecera fora Petúnia, mas também preferira não ter
conhecido. Nunca recebera um abraço como aquele da mulher de Válter Dursley.
Nunca sentira um amor daquela magnitude sendo transmitido diretamente ao seu
coração. Sabia que aquela sensação era única, que o abraço de qualquer
outra pessoa não apagaria um preço tão alto e extraordinário.
Então, Heather começou a afastar-se dele. Harry pensou em esconder o
rosto ou reclamar pela falta de contato, mas o semblante da tia expressava tudo
aquilo que era queria dizer. Heather tinha os olhos vermelhos, as bochechas
rubras e os lábios trêmulos. Guiando suas mãos até a testa do sobrinho, a
mulher retirou sua franja com certa rapidez e puxou sua cabeça na altura de
seus lábios, dando-lhe um beijo. Um beijo sobre sua cicatriz de raio.
Harry sentiu como se uma onda elétrica se espalhasse pelo seu corpo,
iniciando pelo exato ponto onde Heather o beijara. Fechando os olhos, deixou
aproveitar aquela gostosa sensação. Quando Ametista beijava sua cicatriz, ela
costumava doer. Agora, o efeito dos lábios da tia era delirante.
- Esta cicatriz não é uma maldição, Harry – murmurou Heather,
encarando-o, assim que ele voltou a abrir os olhos. – Esta cicatriz é a prova
do quanto seu pai e sua mãe te amavam. Você deve ficar orgulhoso dela.
Orgulhoso como o mundo inteiro é.
A região em que estava pendurado o cordão que Heather havia dado-lhe a
mais de dois meses atrás ficou quente e enviou-lhe correntes de paz em seu coração.
O choro foi diminuindo e o sorriso foi crescendo, à medida que Heather não o
soltava e apenas dizia que ele deveria ser muito feliz.
- Eu queria que você me perdoasse, tia, por favor, eu não sabia o quê
estava fazendo...
- Shh... – sussurrou Heather, com um grande sorriso e seus olhos muito
arregalados. – Você não tem que pedir perdão por nada, e eu não tenho o
que te desculpar – Harry tentou falar novamente, mas a Deusa não permitiu.
– Você simplesmente seguiu seu coração, e é isto o que você tem de mais
nobre, de mais grifinório – Harry riu, e Heather o acompanhou. – Acredite,
você é a perfeita mistura de seu pai com sua mãe, e por isso não deve pedir
desculpas por nada.
Harry abraçou a tia
novamente, e sussurrou em seu ouvido:
- Obrigada por estar aqui, tia – a palavra soava tão estranha em seus
lábios que era quase como uma brincadeira. – Obrigada por tudo.
Heather piscou para o sobrinho assim que ele se distanciou e disse:
- E eu agradeço somente por você me aceitar e por existir, meu
sobrinho.
Harry não quis saber de aulas. Aquele dia seria somente para Heather e
ele, mais nada ou ninguém. Possivelmente, as horas se passaram e não notou que
o sol se punha e as estrelas saíam no céu daquele admirável dia de primavera.
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Harry se imaginava parcialmente
enlouquecido ao pensar como as coisas aconteciam recentemente com ele. Os dias
foram se passando e nenhum sinal novo de Voldemort. Finalmente, tinha domado o
orgulho e pedido perdão à sua tia, Heather, que sofrera tanto naqueles longos
anos. Apenas lamentava não poder mais ficar muito próximo dela – o efeito da
poção de Snape passara. Além disso, a maré de coisas boas parecia não
acabar. Arabella parecia mais calma com a gravidez e seu tamanho. Sirius
aplicava prática nas aulas de Transformação Humana, que estavam tornando-se
as preferidas dele, ao lado de Defesa Contra a Arte das Trevas – apesar de da
rabugenta Ártemis. Rony e ele estavam fazendo passeios à noite pelo castelo e
descobrindo passagens secretas entre as salas – inclusive uma com acesso ao
dormitório feminino da Corvinal. Hermione andava muito calma com os estudos e
com suas atividades com a monitoria, assim como ele.
As coisas somente estariam perfeitas se não houvesse a voz de Ametista
em sua mente o tempo todo, dizendo: “Tudo que é bom, dura pouco”.
Parecia até que ela estava desejando que aquela maré de paz passasse por eles
rapidamente.
E, de fato, havia uma única preocupação em sua cabeça, e era ligada a
Ametista. Naquela manhã ensolarada de abril, as flores aparecendo nos jardins e
o céu límpido, a sua namorada estava completando dezessete anos. E não havia
presente. Harry pensara muito para descobrir um presente a ela que fosse à sua
altura, mas nada pareceu verdadeiramente perfeito a ela. Sorte que aquela manhã
era um sábado, dia da última visita a Hogsmeade do ano.
Descendo para o Salão Principal, encontrou Hermione conversando com
McGonagall num canto e Rony comendo calmamente junto de Gina, Neville, Dino e
Simas. As mesas estavam bastante inquietas, especialmente os menores,
considerando mais um sábado de diversão na Zonko’s, Dedosdemel ou mesmo a
famosa e mais requisitada Loja de Logros e Traquinagens dos Weasley. Seu olhar
fugiu para a mesa da Sonserina e não encontrara Ametista ali. Pretendia pedir
para passarem o aniversário dela em Hogwarts, articulando uma surpresa simples,
mas que seria um sonho se realizando para ele.
Hermione voltou a mesa e sentou pesadamente ao lado de Harry. Seu
semblante parecia meio enjoado, verde. Dino segurou a risada.
- Pronto, resolvido o problema – disse ela, suspirando e passando a mão
sobre a testa. – Obrigada Harry.
O monitor voltou o rosto para a amiga e franziu a testa, sem entender.
- Obrigada o quê?
Rony olhou por cima de seus cereais e sentiu as orelhas ficarem rubras.
Harry não notou, apenas continuou encarando Hermione confuso.
- Bem, eu não vou poder acompanhar as crianças hoje a Hogsmeade –
disse ela, e Harry percebeu que Hermione suava frio. – Espero que você
consiga dar conta delas sozinho...
Os olhos de Harry se arregalaram.
- Hey hey!!! – gritou nervosamente. – Eu não vou poder ir a
Hogsmeade hoje! – retrucou Harry, erguendo o tom de voz apavorado. – Hoje é
o aniversário da Ametista! Eu tenho que ficar com ela!
- Oh, Harry, eu sinto muito – murmurou Hermione, fazendo uma careta.
– Mas é sério, se fosse algo nada de mais eu iria, mas eu realmente não
estou bem.
O jovem olhou desanimado para Hermione, imaginando que a maré boa havia
acabado de se despedir dele. Olhando de esguelha para Rony, sacudiu a cabeça,
imaginando que eles não fariam nada naquele dia, não com ele. Soltando um
suspiro descontente, começou a comer sem muita vontade.
Após dez minutos, Ametista ainda não havia aparecido no Salão
Principal e ele estava ficando preocupado. Afinal, aquele era seu aniversário.
E, pensando no presente que ela havia dado a ele em seu aniversário –
confessar os sentimentos que tinha por ele –, Harry tinha de fazer algo tão
incrível quanto aquilo no píer de Godric’s Hollow. Sua idéia tinha sido ótima,
mas agora só voltaria de noite para Hogwarts.
- Olha só, a Weasley anda mais normal do que ultimamente, não parece?
Harry tornou-se para trás e viu Babelon Littlewood, sua companheira na
aula de Aprendizes, acompanhada de duas meninas e três meninos da Lufa-Lufa.
Franzindo as sobrancelhas, viu Gina encarar a garota ao seu lado e respondeu:
- Vá embora, Littlewood, aproveite que eu estou sem paciência para você
hoje.
Rony e Hermione ficaram atentos, estranhando aquele nervosismo entre Gina
e Babelon. A loirinha do quinto ano da Lufa-Lufa estufou o peito e jogou as
madeixas claras para trás, empinando o nariz.
- Vai me dizer que está bem hoje, Weasley? Tem certeza que não vai
desmaiar se encontrarmos um dementador em Hogsmeade – Gina tentou abrir a boca
para retrucar, mas Babelon continuou. – Oh! É verdade, eu me enganei! Aquilo
não era um dementador, era um bicho-papão!
Quando Babelon pensou em continuar, Rony ergueu-se da mesa e gritou:
- Saia daqui Littlewood, cuide de seus próprios problemas e deixe minha
irmã em paz!
A lufa-lufa sorriu para o goleiro do time da Grifinória e disse:
- Weasley, como você pode defender sua irmã sabendo que ela desmaia por
qualquer coisa, aliás, aquilo não foi um desmaio, foi mais como um ataque. –
e as pessoas ao redor dela começaram a rir.
- Do que você está falando? – indagou Rony, apertando a mesa com seus
dedos, nervoso.
Babelon pareceu engasgar.
- Vamos lá, Weasley! Vai me dizer que sua irmãzinha não lhe contou?!
– surpreendeu-se a jovem. – Ela teve um ataque numa aula de Aprendizes
quando conjurei meu patrono – Harry primeiramente chocou-se, pois Babelon
estava falando sobre a aula de Aprendizes, que era secreta. E em segundo, pelo
fato de que Gina desmaiou. – Foi ridículo. Pensei que ela tivesse contado ao
irmão querido...
- CALE A BOCA, LITTLEWOOD! – berrou Gina repentinamente, fazendo inúmeras
cabeças tornarem-se para ela e seus cabelos ruivos.
Rony não soube da onde veio aquela força em Gina, somente notou que a
irmã ergueu-se do banco da mesa da Grifinória e correu do Salão Principal.
Virando-se para Babelon novamente, a loirinha tinha os braços cruzados e a
risada histérica em sua garganta.
- Então, Weasley, você também não sabe que a Gina está namorando?
Harry não pensou em ficar ali para ver a fúria de Rony, mesmo que
estivesse surpreso em saber que Gina havia arranjado um namorado. Apenas ouviu
às suas costas a voz de Babelon dizer: “Ela está namorando o Julian
Hawking, sabia?”. Nada daquilo importava, somente estava preocupado em
encontrar Gina.
Correndo pelos corredores, olhando para todos os lados, Harry ficava cada
vez mais aflito. Se Gina havia desmaiado ao encontrar o dementador, como ele
costumava desmaiar, era porque havia algo de muito errado ali. Não poderia
apenas ser o fato de que toda a felicidade de Gina fora arrancada de seu coração,
toda vez que encontrava um dementador. Haveria algo a mais, certamente.
Assim que corria sem muito conhecimento de onde estava, ouviu um soluço
forte. Paralisando e tentando descobrir de onde aquele choro vinha, Harry dançou
em seus calcanhares e tornou-se para uma porta que passara despercebida por ele.
Cuidadosamente, adentrou no âmbito, incrivelmente frio, e encontrou uma
pessoa encolhida, caída contra a parede e mordendo os lábios fortemente. Os
fios vermelhos chamaram a atenção de Harry e ele tentou se aproximar.
- Me deixe em paz! – pediu, sua voz embargada e chorosa.
Harry não a escutou e agachou ao seu lado, sentindo os tremores que
vinham da jovem ali, indefesa e parecendo desesperada. Sua mão direita guiou o
caminho até o sedoso cabelo de Gina, e a outra, em seu braço. A irmã de Rony
não parava de chorar, os soluços cada vez mais agudos e a respiração mais
veloz, sem controle. Harry não sabia o quê dizer, não tinha nem idéia do que
se passava com a garota.
