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NO CAPÍTULO ANTERIOR:
A
segunda partida da Taça de Quadribol, entre Grifinória e Corvinal, é batizada
por uma estranha tempestade de raios, que se tornam protagonistas. A Marca Negra
se revela no céu tempestuoso e Harry ouve uma conversa entre Comensais e seu
mestre, Voldemort. O plano se iniciaria a partir de agora. O quê aconteceria?
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Os
braços cruzados na altura do peito, os olhos cravados no mesmo ponto: Harry. A
Ala Hospitalar nunca estivera tão lotada de alunos antes em, provavelmente,
toda a história da Taça de Quadribol em Hogwarts. De um lado, todos os
jogadores da Corvinal desacordados, a não ser pela apanhadora, Cho Chang, que
ainda carregava o pomo entre os pequeninos dedos. Do outro, os jogadores da
Grifinória, sem a mínima idéia de que haviam perdido a partida. Harry era
igualmente o único desperto entre eles. E agora, Madame Pomfrey o encarava com
nervosismo.
- Esqueça garoto, eu não vou
chamar o diretor aqui – protestou a enfermeira. – O senhor trate de se
deitar e sossegar por um minuto – depois, ela lançou o olhar em Cho. – E a
senhorita também. Largue esse pomo e descanse. Vocês vão pegar um belo
resfriado se continuarem tomando vento nas costas.
Verdade seja dita, Harry e Cho
estavam com as roupas ensopadas, no chão via-se a poça de água que se formava
debaixo de seus sapatos. Entretanto, estavam entretidos demais em seus próprios
pensamentos desesperados para pensarem em descansar numa hora como aquela. A
Corvinal havia ganhado o jogo da Grifinória – mesmo que Harry tenha permitido
que Cho pegasse o pomo em seu lugar. E Harry tinha ouvido vozes que, certamente,
combinavam e davam certas pistas sobre o plano de Voldemort. Os Comensais foram
autorizados a iniciar suas missões e aquilo deixara Harry extremamente
preocupado. As frases iam e vinham em sua mente, deixando-o ainda num estado de
transe.
Foi Madame Pomfrey dar as costas,
que fugiu da Ala Hospitalar. Batendo a porta às suas costas, Harry saiu em
disparada em direção à sala de Dumbledore. O diretor tinha que ter
conhecimento daquelas informações. Sem contar o fato de que gostaria de saber
quem fora a última vítima dos seguidores do Lorde das Trevas. A Marca Negra
aparecera no céu e aquele não era um sinal bom.
Dizendo a senha da sala do diretor
– sendo monitor, Harry tinha acesso – o jovem subiu a escada da estátua do
gárgula e adentrou. Dumbledore estava com uma carta nas mãos e Matt Holm e
Joseph Fletcher estavam parados a frente do homem. Ambos tornaram-se para trás
ao ouvirem o barulho da porta abrindo e fechando e franziram as testas ao
notarem o estado corporal de Harry. Seus fios negros estavam grudados em sua
testa, os óculos cheios de gotículas de água, a pele pingando e a roupa
completamente absorta em chuva. O apanhador da Grifinória logo buscou encontrar
os olhos de Dumbledore, mas o diretor permanecia encarando a carta em suas mãos.
- Chame Ártemis e Arabella para
mim, por favor. – pediu Dumbledore ao auror e espião.
Harry viu Matt e Joseph passarem por
ele em completo silêncio, e depois voltar o olhar ao diretor. O velho, desta
vez, estava encarando Harry por cima de seus óculos meia-lua. O jovem quase se
assustou com aquele olhar.
- Imagino que você deva querer
saber algo sobre a Marca Negra – disse o diretor sem demora. – Houve um novo
ataque a Hogsmeade.
- Na verdade, professor, eu vim aqui
para outra coisa também – Dumbledore cruzou os dedos sobre a mesa e encarou-o
com seriedade. – Eu ouvi vozes quando a Marca Negra apareceu...
E então Harry contou tudo sobre as
frases de Voldemort com seus seguidores. O diretor ficou levemente incomodado
com aquela notícia e ajeitou-se por inúmeras vezes em sua cadeira. Harry notou
que havia algo de muito errado ali. O homem parecia impaciente e muito
preocupado. Quando terminou de relatar a ele, Dumbledore franziu a testa.
- E você quer saber por que
Voldemort disse que eu estou arriscando meu pescoço convocando os Cavaleiros de
Merlin? – indagou o velho, olhando fixamente ao aluno. – Eu preciso arranjar
uma maneira de despertar os quatro herdeiros de Hogwarts, Harry – o monitor
apertou os olhos. – E os Cavaleiros me ajudarão a encontrar um jeito de
despertá-los, assim como nos defender do grande plano de Voldemort.
- Herdeiros? – repetiu o jovem confuso. – O senhor se refere
aos quatro fundadores de Hogwarts? – Dumbledore piscou os olhos e indicou
positivamente com a cabeça.
- De acordo com algumas de nossas fontes, Harry, Voldemort está atrás
dos quatro herdeiros dos fundadores de Hogwarts. – abriu o diretor, a expressão
ainda muito receosa.
- Existem então os herdeiros? – Harry repetia a si mesmo, tentando
assimilar a idéia. – Mas... – o olhar recaiu sobre Dumbledore. – O sangue
de Gryffindor, Ravenclaw, Hufflepuff e Slytherin ainda resistem a tantos anos?
– Dumbledore sorriu levemente. – Mas isto é praticamente impossível!
O diretor prosseguiu silencioso, a sua face mesclando sabedoria, preocupação e quase que graça. Assim, Harry calou-se e iniciou uma linha de pensamento sobre quem seriam os desejados herdeiros dos Quatro Grandes de Hogwarts. Encarando Fawkes, a fênix de Dumbledore, Harry preferiu engolir a pergunta que desejava fazer sobre estes herdeiros e tornou o jogo. Dumbledore e os Cavaleiros de Merlin.
- O senhor realmente confia nesses
Cavaleiros?
Dumbledore notou facilmente o porquê
daquela questão feita por Harry. Lupin havia contado a ele sobre a conversa
entre Harry e Heather e como fora a reação do jovem. Ele somente via Heather
Potter como Helderane, a Cavaleira de Merlin, e nada mais.
- Sim Harry – respondeu
Dumbledore. – Eu confio porque eu os conheço, ou ao menos um deles.
O jovem não soube explicar, mas
definitivamente sentiu que aquele olhar de Dumbledore lançou uma espécie de
corrente de calor sobre ele. Então, o velho diretor também conhecia Helderane,
a Deusa que havia mentido com toda a coragem e cara lavada sobre seus pais.
Assim que Harry ameaçou a abrir
seus pensamentos sobre Helderane para o diretor, a porta se abriu e as irmãs
Figg, Arabella e Ártemis, adentraram juntas de Holm e Fletcher. Harry notou que
Ártemis mantinha a sua famosa expressão de superioridade, e sua madrinha
parecia muito pálida. Talvez fosse somente a gravidez, que estava entrando no
seu quarto mês.
Dumbledore ergueu-se de sua cadeira
e suspirou. Harry deu espaço para Ártemis passar, enquanto Arabella passava o
braço sobre sua cintura, carinhosamente. “Não se preocupe, você ganhará
certamente da Lufa-Lufa”, cochichou a madrinha no seu ouvido. Harry sorriu
imediatamente a ela, sequer recordando o fato de que agora tinha a obrigação
de vencer a Lufa-Lufa.
- O quê aconteceu, Alvo? –
questionou Ártemis com sua voz rouca.
- Fletcher e Holm acabaram de chegar
do Ministério – disse Dumbledore, apoiando suas mãos sobre a mesa. – Um
ataque a Hogsmeade dos Comensais – Arabella sugou a respiração e Harry
notou. – Fomos obrigados a mandar alguns de nossos aliados até lá – Ártemis
bateu suas unhas contra a mesa do diretor. – E o Ministério descobriu.
Isso não era nada bom. Harry
percebeu que Arabella segurou-se mais fortemente a ele e Ártemis bufou
impacientemente, apesar de estar séria. Joseph Fletcher colocou-se ao lado da
mestra de Defesa Contra as Artes das Trevas.