- Gina, fale comigo... – o tom baixo de sua voz saiu gentil e o soluço
de Gina aumentou. – O quê a Littlewood quis dizer com aquilo?
A jovem nada respondeu, apenas continuou chorando, afogando em sua
miserabilidade. Harry tentou pensar em uma nova forma de abordar Gina, mas seus
pensamentos morreram quando a garota ergueu sua cabeça e o encarou. Sem
hesitar, Gina levou os braços ao redor do pescoço de Harry e o abraçou, sem
forças para explicar sua agonia e desesperança.
Reagindo sem muita escolha, Harry simplesmente apertou a garota em seus
braços e uma emoção tomou-lhe o coração. Não apenas a sensação
acolhedora de ter o pequeno corpo de Gina contra o seu, mas também lembranças
povoaram sua mente.
A última vez que Gina o abraçara daquela forma fora no ano anterior,
quando a Marca Negra apareceu na noite do Dia das Bruxas. O espanto sobre ela
fora tão grande que Harry sentiu em sua própria pele o quanto Voldemort
somente transformara a vida da caçula dos Weasley num inferno, durante seu
primeiro ano em Hogwarts. Naquela ocasião, o retorno do Lorde das Trevas era
evidente e Gina não soube em quem se apoiar, a não ser Harry, exatamente pelo
fato de que o Menino-Que-Sobreviveu havia confrontado Voldemort, como ela. Harry
não imaginava reconhecê-la naquele estado mais uma vez.
Então, a recordação de uma pequena Gina surgiu em seus pensamentos.
Ela não poderia estar mais aterrorizada do que quando a encontrou na Câmara
Secreta. Os olhos expressando pavor e a vergonha estampada em sua face. Harry
deduziu, então, que aquela deveria ser a fonte de terror da garota. Tom Riddle
e seu império, que a seduziram com promessas de confiança e amizade, quando
era apenas uma criança de onze anos. Harry sempre desejou saber mais sobre como
Riddle conseguira envolver Gina em sua trama diabólica, usando seu antigo diário,
todavia nunca tivera chance.
- Você vê Tom Riddle, Gina? – indagou Harry repentinamente.
No mesmo segundo, o corpo de Gina ficou rígido contra o seu e ela
afundou o rosto na curva entre o pescoço e o ombro de Harry. O monitor da
Grifinória notou que o choro de Gina se intensificou por um instante, e então
ela relaxou novamente.
- Conte-me Gina – sua voz invadia todo o corpo de Gina, enquanto ele
pedia que ela abrisse seus medos a ele. – Você recorda tudo que aconteceu na
Câmara Secreta? É por isso que você desmaiou quando se chocou com o
dementador?
Os braços e os pequenos dedos da garota seguraram o tronco de Harry com
mais desespero e necessidade quando tentou abrir seus pensamentos ao jovem.
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A noite de primavera estava
estonteantemente bela. As crianças voltavam agitadas de Hogsmeade, correndo
pelos jardins de Hogwarts até encontrar as portas duplas de carvalho e
adentrarem no Salão Principal para terem uma ótima refeição, antes de
dormirem para um domingo de descanso.
Caminhando no meio delas, rindo com graça, Harry, Rony e Gina vinham,
sentindo a brisa do anoitecer encherem o ar com uma suave fragrância. Seus
cabelos agitavam-se e acompanhavam o modo como suas vestes da Grifinória dançavam
junto com o movimento de seus corpos e passos. Após um início não muito agradável,
o passeio de Hogsmeade acabou sendo ótimo, pois Harry pôde presenciar a
verdadeira essência dos Weasley. Rony e Gina tiveram uma forte discussão sobre
nada mais que o novo namorado da jovem – aliás, o primeiro, como a garota
adorava salientar ao ciumento irmão mais velho. Entretanto, mais cedo do que
imaginava, os dois se abraçaram e pediram desculpas simultaneamente, deixando
um admirado Harry boquiaberto.
Guiando sua visão adiante, encontrou Hermione vindo em sua direção.
Sorrindo, contente por encontrá-la bem melhor do que de manhã, assistiu Rony
passar os braços por suas costas e beijá-la suavemente nos lábios.
- Harry, era com você mesmo que eu queria falar – disse Hermione,
ainda abraçada ao namorado. – Eu contei pra Ametista sobre você ter que ir
para Hogsmeade, mas ela não pôde ir por causa do Sirius, que queria ficar com
ela... – Harry deu de ombros, a mente divagando sobre como pediria desculpas
à namorada por ter deixado-a só no aniversário. – Mas ela ainda está
chateada, acho que você deveria ir logo falar com ela, ou dar o presente, algo
assim...
Harry concordou e viu Hermione e Rony deixarem-no com Gina. A idéia de
surpreender Ametista veio em sua cabeça, mas nenhuma solução parecia viável
ou divertida o bastante. Gina o cutucou quando estavam entrando no salão
comunal da Grifinória. As crianças estavam agitadas, debandando para o Salão
Principal.
- Posso te dar uma idéia? – indagou a jovem, sorrindo levemente para o
melhor amigo do irmão. – Leve-a para um passeio na Firebolt.
Os olhos de Harry cerraram, sem entender bem, e tornaram-se para a
ruivinha. A garota piscou a ele e cochichou em seu ouvido:
- Acho que seria uma ótima surpresa, muito romântica – Harry encarou
Gina, franzindo a testa. A garota riu de sua expressão e deixou um soluço
divertido escapar de sua garganta. Harry corou. – Quem não gostaria de voar
com o melhor apanhador de Hogwarts dos últimos tempos?
O monitor pareceu refletir sobre a proposta por um momento e agradeceu
Gina, que já subia as escadas do dormitório feminino dos leões. Harry, então,
subiu rapidamente ao seu quarto e pegou sua vassoura, parando antes para
observar como seria o vôo naquela noite tão agradável. Notou dois jovens
andando ao redor do lago e sorriu. Rony e Hermione pareciam estar se beijando...
Deixando o salão comunal para trás, Harry dirigiu-se para a Torre da
Sonserina, imaginando que ela estivesse ainda lá. Ametista deveria realmente
estar furiosa com ele, mesmo que tenha aproveitado o dia com o pai pela primeira
vez que ela poderia recordar. Seus pensamentos divagavam sobre o quê poderia
fazer para tornar a noite inesquecível, as masmorras gélidas ficando distantes
e o perfume de sândalo enchendo seu nariz com delicadeza. Então,
provavelmente, ela deveria estar fora da Torre. Virando o último corredor,
encontrou-a a frente da entrada da Torre, o queixo levantado e a expressão
superior. Olhando para sua frente, estava Draco Malfoy.
Harry sentiu o sangue ferver. Não queria admitir para si, mas
desconfiava que havia algo de muito estranho entre Ametista e Draco desde que a
conhecera. Era como se o tamanho do ódio que existira entre ele e ela fosse
incrivelmente maior entre os sonserinos, mas ainda assim, muito diferente. O ódio
não era completamente declarado. Claro que eles viviam brigando e quase se
matando nas aulas de Aprendizes, porém existia algo que o incomodava densamente
ali. Rony costumava a dizer que Harry escolhera namorar a versão feminina de
Malfoy. A idéia o fazia irritar incrivelmente, pensando na semelhança entre os
dois.
- Eu realmente acho que você deveria cuidar da sua vida, Malfoy –
disse Ametista com o tom sério e rude, interrompendo os pensamentos do namorado
grifinório. – Eu não acredito em uma palavra que você disse – Harry notou
como Ametista parecia estar incomodada e a voz alterada, muito nervosa. –
Cuide de seus próprios problemas e esqueça que eu existo.
Harry esgueirou-se na parede e deixou os ouvidos aguçados, tentando
descobrir o por quê da discussão entre os sonserinos. Draco permitiu que seus
lábios se curvassem num sorriso e pigarreou, estendendo o braço direito até
Ametista e postando-o acima do ombro da jovem, na parede. Assim, aproximou seu
corpo ao dela e sussurrou:
- Acho que você é quem anda interessada demais nas minhas atitudes,
Dumbledore – Harry apertou as mãos e segurou uma força e vontade de socar
Malfoy por estar tão perto dela. – Primeiro a Weasley, depois meu pai e
Voldemort, e agora essa desconfiança de que eu estou te seguindo – Draco
respirou profundamente e inspirou todo o perfume de sândalo da jovem. – Pode
ficar calma que a Weasley e eu estamos como sempre deveríamos estar –
Ametista ergueu uma sobrancelha. – Bastante afastados e se odiando
inteiramente. Satisfeita?
- Eu já disse que não acredito em você, Malfoy. – retrucou Ametista,
cerrando os olhos, incomodada com a proximidade de Draco.
Uma risada escapou pelo nariz do loiro platinado.
- Nunca disse para você acreditar em mim, Dumbledore, mas pode
confiar...
- Eu não sou louca de confiar em você. – disse Ametista
perplexa.
- Então, aconselho-a a ter cuidado para não se arrepender do que diz,
Dumbledore...
Draco agora gargalhou e Harry notou que aquilo era o bastante.
Afastando-se da parede e revelando-se, o monitor estava vermelho de raiva e
fervendo de nervosismo.
- O que você quer com ela, Malfoy? – indagou Harry rude, paralisando
ao lado de Ametista.
O jovem não soube bem dizer o porquê de não olhar para a namorada. Porém,
Ametista estava perturbada por encontrá-lo, passando o braço pela sua cintura
e parecendo mais ameaçador que nunca. Draco afastou-se dela e sorriu. A
sonserina ergueu mais o rosto e disse:
- Não preciso que você me defenda, eu já cuidei dele. – a sua voz
estava cheia de inquietação e rispidez.
Draco encarou Harry e depois Ametista, que agora se desvencilhava do abraço
do namorado. Malfoy segurou uma nova risada e se tornou para a Torre da sua
Casa.
- Feliz aniversário, Dumbledore – disse Draco, o tom superior e frio
ecoando nos ouvidos de Harry como choques. – Tenha uma péssima noite.
Assim que a porta de entrada da Sonserina fechou-se, Harry observou
Ametista passar por ele, não se incomodando com a presença do namorado. Seu
cabelo estava levemente úmido e a vestimenta da Casa das serpentes dançou ao
redor dele.
- Ametista... – disse ele, segurando o braço da jovem.
O corpo de Ametista deu um tranco com a paralisação de Harry. O grifinório
segurou um suspiro ao senti-la tentar afastar-se dele. Os olhos azuis
dirigiram-se aos verdes dele, exprimindo mágoa e perturbação, que ele não
soube de onde veio exatamente. Harry sentiu um arrepio ao tê-la ainda ao seu
alcance.
- Eu não preciso de você só quando o Malfoy está por perto – falou
Ametista, a voz embargada em agressividade. – Muito menos somente quando tenho
problemas – lentamente, ela retirou seu braço do alcance do namorado e Harry
sentiu um vazio por não estar sentindo-a perto dele. – Eu só queria que você
estivesse hoje comigo – sua voz estava se alterando novamente. – Agora, nem
isso mais eu tenho certeza se quero...