- Nós recebemos um chamado de
Dumbledore sobre o ataque e escapamos do Ministério – o espião estava tão pálido
quanto a madrinha de Harry. – Acabamos encontrando a Bellacroix, o Zylkins e o
Wingnut, que eu acho que eram os únicos preparados no momento – Ártemis
cruzou os braços, movendo-se na direção de Fletcher. – Só que Hogsmeade já
estava infestada de agentes do Ministério...
- Oh homem! Diga logo o quê
aconteceu! – ralhou Ártemis apreensiva.
Matt Holm aproximou-se de Figg.
- Nós conseguimos fugir, assim como
os outros da Ordem, só que eles nos reconheceram – o auror parecia
envergonhado. – E agora Alvo recebeu uma carta do Ministério, dizendo que
estamos sendo perseguidos pelos agentes especiais do Ministério, a preço de
recompensa – Ártemis levantou uma de suas sobrancelhas. – Eles descobriram
nosso disfarce.
Arabella soltou-se de Harry e
prontificou-se.
- Mas por que vocês nos chamaram
aqui afinal? – perguntou visivelmente nervosa.
- É, vocês foram descuidados ou quê
seja, mas isso não nos diz respeito – cortou Ártemis, olhando furiosamente
para os homens. – Holm, você é um auror, pode muito bem passar despercebido
por qualquer lugar que ir – Matt pigarreou, não gostando da afirmação de Ártemis,
mesmo que ela mesma tenha sido um auror também. – E você, Fletcher, ponha-se
no seu lugar! Você é um espião! Melhor do que qualquer outro no Ministério,
você tem o poder e o dever de se disfarçar!
- Ocorreu um problema Ártemis! –
interrompeu Dumbledore, fazendo com que todos ali o encarassem, em silêncio.
– O disfarce da sua mãe também foi descoberto!
Arabella teve de se segurar em
Fletcher para não desmaiar. Ártemis não pareceu se importar muito. Porém,
Harry, que tinha bastante contato com a mulher por causa das aulas de Defesa
Contra a Arte das Trevas e a de Aprendizes, notou que seus olhos violetas
ficaram mais estreitos e brilhantes. Ela ficara definitivamente preocupada com a
mãe. Mesmo que a relação delas parecesse distante e estranha a ele.
- Onde ela está? – questionou Ártemis
em sua constante voz superior.
Dumbledore ficou com as bochechas
levemente sem cor.
- Fudge me mandou uma carta
separada, falando que eu terei de ir ao Ministério – Arabella continuou
apoiada em Fletcher. – Sua mãe está sendo mantida lá para interrogatório,
nos porões do Ministério...
- Mas eles torturam pessoas lá! –
protestou a madrinha de Harry, os olhos se enchendo de lágrimas.
- Eu irei imediatamente até o
Ministério, Arabella – respondeu o diretor em tom contido. – Agora – a
mulher fechou os olhos. – Não se preocupe, eu sei que sua mãe está sendo
mantida como uma prisioneira e que Cornélio também tentara fazer o mesmo
comigo, mas eu não permitirei que ela fique lá, acredite em mim – dizia
Dumbledore, vendo as lágrimas de desespero caindo dos olhos de Arabella. – Eu
farei de tudo, mas ela estará livre do Ministério o mais rápido possível –
Arabella soltou-se de Fletcher. – Sua mãe é uma grande amiga minha e eu a
coloquei nesta armadilha – Arabella segurou o choro. – E eu a tirarei de lá.
Com isso, Dumbledore pegou uma
pequenina sacola que estava postada no chão ao lado de sua mesa e passou por
todos, deixando a sala. Holm e Fletcher olharam cabisbaixos e desviaram os
olhares das irmãs Figg. Harry continuou paralisado, imaginando como deveria
estar se sentindo a madrinha naquele momento. Sua mãe, a Sra. Figg, estava então
aprisionada no Ministério pelos agentes de Fudge. O quê o ministro não faria
para manter seu emprego? Aquela situação já estava indo longe demais.
Ártemis parou ao lado da irmã e a
fez apoiar-se nela. Sussurrou algo sobre Arabella estar grávida e ter de manter
a calma, deixando a sala com a irmã em seguida. Harry engoliu em seco, pensando
como o mundo estava se desmanchando, como as portas se fechavam e como a paz
parecia cada vez mais longe. Voldemort estava presente com seu mal em todos os
lugares. E parecia estar conseguindo, pouco a pouco, sua vitória.
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-
Acontece, quê podemos fazer? O quê eu acho é que você não deveria mais se
preocupar com isso. – disse ela, em meio a cortes de respiração, ofegante.
Ametista pulou para longe de Harry e
manejou sua varinha na direção do namorado, jogando os fios castanhos de seu
cabelo para trás, irritada.
- Expelliarmus!
De sua varinha prateada uma luz
vermelha surgiu, dirigindo-se rapidamente para Harry, postado no lado contrário
da sua posição. O jovem estendeu o braço direito, a varinha para Ametista, e
uma intensa luz arroxeada saiu como fios delicados, quando ele disse:
- Reflectere! – disse,
enquanto os fios envolviam seu corpo, como uma barreira.
O feitiço de desarmamento da
sonserina atingiu a barreira de Harry e imediatamente foi reflexionada para ela
novamente. Ametista colocou-se a correr para o lado oposto da sala, longe do
feitiço. Parando muito próxima de Rony, que permanecia encostado ao lado de
uma das grandes janelas, observando atentamente ambos duelando, indicou sua
varinha na direção do veloz feitiço refletido a ela, murmurando em seguida um
Finite Incantatem, desfazendo o encantamento. Harry desvencilhou-se dos
fios roxos, quebrando sua barreira.
- Provavelmente – respondeu
apontando a varinha em sua direção mais uma vez, colocando-se em posição de
ataque. – O problema é que todos me olham como se eu tivesse sido o culpado
– ele engoliu duro antes de jogar o próximo feitiço. – Locomoto Mortis!
Desta vez, o feitiço saiu
perfeitamente de sua varinha, voando veloz pela sala. Ametista saiu de longe de
Rony o mais rápido possível, mas foi atingida pelo feitiço das pernas presas,
porém, somente paralisando sua perna esquerda – ela quase conseguiu desviar
completamente. Ametista paralisou e tornou-se para Harry. Ele estava vindo em
sua direção, a varinha estendida novamente a ela.
- Expelliarmus! – ela o
ouviu pronunciar, chegando bem perto dela.
Quando o encantamento estava para
atingir Ametista, a garota olhou intensamente a ele e a Harry, ainda dando
passos longos em sua direção. Estendeu seu braço e se apoiou com a perna
direita, ainda com movimento.
- Amovere! – proferiu,
exatamente ao tempo que um raio acobreado saiu de sua varinha.
Seu feitiço de afastamento atingiu
diretamente o de desarmamento de Harry e ambos se chocaram, destruindo um ao
outro, ao mesmo tempo em que faíscas amareladas saiam de seu choque e tanto
Harry quanto Ametista eram arremessados para longe. Ametista sentiu sua varinha
escapar-lhe da mão direita e caiu contra o piso, não muito longe de onde
estava anteriormente. Harry, por sua vez, voou sem controle até a parede
oposta, batendo fortemente contra uma das enormes janelas da sala alaranjada.
Harry gemeu ao sentir o poder do
feitiço de afastamento, enquanto Ametista era incapaz de erguer-se sozinha, já
que uma de suas pernas permanecia paralisada. Do outro lado da sala arredondada,
Harry ouviu-a dizer com certa dificuldade:
- De uma forma, você foi. – a
jovem confirmou com sinceridade.
Rony e os outros estavam levemente
impressionados com o avanço de Ametista, mas especialmente de Harry, com feitiços
e duelos na aula de Aprendizes. Via-se naquele mesmo momento o contentamento de
Snape e Ártemis, o mestre anulando o feitiço de perna presa da sonserina. Rony
aproximou-se do amigo para ajudá-lo.
- Chega por hoje! – anunciou Ártemis,
postada acima do andar com uma posição superior, seus braços cruzados. –
Potter, melhore sua velocidade e tente melhorar seus reflexos – Harry indicou
positivamente com a cabeça e permaneceu caído no chão, com Rony ao seu lado.
– Dumbledore, quero que se concentre onde quer acertar o rival e que pare de
ficar conversando com o seu adversário durante o duelo – Ametista confirmou a
contragosto, ficando em pé com certa dificuldade, Hermione e Gina indo ajudá-la
a levantar-se. – Agora, Malfoy, Granger, Weasley – Rony e Gina levantaram,
mas Ártemis apontou para Rony. – Dumbledore, Longbottom e Potter estão
dispensados. Weasley e Littlewood ficam.
Draco passou por Ametista,
murmurando qualquer coisa sobre ela ir a enfermaria e tomar um banho com os
amiguinhos grifinórios antes de retornar a Torre da Sonserina. Ametista lançou-lhe
um olhar mortal e Draco seguiu seu caminho com a cara amarrada. Hermione
percebia que desde a volta de todos eles das datas festivas de final de ano,
Ametista e Draco andavam estremecidos um com o outro. As ofensas eram cada vez
piores.
Enquanto isso, Harry erguendo-se do
chão com Rony, dirigiu-se a namorada, a fim de continuar com a conversa. Já se
passaram quatro dias desde a notícia sobre a prisão da mãe de Ártemis e
Harry ainda não recebera qualquer tipo de novidade. Dumbledore continuava
desaparecido, não comparecia a nenhum dos eventos ou refeições. Ártemis
parecia normal novamente, com sua arrogância elevada ao cubo nos últimos dias.
Arabella também continuava sensível e não aparentava nervosismo ou tristeza
nas aulas de Aparatação ou mesmo quando ele ia visitá-la. Ele simplesmente não
tocava no assunto até Arabella tocar. Como ela não tocava, não sabia de nada.
Outro incômodo era sobre sua conversa com Ametista. Toda a turma da Grifinória passou a olhar para Harry como se ele fosse um monstro, por ter perdido o pomo a Cho. Claramente, ele havia ocultado o fato de que havia permitido que Cho ficasse com o pomo, em vez de simplesmente perde-lo na disputa. O fato era de que todos olhavam-no desacreditados ou decepcionados. E Harry estava ficando impaciente com tudo aquilo.
Despedindo-se
dos outros companheiros, Gina pensou o porquê da mestra ter segurado ela e
Babelon ali. Aquele perfume intenso de vinho a enjoava, começara a reparar. Sem
contar o constante cinismo da lufa-lufa com ela, e somente com ela. A loirinha
costumava ignorá-la durante as aulas que tinham juntas, em Aprendizes adorava
quando ou Snape ou Ártemis tinham alguma observação negativa a ela e estava
sempre olhando feio a ela nos corredores. Apenas quando estava acompanhada de
Julian Hawking ela não o fazia.
Esta também era uma outra novidade
em sua vida. Desde a comemoração de Natal na Toca, em que encontrou Julian
Hawking acompanhando seu primo, Cole, tinha tornado-se muito amiga dele. No
Natal mesmo, passaram metade da noite juntos, conversando e rindo de diversas
coisas, de incríveis experiências que ambos tiveram. Ao retornarem a Hogwarts,
o jovem do sexto ano da Lufa-Lufa, a mesma casa de Babelon, continuou
procurando-a para conversar. Gina estava contente, pois pela primeira vez tinha
um verdadeiro amigo homem. Ou ao menos era o quê parecia. Aliás, ela não
poderia esquecer que teria um novo encontro com Julian nas estufas, lugar onde
geralmente sentavam para conversar toda semana.
E lá estava ela, com Babelon
postada ao seu lado espalhando sua essência de uvas e encarando-a com um olhar
inocente, mas que Gina via uma montanha de malícia. A ruivinha engoliu em seco.
- Vocês duas ainda não me
mostraram se melhoraram ou aprimoraram seus patronos – começou Ártemis,
colocando as mãos em sua cintura, enquanto Snape conjurava algo como uma grande
caixa à esquerda da mestra. – Gostaria de testá-las hoje – Gina e Babelon
entreolharam-se. – Espero que não me decepcionem, se não serei obrigada a
substituí-las.
Ambas confirmaram com suas cabeças.
Gina colocou a mão dentro de seu casaco e em seu bolso, apertando a varinha
entre seus dedos nervosamente. Não, ela não havia treinado sequer um dia desde
a última experiência com Patronos. Simplesmente porque temia um novo encontro
com um dementador, mesmo sabendo que aquilo era importante para mantê-la nas
aulas de Aprendizes.
Há pouco mais de dois meses, ela
havia sido testada pela primeira vez. Babelon e Neville também. E o resultado não
havia sido satisfatório, ao menos aos padrões de Snape e Figg. Neville havia
conseguido conjurar uma névoa muito próxima de um patrono, que provocou uma
intensa reação de contentamento de Ártemis, não de Snape, claramente. Nas
duas semanas seguintes, finalmente, Neville fora chamado e conseguira fazer um
patrono perfeito. Ele disse a Gina que era um hipogrifo. Gina riu na hora, mas
Neville parecia inundado em alegria. Então entendeu que aquele melhoramento e
aperfeiçoamento estavam rendendo-lhe felicidade. Isso sim era fundamental.
- Srta. Littlewood primeiro. –
disse Snape, afastando-se da grande caixa.
Babelon parecia calma ao se
aproximar da caixa postada verticalmente. Gina sabia que dali sairia alguma
coisa transfigurada em um dementador perfeito. Horrendo, com suas mãos cheias
de feridas e bolhas de pus, sua face – na verdade, aquela bola acima de
seu corpo – assustadora e a pior sensação que Gina já havia sentido antes.
Ártemis postou-se ao lado da grifinória.
Snape bateu a varinha ao lado da
caixa e lentamente uma figura encapuzada, muito mais alta e esguia que Babelon,
usando a capa negra e dirigindo sua mão nojenta à garota, saiu se revelando
completamente. Gina sentiu aquele frio a tomando. Suas mãos pareciam mergulhá-la
num mar de gelo, o frio se espalhando pelo seu corpo aos poucos, lenta e
cruelmente.
- Expecto Patronum! –
gritou a loira, apontando sua varinha ao dementador e fechando seus olhos
castanhos.
Pouco a pouco, o ligeiro fio
esbranquiçado que saía da varinha de Babelon foi se transformando em uma névoa
prateada, sem forma aparente, ao menos bloqueando o dementador a aproximar-se
dela. Ártemis soltou um muxoxo insatisfeito.
Gina começou a sentir faltar o ar.
Sem pensar, ela agarrou no braço da mestra e colocou a outra em seu peito,
ofegando fortemente. Ártemis pareceu arregalar os olhos surpresa, enquanto Gina
esgueirava-se nela em desespero. Snape lançou um olhar rápido a professora,
para tentarem se entender ao contato ocular como costumavam fazer, e viu a aluna
da Grifinória caindo dos braços de Ártemis. No mesmo minuto, ele murmurou seu
próprio patrono e ele nem bem se formou, mas o dementador voltou para dentro da
caixa com pressa.
Babelon abriu os olhos e olhou com
confusão para o mestre de Poções. Entretanto, ele não estava mais ao lado da
caixa de onde o dementador saiu. Tornando-se para trás, observou Snape e Ártemis
ajoelhando-se ao lado de Gina Weasley. Algo deveria estar muito errado com ela.
Os antigos grandes olhos castanhos
de Gina foram substituídos por enormes olhos negros, em que parecia que sua
pupila havia dilatado em demasia. Ártemis foi guiando-a ao chão sem ter muita
certeza do que poderia estar acontecendo a ela. Quando Snape aproximou-se,
agachando do outro lado da garota, olhou-a com atenção, depois os lançou a
professora à sua frente.
- Somente Arabella fica assim, dessa
maneira – murmurou Ártemis a Snape, os olhos cuidadosos. – Mas ela não tem
o poder de visões.
Snape continuou calado, observando
Gina em alerta. Logo em seguida, Babelon abaixou-se à frente de Gina sentada
entre Ártemis e Severo.
- Eu acho que ela está tendo uma
lembrança – disse em tom baixo. – Uma lembrança que havia sido apagada de
sua memória.
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Gina
estava imóvel. Os olhos fechados. O corpo endurecido. A mente confusa. Sentia
que estava deitada sobre algo molhado. Percebia que suas roupas começavam a
ficar úmidas, gelando sua pele. Estava desconfortável. E especialmente com a
cabeça doendo fortemente.