Ametista olhou fixamente para seus olhos antes de dar meia-volta e andar
em direção às outras Casas. Contudo, antes que ela pudesse fugir dele, Harry
a puxou novamente, desta vez com maior força, fazendo-a chocar-se contra ele e
seus rostos quase tocarem. Uma inesperada corrente de calor assombrou ambos os
corpos, e Harry ficou muito sério ao notar que as bochechas de Ametista
coraram.
- Agora eu estou, e a partir de agora você só será minha. – sua voz
trazia tanta força e decisão que Ametista segurou a respiração antes de
ouvi-lo murmurar um “só minha” e beijá-la com carinho.
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Ametista não sabia o porquê de
Harry estar guiando-a para os jardins do castelo, mas o seguiu do mesmo jeito. O
dia estava sendo bastante difícil a ela. Recordar as horas passadas com seu pai
era doloroso, por mais incrível que tenha sido. Recordar seus outros aniversários
com o avô ou com Severo também não era muito divertido ou algo que fizesse
uma sensação de amor encher seu peito. E como se não fosse o bastante, topar
com Draco Malfoy a cada cinco metros da onde ia também não ajudava em nada. A
rápida conversa que tivera com o sonserino já fora perturbadora o suficiente
para deixá-la com os nervos à flor da pele. Não somente com Malfoy, mas
especialmente com Harry.
A temperatura estava agradável do lado de fora e o vento agitava sua
saia escura da Sonserina contra as pernas rápidas de Harry ao seu lado. O
namorado segurava sua mão direita com força e insistência, enquanto a outra
puxava sua Firebolt com cuidado. A idéia de ver Harry e a vassouras não
parecia uma boa visão – Ametista não confiava nadinha em Harry com aquela
vassoura, parecia que ele se tornava uma outra pessoa.
- Harry, eu ainda não jantei, estou com fome – murmurou cansada,
querendo fugir daquilo. – Você não pode me mostrar o quê tem pra mim
depois?
O jovem prosseguiu em passos rápidos, ignorando os comentários de
Ametista. A sonserina suspirou contrariada, mas continuou seguindo Harry. Já
fazia minutos que ela pedia que ele a escutasse, mas nada. Harry estava deixando
seus comentários no ar, sem qualquer resposta. Aquilo estava irritando-a
profundamente, mas não havia modo de impedi-lo, ela notou. Era sempre assim. O
desafio movimentava Harry de uma maneira incontrolável. Porém, sua cabeça já
doía demais para ainda ter de agüentar Harry e seu pedido de perdão –
porque ela sabia que era isso que ele estava tentando fazer. Engolindo em seco,
ela paralisou. Harry deu um tranco para frente e paralisou igualmente,
tornando-se para ela.
- O que aconteceu? – perguntou ele, as bochechas muito vermelhas da
velocidade de seu andar.
- Acontece que eu quero comer! – protestou nervosa. – Quero jantar,
quero descansar, quero ficar um pouco em paz no meu próprio aniversário e você
não está permitindo!
A testa de Harry se franziu sem entender.
- Por que você está tão nervosa comigo, afinal? – indagou o monitor,
aflito. – Que foi que eu te fiz?
Um sorriso cínico surgiu nos lábios de Ametista e ela cruzou os braços.
- Oh, além de você esquecer meu aniversário?!
Harry suspirou, desfranzindo a testa e tomando uma expressão suave.
- Eu não esqueci, Ametista – respondeu o monitor. – Eu não tive
tempo de falar com você, mas é claro que eu não esqueci do seu aniversário,
é a única coisa que eu tenho pensado nos últimos dias!
Surpreendentemente, Harry notou que o queixo de Ametista começou a
tremer. Seu lábio inferior acompanhou o movimento e seus olhos desviaram-se dos
dele, Ametista dando as costas. O jovem voltou a colocar a expressão preocupada
no rosto e aproximou-se dela, colocando uma mão em seu ombro. Mais rápido do
que Harry poderia imaginara, Ametista retirou seu ombro de seu alcance e deu um
passo adiante, para longe dele. Harry irritou-se e deu meia-volta, postando-se
à frente dela.
A visão não o agradara em nada. Os olhos dela estavam inchados e o
queixo tremendo furiosamente, como se ela estivesse prestes a cair em choro ou
gritar de pavor. Harry torceu para que fosse o primeiro, mas então se enganou
assim que Ametista descruzou os braços e o encarou com tamanha fúria que o
assustou.
- Por que você mentiu pra mim?! – gritou Ametista, os dentes rangendo
nervosamente, curvando seu corpo para frente.
Os olhos de Harry cerraram, ele ainda completamente perdido. Ao notar sua
expressão de confusão, Ametista respirou fundo, e balbuciou:
- Se o Malfoy estiver certo...
Harry daria um pulo se pudesse. O nome do seu inimigo soou em seu ouvido
como um tiro de canhão, fortalecendo agora, além de sua confusão, sua raiva
também.
- O Malfoy? – interrompeu Harry, com se houvesse algo entalado em sua
garganta. – O que o Malfoy tem a ver com tudo isso?! – mesmo sem notar, sua
voz se alterou fortemente, indo quase para um grito.
Ametista encarou Harry e sacudiu a cabeça como se ele fosse um coitado,
e começou a andar, para longe dele. Harry aumentou sua confusão e fúria,
puxando Ametista pelo braço esquerdo. A jovem paralisou, como anteriormente na
Torre da Sonserina, e olhou nervosamente para o namorado.
- Agora você vai me dizer o quê o Malfoy te disse! – ordenou Harry,
os pêlos do braço de Ametista se arrepiando por conta de sua força.
- Oh, agora você está preocupado? – insinuou Ametista, deixando Harry
ainda mais apreensivo. – Sentindo-se nervoso, Harry? – a força que Harry
colocava em seu braço aumentou. – Culpa no cartório, é?
Harry aproximou sua face de Ametista e respirou fortemente, deixando-a trêmula.
Aquilo não parecia ir nada bem.
- Novamente, Ametista, do que você está falando? E o que o Malfoy tem a
ver com tudo isso?
Rapidamente, a jovem puxou seu braço na direção de seu corpo e deu
dois passos para trás de Harry, a face contorcida em temor e nervosismo. E,
claramente, mágoa, como Harry já havia notado antes. Passando os dedos da mão
direita pelo braço, tentando diminuir a ligeira dor que ali se instalara,
Ametista curvou seu corpo novamente para frente e vociferou:
- Você quer saber o porquê disso tudo, Harry? Eu vou te dizer o porquê!
– os olhos escuros de Ametista estavam fixados nos de Harry, bastante
arregalados. – VOCÊ ME ESCONDEU UMA COISA DE UMA CERTA TARDE, LEMBRA-SE? –
gritou a jovem, os olhos cada vez mais obscuros.
Harry abriu e fechou a boca, depois respirou e perguntou:
- Eu ainda não estou entendendo! Do que você está falando?!
Um som de indignação saiu da garganta de Ametista e ela aproximou seu
corpo do de Harry. Desta vez, ele percebeu que havia água em seus olhos.
- VOCÊ DEIXOU A CHO FICAR COM O POMO?!
Assim que o grito de dúvida e mágoa foi pronunciado por Ametista, Harry
congelou. Como ela poderia ter conhecimento disso? Quer dizer, somente ele e Cho
sabiam disso. Não havia maneira de Ametista ficar sabendo que Harry deixara Cho
ficar com o pomo na última partida do Torneio de Quadribol das Casas. Aliás,
fato que permitiu a vitória da Corvinal e, agora, a obrigação da Grifinória
de vencer o time da Lufa-Lufa.
Diante do silêncio de Harry, Ametista olhou para cima e soltou um soluço.
Em seguida, voltou o olhar sobre Harry – que encarava o nada, pensativo e
chocado por Ametista ter descoberto – e sorriu cinicamente a ele.
- Obrigada pelo belíssimo presente de aniversário, Harry.
E assim, Ametista deu a volta e continuou a dirigir-se para longe do
namorado.
Harry ainda ficara parado ali, sem muito saber o quê fazer. O choque era
tão grande que sua voz se perdeu em sua respiração. Uma notícia como aquela
poderia, certamente, acabar com seu namoro e de Ametista. E ele não permitira
nada como isso.
Acordando de seu transe, Harry tornou-se para o castelo e viu Ametista
andando velozmente para sair dali. Para fugir dele. Com isso, Harry
passou a correr em sua maior velocidade, inúmeros pensamentos passando pela sua
cabeça.
- Ametista! – gritou, mas ela continuou andando, quase correndo,
ignorando-o.
A primeira vez que a conhecera, na mesa da Grifinória, com aqueles olhos
estonteantes e humor tão intragável. O modo com que seus olhares se
encontraram e como ele tivera a certeza de que a odiaria para sempre. Depois,
como se enfrentaram no ar em suas vassouras para buscar o pomo numa divertida
emoção. O primeiro verdadeiro contato, em que deram as mãos e em que Harry
notou o quanto ela poderia ser perigosa. Mas por que ele a odiava tanto?
- Ametista!
Quando invadiram a Sala Amaldiçoada e ele teve a urgência de beijá-la,
que tolice. Como aquele cajado da estátua de Salazar Slytherin a hipnotizara e
como ela caíra desmaiada. Harry pensara que ela morrera naquela tarde.
Visualizou o desespero de Remo e Arabella. O baile do Dia dos Namorados, em que
dançaram apenas uma música juntos e ele descobrira como seu perfume era
marcante e inebriante. O delicioso sândalo nunca o deixou desde então. Suas
incontáveis discussões, suas milhares detenções, suas acusações e defesas.
Mas por que ele a ainda odiava tanto?
- Ametista!
E então o estopim. Após sua queda no jogo contra a Corvinal e seu grave
ferimento, levando à substituição dela em seu lugar na posição de apanhador
do time da Grifinória. O reencontro deles após a decisão do time e a pior
discussão que eles já tiveram – antes do namoro – em que acusaram ambos e
até mesmo as famílias. Harry ainda sofria ao lembrar as acusações que fizera
a ela, e ainda doía recordar as palavras que saíram dela igualmente. Mas por
que ele continuava a odiá-la tanto?
- Ametista! – nesta altura, a jovem começou a correr.
Contudo, se as coisas não pudesse ainda piorar, naquela noite, sobre o
parapeito da janela da Grifinória, Harry beijou Ametista. O primeiro beijo que
dera em sua vida com uma inimiga como ela. Porém, tudo não passara de um
engano, mesmo que na manhã seguinte Harry achasse que tudo mudaria dali para
frente. Mas não havia jeito, Ametista e ele emanavam ódio toda vez em que
estavam juntos ou mesmo quando somente falavam sobre o outro. Mas por que ele
persistia em querer odiá-la tanto?
- Ametista!
O final do ano letivo chegou e ele começava a agradecer por ter longos
dois meses sem vê-la. Porém, tudo veio por água abaixo quando se descobriu
quem era o verdadeiro pai de Ametista e como Sirius Black encaixa-se
completamente na história. Harry nunca sentiu tanta pena de uma pessoa. Vê-la
desprotegida, sentir-se enganada por todos, até mesmo pelas duas únicas
pessoas em que confiava – seu avô e, por mais incrível que pudesse parecer,
Snape. Foi nessa época que ele iniciou sua redenção. Por que ele continuaria
a odiá-la tanto?
- Ametista!
Os beijos que trocaram na Ala Hospitalar e em seu dormitório, o modo com
que ela parecia fugir de seus olhares e como queria cultivar seu ódio por ele só
provocaram uma dúvida em sua cabeça. Como poderia aceitar que estava se
apaixonando por alguém que escolhera odiar? Quando iniciaram a viagem para
Godric’s Hollow e Saint Pierce, na França, ele somente queria estar com ela.
Queria beijá-la mais uma vez, queria retirar aquele peso e culpa dentro de si.
Estava definitivamente abrindo suas guardas e deixando-a adentrar e tomar seus
pensamentos e seu coração. Não havia mais motivos para odiá-la.
- Ametista!
Junto à Bacia de Pandora no casarão dos Black, no píer de Godric’s
Hollow ao pôr-do-sol, no castelo de Saint Pierce, na sala de Transformação
Humana, nos jardins de Hogwarts, na neve do inverno, nas flores da primavera, no
sol do verão e nas folhas do outono, no sofá do casarão no Natal e em seu
dormitório. Todos os lugares possíveis ele esteve com ela, somente com ela,
admirando-a, adorando-a e apaixonando-se cada vez mais. Ele certamente não a
odiava mais.
- Ametista! – ela estava chegando ao castelo.
Como sua risada enchia seu coração de paz. Como seus olhares lhe
transmitiam amor. Como sua pele era macia e entrava em contato com a dele em
meio ao fogo. Como seus abraços lhe confortavam em dias de temor. Como
suspirava entre seus beijos indicando desejo. Como seu sorriso consolava suas
noites de pesadelo e solidão. Como sua voz lhe trazia de volta para casa e para
sua família. Como ela conseguia tirar-lhe do sério somente tocando suas
bochechas com a ponta dos dedos. Como provocava seu mais intenso e furioso íntimo
quando passeia suas mãos por suas costas e seu cabelo. Como sabe exatamente
onde tocá-lo e deixá-lo completamente fora de seu normal. Como as ondas de seu
cabelo roçavam em sua pele com extrema leveza e delicadeza. Como seus olhos
azuis ficavam escuros quando ele a beijava de uma forma especial. Como sua
respiração se perdia a partir que ela deixava que ele retirasse sua blusa.
Como ela simplesmente dizia que o adorava por ele ser somente o Harry, e não o
Menino-Que-Sobreviveu, não o Harry Potter.
E foi assim que aquilo caiu como uma pedra sobre ele. Harry nunca
entendeu nada sobre sentimentos. Muito menos sentimentos ligados a garotas. Sem
falar nos que ele tinha por Ametista. No entanto, vê-la correndo dele, naquela
noite linda, na noite de seu aniversário, fizera ele entender, pela primeira
vez, o quê realmente sentia por ela.
Não seria a descoberta de seu segredo e de Cho que destruiria toda
aquela relação. Um relacionamento que durava nove meses e que representava
mais que tudo que ele já tivera na vida. Ametista era tudo em sua realidade e
em seus sonhos. Ele não a perderia por nada.
Sem pensar duas vezes, Harry jogou sua Firebolt no chão e paralisou,
vendo-a chegar muito perto do castelo, e gritou:
- EU TE AMO!
Imediatamente, o corpo veloz da sonserina parou. Somente naquele momento,
Harry percebeu como estava quase a alcançando. Havia cinco passos distanciando
ele de Ametista. Era como se tudo tivesse desaparecido a sua volta e ele pudesse
apenas vê-la, seus ombros sacudindo e seu corpo completamente em transe, sem
ter conhecimento se aquilo era mesmo verdade.
Então, Ametista, lentamente, virou-se para Harry. Seus olhos ergueram-se
do chão e ela encontrou os dele com quase medo. Harry pôde ver com clareza o
rosto chocado da namorada, molhado por suas lágrimas e marcado pelo lábio
inferior ainda muito trêmulo. Sua expressão, ao observá-la daquele jeito, tão
magoada, chocada e desprotegida, tomou uma versão doce e sentimental.
Vagarosamente, Ametista abriu e fechou seus lábios, incerta.
- Vo-você – gaguejou, e sua voz morreu novamente em sua garganta. –
Vo-você di-disse o quê?
Harry soltou um suspiro, seus olhos também enchendo de água.
Lentamente, um passo à frente do outro, foi se aproximando dela, com todo
cuidado e carinho que o momento requeria. Harry podia notar que a respiração
de Ametista estava começando a ficar ainda mais ruidosa e descompassada, suas
bochechas coravam furiosamente e as lágrimas não paravam de cair de seus
olhos. Sabia o quanto ela detestava chorar em sua frente ou de qualquer outra
pessoa, mas também sabia que não conseguiria segurá-las, especialmente após
aquela sua declaração. Assim, quando paralisou a sua frente, Harry tocou sua
bochecha esquerda com leveza e acariciou, trilhando as lágrimas que ali
estavam.
Atingindo-a com sua respiração e aproximação, Harry ergueu os olhos
escuros dela na direção dos dele e sorriu com toda a felicidade que
transbordava dele naquele momento.
- Eu disse que te amo.
Aos poucos, o sorriso de Harry foi se unindo ao que começava a aparecer
nos lábios de Ametista. Aquele sim parecia o presente perfeito, não um vôo em
sua vassoura ou uma jóia cara. Mostrar seus sentimentos para ela parecia mágico
e provocava algo que nunca sentira antes. A certeza de que ela era quem o
completava ficou tão clara para ele que sua mente desligou-se de tudo que
poderia estar acontecendo mais uma vez. Ele a amava, com todas as suas forças,
com todo o seu ser.
Ametista, então, guiou suas pequeninas mãos até o rosto dele e passou
demoradamente, como se estivesse levando aquele momento único para o resto de
sua vida. Sua respiração ficou muito perto da dele, sentindo como Harry
ofegava em meio ao seu nervosismo e realização. Seus braços encostavam-se à
vestimenta da Grifinória de Harry e provocavam uma sensação de prazer
indiscutível e incontestável. Não importava se ele havia ou não escondido
aquilo dela, e sim que Ametista sentia o quanto ele realmente a amava. Olhos
azuis encontrando os verdes e quase fechando, envolvidos na atmosfera quente de
seus corpos. Ela deu um pequeno suspiro, preparando-se para receber todo aquele
carinho. Assim, ele se inclinou sobre ela e a beijou, pura e simplesmente,
encostando seus lábios nos dela com calma e delicadeza, sem fazer alarde ou sem
torná-lo apaixonado. Era um simples encostar de lábios, em que suas mãos
seguraram seu rosto e em que as mãos dela seguravam o rosto dele. Harry sentiu
o gosto salgado das lágrimas dela no beijo e sorriu contra a boca de Ametista.
Separando-se dela, Harry puxou-a pela mão e guiou-a até onde a Firebolt
estava caída. Olhando incerto a ela, sentia-a posicionar o corpo ao lado dele e
colocar sua mão sobre a própria, na vassoura. Aquele vôo seria inesquecível.
Deixando a Firebolt suspensa no ar, Harry colocou sobre ela e puxou Ametista
junto dele, à sua frente. Assim que dera o impulso, a vassoura levou-os para o
alto e Ametista encostou sua cabeça no peito de Harry, beijando seu queixo
levemente e dizendo?
- Eu também te amo, Harry.
Pegando-se ligeiramente surpreso, Harry apertou o braço esquerdo que
envolvia o corpo de Ametista e beijou o pescoço da namorada. Amar alguém era
maravilhoso e inexplicável. Porém, ser amado na mesma intensidade, era mais
extraordinário ainda.
![]()
- Você deveria ter ficado
comigo, sabia? – murmurou Hermione no ouvido de Rony, abraçando-o com
delicadeza e sorrindo timidamente.
Rony sentiu-se incrivelmente confortável contra aquela forte corrente de
ar que os atingia. O corpo de Hermione estava contra o dele, deixando-o quente e
alegre. O passeio de Hogsmeade tinha sido muito divertido, todavia seria muito
mais de ela estivesse com ele também. A jovem não passara bem na manhã e
tivera de ficar em Hogwarts a passear com ele nas ruelas do vilarejo bruxo.
- Acertou-se com Gina? – indagou a garota, enquanto suas mãos
escorregavam pelos antebraços de Rony suavemente.
Um som saiu da garganta de Rony e Hermione entendeu aquilo como um
“sim”. Sabia que tudo ligado aos seus irmãos, especialmente Gina, era um
assunto delicado a Rony. Imaginou que já era dele saber sobre Gina e seu namoro
com Julian. A única coisa que a preocupava era o que Rony havia esquecido
completamente: o tal desmaio de Gina, na aula de Aprendizes. Aquilo deveria ter
algum significado, e a idéia de correr até a amiga e perguntar tudo sobre
despertou em sua mente.
- Eu não pretendia te dizer isso, mas...
As palavras morreram em Rony, e Hermione, que estava abraçada a ele, e
se tornou para o namorado, expressando preocupação. Afinal, era aquilo que ela
fazia de melhor: preocupar-se.
- O que foi? – a pergunta veio antes que ela pudesse engoli-la. –
Aconteceu alguma coisa?
O semblante de Rony ficou muito vermelho, assim como suas orelhas.
Hermione, então, soube que havia algo de muito errado ali. Mordendo o lábio
inferior, Rony retirou as mãos das costas da jovem e passou pelos cabelos
desajeitado. Ela colocou suas mãos no peito do namorado e o olhou compreensiva.
Parecia que ele estava envergonhado.
- Rony, amor, conte-me o que está havendo, por favor...
Um sorriso quase maroto surgiu nos lábios de Rony e Hermione passou os
dedos mais delicadamente sobre o peito dele, fazendo-o arrepiar, e perder-se na
idéia de como explicar aquilo. Assim, deu um passo para frente e levou uma de
suas mãos ao rosto de Hermione, deslizando seus dedos carinhosamente, e
colocando uma mecha de seu cabelo atrás de sua orelha.
- Eu... – Rony engoliu forte. – E andei, hum, bem, hum... –
Hermione continuou acariciando-o, um sorriso bobo na boca. – Andei pesquisando
umas coisas...
Hermione ergueu uma de suas sobrancelhas e sorriu, ainda sem entender. O
vento acentuou-se e moveu os cachos de Hermione com mais força. Rony notou como
estava ficando escuro, e a cor do lago cada vez mais opaca. As árvores se
movimentavam com a correnteza de vento.
- Você? – Hermione apontou o dedo indicador no centro do peito de Rony
e riu. – Ronald Weasley? Pesquisando? – Rony levou novamente as mãos ao
cabelo ruivo. – Isso é algum tipo de brincadeira, Rony?
Tentando disfarçar o rubor em suas bochechas, Rony sorriu acanhado e
pigarreou.
- É que eu ouvi uma conversa... – Hermione continuou com o riso
escondido, parecendo séria. – Uma conversa entre o Dino e o Simas... –
pigarreou mais uma vez, sentindo a garganta cada vez mais seca. – Não sei se
você já conversou com a Lilá...