- Está na hora de acordar, meu bem.
Era uma voz suave, de um homem
certamente, num tom de atenção e doçura. Com muita dificuldade, Gina
conseguiu abrir seus olhos, mesmo que a abertura fosse pequena. Suas pálpebras
estavam pesadas demais.
Surpreendeu-se logo de cara. Aquele
não era seu cabelo, batendo em seus ombros. E também suas mãos não eram tão
pequenas. E havia mais coisa enchendo seu uniforme da Grifinória na região torácica.
Havia algo de muito estranho acontecendo ali.
Lentamente, ela conseguiu colocar-se
sentada no chão gélido e molhado. Não eram suas pernas, não eram seus pés.
Todos muito finos ou muito pequenos para suportar seu corpo de quinze anos. E
quando seus olhos atingiram a linha reta, encontrou-se num lugar muito familiar:
a Câmara Secreta.
Aquele era seu corpo de onze anos de
idade, quando estava ainda em seu primeiro ano de Hogwarts. Lançando um olhar
pelo corredor enorme, recordou as inúmeras estátuas de cabeças de serpentes,
todas em sentido de sibilar e infectar seu veneno no inimigo ou na presa. O piso
era gelado, pois havia uma grande porção de poças d’água que se estendiam
em todo seu caminho.
Mas, foi tornando-se para trás que
a realidade caiu como um grande balde de gelo em sua cabeça. O homem
paralisado, olhando fixamente a ela. Seus olhos castanhos e perigosos,
maliciosos. Seu cabelo também castanho, mas que caía perfeitamente em seu
rosto fino, o nariz alinhado e a boca de lábios finos. O terror tomou conta de
Gina. Era Tom Riddle. Ou, para os mais próximos, Lorde Voldemort.
- Gostou das acomodações? –
perguntou ele, sua voz num tom perspicaz o bastante para deixá-la em alerta.
Gina preferiu não responder. Ainda
não entendia ao certo se aquilo era uma simples lembrança ou mais.
- A Câmara Secreta é realmente
fascinante, não concorda? – disse ele novamente, abrindo os braços e rodando
em seu lugar, dando uma olhada geral na caverna.
Mais uma vez, ela continuou omitindo
sua voz em resposta. Tom Riddle abriu um sorriso satisfeito.
- Sabe, Gina – ele disse
seu nome com tanto cuidado que fez com que um arrepio atingisse a jovem. Um
arrepio de terror. – Pode se levantar. Imagino que deva ser realmente estranho
voltar ao seu corpo de onze anos, mas é a única forma de entrar em contato com
você.
Então ele sabia. Gina ergueu-se com
cautela, os olhos grudados em Voldemort júnior, e colocou-se em pé no seu
corpinho de menininha. Tom riu e deixou um outro sorriso perspicaz surgir.
- Surpresa em me reencontrar? –
Gina nada respondeu. – Algum gatinho comeu sua língua?
A ruiva engoliu longamente, temendo
mostrar seu nervosismo a ele, tremendo.
- Que você quer comigo? –
questionou ela, sua voz de quinze anos se mantendo ao menos.
- O quê eu poderia querer com você,
Gina? – a voz de Riddle parecia ameaçadora demais. – Você é uma
simples garota sem importância aparente, que seria mais útil invisível, tendo
uma melhor amiga sangue-ruim, aliás, toda sua família, os Weasley, não é
mesmo? Amante de trouxas – Voldemort quase cuspiu ao dizer isto. – Não é
capaz de conjurar sequer um Patrono, pertence a Grifinória e, como se tudo isso
não fosse suficiente, faz questão de estar sempre respeitando o melhor amigo
do seu irmão, Harry Potter. Até uma relação de amizade, estou certo?
A caçula dos Weasley mordeu sua língua
dentro de sua boca, segurando a tensão e a raiva por ouvir Tom Riddle dizendo
aquelas coisas sobre sua família e seus amigos.
- É muito simples o quê eu poderia
querer com você – continuou Voldemort, sorrindo. – Para quê você seria útil
a mim? É tudo muito simples mesmo.
- Então diga de uma vez, seu verme!
– gritou Gina em resposta, perdendo a paciência completamente.
Voldemort riu muito alto desta vez,
sua risada ecoando por toda a Câmara Secreta, a Câmara construída por
Slytherin, onde no futuro seu herdeiro deveria matar todos os nascidos trouxas
com aptidões bruxas. Os sangue-ruins, em sua linguagem. Gina franziu as
sobrancelhas, ouvindo a risada de Riddle ir e voltar em seu tímpano, como se
todas aquelas serpentes refletissem o som de sua vitória.
- Acho que o único verme, o único
parasita aqui, nesta bela Câmara, Gina, é você – Tom Riddle disse, andando
na direção da Gina de onze anos. – A senhorita é quem vive nas sombras, nas
costas dos outros, aproveitando-se das chances, da seleção de seu irmão ser o
melhor amigo de Potter e dele ter uma forte consideração por você.
- Você é completamente maluco...
– murmurou Gina em tom de perplexidade.
- Não sou maluco, Gina – a jovem
não agüentava mais ouvi-lo repetir seu nome com tanto prazer. – Somente
queria aproveitar um momento e revê-la. Revê-la antes do nosso encontro final.
Gina congelou. Do que ele estava
falando?
- Que encontro final? – perguntou
antes que sua mente a mandasse calar a boca.
Voldemort de dezessete anos sorriu a
grifinória e passou o dedo fino em seu queixo, fazendo o pequeno corpo de
menina encará-lo totalmente. Depois, ele molhou os lábios com a língua.
- Você foi a minha segunda
escolhida, Gina – respondeu Tom Riddle. – Você já esteve em meu poder
antes, e estará novamente. E não precisa esperar muito, em breve nosso
encontro final será memorável – e ele terminou com um sussurro, abaixando-se
até ficar do tamanho dela. – E certamente inesquecível.
Como num choque, Gina sentiu o corpo
esquentar-se com ferocidade e a imagem de Tom Riddle agachado à sua frente
desaparecer e ficar turva diante de seus olhos.
Quando voltou a si, encontrou
Babelon abaixada à sua frente, Ártemis à sua direita e Snape à esquerda,
todos a encarando com curiosidade. Gina apenas soltou um soluço e deixou as lágrimas
que estava contendo caírem de seus olhos.
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-
ELES FIZERAM O QUÊ? – gritou Ametista furiosamente.
Dumbledore encostou-se a sua cadeira
e suspirou impacientemente. Ametista estava à sua frente, encarando-o com uma
enorme expressão de incredulidade e descrença. A neta do diretor via a imagem
do rosto do homem pelas chamas esverdeadas da lareira da sala dos professores em
Hogwarts. Ao seu redor, os outros mestres da Escola acompanhavam-na, parecendo tão
desacreditados quanto ela.
- Isto mesmo, Ametista – confirmou
o diretor, com a voz parecendo cansada. – E não é motivo para surpresa. Eu já
esperava por isso e achava que todos também deveriam – a jovem soltou um
muxoxo ainda muito nervoso. – Cornélio me prendeu aqui.
- Mas isso é um absurdo! –
vociferou a garota novamente. – Ele simplesmente não pode te prender aí no
Ministério porque quer! Isso é abuso de poder!
Lupin parou ao lado da jovem e
colocou uma mão em seu ombro. Depois, pediu que Ametista se acalmasse e
tornou-se para a imagem do rosto de Dumbledore em meio às chamas.
- Alvo, como ele fez isso? Com que
poder?
A voz de Lupin parecia tão
apreensiva quanto a de Ametista. Quando voltou a de Dumbledore, parecia muito
mais calma e controlada do que Ametista já vira.
- Foi por isso que ele deteve
Arabella aqui – disse o diretor, fazendo menção a Sra. Figg. – Cornélio
interrogou Arabella pessoalmente e, como não ganhava respostas, submeteu-a a Veritaserum...
- O QUÊ?! – desta vez, o berro
viera do fundo da sala, de Arabella, a filha.
Dumbledore pigarreou.
- Isso mesmo, Arabella – o tom do
velho parecia bastante decepcionado. – A nova especialidade do Ministério não
é mais a tortura enrustida, e sim o uso da Poção da Verdade – Arabella
soltou um sonoro grito de reprovação. – E eles obrigaram sua mãe a tomá-la.