Sem esperar um instante, Hermione arregalou os olhos e deu um passo para
trás, dizendo:
- Hunf! Não converso com Lilá a ponto dela me contar uma coisa como
essas, Rony...
Quando Rony pretendeu prosseguir, paralisou ao notar que Hermione parecia
ter entendido o ponto de seu constrangimento, mesmo que ela não tivesse
conversado com Lilá Brown. Antes que pudesse perguntar, a monitora da Grifinória
colocou as mãos na cintura e levou os olhos para a grama do jardim, longe dos
do namorado.
- Sei porque não sou surda.
A testa de Rony franziu e sentiu um arrepio a correnteza de ar se
fortalecer. Ainda sem entender completamente, Hermione bateu o pé com força
contra a grama e deixou que sua vergonha transparecesse ao erguer o rosto para
Rony, deixando-o notar suas bochechas coradas.
- Nós sabemos como é difícil encontrar lugares para, hum, bem, você
sabe... – Rony arregalou os olhos e Hermione corou mais ainda. – Eu fui
obrigada a presenciar, ou melhor, ouvir...
- Você ouviu o Dino e a Lilá transando no dormitório feminino?
– indagou Rony agudamente, antes que sua discrição pudesse vencer sua
curiosidade e surpresa.
- RONY! – repreendeu Hermione, cruzando os braços nervosamente. –
Você não estaria tão curioso assim se tivesse ouvido, que fosse cinco minutos
daquilo! – ralhou a jovem, assistindo o sorriso de Rony. – Por que será que
você me pegava dormindo no salão comunal? – Rony ainda tinha os olhos
enormes em surpresa. – Isto responde a sua pergunta?
Hermione soltou um suspiro e permaneceu com os braços cruzados, assim
que Rony tentou abraçá-la novamente. A garota sentiu-se irritada por Rony
tocar naquele assunto.
- Aliás, o que a vida pessoal da Lilá e do Dino tem a ver com o quê
você pretendia me falar? – questionou Hermione desanimada, ainda nos braços
de Rony. – O clima já foi estragado mesmo, não imagino como possa ficar
pior.
- Oh, Hermione – sussurrou o goleiro da Grifinória suavemente no pescoço
da jovem, provocando um arrepio em sua espinha. – Eu não pretendia acabar com
o nosso momento, mas isso é realmente embaraçoso...
- Então, se é tão embaraçoso, porque pretende me contar? –
cortou-o, aborrecida.
Rony notou que estava realmente escuro e que a noite estava muito agradável.
O som de algo muito veloz ecoou em seu ouvido e ele olhou para cima. Hermione
fez o mesmo movimento, e ambos puderam ver uma vassoura rasgando o céu, com
duas pessoas sobre ela. Hermione pensou que deveria ser Harry e Ametista. “Não
pensava que Harry pudesse ser tão romântico”, e ela olhou para Rony. “Ele
bem que poderia ser um pouquinho mais romântico...”.
- Eu preciso te contar isso que eu pesquisei porque é muito importante
para mim, Mione – Hermione abaixou o olhar para o namorado e ficou séria. –
E precisa ser antes do amanhecer.
![]()
Quando o relógio de sua
cabeceira soou doze toques, indicando meia-noite, Ametista trocou seu uniforme
da Sonserina pelo pijama azulado. Um sorriso não deixava seu rosto há mais de
quatro horas. Era meio clichê e mesmo idiota pensar que aquele sorriso ainda
estava lá por conta de três míseras palavrinhas: eu te amo. Porém, para alguém
como ela, aquela pequena frase significava um milhão de coisas, muitas delas
inexplicáveis. Aquele fora, disparado, o melhor aniversário de toda a sua
vida, e ninguém roubaria aquele singelo momento. A voz de Harry ainda ecoava em
seu cérebro e seus pensamentos assim que ela adentrou em sua cama da Sonserina
e fechou o dossel esverdeado que cobria o leito.
Encostando-se ao extremo de sua cama, ela colocou os pés embaixo do lençol
escuro e esticou as pernas com moleza, ainda ouvindo as palavras de Harry e
sentindo o vento bater contra seu rosto. O vôo tinha sido o melhor momento
daquele dia. A correnteza forte contra seu rosto, sua cabeça repousando no
peito dele e os suaves encostar de lábios em seu pescoço e bochecha. Aquele
momento, sem muitas palavras, fora perfeito. Naqueles pequenos instantes,
Ametista sentir amor e sentiu amar. O sorriso se alargou.
Assim que suas pernas terminaram de se esticar, Ametista gritou. Seus pés
encostaram-se a alguma coisa invisível, como se fosse uma parede, há centímetros
ainda do final da cama. Colocando a mão imediatamente na boca, Ametista quase
teve um ataque do coração ao assistir um maço de algo negro aparecer no alto.
Lentamente, o monte de coisa escura tornou-se clara, passando para uma cor de
pele e então, finalmente, Ametista pôde distinguir aqueles belos olhos
esverdeados.
- Qual é o seu problema, Dumbledore? – ouviu do lado de fora a voz
embargada de Pansy Parkinson. – Vá dormir, sua maluca!
Sem saber o quê responder, e sem ter respiração e voz forte o bastante
para retrucar uma, Ametista continuou encarando, agora, a figura completa de
Harry Potter. O monitor da Grifinória tinha um sorriso maroto nos lábios,
quase malicioso. Não demorou muito para Ametista puxar as pernas para seu
corpo, impulsionar-se para frente e bater fortemente no ombro esquerdo do
namorado. Harry segurou uma exclamação surpresa e fechou a cara, sem entender.
- Por que isso? – perguntou irritado, a mão dirigindo-se ao seu ombro.
- Por quê? Por quê? – apesar de muito nervosa, sua voz saía como um
sussurro. – Você ficou doido, Harry?! O que você está fazendo aqui, na
minha cama, na Torre da Sonserina?!
Uma risadinha boba escapou dos lábios de Harry e Ametista cruzou os braços,
ainda mais aborrecida.
- Oras! Pensei em fazer uma visitinha surpresa pra minha namorada. –
respondeu simplesmente, a face inundada em cinismo.
Ametista rangeu os dentes, furiosa.
- Visitinha?! Visitinha?! – Harry odiava quando ela começava a repetir
suas palavras. – Você tem consciência do quê está fazendo aqui?
- Na verdade eu tenho sim, dona Ametista – respondeu Harry, fechando a
cara por vê-la tão aborrecida. – Eu vim porque esqueci de te dar seu
presente de aniversário e não dar amanhã.
Ametista ergueu uma sobrancelha.
- Nós já estamos no “amanhã”, Harry. – zombou a jovem.
Harry mostrou a lingual para a namorada e sorriu em seguida,
ajoelhando-se como ela. Lentamente, Harry aproximou seu corpo do de Ametista e
encarou-a com quase malícia. Ametista olhou-o com cara de desentendida e Harry
jogou seu corpo para frente e beijou-a. Ametista foi pega de surpresa, mas logo
levou as mãos no rosto do jovem e sorriu contra os lábios dele.
Assim que eles se separaram e que as mãos de Harry já estavam dentro da
blusa de Ametista, passeando pela barriga da namorada, a garota piscou a ele e
sussurrou:
- Seu presente, por acaso, não é uma sessão de amasso, certo?
Harry fitou-a com prazer.
- Não somente – Ametista riu e balançou a cabeça negativamente. –
Eu falei que queria dar o seu presente e aqui está ele.
Ametista viu Harry impulsionar-se para trás e ajoelhar-se novamente,
levando as mãos à cabeça. Então, as mãos viajaram até dentro de seu
colarinho e ele retirou algo que ela nunca havia visto ou mesmo reparado antes:
era uma corrente prateada. Ametista franziu a testa e deixou a boca entreaberta,
confusa. Harry ergueu o olhar a ela e estendeu a corrente entre seus dedos.
Dentre os dedos dele, Ametista ergue seu braço e Harry despejou a
corrente em sua mão. A jovem estendeu-a entre os próprios dedos e a olhou com
atenção e fascínio. Era uma corrente prateada com uma lua de pingente. Na
ponta de lua havia uma estrela avermelhada que brilhava intensamente. Ametista
ficou admirada pela beleza da corrente e voltou o olhar para o namorado.
- Oh, Harry, é linda. – murmurou, quase sem respiração.
Um sorriso despertou na boca dele e então, delicadamente, ele envolveu
sua mão na dela com a corrente e disse:
- A minha tia me deu essa corrente há uns três meses – sua voz
pareceu sentimental e Ametista o encarou, chocada. – Ela pertence aos Potter há
gerações e era da minha mãe também – os olhos de Ametista se
intensificavam e a força com que a mão de Harry segurava a sua era cada vez
maior. – Os Potter devem dar essa corrente como uma prova de amor, de
demonstração de amor, e somente àquela pessoa que acham ser a escolhida – o
olhar da jovem caiu em suas mãos unidas. – Nesta estrela estão os sangues
dos meus pais, que juraram amor eterno...
- Harry, mas isso é... Isso é... – as palavras faltavam a ela com
grandiosidade. – Eu não posso aceitar.
A força se intensificou mais uma vez nas suas mãos unidas.
- Você foi a minha escolhida, Ametista, e eu quero que você fique com
esta corrente – disse ele, retirando o cordão dos dedos de Ametista e se
inclinando sobre ela, colocando-o em seu pescoço. – Eu te amo e quero que você
tenha a prova disso.
Sentindo um intenso calor em seu peito, na região em que o cordão caiu
sobre ele, Ametista sorriu agradecida. Não haviam respostas adequadas naquele
momento para explicar como aquilo havia chocado-a profundamente.
Então, simplesmente, Ametista levou as mãos ao rosto do namorado e o
puxou contra ela, delicadamente, beijando-o com paixão. Ela o amava e queria
demonstrar o quanto.
A cortina verde-escura do dossel
estava fechada, não permitindo qualquer imagem do que estava acontecendo dentro
dele. Raramente algum ruído era ouvido. As companheiras de quarto estavam
adormecidas, enquanto a madrugada se estendia para o casal de namorados.
Não demorou muito até que calafrios começaram a se espalhar pelo corpo
de Ametista, provocados pelo toque tão suave de Harry. O jovem, devagar, ia
retirando sua blusa e beijando a barriga da namorada. Já sem sua própria
camisa, sentia as pequenas unhas dela arranharem suas costas, arrepiando-o de um
modo divertido. Beijava a curva de seu pescoço e sussurrava que o amava a cada
segundo. As pontas de seus dedos estavam geladas e tocava com certa ferocidade a
cintura dele. Ametista soltou um suspiro assim que ele beijou seu colo e postou
as mãos em seus braços.
- Isso é loucura. – ela sussurrou mais uma vez no pé do ouvido do
namorado, em relação ao lugar onde estavam naquele momento.
Harry não se incomodou e prosseguiu beijando seu tronco com suavidade e
delicadeza. Ao chegar na barra do short de seu pijama, puxou o cordão que o
segurava lentamente, encarando-a. Ametista fixou seus escuros olhos azuis nos de
Harry e mordeu seu lábio inferior. Nunca havia deixado-o retirar a parte de
baixo de suas roupas, sejam saias ou shorts, como no momento. Porém, aquele era
seu aniversário e estava junto de quem mais amava e isso era tudo que
importava.
Com a boca entreaberta, respirando por ela, Harry olhou mais
profundamente para Ametista como se pedisse permissão para puxar o short. A
jovem sorriu tímida. O monitor agarrou a barra inferior da peça do pijama e
puxou devagar até retirar completamente. Logo depois, suspendeu uma das pernas
dela e apoio-a em seu ombro, beijando seu pé e subindo, passando pelo joelho,
até chegar em sua coxa. Em seguida, trilhou até a boca de Ametista,
arrancando-lhe um beijo quase que rude. Puxando o lábio inferior de Ametista,
fazendo-a levantar da cama e sentar-se como ele, com as pernas entrelaçadas,
percebeu que ela empurrava-o suavemente para a outra ponta da cama, indo direto
ao cinto de sua calça.
Fechando os olhos, sentiu os lábios dela tocarem a região envolta de
seu umbigo e os pequenos dedos trabalharem rápidos, abrindo os pontos do cinto
e a fivela. Quando terminou, Ametista puxou o cinto para si e depois o estendeu
até o pescoço de Harry, enlaçando-o até ela e beijando-o com pressa e
necessidade. Deixando o cinto escapar de seus dedos e abraçando o namorado,
sentiu quando ele passou a beijar novamente a sua nuca passando a língua bem
perto de sua orelha. Com isso, abaixou-o até deitá-lo na cama mais uma vez
para libertá-lo da calça. Abrindo o botão e o zíper, ela não parou para
reparar como Harry havia enrubescido. Pena, já que ela adorava exercer essas
sensações sobre ele.
Enquanto ela puxava a calça até seu pé e retirando-a por completo,
beijava o caminho, agora despido pela calça. Primeiro as coxas, depois o joelho
e por final os pés. Assim que terminou, jogou o cabelo para trás, levemente
ofegante e notou que Harry estava levantando para sentar junto dela novamente.
Suas pernas ficaram estendidas na cama e Ametista sentou sobre suas coxas e
cintura com certa desenvoltura e provocação. Harry adorou e deu um sorriso,
encaixando seu corpo com o dela.
Suspirando de desejo, Harry roçou seus lábios nos dela e em seguida a língua,
num modo de também provocá-la. Isso fez com que Ametista puxasse vagarosamente
a cabeça do namorado em sua direção e forçasse-o a beijá-la. O jovem sorriu
novamente, agora de ter vencido aos poucos algumas barreiras entre eles. Em
pouco tempo, Ametista estava cada vez mais o envolvendo com suas pernas e braços,
procurando tê-lo o mais perto possível de seu corpo. Com o ritmo dos beijos,
seu quadril unia-se ao dele, deixando-o maluco após cada segundo em que ela
movia-se delicadamente. Os olhos de ambos fechados, deixavam-se levar pelas
novas sensações daquela noite.
Abrindo seus olhos, Harry pôde vê-la mordendo o lábio inferior e com a
testa levemente franzida, como se aquilo fosse uma tortura. Harry passou os
dedos pela curva de seu rosto e ela abriu os olhos, encarando-o com dificuldade
e cheia de paixão. Foi quando Harry desceu suas mãos do rosto para as costas
de Ametista, na altura do fecho de seu sutiã. Olhou-a com receio, mas
simplesmente recebeu um beijo em troca. Seu coração disparou. Com calma,
apesar das mãos trêmulas, conseguiu desfazer a proteção sobre o peito de
Ametista. Corada, permitiu timidamente que Harry a tocasse. No meio da escuridão,
as sombras de ambos tornavam-se claras pelo toque de cada um – apenas
conseguiam ver normalmente seus rostos.
Beijando a boca de Ametista com tranqüilidade, ele acariciava-a com
muito respeito até entender que ela desvencilhava-se de seu beijo. Encarando-o
ofegante, Harry notou que ela estava dando chance para ele realizar seus desejos
e fazer o que realmente queria. Diante disso, deu um selinho em sua boca e foi
descendo pelo pescoço, ombros até chegar em seu colo. Assim que a beijou,
ouviu um suspiro vindo dela. Voltando a encará-la, Ametista estava com a
expressão dolorosa novamente e, assim, ajeitou-se sobre Harry, ajoelhando-se e
não mais se sentando sobre ele.
Sentindo um arrepio inesperado, Harry observou-a roçar lentamente seus lábios
nos dele, levando ambos para um beijo apaixonado, assim que o jovem guiava suas
mãos para acariciar seu colo novamente. Contudo, ele não esperava que Ametista
abaixasse sua mão direita até o seu quadril e também ameaçasse tocá-lo.
Velozmente, ele afastou-se do beijo e deitou-a na cama. Sua cabeça chocou-se
contra o travesseiro e ele contemplou-a por um breve momento. Depois, foi
abaixando até chegar na altura de seu rosto e dizer:
- Você não imagina o quanto eu te amo.
Ametista sorriu e sentiu-o brincar com a barra de sua lingerie. O olhar
de Harry era de completo e total desejo de tê-la somente para ele, tornar
aquele momento único e eterno. Ametista emoldurou a face do namorado entre suas
mãos enquanto ele puxava sua roupa íntima e jogava para trás. Ela chegou a
rir da expressão que ele tomara seguidamente. Harry voltou até ela e beijou-a
calorosamente, ao mesmo tempo em que guiava sua mão até o quadril dela.
Ametista se contorceu ligeiramente, um certo temor passando por seus
pensamentos, assim que sentiu Harry tocá-la com receio e até um pouco de medo.
Curvando sua cabeça para trás, fechou os olhos, acostumando-se com a sensação
estranha que ele começava a provocar. Aos poucos, Harry foi notando que
Ametista estava com a respiração rápida demais e a pele corada. Beijando-a
com carinho e certa sensualidade, durou pouco até que ela descolasse seus lábios
dos dele e soltasse um gemido baixo, no mesmo momento em que Harry sentia o
corpo dela tremer.
Esperou até que ela abrisse os olhos novamente. Quando ela o fez, Harry
sentou na cama e puxou-a para si, encostando seu corpo no dela, que estava muito
quente. Ametista separou-se do abraço e, beijando-o levemente, disse, com seus
lábios encostados nos dele:
- Eu sempre vou te amar.
Sorrindo contra a boca de Ametista, Harry notou que ela estava ameaçando
beijá-lo novamente. E desta vez, Harry acariciou seus fios de cabelo com prazer
e originou o beijo mais íntimo que eles já haviam dado. Um beijo em que
colocaram tudo o que sentiam um pelo outro – gratidão, desejo, paixão, ódio,
carinho, e principalmente amor.
Ao terminarem, ouviram um barulho vindo do lado de fora do dossel.
Ametista parou imediatamente o beijo, temerosa, e encarou Harry, mandando-o
esperar, enquanto colocava a cabeça ligeiramente para fora da cortina de sua
cama. Para sua surpresa e quase um novo ataque do coração, lá estava Pansy
Parkinson sentada sobre a própria cama, encarando Ametista raivosa. A garota
arregalou os olhos, assustada.
- Você ainda está acordada, Dumbledore? – perguntou Pansy mal
humorada. Ametista nada respondeu, chocada o bastante para perder a fala. –
Por acaso você estava ouvindo uns barulhos estranhos?
Sem pensar muito, Ametista pigarreou e respondeu:
- Ouvi sim – disse num tom nervoso. – Deve ter sido a Williams, do
quarto ano. O Malfoy estava falando que a garota é sonâmbula. – inventou
rapidamente, torcendo para que Pansy desistisse e voltasse a dormir.
A sonserina encarou Ametista desconfiada, notando a intensidade da
vermelhidão em seu rosto, e deu de ombros em seguida. Estendendo sua mão
esquerda até o próprio dossel, fechou-o num tranco rude e tornou-se para o
lado oposto de Ametista.
Bufando aliviada, Ametista fechou sua cortina e virou-se para Harry. O
jovem estava encarando-a de um modo ainda suspeito e malicioso. Somente naquele
momento, ela encarou-se e assustou-se, puxando imediatamente o lençol sobre si.
Durante todo aquele tempo ela esteve nua. Seu rosto ardeu como se estivesse em
brasas e involuntariamente encolheu-se envergonhada.
Harry riu e engatinhou desajeitado até a namorada. Encarando-a com um
olhar de paixão, assistiu-a estender seus braços, como se pedisse um abraço.
Harry, ajoelhado, notou que Ametista, coberta com o lençol, abriu suas pernas
para acolhe-lo junto dela. Envolvendo-a num abraço forte, notou que apenas o
lençol que cobria Ametista separava seu corpo do dela. Separando-se do abraço,
Harry ameaçou puxar a proteção de Ametista, porém ela não permitiu.
Com o rosto ainda muito corado e uma expressão envergonhada, Ametista
pediu:
- Foi ótimo, Harry – sussurrou, fazendo-o chegar mais perto para
ouvi-la. – Maravilhoso. Mas não aqui, não agora. Não quero estar tão
intimamente com você e com o risco tão grande de alguém nos pegar. Eu te
quero muito, muito mesmo, mas tente entender...
Harry deu um selinho em Ametista e sorriu em seguida – um sorriso
desanimado, mas compreensivo.
- Eu entendo – respondeu, tentando esconder o tom contrariado. – Pode
deixar que será de uma outra maneira. Só espero que você tenha gostado dos
meus presentes. – e piscou maliciosamente.
Ametista encostou seu nariz no dele, torcendo a cabeça para beijá-lo.
- Foram os melhores presentes que eu já ganhei, amor.
Assim, ambos vestiram-se silenciosamente e Ametista esperou alguns
minutos para abrir seu dossel e puxar Harry, debaixo da capa de invisibilidade,
até a porta de entrada da Torre da Sonserina, no andar inferior. Porém, nos
minutos finais, Harry encostou uma de suas mãos na porta, não permitindo que
ela abrisse.
Harry tornou-se a ela.
- Feliz aniversário, Ametista. – e sorriu.
A garota sorriu igualmente e prendeu a respiração. Encará-lo depois
daqueles longos minutos, se não horas, dentro daquele dossel, era quase que
assustador. Harry exercia uma importância e um poder sobre ela que Ametista
nunca havia dado muita atenção até então. Entretanto, eles estavam cada vez
mais envolvidos e apaixonados, afogando-se na relação.
Repentinamente, Ametista lançou-se sobre Harry e beijou-o com emoção.
Harry enlaçou-a e percebeu que ela estava chorando. Entendendo o quê estava
provocando-a e sussurrou em seu ouvido:
- Eu te amo demais, amor, e acho que nunca mais sentirei nada parecido.
Ametista segurou um soluço e permitiu que a porta abrisse. Assim, Harry
beijou-a levemente pela última vez naquela noite e atravessou a passagem,
deixando Ametista na fria Torre da Sonserina. Ambos não imaginavam que teriam o
mesmo sonho naquela noite, e que deste sonho, seus maiores desejos seriam
concretizados ao som de uma canção de fênix e perfume de sândalo.
![]()
Era quase meia-noite e Hermione
sentia-se completamente perdida ao observar que Rony estava levando-a para a
biblioteca. Aquela cena parecia ser mais uma visão, uma miragem, do que
verdadeiramente a realidade. Ronald Weasley não ia à biblioteca por nada, nada
mesmo, em toda a sua existência. Sempre achou que livros eram tão inúteis
quanto tentar entender as aulas de Adivinhação. Então, que tipo de pesquisa
era aquele que ele pretendera fazer e fizera? E o que ela tinha a ver com tudo
aquilo?