Sirius paralisou ao lado de Lupin e
olhou gravemente às chamas esverdeadas.
- Então isto significa que está
tudo perdido, não é mesmo? A Ordem da Fênix foi para o espaço... –
murmurou o mestre de Transformação Humana, desanimado.
- Na verdade não – a resposta de
Dumbledore veio rápida, fazendo com que todos o encarassem com mais seriedade
ainda. – Eu cheguei a tempo de deter Fudge e o esquadrão de agentes especiais
dele – todos ouviram o suspiro aliviado de Arabella. – Em poucos minutos a
poção faria o devido efeito e tudo realmente teria sido um esforço em vão
– aos poucos, eles iam se entreolhando. – Mas o fato principal é que ele já
sabe que estamos planejando algo contra Voldemort, por mais que ele negue sua
existência.
McGonagall apareceu de trás de uma
porta, parecendo agitada.
- Me avisaram, vim o quanto antes,
Alvo – disse a mulher aflita. – Eles realmente estão te aprisionando aí?
- Sim, eles estão e não me soltarão
tão cedo, Minerva – era impressionante como era possível ver a esperança
clara nos cintilantes olhos azuis de Dumbledore. – Por isso mesmo também
precisarei de você, comandando Hogwarts na minha ausência – McGonagall
ajeitou os óculos rapidamente, concordando com a cabeça freneticamente. – E
principalmente, dê todo o suporte e apoio aos Cavaleiros de Merlin.
- Certamente, Alvo, fique tranqüilo.
– assentiu a mestra de Transfiguração.
Repentinamente, Dumbledore tornou-se
para Arabella.
- Onde está Ártemis? – perguntou
o professor.
- Estou aqui, Alvo. – anunciou a
mestra, saindo de trás de Snape, postado ao fundo da sala.
- Ártemis, quero você, Matt e
Joseph aqui o mais rápido possível – quando Ártemis pensou em perguntar o
porquê, não houve tempo. – Arabella também. Por favor, todos vocês já
prestaram serviços ao Ministério e iremos criar uma forma de me tirar dessa
prisão.
A mestra de Defesa Contra a Arte das
Trevas e a de Aparatação concordaram rapidamente. Sirius se prontificou, mas
Dumbledore levantou uma mão na altura do rosto em meio à lareira.
- Já sei o quê vai falar, Sirius,
mas não há outro jeito – disse o diretor, agora irrequieto. – Quero que
você e os outros membros da Ordem estejam preparados para qualquer tipo de
ataque enquanto não estiver presente em Hogwarts – exigiu Dumbledore. – Azíz
e Victoria foram tomar providências. Azíz está aqui comigo e Victoria voltou
à Nova York para tentar uma audiência com o Ministro norte-americano também,
para conversar com Fudge – o velho procurou fôlego. – Ele já está ciente
dos ataques de Voldemort e agora todos fora do Ministério e influentes no mundo
mágico estão procurando formar um Conselho de Ministérios para parar Fudge.
Um homem pareceu resmungar algo atrás
da imagem de Dumbledore e o diretor confirmou com a cabeça serenamente. Seus
olhos brilharam novamente.
- Ametista, prometa a mim que não
se meterá em nenhuma confusão.
A jovem abriu a boca para protestar
com o pedido na frente de todos os mestres de Hogwarts quando desistiu. O rosto
de seu avô parecia incrivelmente desgastado por estar aprisionado ali por
alguns poucos, mas longos dias.
- Eu prometo somente se eu for capaz
de visitá-lo. – disse a garota, com a testa franzida.
Um pacífico sorriso despertou nos lábios
do velho homem.
- Claro que poderá – falou
Dumbledore, parecendo amolecer a voz. – Venha depois que os outros voltarem.
Caso eu não seja liberto daqui, venha e traga Harry consigo. Precisava muito
conversar com ele.
Ametista confirmou com a cabeça e
sorriu ao avô, a raiva se dissolvendo em um carinho imenso. A imagem do rosto
cansado de Alvo Dumbledore foi desaparecendo em meio ao fogo esverdeado da
lareira e todos ficaram em completo silêncio até que ele desvaneceu por
completo.
Ártemis e Arabella caminharam para
fora da sala, a fim de procurarem Fletcher e Holm, que estavam escondidos ainda
em Hogwarts. McGonagall dirigiu-se para comunicar aos alunos sobre a suspensão
de Dumbledore. Os outros professores saíram para darem suas aulas. Naquele
comprido âmbito, ficaram Lupin, Black, Snape e Ametista.
A sonserina ergueu-se do chão e
sentou numa das cadeiras da longa mesa de carvalho dos professores. Lupin
postou-se ao lado dela e conjurou um pergaminho e uma pena, começando a
escrever freneticamente. Snape olhou de esguelha para o lobisomem e encarou o
horizonte pela janela. Sirius encostou-se na parede e bufou, sem muito o quê
dizer.
Quando Ametista levantou seu olhar a
Snape, com quem não falava há mais um mês, notou que o mestre tinha o braço
esquerdo erguido e retirando do caminho a cortina que cobria a visão exterior
do castelo de Hogwarts. Repentinamente, Snape soltou um grito.
Lupin parara de escrever e Sirius
encarou-o assustado. O professor de Poções levou sua mão direita
imediatamente ao seu antebraço esquerdo e mordeu ferozmente o lábio inferior,
na tentativa de esconder a tamanha dor que se espalhava pelo seu corpo. Remo
deixou a mesa e paralisou ao lado de Severo. Sirius fez o mesmo, sem pensar em
quem era aquele que sofria a dor.
Assim que Snape retirou a mão sobre
o antebraço, sua vestimenta negra estava grudada sobre ele. Remo olhou-o em dúvida
e depois para Sirius. O homem parecia pensar o mesmo que ele. Então, Lupin
ergueu com calma a vestimenta. A visão não era nem um pouco agradável. O
antebraço de Snape estava sangrando, exatamente acima da Marca Negra – seu símbolo
de seguidor e Comensal da Morte. E envolta do sangramento, havia marcas roxas,
vermelhas, marrons, como se o antebraço de Snape estivera queimando.
Ametista apareceu ao lado de Snape e
o encarou com certa raiva e nojo. Nunca vira antes a Marca Negra no antebraço
do homem e ver agora só aumentava sua raiva.
- Afaste-se daqui Ametista! –
gritou repentinamente Snape, tornando-se para longe dela.
Segurando um berro de ódio,
Ametista observou Lupin encarar com preocupação o antebraço de Severo e
Sirius olhando a ela. Ametista engoliu em seco e notou que mesmo Sirius parecia
angustiado com toda aquela situação. Aquilo só poderia ser um recado de
Voldemort.
- Isso nunca aconteceu antes –
murmurou Snape a Lupin. – Nunca doeu dessa forma.
- Snape, por acaso Voldemort tentou
se comunicar com você nesses últimos dias? – questionou Remo seriamente.
Ametista continuava a manter o
contato visual com o pai.
- No dia do jogo entre a Grifinória
e a Corvinal – respondeu Snape, segurando um suspiro em seguida. – Ele
informou-nos de que o plano começará a ser posto em prática.
- Dumbledore sabia disso, Snape? –
indagou Lupin muito inquieto.
- Sim, eu havia contado a ele isso,
Lupin, ou você acha que ocultaria um fato como este? – irritou-se Snape,
soltando um grito depois ao sentir Remo tocando-o em seu antebraço ferido.
Sirius, ao ouvir isto, caminhou na
direção da filha, a fim de retirá-la da sala. Ametista pensou em relutar, mas
apenas conseguiu ouvir Snape dizendo a Lupin, antes de ser retirada do âmbito:
- A Guerra vai começar em pouco
tempo e é bom que estejamos preparados.
![]()
Três
dias depois e ainda Gina fazia questão de manter em possível segredo aquilo
que acontecera na aula de Aprendizes. Sabia que Babelon andava estranha perto
dela, como se estivesse planejando alguma coisa, mas realmente não se
importava. Tinha outros problemas para se preocupar. Por exemplo, a tal escolha
que Voldemort dissera a ela. Havia sido a segunda escolhida, mas não havia a
menor idéia do que significava aquilo.