- A biblioteca está fechando, Sr. Weasley e Srta. Granger...
Madame Pince olhou torto para Rony quando o viu adentrar junto de
Hermione. Não gostava nada da idéia de vê-lo ali, ainda mais depois que na última
semana o encontrara mais do que o normal. A aluna ignorou o comentário azedo
que Rony fizera sobre a bibliotecária, e continuou a segui-lo. Rony levou-a até
a sessão sete e paralisou a frente da prateleira dos livros de feitiços.
Hermione cruzou os braços e olhou de esguelha para o namorado, torcendo o
nariz.
- Rony, diga logo o que você pretende...
O jovem sorriu marotamente para a namorada e ergueu os dedos, como se
procurasse o livro certo.
- Acalme-se Mione, você já verá.
Hermione prosseguiu observando-o até que Rony soltou uma exclamação de
vitória e dançou os dedos sobre o livro Feitiços e Amor: Como Domar a Fera
Dentro de Si. Assim, suavemente, retirou-o até a metade e murmurou alguma
coisa que Hermione não entendeu. Estranhamente, o livro, que antes era azulado,
ficou incrivelmente vermelho e Rony deixou escapar uma nova comemoração,
retirando-o da prateleira. Hermione tinha o semblante confuso e surpreso quando
Rony tornou-se para ela e segurou em sua mão, puxando-a para as mesas de
estudo.
Chegando na última delas, e a mais afastada de Madame Pince, Rony deixou
o livro cair sobre a mesa e então Hermione pôde enxergar alguns rabiscos em
dourado, ilegíveis. O nariz ainda torcido, ela tornou-se para Rony, que olhava
o livro intensamente.
- Que é isso, Rony? – indagou muito desconfiada.
O goleiro da Grifinória colocou as mãos sobre a mesa e estalou os
dedos. Hermione fechou os olhos e tentou concentrar-se em outra coisa, já que
odiava quando alguém fazia aquilo.
- Primeiro você tem que me prometer uma coisa...
Hermione abriu os olhos e logo os rolou, fitando o namorado.
- Oh, o que é desta vez, Rony? – reclamou a monitora, olhando feio.
– Da última vez que você me fez prometer alguma coisa, eu quase tomei uma
detenção.
- Mione, não se preocupe, eu só quero que você me escute com atenção...
– murmurou, colocando a cabeça perto da dela e respirando seu perfume de
rosas. – e me prometa que não vai ficar brava.
A jovem deixou a boca entreaberta e o conhecido olhar de reprovação
sobre Rony. Ele sabia que Hermione não gostava quando ele pedia que ela não
ficasse brava ou que reconsiderasse alguma atitude sua. Aquele não era um bom
começo.
- Eu prometo para você que não é nada errado – disse Rony
rapidamente, antes que ela decidisse erguer-se da mesa e ir embora. – Ao
menos, eu não acho errado.
O olhar de reprovação de Hermione aumentou, se ainda fosse possível.
- É melhor você me dizer do que ficar pensando se eu vou ou não ficar
brava com você. – retrucou Hermione.
“Ótimo”, pensou Rony, querendo que seu plano realmente desse
certo. Assim, ele abriu o livro na primeira página e pediu que Hermione se
aproximasse da mesa. A monitora pôde notar que havia inúmeras assinaturas ali,
de diversas pessoas e de diversos anos – com a assinatura vinha acompanhada a
data. Seus olhos arregalaram quando encontrou os nomes de Fred Weasley e Jorge
Weasley.
- Oh não! – exclamou, erguendo-se da cadeira. – Rony! Qualquer coisa
que tenha seus irmãos no meio, você sabe que eu não confio, esqueceu-se? –
Rony se levantou também. – Quantas vezes você terá de se ferrar com os seus
pais para aprender que Fred e Jorge ainda não cresceram?
- Não, Mione! – protestou Rony, segurando os antebraços da namorado,
querendo convencê-la. – Escute, o nome de Fred e Jorge somente estão aqui
porque eles também usaram esse livro, mais nada.
Hermione bufou insatisfeita e sentou pesadamente na cadeira. Rony
agradeceu e sentou-se novamente, olhando para a namorada com a expressão
cautelosa. Hermione cruzou os braços e ele pediu que lesse mais uma vez todas
as assinaturas. Muito a contragosto, lá foi ela. Seus olhos começaram a
passear pela página das assinaturas. Conforme as letras passavam, Hermione ia
arregalando os olhos castanhos, cheios de surpresa e choque. Não sabia ainda do
quê se tratava aquele livro, porém podia ver que pessoas bastante conhecidas já
haviam usado-o, inclusive os próprios pais de Rony.
- Os nomes dos seus pais estão aqui! – surpreendeu-se a jovem.
- Eu sei, e não me lembre. – balbuciou Rony, fazendo uma careta.
A monitora ignorou Rony, sem entender o porquê do comentário, e
continuou lendo as assinaturas. E seus olhos pararam em quatro especiais: Tiago
Potter, Lílian Evans, Sirius Black e Hariel Dumbledore. Hermione piscou várias
vezes, ainda sem compreender aquilo e chamou a atenção de Rony. Ele sorriu e
tornou-se para ela.
Lentamente e com cuidado, Rony pegou as mãos de Hermione nas suas e
mirou-a com carinho. Hermione sorriu com os lábios cerrados, não acostumada
com aquele olhar e gesto do namorado.
- Hermione, eu sei que você pode pensar que eu sou louco, mas quem me
indicou este livro não foi Fred ou Jorge – disse o jovem, suas orelhas
ficando rosadas. – Foi meu pai.
- E o quê esse livro faz, o quê tem de tão especial nele?
Rony pigarreou, olhou para o chão, seus pés e os de Hermione quase
tocando, e voltou a encará-la. Aquilo não estava sendo nem um pouco fácil.
Mordendo o lábio inferior fortemente, as bochechas de Rony ficaram rubras, como
todo o resto de sua face.
- Este livro é uma espécie de chave de portal – respondeu, o tom
abaixando. – Uma chave de portal que leva aqueles que assinam para um lugar
fora de Hogwarts, fora das dependências da Inglaterra ou do mundo físico – a
testa de Hermione ia se franzindo ao notar as palavras de Rony e sua vergonha.
– Ele só funciona uma única vez com cada pessoa, e aqueles que o usaram
disseram que o lugar que a chave do portal os leva é inesquecível e mágico,
completamente fora dos pensamentos racionais de qualquer ser humano.
- Mas, Rony, o que isso tem a ver com a gente? – perguntou, inocente.
Engolindo em seco e tentando disfarçar seu nervosismo, mesmo que suas mãos
estivessem trêmulas nas da namorada, Rony limpou a garganta mais uma vez e
disse:
- Essa chave de portal é capaz de realizar a noite perfeita para nós,
Mione – desta vez, Rony estava sussurrando. – Eu pesquisei e descobri que o
livro só permite um único uso, como já disse, mas que também há um dia
específico para ele acontecer – Hermione começava a compreender o que
acontecia, já que a linha de expressão que sempre se formava entre suas
sobrancelhas começava a se desfazer. – E o dia é hoje.
Hermione abriu e fechou seus lábios, incerta do que responder a Rony.
Seu olhar era quase de desânimo, mas como ela poderia explicar a ele que ficara
incrivelmente feliz com aquilo, e não ofendida. Afinal, aquele era um objetivo
e sonho não somente de Rony, mas dela também. Ter uma noite especial, num
lugar especial e numa noite especial. O quê mais poderia pedir?
Rony já estava ficando desesperado ao ver que Hermione não respondia
nada a ele que pudesse acalmá-lo ou mesmo irritá-lo ou desiludi-lo.
Entretanto, toda sua incerteza se foi quando Hermione sorriu largamente a ele,
os olhos castanhos cheios de água e emoção.
- Eu quero tanto quanto você, Rony.
Assim que as últimas palavras se desenharam no papel branco, Hermione
segurou a mão de Rony com força e fechou os olhos, temerosa. Uma sensação
estranha abateu-se sobre ela e Hermione sentiu nitidamente que estava rodando
fortemente. Talvez aquilo fosse parecido com suas tentativas de aparatar na aula
de Arabella, mas ainda era muito menos confortável ou agradável.
Após alguns curtos segundos, notou que não estava mais rodando ou
sentindo-se suspensa no ar. Hermione, com muita dificuldade, abriu um único
olho para observar o quê acontecia. Um suspiro soltou-se de sua garganta e a
respiração se foi quando abriu os dois por completo. Aquilo ia muito além da
sua realidade, era como se fosse um sonho. Ainda com as mãos envolvidas na de
Rony, a jovem apertou a força e mordeu o lábio inferior, como se aquilo fosse
um agradecimento. Tudo que ela poderia querer, e ainda muito mais, se resumiram
na necessidade de ter Rony ao seu lado e junto dela num âmbito como aquele, tão
belo e surreal.
- E então, o que acha?
O sussurro do namorado veio como uma sirene forte que a despertou de seu
devaneio e Hermione teve de se segurar em sua estrutura para não abrir suas
defesas muito cedo e mergulhar com Rony em seus desejos. Assim, ela tornou-se
para ele e sorriu.
- É ainda mais do que pude imaginar, Rony – respondeu completamente aérea.
– Isto é perfeito, é incrível, é...
Rony tornou-se para ela e colocou um de seus dedos sobre os lábios dela,
calando-a com um sorriso satisfeito e malicioso no rosto.
- Shh... – sibilou e piscou para a namorada. – Eu sei, é realmente
tudo que meu pai me disse, mesmo que um pouco diferente.
Hermione deu um suave beijo nos dedos de Rony e comprimiu as
sobrancelhas.
- Diferente?
- Sim – respondeu o jovem, olhando à sua volta. – Ele dizia que o
quarto era todo esverdeado e dourado, mas este aqui parece muito mais alaranjado
e avermelhado, não acha?
A monitora da Grifinória riu com o namorado e finalmente soltou-se dele para admirar o lugar em que fora colocada pelos poderes daquela chave de portal. Era inacreditável.
Aquele parecia ser um quarto no estilo Idade Média, meio gótico,
parecido com a própria estrutura de Hogwarts. As paredes eram escuras, quase
sujas, com altas janelas pontiagudas tão tenebrosas quanto às paredes. O chão
era de tábuas de madeira que provocavam barulhos ocos quando se pisavam nelas.
Havia um grande espelho no canto do dormitório, direcionado ao leito. Ao seu
lado, uma mesa cuidadosamente estruturada para comportar uma série de vasos de
rosas. Todas vermelhas.
- É loucura pensar que estamos em lugar algum, não acha? – a voz de
Rony ecoou em seus ouvidos, meio sem sentido.
Hermione murmurou uma concordância e tornou-se para a janela à sua
frente. Do lado de fora, um céu muito escuro, cheio de estrelas, e sem fim. Não
se parecia com nenhum outro céu já visto por ela, nem mesmo o da Itália,
escolhido por ela como o mais belo de todos. Realmente, era maluquice dizer que
ali era um espaço de tempo completamente fora de onde viviam. Era como se
estivessem em outra dimensão, distante de pesadelos, de desastres, de
tristezas, dores e problemas.