Ao menos, ainda havia uma coisa que
a fazia não pensar em uma confusão eminente com Voldemort ou mesmo seu irmão
– se Rony descobrisse a sua tal visão, estaria literalmente em maus lençóis.
Gina estava andando pelos corredores com certa pressa, sua saia cinza voando em
suas pernas e o casaco envolvendo seu corpo com força. A jovem não queria que
ninguém descobrisse onde estava indo. Ou com quem estava indo se encontrar.
Especialmente, mais uma vez, seu mesmo irmão, Ronald Weasley.
Estava frio do lado de fora, mas nem
tanto. Gina estava quente, e não sabia bem o porquê. Talvez fosse por ter
praticamente corrido uma maratona desde sua Casa, ou ainda por estar novamente
ali. A estufa localizava-se afastada, em relação à Torre da Grifinória. Mas
ainda assim, era melhor. Quanto mais longe de Rony, melhor. Retirando a capa de
seu uniforme dos seus ombros, Gina olhou em volta. Havia inúmeras orquídeas
sobre as bancadas, penduradas por arames no teto, no chão e mesmo naquela
enorme mesa de centro. A estufa número um era a menor de todas, e ainda assim,
a mais bela. Havia tantos tipos de orquídeas ali que Gina não seria capaz de
contar. Mesclavam-se orquídeas azuis e brancas com vermelhas e verdes, amarelas
e negras com lilases e cinzas. Parecia um tapete de flores tão belas e difíceis
de serem cultivadas naquela época do ano. Porém, pensando bem, a primavera
estava praticamente se iniciando.
- Estou muito atrasado?
Gina tornou-se para a entrada da
estufa e sorriu timidamente. Julian estava parado ali, encarando-a com um
meio-sorriso, desajeitado. Percebeu que ele estava sem o robe da Lufa-Lufa, e
sim com uma roupa casual. Procurando não corar com a presença dele, a jovem
tornou-se para as orquídeas que estavam colocadas às suas costas em
prateleiras.
Julian Hawking havia se tornado uma
ótima companhia nos últimos meses. Desde o encontro na Toca, no Natal, ela não
parou mais de tê-lo sempre por perto. Amigo de Cole Weasley, um dos primos de
primeiro-grau de Gina e Rony, Julian passou a andar bastante junto da garota, um
ano mais nova que ele. Tornaram-se amigos rapidamente, encontraram inúmeras
afinidades. E, de uma forma ou de outra, ajudou Gina a retirar sua cabeça de
Draco Malfoy. Ou ao menos, nos momentos em que estavam juntos.
- Como foi a reunião na quinta? –
perguntou ele, chegando perto dela.
Gina deu um passo para o lado, sem
pensar. Chocou o pé num dos vasos de flores.
- Um saco – e olhou para ele,
vendo que seus olhos se arregalaram confusos. – Digo, a Figg não desiste de
me encher de defeitos e agora também há aquela... – começou a dizer
rapidamente, inventando a desculpa na hora, sem querer mencionar a conversa com
o Lorde das Trevas a ele.
Entretanto, repentinamente, Gina
recordou que Hawking aparentava ser bastante amigo de Babelon. E há muito mais
tempo que ela. Então, falar mal da Srta. Littlewood não parecia uma idéia
muito esperta. Ela engoliu em seco e imediatamente interrompeu a frase.
- Aquela...? – repetiu Julian
curioso.
-
Aquela confusão de sempre entre todo mundo – tentou consertar, meio sem
jeito. – Sabe como é, não é fácil colocar numa sala meu irmão, Harry e
Draco Malfoy.
Julian pareceu aceitar a resposta da
garota, concordando com um aceno de cabeça e sorrindo logo depois. Gina sentiu
um frio na barriga.
- E você vai me contar o quê foi
aquele transe que você teve na aula? – perguntou Julian, levantando apenas
uma sobrancelha e lançando um olhar incrivelmente reprovador sobre Gina.
A grifinória segurou a respiração.
Como ele estava sabendo?
- Babelon me disse ontem. –
respondeu ele, ainda que Gina pudesse questioná-lo sobre como descobrira aquele
fato.
Encostando-se à mesa central, Gina
largou o corpo ligeiramente, bastante tenso.
- Acho que ela começou a contar a
todos a partir de hoje de manhã – murmurou Julian, ainda encarando-a com
receio. – Ao menos desconfio que logo seus amigos descobrirão.
Gina tinha os olhos arregalados a
Julian. A jovem abriu e fechou a boca inúmeras vezes antes de prosseguir com a
conversa.
- Como você poderia ter certeza de
que eu não contei a ninguém? – indagou a ruivinha.
Julian aumentou a proximidade do seu
corpo com o de Gina, colocando-se agora à frente dela.
- Porque eu te conheço, Gina –
disse Hawking simplesmente. Aqueles olhos azuis cravando em sua pele com
sinceridade. – Eu sei que você não contaria nada ao seu irmão,
principalmente. Esqueceu que conheço os Weasley pelo Cole também? – Gina
deixou escapar um ligeiro sorriso. – Vocês são cruéis, nunca vi uma família
tão ciumenta em toda minha vida.
A jovem riu e pensou como tinha tido
problemas no decorrer de seu crescimento por conta do máximo protecionismo dos
Weasley, fosse de seus irmãos em Hogwarts ou de seus pais fora da Escola. Ser a
caçula de sete irmãos, todos homens, poderia ser muito mais complicado que
passar com nota máxima em Poções, especialmente pertencendo a Grifinória.
Ainda rindo, a ruiva deu um ligeiro
soco no braço de Julian e sacudiu a cabeça negativamente. Respirando fundo,
ela decidiu contar a ele.
- Você realmente quer saber? –
Julian franziu a testa e concordou. – Porque não é legal – Julian abriu a
boca para soltar uma exclamação, mas Gina não permitiu. – Certo. Você deve
ter ouvido que eu já... Eu já... – Gina engoliu longamente. – Eu já fui
possuída por Você-Sabe-Quem.
Neste momento, o semblante de Julian
mudou completamente. O jovem ficou estranhamente pálido, os olhos opacos e o
sempre leve sorriso que residia em seus lábios não estava mais ali. Indicou
com a cabeça positivamente. Gina suspirou.
- Enquanto a Littlewood tentava
conjurar um patrono, eu fui transportada para a Câmara Secreta – Hawking
deixou a boca levemente entreaberta. – E o Você-Sabe-Quem estava lá, em sua
versão mais nova, como Tom Riddle – Julian deu um passo para trás. – Ele
tentou me torturar mentalmente. Mas eu consegui voltar antes que ele fizesse
alguma coisa a mais.
- Mas você está realmente bem? –
perguntou o jovem, ainda afastado e macilento.
Gina indicou que sim. Na verdade, não
revelaria também o fato de que Voldemort havia dado, praticamente, um aviso prévio
a ela. Gina abaixou a cabeça. Julian estava quieto, sem reação além da
palidez, estralando os dedos. Gina levantou a cabeça e observou-o. O lufa-lufo
estava com a testa franzida e o corpo extremamente rígido. A grifinória via os
músculos de seu queixo tencionarem.
- Por que eu acho que você ia dizer
algo sobre Babelon? – indagou Julian, de uma vez só.
Os grandes olhos castanhos de Gina
cresceram, desesperados. Então, ele não havia acreditado em sua estória
anterior à de Voldemort. Seu coração disparou. Não poderia ser sincera com
Julian. Não a respeito de Babelon Littlewood. E além do mais, Hawking não
parecia muito confortável de conversar sobre Voldemort. Lá estava ele mudando
de assunto.
- Co-como assim? – gaguejou,
fingindo confusão.
Julian apoiou-se sobre uma das
bancadas, cheias de orquídeas coloridas e diversas.
- Vamos dizer que Babelon anda
reclamando demais sobre uma certa Virgínia Weasley – disse, num tom de
brincadeira. – Ela é muito atrevida, Julian, você precisa ver. –
Julian imitou com a voz de Babelon.
- Atrevida?! – aborreceu-se Gina.
O jovem do sexto ano soltou uma
risada abafada. As bochechas de Gina estavam rosadas, contente por vê-lo reagir
normalmente de novo e envergonhada de seu deboche. Em seguida, Julian colocou as
mãos nos bolsos de sua calça. Gina permanecia com a face incrédula. Percebeu
que a cor voltava lentamente ao rosto do lufa-lufo.
- Eu já te falei que namorei
Babelon?
“Oh, oh!”, pensou a
grifinória velozmente. Aquilo não parecia nem um pouco bom. A garota ficou um
tempo em silêncio, parecendo chocada demais para dizer algo. Julian ameaçou
aproximar-se dela novamente, preocupado e com um sorriso de zombaria nos lábios,
mas Gina pareceu acordar logo em seguida.
- Você namorou aquela garota?! –
gritou nervosa.
- Namorei, por oito longos meses –
respondeu Hawking, soltando um suspiro vitorioso em seguida. – Foi legal, mas
nada dura para sempre, entende?
Boquiaberta, ainda pasma, Gina
respondeu:
- Então é por isso que ela não me
suporta, certo? – perguntou a ele, levantando as sobrancelhas. – Só porque
você e eu nos tornamos tão amigos...
Julian deu de ombros, sem saber o quê
responder. Estranhamente, ele continuava encarando Gina persistentemente,
carregando a postura despreocupada.
- Há quanto tempo vocês não estão
mais juntos? – questionou Gina, com a testa franzida.
- Terminamos no final das férias,
faz uns seis meses, mais ou menos. – respondeu natural.
A partir disso, Gina começou a
formar planos em sua cabeça. Ninguém mexia com uma Weasley sem receber nada em
troca. Não seria Babelon Littlewood que a provocaria apenas por estar tão próxima
de Julian Hawking. Aquilo não significava nada. Eles eram apenas amigos, mesmo
que houvesse algumas ótimas faíscas entre eles freqüentemente.
Assim, a garota encarou Julian com
cuidado. O jovem era lindo. Seu cabelo tão escuro e arrepiado, os olhos azuis e
o sorriso largo e conquistador. Era verdade que seu gênio não era fácil de se
lidar, mesmo porque o dela também não era. Porém, havia um charme quase
irresistível no Sr. Hawking. E, como se a beleza e sua personalidade não
fossem o bastante, as características como lealdade e bondade da Lufa-Lufa
estavam estampadas em Julian. Era apenas encará-lo, parecia tão fácil e
delicioso ler seus olhos...
Então,
era só seguir seus instintos. Gina, notando como aquela estufa cheia de orquídeas
permitia um cenário deslumbrante, colocou-se na ponta dos pés e colocou sua
estratégia em prática. Seria fácil, seria uma vingança sobre Babelon, sobre
Rony e, principalmente, sobre Draco. Roçando seus lábios num modo sedutor,
Gina beijou Julian.
No entanto, momentaneamente, Julian
a afastou com choque. Gina foi empurrada contra a mesa central das orquídeas,
sem entender. O jovem tinha os olhos arregalados e deu dois passos para trás,
desordenados.
- Que foi isso, Gina?! – perguntou
Hawking, a voz ofegante. – Ficou maluca?!
Gina ficou sem palavras
primeiramente, surpresa com a reação de Julian. O jovem do sexto ano postou os
olhos sobre a grifinória e esperou uma resposta, a testa franzida e os olhos
arregalados.
- E-eu... – murmurou a ruivinha
debaixo de sua respiração. – Eu gosto de você, Julian.
Hawking soltou a respiração com
calma e permaneceu com o olhar a Gina. Sustentando-o, disse:
- Pois você não deveria – desta
vez foi Gina quem ficou com o semblante chocado. – Não sou a pessoa certa
para você, entenda.
Mais veloz do que ela esperava, Gina
estava colada a Julian novamente, surpresa com aquilo.
- Do que você está falando? Eu sei
quem é a pessoa certa para mim! – Gina esbravejou nervosamente.
- Não, você simplesmente não
passa a gostar de alguém sem conhecê-lo antes, Gina! – quando a garota ameaçou
abrir a boca para responder o esperado, Julian colocou o dedo indicador sobre a
boca da grifinória. – Você infelizmente não me conhece – novamente, Gina
tentou articular uma resposta, mas Julian não permitiu. – Meus pais, Gina,
sabe o porquê deles não passarem o Natal comigo, não conhecerem seus pais ou
sequer aparecerem na Plataforma antes de nós embarcarmos para cá? –
lentamente, ele foi retirando o dedo dos lábios de Gina, a garota em silêncio.
– Porque eles estavam em Azkaban! Meus pais eram Comensais da Morte!
Gina pensou exatamente no mesmo
momento em Draco Malfoy. Parecia que carregava uma enorme atração por filhos
de Comensais de Voldemort atualmente. No entanto, a idéia de que Julian parecia
tão amigável e bom, como um verdadeiro Lufa-Lufa, não combinava em nada com o
esnobe e ambicioso Draco Malfoy, um legítimo sonserino. Por mais que ela
quisesse apagar aquela comparação, Gina já estava recordando a atitude tão
característica de Draco.
- Isto não importa – respondeu, a
voz em baixo tom. – O quê realmente importa é que você não é um Comensal
e nem se tornará um no futuro... – Gina deu uma pausa desconfiada. – Certo?
Julian ergueu as sobrancelhas.
- É lógico que não me tornarei um
Comensal, Gina! – confirmou com exaltação. – Só que isso é muito
perigoso a você, já que você mesmo disse que entrou em contato direto com
Voldemort – Hawking estava ainda ofegante. – Não quero que nada aconteça a
você.
Gina sorriu ligeiramente, os lábios
cerrados, e disse:
- Você só me demonstra que pais não
seguem os filhos – sua voz estava embargada em emoção. – Que há exceções
nesse mundo – Julian engoliu em seco, corando. – E eu não me importo se
seus pais eram Comensais ou se por causa disso eu esteja em perigo, porque eu
somente pretendo estar com você.
Não esperando pelo resultado de sua
revelação, Julian sorriu marotamente e piscou com um olho só a ela. Gina
corou e olhou para as orquídeas à sua volta. O jovem a puxou pelo antebraço e
fechou os olhos, enquanto seus lábios chegavam nos dela, seus tão frios e
finos encontrando tão quentes e carnudos. O perfume de Gina misturou-se aos das
orquídeas e Julian sorriu contra os lábios dela, antes de aprofundar o beijo,
feliz.
![]()
Nunca
o caminho de volta à Torre da Grifinória pareceu mais maravilhoso a Gina
antes. A Torre da Lufa-Lufa ficara na direção oposta, portanto Julian seguira
seu caminho independente da nova namorada. “Namorada?”, pensou a
garota do quinto ano, franzindo as sobrancelhas. Realmente, parecia surreal
acreditar que estava finalmente namorando alguém. E ainda alguém como Julian
Hawking.
Logo depois que o lufa-lufo a
beijou, Gina sentiu um costumeiro frio na barriga. Um frio gostoso. Mas não
arrebatador. Não que aquilo a preocupasse, em absoluto. Porém, gostaria que
seus beijos tivessem um tempero maior. Um tempero como o de Draco Malfoy.
“Droga! Qual é o seu problema,
Gina?!”, gritou a mente da jovem em revolta. Pela primeira vez, um rapaz
se interessava por ela verdadeiramente – sim, porque achava aquilo que tivera
com Malfoy uma tremenda palhaçada – e ficaria comparando-o com Draco Malfoy.
Isto não era nem um pouco justo! “O Draco faz parte do seu passado! Agora
você deveria dar graças que está namorando alguém legal e bom como Julian”.
Entretanto, por mais que a cena de
Julian a pedindo em namoro em meio às orquídeas fosse muito especial e
encantadora, o beijo que Gina tivera com Draco era inesquecível. Parecia que
aquela noite havia ficado impregnada, grudada em sua cabeça cada vez que o via
ou simplesmente lembrava dele. A discussão tão séria e verdadeira, a real
face cruel daquele jovem sonserino, o modo com que seu nome saía da boca dele.
Julian era carinhoso. Draco era um
idiota. Julian era sorridente. Draco vivia rindo de sua cara. Julian era tudo
que alguém poderia querer. Draco era tudo que alguém poderia enojar. Julian
seria gentil com sua mãe e sua família, mesmo quão pobre eles fossem. Draco
iria transformar todos eles em estátuas numa coleção de cabeças de amante de
trouxas e sangue-ruins. Julian era como orquídeas. Draco eram somente os
espinhos delas.