A idéia de estar afastada de tudo deixou um arrepio passear pela sua
espinha. Ninguém estaria por perto, ninguém poderia incomodá-los ou surpreendê-los.
Ninguém apareceria no dia seguinte para acordá-los, pois aquele dia era o
oferecido aos dois para satisfazerem seus íntimos desejos e amores.
Assim, se tivesse completa sorte e sentisse totalmente calma, Hermione
sabia que nada se pareceria nunca com aquela noite. Ela poderia viajar para
muito longe, sem pensar em tarefas, em sua família, em amigos ou qualquer outro
fator importante em sua existência. Voldemort não invadiria seus sonhos
naquela noite e nem seria ameaçada de morte por ser a melhor amiga de Harry
Potter. Aquele era o dia de Hermione Granger, e mais de ninguém. Além,
logicamente, daquele ao seu lado. E então, eles poderiam se perder até antes
do amanhecer.
- Hermione, eu quero que você saiba que nada acontecerá se você não
quiser. – disse Rony, encostando seu corpo ao dela, parados ali, observando o
céu imaginário daquela noite.
A jovem encostou sua cabeça no ombro de Rony e sentiu-o abraçá-la
pelas costas, respirando profundamente seu perfume de rosas e beijando seu pescoço
com amabilidade.
- Você sabe que eu quero, Rony – respondeu Hermione, corando
levemente. – Se eu não quisesse, não teria aceitado uma oportunidade como
esta – sua cabeça tornou-se para a dele e ela sorriu introvertida. – E fico
muito feliz de você ter descoberto um lugar tão especial para esta noite.
O goleiro da Grifinória nada respondeu, apenas levou seus lábios
suavemente até os da namorada e sorriu contra eles.
Hermione virou seu corpo para o dele e passou seus braços pelo seu pescoço,
acariciando-o. Seus dedos infiltraram-se em seu cabelo vermelho como fogo e ela
notou que o corpo de Rony ficara muito maior que o dela. A impressão de tê-lo
ali, junto dela e nos braços dela, a fez sentir-se poderosa, mais ainda
desprotegida. Rony estava parecendo muito maior que ela pelo fato de que, além
de realmente ser, Hermione queria que ele a guiasse pelo caminho tortuoso e que
a protegesse dos perigos. Um novo sorriso apareceu contra os lábios dela e Rony
riu gostosamente, saboreando o momento. Nada poderia ser mais perfeito.
- Eu estou sonhando? – murmurou ele contra os lábios de Hermione. –
Por que, se eu estiver, eu imploro para que não me acorde.
As mãos de Hermione saíram de seus fios sedosos e passaram para o rosto
avermelhado de seu namorado. Rony tinha os olhos semicerrados e a voz rouca. A
garota fechou os olhos e encostou sua cabeça logo abaixo da de Rony, sentindo-o
apoiar seu queixo no topo de sua cabeça.
Lentamente, um beijo foi dado em seu fofo cabelo e Hermione sorriu. Abraçá-lo daquela maneira, como se o mundo pudesse estar acabando e eles ainda estivessem se amando, trouxe uma enorme sensação de paz e carinho. Estava ficando escuro repentinamente e ela não se importava, pois somente queria tocá-lo e senti-lo contra ela, amando-a como ela pretendia amá-lo.
Saindo do abraço de Rony, Hermione olhou ligeiramente para a cama que
havia no dormitório. Era enorme, alta, avermelhada e cheia de almofadas e
travesseiros. Um dossel alaranjado cobria toda sua extensão e Hermione imaginou
que ele não tinha utilidade alguma, porque tudo era perfeito, sozinho e somente
deles.
Repentinamente, Hermione sentiu que um dos braços de Rony passou por
seus joelhos e se postaram atrás dele, para dar-lhe sustentação.
- Rony! – exclamou surpresa, assim que notou seu corpo sendo erguido do
chão pelo namorado.
Ouvindo-o rir divertido, Hermione sorriu também e deixou que ele fosse
cavalheiro ou mesmo romântico pela primeira vez. “Ok, Hermione, não é a
primeira vez! Você está sendo má demais com ele!”, disse para si mesma,
uma risada mais alta e calorosa saindo de sua garganta.
Então seu corpo foi carregado até a beira da enorme cama e Rony ali a
colocou. Sem saber o que ele pretendia, Hermione escondeu o rosto vermelho e
Rony sorriu ao vê-la tão tímida perto dele, ainda mais numa hora como aquela.
Não podia negar que seu sonho estava se realizando e que a noite deveria ser
completamente sem erros e impecável.
Hermione não tinha a mínima idéia de que aquilo aconteceria quando
decidiu encontrá-lo para irem à biblioteca, quase à meia-noite. Naquele
momento, Rony deitou sobre ela e, ao encostar dos lábios do garoto, a jovem
sentiu ferver-se de uma maneira totalmente diferente. Ele estava irresistível,
mas de forma distinta. Viu-se desesperada para ficar mais próxima possível do
corpo dele. Era como se o dormitório começasse a ficar pequeno demais a eles,
quente demais, sufocante. Rony beijava-a de uma maneira inesperada, quase que rápida
demais para seu ritmo. Sua boca estava hábil e sua língua deslizava de um
jeito tão suave e perigoso que Hermione perdeu-se minutos apenas beijando-o.
Entretanto, as coisas não parariam por ali.
E então, ele a ergueu novamente da cama e abraçou-a sem muito jeito,
puxando a capa da Grifinória de seu corpo. Hermione segurou uma fala de
expectativa e notou que Rony estava retirando a própria capa, ainda com calma.
Porém, aquela espera não durara muito tempo.
Finalmente, Rony puxou-a para si e guiou-a até a parede que havia ao
lado da cama. Tornando-a contra a porta rapidamente e apertando-a contra a
mesma, Hermione chocou e aprofundou o beijo. A monitora arrepiou-se ao vê-lo
pressioná-la tão fortemente. O desejo que poderia estar escondido até aquele
momento, mostrava-se tão aparente e necessário. Beijavam-se com furor e seus
queixos começavam a ficar doloridos. Hermione estava quase sendo levantada do
chão pelos apertos do jovem.
- Não me acorde. – sussurrou ele novamente, a respiração ruidosa
contra seu pescoço.
Quando menos esperava, Rony estava dando passos ternos até sua cama,
desacelerando o processo, trazendo-a consigo junto ao seu corpo. Não hesitou em
seguí-lo, sem parar os beijos sequer por um segundo.
Aos poucos, Hermione sentiu-se ser deitada delicadamente no colchão da
alta e imponente cama mais uma vez. Os lençóis avermelhados se misturaram
imediatamente com o calor entre eles. A discreta franja de seu cabelo de fogo
fazia cócegas sobre as pálpebras de seus olhos fechados. O calor insistia,
fazendo Rony, inconscientemente, retirar seu colete que havia por cima da camisa
da Grifinória e jogá-lo ao lado da cama, no chão. Foi quando a garota
pegou-se fazendo algo com uma rapidez e necessidade que nunca imaginara: seus
dedos procuravam os botões da camisa de Rony com quase fúria. O jovem
levantou-se levemente surpreso e notou que seus lábios estavam inchados.
- Você... Você... – ele arriscou dizer algo, mas Hermione retirou
seus dedos de sua camisa e tocou seus lábios, fazendo-o calar.
- Nós não vamos acordar, Rony. – disse ela, um sorriso brincando em
seus lábios.
Assim que Hermione finalizou o último botão, ajudou-o a retirar a
camisa, as mãos trêmulas e desajeitadas. Deparou-se com o tórax do jovem e
sentiu-se gelar ao notar dedos correrem para retirar sua própria blusa. Rony
estava sobre ela, desabotoando seu robe da Grifinória assim como sua gravata.
Ao abrir dois botões da camisa de Hermione, Rony cruzou novamente seu olhar com
o dela apaixonadamente.
- Eu quero você, Mione. – sussurrou para a garota.
Hermione não deixou de soltar um sorriso tímido e corar ainda mais.
- Eu também te quero. – respondeu seriamente.
Agora foi a vez de Rony corar e dar um sorriso malicioso, voltando a
concentrar-se nos botões da camisa dela. Hermione ferveu mais uma vez – se
ainda fosse possível – quando percebeu Rony beijar a região acima de seu
sutiã e do seu estômago ao retirar os botões de sua blusa lentamente. O
garoto voltou ao topo da garota e beijou-a novamente com bastante vontade.
- Eu te amo. – sibilou Rony entre os beijos.
Hermione suspirou de felicidade e prazer. Rony foi observá-la mais uma
vez quando notou uma expressão quase dolorosa em seu rosto, e seus olhos
estarem inundados em água. Rapidamente, Rony parou seu trabalho e perguntou o
quê havia, preocupando-se.
- Eu só estou feliz – respondeu Hermione ofegante. – Feliz por ter
você aqui comigo – Rony sorriu plenamente. – Eu sempre te amei.
Rony largou seu corpo sobre o de Hermione e beijou-a tão
surpreendentemente que a garota viu-se arranhando ligeiramente as costas do
jovem de tanta excitação. Cada suave toque daquela garota, que se tornaria uma
mulher em seus braços, provocava sensações inexplicáveis em Rony. Também,
Hermione não deixou de arrepiar-se e assustar-se igualmente ao sentir que ele
estava tão excitado quanto ela – ele estava pressionado sobre ela, seu peso
acima do corpo dela, e Hermione pôde sentir uma pressão diferente perto de
suas pernas.
Delicadamente, Rony foi conduzindo-os pela primeira sensação de prazer
absoluto em suas vidas. Após o primeiro contato total, Hermione fechou os olhos
e soltou um leve gemido doloroso. Porém, a dor foi transformada em algo longe
do entendimento humano. Naqueles instantes, eles estavam viajando para longe,
adormecidos em seus mais profundos sonhos. Estava perfeito.
Enlouquecidos de desejo, terminaram beijando-se apaixonadamente. Eles se
amavam profundamente. Amaram-se como crianças, como garotos, como adolescentes,
e como homem e mulher. Agora entendiam tudo o que haviam passado. Seus destinos
estavam, de fato, entrelaçados por algo além do inexplicável. Seus corações
e seus corpos tornaram-se apenas um naquela noite. E, por mais que quisessem,
aquilo nunca seria esquecido. Haviam criado um elo naquele exato instante que
ninguém poderia quebrá-lo. E não era um elo físico ou apenas emocional. Era
um elo de amor, um elo de magia. Uma magia que não poderia ser destruída e que
seria levada até o fim de seus dias.
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NO PRÓXIMO CAPÍTULO:
Após
uma relativa calmaria, os ânimos se afloram numa aula de Poções e os
estudantes perdem a cabeça, causado por uma estranha reação de Malfoy.
Hermione inicia sua tortuosa viagem por visões de um tempo distante e fica
alarmada. Há algo de errado com ela? Mas nada prepararia Hogwarts para o quê
viria a seguir. Um Avada Kedavra e tudo estaria acabado.
Um
ataque de Comensais e um golpe no Ministério em “LOBO EM PERIGO”
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