Virando um corredor bastante escuro,
Gina chocou-se com a visão dele: Draco Malfoy. Definitivamente, aquele era o último
ser na face da Terra que pretendia ou desejava encontrar numa noite especial
como aquela. Gina fechou a cara e levantou uma única sobrancelha.
Para sua surpresa, Malfoy não
pareceu percebê-la ali. Gina piscou seguidamente e notou que Draco estava
paralisado, com um papel entre seus dedos. Surpreendentemente, aquilo não
pareciam notícias boas, já que suas mãos estavam incrivelmente trêmulas e
sem controle. Seu queixo estava tencionado e os olhos apertados com uma força
incomum. Era quase como se Malfoy estivesse decepcionado.
Gina suspirou para si mesma,
contente que ele parecia tão entorpecido na própria carta do que nela e
decidiu dar a volta, para ir embora e passar despercebida. Contudo, assim que
rodou em seus calcanhares, ouviu a voz às suas costas:
- Aonde pensa que vai, Weasley?
A grifinória segurou um xingamento
em sua garganta e apenas tornou-se para trás, encarando Draco. O sonserino
estava com a pele muito pálida e uma expressão vaga, como se nem estivesse
acordado ou ciente de que conversava naquele exato momento com Gina.
- Vou aonde eu quiser, Malfoy. –
respondeu a jovem, dando novamente a volta para dirigir-se à Torre da Grifinória.
A voz de Draco voltou com mais
sutileza, mas cheia de raiva.
- Isto mesmo, vá aonde quiser,
Weasley. Ninguém está te segurando.
Gina não esperou para perguntar o
quê Draco queria dizer com aquilo, pois foi logo tomando seu rumo. Um peso
deixou seu coração, pensando que aqueles costumeiros encontros com Malfoy,
onde se saía do nada a lugar nenhum, acabariam logo. Se Julian ou mesmo um de
seus irmãos, mais precisa e principalmente Rony, soubessem desses furtivos e
curiosos encontros com Draco Malfoy, tudo iria por água abaixo.
No mesmo momento que Gina deu as
costas ao corredor anterior onde estava Malfoy e virou no próximo, a voz voltou
com mais força e ódio.
- Aproveite enquanto há tempo.
A caçula dos Weasley paralisou
imediatamente, gelando completamente. A voz de Tom Riddle encheu sua mente, e
seu coração pareceu parar de bater.
“Você foi a minha segunda
escolhida, Gina. Você já esteve em meu poder antes, e estará novamente. E não
precisa esperar muito, em breve nosso encontro final será memorável. E
certamente inesquecível”.
Sem esperar muito, Gina tornou-se de
volta à direção oposta e virou o corredor. Porém, não esperava que Draco
estivesse a poucos metros dela e, quando virasse, chocasse seu corpo contra o
dela. E também não contava que Draco no mesmo instante a beijasse.
Além de inesperado, certamente,
Gina não ficou surpresa com a atitude de Malfoy. E também não ficara nem um
pouco chateada ou mesmo nervosa. Seu corpo denunciava que ansiava por aquilo.
Ansiava por senti-lo envolvê-la em seus braços, bem maiores que os dela.
Ansiava por encontrar os dedos do jovem trilharem sua linha da coluna e
provocarem rubores em seu rosto. Ansiava pelo contato mínimo que suas mãos
faziam com os cabelos dele, tão sedosos e claros. Ansiava por estar somente
ali, unida a ele, mesmo que por alguns raros momentos, em que se sentia
completa.
Os lábios de Draco estavam
inquietos e eles pareciam numa busca incessante por calma. Agitados, nervosos,
trêmulos. Gina não poderia deixar passar o tremor não apenas nos lábios de
Malfoy. Suas mãos que percorriam suas costas e cabelo e cintura estavam mais trêmulas
ainda. O corpo do apanhador da Sonserina estava fraco e frágil no pequeno da
grifinória. As pernas não paravam quietos, provavelmente porque se parassem, não
sustentariam o corpo dele. Sua respiração estava entrecortada, ansiosa, quase
amedrontada. Gina tinha os olhos fechados, mas notava como todo o ser de Malfoy
irradiava medo e decepção. Era como se aquele pequeno papel que ele tinha nas
mãos tivesse mudado sua vida.
Aos poucos, Gina ia se amarrando a
Draco com mais intensidade e os beijos aumentavam no tempo e na proporção,
mais encantadora e desesperada que nunca. Em toda sua vida nunca recebera um
beijo como aquele, cheio de temor e receio. Os olhos de Draco, mesmo fechados,
tremiam com força e rebeldia, temendo em abrir e parar o momento tão
libertador a ele e a Gina. Ondas elétricas se soltavam e trocavam de um corpo
ao outro. Gina sentia-se como que presa ao corpo de Draco, por mais que quisesse
se soltar. Como se estar beijando Malfoy fosse salvá-lo daquele visível estado
de transe e choque.
Era definitivamente inegável que
havia algo de errado com ele. Mas, mais errado do que Gina estava fazendo
naquele exato momento não existia. A jovem do quinto ano estava beijando o
principal inimigo de seu irmão mais próximo, o filho do maior inimigo de seu
pai, o herdeiro de uma fortuna de maldade, o descendente de um seguidor do Lorde
das Trevas e um possível candidato a novo Comensal da Morte de Voldemort. Gina
estava simplesmente maluca. Estava traindo o namorado. O mesmo namorado que há
pouco a pedira em namoro. Como ela poderia ser tão inconseqüente? Como poderia
colocar em risco sua nova relação com Julian e com a sua própria família?
Por causa de um jovem muito bonito, mas incrivelmente maligno? Por isso?
Porém, o fato era que Gina sabia
muito bem o porquê de tudo aquilo. Virgínia Weasley, infelizmente, estava
apaixonada por Draco Malfoy. E vinha apaixonada por ele há muito tempo.
Provavelmente depois do seu primeiro encontro com ele no novo ano em Hogwarts,
na Loja de Logros e Traquinagens dos Weasley. Ou então, muito antes, na última
noite sua em seu quarto ano, em que passara com Draco aos beijos no banheiro
feminino. No final de tudo, aquilo não importava. O quê era realmente
importante passara despercebido, especialmente por vontade própria. Gina estava
apaixonada por Draco. E isso seria sua ruína se não parasse agora mesmo.
Não foi preciso muita força física
para soltar-se dele, mas principalmente mental. Gina não queria deixar de beijá-lo,
de sentir seu corpo contra o dela, de suspirar ao vê-lo tão entretido somente
nela e em nada mais, não importando se era uma Weasley ou uma Malfoy. Se era
uma amante de trouxas e tinha uma melhor amiga sangue-ruim. Draco estava somente
beijando Gina e nada mais.
E então ela quebrou o beijo. Dando
um passo para trás e soltando suas mãos do pescoço de Malfoy, Gina abriu os
olhos e separou seus lábios do dele. A sensação de olhar dentro daqueles
olhos cinzentos e extraordinariamente charmosos de Draco foi horrível. Saber
que estava apaixonada por ele e que não ficaria com ele era doloroso demais.
Por mais que Gina quisesse, o erro já havia sido cravado em seu coração. A
jovem havia escolhido o caminho belo na mente e o doloroso no coração.
Sem dizer uma única palavra, Gina
deu as costas e, desta vez, dirigiu-se à Torre da Grifinória sem interrupção.
Seu coração iria deixar de palpitar daquela maneira quando encontrasse com
Draco. Sua mente deixaria de pensar nele e somente nele. Sua boca não ficaria
mais seca ao encontrá-lo e não beijá-lo. Gina deixaria sua paixão por ele
passar, de uma maneira ou de outra. De qualquer jeito.
Após alguns minutos que Gina o
deixara ali, Draco soltou a respiração e ergueu a cabeça, puxando de seu
bolso novamente o pergaminho que estivera olhando antes de beijá-la mais uma
vez. Ali dizia:
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NO PRÓXIMO CAPÍTULO:
Diante do caos aparente, ainda há uma última chance de descanso para os nossos heróis. Abril chega e traz consigo o aniversário de Ametista. No clima da primavera, os romances e os perdões se afloram. Mas nada dura para sempre.
Curta os últimos momentos de paz e felicidade em “ANTES DO AMANHECER”
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